Notas iniciais
Espero que gostem. E pra quem tanto queria conhecer mais sobre a Rosalie, aqui está...

Era quase dez horas da manhã e Rosalie já estava exausta.

Ela parou no meio da sala, ergueu o rosto para o teto e se esticou, ergueu os braços e depois arqueou um pouco as costas, que doíam de tanto pra se abaixar pra pegar todo o lixo espalhado pela sala de sua casa, deixado por seu marido e os amigos deles na noite anterior.

Com um suspiro e o saco de lixo na mão, ela terminou de pegar a última lata de cerveja e jogou dentro – onde já tinham outras latas e garrafas de cerveja, bitucas de cigarro, quatro caixas de pizza vazias, pedaços de pizzas jogados no chão, guardanapos – e arramou o saco. Deixou-o no chão e foi recolher as cartas do baralho que estavam espalhadas pelo chão e arrumou a mesa em que eles tinham jogado antes, passando um pano com lustra móvel nela. Arrumou o sofá, espanou algumas migalhas de comida e tirou uma mancha de molho de tomate do estofado. Levou o lixo para a área de serviço e pegou um balde e um rodo. Molhou o pano, torceu, colocou no rodo e passou pelo chão da sala, que estava imundo, alguém tinha derrubado cerveja, pisado e então andado ao redor, o que deixou lamacento e marcas de pés por todos os cantos. A casa não tinha ar condicionado e todo o trabalho estava lhe fazendo suar, mas ignorou o calor, lavou o pano no balde, torceu e continuou a limpeza. Quando sua sala estava impecável novamente, voltou à área de serviço, jogou água suja fora, lavou o pano e guardou o rodo. Voltou à cozinha e lavou rapidamente toda a louça suja, secou e guardou tudo, se certificando de deixar a pia seca e impecável. Abriu a forno, o rosbife que tinha feito pra ela e Royce ainda estava inteiro – depois da briga que tiveram, ele saiu de casa e ela esperou preparando o prato favorito dele, às dez horas ele ainda não tinha chegado, ela ficou sem fome e acabou adormecendo; quando acordou no meio da madrugada escutando vozes masculinas, saiu do quarto e parou do corredor, não queria que a vissem, então só escutou Royce e pelo menos outros cinco homens jogando pôquer, conversando e rindo alto, falavam do jogo e os outros homens falavam sobre mulheres, voltou ao quarto e preferiu ficar quieta, fingindo dormir até que adormeceu novamente. Nem o escutou voltar pra cama, mas acordou às oito horas da manhã e começou a limpeza da casa, eles tinham deixado muita bagunça e não queria que Royce se irritasse novamente. Cheirou o rosbife e, como estava bom, guardou na geladeira e foi preparar o café da manhã de Royce, além de comer em algo também, porque estava com fome.

Não queria mais brigas, estava cansada delas. Royce tinha um temperamento forte e, mesmo jamais tendo encostado um dedo nela, era explosivo e costumava gritar quando estava em um de seus acessos de fúrias.

A briga tinha começado na madrugada de sábado para domingo, quando ele foi buscá-la no bar. Ele a buscou normalmente, mas estava frio e seco, ignorou as tentativas dela de puxar assunto e não disse uma palavra, mas quando entraram em casa e fechou à porta, ele explodiu: “você acha que eu sou algum idiota ou você quer me fazer de otário na frente de todo mundo?!”, foi a primeira coisa que ele gritou. Ela não entendeu nada, então ele explicou tudo, alguém que estava lá naquela noite tinha ligado para Royce pra lhe dizer que ela passara a noite inteira no balcão flertando com um estranho. Ela tentou se defender, sinceramente, tinha feito tudo fazia normalmente, a única pessoa que tinha conversado no balcão tinha sido Emmett e não fizeram nada além de conversar separados pelo enquanto ela servia os outros clientes, o servindo ocasionalmente também. Ele foi dormir furioso e ela, chorando. Na manhã de domingo, ligou para sua mãe e disse que não iriam ao almoço de família, passou o dia se dedicando a pedir desculpas a Royce fez um lindo café-da-manhã que serviu na cama e ele logo lhe disse que não podia evitar o ciúme, a amava e não queria perde-la pra outro homem. Rosalie amoleceu na hora e disse que jamais aconteceria, então o restante do dia tinha sido perfeito, tinham feito amor, assistido filme juntos e passado o dia juntos, mas no fim da tarde, Royce disse que ela devia parar de ir para o bar e então discutiram novamente, porque pra ela aquilo não era uma opção. Depois de gritar sobre como ela devia gostar de ser cantada por vagabundos, que ela era sua esposa e que mataria qualquer um que a tocasse, ele saiu de casa batendo a porta. Ela odiava quando ele gritava. Ainda mais quando ele gritava se aproximando. Ele nunca a tinha agredido ou levantado à mão pra ela, mas Rosalie ainda ficava assustada com o quanto o rosto dele ficava vermelho e as veias saltavam em sua testa e pescoço enquanto ele gritava enfurecido. Foi então que resolveu fazer o seu prato favorito e lhe pedir desculpas novamente, mas ele não tinha voltado pra casa, voltou apenas horas depois e com alguns amigos para beber e jogar pôquer.

Todo casal tem suas crises e momentos difíceis, ela repetia a si mesma. Royce tinha muita pressão sobre ele, desempregado e com a grande hipoteca da casa pra pagar. Rosalie sabia que deviam ter investido em uma casa menor ou talvez um apartamento, ao menos nos primeiros anos do casamento, mas ele garantiu que conseguiria arcar com a dívida, mas acabou perdendo o emprego cinco meses depois que eles se mudaram para a casa. Tinham as contas para pagar, a hipoteca, os custos do carro que mantinham e os custos extras, como o dinheiro que ele ganhava fazendo bicos era inconstante, tudo dependia do dinheiro dela, mas ela tinha que trabalhar por ele, não podia simplesmente ir ao bar no final do mês e retirar uma quantia sem ter feito nada por ele, não seria justo, mas Royce não entendia assim, ele entendia que ela estava sendo explorada pela própria família e devia fazer algo a respeito, pegar seu dinheiro e parar de trabalhar naquele “buraco”, como o chamava.

Royce a amava, por isso tinha ciúmes e ficava furioso em pensar em perdê-la, além de querer protege-la. Estava bem com isso, não seria pior se ele simplesmente não se importasse? Era o que se dizia sempre que acabava chorando por uma das discussões. Aquele era seu casamento, iria lutar até o fim pra que desse certo, assim como os dos seus pais. Iria ser fiel aos seus votos até que a morte os separasse.

Colocou um sorriso no rosto quando escutou um barulho vindo do corredor, Royce estava acordando. O café estava pronto na cafeteira, já tinha arrumado a mesa pra ele e terminava de fazer os Ovos Benedict, do jeito que ele gostava.

— Ovos Benedict? — Royce perguntou na porta da cozinha.

— Sim, do jeito que você gosta. — desligou o fogo, pois já estava pronto e deixou tudo no fogão, se virando para o marido. — Eu só... Não queria que tivéssemos brigado Royce, só quero ficar bem com você, espero que aceite isso como meu pedido de desculpas.

— E você também arrumou a sala. — ele disse sentado junto à ilha da cozinha.

Geralmente usavam a mesa da sala de jantar, a que ela até tinha arrumado para o café, mas não disse nada. Apenas se prontificou a pegar um novo prato, talheres e um copo pra ele.

— Acho que eu e os caras deixamos uma bagunça, né?

— Tudo bem. — Rosalie sorriu. — Você quer café ou suco?

— Café.

Ela assentiu, trocou o copo por uma caneca e colocou na frente dele, pegou a jarra da cafeteira e a encheu. Pegou o pote de açúcar e entregou a ele – Royce sempre reclamava que ela adoçava demais ou de menos, então deixava que ele se servisse.

— Royce? — o chamou suavemente.

— Os ovos, Rosalie, eu estou com fome.

— Claro. — sorrindo, ela pegou a frigideira e com a espátula passou o conteúdo para o prato dele.

— Royce? — começou novamente, hesitante. — Estamos bem?

Ele ergueu a cabeça, mastigando enquanto a encarava.

— Eu sinto muito, Royce, eu não queria discutir ou te deixar irritado, nós só... Precisamos entrar num acordo.

— Tudo bem, Rosalie, eu te desculpo. Todos nós cometemos erros, você pode cometer uma porção deles, mas eu sou marido e te amo, sempre vou te amar.

Por uma fração de segundo Rosalie ficou confusa, pelo que tinha sido desculpada? Mas o alívio foi mais forte que qualquer outro sentimento.

— Está maravilhoso, querida, você se superou dessa vez.

Ele estava sorrindo, então tudo estava bem novamente. Rosalie sorriu.

— Obrigada.

— Mmm... — ele tomou um gole do café. — Um amigo me ligou e apareceu um trabalho aí, então vou lá ajuda-lo.

— Que trabalho?

— É uma construção no centro, vou trabalhar pra caralho por muito pouco, mas já é alguma coisa.

— Você não precisa ir se for assim tão ruim, amor, você pode esperar alguma outra coisa, algo melhor.

— Nossas contas não vão esperar eu encontrar algo melhor, Rosalie, não seja estúpida. — ele zombou e encheu a boca novamente.

— Eu... — seu sorriso vacilou por um segundo, mas respirou fundo e o manteve no rosto. — Você quer que eu te prepare algo pra você levar de almoço?

— Uma marmita? — ele gargalhou. — Pelo amor de Deus, por que você está cheia de sugestões estúpidas hoje?

— Eu só pensei que como o trabalho já não vai ser fácil, também não queria que você ficasse com fome o dia todo.

— Uma esposinha tão preocupada comigo, o mais eu poderia pedir aos céus? — ele disse rindo com a boca cheia. — Obrigado, querida, eu amo a sua comida, mas vou ficar bem.

— Tudo bem, então eu vou pro Cullen’s.

— O que? Fazer o que tão cedo?

— Trabalhar.

— Você vai começar com isso de novo? Você sabe que eu não gosto daquele lugar. — disse cuspindo as últimas palavras com desprezo.

— Aquele lugar é o lugar da minha família e só vou ajudar no almoço, volto no fim da tarde.

— Exatamente, Rosalie, é o seu lugar e você não devia ter que trabalhar lá atrás do balcão como uma daquelas garçonetes putinhas.

— Royce, por favor, não fala assim das meninas.

Ele revirou os olhos.

— Só estou falando a verdade, todas aquelas garotas são vagabundas que se atiram em cima de qualquer cliente e você vai acabar ficando com fama por estar perto e ai fica feio pra mim, como ficou ontem.

— Eu te disse que não estava fazendo nada e você disse que confiaria em mim.

— Eu confio em você, é nos outros que eu não confio. Uma mulher tão bonita quanto você sozinha eles acham que podem fazer o que quiser.

— Todos sabem que eu sou casada e eu nunca dei margem pra nada disso.

— Mas as pessoas ainda veem maldade, será que você não entende?! E ai eu fico como trouxa da história que deixa a mulher ficar a noite toda conversando com outro macho num bar, porra!

Rosalie deu um passo pra trás.

— Tudo bem, você não precisa gritar. — disse com a voz trêmula e sentiu as lágrimas crescer em seus olhos.

Royce suspirou.

— Vem aqui, querida. — ficou de lado na cadeira e, quando ela se aproximou entre suas pernas, pousou as mãos na cintura dela. — Eu sinto muito, não queria gritar com você é que... Deus, a ideia de outro homem te tocando me enfurece, você sabe que eu te amo, não sabe?

Ela assentiu.

— Sei. E eu te amo também, Royce. — abaixou a cabeça e o beijou suavemente.

— Será que você não entende? Você não precisa trabalhar porque você é a dona daquele lugar, devia apenas pegar o que é seu por direito, sua herança, querida.

— Eu não tenho herança nenhuma porque meus pais ainda estão vivos, Royce, nada ali é meu, além do mais, se eu parasse de trabalhar esse tempinho o que faria da minha vida no meu tempo livre?

— Eu posso pensar em algumas coisas. — sorriu malicioso. — Além de cuidar da nossa casa e de mim, talvez pensar em aumentar nossa família.

— Royce... — ela começou, mas ficou sem palavras. Já tinha falado sobre filhos com ele, era o seu maior sonho, mas ele sempre tinha desviado do assunto ou dito que ainda era cedo, que deviam aproveitar mais a vida de casal, e agora ele estava falando por iniciativa própria sobre aumentar sua família.

— Como podemos ter filhos se você se mata trabalhando naquele lugar por uma miséria, querida? Aposto que o Edward pega bastante.

— Ele só pega pelo que ele trabalha. — defendeu o irmão prontamente. — Eu vejo as contas, está tudo certo, assim como ele, eu também tenho que trabalhar pra conseguir o meu salário, pra te ajudar a manter nossa casa.

— Que porra é essa de ‘pra me ajudar’?! — ele esbravejou e se levantou rapidamente, fazendo-a dar dois passos para trás, assustada. — Você está dizendo que eu não sou homem suficiente pra manter essa casa?!

— Eu não disse...

— Quando te faltou alguma coisa, Rosalie?! — ele gritou novamente.

— Nunca, Royce, eu não disse que você não...

— Desculpa se eu não posso te dar a porra de uma vida de princesa como seus pais, mas eu me esforço, porra! Você acha que é fácil arranjar um emprego? Nem todo mundo pode ir trabalhar no bar dos pais, Rosalie!

Rosalie piscou e as lágrimas desceram por seu rosto, mas ainda assim tentou sorrir.

— Eu sei meu amor, eu só disse tentar te ajudar, claro que você me mantém e me dá tudo que eu preciso, mas temos algumas outras dívidas e queremos aumentar nossa família, você não disse isso?

— Aumentar nossa família? Com você me tratando como um bosta que você tem que sustentar? — ele deu uma gargalhada incrédula e sem humor. — Acorda pra realidade, princesinha, não podemos nem aumentar nossos canais da tv a cabo, Rosalie, mesmo com todo o dinheiro que você acha que ganha pra sustentar nossa casa. — ele debochou com um sorriso cínico.

Ela fungou assustada e surpresa com a sua explosão. Saiu da sua frente enquanto ele foi à geladeira e pegou uma garrafa de cerveja, abriu e deu vários goles longos.

Ofegante depois de engolir o líquido, com um pouco escorrendo por seu queixo, ele se aproximou.

— E não ouse bancar a superior pra cima de mim porque a porra do dinheiro que você ganha enquanto fica igual uma vagabunda com seus peitos saltando e seu rabo balançando naquele maldito bar mal dá pra pagar nossa hipoteca, você só age como uma garota mimada estúpida porque não conhece a vida real! — ele gritou apontando o dedo em seu rosto. — Dá licença que eu vou trabalhar e tentar conseguir dinheiro pra que você não sustente nossa casa sozinha.

Rosalie fechou os olhos e deixou as lágrimas descerem silenciosamente por seu rosto. Quando escutou a porta da frente bater, colocou as mãos trêmulas rapidamente sobre a boca para abafar o barulho dos soluços do seu choro e o grito que cresceu em seu peito.

. . .

Bella tinha três coisas em mente enquanto destrancava o loft de Emmett naquele início de noite: tomar um banho, comer alguma coisa e dormir.

A segunda tinha sido agitada no restaurante, além do trabalho, ela estava com a cabeça agitada pela organização da noite das tortas. Ela precisava decidir o cardápio pra que pudessem fazer os convites e iniciar as vendas deles, além de também encomendar os ingredientes. Ainda achava que talvez fosse um serviço e responsabilidade demais, mas estavam todos tão animados que ela não pode deixar de se animar também, então talvez desse certo, ao menos se esforçaria ao máximo pra isso. E entre isso, ainda tinha que aproveitar os pequenos momentos livres pra trocar carícias com Edward, mas esses foram momentos raros naquele dia já que, sem Rosalie no trabalho por motivos pessoais, ele ficou ajudando Esme e Carlisle no balcão e no resto do serviço. No final de seu dia, ela nem perguntou se iriam fazer alguma coisa juntos, pois ele também estava exausto, com um beijo de despedida, ela entrou em um táxi e voltou pra casa.

E naquele momento que entrou em casa a primeira coisa que escutou foram altas gargalhadas masculinas. Era um som tão familiar que ela ficou surpresa, era a risada de Emmett e Jacob.

O que Jacob estava fazendo ali?

Entrou fechando a porta atrás dela e encontrou os dois na sala, Jacob no sofá e Emmett na poltrona, conversando e rindo como velhos amigos, como realmente eram.

— Jake? O que você está fazendo aqui? — não conseguiu disfarçar a surpresa.

— Onde está sua educação, Isabella? — Emmett ralhou com ironia. — Não é assim que se recebe uma visita.

— E eu pensando que minha visita ia agradar, devo estar perdendo o meu jeito com as mulheres mesmo. — Jacob brincou se levantando.

— Cala a boca, eu estou feliz em te ver, Jake.

Sorrindo, ela se aproximou, jogou sua bolsa no sofá e o abraçou com força.

Jacob era um pouco mais alto e muito mais largo que ela, seus braços envolveram sua cintura com cuidado e naquele abraço familiar e confortável percebeu o quanto tinha sentido a falta do seu melhor amigo de tantos anos.

— Também estou feliz em te ver, Bells. — ele disse e beijou seus cabelos.

— Mas sério — sem sair dos braços dele, ela se afastou o suficiente só pra olhar em seu rosto. — O que você está fazendo aqui?

Jacob riu e a soltou.

— Eu vim visitar você e o seu irmão.

— Ele até pagou o jantar, Isabella, então não reclama da visita. — Emmett disse.

— É até difícil acreditar que seu irmão é um advogado reconhecido e honesto, porque qualquer prato de comida é suborno pra ele.

Bella gargalhou.

— Não sei se acredito muito na coisa de estar aqui apenas de visita, mas como trouxe comida, estou aceitando.

— E pelo visto ser subornado com comida é uma coisa da família Swan.

Emmett e Bella riram juntos. Enquanto Jacob voltava a se sentar, Bella foi ao balcão ver o que ele tinha trazido para jantar. E de longe sentiu o cheiro.

— Comida italiana! — ela disse empolgada. — Ravióli pra mim?

— De cogumelos. — Jacob respondeu.

— Eu amo você, Jacob Black! Eu preciso tomar banho porque estou suada, mas já volto pra comer. — ela voltou pra sala, tirou os sapatos junto ao sofá e subiu correndo as escadas. — Emmett não ouse tocar nos meus cogumelos!

— Adorável, não? — Emmett riu.

Seu banho não demorou mais do que dez minutos e já tinha uma muda de roupa pronta pra se trocar, um conjunto de moletom azul claro e deixou os cabelos soltos. Desceu rapidamente, ignorando a conversa de Emmett e Jacob, focando apenas na comida.

Tinha um pacote pardo fechado sobre o balcão, que era seu. Abriu e a embalagem de plástico onde estava seu jantar, ainda estava quente, então apenas passou pra um prato e pegou um garfo.

— Eu abri um vinho e tá na geladeira, Bella. — Emmett avisou. — Assim como a sobremesa, tiramisu.

— Eu amo muito vocês nesse momento, eu juro.

Os dois apenas riram. Ela pegou uma taça e a garrafa de vinho, que estava pela metade – os meninos a beberam apenas no jantar e agora conversavam bebendo cervejas –, então sentou junto ao balcão para jantar, virada para eles.

— Jake estava me contando sobre o encontro com a Leah, Bells. — Emmett começou divertido.

— Nossa cara, você realmente sabe como ser sútil, hein.

Emmett deu ombros bebendo sua cerveja.

— Mmmm. — Bella engoliu rapidamente, surpresa ao lembrar daquilo apenas naquele momento. — Verdade!

Pegando o prato e a taça, Bella se levantou rapidamente e sentou ao seu lado, colocou a taça no chão e pegou o garfo novamente.

— Você precisa me contar sobre isso agora. Oh, espera, é sobre isso que você quer conversar, certo? Por isso veio me ver?

— De certa forma, sim. — ele encolheu os ombros.

— Bom. — Bella sorriu. — Você pode contar comigo pra isso, não só porque eu sou e sempre serei sua amiga, Jake, mas também porque eu quero saber sobre esse tipo de coisa.

— Você não veio exatamente me contar que estava saindo com outro cara né? E nem que estava trabalhando pra ele.

Bella olhou para o irmão.

— Nem me olha assim. — Emmett se defendeu. — Eu apenas comentei que você estava trabalhando no restaurante, sobre o Edward ele já sabia.

— A Leah me contou quando levou a moto na oficina, foi antes de saber sobre nós.

— Eu só... Não sabia como te contar e nem se eu devia, sinto muito, Jake.

— Sem ressentimentos, Bells, estamos bem. — Jacob sorriu.

Com um sorriso doce e compreensivo como sempre, às vezes toda essa doçura e compreensão fazia Bella quer soca-lo, será que ele tinha que ser bonzinho e adorável como um filhote de cachorro o tempo todo? Fazia qualquer um se sentir culpado por fazer qualquer coisa, mesmo que sem querer, contra ele.

— Então, me conta sobre essa coisa com a Leah. — Bella pediu sorrindo e encheu a boca com seu ravióli.

E Jacob começou a contar uma versão resumida do que aconteceu. Basicamente, tinha achado Leah interessante e atraente desde que ela apareceu na oficina, então a chamou pra sair quando ela foi buscar a moto do conserto; tiveram uma noite ótima, então ela recebeu uma mensagem e perguntou sobre o que ele tivera com Bella no passado, quando contou a verdade, Leah surtou e foi embora.

— A mensagem foi da Kate. — Emmett disse. — Melhor amiga da Leah.

— Então o que? Ela tem algo contra mim?

— Nada pessoal, ela só sabia como Leah se sentia sobre sair com ex de alguma amiga dela. — Bella explicou. — Mas isso é... Completamente diferente.

— Eu tentei explicar isso, mas ela é bem... — Jacob suspirou.

— Eu sei. — Bella riu. — Conheço Leah há pouco tempo, mas sei exatamente como ela é.

— Mas não é difícil entender o lado dela, certo?

Bella e Jacob olharam para Emmett com expressões fáceis de interpretar: de que lado você está, porra?

— Vamos lá, Jake, você sairia com alguma ex-namorada minha? Ou pior, uma ex-noiva?

Jacob franziu o cenho e, com desgosto, bebeu sua cerveja.

— Exatamente. Bros before hoes; chicks before dicks. Isso pode não ser uma regra obrigatória, mas algumas pessoas levam muito a sério e isso devia fazer vocês admirarem Leah ainda mais, só quer dizer que ela é fiel pra caralho.

— Então você acha que eu devo desistir antes mesmo de tentar algo com ela?

— Como se eu tivesse alguma moral pra falar sobre desistir de algo mesmo quando se é óbvio que se deve desistir. — Emmett resmungou e levou sua cerveja a boca, dando longos goles.

— Do que você está falando?

— Ele está meio que afim da irmã do Edward. — Bella respondeu com a boca cheia.

— Essa ele não tinha me contado. O grande Emmett afim de alguém? Essa é realmente uma surpresa. — Jacob riu. — Qual o problema disso, cara? Ela não te quer?

— Quem me dera. — ele se levantou. — Quer outra cerveja?

— Quero. Então, qual o problema?

— Ela é casada. — Bella respondeu novamente, ainda mastigando.

— Porra, cara.

— Eu sei. — Emmett riu sem humor e voltou pra sala com duas garrafas de cerveja, entregou uma a Jacob e voltou a sua poltrona. — Assim como Leah tem seu código de não sair com ex de amigas, eu não saio com mulheres casadas. É tudo sobre aquilo que você quer e não pode ter.

— Eu sinto muito, Emmett.

— Não há nada que possamos fazer a respeito, então vamos voltar ao seu problema, Leah.

— Eu tentei ligar, mas ela não me atende, nem responde minhas mensagens. Por isso eu vim aqui, Bella, eu... Deus... — ele coçou a cabeça. — Eu nem sei como te pedir isso, parece errado te colocar no meio e te usar, eu só...

— Você quer que eu fale com ela?

— Você faria isso por mim? — ele perguntou tão esperançoso que a fez sorrir.

— Claro que sim, Jake.

— Eu não quero que você a convença a sair comigo, isso eu posso fazer, só preciso que você diga a ela que nós dois somos apenas amigos e que estamos seguindo em frente, que você não se importa que eu saia com ela. Quero dizer, você não se importa, certo?

— Não, na verdade, eu acho que você e Leah ficam muito bem juntos. — Bella sorriu. — Contanto que você esteja feliz e que seja com uma pessoa que não se importe que você continue sendo meu amigo, você tem todo o meu apoio.

— Não comecem essa babação de ovo, por favor. — Emmett resmungou.

— O menino que sempre teve tudo que quis nas mãos agora recebe um não e fica amargo, não seja tão mimado, Emmett. — Jacob zombou.

— Há. Há.

Jacob e Bella gargalhar ainda mais alto.

— Vou falar com a Leah, mas talvez você devesse dar a ela algum tempo pra pensar direito e depois você vai com tudo. E eu já sei até onde e quando.

— Onde e quando?

— No Cullen’s, na noite da torta. — Bella sorriu como se tudo fosse muito óbvio.

Notas finais
Então, o que acharam? Nesse vocês foram introduzidos a vida da Rosalie, porque ela vai começar a se desenrolar aos poucos. Vocês conseguiram pegar um pouco da personalidade deles? Rosalie tem como exemplo de vida os pais dela, que são casados há tantos anos e felizes, é isso que ela quer pra ela, um casamento longo e uma família feliz, sempre vai fazer tudo pra ter isso, enquanto o Royce, como o bom manipulador que é, vai saber exatamente onde tocar pra afetá-la e guiá-la a fazer exatamente o que quer, além de ser explosivo e ciumento. Era principalmente pra isso que essa parte do capítulo servia. E Jacob indo atrás da Bella pra falar com a Leah, ou seja, em breve Jacob irá dar as caras no bar. Essa noite das tortas vai ser bem agitada, tanto antes quanto depois dela. Vcs não acham que está tudo muito calmo, água com açúcar? kkkkkk Por favor, comentem bastante e até o próximo! bjsbjs s22