You & Me
13 Km :: 12
Notas iniciais
A primeira coisa que Edward percebeu ao acordar naquela manhã foi o vazio ao seu lado. E tudo que ele podia pensar era: de novo não.
Será que ela tinha ido embora antes que pudesse acordar deixando apenas um bilhete novamente? Foi o que ele se perguntou, mas então lembrou que ela tinha ficado – depois que ele usou muita provocação sexual pra persuadi-la – pra que pudessem ir para o primeiro dia dela trabalhando ali juntos.
— Bella? — ele a chamou hesitante, num tom alto suficiente pra ser ouvido se ela estivesse no banheiro e não teve resposta.
Não fazia sentido ela ter ido embora antes que ele acordasse, mas o pensamento ainda fez um nó se formar em seu estômago.
Ele saiu da cama enquanto ainda bocejava, numa confusão de sonolência e ansiedade pra saber onde Bella estava. Ao menos já estava de samba canção ou teria ido sem se preocupar com a nudez procurar por ela pelo apartamento.
Chegou à cozinha no mesmo instante em que ela fechava a geladeira. Edward soltou o ar aliviado, ela ainda estava ali.
Ela estava cozinhando confortavelmente em sua cozinha usando apenas em uma camisa surrada dele – que ele tinha emprestado durante a madrugada pra que ela pudesse dormir mais confortável. Seu rosto ainda mostrava sinais de sono e seu cabelo estava um pouco desgrenhado, mas ele realmente nunca a tinha visto tão natural e sexy. Ela se encaixava tão perfeitamente em seu apartamento – e até em sua vida, por mais surpreendente que aquela sugestão fosse – que foi inevitável sorrir.
Quando Bella se deu conta de sua presença, ergueu a cabeça e abriu um doce sorriso.
— Bom dia.
— Pensei que tivesse ido embora de novo. — Edward disse. Não estava querendo são tão cruamente sincero, só saiu antes que percebesse.
— E veio conferir se eu deixei um bilhete ou levei o celular certo dessa vez? — Bella brincou com um sorriso. — Você olhou ao redor do quarto? Minhas roupas ainda estão lá, eu só levantei pra preparar o café do meu chefinho, espero que não se importe.
Edward riu e passou a mão nos cabelos, um pouco envergonhado por nem ter olhado ao redor antes de sair afobado atrás dela. Então agitou a cabeça e se aproximou do balcão.
— Fique a vontade. E o cheiro está ótimo, acho que você vai conseguir agradar seu chefe mesmo. Eu só preciso de um minuto e já volto.
Voltou pro quarto só pra ir ao banheiro usar o vaso, lavar o rosto e escovar os dentes, então voltou pra cozinha.
— Estou fazendo panqueca, achei que algo doce seria apropriado. — Bella disse sorrindo. — Você gosta?
— Claro, eu sou uma pessoa muito fácil de agradar com doces, só precisa ser doce e eu gosto.
— Aposto que isso fazia sua mãe doida quando era criança, huh? — ela o provocou com um sorriso divertido e erguendo a sobrancelha, enquanto voltava para o fogão pra virar a panqueca.
— Demais. — ele riu. — Ela precisava colocar qualquer tipo de doce da casa nos armários mais altos da casa, mas ainda assim eu acabava escalando e pegando escondido, sobremesas eu sempre comia mais de um pedaço, ela vivia dizendo que eu era pior que formiga. Não acho que eu melhorei muito com a idade.
Bella riu. Viu uma foto dele na infância em um porta-retrato na parede, uma adorável criança de bochechas fofas e cabelo loiro – que escurecera com o tempo – e pode imaginá-lo perfeitamente escalando um armário em busca de um pacote de bolacha; também tinha visto uma foto de sua mãe e pelo jeito que ele a descrevia – firme, mas amorosa –, pode imaginá-la brigar com ele sobre o perigo e então se derreter no momento em que ele agitasse seus longos cílios com um sorriso doce.
Ela pegou a frigideira e com a espátula soltou a panqueca, voltou para o balcão e colocou-a junto com as outras.
— Você devia terrível e só escapava da maior parte dos castigos porque também era adorável.
— Escapar dos castigos? — Edward repetiu indo pra geladeira. — Quem me dera. Dona Esme pode ser a mãe mais doce do mundo, mas é também uma tirana. Ela nunca ergueu a mão e foram muito poucas as vezes que ela ergueu a voz pra mim ou pra minha irmã, mas seu tom firme e olhar de repreensão podia fazer você gelar e obedecê-la num segundo. E pior do que o olhar de repreensão era o de decepção, ela simplesmente fazia você se sentir a pior pessoa do mundo, então implorar desculpas e jurar nunca mais fazer nada de errado.
— Meu pai costumava ser assim também. — Bella disse sorrindo.
— Onde seu pai mora?
— No céu? — ela riu. Já tinham se passado cinco desde sua morte, claro que ainda sentia falta dele – na verdade, todos os dias –, mas já podia falar dele sem querer cair e chorar.
— Oh. Bella, eu... Eu sinto muito. Como foi?
— Está tudo bem. Acidente de carro, um motorista bêbado e uma noite de chuva. — ela suspirou. — Mas tudo bem, foi há cinco anos, eu... Lidei com isso.
— E sua mãe?
— Ela e meu pai se divorciaram quando eu tinha dez anos, ainda tivemos contato por cartões postais nos primeiros anos, mas depois perdemos contato, última vez que tive notícia ela estava casada com um jogador de beisebol falido ou qualquer coisa assim.
— Porra, eu realmente sinto muito, Bella, sei que faz tempo, mas de qualquer maneira deve ter sido difícil, eu não posso imaginar a vida sem meus pais.
— Meu pai compensou totalmente a ausência dela e a perda dele foi difícil, mas não dói tanto quanto antigamente, então sem motivo pra você ter pena de mim, sério, para de me olhar desse jeito. Será que podemos mudar de assunto? Por favor?
— Claro. — Edward disse agitando a cabeça, como se tivesse lutando pra acreditar que nem todas as pessoas tinham a sorte de ter a família perfeita que ele tinha. Ele colocou a garrafa de leite que tinha pegado na geladeira no balcão e sorriu para Bella. — Eu sei um assunto melhor para nós.
— É? Qual?
Sorrindo, ele pousou a mão bochecha dela e deslizou até sua nuca, puxando-a suavemente em sua direção enquanto abaixava a boca sobre a dela.
— Não usei sua escova de dente — Bella disse em sua boca. — improvisei colocando um pouco de pasta no dedo.
— Você podia ter usado, eu não me importaria.
— Primeiro lemos as mensagens uns do outro e agora vamos usar a mesma escova de dente? Não estamos pulando algumas etapas aqui?
— Talvez... Mas eu gosto disso. — Edward sorriu divertido e a beijou.
Bella não pode deixar de relaxar no braço dele enquanto o beijo se desenrolava lentamente, tão doce e preguiçoso que a fazia querer sorrir de tão feliz. E durou mais do que pretendiam até encerrarem com alguns selinhos.
— Quer tomar café ou banho primeiro? — Bella perguntou sorrindo, sentindo o carinho dele em sua nuca.
— Eu quero muito te arrastar para o chuveiro, mas eu estou faminto. — ele confessou rindo. — Vamos primeiro, por favor.
Bella riu antes de ser beijada novamente.
Eles comeram as panquecas com mel no balcão, Edward com leite puro e Bella com leite com achocolatado – que para sua surpresa ele tinha no armário.
Como sempre, ela corou quando Edward elogiou suas panquecas e garantiu a ele que as de Emmett eram infinitamente melhores, porque ele tinha algum segredo que Charlie só tinha ensinado a ele. E Edward compartilhou que sua mãe tinha lhe ensinado alguns truques também e que ela sempre fez questão que ele e Rosalie soubessem cozinhar, até porque eram donos de um restaurante.
Depois do café – e que Edward lavou a louça, enquanto Bella arrumava tudo – eles voltaram pro quarto.
Bella não podia negar, estava um pouco ansiosa para o seu primeiro dia de trabalho. Um pouco não, muito.
Na madrugada anterior, depois do ótimo sexo, eles se ajeitaram abraçados na cama e conversaram um pouco até adormecerem. Tinham chegado a um acordo sobre o salário, assim como a porcentagem que ela receberia do que lucrassem, mas a parte que mais agradou a ela do acordo era a liberdade que teria pra escolher o cardápio, talvez pudesse conversar com Siobhan ou Esme sobre isso pra que fizesse algo que combinasse com o cardápio, mas a palavra final sempre seria dela. Mal podia esperar pra começar seu novo trabalho.
Mas ao começar a se despir com Edward no banheiro percebeu que podia esperar sim.
–
Tiveram que tomar banhos separados ou nunca se soltariam – e também porque Bella não queria molhar seu cabelo.
Enquanto Edward podia se dar ao luxo de escolher uma roupa em seu guarda-roupa, Bella teve que se contentar com a roupa que usara no dia anterior, mas ao menos estava limpa e tinha pensado em lavar a sua calcinha e deixar secando no banheiro de Edward.
Usou sua nécessaire pra fazer uma maquiagem rápida – que se resumia basicamente em disfarçar suas olheiras, máscara nos olhos e um pouco de gloss que ela sabia que não iria conseguir manter por mais de dez minutos porque sempre acabava mordendo ou lambendo os próprios lábios com uma frequência absurda. Então cuidou dos cabelos com um pente que levava na bolsa, já que Edward não tinha nenhum produto para o cabelo – o que ela só acreditou porque tinha procurando por conta própria, aparentemente apenas lavar o cabelo com shampoo era suficiente pra deixar os cabelos deles divinos, o que era muita injustiça na opinião dela.
Voltou pro quarto e sentou na cama pra calçar o tênis, enquanto já estava pronto e deslumbrante, como sempre.
— Eu já estou pronto, você quer descer? São oito horas, o pessoal começa a chegar pelas oito e meia, você vai ter um tempo sozinha pra ir se familiarizando com a nossa cozinha, a dispensa e talvez pensar no que vai fazer hoje. — Edward sugeriu.
Bella se levantou sorrindo animada.
— Sério?
— Claro. Esse é um dos benefícios de dormir com o chefe.
E mesmo que ele estivesse sorrindo e usando um tom divertido, Bella parou de sorrir, principalmente por se lembrar do que seu irmão tinha lhe dito na noite anterior.
— Não diz isso.
— Bella, eu estou brincando. — ele garantiu rapidamente.
— Eu sei disso, você sabe disso, mas e os outros? Mais do que fofocas, não quero que fique um clima ruim por pensarem que estou recebendo privilégios por dormir com você.
Edward se aproximou dela e tomou seu rosto entre as mãos.
—Primeiro; todo mundo aqui me conhece e sabe o quanto eu levo esse lugar a sério, jamais iria deixar que alguém trabalhasse aqui simplesmente por ter um relacionamento comigo. E segundo; Bella, eu realmente preciso que você entenda isso, você trabalhar aqui não tem nada a ver com o que temos e sim tudo a ver com o seu trabalho, ok? Você é uma ótima confeiteira apenas nunca teve a chance de trabalhar com isso, eu estou te dando isso agora então não deixe que nada te atrapalhe, está bem? Faça o seu trabalho e mostre porque você está aqui, eu acredito em você.
Bella teve que respirar fundo ou acabaria chorando ali mesmo. Claro que eles ainda não se amavam, ela pensou, não tinham tido tempo suficiente para isso, mas algo na maneira que ele lhe deu aquele discurso – tal vez os olhos fixos nos seus ou as palavras calorosas com tanta firmeza que não lhe dava chance de duvidar nem por um segundo do que dizia – a fizeram se sentir amada.
— Muito obrigada. — ela sorriu e o beijou suavemente. Era estranho como um simples ‘eu acredito em você’ podia renovar todas suas forças e vontade de mostrar que era boa. E era o que ela pretendia fazer.
–
— Eu preciso ligar pra um fornecedor por causa de umas entregas atrasadas. Será que você pode ficar sozinha por algum tempo? — Edward perguntou quando chegaram à cozinha.
— Hum... Claro. — Bella respondeu meio hesitante.
— Logo a Siobhan e o Liam chegam, eles são sempre os primeiros e já te conhecem, então está tudo bem. Pense nisso como cozinhar em casa só que numa versão maior.
— Numa versão maior e que eu não posso estragar porque é pra todo um restaurante, é claro. — ela ironizou.
Edward riu e se aproximou pra lhe dar um beijo rápido.
— Você vai se sair bem. — e beijou a testa dela antes de sair.
Bella soltou o ar e olhou ao redor da grande cozinha industrial.
Sempre tinha sonhado com aquele momento, mas agora que o estava vivendo se sentia como uma criança brincando de cozinhar na cozinha dos pais. Ela se sentia muito pequena pra assumir aquele tipo de responsabilidade. Talvez tivesse dado um passo maior que as pernas, talvez devesse voltar pra casa e parar de sonhar.
— Não. — ela disse em voz alta. — Você consegue fazer isso. Você consegue.
Sim, ela conseguiria. Só tinha que cozinhar como sempre cozinhava em casa. Só que numa cozinha profissional, numa quantidade muito maior, sem ter chance de errar ou daria um prejuízo enorme ao restaurante e decepcionaria Edward, a primeira pessoa a lhe dar uma chance como confeiteira profissional. Sim, ela conseguiria, só precisava de um pouco de sorte e muito chocolate.
. . .
Leah teve que dormir no apartamento de Kate pra não voltar pra casa bêbada e cortar as bolas de Sam, estava tão furiosa com ele. Não pelas ofensas, mas por ele ter tocado sua moto. Aquela moto era seu bebê e agora estava fodida, queria cortar as bolas dele com uma faca de pão e então enfiar na boca dele.
Sorte Bella tinha passado o endereço e nome do que ela considerava ser o melhor mecânico da cidade. Leah ainda não tinha certeza se Bella estava certa, por isso iria ver por si mesma antes de deixar qualquer borracheiro de merda tocar no seu bebê.
Kate já tinha conseguido uma picape grande suficiente pra conseguir levar a moto – mesmo depois de transar com os caras e deixá-los, eles ainda estavam dispostos a realizar qualquer desejo de Kate num piscar de olhos, e isso podia ser bem conveniente em alguns momentos.
Eles precisaram fazer uma rampa improvisada com uma madeira pra subir a moto porque era pesada demais para qualquer deles e então Leah foi pra oficina sozinha enquanto Kate ficou para compensar o empréstimo da picape porque não gostava de ficar devendo favor pra ninguém – e o fez da maneira que mais de compensar seus favores, com alguns favores sexuais.
Não demorou a chegar ao endereço que Bella tinha lhe dado. Estacionou a picape em frente à oficina e desceu tirando os óculos escuros, que tinha pegado com Kate porque ainda estava com um pouco de ressaca e o sol matinal estava lhe incomodando.
A oficina era grande e pomposa, e isso não lhe passou muita confiança. Pela experiência que tinha, lugares como aquele só costumava contratar pessoas com diplomas técnicos e pouca experiência prática ou amor por carros, mas apesar da desconfiança, ela foi pra oficina. E por dentro era ainda mais pomposa, tudo muito arrumado, limpo e tecnológico.
Ela só viu dois mecânicos – um grande e gordo suado e outro baixinho de bigode, ambos usando macacões roxos e limpos.
— Posse te ajudar, gracinha? — homem de bigode perguntou com um tom malicioso.
Leah franziu o rosto com nojo.
— Tô procurando o Jacob Black, por favor. — disse o mais educadamente possível. Podia ter um gênio difícil, mas não suportava falta de educação.
— E você tem hora marcada pra ser atendida pelo superstar? Porque ele tem uma longa lista de espera. — o gordo zombou e os dois riram com escárnio.
Foi fácil para Leah perceber o desprezo e inveja no tom deles, por isso ela resolveu ignorar, não tinha a mínima vontade de se envolver nos problemas deles.
— O Jacob está? — insistiu.
— O que você quer falar com ele?
A voz estranha masculina lhe chamou atenção. Leah nem tinha percebido a presença do terceiro mecânico, porque ele estava em baixo do carro na lateral da oficina, tudo que estava de fora eram suas pernas em uma calça jeans e sapatos de segurança.
— Será que nesse lugar não tem ninguém menos babaca pra me atender? É uma pergunta simples, o Jacob está ou não? — Leah ralhou irritada, então bufou. — Quer saber, que se foda. Eu vou apenas chutar o traseiro da Bella por me recomendar esse fodido lugar e ainda dizer que aqui tinha algum mecânico bom quando tudo que vejo é um bando de idiotas.
Sem esperar a resposta deles, ela colocou os óculos escuros de volta ao rosto e saiu da oficina. Ainda ouviu alguém gritar ‘espera’, mas ela estava pouco se fodendo, então continuou sem caminho pra sua picape.
— Espera! — o mecânico que estava em baixo do carro gritava. — Espera, por favor!
— O que? — Leah se virou irritada e ficou surpresa com a aparência.
Nem um gordo suado, nem um baixinho de bigode, aquele era facilmente o mecânico mais gostoso que ela já tinha visto.
Além do jeans e sapatos de segurança, ele usava uma regata cinza que apesar de não ficar justa em seu corpo lhe dava uma boa ideia do que tinha ali por baixo – coxas grossas sob o jeans, ombros largos, bíceps grandes, tudo muito malhado e definido. Sua pele era morena num tom parecido com a dela, mostrando que ele também devia ter herança genética nativo-americano no sangue; seu rosto tinha traços pequenos, mas com uma mandíbula marcada e com uma barba de alguns dias a escurecendo, fazendo-o parecer ainda mais sexy e selvagem junto com os cabelos negros arrepiados.
E o melhor, ele parecia um mecânico de verdade. Ele tinha manchas de graxa em sua blusa e limpava as mãos num pedaço de trapo.
Puta merda, o cara era uma delícia. Era tipo um mecânico de filmes pornôs.
Ela afastou aqueles pensamentos rapidamente. Não importava o quão delícia-me-fode–agora aquele homem fosse, ele ainda era um daqueles babacas.
— Você falou sobre a Bella, o que ela tem a ver com isso?
— O que você tem ver a com isso?
— Eu... Me desculpa, ok? Peço desculpas por mim e os outros babacas, sinceramente. Eu sou Jacob.
Leah tirou os óculos e o encarou cética com um sorrisinho sarcástico.
— Você?
— Sim, eu sou Jacob Black. Posso te mostrar meus documentos se você quiser.
— Tanto faz, eu já estou indo mesmo.
— Não, por favor, se a Bella tem algo a ver com isso e me recomendou, me deixa tentar te ajudar. — Jacob pediu. — Você é amiga dela?
— Sou. — Leah respondeu defensiva, como se o desafiasse a dizer alguma coisa contra isso.
— É que eu não te conheço — ele se explicou. — e eu conhecia todos os amigos dela.
— A gente se conheceu no fim de semana, digamos que ela conseguiu um novo grupo de amigos e um namorado. — disse divertidamente maliciosa.
— Bella está namorando?
Leah percebeu o quão genuinamente surpreso o cara parecia, então apenas riu.
— Não sei se posso dizer namoro oficial, mas ela está tendo uma boa porção de diversão com um homem quente e com dinheiro, o que mais ela podia querer?
Ela viu o homem franzir o cenho e engolir seco, parecendo decepcionado. Algo que se apertou dentro dela. Ele a lembrava um filhotinho de cachorro, a fazia querer saber o que estava lhe incomodando e então chutar isso pra longe dele. E ela quase riu de como aqueles pensamentos eram idiotas.
— Então, você vai me ajudar ou o que?
— Hã... Claro, claro. — Jacob guardou o trapo no bolso do traseiro do jeans e passou a mão na cabeça. — O que você precisa? Algum problema com a picape?
— Não, essa merda nem é minha, o problema é com o meu bebê.
— Algum carro esportivo? Conversível? — ele perguntou num tom monótono, como se passasse por isso muitas vezes.
— Eu tenho cara de que uso algum conversível de merda?
— Na verdade não. — Jacob riu.
Leah sentiu quase engasgar com a própria língua quando ele riu e ficou sorrindo. Nunca foi se deslumbrar com nada, muito menos ofegar e engolir seco como tinha acabado de fazer, mas foi impossível resistir. Se sério o homem era quente, sorrindo ele ficava com uma aparência suave – ele tinha um sorriso tão doce que lhe dava uma imagem quase infantil e iluminava o rosto dele.
Antes que acabasse envergonhando a si mesma, ela deu as costas ao Jacob e se aproximou da picape prendendo os óculos em sua blusa, abriu a traseira e subiu rapidamente pra tirar a lona que cobria sua moto.
— Uau. É um bebê grande.
— Eu sei. — a morena sorriu orgulhosa.
— O que aconteceu com ela?
— Ela parou de funcionar. Digamos que um pedaço de merda mexeu nela e eu não sei que porra ele fez, mas ela não tá funcionado.
— Tá. Desce que eu vou dar uma olhada.
Leah desceu num pulo e o encarou com ceticismo, sem saber se ele entendia realmente alguma coisa de motos.
Jacob subiu na traseira da picape e se abaixou pra mexer no motor da moto. Leah não podia dizer que tinha alguma ideia do que ele estava fazendo, só o viu tirar uma chave de fenda do bolso – e nem a tinha visto antes – e começou a mexer.
Ele abriu alguma coisa, mexeu numa coisa, tirou outra coisa, olhou outra coisa. Pra Leah tudo aquilo eram coisas que não lhe importavam contanto que mantassem sua moto funcionando.
— Quem quer que tenha feito isso merece um soco por estragar uma belezinha dessas. — Jacob disse.
— O que aquele filho da puta fez?
— Ele estava realmente querendo foder sua moto, porque consigo sentir daqui o cheiro do açúcar na gasolina e essa é a coisa mais clichê que eu poderia imaginar, coisa de procurar no Google como foder um motor. — ele riu sem humor. — Mas o que fez a moto parar foi a vela, ele molhou e depois encharcou tudo com óleo.
— Filho da puta! — Leah gritou furiosa e chutou o pneu da picape. — Eu vou surrar aquele idiota e enfiar a porra dessa vela molhada no rabo dele!
Jacob desceu da picape guardando a chave de fenda no bolso e limpando a mão nos trapos novamente, encarando a morena com um sorriso divertido.
— Mas então, tem conserto?
— Claro, e é bem fácil até.
— E você pode fazê-lo? Não como um favor, claro que vou pagar pelo seu serviço.
— A Bella não te recomendaria se não soubesse que eu sou bom. Eu posso fazer isso. — Jacob disse naturalmente com um tom que passava firmeza sem arrogância. — Mas não agora, eu tenho um carro pra terminar agora e outros na fila, além de não ter peças pra sua moto.
— E o que eu faço então?
— Como ela não está funcionando de qualquer maneira, eu vou pedir pros dois babacas levarem a moto pra dentro e você a deixa aqui, vou preparar sua papelada e nota fiscal, e você volta pra buscar quando ela ficar pronta.
— E quanto tempo mais ou menos pra ela ficar pronta?
— Talvez na sexta ou sábado.
— Merda. — Leah bufou e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
— Desculpa, mas eu realmente estou cheio, ainda estou te passando na frente de muita gente por causa da Bella.
— Não, está tudo bem, não é com você. Eu aprecio o seu esforço, é só que... — suspirou. — Foda-se se é estranho, mas eu amo minha moto, sabe? Eu a consegui sozinha suando meu traseiro no trabalho, foi a primeira coisa grande que eu comprei com meu trabalho e tenho um puta orgulho dela, deve ser o mais próximo de um filho que eu vou ter nessa vida, é meu bebê, me afastar dela é foda. — ela riu sem humor, enquanto Jacob lhe encarava. — Tô parecendo uma fodida mulherzinha sentimental falando desse jeito né?
— E você não é uma mulherzinha? — Jacob perguntou sorrindo de lado.
— Não. — ela riu. — Definitivamente não, muito menos uma sentimental.
— Mas eu te entendo, eu sinceramente te entendo, tenho o mesmo tipo de amor pelo meu carro.
— Isso não faz eu me sentir melhor, sabe? Só mostra que você é tão fodido quanto eu.
Jacob gargalhou jogando a cabeça para trás. Leah não conseguiu evitar o sorriso, ele parecia um garotinho doce quando ria daquele jeito.
— Ao menos você não é tão babaca quanto eu pensei que seria. — Leah confessou.
— Ao menos isso, né? — ele riu. — Eu vou chamar os outros babacas pra descerem a sua moto e você pode vim comigo pra abrir sua ficha aqui.
Ela assentiu e o seguiu de volta pra oficina.
— Como você conheceu a Bella?
— Ela não falou de mim?
— Não antes de eu comentar que precisava de um mecânico.
— É uma longa história e você terá que perguntar pra ela, mas resumidamente, somos grandes amigos.
Apesar da falta de reação dele por Bella nunca ter falado sobre ele, Leah podia apostar que tinha algo mais naquela história e o tom dele deixou claro que ele não iria continuar falando sobre isso. Mas agora Leah estava oficialmente curiosa e interessada na história. Iria atrás de respostas e era bom que Bella não viesse com essa merda de longa história.
. . .
Esme e Carlisle Cullen chegaram ao restaurante mais cedo naquele dia. Tinham combinado com Edward e Rosalie de que podiam trabalhar contanto que se cuidassem e não exagerassem, mas naquela manhã não conseguiram controlar a ansiedade, principalmente Esme. Se dependesse dela estariam ali logo às sete da manhã, mas Carlisle conseguiu controlá-la com persuasão e distração – e como ele gostava daquele tipo de distração.
Ela tentou convencê-lo de que estava apenas inquieta e com vontade de trabalhar, mas ele conhecia sua esposa bem o suficiente pra saber quando ela estava mentindo e até sabia o motivo: a nova amiga talvez namorada de Edward que começaria a trabalhar ali naquele dia. E ele também estava curioso para conhecê-la, mas conseguia se controlar melhor que sua adorável esposa.
Carlisle não podia deixar de sorrir para ela que era adorável mesmo, ainda mais naqueles momentos em que parecia uma criança inquieta.
Eles estacionaram o carro em frente ao restaurante e entraram pela porta da frente. As luzes estavam acesas, mas estava tudo fechado e vazio. Edward já devia ter descido ou talvez Siobhan e Liam tivessem chegado.
— Edward?! — Esme o chamou em voz alta.
— No escritório, só um minuto. — a voz de Edward veio abafada da parede atrás do palco, onde ficava o escritório.
Sorrindo, Esme foi pra cozinha e Carlisle a seguiu. Novamente as luzes estavam acesas, mas estava tudo vazio.
— Será que a amiga do Edward já chegou? — Esme perguntou sugestivamente.
— Você podia ao menos disfarçar o interesse, sabia? Parece uma adolescente.
— Como se você também não estivesse... — Esme parou no meio da palavra ao escutar um barulho vindo da porta da dispensa. Ela institivamente se aproximou do marido e agarrou seu braço. — Você ouviu isso?
— Querida, eu estou do seu lado, claro que eu ouvi isso.
— Chegamos no meio de um assalto a nossa dispensa, Carlisle. — ela sussurrou nervosamente. — Vamos embora agora, precisamos avisar ao Edward e então ligar pra polícia.
— Um bandido teria roubado nossa caixa registradora ou escritório e não a dispensa, Esme. A não ser um bandido faminto — ele ironizou com um sorriso divertido. — É claro.
— Isso não é momento pra graça. — ela bateu no braço dele antes de soltá-lo e tirou a bolsa de seu ombro. — Eu vou ligar pra polícia agora.
— Não seja exagerada, querida, eu vou dar uma olhada nisso.
— Isso, faça exatamente isso porque é uma boa ideia mesmo, Carlisle. Vá ao encontro do bandido que pode estar armado e te dar um tiro, pode ir porque eu fico muito bem de preto, mas espero que não se importe que eu diga aos seus filhos que o pai dele morreu por ser um idiota. — Esme disse sussurrando irritada. Ele apenas riu.
— Ninguém vai levar um tiro ou morrer, mulher, não seja tão melodramática. Além do mais eu sei lutar, lembra? Fiz altas de karatê e boxe, lembra?
— Pelo amor de Deus, você fez karatê quando era um adolescente e só fez uma aula de boxe, não acho que isso te qualifica como um lutador, Carlisle, você sabe lutar tanto quanto sabe tocar piano.
— Do que você está falando? — ele franziu o cenho. — Eu sei tocar piano.
— Você só sabe fazer as notas musicais, por favor. — ela debochou.
— E eu sei tocar uma música.
— Dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó não pode ser considerado uma música real.
— Eu não vou discutir com você os meus talentos musicais, Esme.
— Isso porque você não os tem, Carlisle.
Bufando, Carlisle deu as costas para a esposa e caminhou pra dispensa.
— Carlisle? Volta aqui, para com isso. Carlisle? — Esme sussurrou freneticamente, tentando aumentar sua voz sem parar de sussurrar, mas ele já tinha entrado. — Droga de homem teimoso.
Ela não sabia se devia chamar por Edward ou então ligar pra polícia, mesmo que essa última opção pudesse ser um pouco dramática e exagerada.
Estava prestes a tirar o celular do bolso pra fazer a ligação quando escutou um estridente grito feminino vindo da dispensa, então o barulho de alguma lata cair no chão e outro grito.
— Bella! — Edward entrou afobado na cozinha alguns segundos depois quase derrubando a porta e parou com o cenho franzido ao vê-la. — Mãe?
— Me solta! Socorro! — a estranha gritava agitando as pernas no ar enquanto Carlisle a carregava com os braços ao redor de sua cintura.
— Pai? Bella? O que diabos...
Então Esme percebeu o que tinha acontecido. Aquela não era uma invasora, era Bella.
— Achei essa garotinha tentando roubar nossa dispensa. — Carlisle disse com um tom que parecia que tinha acabado de prender o bandido mais procurado do país. Esme teve que rir.
— Carlisle, solta a garota, ela não estava roubando nada, ela é Bella, a amiga do Edward.
— Oh. — ele se surpreendeu e a colocou no chão. — Por que você não me disse antes? Jesus, eu sinto muito.
— Talvez por que eu não tive tempo pra dizer nada? — Bella ironizou arrumando suas roupas. — Você só me agarrou e saiu me carregando.
— Pelo visto você já conheceu os meus pais, Bella. — Edward disse rindo. — Esme e Carlisle Cullen.
— Me desculpe mesmo, Bella, eu só pensei...
— Tudo bem. — Bella garantiu a Carlisle. — Só me assustou, mas está tudo bem.
— Peço desculpas pelo comportamento do meu marido também, Bella, digamos que ele é um pouco exagerado. — Esme disse sorrindo.
Carlisle encarou a esposa. Então agora ele era o exagerado? E a pequena descarada apenas riu.
— Então quer dizer que o senhor achou ter um invasor na dispensa e foi investigar ao invés de pedir ajuda? — Edward zombou e caiu na risada.
— Ele acha que sabe lutar. —Esme disse sarcástica e riu também.
— Eu consegui dominar a menina, não consegui?
— Olha o tamanho dela, Carlisle, até eu conseguiria. — Esme bufou ainda rindo.
— Karatê na adolescência e uma aula de boxe que você saiu porque tomou um nocaute que te deixou de olho roxo por uma semana não é saber lutar, pai.
Bella mordia o lábio inferior tentando não rir. Ao menos o encontro com os pais de Edward não tinha sido apenas um olá e silêncio desconfortável. Ao menos teriam uma história para a posteridade.
— Não ligue pra eles, querida. — Carlisle lhe disse enquanto mãe e filho ainda riam. — Esses dois adoram se juntar contra mim, por isso minha filha preferida é a Rosalie.
— Assim você me magoa, papai. — Edward riu.
— Edward também faz isso comigo, mas se juntando com o Jasper.
— Então vamos juntar nossas forças e podemos revidar.
— Será um prazer. — Bella sorriu.
— Você está se juntando ao time perdedor, Bella, meu pai tenta nos vencer a anos, nem com a Rose ele conseguiu.
— Mas isso foi antes que eu entrasse no time, Edward. — ela sorriu desafiadoramente.
— Sinto que vou gostar de você, Bella. — Carlisle disse rindo e esticou a mão para ela. — E, aliás, é um prazer conhecê-la.
— O prazer é meu. — sorrindo, ela apertou a mão dele suavemente.
— Mas é claro, como fui mal educada. Eu sou Esme Cullen, querida. — se aproximou de Bella. — Estava ansiosa pra te conhecer, o Edward me falou muito sobre você.
— Não seja exagerada, mãe, Rosalie comentou sobre a Bella e eu respondi apenas uma vez.
— De qualquer maneira, é um enorme prazer te conhecer.
— O Edward me falou muito sobre você também, na verdade todos do grupo falaram que ele e Rosalie têm pais incríveis, é bom finalmente conhecê-los.
— Oh querida. — Esme sorriu e a puxou para um abraço.
Bella ficou parada na surpresa por uma fracção de segundos até devolver o abraço. Era... Estranhamente confortável. Como um abraço de mãe devia ser.
— Eu escutei o grito da Bella e só corri pra cá, larguei o telefone no meio de uma conversa com um fornecedor e preciso voltar lá, será que vocês vão ficar bem sozinhos por alguns minutos? — Edward perguntou.
— Mas é claro, querido. — Esme respondeu sorrindo, enquanto Bella tinha os olhos ligeiramente arregalados.
Sozinha com os pais dele? Só conseguiu se sentir confortável com o pai de Jacob depois da terceira vez que o encontrou e com Jacob sempre ao seu lado, não sabia se podia lidar com isso.
— Você parece bem assustada com a ideia, Bella. — Edward riu. — Meus pais não são tão ruins quanto parece. Na verdade eles são piores, mas eles vão se comportar, não vão? Pai?
— Prometo controlar sua mãe. — Carlisle disse rindo.
Bella corou. Edward iria lhe pagar por isso.
— Então querida, — Esme começou depois que Edward saiu sorrindo da cozinha. — você já sabe o que vai fazer hoje?
— Estava pensando em fazer a sobremesa que fez o Edward me contratar, talvez. — Bella respondeu hesitante, falhando em sua tentativa de soar como uma adulta decida e não uma criança intimidada.
— Eu acho uma ótima ideia. — Esme sorriu. — Acho que você não tem muita experiência em fazer coisas em quantidade suficiente pra alimentar um restaurante, certo? Eu vou te ajudar com isso até você pegar a prática e enquanto isso nós podemos ir conversando, nos conhecendo melhor.
O sorriso de Esme era tão carinhoso e maternal, principalmente junto com seu rosto que lhe lembrava do formato de um coração e covinhas que fazia impossível se sentir intimidada, em instantes Bella se sentiu confortável e com a impressão de que iria gostar muito de Esme e Carlisle.
— Eu acho uma ótima ideia. — Bella sorriu.
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