You & Me
16 Km :: 15
Notas iniciais
Mesmo depois que o restaurante fechou após o horário do almoço, Bella ainda trabalhava na cozinha como todo o resto da equipe.
Era o primeiro final de semana que trabalhava e ela viu que não era tão fácil quanto todos faziam parecer, era muito trabalho pra manter tudo funcionado e os clientes satisfeitos, além da preparação para a noite. Ela já tinha conversado com Edward sobre isso e Siobhan apenas lhe confirmou que tinham muita coisa pra fazer e cozinhar porque era a noite de música ao vivo e estaria cheio como sempre – provavelmente ainda mais.
Edward e Jasper ainda corriam de um lado para o outro ainda lidando com problemas. Antes tinha sido no equipamento de som, agora era gelo. A empresa que Edward contratara pra fornecer o gelo do restaurante não tinha feito a entrega correta e agora não tinham suficiente, então estavam em busca de mais.
Aquela era a primeira vez que viu Edward estressado e até furioso gritando no telefone sobre a incompetência da empresa. Ele estava andando no meio do salão vazio com o telefone na orelha e falando freneticamente enquanto passava a mão nos cabelos em alguns momentos. Bella tinha que confessar, ele estava sexy, quente como o inferno naquele momento macho alfa.
E ela também admirava a Jasper. Ele não tinha nenhuma obrigação com o restaurante, mas ainda assim se esforçava para ajudar o melhor amigo; enquanto Edward discutia com o fornecedor de gelo, Jasper estava no telefone negociando com outra empresa pra fornecer gelo suficiente até a hora do jantar com o preço no orçamento e não exorbitante quanto todas as empresas pra quais ligavam tentavam passar pela urgência do pedido.
Enquanto os dois seguiam organizando tudo, ela também já tinha o seu dia planejado – estava fazendo sobremesas para a noite, a maioria em pequenas porções que podia ser servidas nas mesas e então Emmett iria busca-la no fim da tarde pra que ela se arrumasse em casa e voltassem à noite. O dia estava corrido, mas ela estava muito animada.
. . .
Em pé, com uma garrafa de cerveja na mão, Leah terminou de contar toda a história desde o começo a Kate e Carmen, que estavam sentadas no sofá de seu apartamento.
— E hoje você tem um encontro com esse tal de Jacob? — Carmen perguntou obviamente surpresa.
Leah assentiu dando um gole em sua cerveja.
— O seu mecânico? Eu não posso acreditar. Você acabou de largar o Sam e já está pulando nos pneus do seu mecânico? — Kate disse incrédula. Por um segundo Leah pensou que ela estivesse lhe recriminando, mas a loira então soltou uma grande gargalhada. — Sua vagabunda! Que orgulho de você!
— Eu sei. — Leah concordou rindo.
— Ele é bonito? — Carmen perguntou.
— Demais. Ele parece à porra de um mecânico de filme pornô.
— Oh... — Kate sorriu maliciosamente. — Então você se masturbou pensando nele?
Leah deu ombros, um sorrisinho malicioso e voltou a beber sua cerveja. Kate e Carmen gargalharam.
— Meu deus, por que eu ainda me relaciono com vocês, vadias sujas? — Carmen perguntou retoricamente agitando a cabeça.
— Essa é uma resposta fácil, Carms — Leah disse. — Porque você é uma de nós.
— Uma de nós. — Kate concordou. — Você se casou e se acalmou um pouco, mas isso só faz de você uma vadia mal lavada, mas no fundo você continua tão suja quanto à gente.
— Tão suja quanto à gente não, Kate — Leah a corrigiu. — Ninguém é tão vadia ou tão suja quanto você, isso exige um nível de experiência que leva anos pra se adquirir.
Kate apenas lhe soprou um beijo sem a mínima vergonha de seus hábitos ou jeito. E as três riram juntas.
— E então Carmen, pronta para dar a mim e a Leah um dia de beleza?
Carmen se levantou e caminhou para a mala vermelha de tamanho médio com rodinhas que tinha trazido com várias coisas de seu salão.
— Com certeza, qual a prioridade?
Kate e Leah disseram ao mesmo tempo coisas diferentes:
— Clarear meu cabelo.
— Minha depilação.
— Sua vadia e ainda vem falar que eu sou a mais suja! — Kate gritou rindo. — Você vai depilar a boceta pra dar pro Jacob, não é?
— É pura precaução, preciso estar preparada pra qualquer situação.
— Claro! — a loira gargalhou. — Não acredito que eu finalmente vou ver sua boceta depois do piercing.
— Não, você não está indo ver nada, Kate. Vou estar sozinha com a Carmen no quarto de portas fechadas enquanto ela trabalha.
— Droga, por que eu sempre tenho que ficar fora da diversão?
— Diversão? Cera quente é diversão pra você?
— Não, mas você pelada é e eu queria ver como ficou o piercing. — Kate choramingou com um beicinho e Leah riu.
— Depois a Carmen te conta.
— Odeio você.
Rindo, Leah lhe soprou o beijo e as três começaram o dia de beleza.
. . .
Edward desligou o telefone furioso e o guardou no bolso. Ele sempre tinha que resolver problemas quando tinha algum acontecimento especial no bar, mas naquele dia parecia que estava tudo conspirando contra ele, uma maldita Lei de Murphy.
— Quer se acalmar? — Jasper disse com uma voz arrastada, acentuando seu sotaque sulista, e com um sorriso preguiçoso no rosto.
— Jasper, sinceramente — suspirou pesadamente. — se você não parar com essa voz de Blake Shelton e tirar esse sorrisinho da cara eu vou ter que te socar.
Jasper riu.
— Tudo bem. Apenas relaxa cara, eu sou incrível e você sabe disso, já tenho tudo sobre controle, vamos.
— Vamos pra onde?
— Arranjar o seu gelo.— Jasper sorriu, mas agora um sorriso arrogante.
Se não conhecesse o amigo tão bem, Edward até se perguntaria se ele ficava treinando todos aqueles diferentes tipos de sorrisos na frente do espelho, mas ele o conhecia e sabia que vinha tudo naturalmente, assim como suas covinhas.
— Você conseguiu?
— Claro. O problema é que fica longe, tipo do outro lado da cidade, então você terá que ir agora.
— E como eu vou transportar tanto gelo? No porta-malas do Volvo? — Edward ironizou.
— Não seja ingrato, você não acha que eu faria o serviço incompleto, né? Primeiro você vai passar na transportadora de um amigo e pegar um furgão refrigerado que ele vai me emprestar, depois você vai buscar o gelo. E está tudo no orçamento inicial, você não vai nem pagar pelo carro. Nem precisa me agradecer.
— E eu posso te perguntar como você conseguiu tudo isso? — perguntou desconfiado e o cenho franzido
— Claro. — Jasper sorriu. — Ofereci uns favores aqui, cobrei outros ali, eu tenho alguns contatos, meu amigo.
— Jasper...
— Tenha um pouco de fé em mim, homem. — ele riu. — Vamos logo, ainda temos uma longa viagem pela frente.
— Aonde vocês vão? — Rosalie perguntou vindo do corredor do banheiro com a sua bolsa sobre o ombro.
— Arrumar a situação do gelo.
— Será que vocês podem me dar uma carona? — ela perguntou hesitante e segurando a alça da bolsa.
— Está tudo bem? — Edward se aproximou, preocupado.
— É direção aposta da sua casa, Rosie. — Jasper disse suavemente. — Mas claro que podemos.
— Eu não estou indo pra casa, será que posso ir? Eu explico no caminho.
Edward assentiu e enquanto os dois iam para o carro, ele voltou ao escritório pra pegar sua carteira e então passou na cozinha, avisou a Siobhan sobre a situação e a deixou no comando de tudo.
Depois chamou Bella discretamente. Já do lado de fora da cozinha, mesmo que ainda estivesse atrás do balcão, ele a beijou segurando seu rosto.
— Dessa vez você não tem desculpas, te vejo a noite.
— Não ia procurar nenhuma desculpa, estarei aqui. — ela sorriu e o beijou suavemente. — Boa sorte.
Com mais um beijo, ele saiu do restaurante. Jasper buzinou pra mostrar que não estavam no Volvo, mas sim no seu Audi R8.
Jasper estava no banco do motorista, então Edward parou na janela do passageiro, onde Rosalie já estava sentada com o cinto de segurança e o vidro da janela fechada. Edward bateu suavemente, ela abaixou o vidro lentamente.
— Sério?
— O que? — ela piscou se fazendo de inocente.
— Não seja chorão, Edward, quem chega primeiro senta na frente, vamos logo!
— É Edward, não seja chorão. — Rosalie debochou rindo.
Bufando, ele entrou e bateu a porta mais forte do que preciso.
— Ei! — Jasper reclamou.
— O que? Não seja chorão — ironizou. — Vamos logo.
Jasper riu e ligou o carro enquanto Edward terminava de se ajeitar no banco e com o cinto de segurança.
— E então, pra onde você está indo, Rosie? — Jasper perguntou.
— Ir buscar gelo com vocês. — ela sorriu divertida. — Eu não tinha nada pra fazer e senti falta dos meus meninos, então me aproveitei da situação.
Edward riu:
— Se queria vim com a gente era só pedir, sabe.
— Mas sabe, ela está certa, faz tempo que não fazemos algo nós três, como fazíamos antes.
— E todos nós sabemos qual o motivo. Ou melhor, quem é o motivo. — Edward disse sarcástico.
— Não começa. — Rosalie vociferou.
— Não comecem os dois, por favor. — Jasper interviu. — Estamos falando de nós três.
— Por isso que você sempre foi meu irmão favorito, Jas. — ela disse sorrindo e apertou o braço dele.
— Ele é seu irmão pervertido, se consideramos que ele consideraria ter relações sexuais com você. — Edward zombou.
— Ei!
— Se consideramos que ele também consideraria ter relações sexuais com você também. — Rosalie rebateu sarcástica.
— Eu tô aqui, sabe.
— Ele consideraria ter relações sexuais com todo mundo. — Edward riu.
— E eu continuo aqui. — Jasper ironizou.
Os irmãos Cullen riram juntos.
— E você tem algo a dizer em sua defesa, Jas? — Rosalie perguntou.
— Talvez não, mas — ele continuou rapidamente enquanto os outros só riram mais. — maaaaaas não é com todo mundo, tia Esme e o tio Carlisle estão a salvo.
— Você tem certeza disso, Jasper? Eu me lembro de você dizer que a minha mãe era quente, sabe.
— Pelo amor de Deus, eu tinha quatorze anos! Tinha acabado de descobrir outra função além de mijar pro meu pau e a Esme pra mim era a pessoa mais incrível do mundo, você não pode me culpar por isso. E em minha defesa, eu não me orgulho nenhum pouco das coisas que fiz pensando na Esme.
— Oh meu deus, o que você fez pensando na minha mãe? — Rosalie perguntou horrorizada.
— Digamos que... Eu perdi algum tempo no banheiro. — Jasper deu uma risadinha envergonhada. — Eu era um adolescente cheio de hormônios
— Que... Nojo, seu bastardo doente! — ela socou o braço do Jasper, enquanto Edward ria, e olhou pra trás. — Ele te contou isso e você não fez nada?
— Claro que não, se tivesse sido naquela época eu teria dado um soco na cara dele, ele me disse em um jogo de verdade ou desafio quando eu estava na faculdade, estávamos bêbados...
Jasper o interrompeu, rindo:
— E ele perguntou algum grande segredo meu.
— E foi isso que você disse? — Rosalie ergueu uma sobrancelha. — Esse é seu grande segredo, Jasper? Sério?
— Sim, Rosalie, é esse. — ele disse firme. — Eu disse, quando eu era adolescente bati punheta pensando na sua mãe.
— E o que o Edward fez?
— Vomitei. — Edward respondeu rindo. — Literalmente. Estava bêbado e pensar nisso me fez vomitar.
— Depois ele deitou o próprio vômito e dormiu, foi um trabalho do caralho limpar tudo aquilo e arrastar ele pro quarto.
Agitando a cabeça, Rosalie se virou pra frente novamente.
— Vocês dois são doentes.
Jasper e Edward apenas riram juntos. Tinham tantos anos de amizade que as recordações constrangedoras, bizarras e engraçadas eram incontáveis, tanto que estavam até acostumados a rir delas juntos.
Eles foram conversando sobre as memórias bizarras e engraçadas que compartilharam o percurso de trinta minutos até a transportadora.
Wilson’s Transport era uma empresa grande cercada por um alto muro e um portão com guarita. Mas eles nem precisaram entrar, pois o amigo de Jasper já o esperava na frente encostado no carro refrigerado que emprestaria a eles, Jasper disse ao parar o carro atrás do Furgão.
Os três desceram e se aproximaram do homem. Ele não parecia um dono de transportadora, estava mais para o CEO de alguma empresa importante, usando um terno preto com sapatos brilhantes, tudo parecendo caro e importado, combinando com seu corte de cabelo e penteado impecável e rosto que parecia de ator de Hollywood de tão atraente.
— Dave Wilson, — Jasper sorriu. — quanto tempo.
— Jasper. — o homem o cumprimentou sério. — Nem tanto tempo assim.
— Mais do que eu gostaria, com certeza.
— Disse o homem que sabia exatamente onde me encontrar, certo?
— E aqui estou.
— Só porque você precisa de um favor.
— E você sabe exatamente que eu não sou mal agradecido. — Jasper sorriu de lado, abusando de suas covinhas e sotaque.
O homem o estudou por alguns segundos antes de sorrir.
— Claro, por isso estou te ajudando.
— Claro. — Jasper riu. — Então me deixe te apresentar os meus amigos. Dave, esses são Edward e Rosalie. E esse é Dave Wilson.
— É um prazer conhecê-los. — Dave os cumprimentou apertando a mãos dos dois. — As chaves já estão no carro, fiquem a vontade.
— Muito obrigado pelo empréstimo — Edward agradeceu. — ainda mais tão em cima da hora.
— Eu tive que mudar toda a logística de uma entrega por conta desse favor, mas o que não fazemos pelos amigos, não é mesmo?
Edward apenas sorriu, entendendo que aquela era uma indireta para Jasper. Podia perguntar o que significava quando fossem embora.
— Então vamos? Ainda temos muito caminho.
— Vocês vão. — Jasper disse e sorriu. — Eu e Dave temos algumas coisas pra resolver antes.
— Que? — Rosalie franziu o cenho.
— Vou te mandar o endereço por mensagem e nos vemos a noite.
Edward o encarou por alguns segundos, trocando um olhar silencioso. Jasper ergueu uma sobrancelha e ergueu o canto da boca, em um sorrisinho faceiro. E Edward entendeu o recado.
— Tudo bem, até mais tarde, vamos Rose.
— Mas...
— Vamos maninha. — Edward disse ao passar o braço sobre o ombro da irmã. — Foi um prazer te conhecer, Dave.
— A vocês também. — Dave sorriu.
Edward e Rosalie foram para o Furgão refrigerado, com ele no banco do motorista e ela ao seu lado.
Acenaram para Jasper enquanto iam e alguns segundos depois Edward recebeu o endereço em seu celular.
— Edward, você que eles dois vão... Você sabe... Vão?
Edward gargalhou.
— Bem, você conhece o Jasper tanto quanto eu.
— Ah, eu realmente duvido que isso seja verdade.
— Talvez não mesmo — riu. — Mas você conhece o Jasper.
— Ao menos aquele Dave é bonito. — Rosalie riu. — E isso não te incomoda?
— O que? A preferência total flex do Jasper? — ele franziu o cenho surpreso com aquela pergunta. — Claro que não, Rose, isso não muda quem ele é e que ele é meu melhor amigo, nada vai mudar isso.
— Não era esse tipo de incômodo que eu estava perguntando.
— Então?
— Tipo ciúmes por ele talvez começar algum tipo de relacionamento sério e se afastar um pouco de você?
— Eu conheço o Jasper tão bem como a mim mesmo, um relacionamento não afetaria nossa amizade ou então esse relacionamento não serve pra nós. E eu torço pra ele encontrar alguém e ser feliz. Isso foi algum tipo de indireta, Rose?
— Indireta sobre o que?
— Não sei, eu estou em um tipo de relacionamento, está dizendo que eu estou me afastando do Jasper e ele está com ciúmes?
— Eu realmente não quis dizer isso, mas você acha que isso está acontecendo?
— Claro que não. — Edward riu agitando a cabeça. — Tudo continua o mesmo, inclusive o Jasper gosta da Bella. Por que estamos tendo esse tipo de conversa de psicólogo é essa?
— Eu não sei. — Rosalie gargalhou.
Edward parou o carro em um sinal vermelho e olhou pra irmã.
— Mas eu estou gostando, estava com saudade de conversar com você como nos velhos tempos, maninha.
Rosalie suspirou antes de sorrir e pousar a cabeça no ombro do seu irmão mais velho.
— Eu também... Maninho.
. . .
Leah parou sua moto junto ao meio fio da calçada, olhando ao redor, procurando por Jacob.
Aquele era o endereço que ele tinha mandado por mensagem, parecia com a rua onde o lugar de Edward ficava – mas numa versão mais requintada, cheia de bares e restaurantes, além de algumas casas noturnas – e estava no horário, tinham marcado as nove e estava apenas sete minutos atrasada.
Quando alguém chamou seu nome, ela virou a cabeça na direção da voz. Ele estava parado do outro lado da rua junto a um vermelho rabbit 86. Era fascinada por carros e adorava o charme dos antigos, mas naquele momento toda a sua fascinação estava direcionada a outra coisa, Jacob.
Foi inevitável sorrir. Ela usou o pé pra soltar o descanso da moto e desceu dela. Tirou o capacete e agitou os cabelos, passando os dedos neles pra que se desembaraçassem; sem se preocupar com o resultado, apenas os jogou para o lado e tirou a chave da moto ao desliga-la.
Olhou para os lados antes de atravessar a rua e ir até ele. Jacob nem disfarçou em olhá-la da cabeça aos pés e ela lutou contra a vontade de se sentir insegura. Ele sabia com que estava lidando e ela tinha avisado que não iria se vestir de forma diferente. Usava um jeans escuro que se ajustava como uma segunda pele em cada centímetro de suas longas pernas, uma simples blusa cinza com decote em U, uma jaqueta jeans um pouco mais clara que sua calça com as mangas arregaçadas e uma ankle boot cinza sem salto nos pés. Kate e Carmen tinham tentado fazê-la ir de vestido, talvez uma blusa mais decotada ou um salto, depois tentaram fazê-la colocar maquiagem e fazer algo diferente no cabelo, mas ela não queria ser outra pessoa, queria ser ela mesma. Roupa simples e confortável, a única maquiagem que tinha era o pouco de lápis de olho e máscara nos cílios. Aquela era ela mesma.
Não sabia o que ele tinha achado, mas ele estava sorrindo. Um daqueles sorrisos que lhe fazia se sentir estranha por dentro, era tão doce. E quente. Porra, como ele estava quente. Sua camisa parecia imitar o tecido de jeans azul claro com os três primeiros botões abertos mostrando um pouco do seu peitoral e um pouco de pelo salpicado por ele, a calça jeans escura agarrava apenas em suas coxas grossas e deliciosas. Ele não parecia um homem de frescuras, ela gostava disso.
— Estou feliz que tenha vindo.
— Acho que eu te daria um bolo, Jacob? — Leah perguntou divertida.
— Eu concluí que existia uma possibilidade. — ele riu. — Você está linda.
Ela ficou sem palavras e engoliu seco, surpresa com o elogio.
— Por que você está tão surpresa? Você é uma mulher linda, Leah.
— Eu... — não sabia o que falar. Não sabia nada sobre ser uma mulher linda e, depois de tanto tempo com Sam, talvez não estivesse acostumada a escutar isso de um homem. Então ela sorriu, tentando mascarar seus sentimentos. — Você também não está ruim.
Jacob agitou a cabeça, rindo.
— Pensei em te comprar flores, mas você não me parece uma mulher de flores, então...
Leah gargalhou.
— Eu não sou mesmo. Mas eu realmente sou uma mulher de comida, então podemos ir jantar.
— É uma ótima ideia. Por que não deixamos seu capacete no seu carro?
Ela assentiu e entregou a ele, que guardou no carro e o fechou novamente.
— Vamos, o restaurante fica ali.
Ela nem se preocupou em ver o lugar, só o seguiu. Os dois foram pra calçada e caminharam lado a lado.
— Então — ela começou. — o rabbit é realmente seu?
— Você sabe o nome do meu carro? — ele perguntou surpreso
— Porra, claro que sim! É um belo rabbit 86.
— Geralmente só acham que ele é um pequeno carro velho e tentam me fazer conseguir algo melhor.
— Ele é um pequeno carro velho, mas é um belo carro velho. — os dois riram juntos. — Meu pai tinha uma fascinação por carros antigos e ele me passou um pouco disso, ele tinha um chevy impala 67, mas quase tinha comprado um rabbit.
— Por que tinha? Ele vendeu?
— Não, ele agora é do meu irmão mais novo, ele herdou quando nosso pai morreu.
— Oh, eu sinto muito.
Ela deu ombros e sorriu.
— Esse é o restaurante?
Jacob assentiu sorrindo e foi na frente. Leah parou por um segundo, era um restaurante que parecia requintado demais pra ela. Pelo amor de Deus, até para Jacob aquele lugar parecia requintado e ele entrou do mesmo jeito, ela não teve nenhuma opção que não fosse segui-lo.
E por dentro tudo parecia ainda mais elegante, dos clientes bem vestidos até a decoração do lugar. Eles foram levados a uma mesa na lateral e ela estranhou quando o maître puxou a cadeira pra que sentasse. Devia considerar um gesto de cavalheirismo, sabia disso, mas ela considerava frescura.
Um garçom se aproximou, se apresentou e entregou um cardápio pra cada. Jacob pediu um vinho e uma porção de bruschetta para entrada, que ela não tinha do que se tratava.
— Você vem aqui com frequência? — ela perguntou quando o garçom se afastou pra buscar os pedidos.
— Vim algumas vezes, esse é o melhor italiano de Seattle.
— Imagino.
— O que? Você não gosta de comida italiana?
— Eu gosto, é só... Eu não tô um pouco... — ela se inclinou sobre a mesa e continuou com a voz mais baixa: — Informal demais pra esse lugar?
Pra todo lado que olhasse só via mulheres bem arrumadas em vestidos e saias, até mesmo as que usavam calças pareciam mais elegantes que ela. “Como você espera que eu te leve a algum lugar se você não pode se vestir a altura deles? O único lugar que posso ir com você sem passar vergonha é no bar do seu amiguinho”, Sam uma vez tinha lhe dito.
— E daí? — Jacob sorriu parecendo achar graça da sua pergunta. — Eu também estou. Isso é um restaurante, vamos todos comer e pagar pelo que comemos da mesma forma, não existe diferença entre nós e eles pelas roupas que usamos.
Ela o analisou em silêncio. Procurando sinais de que estava mentindo ou apenas falando doce pra que acabassem transando no final da noite, mas não encontrava menos do que sinceridade no seu rosto e a forma que não tirou os olhos dos seus o tempo todo.
— Tudo bem, Leah?
Ela respirou fundo e relaxou.
— Sim. — colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e sorriu. — Só estava em um daqueles fodidos e patéticos momentos de mulherzinha, eu estou bem. Então... O que vamos comer?
— O ravióli de cogumelos daqui é incrível.
— Cogumelos? — ela franziu o rosto.
— Você não gosta? É bom.
— É um fungo, isso é meio... Como eu posso dizer sem ofender... Bem, nojento.
— Não tem gosto de fungo. — ele jurou, rindo.
— Oh, e você já comeu fungo?
— Comer pão embolorado sem querer conta?
Leah riu enquanto olhava o cardápio. Eram todos nomes de pratos mais complicados e italianos – oh, que surpresa. Tudo muito fresco e cheio de não me toques. Por que não podia especificar as coisas? Colocar o nome do prato e em baixo ou lado o que tem nele, como fazem com as pizzas, no final era tudo massa mesmo.
O garçom veio com a garrafa de vinho tinto, abriu e encheu as duas taças da mesa. Jacob pediu pra que ele deixasse a garrafa e ele deixou no suporte sobre a mesa.
— Quer fazer um brinde? — ele perguntou ao pegar a própria taça, ela pegou a dela.
— A que?
— A novos encontros?
— E novos começos. — ela completou e suas taças se chocaram suavemente no meio da mesa.
Ela achava vinho uma bebida requintada, mas não tinha problema com ele – e com nenhuma outra bebida, gostava de todo o tipo de álcool, apesar de preferir bebidas destiladas ou cerveja. Foi estranho ver Jacob beber; enquanto deu um gole grande no vinho, ele apenas bebericou sem expressar nenhum tipo de reação.
Logo depois outro veio com uma bandeja com a porção de entrada. Aquilo eram as bruschetta? Pão com tomate picado por cima? Leah franziu o cenho, não estava impressionada. E caralho, como odiava tomate.
— Estão prontos pra pedir o jantar? — o garçom perguntou.
— Ainda não, te chamo quando decidirmos. — Jacob disse.
O garçom assentiu e se afastou.
— Jacob... Você gosta desse lugar?
— É, é, eu gosto, é um restaurante agradável e tem boa comida.
A quem ele estava tentando convencer que gostava daquele lugar? A ela ou a si mesmo?
— Sério? — Leah ironizou.
— Por quê?
— Eu não quero soar ingrata, mas você parece estar tão deslocado quanto eu. Esse lugar não parece combinar com você. Porra, nem do vinho você gosta, pelo amor de deus.
— Eu, bem, só pensei que você poderia gostar.
— Então você ficaria em um restaurante que faz você desconfortável por algumas horas só pra me agradar?
— Talvez? — ele disse inseguro e então riu. — Uau, você está me fazendo soar patético.
— Definitivamente não foi minha intenção, eu só tô tentando te dizer que você não tem que tentar me impressionar, Jacob.
— Você não gostou daqui, né?
— Não é que eu não gostei, eu só... Esse lugar parece com... — ela olhou ao redor. — Parece com a Bella, não comigo. E nem com você.
Suas palavras pareceram surpreendê-lo. Ele abriu a boca pra falar algo, mas a fechou e soltou um suspiro.
— Você tem razão, esse é o lugar da Bella e não meu. Eu... Eu sinto muito, eu... Será que você pode me dar outra chance?
— De que?
— De não estragar totalmente eu nosso encontro e te levar pra outro lugar.
— Contanto que seja um lugar que represente você de verdade.
Jacob sorriu.
— Feito.
Ele chamou o garçom e pediu a conta, mesmo que não tivessem tocado em nada ainda teriam que pagar pelas entradas e taças de vinho. Ela quase se sentiu culpada por isso, mas ele não tinha saído tão caro e ele não parecia se importar então se levantaram juntos, ele foi pagar a conta enquanto ela o esperaria fora do restaurante.
Enquanto o esperava, ela tirou o celular do bolso da calça, abrindo as mensagens de Carmen e Kate. ‘E então?’, ‘Como está o encontro?’, ‘Vocês já estão transando?’, ‘Como é o pau dele?’, ‘Tente tirar uma foto!’. ‘Leah, mande as novidades!’. Foi impossível não rir. E não iria respondê-las, seria divertido tortura-las um pouco (ou a noite toda).
— Tudo bem?
Ela ergueu a cabeça, nem percebido sua aproximação. E ele estava perto, a um passo de distância.
— Apenas umas amigas perguntando como eu estou. — respondeu divertida e guardou o celular no bolso novamente.
— E como você? — ele perguntou receoso.
— Muito bem. — Leah sorriu.
— Então, vamos? Podemos ir no meu carro e depois voltamos pra buscar sua moto ou você me segue, como você preferir.
— Você sabe que eu não vou abandonar meu bebê aqui, Black, eu te sigo.
Jacob riu.
— Então vamos porque eu ainda tenho um encontro pra salvar.
— Não coloque tanta pressão sobre você, filhote.
— Existe muita pressão aqui se você não está percebendo. Já errei uma vez, duas seria humilhante e aposto que numa terceira eu vou estar fora.
— Provavelmente. Mas Jacob, você foi o primeiro homem que realmente tentou fazer algo por mim, sabe? Tipo, tentar me agradar como uma mulher.
— E não me sai muito bem, né? — passou a mão nos cabelos com uma risada constrangida.
— Talvez não. — ela riu. — Mas ainda assim foi legal pra caralho, eu aprecio isso.
Dando um passo a frente, ela anulou a distância entre eles e juntou suas bocas. Jacob só pareceu surpreendido por uma fração de segundo, antes de pousar as mãos na cintura da morena e beijá-la de volta.
. . .
O horário do jantar tinha sido cheio e mesmo agora, uma hora depois de terem encerrado as atividades e apenas o bar estava aberto, ainda estava muito agitado.
A frente do lugar estava cheia de grupos de amigos também aproveitando a noite, os clientes entravam e saiam num fluxo constante, risadas e vozes diferentes se mesclando com a música ao vivo feita por um cantor amador que fazia covers de músicas famosas e que tocava ali uma vez por mês – era eclético e agradava a todos atendendo pedidos de músicas.
A noite estava tão movimentado que Edward mal teve tempo de sentar com seus amigos, como fazia com frequência, estava ora ajudando no bar ora ajudando a resolver algum problema ao redor. Não que ele não gostasse disso, ele adorava a animação dos finais de semana de seu bar, mas naquele momento ele só queria uma pessoa.
E se sentiu relaxar quando ergueu a cabeça e viu essa pessoa entrar no bar com o grande irmão logo atrás. E os irmãos Swan chamaram atenção de todo lugar sem nem tentar.
Bella estava em um short muito curto preto e um pequeno salto da mesma cor, sua blusa branca estampada estava presa junto ao cós do short e por cima uma jaqueta vermelha, com os cabelos soltos em suaves ondas sobre seus ombros; seu rosto quase não levava maquiagem dando destaque apenas aos seus olhos, então era fácil dizer o que chamava atenção – suas pernas. As pernas delas pareciam ainda mais longas e sua pele pálida chamava atenção de qualquer um, ele até se sentiu um pouco ciumento que todos estivessem vendo aquele espetáculo que devia ser só dele – e foi surpresa até pra ele que se sentisse tão possessivo ou ciumento, nunca tinha sido esse tipo de homem.
Emmett vinha logo atrás com um conjunto de calça e paletó da mesma cor cinza escura com uma blusa preta por baixo. Edward não queria analisar a ele como tinha feito com Bella, não tinha o mesmo prazer nisso, mas precisava assumir que o cara era boa pinta. Ainda mais quando tinha um sorriso fácil no rosto cercado por duas covinhas – como as de Jasper –, ele conseguia a atenção de todas as mulheres e homens disponíveis no lugar.
E por ele tudo bem, só queria uma.
Virou-se pra irmã, pronto pra pedir que ela segurasse as pontas um pouco, mas ela parecia tão distraída com os irmãos Swan quanto ele. E ele tinha certeza que não era Bella o objeto da sua cobiça.
— Rose? — a chamou tocando seu braço. Ela se sobressaltou ao voltar à realidade. — Tudo bem?
— Que? Quero dizer, sim, claro, sim. — agitou a cabeça e engoliu seco, abrindo a gaveta de gelo pra começar a encher o copo que tinha em mãos.
— Segura as pontas por um tempo?
— Nem precisa dizer o motivo, vai lá.
Edward beijou seu rosto antes de sair de trás do balcão, indo pra Bella.
Ela sorriu quando lhe viu e ali ele ganhou sua noite, qualquer coisa a mais seria lucro depois de ver todo o rosto dela se iluminar ao vê-lo.
Nem deu a ela tempo de falar nada, passou o braço ao redor de sua cintura e lhe puxou para seu peito enquanto tomava sua boca.
— E boa noite pra você também, Edward. — Emmett ironizou atrás deles.
Os dois riram entre o beijo, mas não foi o suficiente pra que se separassem. Desfrutaram mais alguns instantes daquele beijo antes de separarem suas bocas com alguns selinhos.
— Que boa forma de ser recebida. — Bella brincou.
— Eu não posso dizer o mesmo, não é? — Emmett disse fazendo-os rir.
— Desculpa cara. — Edward disse rindo, olhando pra ele sobre Bella, a quem ainda abraçava. — Boa noite, que tal uma rodada por conta da casa como pedido de desculpas?
— Uma rodada? Ela é minha irmãzinha, cara, no mínimo cinco pra que eu possa pensar em talvez esquecer esse tipo de cena.
— Como você pode ver, o exagero é um traço constante na personalidade do meu irmão.
Emmett e Edward riram.
— Estou acostumado com isso, então vamos conseguir a primeira rodada pra esse exagerado.
— Não, eu mesmo vou buscar. — Emmett disse olhando na direção do balcão. — Eu tenho algo a fazer.
— Enquanto isso nós vamos falar com os outros. — Bella disse sorrindo para o irmão e voltou a olhar pra Edward. — Vamos.
— Você sabe o que ele tem que fazer? — Edward perguntou com o cenho franzido quando Emmett se afastou.
— Sim.
— Então?
— Não seja curioso porque não é da sua conta.
— Ouch, essa doeu.
— Oh bebê — ela acariciou a bochecha dele. — Sabe aquele velho truque de dar um beijinho no machucado pra curar a dor, será que resolve agora?
— Não sei, talvez? E eu tenho até um dos lugares mais doloridos que você podia beijar.
— Qual?
Ele apertou a cintura dela contra seu corpo, pressionando sua virilha nela. E ao entender o lugar, Bella gargalhou.
— Você é um safado! — passando os braços ao redor do pescoço dele para beijá-lo. E gostando da ideia de todos os lugares que beijaria naquela noite.
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