You & Me
20 Km :: 18
Notas iniciais
Bella observava Edward dormir. Tinha acordado primeiro há alguns minutos, se levantou apenas pra ir ao banheiro e voltou pra cama. Não voltou para os braços dele, como estava antes, apenas ficou ao seu lado. O homem conseguia ser deslumbrante até dormindo.
Estava se sentindo até estranha por estar lhe observando, mas era fascinante. Tão sereno com os longos cílios pousados em sua bochecha, o maxilar mesmo relaxado permanecia bem marcado, o peito subindo e descendo de acordo com a sua respiração, ressonando suavemente. O braço ainda estava esticando, onde ela antes estivera, e o cobertor que usaram durante a noite estava até alguns centímetros de seu umbigo. E ela também admirava sua tatuagem – todo o seu ombro direito em um padrão samoano cheio de formas e curvas intricadas, além de um símbolo chinês no peito esquerdo; em toda sua pele branca a tinta preta se destacava, era tão quente e deixava-a curiosa, queria saber o que significavam aquelas coisas.
Descendo mais os olhos, ela viu o volume sob o tecido, na altura de sua virilha. Eles tinham adormecido nus e ela só vestira uma grande camisa dele sem nem se preocupar com roupa de baixo apenas pra ir ao banheiro. Mas ele estava crescendo excitado e vê-lo dessa maneira a fez sorrir e também se sentir excitada. E um pouco corajosa.
Passou a perna sobre ele e se escarranchou nele, pousando os joelhos sobre a cama, sentou exatamente sobre sua semiereção.
Inclinou-se pra ele e beijou seu queixo suavemente então seus lábios suavemente. Beijou seu pescoço, descendo até o lóbulo de sua orelha.
Edward pareceu gemer e virou o rosto. Rindo, ela foi para o outro lado fazer o mesmo caminho de beijo. Ele gemeu de novo.
— Eu estou sonhando? — ele murmurou de olhos fechados. — Se eu estiver sonhando não me acorda agora.
Bella riu e respondeu sussurrando em seu ouvido:
— Não, é a realidade. Rise and shine, baby.
— Bella?
— Quem mais seria, bebê? — riu suavemente. — Será que você vai acordar agora?
— Com certeza. — abraçando a cintura, Edward os girou rapidamente, ficando sobre ela com cuidado pra não sobrecarregá-la com seu peso.
— Bom dia. — Bella riu antes de ser beijada.
— Hum... — Edward gemeu em sua boca, esfregando sua ereção contra ela. — Deus, como você me faz acordar já querendo você?
— Da mesma forma que você faz comigo. — ela gemeu correndo os dedos pelos cabelos dele enquanto ele beijava seu pescoço. — Eu preciso de você em mim, Edward, por favor.
— Sim, sim.
Tomando a boca dela novamente, Edward se apoiou em uma única mão e usou a livre pra trocar seu sexo, fez círculos apertados sobre seu pequeno clitóris. Com um gemido, ela abriu mais as pernas e fechou os olhos. Ele penetrou dois dedos em sua boceta, espalhando a umidade pra lubrificá-la, então guiou seu pênis a sua entrada.
— Ohhh... — seu gemido arrastado foi acompanhado pelas pernas se erguendo e abraçou a cintura dele. — Isso é tão bom...
Edward a estocava longa e lentamente, fazendo amor com ela da maneira mais doce que ela conhecia. Não tinham pressa, só precisavam sentir aquela conexão que parecia cada vez mais forte entre eles.
Bella passou os braços ao redor do pescoço dele e subiu os dedos para os seus cabelos, puxou-o para perto e o beijou.
–
Tomados por uma deliciosa sensação de relaxamento pós-orgasmo, eles permaneciam abraçados na cama. Bella mantinha uma perna sobre a dele, adorando a sensação dos pelos dele contra sua pele, e a mão pousada sobre seu peitoral, acariciando com os dedos.
— Não quero sair dessa cama. — ela murmurou.
— Nem eu. E nem quero te soltar. O que você pretende fazer hoje?
— Hum, talvez voltar pra casa?
— Tudo bem, então você vem comigo pra casa dos meus pais.
— O que?! — ergueu o rosto pra ele, rindo nervosamente. — É seu almoço de família, não posso impor minha presença.
— Sua desculpa antes tinha sido que você não conhecia meus pais, bem, agora você conhece e eles adoram você. E você não estará se impondo, porque eu estou te convidando, o Jasper vai comigo também, então, estamos combinados?
— Edward, pelo amor, eu não tenho nem roupa!
— Você não sujou sua roupa, Bella, ficamos nus a maior parte do tempo. — brincou. — Você pode pegar alguma blusa minha, eu não me importo, você fica quente nelas.
— Tinha me esquecido que ainda tenho que encarar o Jasper depois de ontem, Deus. — fechou os olhos com um suspiro. — E se eu ficasse aqui pelo resto da minha vida? Você pode me trazer comida e qualquer outra coisa que eu precise, que tal?
Edward riu.
— Mesmo que ter você a minha disposição no meu quarto no momento que eu quiser seja uma excelente proposta, não, vamos porque você não tem nada do que se envergonhar porque você não fez nada de errado.
Antes ela que pudesse responder, seu estômago roncou algo a fazendo gargalhar.
— Acho que seu estômago concorda comigo. — ele riu. — Vamos matar quem está te matando, Coisa Doce, vamos tomar café.
— Mas o Jasper... — começou choramingando.
— O Jasper nunca te deixará desconfortável, Bella, acredite em mim. Se nem quando eu broxei quando estávamos juntos com uma mulher ele fez piada disso, imagina com você, ele pode brincar com você sobre outras coisas, mas nunca sobre algo que te faça desconfortável.
— Espera! Você já broxou quando estava indo para um ménage com o Jasper? O que? — ela gargalhou.
— Como eu disse, vamos tomar café. — Edward mudou de assunto se levantando.
— Não. Agora você precisa me contar isso.
Ela não parou de rir um segundo enquanto Edward contava a história durante o banho que tomavam juntos.
Tinha sido há alguns, quando era mais jovem. Era um quatro de julho, importante feriado da independência dos Estados Unidos, e o bar estava cheio para a comemoração e assistir a queima de fogos, no final da noite acabou com Jasper e uma mulher no escritório. Em sua defesa, ele disse, estava bêbado como um gambá e Jasper, que também estava muito bêbado, não parava de cantar o hino nacional, ainda tinha amarrado uma bandeira americana em seu pênis e mandado a garota saudar a bandeira; rir foi a única coisa que conseguia fazer, sua ereção amoleceu e não subiu mais pelo resto da noite, mesmo enquanto Jasper fodia a garota gritando “God bless America!”, só fez rir.
Quando saíram do banheiro, Edward acrescentou detalhes daquela noite e o dia seguinte dela. Contou que os dois dividiram o vaso sanitário pra vomitar pela manhã e a primeira coisa que Jasper lhe disse quando conseguiram falar alguma coisa foi “eu nunca me senti mais patriota do que ontem à noite”.
Bella literalmente chorou de tanto rir, riu até seu estômago doer. Aparentemente, os dois tinham todo um histórico de suas noites de porre que se transformavam em histórias pra rir até chorar. Nunca os tinha visto bêbados, mas agora estava malditamente curiosa.
Ainda ria enquanto decidia o que iria vestir. Colocou seu sutiã e pegou na gaveta dele uma cueca boxer pra vestir já que não tinha outra roupa íntima, vestiu sua calça jeans e pegou uma das blusas de flanela vermelha dele; fechando os botões, deixando apenas os quatro primeiro abertos, arregaçando as mangas e dando um nó na barra, ela até que ficou boa e com estilo nela. Ao menos tinha sua nécessaire a disposição pra esconder suas olheiras e passar um pouco de máscara nos cílios, depois arrumou os cabelos da melhor maneira com os dedos.
Ao se olhar no espelho, percebeu talvez não estivesse tão mal. Pra qualquer outra situação! – acrescentou mentalmente. Estava indo para um almoço com Esme e Carlisle e, talvez fosse porque estava com uma blusa dele e a calça do dia anterior, mas estava tão óbvio que tinha acabado de ter algum sexo que era quase como se ainda pudesse sentir o cheiro do filho deles em seu corpo. E riu com esse pensamento, não era só como se pudesse sentir, na verdade, podia sentir porque estava com a blusa dele.
Saiu do banheiro e sorriu para Edward, que também já estava pronto em um jeans e uma camisa de flanela azul.
— Você fica muito melhor nas minhas camisas do que eu, realmente.
— Então você pode me dar todas elas e começar a andar sem camisa, eu aprovaria isso. — ela brincou. — Agora vamos logo tomar café porque estou morrendo de fome!
Edward riu e a seguiu pra cozinha.
— Sabe — ela começou. — você ainda não me contou sobre o que significa suas tatuagens.
— Você nunca perguntou.
— Estou perguntando agora.
— Eu estou de camisa, essa é uma conversa pra quando eu estiver sem camisa e assim posso te guiar pela tatuagem, explicando cada significado. Digamos que ao invés de fazer várias, eu fiz apenas uma que tivesse um pouco de tudo que eu gostaria de expressar.
— E a do peito? O símbolo?
Edward deu uma gargalhada.
— Essa é definitivamente uma conversa pra outro dia, apenas uma história minha e do Jasper bêbados por dia.
— O que? — Bella riu. — Você fez essa tatuagem com Jasper? E bêbado?
— Sim. — gargalhou indo para o balcão. — Tínhamos 21 anos, foi a primeira vez que eu pude beber legalmente, digamos que parecia uma boa ideia na época. E só o que eu vou falar por hoje.
— Qual é! Por favor, você precisa me dar mais detalhes sobre isso!
— Acho que não.
— Edward! Tudo bem! Eu pergunto pro Jasper, será que ele ainda tá dormindo?
— Eu acho que não também. — Edward respondeu com o cenho franzido, pegando um bilhete que estava grudado na geladeira. — Ele não está, foi embora.
— O que? — Bella se assustou. — Foi por causa de ontem?
— Sim, mas não da maneira que você imagina.
Rindo, ele entregou a ela o bilhete de Jasper.
“Apenas um telefonema e arranjei um lugar pra arranhar minha coceira, o que posso dizer? Sou uma pessoa com bons contatos ;) Hey Coisa Doce, nós estamos totalmente bem, certo? E Edward, qualquer coisa eu apareço na casa dos seus pais. Se não, nos vemos no bar xx”
Bella ergueu o rosto para Edward.
— O que eu posso dizer? Ele é uma pessoa com bons contatos. — gargalhou.
. . .
Leah se sentia exausta e frustrada quando chegou a sua casa.
Seu sábado tinha tomado um rumo que ela não esperava: passar uma noite maravilhosa com Jacob, descobrir que ele era ex-noivo da Bella e então voltar para Sam, passar uma madrugada na cama dele e voltar pra casa sozinha. Esse era o tipo de animação que ela podia viver sem.
Então agora estava com Sam novamente, aparentemente. Quando chegou ao apartamento dele, foi recebida com abraços, beijos e pedidos desculpas. Ele foi tão carinhoso, dizendo que ela podia não ser igual às outras, mas era o que ele queria. Por um momento ela pensou que choraria, mas então ele interrompeu tudo dizendo que sabia que ela estava errada também, mas estava disposto a perdoá-la. Estava tão cansada que nem pode discutir, se deixou ser beijada e então levada pra cama. O sexo mediano de sempre e acabou sem gozar, já que ele gozava primeiro e não esperava por ela ou tentava lhe ajudar, apenas saia de seu corpo, lhe beijava e dormia. E novamente nem pensou em discutir, em silêncio, ficou encarando o teto até dormir e pela manhã, foi embora só deixando um bilhete “tenho um compromisso com o meu irmão, nos falamos mais tarde”.
Não tinha nenhum compromisso, mas Sam sabia que sua família sempre seria sua prioridade, então nunca discutia quando precisava fazer alguma coisa por eles.
Abriu a porta do seu apartamento carregando o capacete sob o braço e entrou logo trancado a porta novamente.
— Finalmente!
No susto, se virou derrubando o capacete.
— Porra! Porra, Kate, que susto do caralho, filha da puta.
A loira gargalhou atrás do balcão, onde comia pão.
— Deixa de ser exagerada, Clearwater.
— O que você está fazendo aqui? E como você entrou? Você está usando uma roupa minha?
— Estou aqui porque precisamos conversar e muito. Eu entrei pela porta, geralmente é assim que as pessoas fazem — sorriu faceira. — Eu pedi para o porteiro a chave extra, como ele me conhece só precisei usar um pouco de charme pra convencê-lo a me dar. E estou, porque tomei banho aqui, estava com um boy e precisava sair de lá antes que ele acordasse, vim direto pra cá te esperar. Falando nisso, amei o seu sabonete, tão cheiroso, você podia me dar um desse, sabia?
— Eu não tenho nada pra conversar, vou falar com o meu porteiro sobre isso e anota o nome e compra um pra você, porque não vou te dar nada.
— Nossa! Que mau humor pra quem transou, hein? O que? O Jacob não deu no couro? — riu colocando um pedaço de pão na boca.
— Eu não estava com o Jacob. — colocou o capacete que tinha pegado do chão no sofá e esvaziou os bolsos nele também. — Vou tomar banho.
— O que?! Leah!
— Vou tomar banho!
— Leah! — a chamou novamente, mas a morena já tinha sumido no corredor. — Ok! Conversamos quando você sair!
Quando Kate foi para o quarto, Leah tinha terminado seu banho e estava sentada na cama usando uma calcinha boxer feminina, um moletom masculino dois números maiores que ela e o cabelo preso num rabo de cavalo.
— Quer me explicar o que aconteceu? — Kate exigiu em pé, encarando a amiga sentada na cama com as pernas cruzadas.
— Você me avisou sobre o Jacob ser ex da Bella porque você me conhece e sabia exatamente o que eu faria.
— Na verdade, não, eu não tinha a menor ideia! Claro que eu te conheço, por isso eu te avisei antes, queria que você soubesse pra não fazer um drama depois dizendo que foi enganada ou qualquer outra coisa, mas eu não esperava que você fosse idiota suficiente pra dispensá-lo por causa disso, Leah!
— O que você esperava?
— Que você percebesse que não tinha problema? A Bella ficou feliz por vocês terem saído juntos e ela já está dando pra outro, pro Edward e você sabe disso, óbvio que ela não quer mais nada com o Jacob! E você gostou dele, certo?
— Eu não...
— Não ouse mentir pra mim, Clearwater. Você não ouse.
— Se coloca no meu lugar, porra, você sairia com o meu ex?
— Claro que não! Pelo amor de deus, seu ex seria o Sam e até vadias fáceis como eu precisam ter limites, ele é a porra de um babaca completo, não sairia com ele nem que ele fosse o último pedaço de pau do mundo e eu estivesse no maldito cio!
A morena tentou, mas acabou gargalhando.
— Tudo bem, e com o Eleazar?
— Leah, meu amorzinho, são situações totalmente diferentes. A Bella mesma disse que o fim do relacionamento foi de boa e que os dois concordaram com isso, ela já está em outra e incentiva que você fique com o Jacob, coloca isso na sua cabeça dura, porra.
— Bem, isso não importa mais, de qualquer maneira. — deu ombros.
— Como assim? Leah, o que você fez?
Leah deu ombros.
— Não. Não, Leah, por favor, não me diz que você voltou com o Douchebag.
Com um longo suspiro, Leah se deitou encarando o teto.
— Eu tinha acabado de dispensar o Jacob e o Sam me ligou.
— O que? Sua puta! Idiota! — Kate gritou subindo na cama de joelhos, pegou um dos travesseiros da cama e bateu em Leah a cada novo xingamento. — Estúpida, idiota, imbecil, o que você tem na cabeça?!
— Porra, para com isso.
Ofegante, Kate soltou o travesseiro.
— Então quer dizer que você tem um problema contra ficar com um cara legal que te quer, mas tudo bem voltar com o babaca? Sério? Sério mesmo?
— Ele me pediu desculpas, disse que sentia minha falta e eu fui pra casa dele. — confessou com a voz baixa, envergonhada por ter cedido.
— Leah... — Kate começou com a voz mais suave e suspirou, deitando ao lado da cama, encostado a cabeça em seu ombro. — Por que você continua nisso, hein?
Leah virou a cabeça pra olhar no rosto da amiga e deu ombros novamente.
— Talvez o Sam não seja de todo o ruim, Kate. Ele talvez trabalhe demais, mas ao menos é fiel e volta pra mim no fim da noite, já é alguma coisa.
— É por isso você aguenta todas as merdas que ele te fala? Sabe o que mais faz isso? Um cachorro. Seria muito mais fácil de lidar, inclusive. Você não devia aguentar tudo por isso por alguma coisa porque você merece tudo!
— E o que ele diz que não seja verdade? Que eu tenho a boca suja como um caminhoneiro? Verdade. Que eu não sou feminina? Verdade. Que eu não sou como vocês? Verdade. Que eu me visto mal? Verdade. Que eu não tenho classe? Verdade. Eu sou mal humorada, azeda e minha personalidade faz as pessoas fugirem de mim como se os cães do inferno os estivessem perseguindo? Verdade. E até vocês sabem disso, a diferença é que o Sam não tem medo de dizer isso na minha cara, talvez eu devesse apreciar toda a sinceridade dele.
— Será que você está se escutando nesse momento? Olha como você está falando de si mesma e é tudo culpa desse babaca! Ele é um babaca e você sabe disso!
— Bem, eu também sou uma babaca, talvez a gente combine. — riu sem humor.
— Não! Você não é uma babaca, Leah! Você é incrível e merece algo muito melhor do que ele, por que você não consegue ver isso?
Leah voltou o rosto para o teto, fechou os olhos e suspirou.
— Kate, eu não estou afim de julgamento ou de ouvir sermão, então se é isso que você veio fazer, vai embora.
— Não, não vou. Eu só vou ficar com você, quietinha. — se aproximou mais de Leah com a cabeça em seu ombro novamente. — Você sabe tão bem quanto eu que esse seu relacionamento com o Sam é uma caminhada pra um penhasco e uma hora ou outra você vai cair, mas saiba que eu sempre vou estar com você. No momento em que você olhar pra trás, eu te puxo de volta. E se você não olhar, bem, eu não tenho medo de altura e se eu não posso te impedir de cair, ao menos posso ir com você.
— Pensei que você estaria lá em baixo pra me segurar. — Leah brincou.
— Eu posso ser meio lenta, mas não sou idiota né? Olha o teu tamanho, você iria me esmagar.
Leah gargalhou. Ao menos sempre teria seus amigos.
. . .
Edward entrou na casa de seus pais com Bella logo atrás, segurando sua mão. Estava tudo tão calmo que era até de desconfiar.
— Mãe?! Pai?! — gritou quando estavam no meio da sala. Na cozinha ou no quarto, eles iriam lhe escutar. — Cheguei! E tenho a Bella comigo! Então fiquem decentes porque não precisamos traumatizar mais ninguém, certo?! Mãe?! Pai?!
— O que você está fazendo? — Bella riu.
— É necessário, acredite. Eles às vezes esquecem que são pais de família e a idade que tem, acham que podem ficar... — agitou a cabeça, como se afastasse uma lembrança. — Ugh, eu não posso nem falar ou comentar.
— O que? Cala a boca. — ela socou seu braço ao soltar sua mão. — Não seja idiota, os seus pais ainda são jovens e muito bonitos, eu entendo se eles ainda querem ter uma vida amorosa e sexual.
— Não é a toa que eu gosto de você, Bella. — Esme disse sorrindo no topo da escada.
Os olhos de Esme brilhavam e um sorriso divertido estampava seus lábios, que estavam levemente avermelhados provavelmente de um grande beijo de Carlisle, assim como seus cabelos estavam soltos em ondas suaves desalinhadas. A mesma coisa que viu quando se olhou no espelho, Bella viu em Esme – definitivamente, ela tinha tido uma boa porção de sexo e devia estar trocando uns amassos com Carlisle antes de serem interrompidos.
Esme usava um vestido azul claro que abraçava seu corpo pequeno e suavemente curvilíneo com uma sandália de salto mediano nos pés. Ela desceu as escadas e puxou Bella para um longo abraço.
— Fico feliz que você tenha vindo, querida.
— Obrigada por me receber, Esme. E me desculpe por não trazer nada, digamos que só fiquei sabendo que viria pra cá em cima da hora. — ao perceber que aquilo deixava óbvio que tinha dormido com Edward, Bella corou o que só fez Esme rir.
— Oras, deixe disso, querida, imagino que vocês tinham coisas melhores pra fazer do que ficar planejando o que fariam pela manhã ou você ir preparar alguma coisa, certo? — piscou maliciosamente.
— Mãe, por favor.
— E obrigada por me defender desse meu filho ingrato. — sorriu e beijou o rosto e se virou para Edward.
— Não seja hipócrita, Edward Cullen, porque eu te criei melhor do que isso, você faz e fala coisas piores porque eu sei.
— Mas eu não faço e falo na sua frente, certo?
— Pois devia. Esse é o tipo de conversa que uma mãe e filho precisam ter, vai que você tem alguma dúvida? Por exemplo, está sabendo colocar a camisinha direitinho? Está fazendo uma boa preliminar pra que sua parceira não sofra sem lubrificação?
Ela falava em um tom tão casual como se estivesse perguntando se ele estava se alimentando. Bella gargalhou, ainda mais quando Edward apertou os olhos fechados.
— Por Deus, mãe, para agora, por favor. — ele a puxou para os seus braços e a abraçou, empurrando sua cabeça contra seu peito pra que se calasse, Esme apenas riu e o abraçou de volta.
— Estou apenas brincando com você, amor, sei que seu pai teve a conversa e te ensinou direitinho como cuidar de uma mulher.
— Deus do céu. — gemeu e as duas riram ainda mais do seu desconforto. — Falando nisso, cadê o papai?
— Lá em cima, no quarto.
— O que ele...
— Oh querido — ela o interrompeu com um sorriso malicioso. — Tenho certeza que você não vai querer saber.
— Porra! Eu desisto de tentar conversar com você hoje. — exasperado, ele foi pra cozinha.
Esme gargalhou.
— Olha o seu linguajar comigo, rapazinho, e eu estava brincando, não seja tão sensível, ele está apenas tomando banho!
— Bem, isso não ajuda muito! — ele gritou da cozinha.
— Ele é sempre assim, querida, não se assuste porque ele gosta de fingir que veio da cegonha ou de uma imaculada concepção. — Esme zombou.
— E você insiste em estragar minha bela ilusão! — ele gritou novamente.
— Talvez eu goste de me divertir o provocando. — Esme confessou rindo para Bella e gritou de volta: — Espionar não é educado, Edward!
— Nem abusar emocional e psicologicamente dos próprios filhos.
— Esse lado Drama Queen ele herdou da mãe. — Carlisle disse descendo as escadas. — Que bom que você veio também, Bella.
— Também acho, já comecei me divertindo. — disse rindo e foi ao seu encontro pra abraça-lo também.
— Edward, seja um bom menino e leve Bella pra conhecer toda a casa.
Ele voltou da cozinha comendo um pedaço de pão e com outro pedaço na outra mão.
— Cadê a Rose?
— Ela não vem.
— Calma, me deixe adivinhar, culpa do Royce? — ironizou mastigando e se aproximou da Bella. — Aqui, experimenta.
Bella deixou que ele colocasse o pedaço de pão na sua boca e soltou um pequeno gemido de apreciação ao sentir o gosto, era pão de alho, mas tinha algo a mais na receita, talvez queijo e condimentos. Era bom.
— Ela não me explicou o motivo, apenas disse que não poderia vim hoje, mas vem amanhã nos visitar. E você cortou o pão, Edward? Quantas vezes tenho que dizer que...
— Não fui eu! Já estava cortado, eu só peguei outro pedaço.
— Carlisle! — Esme se virou para o marido.
— Vamos Bella, eu vou te levar pra conhecer a casa antes que eles comecem a discussão sobre respeitar os horários das refeições. — ele colocou o último pedaço de pão na boca e tomou a mão dela, lhe puxando para as escadas.
— Respeite a outra regra também, Edward, nada de garotas no quarto com a porta fechada!
Edward gargalhou.
— Pelo amor de Deus, mãe!
— Eu não faço as regras, não, espera, na verdade eu faço e como essa é minha casa, você vai segui-las. Nada de porta fechada!
Bella não pode deixar de rir, para uma mulher tão liberal, Esme tinha muitas regras, mas era impossível não amá-la.
No segundo andar, Edward apontou para cada cômodo. O quarto de Rosalie no começo do corredor, a porta do banheiro, o quarto de hóspedes, o quarto principal que eram de seus pais e ficava no final do corredor, então pararam na frente do quarto dele.
— É o mesmo quarto que eu passei minha infância e adolescência. Mesmo depois que eu e Rosalie nos mudamos, nossos pais não mexeram em nada pra que soubéssemos que sempre teríamos nosso lugar aqui porque essa sempre seria a nossa casa.
Ela sorria ao escutar suas palavras tão cheias de orgulho e amor.
— Você tem uma casa linda e uma família linda, você é tão sortudo.
— Eu sei. — Edward sorriu. — E agradeço por tudo isso todos os dias.
Uma pequena centelha de tristeza ameaçou aparecer no coração de Bella, porque sentia falta disso em sua própria família, os momentos com seu pai e irmão. Mas tão rápido quanto veio, ela se foi, ainda agradecia por ter experimentado isso em algum momento, tantas pessoas nunca tiveram nem essa chance, e também agradecia por ter seu irmão por perto. Então sorriu.
— Então, sua mãe estava falando sério sobre manter a porta aberta?
— Sim, com certeza. — ele riu. — Eu devia ter uns dezesseis quando ela chegou e encontrou Jasper e eu com duas garotas aqui, pior que não era nem um encontro, estávamos só fazendo um trabalho escolar. Ela não fez nada na hora, só se apresentou e deixou a porta aberta, depois encontrou uma desculpa pra vim aqui toda hora, quando as garotas se foram ela nos fez sentar no sofá e passou um sermão, ela disse que sabia que não éramos virgens inocentes, mas que esse era o nosso lar e precisávamos respeitar isso, respeitar a Rosalie, respeitar ela e o meu pai, então nunca faríamos nada sob esse teto; depois disse que era bom que usássemos preservativos e que podiam pedir pro meu pai porque éramos novos demais pra sermos pais e que ela era nova demais pra ser avó, então criou essa regra, tudo bem trazer amigas e namoradas aqui em casa, mas nunca ficar com elas no quarto com a porta fechada, apenas masturbação e autoconhecimento corporal era aceitável.
— Eu definitivamente amo a sua mãe. — Bella riu. — Ela conhecia bem Jasper e você, não é?
— Muito.
— Então, quanta punheta você bateu desde que era a única coisa que você era autorizado a fazer aqui?
Edward gargalhou.
— Eu tive uma grande porção de sexo na minha vida, mas te juro que ainda não consegui transar tantas vezes quanto eu me masturbei, eu era tipo um viciado nisso desde que aprendi que lavar meu pênis pra cima e pra baixo podia dar uma boa sensação.
Bella gargalhou jogando a cabeça pra trás e Edward passou os braços ao redor de sua cintura.
— Desde que minha mãe falou aquelas coisas nunca trouxe uma mulher no meu quarto. Na adolescência nossas amigas ficavam na sala e depois de adulto nunca trouxe mulher alguma aqui, você é a primeira.
Ela colocou os braços sobre os ombros dele e se ergueu na ponta dos pés para beijá-lo suavemente.
— Eu me sinto muito honrada. — sorriu e acrescentou brincando: — E até meio especial.
— Você é especial.
Bella sorriu, porque era exatamente assim que ele a fazia se sentir.
O almoço com Esme e Carlisle foi um dos melhores eventos de sua vida. Era tão divertido e com a sensação familiar que aqueceu seu coração, a lembrava dos momentos que passou seu pai e irmão, foi tão bom.
Por um momento, por mais que fosse egoísmo, desejou que seu relacionamento com Edward desse certo, pois assim de bônus ganharia a família dele e seus amigos, porque se não desse certo teria que se afastar de todos.
Tentou afastar essa linha de pensamento e apenas aproveitou o momento com Esme e Carlisle lhe enchendo de histórias sobre Edward, Rosalie e Jasper quando eram pequenos e o quanto eles aprontavam, além da comida que estava divina.
Edward ria, tentava se defender ou pedia pra que parassem de lhe humilhar, mas seus pais continuaram e ainda prometeram mostrar a Bella os álbuns de família depois do almoço.
Os dois homens nem discutiram quando Esme lhes deu a tarefa de tirar a mesa, guardar as sobras e limpar tudo, enquanto ela e Bella iam para a sala conversar e que depois as servissem com a sobremesa, bolo de limão.
— Sério, Esme, como você faz isso? — Bella perguntou ao sentar no sofá.
— Isso o que?
— Dar ordens de um jeito que eles não podem se recusar a obedecer, mas de um jeito tão doce que eles não podem ficar com raiva por te obedecer.
Esme riu e sentou ao seu lado.
— Oh, minha querida, é um dom que toda mulher tem, você só precisa treinar e aperfeiçoar. Um relacionamento é uma ótima forma de fazer isso.
— Eu quero ser você quando eu crescer, Esme.
— Você é exatamente o que o meu menino precisa, Bella. — Esme sorriu e pegou suas mãos, afagando com os dedões. — E eu fico feliz que você o tenha encontrado.
— Eu fico feliz também.
— Então agora, que tal agora os álbuns de família?
Ela se levantou e sumiu no corredor, deixando Bella sozinha na sala por pouco menos que um minuto, então voltou com três álbuns – um grande e outros dois menores.
Edward voltou pra sala com Carlisle no momento em que Bella olhava o segundo álbum, dando risadinhas com Esme.
— Deus, mãe, eu não acredito que você foi pegar isso mesmo.
— Edward, você era tão, tão, tão adorável! — Bella disse rindo. — Olha esse cabelo clarinho e suas bochechas rosadas, você era tão doce. Essa foto é no bar, Esme?
— Sim. Eu tinha me esquecido que a vovó e o vovô Cullen costumavam fazer isso no bar, você se lembra, Carlisle? A noite da torta?
— Com certeza, minha mãe tinha a melhor torta de nozes do mundo.
A foto mostrava Rosalie e Edward juntos na infância com uma grande parede de madeira atrás deles, ele devia ter por volta de dez anos e ela uns cinco. Rosalie tinha um sorriso banguela no rosto, um sorriso tão grande que fez seus olhos ficarem apertados e manchas de chocolate brilhavam ao redor de sua boca e em suas grandes bochechas. E Edward tinha um sorriso de lado, pelo visto aquela era uma mania que ele tinha desde a infância, e segurava dois pedaços de alguma torta, uma com cobertura de glacê e outra de chocolate. Eles eram lindos e adoráveis.
— Tá aí, essa é uma coisa que podemos voltar a fazer agora que a Bella está trabalhando com a gente e é especialista em tortas doces. — Esme disse animada.
— Eu não sou especialista em tortas doces, Esme. — ela riu envergonhada.
— Mas você faz uma torta boa pra caralho, Bella.
— Edward. — Esme o repreendeu suavemente.
— Desculpa mãe. Mas é verdade, Bella, podemos fazer isso.
— E como fazemos isso?
— Anunciamos a noite da torta e vendemos convites, você faz de acordo com os pedidos e na noite podemos ter musica ao vivo, como uma festa mesmo. — Edward explicou.
— Eu não sei se dou conta desse tipo de coisa.
— Claro que dá conta. Então mãe, vamos organizar isso agora? Podemos deixar os álbuns pra depois.
— Você não achou que eu ia cair mesmo nessa né, Edward?
Bella e Carlisle riram quando Edward encolheu os ombros.
— Eu podia tentar.
— Olha pelo lado positivo, filho, ao menos não é álbum da sua fase nudista. — Carlisle disse rindo.
— Que fase nudista? — Bella perguntou.
— É verdade! — Esme se levantou, deixou os álbuns no sofá e saiu novamente.
— Obrigada, pai! — Edward ironizou e foi sentar ao lado de Bella no sofá.
— Foi logo depois que Rosalie nasceu e ele tinha cinco anos, ele simplesmente odiava usar roupas e as tirava em qualquer lugar. — Carlisle explicou.
— Sério? — Bella gargalhou.
— Era só uma forma de chamar nossa atenção e só durou alguns meses até que ele se encantasse com a irmãzinha também.
— Eu era uma criança. — Edward se defendeu abaixando a cabeça no ombro dela. — Pelo visto hoje é o dia de me humilhar na frente da Bella, certo?
Bella riu.
— Me desculpe por você ter que aguentar isso, Bella. — ele sussurrou.
— O que?
— Meus pais, eles... Bem, você já sabe como eles são e acho que minha mãe está bem empolgada por ter você aqui, é a primeira garota que eu trago e apresento a família.
— Não seja bobo, eu estou adorando isso. — sorriu antes de beijar a testa dele.
— Ah é? Eu vou me vingar, é bom que você se lembre disso.
— Mas eu não tô fazendo nada, são os seus pais!
— Sim, mas você está gostando disso mais do que deveria, eu vou me encontrar com seu irmão e tirar dele todas as suas histórias constrangedoras, pode esperar.
Ela riu ainda mais forte enquanto ele se inclinava para lhe beijar.
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