You & Me
17 Km :: 16
O balcão estava cheio de clientes o rodeando, alguns sentados desfrutando de suas bebidas e outros esperando serem atendidos, enquanto Rosalie e Seth se revezavam para atender a todos, preparar os drinks e marcar comandas. Mas nenhum deles pareciam incomodados com o trabalho, com as pessoas os chamando de todos os lados, mantinham o sorriso no rosto e o bom humor o tempo todo.
Emmett foi para a ponta do balcão, exatamente onde tinha a parte que se erguia para dar passagem. Rosalie já tinha visto sua aproximação do meio do caminho, quando seus olhos se encontraram, mas não foi imediatamente em sua direção, primeiro serviu mais um grupo de quatro pessoas antes de dar atenção a ele.
Separados pelo balcão, ela parou na sua frente. Ele não sabia por onde começar e, pelo visto, nem ela. O clima era estranho, o constrangimento quase palpável. E seus olhos não se desconectaram em nenhum momento daqueles segundos que sentiram como uma pequena eternidade.
Até ela quebrar o silêncio com um simples e hesitante:
— Oi.
— Oi Rosalie, eu...
Alguém a chamou, ela se virou e pediu um minuto, então se virou para Emmett de novo.
— Eu queria... — os dois começaram juntos e pararam, rindo.
— Eu comecei isso então, então me deixe falar primeiro. — ela pediu.
— Tudo bem.
— Mesmo que eu não tenha tido a intenção de ofender ninguém, eu fui estúpida e precisei de apenas uma conversa com a sua irmã para perceber que também fui muito injusta, então, por favor, me desculpa pelo que eu falei.
— Eu também quero pedir desculpas. Também fui estúpido pra defender minha irmã...
— Eu mereci. — Rosalie salientou.
— Talvez. — ele brincou, fazendo-a sorrir. — Mas ainda assim não justifica porque isso não é quem eu sou, se meu pai soubesse que falei com uma mulher daquela maneira, ele teria chutado o meu traseiro, puxando minha orelha e me arrastado no mesmo dia pra te pedir desculpas.
— Soa como um grande homem.
— O melhor. — Emmett sorriu.
— Se você puder me desculpar, eu posso fazer o mesmo por você.
— Então que tal deixarmos isso pra trás? Ainda podemos ser amigos?
Rosalie hesitou, parecendo pensar sobre aquela condição por alguns segundos fazendo aparecer uma pequena ruga entre suas sobrancelhas.
Emmett não gostou do que aquilo pareceu, porque talvez ela não quisesse ser sua amiga. Aquilo seria o melhor, o lógico, não serem amigos – manter distância porque ela era casada. Mas ele não conseguia ser lógico naquele momento, mal conseguia pensar logicamente perto dela. Casada, ele lembrou a si mesmo, casada.
Ela engoliu seco e respirou fundo, antes de sorrir lentamente. Suas maçãs ficavam ainda mais altas e cheias, deixando seus olhos menores e brilhantes. Emmett sentiu seu sorriso como um soco no estômago.
Porra, toda essa atração estava lhe torturando. Mesmo com todo o sexo que tinha tido na sexta, ele ainda sentia aquele sentimento rastejar sob sua pele. E a sua missão “foder até o pau cair se fosse necessário para tirar Rosalie Cullen de seu sistema” tinha falhado miseravelmente.
— Amigos. — ela concordou sorrindo.
Não sabia como se sentia sobre aquilo, mas a palavra ‘amigo’ tinha um gosto amargo. Mas ele não deixou isso transparecer. Um sorriso divertido apareceu no seu rosto num piscar de olhos.
— Então, o que seus amigos precisam fazer para conseguirem uma bebida aqui?
Rosalie riu.
— Normalmente, pedir.
. . .
— Agora isso sim é uma boa comida. — Leah elogiou entusiasmada quando o garçom colocou a grande pizza entre eles.
Eles estavam em uma pequena mesa redonda sob o toldo verde de uma pizzaria em um bairro simples e residencial – a dez minutos de onde ele morava, Jacob disse. Na mesa agora uma pizza meio mussarela meio calabresa com uma garrafa gelada de Coca-Cola.
E agora Leah sentia que estavam se entendendo.
Sorrindo, Jacob pegou uma faca e garfo para pegar um pedaço da pizza de calabresa e colocou no seu prato. Por um segundo Leah franziu o cenho, o analisando. Então ele deixou os talheres de lado, pegou alguns guardanapos e pegou a pizza com a mão. Ela relaxou e sorriu.
— Já estava preocupada de ter que fingir que como pizza com garfo pra não parecer uma selvagem. — Leah brincou, enquanto fazia a mesma coisa que ele, mas pegando um pedaço da parte de mussarela.
— Claro que não. Estou usando o guardanapo só porque estou em público e não quero parecer que fui criado por lobos, mas em casa não uso, pizza boa se come com a mão. Até mesmo o gosto muda com o garfo. — ele disse sorrindo e deu uma grande mordida em sua pizza.
— Concordo. — e mordeu a sua também.
Jacob terminou de mastigar e engolir seu pedaço, com o seus cotovelos sobre a mesa e segurando a pizza no ar, ele manteve os olhos nos dela.
— Então, Leah, esse definitivamente sou eu.
— Então, Jacob, agora eu definitivamente gosto de você. — Leah sorriu e deu outra mordida em sua pizza.
Ele comeu mais também, colocou o resto no prato e abriu o refrigerante para servi-los.
Sobre a mesa, o celular dela começou a tocar. Nem precisou ver na tela quem era. O toque era suficiente pra que soubesse. Your boyfriend is a douchebag and everybody knows – Sam. Ficou encarando o celular, aquela era a primeira vez que ele ligava desde que tinham terminado então o que ele queria agora? Será que queria implorar por seu perdão e reatar? Não queria falar com Sam, mas não podia negar que estava curiosa.
— Não precisa se incomodar comigo, pode atender. — Jacob disse a tirando de seus devaneios.
— Eu... — ela piscou algumas vezes, confusa, o encarando enquanto seu celular ainda tocava. Jacob era tão diferente de Sam e a fazia se sentir diferente, era estranho... Mas gostava disso. — Eu sei. Eu só não quero. — e apertou o botão para ignorar chamada e depois silenciou seu celular.
— Interessante escolha de toque. — ele brincou.
— É pra que eu sempre me lembre disso.
— Que seu ex é um babaca?
Ela assentiu.
— E todo mundo sabia disso.
— Fim difícil?
— Pode-se dizer que sim. Mas vamos mudar de assunto? Não quero estragar nosso encontro falando das merdas do passado.
— Por mim tudo bem. — Jacob sorriu. — Então vamos falar de você.
— De mim? Isso não é assunto interessante.
— Pra mim é, ainda mais quando você sabe mais sobre mim do que eu sobre você. Eu quero conhecer você, Leah. Então, o que você faz pra viver?
— Geralmente respiro e mantenho meu coração batendo, você sabe, o de sempre.
Jacob gargalhou fazendo um esforço pra não rir de boca aberta, que estava cheia de pizza.
— Estou brincando, eu trabalho em um estúdio de bodymodifications.
— Sério? Você é tipo uma tatuadora?
— Sim, mas não sou uma tatuadora, eu sou uma bodypiercing e faço outras modificações.
— Você coloca piercings nas pessoas? Desculpa soar ignorante, mas o que seriam as outras modificações?
— Tudo bem, eu coloco piercings, alargadores, bifurco línguas, implantes subcutâneos, esse tipo de coisa. — deu ombros e mordeu sua pizza.
— E você tem alguma dessas coisas?
Ela assentiu mastigando. Jacob não disse nada, mastigando silenciosamente, ele parecia lhe analisar.
— O que? Você não aprova? — ela disse defensiva sem se importar com a sua boca cheia. Se não era algo que ele não aprovava, então que fosse o inferno pra longe dela porque não iria mudar isso.
— Isso não é algo pra mim, mas não tenho nada contra, cada um que faça o que quiser com o próprio corpo, eu só... Eu não vi nada disso em você, estou me perguntando o que você tem e onde esconde esse tipo de coisa.
— Ah. — ela relaxou, dando um sorriso divertido. — São piercings. Estão sob a roupa, apenas pessoas autorizadas podem vê-los.
Por uma fração de segundo os olhos de Jacob se alargaram de surpresa e ele engoliu seco antes de se recompor.
— Será que serei autorizado a ver?
— Você quer essa autorização?
— Desde antes de saber que teria algo pra ver além de você mesma em baixo dessas roupas.
E dessa vez, ela foi surpreendida por suas palavras. Uma onda de excitação correu todo seu corpo apenas com a ideia de ficar nua na frente dele e deixar que ele explorasse e descobrisse cada centímetro de seu corpo. Sua boceta se apertou e a quente umidade cresceu nela. Estava excitada de todas as formas possível e apenas sorriu – aquela autorização estava mais próxima do que ele podia imaginar.
. . .
A noite estava animada como todas dos finais de semana do Cullen Bar & Grill. Como Edward estava trabalhando para manter o lugar funcionando, Bella estava sentada com o resto do grupo, bebendo uma das suas caipiroska de frutas vermelhas – que tinha se tornado sua bebida alcoólica favorita – conversando com os outros e seu irmão.
Mas estava se concentrando pouco na conversa, era fácil perder a atenção em qualquer outra coisa quando seus olhos estavam em Edward.
De jeans e uma camisa de flanela, ele parecia o homem mais lindo daquele lugar – ao menos pra ela – e quando sorria então, ficava potencialmente mais atraente. Ele ajudava Rosalie e Seth no balcão ou então ia resolver alguma coisa na cozinha ou no escritório, arrumava alguma coisa para o cantor, tudo sem perder o sorriso no rosto e o contato com os clientes, ele interagia muito bem com as pessoas.
E enquanto trabalhava, Edward sempre olhava em sua direção.
No começo, ela pensou que fosse pra se certificar de que ela estava olhando ou se estava sozinha, então ela tentou se convencer que, como não tinham nada oficial, não podia ficar chateada se em algum momento ele fizesse qualquer coisa como, por exemplo, ceder às mulheres que lhe jogavam charme; mas em momento algum ele fez isso, ele tão era bom quanto Emmett em sair dos avanços de qualquer uma sem parecer rude.
E foi quando ela percebeu que ele não buscava por espaço pra procurar por outra mulher, ele procurava por ela. Ele apenas lhe olhava.
E sempre que seus olhos se encontravam, ele sorria.
E quando ele sorria, ela sentia seu coração falhar por uma fração de segundo antes de bater forte e sorrir de volta.
Estava indo tão rápido no caminho de perder seu coração para Edward e não tinha ideia de como parar isso – ou se ao menos queria parar isso.
Depois de outra troca de olhar e sorriso, ela o viu dizer algo no ouvido da irmã e sair de trás do balcão com uma garrafa de água gelada em mãos, levar ao cantor que tinha acabado uma música e agora recebia sugestões de músicas de várias pessoas, depois se aproximou de onde o grupo de amigos estava.
— Sentiu minha falta, Coisa Doce? — ele perguntou divertido ao sentar ao seu lado, pousando a mão em sua coxa.
— Muita. — Bella respondeu com um beicinho. — Me beija. Você não me beijou suficiente hoje.
— Deus, como eu pude negligenciar sua boca doce desse jeito? Que erro terrível, preciso consertá-lo imediatamente.
Bella riu e se inclinou pra ele, deslizando a mão pra sua nuca, enquanto era beijada.
— A doçura do começo de um relacionamento... — Carmen disse com um suspiro. — Lembro quando éramos assim.
— O Eleazar está deixado a desejar, Carms? — Kate perguntou debochada.
— Sim. — disse e deu uma cotovelada na costela do marido. — Por que você não é romântico e doce quanto o Edward?
— Maldição, mulher, talvez por isso. — Eleazar respondeu com um gemido e a mão no lugar atingido.
Bella riu sobre a boca de Edward e virou a cabeça para os outros.
— Eu sinto muito, nem todas podem ser tão sortudas quanto eu, né?
— Jogando na cara, talvez ela não seja uma coisa assim tão doce. — Carmen disse com desdém e então riu, deixando claro que estava brincando, e fez os outros rirem também.
Edward afastou o cabelo da Bella e aproximou o rosto de sua orelha.
— Então você se sente sortuda, é? — sussurrou e beijou o lóbulo de sua orelha.
Quando um arrepio percorreu seu corpo, ela virou o rosto para lhe olhar de novo e juntou suas testas.
— Muito. — sussurrou de volta.
— Então compartilhamos o mesmo sentimento. — acariciou os lábios dela com os próprios e a beijou.
— Ugh, quem colocou tanto açúcar na bebida de vocês? Tanta doçura tá me deixando enjoada. — Kate resmungou.
— Não seja uma cadela ciumenta, Kate. — Jasper a provocou, rindo.
A loira ergueu uma sobrancelha erguida e gargalhou.
— Ah Jas, eu não posso evitar. — a loira ironizou com uma sobrancelha erguida e gargalhou. — E falando nisso, a Bella além de se dar bem ainda consegue encontros para as amigas, talvez você pudesse me apresentar um dos seus amigos gostosões também.
E só com a menção de ‘amigos gostosões’ Edward interrompeu o beijou e olhou para Kate com o cenho franzido.
— Que?
— Nem eu sei. — Bella riu confusa. — Que amigos?
— O mecânico que você indicou a Leah, eles estão em um encontro agora.
— O que? Não, o Jacob?!
— Esse mesmo. — Carmen assentiu, rindo.
— Leah saiu com o Jacob? — Emmett perguntou confuso. — Como isso aconteceu?
— Ela teve um problema com a moto e precisava de uma recomendação, ai eu recomendei o Jake.
— E a vagabunda não perdeu tempo, estou tão orgulhosa da minha pequena pupila. — Kate disse dramaticamente enxugando lágrimas invisíveis, fazendo o grupo rir.
— Espera, Jake não é o nome do seu, é — Edward hesitou. — ex-noivo?
— Sim, é Jake de Jacob.
— Espera, espera, espera. — Kate agitou a cabeça, parecendo horrorizada. — Você está me dizendo que a Leah está nesse exato momento em um encontro com o seu ex-noivo?
— Acho que sim, se vocês estão dizendo que ela saiu com o mecânico Jacob. — Bella riu.
— Porra, Bella, como você não disse isso pra ela antes?!
— O que? — parou de rir, confusa.
— A Leah, ela... Cara, você não sabe exatamente como a Leah é, quando descobrir ela vai... Porra. — Kate disse nervosamente. — Puta merda!
— Puta merda. — Jasper disse baixinho sob sua respiração.
Por um instante Bella pensou que Jasper também falasse sobre a situação de Leah, mas então viu que ele olhava na direção da entrada do bar.
Quando Edward olhou para trás também e seus rosto foi tomado pela surpresa, ela na mesma direção tentando entender o que eles viam de tão surpreendente.
E só entendeu o que era quando o motivo acenou para eles com um sorriso no rosto, uma loira desconhecida – obviamente apenas pra ela – e totalmente deslumbrante.
A loira devia ter sua altura, mas era bem mais voluptuosa em uma cintura fina, o quadril largo e os seios fartos no decote V cavado suficiente pra dar a impressão de que qualquer respiração profunda faria seus seios saltarem pra fora do vestido dourado, nos pés saltos agulha também dourados e os cabelos presos em um alto rabo de cavalo fazendo uma franja lisa presa junto a sua orelha e as pontas soltas em uma cascata de cachos dourados, segurando uma pequena bolsa carteira dourada em mãos.
Quando ela se aproximou, Edward olhou para Jasper e eles trocaram um olhar silencioso. Foi fácil entender a forma que Jasper alargou os olhos por uma fração de segundo, mostrando que também não entendia o que estava acontecendo.
— Meus meninos! — a loira os cumprimentou entusiasmada quando estava a poucos metros deles. Mesmo com a música e vozes ao redor, a voz aguada e o forte sotaque britânico dela foi fácil de escutar.
Seu lado racional queria pensar – ela é apenas uma amiga dos dois, assim como todas as outras, e você também não tem porque se sentir incomodada por isso. Mas o outro lado, aquele que não queria ser racional, estava pensando – quem diabo era aquele Ferrero Rocher loiro?
— Tany. — Jasper disse sorrindo ao seu levantar e ir à sua direção
— Jazy. — a loira apressou o passo e se jogou nos braços dele, sendo abraçada pela cintura.
Bella tentou sorrir o mais natural possível quando Edward lhe olhou apologeticamente antes de se levantar para cumprimentar a loira também.
— Sempre com esses apelidos, não é, Tanya?
— Tem o seu também... Edy. — ela riu ainda nos braços de Jasper. — Quanto tempo, Jazy.
E, para a surpresa de Bella, ela o beijou nos lábios e eles sorriram.
— O que você está fazendo aqui, Tany?
— Isso não é óbvio? — ela perguntou rindo, saiu dos braços dele e foi abraçar Edward. — Vim pela mensagem do Edward.
— Minha mensagem? — Edward franziu o cenho.
A loira gargalhou antes de juntar os lábios aos dele também.
— Puta merda. — Kate repetiu, enquanto todos olhavam para Bella.
. . .
Leah estava tendo o melhor encontro de sua vida.
Estar com Jacob era tão fácil que sentia como se fossem amigos de desde sempre. Enquanto eles comiam a pizza o assunto foi fluindo sem esforço, em um momento estavam conversando sobre o trabalho dela, como os lugares mais estranhos que tinha colocado piercings – ele tinha ficado bem surpreso com a ideia de que homens realmente colocassem piercings em seus pênis e ela riu muito com as expressões surpresas e horrorizadas dele –, depois entraram em uma conversa sobre carros e motos. E entre os assuntos, sempre acabavam flertando; mesmo que fossem flertes pequenos, ela ainda se excitava com cada sugestão de que acabariam transando no fim daquele encontro, sua calcinha estava uma bagunça.
E quem dera estivesse só excitada, também estava encantada. Em nenhum momento ele tinha feito qualquer comentário que a deixasse desconfortável ou a desmerecesse, na verdade, ele a elogiava a cada oportunidade. Ele também tinha o sorriso mais lindo que ela já tinha visto e ela esperava ansiosamente cada vez que ele gargalhava, porque era um espetáculo – ele jogava a cabeça para trás e ria como uma criança, e era tão doce que a fazia sorrir todas às vezes.
Quando acabaram de comer toda a pizza, se levantaram juntos e Jacob foi ao caixa pagar tudo, então foram lavar as mãos. Saíram da pizzaria e caminharam lado a lado na calçada, indo para o carro e a moto estacionados junto ao meio fio, no final da calçada, único lugar que tinha vaga.
— Deus, eu tô tão cheia. — Leah disse expirando ruidosamente.
— O que você esperava? Você comeu o que? Cinco ou seis pedaços?
— O que?! Seu mentiroso! — ela riu e deu um soco no braço dele. — Eu comi quatro pedaços, assim como você. E agora você sabe que me levar pra jantar é um prejuízo, porque eu não fico com vergonha de comer na frente dos outros e nem peço só uma saladinha, eu amo comer.
— Bom, porque eu também amo, agora sei que posso te chamar pra comer e teremos um bom encontro.
— Fodidamente certo!
Jacob riu. Eles pararam ao lado do carro dele.
— Eu tive um bom momento, Jacob, muito obrigada por isso. — Leah agradeceu, sorrindo.
— Você já está se despedindo? Porque eu acho que ainda é cedo.
Leah andou para o carro e encostou as costas na lataria da porta.
— E pra onde podemos ir?
Ele se aproximou. Leah não sabia por que, mas ele só precisava se aproximar daquele jeito e seu estômago parecia gritar enquanto sua respiração acelerava. As mãos dele pousaram em sua cintura novamente e os olhos não saíram dos seus.
— Eu moro aqui perto. — Jacob disse.
— Isso é um convite?
— Sim. — Jacob sorriu. — Passei a noite toda querendo fazer isso de novo. — ergueu uma mão para o rosto dela, puxando a cabeça dela suavemente pra perto e a beijou.
O primeiro beijo que compartilharam tinha sido lento e suave, quase um reconhecimento de território, eles estavam deixando suas bocas se conhecerem – conhecer seus gostos, texturas, ritmo. Mas esse segundo beijo estava sendo quente e profundo, quase uma promessa do que aconteceria se fossem juntos para o lugar dele. Suas bocas se conheciam e agora suas línguas criavam intimidade no mesmo ritmo lento.
Leah subiu as mãos para os cabelos dele, esfregando os dedos nos fios curtos enquanto a mão dele voltou a sua cintura, descendo lentamente para o seu bumbum com um aperto firme antes subir a cintura novamente. Ele apertou o corpo tão juntos que ela até podia sentir a ereção dele crescendo entre seus eles, fazendo sua boceta molhada se apertar ao redor do vazio na premissa de sentir aquilo preencher cada centímetro dela até que ela se apertasse ao redor dele.
— Foda, Jacob... — ela ofegou em sua boca, mordiscando seu lábio inferior. — Vamos pro seu lugar.
— Sim. Vamos agora antes que eu me envergonhe no meio da rua ou me prendam por atentado violento ao pudor.
Leah gargalhou.
— Eu te sigo na moto de novo.
— Tudo bem, vamos. — ele a beijou rapidamente e a soltou, tirando a chave do carro do bolso.
Depois de pegar o capacete no carro dele, Leah sentiu seu celular vibrar no bolso. E foi verificar pela primeira vez desde que o silenciara. Tinha sete ligações perdidas do Sam e duas mensagens dele; duas ligações perdidas da Kate e três mensagens dela – me atende, sua vagabunda; preciso falar com você; pergunta pro Jacob sobre o envolvimento com a Bella!
Leah franziu o cenho. Quando o conhecera, Jacob tinha dito que era uma longa história e que devia perguntar a Bella, mas acabou não tendo chance de perguntar e durante todo o jantar o assunto não surgiu, na verdade ela nem tinha se lembrado disso, mas agora Kate parecia tão preocupada sobre isso que fez seu estômago se contorcer.
— Jacob! — o chamou quando ele entrava no carro.
Ele parou e a olhou sobre o carro, segurando a porta aberta.
— O que há acontece entre você a Bella?
— O que? Não acontece nada, somos amigos.
— E aconteceu algo antes?
— Leah...
Oh merda, ela pensou.
— É uma pergunta fácil. — ela se aproximou. — Vocês tiveram algo além da amizade?
— Nós... Sim, tivemos um relacionamento.
— O que?!
Jacob fechou a porta do carro e deu a volta nele, voltando para a calçada pra se aproximar de Leah.
— E você não achou que seria bom me contar essa porra de detalhe?! Vocês dois... — e de repente tudo ficou óbvio. — Puta merda! Você é o Jake?! Você é o ex-noivo dela?!
— Sim, mas nós dois terminamos e...
— Porra, isso não importa! Vocês ficaram juntos, o que? Quatro anos? Porra, vocês moraram juntos e ela agora é minha amiga, porra! — ela passou a mão no cabelo, nervosa. — Merda, que grande merda!
— Leah...
— E o que você ia fazer? Me comer e depois me contar que é ex da Bella? Porra, você devia ter me contado desde o começo!
— Não, porra, Leah, não. Eu não quis te enganar, eu só não pensei que isso fosse mudar alguma coisa...
— Não fosse mudar alguma coisa? Caralho, vocês quase se casaram!
— Você não falou sobre o seu ex e eu não falei sobre a minha...
— Bem, meu ex não é um amigo seu, certo? — ela ironizou. — Cara, eu não posso chupar o pau que estava na boceta da Bella, não posso fazer isso.
— Leah, por favor, vamos conversar e...
— Merda. — ela deu as costas pra ele, passando a mão no cabelo, bufando e rosnando mais alguns palavrões. E se virou pra olhá-lo novamente. — Porra, Jacob, eu tenho poucas regras e limites e esse é definitivamente um deles. Ex de amiga está totalmente fora dos limites!
Quando deu as costas pra ele, indo pra sua moto, Jacob agarrou seu braço e lhe virou de novo.
— O que isso muda? Bella e eu não temos mais nada, ela até já está em um novo relacionamento, Leah.
— Então é disso que se trata? — ela puxou o braço pra se soltar. — Você me usando pra superar a sua ex?
— Então, você está me usando pra superar seu ex-namorado babaca? Eu não faria isso com você, nem comigo.
— Eu não pego resto de amigas, Jacob. De todas as merdas que eu faço, essa é uma que eu me recuso a fazer, chicks before dicks. Eu vou pra casa.
— Leah, por favor.
Ela não se virou, mesmo que ele continuasse a lhe chamar. Essa era exatamente sua sina, o único homem que parecia lhe interessar realmente era ex de uma amiga. Bella podia não ser sua amiga mais antiga, mas iria estar por perto com frequência agora – por estar saindo com Edward, ser amiga de todos e trabalhar no restaurante. Além do que, Bella sempre seria o ponto de referência de Jacob para ex. Até já podia imaginar como seria, sempre que fizesse algo ele iria pensar “mas a Bella não fazia assim, Bella não era assim”; se fosse comparada com Bella, Leah sabia que não podia vencer. Não podia fazer isso.
Em segundos ela partiu com sua moto sem dar uma segunda olhada pra trás.
Já estava longe da pizzaria quando parou em um sinal vermelho e como as ruas estavam vazias, tirou o celular do bolso quando começou a tocar. Sam.
— Leah? Cadê você?!
— Para de gritar, o que você quer?
— Eu sinto muito. — ele disse suavemente. — Eu quero falar com você.
— Sam...
— Eu estou tão arrependido, será que podemos nos encontrar pra conversar? Eu quero ver você, por favor. Sinto sua falta, Lee-lee.
Leah fechou os olhos. Jacob estava fora dos limites, então Sam tinha voltado para a jogada. Ao menos Sam era sincero, mesmo quando lhe ofendia. Talvez aguentar um pouco de merda em troca de alguns momentos felizes fosse tudo que ela merecesse.
— Leah? Você ainda está ai?
Ela respirou fundo e abriu os olhos com um suspiro.
— Você está na sua casa?
— Tô.
— Tudo bem, tô indo pra aí.
. . .
Antes, Edward estava acostumado com os cumprimentos com selinho que Tanya dava nele e em Jasper, mas naquele momento foi surpreendido pelo gesto. Segurou suavemente os pulsos dela e tirou as mãos dela seu rosto, dando um passo pra trás.
— Tany, vem comigo, precisamos conversar. — Jasper disse pra ajudar Edward.
— O que está acontecendo? — Tanya perguntou olhando ao redor, sorrindo. — Oi Kate, Carmen, Eleazar. Amigos novos no grupo? Bonitos, será que Jasper já experimentou vocês? — ela riu.
— Não, mas o Edward sim. — Emmett disse sério. — Que porra está acontecendo aqui?
Em qualquer outro momento Bella iria tentar parar Emmett e seus instintos protetores de irmão mais velho, mas não naquele momento. Até porque ela também queria entender que porra estava acontecendo.
— O que? — Tanya olhou para o Edward.
— De que mensagem você está falando? — Edward perguntou.
— Da sua, me chamando pra ver você e Jasper, pensei que iriamos ter um revival. Edward, o que está acontecendo?
— Que? Eu não te mandei mensagem nenhuma, Tanya.
— Sim, você mandou. — Tanya disse firme, acentuando ainda mais seu sotaque britânico. — Ontem à tarde. Você sabe que eu preciso apagar todas as mensagens ou te mostraria, mas era do seu celular.
— Eu não te mandei mensagem nenhuma, Tanya. — ele repetiu tão firme quanto ela e olhou para Jasper. — Você mandou alguma mensagem?
— Do seu celular? Por que eu faria isso? Se eu quisesse algo, mandaria do meu e não te envolveria, já que agora você está com a Bella.
— Quem é Bella?
— Eu. — Bella disse sem emoção apertando o copo com tanta força que quase sentia que iria quebrar a qualquer momento em sua mão.
— Oh meu deus! Você e o Edward estão... Oh Deus, eu sinto muito! E eu cheguei aqui me jogando nele e o beijando na sua frente, imagino tudo que você está pensando de mim agora, deve estar pensando que eu sou uma vadia.
— Você é uma vadia, Tanya. — Kate disse sorrindo. — Aliás, como está seu marido?
— Eu sei. — Tanya riu. — Mas eu sou uma vadia discreta, querida. Ele está bem, deve estar aproveitando a noite melhor que eu, pelo visto. Edward, você sabe que eu não sou esse tipo de mulher, eu jamais viria aqui se não tivesse sido convidada.
— Eu sei, esse é o problema. — Edward disse olhando o celular, vendo suas mensagens enviadas e não tinha nenhuma para Tanya. — Eu sinto muito por toda essa confusão, eu não sei o que aconteceu, mas eu não te mandei mensagem nenhuma.
— Infelizmente, eu acredito em você, só fico chateada porque pensei que iriamos aproveitar como nos velhos tempos. — ela fez um beicinho. — Como pelo visto perdi minha noite, eu vou dar um oi a Rose e então vou embora, tchau. E Bella, eu lamento por toda essa confusão.
— Tudo bem. — Bella sorriu. E quase seria convincente se o seu sorriso não parecesse mais o de alguém que acabara de comer algo horrível e tinha que elogiar por educação.
Jasper e Tanya foram à frente, Edward ainda se virou e disse:
— Bella, eu já volto e então converso com você, ok?
— Claro. — ela forçou um sorriso novamente e ele seguiu os dois.
— O que caralhos acabou de acontecer? — Emmett perguntou enquanto eles se afastavam juntos. — Você quer ir embora, Bells?
— Eu... Não, eu estou bem. — sorriu para o irmão e terminou sua bebida em um gole só. — Eu só preciso de uma bebida.
— Quem era aquela mulher? — ele perguntou olhando para Kate, Carmen e Eleazar.
— Tanya Livingston. — Kate respondeu. — Ela é... Como explicar...
— O mais próximo que o Edward teve de um relacionamento sério? — Carmen sugeriu.
— Exatamente.
— Mas ela beijou o Edward e o Jasper. — Emmett lembrou confuso.
— Eles dois e ela, bem... Digamos que eles tinham muita diversão juntos. — a loira explicou sorrindo maliciosa, fazendo Eleazar e Carmen rir.
— Mas eles pararam de se ver quando a Tanya começou a namorar e se mudou pra Nova York. — Carmen continuou a explicar. — Ela voltou um ano depois, casada, mas em um relacionamento aberto ou algo assim, os dois tinham permissão pra sair com outras pessoas, mas acho que não era mais o que Jasper e Edward queriam, não sei, só sei que eles pararam de se ver com tanta frequência e essa é a primeira vez que eu vi a Tanya em quase um ano.
— Mas uma coisa é certa, Bella, ela não viria aqui pra implorar pelo Edward e Jasper ou pra tentar roubar ele de você, a Tanya é uma vadia muito bem resolvida.
— Está tudo bem, Kate. — Bella tentou sorrir.
— Você é boazinha demais, se eu estivesse no seu lugar já teria dado na cara dela e do Edward. — Carmen disse acentuando seu sotaque latino. — Você não é do tipo ciumenta?
— Eu só não sou do tipo que faz escândalos.
— Faz muito bem, Bella, isso se chama maturidade, parabéns. — Eleazar a elogiou.
— O que você quis dizer isso com isso? Que eu não tenho maturidade? É isso?
— Não, cariño, só que você puxou sua mãe. — Eleazar disse divertido passando o braço sobre o ombro da esposa.
— Bem, com isso eu não posso nem argumentar. — ela suspirou e se aconchegou no abraço do marido, que ria.
Bella perdeu a atenção na conversa vendo Jasper, Edward e Tanya conversando com Rosalie junto ao balcão. E pouco mais de um minuto depois, Edward abraçou Tanya e veio em sua direção de novo.
— O que aconteceu? — Kate perguntou.
— Porra, se eu tivesse alguma ideia. — Edward bufou passando a mão no cabelo. — Bella, eu...
— Está tudo bem.
— Eu preciso falar com você, vamos.
— Edward...
— Vamos. — se esticou e pegou sua mão, lhe puxando suavemente.
Bella suspirou, entregou seu copo vazio ao irmão e se levantou, indo com Edward. Ele lhe puxou na direção do palco.
— Edward, está tudo bem. — ela repetiu. — Você não precisa me explicar nada.
Edward parou no meio do caminho, estavam em frente ao palco no espaço que usavam como pista de dança, e se virou pra ela sem soltar sua mão.
— Sim, eu preciso. Eu não mandei nenhuma mensagem pra Tanya e eu preciso que você acredite em mim, porque eu não te despeitaria dessa maneira.
— Não seria desrespeito, quer dizer, não temos um compromisso oficial de qualquer maneira, certo? — ela riu nervosamente, tentando soar desinteressada.
— Não faz o jogo do eu-não-me-importo comigo, Bella, porque você mente muito mal, se lembra?
— Eu... — ela suspirou, olhando nos seus olhos. — Vocês ainda se veem?
— Não. Eu tive minha porção de mulheres, mas todas elas sabiam as regras do que tínhamos, era um jogo. Isso agora, eu e você, eu posso não saber o que é ou onde estamos indo, mas não é um jogo, é real. — soltou sua mão para segurar seu rosto entre as mãos. — Eu estou com você agora e essa é única oficialidade que me importa.
— É suficiente pra mim.
Com um sorrisinho, ele a beijou.
— E que tal agora uma música para o casal se beijando no meio da pista? — o cantor disse no microfone.
http://www.youtube.com/watch?v=ZdL2rooMfUM
Ed Sheeran – Kiss me.
Eles sabiam que eram com eles, mas não podiam se importar menos. O violão começou suavemente então a voz suave e profunda do cantor.
“Settle down with me, cover me up, cuddle me in…”
— Acho que agora você vai ter que dançar comigo, Coisa Doce. — Edward disse sobre a boca dela, e ela sorriu.
Desceu as mãos para sua cintura dela e os braços dela envolveram seu pescoço, dançando juntos suavemente. O coração dela contra seu peito e o rosto seu pescoço, fazendo-o sentir seus lábios e a sua respiração suave em sua pele. Abaixou o rosto nos cabelos castanhos, respirando o doce cheiro de xampu de morango deles e depositou um beijo ali.
Ele ergueu a cabeça quando ela ergueu também e seus olhos se encontram. E então suas bocas se encontraram também, na suavidade e doçura que sentia como amor.
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