You & Me
12 Km :: 11
Notas iniciais
Bella saiu do banheiro, confusa e receosa sobre a pequena conversa com Jessica. Mas preferiu não dizer nada mesmo quando Edward perguntou o que estava acontecendo, só colocou um sorriso no rosto e lhe beijou.
Não deixaria nada estragasse sua noite e o começo de sua nova fase.
. . .
— Você realmente vai me ignorar? Reclamou no meu ouvido sobre o quanto eu não fico com você e agora vai me ignorar?
Leah Clearwater pegou seu celular, as chaves de seu apartamento e de sua moto que estavam na mesinha de centro, guardou o celular bolso e se continuou segurando as chaves.
— Leah? — Sam a chamou obviamente. — Você é tão infantil. Ou pior, louca. É isso que você é, uma louca.
A morena olhou para o namorado com a mandíbula apertada, ele sabia exatamente o quanto ela odiava aquela palavra.
— Eu já te avisei pra não me chamar de louca, Sam. — rosnou.
— Então pare de agir como uma! E por que diabo você tem que se vestir como se fosse membro de uma gangue ou banda de rock? Por que não pode se vestir normalmente? Talvez como a Rosalie ou Kate.
— Eu... — ela ia começar a se explicar. Queria dizer que não se vestia como elas porque não era como elas. Usava uma calça jeans skinny clara com rasgos em suas coxas torneadas, que fazia sua pele morena destacar-se sob o desfiado do tecido; uma blusa preta cavada nas laterais expondo seu top branco e uma estampa de caveira cheia de piercings; e nos pés seu habitual coturno preto. Seus cabelos eram o mesmo repartido ao meio liso até seu ombro e sem maquiagem além do lápis de olho. Queria dizer se sentia bem do jeito que estava, mas então percebeu que não valia a pena. Com uma risada sem humor, ela disse: — Eu não te chamei.
— Mas me cobrou ontem, não foi?
— Ontem. E eu esperava que você viesse cedo, não quase meia noite. Eu te chamei pra ir comigo antes de ir tomar banho, você disse não então eu só lamento, agora eu não estou disponível pra você, vou sair com os meus amigos.
— Você sempre sai com esse bando, Leah, eu sou o seu namorado, lembra?
— Oh, espera, então agora você lembrou que é meu namorado? — ironizou. — Porra, você chega a ser engraçado.
— Seu linguajar é tão ruim quanto suas roupas.
— Bem, — Leah sorriu. — você sabia exatamente como eu era quando resolveu se aproximar de mim, sabia exatamente o que estava levando.
— Eu não tinha ideia que você iria ficar ainda pior, eu não sabia que ia acabar namorando um caminhoneiro.
— Quer saber? Eu não preciso pra ficar aguentando seus insultos, Sam. Quando você sair fecha a porta. — sem esperar que ele respondesse, ela saiu do apartamento batendo a porta.
Sem lágrimas, disse a si mesma enquanto apertava as mãos em punho ao redor das chaves. Respirou fundo e desceu as escadas rapidamente.
Era um prédio simples, antigo e pequeno de três andares sem elevadores e morava no segundo. Não tinha nem garagem, até porque a maioria dos moradores não tinha dinheiro para manter carros então deixava sua moto estacionada em frente sem medo de ser roubada – mesmo sendo um bairro de classe média baixa, ele era seguro e todos a conheciam.
Daquela moto ela tinha orgulho e sorriu ao vê-la, como sempre fazia. Era uma Kawasaki Ninja 250 preta. Todos diziam que era uma moto grande demais para uma garota, mas ela era uma garota grande e amava aquele monstro, como todos chamavam sua moto. Guardou a chave do apartamento no bolso e subiu na moto erguendo o pé de descanso com o próprio pé enquanto enfiava a chave na ignição. Girou pronta pra sentir a vibração do motor e escutar seu barulho, mas nada aconteceu. Girou de novo e nada. Tentou o pedal, mas ela estava morta.
Rosnando um palavrão, desceu da moto e a apoiou no pé de descanso novamente. Tinha andado com a moto poucas horas antes e estava perfeita, o que tinha acontecido?
Olhou para o prédio e viu que Sam olhava pela janela do apartamento. E então ele sorriu. O filho da puta tinha mexido em sua moto.
— Seu desgraçado! Filho da puta! — gritou mostrando o dedo do meio.
Pra não cometer um homicídio, Leah tirou o celular do bolso e ligou para Kate em busca de uma carona.
. . .
Emmett Swan saiu do banheiro com apenas uma toalha preta ao redor de sua cintura e chinelos. Ainda estava um pouco molhado, algumas gotas escorriam de seu cabelo, percorrendo seu abdômen e costas até morrer na toalha.
Amava sua irmã de todo o coração e estava sinceramente feliz em recebê-la em sua casa, mas naquele momento aproveitava poder andar apenas de toalha pelo apartamento como sempre fizera sem se preocupar com nada – por exemplo, como sua toalha cair na frente dela e mostrar como não usava nada ali em baixo.
Caminhava para seu armário quando o seu celular apitou sobre a cama. Secou a mão na toalha, na altura da coxa, e pegou o Iphone da cama pra ver a nova mensagem.
‘E então, se decidiu? Vai pra Flavor com a gente, gatinho? Vamos, prometo que faço valer a pena, bjsssss. Irina.’
Emmett sorriu. Aquilo até que soava divertido. Flavor era uma grande e exclusiva casa noturna – daquelas que as pessoas mais ricas, com contatos e mulheres muito bonitas entram facilmente, enquanto o resto fica numa fila enorme por, provavelmente, a madrugada inteira. Emmett tinha acesso por ter contatos e por ser advogado do dono do lugar, enquanto Irina tinha acesso por ser uma mulher atraente.
Irina Dening era uma boa amiga e uma ótima pessoa, uma modelo profissional que estava alcançando fama nos últimos meses. Ela tinha tentando algo a mais com Emmett quando o conheceu, mas ele logo deixou claro que jamais passaria de amizade, nem mesmo sexo casual porque, apesar de flertar com ela e garantir que ela era muito atraente, não era exatamente seu tipo de mulher. Mas ele gostava da companhia dela, Irina realmente sabia como fazer uma noite ser divertida.
Mas era domingo e no dia seguinte teria que acordar cedo para o trabalho – uma audiência de divórcio, sua cliente estava tentando garantir uma pensão grande e uma parte dos bens de seu marido após o término do casamento de cinco anos –, então preferia alguma atividade mais leve e que não o deixasse de ressaca na manhã seguinte.
Já era tarde demais, talvez devesse apenas ficar em casa e encerrar a noite. Ou talvez... Ele se lembrou do bar de Edward, o novo... Não sabia como se referir a ele, o novo namorado de sua irmã? Ou o novo homem que ela estava saindo? Então apenas Edward era bom. E aquele lugar tinha algo ainda melhor.
Rosalie. E a voz dela veio em sua mente. Rosalie Cullen. Só a lembrança de sua voz fez um sorriso aparecer em seus lábios. E se lembrar de seu rosto e corpo deu outro tipo de reação ao seu corpo.
— Casada, Emmett. — ele lembrou a si mesmo. — Rosalie é aparentemente a mulher dos seus sonhos, mas casada.
Mas ele não estava querendo fazer nada de errado. Apenas tomar uns drinks com um grupo de novos amigos que, aliás, eram muito legais e divertidos. Se reencontrasse Rosalie não seria para tentar algo com ela, apenas uma coisa inevitável porque era ali que ela trabalhava.
— Continue dizendo isso a si mesmo, companheiro. — disse em voz alta enquanto digitava uma resposta pra Irina.
‘Hoje não, gatinha. Amanhã acordo cedo, vou apenas ficar com a minha irmã mesmo. Mas se divirta e tente se comportar... Ou não fazer nada que eu não faria’.
. . .
— Eu disse e repito, ele é um cuzão. — Kate disse com desdém quando Leah terminou de contar sobre o que Sam tinha feito com sua moto ao grupo. — Um grande filho da puta cuzão.
— E você acha que sua moto não tem conserto? — Bella perguntou a Leah.
— Não sei, não tenho ideia do que ele fez. Minha vontade era ficar lá e descobrir, mas como ele fez isso exatamente pra que eu não saísse, então não podia deixá-lo vencer. Mas como tudo que eu consigo fazer é trocar pneu e encher o tanque, eu preciso da porra de um mecânico. — Leah rosnou frustrada e bebeu vários goles de sua cerveja.
— Você pode levar na oficina amanhã, relaxa. — Jasper disse com um tom despreocupado e divertido.
— A oficina que eu vou sempre os mecânicos são tudo amigos do Sam, eles vão é querer foder ainda mais com a minha moto a pedido do amigo, certeza.
— Eu conheço uma boa. — Bella disse.
— Você? — Edward perguntou cético. — E o que você entende de carros?
— Hum... Nada, mas eu conheço uma boa oficina com o melhor mecânico da cidade. — ela respondeu orgulhosamente, ocultando o fato de que o melhor mecânico da cidade era também seu ex-noivo. — Posso te passar o endereço.
— Muito obrigada, Coisa Doce. Se esse cara salvar a minha moto, eu vou amar você e ele pra sempre, eu te juro.
Bella riu pensando sobre o assunto e até que não seria uma má ideia. Ela e Leah eram completamente diferentes, mas talvez Jacob gostasse dessa mudança. E eles até que formavam um casal bonito.
Não teve tempo de pensar mais sobre o assunto, pois Angela veio trazer suas bebidas ao mesmo tempo em que Carmen e Eleazar chegaram. Eleazar entregou uma pasta arquivo a Edward e sentou com Carmen, aproveitando para pedir suas bebidas a Angela.
— O que é isso? — Kate perguntou curiosa, esticando o pescoço pra tentar ver.
— Projetos. — Eleazar respondeu sorrindo.
— Oh! Você vai fazer uma nova tatuagem, Edward? — Kate perguntou novamente e ainda mais animada.
— Talvez. Cara, isso aqui ficou do caralho. — Edward elogiou olhando desenho. — Pedi pro Eleazar dar uma reprojetada no nosso símbolo e o filho da puta mandou muito bem, ficou um brasão perfeito. Vou precisar de uma cópia disso pra mandar pra gráfica pros novos cardápios e depois mandar arrumar na fachada. E talvez pensar em tatuá-lo.
Bella se esticou para ver também e Edward lhe entregou a pasta pra que pudesse ver o desenho. E ela tinha que concordar, o negócio era fantástico. O brasão tinha um orgulhoso leão com uma mão sobre ele e trevos com uma faixa em baixo escrito Cullen.
— Você desenha muito bem, Eleazar, ficou fantástico.
— Você podia ter tirado essas conclusões olhando minhas tatuagens, foram todas projetadas por ele. — Edward comentou.
— Bem, digamos que eu não tive muito tempo pra analisar suas tatuagens. — ela disse irônica e corou quando o grupo gargalhou com o duplo sentido de sua frase.
— É disso que o povo gosta! — Leah exclamou animada.
. . .
Emmett entrou no bar pouco depois da meia noite e olhou ao redor do lugar agitado. Seus olhos foram primeiro para o lugar onde tinha encontrado Bella e seus amigos na noite anterior e todos estavam ali – menos quem ele procurava.
Olhou ao redor cuidadosamente até seus olhos pousarem sobre ela, atrás do balcão, servindo com um sorriso divertido no rosto um trio de mulheres animadas.
Ele nem se preocupou em primeiro ir falar com a própria irmã, foi para onde Rosalie estava.
Ela estava distraída lavando um copo de cabeça baixa e quando a ergueu, pareceu genuinamente surpresa por vê-lo parado do outro lado do balcão.
— Hã... Oi. — ela disse hesitante e insegura, como se não soubesse como cumprimentá-lo.
— Oi. Você se lembra de mim, certo? — Emmett perguntou sorrindo.
— Claro. — Rosalie disse com um suspiro resignado. — Você é o irmão da Bella.
— Também conhecido como Emmett. — brincou. — E você a irmã do Edward.
— Também conhecida como Rosalie.
— Exatamente. — Emmett riu enquanto sentava em um dos bancos altos junto ao balcão.
— Sua irmã está ali com o Edward e os outros.
— Oh, eu sei, já tinha visto ela, mas eu queria falar com você.
— Eu...
Emmett olhou para trás quando sentiu uma mão tocar seu ombro.
— Olá gracinha. — uma garota do cabelo laranja e com a lateral da cabeça raspada, obviamente bêbada e cambaleante, lhe disse sorrindo. — Que tal você me pegar uma... Bebida?
— Eu ia adorar, gracinha, mas acho que você já teve o suficiente por hoje, não acha?
— Eu... Claro não! A noite está apenas começando e com você acho que pode ficar ainda melhor, o que você... — ela soluçou e cambaleou pra frente.
Rindo, Emmett se levantou e ajudou a garota a se sentar.
— Aposto que a minha noite ficaria ainda melhor com uma mulher tão linda como você, mas você está muito bêbada e eu estou acompanhando.
— Oh. — ela olhou para Rosalie e voltou olhar pra ele com uma risadinha. — Ela? Não é o que eu esperava pra você, mas... Vocês formam um casal bonitinho até. Mas se não der certo, você me procura?
— Você será minha primeira opção, gracinha.
— Você é fofo. — ela esticou a mão e colocou o dedo na covinha aparente dele enquanto ele sorria.
— Melissa!
— Isso é comigo, eu preciso... Ir. — ela gargalhou e se levantou num pulo, cambaleou e foi embora gritando com os braços erguidos, como se estivesse numa pista de dança.
Emmett observou até ver que ela foi levada por um casal de amigos e então voltou a se sentar, olhando para Rosalie.
— Você tem clientes interessantes por aqui. — comentou rindo.
— É. Eu... Emmett, eu sou casada.
— Eu sei, por que está me falando isso?
— Porque você falou que está acompanhado e... Eu sou casada.
— Como eu disse, eu sei. Eu só não queria chatear a garota e nem ir a um encontro com ela, me desculpa se te usei como álibi. E mesmo que você seja casada, isso não impede que sejamos amigos, certo?
— Amigos? — ela repetiu hesitante.
— Eu gosto de fazer novos amigos e você me parece uma pessoa amigável, então, amigos?
— Eu... — Rosalie suspirou e agitou a cabeça, rindo. — O que você quer beber?
— Só uma cerveja, por favor.
— Só um minuto.
Sorrindo, ela foi para a geladeira pegar uma long neck de cerveja.
E foi inevitável pra ele baixar os olhos para seu traseiro quando ela lhe deu as costas. Caralho, como a mulher ficava bem naqueles jeans – e a agitação em sua virilha lhe provava que também estava imaginando como ficaria bem sem eles também.
Piscou e ergueu os olhos quando ela se virou e voltou, colocando a garrafa no balcão para abrir rapidamente com um abridor de garrafa.
— Rosalie! — um cliente gritou na outra ponta do balcão.
— Só um minuto, grandão. — ela disse a Emmett e foi atender o outro cliente.
Os olhos dele novamente desceram para seu corpo. Olhando as curvas generosas sob o jeans justo e também os seios fartos sob a blusa cor de vinho com decote em U que ela usava. Seu corpo reagia a ela como não fizera com nenhuma outra e isso era tão assustador quanto intrigante, por isso não podia se afastar – por mais que todos os seus instintos o mandassem fazê-lo.
Tomou longos goles da cerveja gelada, esperando que isso acalmasse seu corpo quente, mas não surtiu tanto efeito quanto gostaria.
E pareceu piorar quando Rosalie voltou com um enorme sorriso no rosto e passou a mão nos cabelos, colocando os longos fios loiro-escuro e ondulado para trás.
— Esse bar é da sua família ou só do Edward? — ele perguntou enquanto ela servia um casal que estava ao seu lado.
— Da família. — ela sorriu para o casal ao lhe dar seu drink e anotar em sua comanda. — Aliás... — ela fez uma comanda rapidamente e entregou a ele. — Não perca ou vai pagar a taxa.
— Ser irmã da garota que está saindo com o chefe não me garante alguns drinks por conta da casa?
— Não. Sair com o dono sim, por isso sua irmã está bebendo por conta da casa.
— É uma pena que a outra dona seja comprometida, hein? — Emmett brincou e bebeu da sua cerveja.
Rosalie ficou surpresa com seu gracejo por alguns segundos e então riu.
— Bem, meu pai não pensa isso e nem meu marido, então... — deu ombros e foi servir outras pessoas.
Emmett riu novamente.
— Se esse bar é tanto seu quanto do Edward, por que só você trabalha?
— Eu gosto de trabalhar aqui. Posso conhecer pessoas novas, conversar com clientes antigos...
— Beber? — ele brincou.
— Sim — concordou rindo. — Ocasionalmente beber. E o Edward trabalha muito mais do que eu, acredite. Eu fico só no turno da noite aqui no bar e às vezes ajudo à tarde, mas ele fica aqui o dia todo, ajuda a noite quando necessário, além de cuidar de toda a parte burocrática do bar, então, meu irmão faz muito por isso aqui.
— Aposto que sim.
— E o que você pensa sobre isso tudo?
— Isso tudo o que?
— Meu irmão e sua irmã.
— Eu não sei. — deu ombros. — A Bella é grande suficiente pra tomar as próprias decisões e se seu irmão machucar ela, eu vou acabar com ele, é tudo que eu sei, sobre o resto eu tento não pensar.
— Inclusive sobre ela trabalhar aqui?
— O que? — ele franziu o cenho. — Do que você está falando?
— Você não sabia? Edward ofereceu a ela o emprego na cozinha, ela vai cuidar das sobremesas do restaurante.
— Não, disso eu não sabia. Ela... — Emmett riu. — Foi o que ela sempre quis, mas não pensei que ela fosse finalmente seguir em frente com isso, mas... Aqui?
— Hey! O que há de errado com aqui?
— Nada! Eu não queria soar ofensivo, esse lugar é incrível, me desculpa, mas... Ela é minha irmãzinha, eu só estou preocupado com ela.
— Tudo bem, você está pensando como eles vão lidar com essa situação se esse “relacionamento” deles não der certo, eu entendo.
— Você pensou a mesma coisa. — não foi uma pergunta, mas ainda assim Rosalie assentiu. — Se isso não der certo é a minha irmã que vai se dá mal, ela é quem sai sem nada.
— Eu conheço o meu irmão e ele está colocando o coração dele nisso, acredite, se isso não der certo, é ele quem vai sair sem nada.
— Você está dizendo que minha irmã não está de coração nisso? Que ela está com ele por interesse ou qualquer coisa assim? — Emmett perguntou incrédulo.
— Eu não disse isso, só me parece estranho que ela comece a sair com o meu irmão num dia e no outro já tenha um emprego aqui, qual o próximo passo? Casamento?
— Rosalie, você é uma mulher linda e parece estar apenas tentando proteger o seu irmão, por isso não quero ser rude com você; mas a sua sorte é que eu não fui criado pra desrespeitar e muito menos erguer a minha mão pra uma mulher, porque se você fosse um homem, já estaria no chão por só sugerir uma coisa assim da minha irmã.
Ele se levantou carregando a sua cerveja.
— Eu... — Rosalie começou, mas estava envergonhada e até assustada demais pra saber o que dizer.
— A minha irmã não é interesseira e jamais iria ficar com alguém só pra garantir benefícios ou, acredite, ela já estaria rica. Se você a conhecesse o suficiente saberia disso, então não julgue ou levante suposições contra o caráter dela sem conhecê-la antes, ok? Eu vou ir falar com ela e te deixar trabalhar. Obrigado pela cerveja.
Sem dar a ela a chance de responder, ele lhe deu as costas e foi para o lugar onde sua irmã estava.
Ele manteve o tom baixo o tempo todo, mas ainda estava incomodado pelo jeito que falou com Rosalie. Não tivera a intenção ser rude, mas simplesmente não podia evitar, todas suas barreiras protetoras se erguiam quando se tratava de sua irmã. Se já era superprotetor de natureza, esses sentimentos ficavam ainda mais fortes sobre Bella, a única família que tinha e a pessoa que mais amava no mundo.
Bella estava rindo e bebendo junto com o rosto do grupo da última história que Kate tinha contado sobre um dos homens mais escandalosos que já tinha tatuado. Não sabia se um dia iria se acostumar com aquilo, mas ainda ficava surpresa como eles podiam tornar uma noite divertida, mesmo que ficassem apenas bebendo um pouco, conversando e rindo das menores besteiras. Era bom estar com eles se sentindo parte do grupo.
— Pão doce! — Kate gritou animada e ergueu o copo que bebia.
Bella olhou para trás e se surpreendeu ao ver Emmett com uma garrafa de cerveja se aproximando.
— Emmett! O que você está fazendo aqui?
— É um lugar público e eu senti saudade da minha irmãzinha. — sorriu de lado, mostrando suas covinhas.
Todos foram um pouco para o lado quando Emmett sentou na ponta, ao lado de Bella e beijou seu rosto.
— Chegou há muito tempo?
— Não, só deu tempo de passar no balcão pra pegar essa cerveja e vim pra cá, sou bem vindo a ficar aqui com vocês?
— Você é bem vindo a ficar comigo pra sempre, pãozinho. — Kate disse com a voz mais baixa, soando maliciosa.
— Olha que eu vou acabar aceitando suas propostas, Kate.
— Eu oro todos os dias por isso. — ela disse dramaticamente, fazendo-o rir.
— Emmett, você tem alguma tatuagem? — Carmen perguntou. — A gente estava falando sobre isso.
Bella deu uma enorme gargalhada jogando a cabeça para trás e ninguém entendeu o motivo da risada.
— Desculpa, é que é engraçado imaginar o meu irmão fazendo uma tatuagem, ele tem medo de agulhas, faz um drama pra tomar injeção ou tirar sangue, quem dirá fazer tatuagem. — e gargalhou de novo.
Emmett pareceu envergonhado por uma fração de segundo antes de rebater a provocação:
— Olha quem fala! Você também tem medo de agulhas e passa mal vendo sangue.
— Sim, mas é mais aceitável pra mim, uma pequena e adorável garotinha, do que pra você, um grande e musculoso homem. — Bella ironizou.
— Emmett, eu posso fazer você perder esse seu medo de agulhas, eu posso te tatuar nua. — Kate disse sorrindo e piscou.
— Deus, você é muito vadia. — Leah gargalhou.
— O que eu posso fazer? Gosto de ajudar as pessoas. — Kate deu ombros e levou o canudinho de sua bebida a boca, com um olhar malicioso pra amiga.
Emmett se divertiu ao passar o resto da noite com eles, mesmo sendo o que menos bebeu e o que menos falou. Não por causa do grupo de amigos, muito pelo contrário, todos se esforçavam para integrá-lo a conversa e ele participava em alguns momentos, mas seus pensamentos estavam em outro lugar. E em outra pessoa.
Ele tentava disfarçar, mas sempre dava uma olhada na direção do balcão pra certificar de que Rosalie ainda estava lá. Em alguns momentos seus olhos se encontraram, mas ela abaixava a cabeça, encolhia os ombros e continuava fazendo seu serviço.
Mesmo a distância podia perceber que ela parecia envergonhada e chateada, o que estava lhe torturando a noite inteira. Tudo que queria era ir até ela para fazer um pedido desculpa e garantir que ela ficasse bem, mas não podia. Não por uma questão de orgulho, porque fora ensinado por seu pai que pedir desculpas não era um sinal de fraqueza, mas sim de força e honra de assumir um erro e tentar consertá-lo. Ele não podia ir porque se cedesse ao instinto protetor que estava crescendo dentro dele, seria difícil resistir a todos os outros instintos que estavam crescendo junto. Se fosse até Rosalie, iria chamá-la em um lugar privado pra fazer seu pedido de desculpas, então acabaria a puxando para seus braços e lhe beijando seu sentido. Era a isso que não podia ceder, porque ela era casada e fazia questão de lhe lembrar disso.
Aproveitando que teria que encerrar a noite cedo de qualquer maneira, pois na manhã seguinte tinha que trabalhar, Emmett disse que a noite estava ótima, mas precisava ir embora. Passava pouco das duas da manhã quando se despediu de todos e deixou uma nota de vinte dólares na mesa pelas cervejas que bebera, mesmo que Edward insistisse que não precisava, então pediu pra conversar com Bella em particular por um momento.
Bella deu um beijou rápido em Edward e seguiu com Emmett pra fora do bar, foram pra perto do Jeep dele pra que pudessem conversar.
— Eu vou ficar, Emm. — ela avisou.
— Eu sei. — Emmett disse, tirando as chaves do bolso e se virou pra irmã. — É sério que você vai trabalhar aqui?
— Quem te contou?
— Eu tenho uma pergunta melhor, por que você não me contou?
— Eu sou maior de idade, lembra? — Bella riu. — Eu posso tomar minhas próprias decisões.
— Não quero tomar decisões por você, só queria que você tivesse a consideração de me contar. Mas esse não é o ponto, eu... — suspirou. — Bella, você acha que essa é uma boa ideia?
— Eu ia te contar, mas acabei esquecendo hoje à tarde então vim pra cá e acabei esquecendo completamente, me desculpa. Eu preciso de um emprego e aqui eu vou poder fazer o que eu gosto, não é o que você sempre me incentivou a fazer?
— Sim, claro, mas aqui?
— Isso aqui não é só um bar, sabe? Ele funciona como restaurante e grill na maior parte do tempo, o Cullen’s é um ótimo lugar.
— Claro que é, mas... Você está saindo com o Edward, Bella, você sabe o que as pessoas vão pensar.
— Não, eu não sei o que as pessoas vão pensar Emmett. — Bella disse dando um passo para trás, obviamente ofendida. — Por que você não me esclarece o que as pessoas vão pensar?
— Bella, me escuta...
— Não!Se o meu irmão está pensando isso de mim, claro que agora estou preocupada com o que as pessoas vão pensar! Você me conhece!
— Exatamente! Eu conheço você, Bella, as outras pessoas não! Eu me preocupo com você, não quero que você acabe magoada.
— Eu... — ela suspirou e a mão no cabelo. — Eu preciso de um emprego pra sair da sua casa, Emm.
— Você não precisa se apressar Bells, você sabe que eu amo ter você comigo.
— E eu amo ficar com você, mas — ela riu. — eu realmente preciso do meu espaço, tanto quanto você precisa do seu. Eu vou fazer algo que gosto, eu sinto que finalmente tô encontrando meu rumo e isso não é sobre o Edward, é sobre mim. É sobre mim fazendo tudo que sempre quis fazer pela primeira vez na minha vida e eu tô feliz sobre isso.
Apesar dos seus receios, era impossível não sorrir vendo o sorriso de sua irmã e o brilho nos olhos dela.
— Tudo bem. — Emmett suspirou e acabou sorrindo. — Eu só me preocupo com você, mas estou feliz por você estar feliz, eu te amo.
— E eu amo você. — Bella sorriu e abraçou o irmão pela cintura, deitando o rosto em seu peito. — Obrigada por se preocupar comigo.
— Sempre vou me preocupar com você, você é a minha Baby-Sis. — Emmett sussurrou e beijou o alto da cabeça dela. — E falando em preocupação, você está usando camisinha?
— Okaaaaaay. — ela saiu dos braços dele. — Isso já é preocupação demais, vai embora.
— Eu tô falando sério, Isabella, você é nova demais para engravidar, sei que às vezes a afobação sexual pode ser demais, mas não se esqueça do preservativo.
— Ai meu deus, cala a boca. — Bella disse rindo enquanto as bochechas coravam. — Tchau.
Fale com o autor