Notas iniciais
Capítulo novo pra vcs, espero que gostem ♥

No dia seguinte, Edward estava dirigindo seu Volvo no bairro de seus pais.

Seu corpo já tinha se acostumado com sua rotina de dormir tarde e acordar cedo, por isso não teve dificuldade em sair da cama, mesmo tendo ido dormir quase seis horas da manhã, e acordar pouco depois do meio dia – o que ele considerava cedo. Agora era quase uma da tarde e se aproximava da casa de seus pais lentamente.

Aquele era um bairro em que não podia acelerar, era um consenso entre todos os moradores, por ser uma região cheia de crianças. O bairro do subúrbio de Seattle era o clichê do bairro americano de classe média, como um cenário de Desperate Housewives. Casas grandes dos dois lados da rua, jardins à frente, cercas brancas, crianças correndo nas ruas, vizinhos que conversam e se conhecem. Chegava a ser ridículo, porque eles faziam até a parte do levar algum prato de comida ou sobremesa para os novos moradores, como um desejo de boas-vindas ao bairro e as crianças vendiam limonada na porta de casa no verão. E mesmo assim, Edward não podia ter desejado crescer em outro lugar.

Só tinha boas recordações daquele lugar. Como sua mãe ajudando Rosalie a vender limonada no jardim, seu pai lhe ensinando a andar de bicicleta e patins, passar o dia brincando com os amigos. Lembrava-se de ficar o dia todo na rua brincando e quando voltava, sujo e suado, sua mãe lhe obrigava a subir para o banho antes de pensar em comer alguma coisa, nunca conseguiu vencer uma argumentação contra ela – e ainda não conseguia –, então ele ia reclamando.

Ele se lembrava de cada momento, além de ter muitas fotos e vídeos. Uma infância divertida, uma adolescência cheia de descobertas e só se mudou depois de adulto porque achou que precisava experimentar um pouco da liberdade. Rosalie sempre foi a que desejava se mudar e ter seu próprio espaço, por isso se mudou para o apartamento em cima do bar durante a reestruturação do lugar, depois que ela casou, se mudou para o apartamento do marido e ele resolveu experimentar a vida por si mesmo. Não se arrependia disso também, gostava de ter seu espaço, mas sentia falta de seus pais e a vida em família, por isso os visitava com frequência. E não faltava a nenhum almoço de domingo que sua mãe preparava para a família.

Estacionou o carro na frente da casa e desceu, carregando a carteira, o celular e as chaves na mão. Fechou e ativou o alarme do carro. Acenou para a vizinha da frente, que brincava com as duas filhas pequenas, e cumprimentou a vizinha do lado, uma simpática senhora que observava o cachorro correr em círculos no jardim.

A casa em que seus pais moravam tinha sido de seus bisavós, então seus avós e agora eram deles. No futuro a casa passaria para Edward, mas ele preferia não pensar nisso, queria mesmo era outra casa no bairro e assim poderia manter proximidade de seus pais, levar seus filhos para visitar e serem uma grande família feliz.

Rosalie e ele ainda tinham uma cópia da chave da porta, por isso a usou pra entrar sem ter que apertar a campanhinha. Passou pelo vestíbulo da casa e foi para a grande sala principal, decorada em completa harmonia, simplicidade e delicadeza de detalhes por Esme Cullen, uma força da natureza.

A casa era decorada da mesma maneira como era em sua infância, claro, que agora com moveis modernizados, mas nunca perdendo a essência da família Cullen. Era uma típica sala com um grande sofá, um de dois lugares, uma poltrona do papai, uma mesinha de centro, na parede uma porta-retratos da família em diferentes época e momentos, mas não tinha televisão. Esme definia aquela como a sala da família, ali eles tinham que conversar e não ficar assistindo televisão, então a grande televisão da casa ficava na sala de jogos.

— Mãe? Pai? — chamou olhando ao redor. Tirou a jaqueta preta que usava e jogou no sofá.

— Na cozinha, filho. — sua mãe disse.

— Já vou, preciso ir ao banheiro primeiro.

Correu escada acima pra o quarto que ainda tinha na casa, pra usar o banheiro dele. No primeiro andar tinha um pequeno banheiro, para visitas e lavabo, mas ele sempre gostava de visitar seu antigo quarto. E que sua mãe não tinha movido uma peça, apesar de limpar e agora não ter mais seus itens pessoais, apenas as coisas de sua infância e adolescência.

Usou o banheiro rapidamente – toda a cerveja da noite anterior cobrava um preço, precisa sair de alguma maneira –, lavou as mãos e desceu, indo pra cozinha.

Quando se aproximou, já pode ouvir as vozes sua mãe e pai, muito baixas pra entender o que diziam, assim como suas risadinhas. E ao entrar na cozinha viu o motivo – sua mãe estava junto à ilha da cozinha, cortando alguma coisa sobre ela, e seu pai estava atrás, com um braço ao redor de sua cintura e a outro em sua barriga, quase alcançando seu seio, beijava o pescoço dela e isso a fazia soltar as risadinhas.

— Pelo amor de deus! — Edward gritou e virou de costas com os olhos fechados. — Parem com isso!

Esme e Carlisle gargalharam.

— Será que eu posso virar sem ter meus olhos queimados de vez? — disse dramaticamente e se virou com a mão sobre o rosto, espiando entre os dedos antes de abrir os olhos totalmente.

Seu pai ainda estava atrás de sua mãe, mas ao menos tinha abaixado a mão, agora só lhe abraçava.

— Você está em nossa casa, filho. — Carlisle disse sorrindo.

— E vocês sabiam que eu estava aqui. — Edward acusou. — Pai, por favor, sai de trás da mamãe, isso é... Vocês deviam me respeitar mais, eu tô falando sério, às vezes vocês ultrapassam todos os limites.

— Por favor, querido, não seja tão dramático. — Esme sorriu. — Não é como se essa fosse a pior coisa que você tivesse presenciado.

— Isso é verdade. — Carlisle gargalhou. — Teve aquela vez que você...

— Não! — Edward gritou nervosamente, fechou os olhos e tapou os ouvidos com os dedos indicadores. — Lálálálá, eu não tô ouvindo, não tô. Eu passei toda uma vida tentando esquecer essas cenas, não me façam lembrar de novo.

Seus pais riram ainda mais. Sua mãe terminou de picar em cubos o que tinha a sua frente, que ele agora sabia que eram tomates, então virou o conteúdo da tábua de plástico dentro de um refratário onde fazia a salada.

— Você pode pegar o azeite pra mim, querido? — ela perguntou sorrindo a Carlisle.

— Claro. — sorrindo com adoração, Carlisle beijou seus lábios suavemente e foi pegar o azeite.

Edward se sentiu livre pra tirar as mãos dos ouvidos.

— Você devia estar feliz por ter pais tão apaixonados como nós, Edward. — sua mãe disse.

— E eu sou muito feliz por vocês ainda estarem apaixonados, só gostaria que vocês não sentissem necessidade de demonstrar toda essa paixão o tempo todo, na frente de todo mundo, principalmente na minha frente, que sou seu filho.

— Quando você chegar à nossa idade e depois de tantos anos de casamento, vai entender porque é necessário manter a chama da paixão acesa o tempo todo. — Carlisle disse sorrindo. Colocou o azeite na frente de Esme, abraçou sua cintura novamente e beijou seu ombro.

— Além do mais, querido, como você acha que nasceu?

— Não é óbvio? Cegonha. — disse seriamente, fazendo sua mãe gargalhar.

Era bonito ver seus pais juntos. Na verdade, ele amava vê-los interagindo um com o outro. Como seu pai estava sempre disposto a mimar e obedecer a sua mãe, assim como sua mãe estava sempre se derretendo ao toque e palavras de seu pai. Era lindo ver como eles ainda mantinham os olhares apaixonados, sorrisos e paixão do início do amor. Seus pais tinham tudo que ele desejava ter um dia, mas nem isso era suficiente para fazê-lo querer ver certas coisas.

Ele não se importava em ver seus pais dançando juntos, abraçados ou se beijando, agora seu pai atrás de sua mãe com uma mão quase em seu seio e obviamente roçando algo nela, isso era demais.

Além de invocar certas recordações desagradáveis nele. Por sorte não tinha sido na infância ou seria um trauma maior, mas ser na adolescência não ajudava muito. Chegar da escola mais cedo e ir ao quarto de seus pais sem bater não tinha sido uma boa ideia, assim como ir numa noite de sábado em casa silenciosamente achando que eles podiam estar dormindo e ir direto pra cozinha. Aquelas seriam escolhas que ele iria se arrepender pelo resto de sua vida.

Não se importava com as públicas demonstrações de afeto, contanto que elas não o fizessem lembrar que seus pais tinham vida sexual. E uma vida sexual muito ativa.

Tentando fugir daqueles pensamentos, Edward foi à geladeira sub zero procurar algo pra beliscar enquanto esperava o almoço.

— Cadê a Rosalie? Já ligou pra dizer que não vai poder vim? — zombou.

— Edward... — Esme disse com seu tom repreensivo.

— O que? — ele riu, abrindo a geladeira. — Não é isso que ela tem feito nas últimas três semanas?

— Ela passa a noite trabalhando no bar e o Royce trabalha também, não é culpa dela.

— Claro que é culpa dela, ninguém mandou se casar com um idiota. E o Royce trabalha?— gargalhou enquanto pegava uma cerveja. — Mas que... Cerveja light? — devolveu ao lugar e pegou de outra marca. — Cerveja sem álcool? — ele olhou para trás com o cenho franzido. — Precisa conversar comigo sobre alguma coisa, pai?

— Foi sua mãe quem comprou essas. — Carlisle se defendeu.

— Não posso beber cerveja se for ficar com essa barriguinha de chope de vocês e com a álcool é amarga demais. — Esme bufou. — E não fale assim do marido da sua irmã, Edward.

— Pai, a cerveja de um homem é um território sagrado, nenhuma mulher devia invadi-lo, nem mesmo a mamãe, como você pode deixar isso acontecer? Suas bolas se foram junto com a cerveja de verdade?

— Quando você estiver casado vai entender algumas coisas que ainda não sabe, filho.

— Não a cerveja, velho. — agitou a cabeça. — Não a cerveja.

— Eu ainda sou seu pai e posso te dar uma coça, ok?

Edward riu, pegando uma caixa de suco de laranja.

— Na sua idade? Nah, eu acho que não. E o Royce é um idiota mesmo, mãe. — bebeu o suco direto da garrafa.

— Você quer ir resolver isso lá fora? — Carlisle o provocou.

— Carlisle, para com isso. Edward, pega um copo e pare de falar assim do marido da sua irmã.

— Nem você gosta dele, não sei por que está agindo como se fosse alguma Team Royce. — Edward bufou, devolveu a caixa à geladeira e pegou uma garrafa de água, fechando a geladeira novamente.

— Isso não importa, porque ele é marido da sua irmã. Eu amo a Rose, sempre vou respeitar e apoiar as decisões dela contanto que ela esteja feliz.

— Essa é a questão, ela é feliz, mãe?

— É ela quem deve decidir isso. Nós somos a família dela, vamos respeitar e apoiar as decisões dela e amá-la incondicionalmente. E se isso significar aceitar Royce como parte da família, é o que vamos fazer. Hoje é domingo, nosso almoço de família, então vamos ser uma família unida e feliz, vocês me entenderam?

— Por que tá me olhando também? — Carlisle franziu o cenho. — Pensei que o sermão fosse só pro seu filho.

— Como se você gostasse muito do Royce. — Edward ironizou, rindo.

— Bem, não posso ser culpado por achar que a minha garotinha merecia algo melhor.

Esme caminhou pra porta da cozinha e parou olhando para os dois.

— Eu disse, hoje é domingo, nosso almoço de família, então vamos ser uma família unida e feliz. — Esme repetiu pausadamente entre os dentes. — Vocês me entenderam?

— Sim, senhora. — Carlisle e Edward disseram juntos.

— Uma família feliz, vamos, onde estão os sorrisos de vocês? — ela disse apontando para o próprio sorriso, e os dois sorriram. Sorrisos forçados, mas já era um começo. — Pratiquem mais até Rosalie chegar, quero uma família feliz. Aproveitem e coloquem a mesa que eu vou me trocar.

Edward apenas a observou sair da cozinha cantarolando, como se nada tivesse acontecido. Sua mãe era a pessoa mais doce que ele conhecia, mas também era a mais mandona e uma força da natureza. Era difícil acompanhar as mudanças de humor dela.

— Viu? Esse é o tipo de coisa que você entende depois de se casar, às vezes alguns sacrifícios tem que ser feitos para manter o acesso ao quarto. — Carlisle disse com um suspiro. — E tem cerveja com álcool no frigobar da sala de jogos. Meu território continua intacto, apenas com uma pequena recolocação para manter o meu acesso ao quarto. Prioridades, filho. É tudo sobre prioridades.

Com um sorriso vitorioso, Carlisle também saiu da cozinha. Edward encarou a porta por alguns segundos antes de rir. Aquela era sua família. E como amava fazer parte daquela família.

E então percebeu o truque de seu pai.

— Ei! Pode voltando aqui, velho, eu não vou colocar a mesa sozinho!

–

Rosalie Cullen sorriu quando seu marido, Royce King II, estacionou a BMW preta em frente à casa de seus pais. Era bom estar em casa. Estava a quase um ano morando no apartamento de Royce como esposa dele, mas não conseguia considerar aquela sua casa, era como se fosse uma hóspede temporária. A casa de seus pais sentia como um lar de verdade e estava há três semanas sem ir ali por causa de Royce.

Tinham discutido logo pela manhã pra convencê-lo a ir nesse almoço ou iria sozinha, e agora ele estava com uma carranca mal humorada no rosto. Rosalie suspirou olhando para o marido, que ela sempre achou tão deslumbrante com seus cabelos negros até a nuca e cavanhaque.

— Será que você pode tirar essa carranca do rosto? — ela pediu suavemente.

Desligando o carro, Royce lhe encarou por uma fração de segundo antes de dar uma risada sem humor.

— Agora além de me obrigar a vir nisso, você também quer me obrigar a sorrir? Não quer por a porra de uma coleira em mim também?

Rosalie se encolheu para o seu tom ríspido e suspirou novamente.

— Eles são minha família, por favor.

— Eles nem gostam de mim, ‘por favor’ digo eu.

— Não é que eles..

— Por favor, Rosalie. — a interrompeu. — Qualquer um pode perceber que eles não gostam de mim e nem tentam ao menos disfarçar isso, sempre fazendo comentários maldosos, principalmente o seu irmão.

— Eu já falei com a minha mãe e ela me prometeu que ninguém vai falar nada hoje, será apenas um almoço de família amigável, eu te juro.

— E se falarem?

— Nós vamos embora, eu te juro. — garantiu rapidamente. — Não vou deixar ninguém te destratar hoje, meu amor.

— Eu ainda não gosto disso, Rosalie, será que você não entende? — Royce pegou a mão da esposa e segurou entre as dele. — Eu não quero que eles se coloquem entre a gente, nem que você tenha que escolher entre mim e eles, porque eu te amo e não quero te ver sofrer, só queria que eles fizessem o mesmo.

— Eu aprecio a sua consideração, amor, então será que você pode tentar hoje? Por mim? — agitou os cílios. — Por favor?

Royce soltou sua mão e suspirou, então desceu do carro sem falar nada. Rosalie desceu sozinha pelo outro lado.

— Na primeira gracinha, eu vou responder. — Royce avisou.

— Na primeira gracinha, nós vamos embora. — Rosalie garantiu sorrindo.

Depois de bater a porta, Royce deu a volta no carro e foi pra junto da esposa, sorrindo. Ele segurou sua mandíbula e junto seus lábios duramente.

Rosalie engoliu o pequeno gemido de dor, ele estava apertando sua mandíbula um pouco forte e seus lábios tão pressionados que chegava a machucar em seus dentes, mas nada importava a não ser saber que estavam bem, como marido e mulher deviam ser. E não iria falar mais nada, se não tivesse sentindo o cheiro e gosto de vodka na boca dela.

Afastou suas bocas com o cenho franzido.

— Você bebeu?

— Só bêbado pra aguentar sua família. — ele riu com escárnio, mas ela permaneceu séria e incrédula. — Eu tô brincando, vamos.

–

Edward estava no sofá, mexendo no celular, quando sua irmã entrou em casa. Foi natural sorrir ao ver sua irmã – linda num vestido florido, rasteirinha e cabelos soltos, e o melhor, com um sorriso no rosto. Mas, em contrapartida, foi natural também perder o sorriso ao ver seu cunhado logo atrás.

Mas tudo bem, ele respirou fundo, seria bom a pedido por Esme e por Rosalie. Apenas por elas. Deixou o celular no sofá e se levantou.

— Rosie! — disse animado.

Ela veio em sua direção e se abraçaram. Talvez um pouco dramático, se levasse em consideração que tinham ficado juntos a noite inteira e se despedido há poucas horas, mas era assim que viviam, sempre tinham sido muito próximos, principalmente por só terem cinco anos de diferença na idade.

Beijou o rosto da irmã e sorriu pra ela.

— Já estava pensando que não viria novamente. — brincou.

— Estava com saudades da comida da mamãe.

— Ninguém mandou você não aprender a cozinha.

— Cala a boca. — ela bateu em seu braço. — Cadê eles?

— Na cozinha. Anuncia antes de entrar lá.

— Por quê?

— Só acredita em mim e anuncia que está entrando, é a minha dica.

Rosalie riu, mesmo sem entender, e saiu de seus braços pra ir à cozinha.

— Royce. — disse sério e estendeu a mão pra ele.

— Oi cunhadinho. — Royce apertou sua mão com um sorriso debochado. — Nenhum abraço caloroso? Assim você me magoa, cunhadinho.

Edward ignorou a provocação com um sorrisinho de lado e deu as costas ao cunhado, porque tirar aquele sorriso no rosto dele com um soco poderia chatear sua mãe e sua irmã. E exigiu muito de seu autocontrole não voltar quando Royce soltou um riso debochado.

Entrou na cozinha enquanto Rosalie abraçava seu pai, ela sempre seria a garotinha do papai. Já passara pela fase de ter ciúmes dos dois, agora sabia que o pai amava os dois, só sentia prazer em zombar a irmã mesmo e então ouvir seu pai dizer “você vai entender quando tiver uma garotinha”. Edward podia rir, mas estava louco pra ter a chance de entender mesmo.

— Olá Royce. — Esme disse com um sorriso doce no rosto e se aproximou dele para um abraço.

Edward travou sua mandíbula. Podia aguentar as gracinhas e grosserias de Royce, mas no momento que ele destratasse sua mãe, então não daria uma merda por magoar Rosalie, iria socá-lo.

— Sogrinha. — Royce disse sempre debochado e a abraçou de volta por alguns segundos, então a soltou.

— Fico feliz que tenha vindo com a Rose.

— Como perder esses eventos familiares, não é mesmo? E é bom te ver também, sogrinho. — sorriu para Carlisle.

— Faço das palavras da Esme as minhas, Royce, fico feliz que tenha vindo.

— Claro que fica. — Royce sorriu. — Será que eu posso beber alguma coisa? Estou com a garganta seca.

— Pega uma das cervejas da geladeira, pai. — Edward disse irônico.

— Eu pego pra você. — Rosalie se ofereceu e foi pra geladeira, franzindo o cenho ao ver só light ou sem álcool. — O que aconteceu aqui?

Edward gargalhou.

— A mamãe aconteceu.

— Só tem light e sem álcool, Royce. — ela disse hesitante. — Vai querer mesmo assim?

— Mas que porra... Claro que não, deixa pra lá. — bufando, ele saiu da cozinha.

— Um poço de educação, como sempre. — Edward ironizou.

— Não começa. — Rosalie rosnou para o irmão.

— O que? — piscou ao se fazer de inocente.

— Se qualquer um destratar o meu marido, eu vou embora e não volto nunca mais, eu tô falando sério.

— Eu... — Edward suspirou. — Eu sinto muito, ok? Eu não vou falar mais nada.

— Ok. — Rosalie assentiu e começou uma conversa com os pais.

–

Quem tinha colocado a porra de um gongo dentro da sua cabeça? Foi a primeira coisa que Jasper pensou ao abrir os olhos. E fechá-los novamente por causa da claridade do quarto. Sua cabeça latejava numa dor de cabeça infernal, além de estar com sede e vontade de mijar.

Tinha ido embora do bar às quatro e meia, já meio tonto do uísque, disse que ia sozinho pra casa, mas acabou achando uma atraente companhia pra dividir o táxi. E como uma coisa leva a outra, eles acabaram em seu apartamento bebendo mais um pouco. Ou bebendo muito. Até Jasper ficar tão tonto ao ponto de nem conseguir reconhecer direito o rosto da pessoa e ter todo o sexo quente que queria durante a madrugada.

Agora se sentia como merda numa fodida ressaca.

Um braço estava ao redor de sua cintura e, de olhos fechados, seu primeiro instinto foi passar os dedos por ele, acariciando os pelos. Então rosnou um palavrão e ergueu o braço, se arrastando pra fora da cama.

Nem olhou pra trás, nu, ele caminhou paro banheiro. Esvaziou sua bexiga e parou em frente a pia. Seus cabelos desgrenhados, a barba por fazer escurecendo seu rosto e olheiras sob seus olhos. Abriu a torneira e se inclinou pra lavar o rosto.

“De costas”, Jasper disse com a voz arrastada pelo álcool.

“Por quê? Eu quero ver seu rosto”.

“Mas eu não quero ver o seu”, Jasper riu. “Isso é apenas sexo, vamos apenas foder. Só preciso... Tirar isso do meu sistema”.

Fodido patético, ele pensou ao pegar uma toalha pra secar o rosto.

— Fodido. — repetiu em voz alta e riu da irônica escolha de palavras.

Deixava um par de calças e um suéter no banheiro, só os vestiu e saiu do quarto sem olhar pra cama.

Sua empregada, a simpática senhora voluptuosa que era mais como alguém da família do que uma simples empregada, já estava na cozinha da cobertura em que morava preparando o café da manhã.

— Bom dia, Jude. — disse com a voz rouca.

— Bom dia, menino. Nossa senhora, você está horrível, dormiu alguma coisa essa noite?

— Talvez. — Jasper riu. — Eu preciso de um copo de água e a porra de uma aspirina, por favor.

— Só um minuto.

Jude encheu um copo com água gelada e saiu por poucos segundos, voltando com duas aspirinas na mão. Jasper jogou os comprimidos na boca e engoliu com a água.

— Eu... Preciso sair, no quarto, tem...

— Alguém pra eu me livrar? — Jude riu. — Pensei que tivesse parado com a mania de trazer pessoas pra cá.

— Foi... Um erro. — bufou. — Eu vou pro Edward e você pode terminar isso, por favor?

— É uma mulher ou um homem?

Jasper ergueu uma sobrancelha.

— Só pra eu saber o que eu vou ver nu na cama quando entrar no seu quarto.

— Surpresa. — Jasper riu. Ele se aproximou de Jude e beijou sua bochecha rechonchuda. — Você é um anjo.

— Você sabe que eu faço tudo pelo salário. — ela brincou.

— E é por isso que eu te pago tão bem. — a beijou novamente. — Não sei se volto para o almoço, mas pode deixar alguma coisa pronta na geladeira. E até mais tarde.

–

Edward estava na cozinha, rindo com seus pais e irmãs quando o celular tocou. A primeira pessoa em que pensou foi Bella, mas no visor mostrava ser Jasper.

— Diga mano.

— Será que eu posso ir pro seu apartamento?

Edward riu.

— Que? Por quê?

— Hum... Digamos que eu estava um pouco mais bêbado que o normal ontem e trouxe uma pessoa pra casa, e... Jude está aqui, ela pode fazer a pessoa ir embora, mas eu não quero estar aqui na hora, então, você sabe...

— Eu sempre te disse pra parar de levar mulheres pro seu apartamento, Jasper.

Edward olhou ao redor, vendo seus pais rindo e Rosalie agitando a cabeça, conheciam bem a Jasper. Deixou-os na cozinha e foi pra sala.

— E eu parei. Foi apenas uma... Recaída... Porra, eu posso ir ou não?

—Você sempre vai sem pedir, por que resolveu pedir agora?

— Porque você não tá em casa e pareceu certo.

— Você ainda tá bêbado, Jas?

— Talvez.

— Pega um táxi e pode ir, você tem a chave. Táxi, você me entendeu?

— Adoro quando você fala assim todo macho alfa comigo, sabe. — Jasper pareceu ronronar.

Edward gargalhou.

— Vai se foder, Jasper.

— Isso é um convite?

— Nem nos teus sonhos. Fique a vontade lá em casa, nos vemos mais tarde.

— Não tenha tanta certeza disso, cara. E até.

Rindo, Edward guardou o celular no bolso e viu Royce lhe encarando do sofá, com um sorriso no rosto.

— O que?

— Nada. Só é bonitinho assistir como você fica feliz falando com o seu... Amiguinho. — Royce disse debochado.

— Pois é. — disse, enquanto dizia a si mesmo “não caia na provocação dele”.

— E então, será que você tem alguma bebida de verdade nessa casa ou só aquelas de marica? Você sabe, alguma pessoas, tipo o seu amiguinho, como é o nome dele mesmo? Jasper? Que seja. Esse tipo de homem pode gostar desse tipo de cerveja, mas homens de verdade precisam de cerveja de verdade, acho que você me entende, certo, parceiro?

— Royce, Royce... — Edward suspirou. — Primeiro, eu não sou seu parceiro. Segundo, eu entendi o que você quis sugerir com a sua frase, mas não vou cair na sua provocação e estragar o almoço, mas só por causa da minha mãe e minha irmã. Mas esse você continuar a falar do Jasper, assim que esse almoço acabar e você passar por aquela porta, meu punho vai acertar tua boca tão rápido que você nem vai saber de onde veio o golpe.

Royce se levantou e se aproximou de Edward com o queixo erguido, apesar de ser poucos centímetros menor que ele, numa pose arrogante.

— Isso é uma ameaça, cunhadinho?

— Não, é um aviso... Cunhadinho. — cuspiu a última palavra.

E eles ficaram se encarando até Rosalie entrar na sala.

— Está tudo bem?

— Claro, amor, por que não estaria? — Royce sorriu para a esposa. — Estamos apenas tendo uma conversa de homens, certo, cunhadinho?

— Claro. — Edward sorriu também, apesar de conseguir fingir menos que Royce, então deixou os dois na sala.

Subia as escadas tentando se controlar. O que sempre lhe fodia a cabeça era tentar entender o que diabo Rosalie tinha visto naquele pedaço de bosta dissimulado quando era tão óbvio que ele era um pedaço de bosta.

Entrou em seu quarto da infância tirando o celular do bolso. Era seu próprio celular dessa vez, cheio de mensagens no whatsapp que ele não tinha a mínima vontade de responder, a não a da primeira conversa. Bella.

Edward: Hey. Tudo bem?

Queria a resposta na mesma hora, mas talvez ela não tivesse com o celular por perto. Devia parar de perturbá-la e...

Seus pensamentos foram interrompidos com o celular vibrando, nem hesitou em abrir a conversa.

Bella: Hey! Tudo ótimo e com você?

Ela parecia animada. Por que ela parecia tão animada? Com quem devia estar? Edward agitou a cabeça e digitou.

Edward: Tudo bem. Por que tão animada?

Bella: Por que não estaria animada?

Edward: Talvez por que não passamos a noite juntos?

Bella: Hum... Você não é assim tão importante.

Edward: Ouch.

Bella: Hahahaha. Eu só te uso pra sexo, lembra? E eu gozei ontem.

Divido entre sentir alguma mágoa por ela nem tentar disfarçar que o que tinham era apenas sexo – ou ela estaria brincando? – e a excitação das lembranças, ele deixou que a onda de excitação que percorreu seu corpo ao se lembrar de quão lindamente ela tinha gozado em sua boca o dominasse, ofuscando qualquer outra coisa. Sim, ele se lembrava. Lembrava o quanto ela ficara cremosa em sua boca, seu gosto, seu cheiro, os ruídos que fazia enquanto se desfazia de prazer. Claro que ele se lembrava.

E lembrava também de passar a noite com uma ereção apertada em suas calças, que depois se transformou uma semiereção persistente e endureceu novamente durante o banho – e que só se foi completamente depois de gozar três vezes no chuveiro, enquanto se masturbava.

Mas podia deixar essas lembranças pra trás e se focar apenas na dela gozando.

Edward: Claro que eu me lembro.

Edward: Assim como eu me lembro de que você está me devendo algo.

Bella: Estou te devendo, é?

Edward: Digamos que eu tive... Algum trabalho... Pra me livrar do maldito pau duro que você deixou ontem à noite. E vou cobrar cada pedaço dessa dívida hoje.

Bella: Hum... Mal posso esperar por isso :)

Bella: Então, como está indo o almoço com a sua família?

Edward: Tirando o fato de que ainda não almocei e que meu cunhado está aqui, está tudo ótimo.

Bella: Ainda não conheci seu cunhado, mas pelo jeito que você e Jasper falam... Ele é assim tão ruim mesmo ou só ciúmes de irmão mais velho mesmo?

Edward: Antes fosse. Ele é um babaca realmente e só a Rosalie não percebe isso.

Edward: Ele já chegou me provocando, mas prometi pra minha mãe que não faria nada pra estragar o almoço em família.

Bella: Então você tem que cumprir. Pensa que não é por ele, é pela sua mãe e sua irmã.

Edward: É só o que eu tô pensando. Sabe, seria mais fácil se você estivesse aqui comigo.

Bella: Não, não seria. Se ele é assim tão ruim quanto diz, aposto que me usaria pra te provocar.

Edward: É... Talvez. Droga.

Bella: Teremos uma noite inteira, não se preocupe.

Edward: Droga (novamente). Agora quero que o tempo passe mais rápido.

Bella: Hahahaha.

Edward: E você, o que está fazendo?

Bella: Nada. Estou passando um tempo com o meu irmão. Almoçamos juntos e agora estamos testando uma nova receita de biscoito caseiro.

Edward: Trás um pouco pra mim.

Bella: Só se ficar bom.

Edward: Dona Esme está gritando, hora do almoço e ela é bem rígida sobre celular a mesa, falo com você mais tarde.

Bella: Ok. Bom almoço.

Edward: Boa sorte com os biscoitos.

Sorrindo, ele guardou o celular no bolso. Falar com Bella realmente tinha ajudado a melhorar seu humor, agora estava com o humor menos assassino e mais ansioso para o ‘uma noite inteira’.

Esme tinha arrumado a mesa de seis lugares da sala de jantar lindamente. Estava farta e colorida com todas as comidas que ela tinha preparado, além de cheirar maravilhosamente bem.

Seus pais já estavam nas pontas da mesa, Royce e Rosalie juntos em um dos lados, então Edward sentou do outro, de frente para a irmã.

— Obrigada pela comida, mãe, parece estar incrível. — Rosalie agradeceu sorrindo, enquanto se servia.

— Você devia comer antes de elogiar, pode ser que hoje sua mãe tenha errado e feito uma comida ruim, tipo a do barzinho do seu irmão. — Royce debochou.

— Royce! — Rosalie o repreendeu, horrorizada. E o marido apenas riu.

— Ele sabe que estou apenas brincando, não sabe, cunhadinho?

— Claro. — Edward disse entredentes, então forçou um sorriso tão debochado quanto o do cunhado. — Mas é compreensível que você não goste da comida do meu bar, quer dizer, ainda não estamos servindo ração, né?

Os outros três na mesa apenas os encararam receosos de que começasse uma discussão, mas então Royce gargalhou.

— Viu amor? Só um pouco de provocação entre cunhados.

— Tudo bem, mas agora é melhor comermos antes que a comida esfrie. — Esme disse apaziguadora.

O único barulho que se escutou nos próximos minutos foram o dos talhares enquanto eles se serviam e alguns pedidos ocasionais de “passa a batata” ou “passa a salada”.

— Então... — Esme começou, tentando quebrar o silêncio constrangedor. — Royce, como vai o seu trabalho?

— Você trabalha? — Edward perguntou com surpresa na voz. E recebeu um olhar repreensivo de Esme e Rosalie. Em sua defesa, o comentário tinha simplesmente escapado.

— Nem todos tem a sorte de herdar o negócio da família. — Royce sorriu. — Mas eu faço uma coisa aqui, outra ali, está dando pra viver, certo, Rose?

— Claro, amor. — Rosalie sorriu com um suspiro.

Por que será que Edward não acreditava muito na irmã? Mas antes que pudesse falar alguma coisa, ela disse:

— Então, Edward, como está Bella?

Tudo bem, ela era boa em mudar de assunto.

— Hum, quem é Bella? — Esme perguntou mal disfarçando a própria animação e curiosidade.

E foi por isso que Rosalie tinha usado Bella pra mudar de assunto, agora ele seria o assunto principal do almoço. Lançou um olhar de “muito obrigado” pra irmã e ela apenas deu ombro, escondendo o sorriso divertido levando uma garfada de comida à boca.

— Ela está bem. — Edward disse e encheu a boca de batata.

— Quem é Bella, querido? — Esme insistiu.

— Ela é uma garota que o Edward está saindo. — Rosalie disse divertida.

— Oh, você está saindo com alguém? Por que eu ainda não conheço essa garota?

— Porque não é nada sério, mãe, ela é só uma... Amiga. E ela vai trabalhar no restaurante do bar.

— Tá, dessa parte eu não sabia. — Rose franziu o cenho. — Fazendo que?

—Tendo que dar um emprego à mulher pra entrar em suas calças, cunhado? — Royce debochou.

Edward abriu a boca pra responder, mas a fechou e respirou fundo. Esperou que Rosalie dissesse alguma coisa, mas ela manteve os olhos no próprio prato, então ele sorriu para o cunhado.

— Eu não preciso disso, Royce. — e olhou pra irmã. — E Bella é uma ótima confeiteira, ela faz sobremesas espetaculares, acho que o restaurante está precisando disso.

— Então segunda vamos conhecê-la? — Carlisle perguntou sorrindo.

— Talvez. Se vocês prometerem se comportar.

— E quando a gente não se comporta? — rebateu, fazendo o filho rir ao fingir estar ofendido.

— E o seu amiguinho Jasper já experimentou a sobremesa dela também, Edward? — Royce perguntou malicioso com óbvio duplo sentido em sua frase.

— Escuta aqui...

— Edward! — Esme o interrompeu. — Edward?

— Sim, mãe?

— Nós vamos nos comportar, querido. — ela disse com um sorriso carinhoso.

Mesmo que o sorriso vitorioso de Royce, Edward relaxou novamente. Não por ele, nem por Rosalie – que ele nem estava reconhecendo –, mas por sua mãe.

Notas finais
Tô apressada hoje, vim só postar mesmo então sem notas finais gigantescas. Compenso respondendo os reviews e na do próximo capítulo, onde vou explicar todas as dúvidas de vcs, prometo. Espero que vcs continuem aparecendo e comentando, pfvr. E até o próximo, bjsbjs s22