You & Me
15 Km :: 14
Notas iniciais
Na sexta-feira Bella tinha certeza, aquela tinha sido a melhor semana de toda a sua vida profissional.
Ela não tinha mais pensamentos do tipo “por sorte era o último dia da semana”, até porque também trabalharia no sábado – suas folgas eram no domingo e isso porque o lugar só abria a noite –, mas na verdade ficava triste com isso, adorava seu novo trabalho e as pessoas com quem trabalhava. Agora era fácil entender as sábias palavras de Confúcio: “Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”.
Tinha conseguido entrar no ritmo do restaurante no segundo dia de trabalho, mas, ainda assim, Esme tinha lhe ajudado durante a semana toda com as receitas, o que Bella era grata. E da mesma maneira, os outros também tinham entrado no seu ritmo, era fácil dividir a cozinha com eles e assim estavam fazendo uma equipe sensacional, nunca tinham vendido tantas sobremesas.
E é claro que, além disso, tinha sua vida pessoal que também estava muito bem. Edward era... Edward. Nunca se sentiu tão ligada e próxima a alguém numa velocidade tão rápida, isso era tão estranho quanto maravilhoso. E não apenas num nível sexual – e olha que esse nível também era incrível –, mas eles eram muito amigos.
Aquela primeira semana tinha sido surpreendentemente corrida, então não tiveram tempo de ter algum encontro real ou ficar juntos como casal; os únicos momentos que conseguiam fazer seu horário bater era no almoço, quando subiam juntos para o apartamento de Edward, acabavam transando e então almoçavam conversando – e foram nessas conversas que se aproximaram ainda mais. E a noite, quando os dois podiam ter algum tempo só pra eles, Bella estava exausta por um dia todo na cozinha e tudo que queria era ir pra casa e dormir, então se despediam com um beijo e se encontravam apenas na manhã seguinte, pra repetir tudo de novo.
Mas eles não estavam reclamando, de maneira nenhuma. No tempo separado eles ainda ficavam conversando por mensagens e telefonemas rápidos. Podia não ser suficiente pra suprir a necessidade que tinham um do outro, mas ainda era bom. Nunca tinham estado tão felizes.
Naquela sexta-feira, ela e Edward não tiveram tempo de almoçar juntos de tão cheio de trabalho que ele estava. Tanto porque estava começando o final de semana novamente e a noite o movimento seria intenso, tanto quanto porque no sábado teria música ao vivo e ele estava tendo alguns problemas com o equipamento, então estava correndo atrás de substituição.
Bella só esperava que ele estivesse livre depois do almoço, como tinha pedido, porque precisavam comprar algumas coisas para as sobremesas de sábado e as compras para o restaurante eram feitas em grande escala com um cartão corporativo que ela não tinha acesso.
Estava saindo do banheiro, depois de tirar seu novo uniforme de chef da cozinha, que era branco como o dos outros e que ela amava usar, vestindo agora em um simples jeans, camisa lilás e tênis, com uma bolsa transversal sobre seu ombro e os cabelos soltos, quando viu Rosalie e Jasper junto ao balcão conversando com Jessica.
O estranho não era que estavam conversando com Jessica – que era garçonete da noite, mas tinha trocado de turno naquele dia com Bree por motivos pessoais –, que Bella não tinha conversado muito desde a conversa no banheiro, até porque seus horários no restaurante não batiam, estranhou a presença de Rosalie e Jasper. Não os via desde o final de semana, porque Rosalie trabalhava ali só à noite e Jasper só aparecia à noite também, pelo bar. Na verdade, não viu ninguém do grupo naquela semana, era óbvio que ficavam no bar apenas a noite.
— Coisa Doce! — Jasper exclamou animada ao vê-la. O mesmo sorriso de lado, sempre malicioso e com as covinhas o tornando doce na mesma medida. Jasper sempre Jasper.
— Oi Jas. — Bella riu e se aproximou. Nem deu tempo de colocar a bolsa no banco antes que ele passasse o braço ao redor de sua cintura para um abraço e ela o abraçou de volta. — Que recepção calorosa.
— Ainda estou tentando te convencer que eu sou uma boa opção. — sem soltar sua cintura, ele olhou em seu rosto. — O que você acha?
— Acho que a carne é fraca e você devia parar de ficar me fazendo tentando, Jasper.
— Isso quer dizer que eu ainda tenho chances? Oh happy day, meus amigos! —ele disse exageradamente fazendo-a gargalhar e beijou seu rosto. — Você faz de mim um homem feliz, Bella.
— E se você quer se manter um homem feliz com braços é melhor soltá-la, meu amigo.
Ainda nos braços de Jasper, Bella olhou para trás sobre o ombro na direção da voz de Edward, vendo-o sair do escritório arrumado.
Jasper sorriu descaradamente.
— Um homem possessivo, você não acha isso excitante, doce Bella?
Bella o encarou sorrindo.
— Com certeza.
— Solta, Jasper. — Edward mandou.
Jasper o obedeceu, ergueu os braços mostrando rendição e deu um passo pra trás.
— Toda sua, meu amigo.
Edward sorriu satisfeito.
— Ótimo.
— Vocês parecem crianças com um brinquedo novo. — Jessica comentou rindo.
E só então Bella se lembrou da presença dela e de Rosalie atrás, observando tudo. Jessica ainda com seu sorrisinho debochado, enquanto Rosalie, Bella não conseguia ler, mas não era difícil perceber que não era muito sua fã – e nem sabia o motivo.
— Eles são como crianças mesmo. — Bella disse sorrindo e corada. — Edward, nós vamos às compras ou o que?
— É disso que precisava falar com você, Bella. — Edward disse. — Eu não vou poder ir, então a Rosalie vai te acompanhar.
Bella parou surpresa e olhou para Rosalie pra ver o que ela pensava a respeito, mas ela não deixava transparecer se estava indo por escolha própria ou forçada, o que deixou Bella insegura. Voltou os olhos para Edward.
— Eu e Jasper vamos buscar os equipamentos de som em Port Angeles, por isso não vou poder ir, mas a Rose sabe como tudo funciona e vai te ajudar com tudo, tudo bem pra você?
— Claro, só não quero que isso incomode ou atrapalhe a Rosalie.
— Não, está tudo bem — Rosalie garantiu. — Podemos ir.
— Vamos também, Edward? — Jasper o chamou.
— Só preciso de um segundo, não sei onde está o meu maldito celular, já revirei aquele escritório todo e nada.
— Será que não deixou no apartamento? — Jasper sugeriu.
— Não, eu estava com ele o tempo todo. — bufou.
— Eu acho que o vi na cozinha, quer que eu dê uma olhada pra você? — Jessica se ofereceu.
— Claro, por favor.
— Ok. — Jessica sorriu. — Tchau Jas, nos falamos depois.
— Vamos, Bella?
— Vamos, só preciso antes... — corando, ela olhou pra Edward.
— Entendi. — Rosalie finalmente riu. — Eu te espero lá fora.
Edward sorriu e quando ela estava na sua frente, segurou seu rosto entre as mãos e beijou sua boca. Bella só teve o tempo de sentir os lábios sobre os seus antes que ele os afastasse novamente.
— A Rosalie está levando tudo que precisa e sabe que é você quem está no comando, então faça as coisas do seu jeito, está bem? — ele a instruiu suavemente. Bella assentiu, fazendo-o rir. — Bom. Provavelmente não estarei aqui quando você voltar com as compras, então, eu te vejo a noite?
— Eu não sei... Estou cansada e amanhã ainda tenho muito trabalho, lembra?
— Eu posso te dar um dia de folga sem problemas.
Bella riu.
— Não, você não pode, eu não recebo privilégios aqui por ter um... Envolvimento, digamos assim, com você.
— E quem disse que estou te dando privilégio? Eu darei a mim mesmo o privilégio de ter você ao meu dispor. Isso é apenas o meu egoísmo falando, Coisa Doce. — disse divertido com um sorriso malicioso.
— Claro. — Bella sorriu. — Eu te ligo se for vim.
— Me liga mesmo se não vier.
— Pode deixar. — sorrindo, ela o beijou novamente.
Eles escutaram Jasper fingir o barulho de quem está vomitando, mas não se importaram em parar o beijo, continuando por mais algum alguns instantes até escutarem Rosalie buzinar fora do bar.
Rindo, eles se separaram com mais alguns pequenos beijos e Bella finalmente conseguiu se afastar; ao passar por Jasper, deu um rápido beijo em seu rosto e saiu.
Segurava na alça da bolsa que estava seu ombro e respirou fundo. Não tinha nada contra Rosalie, na verdade até queria ser amiga dela, mas não sabia se a recíproca era verdadeira.
Rosalie sempre parecia conversar e brincar com todos menos com ela, isso intimidava Bella mais do que ela deixa transparecer, porque pra ela Rosalie era a perfeição em pessoa, não apenas por sua aparência deslumbrante de mulher desejada por todos os homens, mas também por sua vida perfeita.
Insegura, se aproximou dela, que estava parada junto a um Volvo prata.
— Podemos ir? — Rosalie perguntou segurando a porta aberta do lado do motorista.
— Rosalie, eu fiz uma lista de tudo que precisa ser comprado, posso te dar e aí eu não preciso ir, se você quiser. — Bella ofereceu suavemente e Rosalie lhe pareceu genuinamente confusa.
— Por quê?
— Você não gosta de mim. — disse sentindo como se apontasse o óbvio.
— Eu nunca disse isso.
— Bem, também nunca mostrou o contrário.
— Eu... — Rosalie suspirou. — Será que podemos conversar no caminho?
— Claro.
Rosalie entrou no carro e destravou pra que Bella entrasse também, dando partida quando as duas estavam com o cinto de segurança.
O silêncio durou apenas alguns metros até que Rosalie retomasse o assunto:
— Nós não tivemos tempo pra conversar — disse suavemente, sem tirar os olhos da direção. — Eu não tenho nada contra você, eu só não conheço você.
— Então não é por causa do meu envolvimento com o Edward ou por eu estar trabalhando no restaurante? Quero dizer, você foi tão simpática comigo quando era uma cliente desconhecida e isso mudou.
— Eu sinceramente não quero te ofender e não estou insinuando nada, mas ele é meu irmão e esse é o negócio da minha família, não leve para o lado pessoal, eu só não posso evitar ser protetora quando alguém se aproxima tanto... Como você.
Bella assimilou as palavras dela em silêncio. Rosalie mantinha o tom suave e parecia sincera em suas palavras, mostrando hesitação apenas por tentar não ofendê-la.
Naqueles segundos em que o único barulho ao redor delas era o do carro e a cidade ao redor, Bella procurou em si mesma por qualquer sentimento de mágoa, mas não estava ofendida com as palavras de Rosalie. Na verdade, estava admirada com elas, reconhecendo a si mesma nelas.
— Eu entendo. — Bella disse sinceramente. — E te admiro por ser sincera comigo, além de também ser tão fiel a sua família. Só não queria que você fizesse algum julgamento sobre mim sem me conhecer, espero que a gente tenha tempo de conversar e nos conhecer melhor. Deus, eu acabei de soar como se estivesse dando em cima de você ou foi impressão minha?
Rosalie gargalhou.
— Totalmente dando em cima de mim. Mas eu entendi o que você quis dizer, além da cantada.
— Bom. — Bella riu também. — Não quero que fique um clima ruim ou desconfortável entre a gente.
Rosalie manteve os olhos na estrada por alguns segundos virar o rosto para Bella.
— Eu não quero isso também. — e sorriu. —Nos conhecer melhor parece uma ideia ótima.
— Você acabou de retribuir minha cantada e está sorrindo, posso te interpretar errado, Rosalie Cullen. — Bella brincou erguendo uma sobrancelha.
— Ou me interpretar certo, Isabella Swan. — Rosalie piscou e voltou os olhos a direção.
Bella gargalhou e perguntou:
— Isso é tudo influência do Edward e do Jasper, não é?
— Com certeza. — Rosalie riu.
— Esse carro é seu?
— Não, do Edward, o meu está com o Royce — ela explicou. — O Edward usa mais esse carro, apesar de também ter uma moto, mas como eles hoje vão pra longe, foram no esportivo do Jasper que é mais rápido.
— Sério? Ele nunca me pereceu um cara de Volvos. — Bella disse surpresa. Aquele carro parecia caseiro e calmo demais para o Edward, lhe imaginava mais em uma moto ou algum pequeno carro esportivo, não em um Volvo.
— Por causa das tatuagens e o bar?
— Na verdade, sim. — disse rindo.
— Ele teve uma fase rebelde — ela riu como se lembrasse de algo engraçado. — Mas a fase não durou muito. Não deixe que toda essa capa te engane, ele parece um leão da montanha, mas tá mais pra um gatinho doméstico.
— Então você sabe o que significa as tatuagens?
— Você não?
— Quando as tatuagens estão à mostra digamos que... Conversar não é nossa prioridade. — confessou corando, fazendo Rosalie rir ainda mais.
— Entendo. Bem, o símbolo chinês no peito é coisa dele e do Jasper, pergunte a história pra eles porque vale a pena e a do ombro é toda como um mapa, cada pequena coisa tem um significado, resumidamente, pergunte sobre todas pra eles antes de... Bem, você sabe.
E as duas riram juntas. Talvez depois de ter a primeira camada de desconfiança ultrapassada não fosse assim tão impossível serem boas amigas.
. . .
Depois de dois anos e quatro meses, Leah estava solteira novamente.
Deitada em sua cama apenas de moletom, ela encarava o teto. Tinha ligado pra Eleazar e Kate avisando que não iria trabalhar porque estava doente. Claro que eles acreditaram, eles jamais pensariam que fosse algo diferente – e não apenas por se tratar de Leah, mas também porque ela tinha terminado o namoro com Sam na segunda e não iria entrar em crise na sexta.
E não estava em crise. Estar solteira nunca foi algo que a incomodou, tanto que ele tinha sido seu primeiro namorado sério, não tinha medo de ficar sozinha. Se fosse pra ter um medo, seria esse: o medo de se tornar uma mulher que não consegue ficar sozinha. Mas era... Estranho.
A briga de segunda tinha sido horrível. E acabara mais machucada do que se permitiria confessar a qualquer um, apesar de não derramar nenhuma lágrima; Sam a xingou de muitas coisas, atingindo principalmente seu orgulho feminino ao lembrar várias vezes o quão pouco feminina ela era, então ela o xingou de volta tanto quanto podia e o mandou se foder levando todas suas coisas com ele, então ele foi embora do apartamento que era dela. Estava sozinha e era estranho, vazio.
Só conseguia pensar em como tudo parecia vazio – seu apartamento, sua cama, seu coração. E nem conseguia chorar sobre isso.
Tinha tentando puxar algumas lágrimas, mas elas não saíram espontaneamente, era como se simplesmente estivesse oca. Ou talvez, pronta pra outra.
E quando pensava que talvez estivesse pronta pra outra, a primeira pessoa que vinha em sua mente era o lindo mecânico de filme pornô.
Na sua mente tinha mais imagens de Jacob lhe fodendo ainda vestido no macacão de mecânico do que Sam indo embora lhe chamando de caminhoneira louca.
Ela girou na cama quando seu celular começou a tocar e se esticou para pegá-lo em cima da mesinha de cabeceira. E só estava atendendo porque sabia que não era Sam – tinha personalizado o número dele com a música ‘your boyfriend is a douchebag and everybody knows*’ como toque, que servia como um lembrete a ela.
[Tradução: = Seu namorado é um babaca e todo mundo sabe, trecho da música de Dustin Tavella, Everbody knows].
‘Jacob Black’, mostrava na tela. Leah se sentou rapidamente com o celular na mão e o coração acelerado, patética como uma adolescente.
Tinha salvado o número dele quando estava na oficina assinando os papéis do conserto da moto, ele tinha lhe dado o número da oficina e o pessoal, pra qualquer contratempo. E agora ele estava ligando, o que era até irônico se pensasse que poucos segundos antes estava pensando sobre como ele ficaria bem deslizando o pau dentro dela. Ela riu consigo mesma.
Respirou fundo e atendeu tentando soar o mais normal e desinteressada possível:
— Alô? — era o mais normal conseguia.
— Leah?
— Sim, quem está falando? — e essa era a parte do desinteressada. Ela quase riu novamente, mas manteve o controle.
— É o Jacob. Jacob Black, o mecânico da sua moto, lembra?
— Oh, claro, Jacob.
— É sobre a sua moto.
— O que aconteceu?!
— Nada. Nada de errado, ao menos. É que ela está pronta.
— O que?! — Leah quase pulou da cama. — Você está falando sério?! Mas não demoraria uma semana?
— Sim, mas acabei alguns trabalhos antes e pude me dedicar a sua moto, mas se você achou rápido demais posso te ligar na segunda. — ele disse com um tom divertido.
— Não ouse! Caralho, minha moto! Porra, quando posso buscá-la?
— Fico feliz que esteja tão animada. — ele riu. — Quando você estiver disponível, ficamos abertos até as cinco.
— Feliz? Porra, essa é a melhor notícia da semana, provavelmente do mês. E eu estou indo agora mesmo!
— Então vou ficar te esperando.
— Ótimo. Não, calma, Jacob? Você ainda está ai?
— Sim, o que foi?
— Eu vou poder voltar dirigindo, né? Porque ai eu vou de táxi.
— Com certeza, ela está ponta pra uso.
— Isso, porra! — ela gritou animada e riu, escutando ele gargalhar do outro lado da linha. — Te vejo em breve.
— Até.
Ela desligou, deixou o celular na cama e correu pra se arrumar.
Foda-se o Sam, ela teria sua moto de volta. E de brinde veria a Jacob, talvez pudesse até marcar aquela pequena foda que tinha pensado.
Vinte minutos depois ela estava pronta. Ela sempre dizia a si mesma que merecia a porra de um prêmio por ser a mulher que se arrumava mais rápido no mundo, não tinha nenhum processo de beleza ou qualquer merda do tipo; tomava banho, às vezes lavava e secava o cabelo, outras vezes saía com ele molhado e outras nem lavava, colocava a primeira roupa que aparecia na sua frente, saía de cara limpa passando apenas lápis de olho em alguns momentos, então calçava um coturno ou tênis e estava pronta.
Naquele momento tinha colocado apenas um jeans skinny manchado, seu coturno nos pés porque tinha sido a primeira coisa que viu jogada no quarto e um moletom preto fechado escrito em branco na frente “What’s in your head? Zombie” por cima do top esportivo que usava por baixo. E só colocou o moletom porque pretendia vir em toda velocidade na moto e o vento frio podia incomodar.
Não se preocupou com maquiagem ou cabelo, estava de cara limpa e passou apenas uma escova rápida no cabelo – sempre contando com a sorte dos genes indígenas que tinha lhe dado cabelos extremamente lisos. Pegou seu capacete e colocou dentro o celular, as chaves da casa, dinheiro para o táxi, o cartão de crédito pra pagar a moto e desceu correndo.
Antes mesmo de descer do táxi m frente a oficina ela reconheceu sua moto. Estava estacionada onde ela tinha deixado à picape estacionada na segunda em que conheceu Jacob, isso a fez rir.
Depois de pagar o taxista, ela desceu do taxi e literalmente correu até sua moto.
— Hey bebê, a mamãe sentiu sua falta pra caralho — Leah disse acariciando o banco da moto, segurando o capacete sob o braço.
—Vejo que você já se reencontrou com o seu bebê. — Jacob disse brincando.
Leah olhou pra trás sorrindo, vendo-o se aproximar.
Nem o tinha visto antes e isso era surpreendente pra caralho, porque o homem parecia feito pra ser notado á distância – mesmo estando num simples jeans surrado e sujo com camisa preta. Seu cabelo estava aparado e sua barba estava feita, lhe deixando com uma aparência mais suave, ainda mais com o doce sorriso que ele tinha no rosto naquele momento. Ele era como um filhote... Mas um filhote quente como o inferno.
Ela tentou disfarçar a névoa de tesão que lhe cobriu completamente, principalmente entre suas coxas, cobrindo-a com o segundo sentimento mais forte naquele momento: a animação por sua moto.
— Sim, porra! Eu tive uma semana de merda, essa é a melhor coisa que me aconteceu, eu te juro! — disse empolgada. — Posso ligar?
— Fique a vontade. — Jacob sorriu lhe oferecendo a chave da moto.
Pegou a chave e deu o capacete pra que ele segurasse antes de subir na moto erguendo o pé de descanso, então enfiou a chave na ignição. Na primeira girada escutou o barulho do motor e deu um grito empolgado.
— Porra, nem acredito que tenho minha moto de volta, você é realmente é um mecânico do caralho, o melhor!
Jacob riu suavemente.
— Fico feliz que esteja satisfeita.
— Satisfeita? Caralho, isso ainda é pouco, essa porra é melhor do que sexo!
— Bem, isso eu não tenho tanta certeza, então talvez você devesse procurar gente melhor pra transar.
Leah o encarou colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, então riu.
— Talvez. Você está se oferecendo pra esse serviço também?
— E se eu estiver?
Leah riu escondendo a súbita vergonha. Era difícil ficar sem saber como rebater alguma coisa, mas naquele momento estava sem palavras.
— Vamos acertar o pagamento dessa moto — ela mudou de assunto. — vou pagar no débito.
— Claro.
Ela desceu da moto a deixando no pé de descanso novamente, tirou a chave e pegou o capacete com ele, então o seguiu pra oficina.
Não demorou muito pra assinar os papéis da entrega e da garantia enquanto ele passava o cartão, depois digitou a senha e assinou outro papel, então sua moto estava liberada.
Jacob fez o favor de colocar todos os seus papéis dentro de um envelope pardo pra que ficasse mais fácil de levá-los. Ela colocou as chaves do apartamento no bolso do jeans, o celular preso em seu top junto aos seus peitos e colocou o cartão de crédito junto com os papéis, dobrou o envelope no meio e colocou em suas calças, presos no cós junto a sua barriga.
— Uma bolsa não seria mais prática? — Jacob perguntou divertido.
— Não, é um maldito incômodo. Seria mais fácil eu perder minhas coisas porque esqueci a bolsa em algum lugar do que assim, presas nas minhas calças e peitos. Então, muito obrigada pelo serviço e...
— Eu te acompanho até sua moto. — ele a interrompeu.
— Então vamos, faço meu agradecimento lá fora. — sorriu enquanto saíam juntos da oficina. — E então, cadê os outros babacas?
— De folga, estou sozinho aqui.
— E isso não é muito trabalho só pra você?
— Sempre é, mas o que eu posso fazer? — deu ombros. — Preciso me manter.
Fizeram o resto do caminho em silêncio, Leah colocou o capacete sobre a moto e se virou pra Jacob.
— Então, como eu ia dizendo, muito obrigada pelo serviço, você salvou minha vida ao arrumar meu bebê tão rápido, obrigada mesmo. — esticou mão pra ele.
— Só fiz o meu trabalho, mas fico realmente feliz em ter te ajudado. — segurou a mão dela e a apertou suavemente. — Então talvez você devesse me agradecer direito pelo que eu fiz.
— Bem, — ela sorriu divertida. — Pensei meu pagamento tivesse sido suficiente.
— Você pagou as peças, não a mão de obra.
— Tudo bem. E como eu posso te agradecer direito?
— Saindo comigo.
— Saindo com você?
— Sim. Amanhã, um jantar.
Leah hesitou. Ele não soltou sua mão e nem tirou os olhos dos seus, ela se sentia tão compelida a aceitar quanto a agarrá-lo ali mesmo.
— Tudo bem.
— Ótimo. — Jacob sorriu. — Onde eu posso te buscar?
— Você está brincando? Eu tenho a minha moto de volta, me diz o lugar e eu te encontro lá.
— Mas é claro. — ele riu agitando a cabeça. — Eu te mando o endereço por mensagem.
Ela assentiu e se virou pra pegar o capacete e colocá-lo.
— Te vejo em breve, então. — Jacob disse.
A morena sorriu ao subir na moto erguendo o pé de descanso.
— Até breve.
Já estava ligando a moto e ele já tinha se virado, quando chamou seu nome e ele se virou.
— Essa sou eu. — Leah avisou.
— Que?
— Essa sou eu. Eu não sou a porra da cinderela, eu não me transformo em uma mulher adorável a noite, não coloco um vestidinho e salto, não faço penteados e boto um quilo de maquiagem, eu sou essa bagunça o tempo todo.
— Você não é uma fodida mulherzinha, eu sei. — Jacob sorriu divertido. — Você já tinha me dito isso antes. E isso não muda nada. Até amanhã, Leah.
Ele voltou pra oficina sorrindo e deixando Leah confusa.
Não sabia o que estava esperando ao dizer aquilo. Talvez fosse um aviso pra que ele soubesse com o que estava lidando e caísse fora ou talvez pra que ele lhe disse como se vestir para o encontro e ela pudesse lhe mandar se foder, mas ele não disse nada. Na verdade, ele nem parecia se importar e até se divertia com isso. E ela não sabia como lidar com essa estranha aceitação.
De qualquer maneira, ela iria a um encontro com Jacob Black.
. . .
— Você vai voltar para o bar ainda hoje? — Emmett a perguntou a irmã, enquanto os dois jantavam no balcão da cozinha.
— Não, tô exausta. — respondeu enquanto enrolava macarrão no garfo. —Passei o dia fazendo compras com a Rose, ainda tive que voltar pra organizar as coisas, eu só tomei banho porque estava suada e vim comer porque estou faminta, mas tudo que quero é a minha cama.
— E como foi com a Rose? Ela não te falou nada errado ou te destratou, né?
— Não, claro que não, por que ela faria isso?
— Não sei. — ele deu ombros. — É que vocês nunca conversaram e não pareciam próximas.
— A gente nunca teve tempo de conversar realmente e nos conhecer, acho que ela pensou que eu talvez estivesse mal intencionada ao me aproximar da família e amigos dela, o que eu entendo e falei isso pra ela, mas conversamos e entramos num acordo sobre isso, nos conhecer antes de tirar conclusões. E o resto do dia foi fácil, ela é obviamente muito carinhosa e também é divertida, ela é como a Esme, acho que vamos ser amigas.
Emmett sussurrou parecendo aliviado.
— Que bom então.
— Você não vai perguntar o que quer saber realmente?
— O que?
— Se ela perguntou de você. — Bella respondeu com um sorriso faceiro.
— O que?! Ela perguntou?! — ele perguntou surpreso com a boca cheia de macarrão.
— Você é tão fácil. — ela gargalhou. — Não posso acreditar que você está assim pela Rosalie.
Emmett mostrou o dedo do meio pra irmã, que só a fez rir mais.
— Ela é casada, Emmett.
— Eu sei. Porra, você acha que eu não me lembro disso o tempo todo? Só... Tivemos uma pequena discussão no domingo e eu só consigo pensar nisso, ela parece ter rastejado sob a minha pele e... Foda-se, vou sair hoje e ter o tanto de sexo quanto for preciso pra tirar isso de mim.
— Eu sinto muito, maninho.
— Eu também. — Emmett riu. — Bem, ao menos um de nós está feliz com a nossa vida romântica e sexual, né?
Bella corou abaixando os olhos para o prato de macarrão, Emmett gargalhou.
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