You & Me
6 Km :: 05
Notas iniciais
Ainda rindo, Edward colocou o celular na cama e foi para o banheiro rapidamente. Estava curioso demais pra demorar a fazer qualquer coisa, então tomou um banho rápido, mas cuidadoso suficiente para limpar todos os resquícios do sexo anterior e vestiu uma samba canção, secou o cabelo esfregando uma toalha nele e deixou a toalha sobre seu ombro. Voltou ao quarto e pegou o celular da Bella novamente.
Clicou para ver de quem eram as ligações perdidas. 32 ligações perdidas de Big-Bro, 5 ligações perdidas de Jake.
Ok, então "Big-Bro" devia ser o irmão mais velho preocupado com ela, mas e o Jake? Onde tinha escutado esse nome? Jake, Jake, Jake... Ah sim, ele lembrou, Jake era o ex-noivo. Por que ele estaria ligando pra ela durante a madrugada?
Ele foi pra cozinha mexendo no aparelho. Clicou para abrir as mensagens. Por um segundo se sentiu culpado por invadir a privacidade dela, mas que culpa tinha se ela deixara o celular em sua casa e levado o dele? Então continuou vendo as mensagens.
As atuais eram todas de seu irmão, Big-Bro.
'Onde você está?'
'Bella?'
'Se importa em atender ao telefone?'
'Atende esse telefone ou responde minha mensagem'
'Sua caminhoneira maldita!'
'Mas que droga, Isabella, atende essa droga!'
'Isabella???'
'Espero que você tenha uma ótima explicação pra me dar'
'Porra, Bella, eu tô ficando realmente preocupado'
'Espero que ao menos o motivo da minha preocupação seja que você está fazendo o melhor sexo da sua vida e tirando as teias de aranha da sua amiguinha'
'Merda, Isabella, o que eu falei sobre me ligar?'
'Você está muito encrencada, mocinha'
'Isabella!!!'
Edward estava rindo das mensagens. Era bonito ver a preocupação que ele tinha pela irmã e muito engraçada a maneira que ele a expressava, parecia alguém interessante de conhecer. Queria conhecê-lo.
Não sabia nem se iria reencontrar Bella, quem dirá conhecer o irmão dela. Digitou o número do próprio celular e discou, pra ver se conseguia falar com ela.
"Esse número se encontra desligado ou temporariamente fora de serviço", a voz da gravação disse.
Deixou o celular no balcão da cozinha, ia continuar vendo as mensagens assim que tomasse seu café da manhã.
. . .
Bella entrou no loft o mais silenciosamente possível, como uma adolescente chegando em casa de madrugada escondida dos pais, ela andou na ponta dos pés e fechou a porta lentamente pra não fazer barulho, por não saber se Emmett estava em casa dormindo ou não.
— Você tem alguma ideia do quanto eu estava preocupado com você?
Ela saltou ao escutar a voz dura do irmão, se virou e ele estava parado no meio da sala. Usando as roupas que tinha saído à noite, jeans e uma simples camisa azul marinho com gola em V.
— Que susto, Emmett. — suspirou. Foi para o sofá, jogou sua bolsa nele e largou os sapatos no chão.
— Eu te assustei? — ele ironizou com um sorrisinho, mas logo seu sorriso se transformou numa carranca. — Porra, você me assustou, Isabella! Eu te liguei e mandei mensagem, mas não tive nenhuma resposta sua, que porra eu falei sobre me ligar se você fosse dormir fora?!
— Emmett, calma, eu só me esqueci, eu tô bem.
— Mas eu não sabia que você estava bem, Isabella! Eu pensei que tivesse acontecido alguma merda com você! Eu não conseguia pensar em mais nada a não ser no que podia ter acontecido com a minha irmã mais nova!
— Eu... — Bella suspirou. Não estava gostando de como ele estava gritando, como se mandasse nela, mas entendia e apreciava sua preocupação, então resolveu não discutir. — Eu sinto muito, está bem? Eu me esqueci.
— Eu liguei até pro Jacob no meio da madrugada preocupado com o seu sumiço, pensando que talvez estivessem tendo um revival.
— Você ligou pro Jacob? Droga, Emmett! — passou a mão no cabelo. Não sabia como Jake teria reagido a isso, mas não queria que ele ficasse magoado de qualquer maneira por ela estar saindo e ficado a madrugada toda fora de casa, curtindo sua nova solteirice.
— Você devia ter me ligado!
— Me desculpa, está bem? Eu esqueci completamente e agora vi que meu celular está descarregado.
— Descarregado? Eu acabei de te ligar, ele está tocando.
— O que? — Bella franziu o cenho, pegou a bolsa no sofá e o celular dentro dela. Estava desligado. — Viu ele está... Oh merda.
Percebeu um arranhão na tela do aparelho. Seu celular não tinha aquele arranhão. Merda.
— Onde você estava Isabella?
— Agora não, Emmett.
Ela se apressou para pegar o carregador que estava na mesinha de centro e o conectou em uma tomada na parede atrás do sofá, deixando o aparelho sobre o encosto.
— Bella!
— Eu estava curtindo minha liberdade, Emmett. Eu fui a um bar, conheci algumas pessoas, bebi um pouco e conheci um cara.
— Então você passou a noite com ele?
— Eu... — parou enquanto corava.
Emmett gargalhou.
— Minha irmã se tornando uma adepta ao sexo sem compromisso, oh Deus, que orgulho. — colocou uma mão sobre o peito e fingiu secar uma lágrima imaginária com a outra.
Bella riu e revirou os olhos.
— Vou tomar banho, será que você pode fazer o café da manhã? Estou morrendo de fome.
— Eu não tive nenhum sexo por sua causa, você não merece que eu faça nada por você hoje.
— Por minha culpa? — ela parou no meio da escada, olhando incrédula para o irmão. — Eu não te impedi de fazer nada.
— E você acha que eu podia ter alguma ereção quando tudo que eu conseguia pensar era na minha preocupação com a minha irmãzinha? Isso seria doentio.
— Ugh, informação demais. — com uma careta de nojo, ela continuou subindo as escadas e foi para o banheiro, deixando o irmão rindo na sala.
Com a ducha no máximo e uma água morna quase fria, ela tomou um banho lento e minucioso. De olhos fechados, ela se lembrou de cada toque de Edward em seu corpo. Estava sensível em cada centímetro, mas adorava a sensação. Só no banho percebeu a marca de chupão que ele tinha deixado sobre seu mamilo direito e na parte interna de suas coxas, mas sorriu, não podia ficar com raiva, porque com certeza tinha deixado marca de chupões e arranhões nele também.
Saiu do box, se secou e vestiu um dos roupões atoalhado branco de Emmett e uma toalha em seu cabelo. Escovou os dentes rapidamente e desceu.
Pegou o celular e agora, conectado a tomada, ele finalmente ligou. E aquele definitivamente não era seu celular. Merda.
— Pra quem não queria complicações, você sabe bem como complicar as coisas, Isabella. — murmurou.
— Que? Falou comigo? — Emmett perguntou da cozinha, estava fazendo alguma coisa que cheirava muito bem.
— Não, tô falando sozinha. Tá fazendo panqueca?
— As grandes panquecas do Emm! — ele disse orgulhosamente.
Bella sorriu. Seu irmão podia não ser um grande cozinheiro, mas tinha as melhores panquecas doces do mundo, que tinha aprendido com seu pai.
No visor do celular mostrava 2 ligações perdidas, número desconhecido. Ela clicou e viu que era seu próprio celular. Edward tinha percebido a bagunça que ela tinha feito.
Respirando fundo, clicou para retornar a ligação. Quatro toques antes que alguém atendesse.
— Oi estranha. — Edward disse divertidamente.
Bella riu.
— Na próxima vez que for fugir, lembre-se de levar o celular certo.
— Não estava fugindo, eu estava só...
— Fugindo? — ele sugeriu.
— Talvez. — Bella riu, agradecendo por ele não pode ver seu rosto corado.
— Por quê? Eu fui tão ruim assim?
— O que? Não! Só...
— Eu estou brincando, Bella, relaxa. — ele riu. — E diria pra você dizer a mesma coisa ao Emmett, ele é seu irmão, certo?
— É, mas como você... As minhas mensagens? Você leu minhas mensagens?!
Edward riu novamente.
— Você não leu as minhas?
— Claro que não. Seu celular estava descarregado, acabou de ligar. E de qualquer maneira, eu não iria ler porque isso é invasão de privacidade. Para de ler minhas mensagens.
— Tá bom, elas são chatas de qualquer maneira. Ah, e o Jacob quer saber se você está bem e que você ligue pra ele. Aliás, Jacob é o Jake certo? Seu ex-noivo?
— O que? Para de ler, Edward!
— Ok, ok. — ele riu. — Venha me encontrar e devolver meu celular.
— Tá, eu posso ir agora?
— Não, tenho trabalho a fazer.
— Mas é sábado.
— E eu tenho um bar, ele fica mais agitado nos fins de semana. De qualquer maneira, você fez essa confusão, não podia esperar que eu alterasse toda a minha rotina pra consertá-la.
— Tudo bem, quando?
— Hoje à noite, vamos jantar juntos.
— Edward...
— Um jantar. Você tomou liberdade com meu corpo e foi embora sem nem ao menos se despedir, deixou apenas um bilhete e levou meu celular, você realmente me deve ao menos um jantar.
— Como se você não tivesse aproveitado a noite também. — Bella riu. — Tudo bem, em que restaurante vamos?
— Restaurante? Pelo amor de Deus, mulher, eu sou dono de um, não posso dar lucro a concorrência, nós vamos jantar aqui em casa mesmo.
Bella riu.
— Você ao menos sabe cozinhar?
— Assim você me ofende, Coisa Quente. Espere e verá.
— Tudo bem, eu vou levar um sal de fruta de qualquer maneira. — brincou e o escutou rir do outro lado. — E eu levo a sobremesa.
— Feito, então nos vemos a nove, ok?
— Ok.
— Ah, e muito obrigado pela calcinha, é uma ótima recordação. — pode sentir o sorriso em sua voz, então ele desligou.
Encarou o celular por alguns segundos e riu. Deixou o celular carregando sobre o sofá e foi rindo pra cozinha.
— Então, quem era? — Emmett perguntou fingindo não estar interessado, mas ela conhecia o irmão bem suficiente pra saber que ele estava se roendo de curiosidade.
— Hum... Alguém. — ela deu ombros. — Panqueca, panqueca, panqueca. Cadê o xarope de bordo?
— E esse alguém tem nome? — ele insistiu enquanto colocava mais panquecas aberta no prato já cheio, fazendo uma pequena torre de panqueca.
— Claro que sim, que tipo de pessoa não tem nome? — brincou indo pegar o xarope de bordô, a calda pras panquecas.
— Isabella...
— O que? — ela riu. — Faz a pergunta sem rodeios, Emmett.
— Era o cara com quem você passou a noite?
— Viu? Não foi tão difícil. — Bella continuou rindo. Depois de pegar o xarope na geladeira, pegou um prato, garfo e faca, voltando pra sentar no banco alto junto ao balcão. — Sim, era. É que a gente meio que... Trocou os telefones.
— Que? Você não disse que queria algo sem compromisso? Por que então não passou o número errado? Vamos lá, Isabella, esse é um truque básico. — Emmett disse rindo. Deixou a panela na pia, desligou o fogo e pegou um prato também.
— Não, Emmett, você não entendeu, a gente... Literalmente trocou os telefones. — Bella riu. — A gente passou a noite no apartamento dele e foi... Ótimo....
— Tá, sem detalhes gráficos, por favor.
— Eu não ia te dar nenhum detalhe, eca. A questão é... A gente se despiu empolgadamente, as nossas coisas ficaram em um montinho e, bem, eu acordei primeiro e saí da cama sem que ele escutasse, mas na hora de ir embora acabei pegando o celular errado, peguei o celular dele.
Bella esperou alguma piadinha dele, mas Emmett ficou calado, como se esperasse que ela dissesse estar brincando. Ele esperou por alguns segundos e então soltou uma grande gargalhada.
— Ai Bella... — tentou falar, mas voltou a rir e urrar de tanto rir.
— Tá, tá, pode rir, é engraçado. — Bella bufou e espetou três panquecas com o garfo ao mesmo tempo. Empurrou para o prato com a faca e encharcou com a calda, cortando um grande pedaço e enchendo a boca com ele. Mastigando, ela falou: — Hum... Pega leite pra mim?
Emmett foi pra geladeira ainda rindo, pegou a garrafa de leite e colocou na frente dela, então dois copos.
— Ai... — ele respirou fundo. — Só você pra me fazer rir tanto nessa hora da manhã. Eu te juro, você é oficialmente a pior no mundo do sexo casual, Isabella. Como seu irmão, eu fico muito feliz com isso, mas como homem, porra Bella!
Bella bufou e foi difícil até pra ela segurar a risada, acabou rindo.
— Eu sei, eu sei.
— Tá, mas ao menos valeu a pena?
E a risada dela se transformou num sorriso ao se lembrar da noite. Se tinha valido a pena? Tinha visto as faíscas voar a cada toque, tinha valido a pena e muito mais.
— É disso que eu tô falando, meu povo! — Emmett disse exageradamente batendo palmas.
— O que? — Bella riu. — Eu não disse nada.
— E nem precisa, por favor, você é minha irmãzinha e não quero saber detalhes da sua vida sexual, mas o seu sorriso é o suficiente, é a maior prova que você teve a melhor noite da sua vida.
— Como você sabe?
— É o sorriso que todas as mulheres que saem comigo ficam. — Emmett disse com um enorme sorriso malicioso, contrastando com as adoráveis covinhas de suas bochechas.
Bella gargalhou jogando a cabeça para trás.
— Deus, você é tão modesto que chega a me emocionar.
— Eu sou modesto. — ele se defendeu. — Tipo, me pergunta se eu sou o melhor na cama? Eu sei que não, no meio desses bilhões de pessoas deve existir alguém melhor, mas eu também sou realista suficiente pra saber que estou no top dez, provavelmente no top cinco.
— Sim, você é um exemplo de modéstia e realismo. — Bella disse rindo.
— Eu sei. — ele assentiu com naturalidade e encheu a boca de panqueca. — Então, você vai se encontrar com ele?
— Vou, a gente vai jantar pra trocar os celulares. — colocou um pedaço pequeno de panqueca na boca.
Emmett fez esforço pra rir de boca fechada, enquanto ainda mastigava.
— Você é realmente a pior. — zombou após engolir. — Está bem, você quer que eu vá com você? Assim você só pega o seu celular e vai embora.
— Hum... Não, está tudo bem, acho que vai ser... Interessante.
Ela tentou fingir desinteresse, olhando para o próprio prato. Espetou um pedaço de panqueca no garfo, deslizou no fundo do prato pra encher de calda e levou a boca, sendo analisada por Emmett.
— Porra, você quer transar com ele de novo!
— Eu... — Bella parou, não conseguia mentir e sentiu o rosto esquentar.
— Corou, culpada. — Emmett gargalhou.
— Pode ser que aconteça, sei lá, eu não estou indo com expectativas. — tentou colocar o máximo de desinteresse em sua voz.
— Contanto que esteja indo com camisinha, quem precisa de expectativa?
— Você é um idiota, cara. Além do mais, ele tinha camisinha. — disse com petulância e tomou um gole de leite.
— Isso é bom, ele já ganhou pontos comigo. Só... Toma cuidado, ok?
— Ele não é perigoso, Emm, ele é um cara legal.
— Não é perigo físico que eu tô falando, Bells, eu sei que você não se envolveria com um idiota agressor de mulheres ou qualquer merda do tipo, eu tô falando de um perigo mais... Emocional. Sei que você está numa fase mais... Liberal, mas você continua a mesma de sempre, aquela que, por não ser convidada pelo Cole Makena pra ir ao baile, chorou uma noite toda tomando sorvete e comendo pizza comigo e o papai enquanto nos forçava a assistir Dirty Dance, lembra?
Bella riu, ela se lembrava disso. Tinha dezessete anos na época e era o baile do ensino médio. Cole Makena era seu melhor amigo de infância e tinha uma paixonite por ele, tinham conversado sobre o baile durante semanas e isso a fizera criar esperanças de receber um convite para ser seu par, então ele acabou convidado Lauren Campbell, uma menina que Bella não suportava. Tinha recebido convite de outros meninos, mas como queria Cole, fingiu estar com infecção estomacal e ficou em casa chorando sua decepção. Charlie lhe deu colo durante toda a noite, dizendo que era sua primeira decepção e que Cole era um idiota por não ver o quão especial ela era. Emmett ia ao baile com alguns amigos apenas para se divertir, mas ficou em casa tentando animá-la também. Tomaram sorvete, pediram pizza e assistiram Dirty Dance, a escolha de Bella. Foi uma das melhores noites de sua vida. Nem se tivesse ido ao baile com Cole e ganhado seu primeiro beijo naquela noite iria se comparar a noite que tinha passado com seu pai e irmão.
E se quiserem saber, ela hoje em dia mantinha uma amizade com Cole, mesmo que apenas por e-mail porque ele morava no Canadá... Com o companheiro. Tinha sido ótimo para seu ego saber que logo depois do ensino médio ele saíra do armário e hoje em dia era casado com Dave Campbell, irmão de Lauren que tinha conhecido na noite do baile. Bella sempre ria ao se lembrar desse detalhe (toma Lauren!).
— Eu sei que sou a mesma, mas não sou tão frágil assim.
— Sei que não, mas se você passar muito tempo com ele pode acabar se apegando e se machucando, eu não quero isso, Bells.
— Pode deixar irmãozão, meu coração não está em jogo, eu tenho todos os meus limites e expectativas bem claras, nada mais do que diversão. — sorriu divertida.
Emmett suspirou.
— Tudo bem, eu espero que saiba o que está fazendo. De qualquer maneira, estou orgulhoso de você, Bells.
— Por quê? Por não me dar ao respeito e transar com estranhos? — ela brincou rindo.
— Claro que não! Que tipo de irmão mais velho eu seria se estivesse? — ele disse com falso horror, então riu. — Estou orgulhoso por você ser... Você.
Bella franziu o cenho, mas não falou nada por estar com a boca muito cheia de panqueca. Mas Emmett entendeu sua pergunta silenciosa.
— Você tomou o próprio destino nas mãos, está indo atrás do que quer sem ter vergonha disso. Você está respeitando seus desejos e vontades, esse é o único respeito que você e qualquer outra mulher precisam dar a si mesmo. Você se tornou uma mulher forte, segura e decidida, isso me faz muito orgulhoso de você. E eu tenho certeza que o papai também estaria.
Ele olhava nos olhos com tanto amor e admiração que fez o coração dela se apertar ao redor de todo amor que sentia por ele. Logo seus olhos estavam marejados e ela respirou fundo pra não chorar.
— Obigada, Big-Bro.
Emmett mostrou um doce sorriso com suas covinhas, então franziu o cenho e pareceu horrorizado.
— Eu não acredito que estou incentivando minha irmãzinha a transar com estranho, Deus, eu preciso de uma bebida. — bufou, agitando a cabeça. Bella gargalhou jogando a cabeça para trás, aquele era seu irmãozão.
. . .
Depois de tomar café com o irmão, ainda de roupão, Bella se jogou no sofá – enquanto Emmett saía mexendo no celular, dizendo ir tirar o atraso; ela sabia o que ele ia fazer, mas preferia se fingir de inocente – e acabou adormecendo.
Acordou novamente na hora do almoço, confusa por trocar a noite pelo dia, desnorteada, sem saber que hora ou dia era. Ela se sentou bocejando e coçando os olhos, dando uma olhada ao redor do loft silencioso. Sobre o braço do sofá estava seu celular, carregando na tomada da parede, ela o pegou.
Mostrava ter mensagem no whatsapp, um aplicativo de mensagens instantâneas.
Abriu, franzindo o cenho para a quantidade de nomes desconhecidos. E a primeira era uma mensagem de número de desconhecido, porém familiar.
'Número desconhecido: Qual a senha pra ver suas fotos?'
Ficou confusa por um instante até se lembrar do que tinha acontecido. Edward. Sexo. Troca de celulares.
Ás vezes você pode ser bem idiota, disse a si mesma. E acabou rindo. Não do que tinha dito a si mesma, mas pela cara de pau de Edward em pedir a senha para mexer em suas fotos. Rapidamente salvou o próprio número na agenda.
Bella: Para de mexer no meu celular, garoto!
Edward: Tá.
Edward: Mas o Cole pediu pra avisar que eles conseguiram uma barriga de aluguel e te liga depois. E o Eric te perguntou se agora que você está solteira vão ter aquele prometido encontro.
Edward: Devo ter ciúmes?
Bella riu, ele era muito descarado mesmo.
Bella: Ele era um porco nojento do meu antigo emprego, não deve. E, de qualquer maneira, por que teria?
Edward: Sei lá, pulamos várias fases aqui, já estamos no nível de relacionamento de um olhar as mensagens do outro, isso me parece sério.
Bella: Você é sempre assim tão bobo?
Edward: Não, só com mulheres lindas.
Bella mordeu o lábio inferior, corando. E mandou um emoticon envergonhado com as bochechas coradas.
Edward: Posso te imaginar perfeitamente com as bochechas corada, tão linda.
Edward: Então, podemos trocar fotos nuas agora?
Bella gargalhou e mandou risada pra ele.
Bella: Não. Vou ver suas mensagens agora também.
Ela voltou para as outras mensagens e não era surpreendente que a maioria fosse de mulheres. Tinham seis mensagens de mulheres ainda não abertas e ela fez questão de abrir. Todas as mulheres perguntavam quando teriam um segundo encontro ou quando poderiam se encontrar. Saiu e foi para as outras conversas, vendo o histórico. Além das conversas sensuais, as mulheres mandavam fotos pra ele. Edward nunca mandou fotos próprias, mas as mulheres mandavam diferentes tipos de fotos – mostrando apenas os seios, traseiros, lingerie, nuas, fazendo posições sexuais, algumas que ela teve que virar a cabeça, pra entender como erguiam a perna daquela maneira, e ter certeza de que era amadora e não de uma atriz pornô.
Voltou à conversa com o Edward.
Bella: Isso parece mais conto erótico do que outra coisa.
Bella: A gente nunca poderia ter um relacionamento, você é um pervertido!
Edward: Você bem que gostou das minhas perversões ontem, não? (6)
Edward: Além do mais, você não pode me culpar pelos meus pecados antes de você.
Bella: Tá.
Edward: Você é ciumenta?
Bella: Sou!
Edward: :)
Bella hesitou sem saber o que aquele sorrisinho significava. Achava aquele emoticon tão irônico. Era só olhar para ele e dar uma analisada, é impossível ser um sorriso sincero. O sorriso de alguém escondendo tristeza, dor ou sendo irônico, não sendo sinceramente feliz.
O que podia fazer? Era ciumenta. Não do tipo vou cheirar suas roupas e te ligar a cada cinco minutos, se achava o tipo normal de ciumenta, do que tipo que jamais deixaria o namorado ter aquele tipo de conversa com outras mulheres.
Mas era o tipo de sentimento que devia ter para alguém com quem estivesse num relacionamento, não com quem tivesse tido apenas uma noite de sexo.
Com esse lembrete, ela digitou rapidamente:
Bella: Vou ao supermercado comprar as coisas para fazer a nossa sobremesa.
Depois de enviar, ela deixou o celular ali e pegou uma roupa em sua mala rapidamente. Colocou um curto short jeans branco, um sutiã e uma blusa simples da Adidas, aproveitando o sol que estava lá fora, prendeu o cabelo em um alto rabo de cavalo, calçou um all star preto sem meia. Colocou no bolso o cartão de crédito com que pagaria as compras e tirou o celular da tomada.
Edward: O que você vai fazer?
Bella: Surpresa.
Edward: Envolve você nua?
Bella: Hahahaha. Não, é doce mesmo.
Edward: Você é doce. Mas tudo bem, não precisa ser toda nua, você pode estar vestindo uma cobertura de chocolate. Ou talvez chantilly.
Edward: Chantilly nos mamilos pra que eu possa lamber?
Bella: Não.
Edward: Mas você gosta da ideia, não gosta?
Bella não soube o que responder, dando uma leve ofegada. Seu corpo tinha reagido à ideia. O homem podia afetá-la até por mensagem.
Bella: Não.
Ele respondeu, mas ela não abriu. Pegou as chaves do apartamento e saiu fechando a porta. Abriu a mensagem dele apenas quando estava no elevador.
Edward: Hesitou. Eu aposto que gostou. Como você nos imaginou, doçura?
Edward: Será que foi do mesmo jeito que eu?
Edward: Você nua em minha cama com chantilly gelado cobrindo seus pequenos mamilos, então minha língua quente lambendo a cobertura lentamente até alcançar seu biquinho, chupando bem devagar?
Edward: Então eu posso descer lambendo um caminho por sua barriga, indo pra sua boceta. Passo um pouco de chocolate nela e sobre o seu clitóris, lambo devagarzinho, fazendo você gemer e se contorcer por mais, então eu me delicio com a minha sobremesa?
Edward: Foi isso que você imaginou?
Bella agradeceu por estar sozinha no elevador, apertou as coxas e implorou para que não estivesse parecendo excitada, porque estava muito excitada. Sentia seu sexo pulsar a cada palavra que leu da ideia dele. Ofegando, ela hesitou para responder.
Edward: Passei dos limites?
Bella: Me deixou excitada.
Edward: Hum... Sua boceta tá molhada, Bella?
Bella: Para de me falar esse tipo de coisa, eu tô em público.
Edward: Sinto inveja deles que podem ver seu rosto corado enquanto está excitada.
Bella: Isso te deixa um pouco excitado também?
Edward: Terei que correr para o banheiro em alguns minutos e bater uma pra me livrar dessa maldita ereção. Talvez você possa me ajudar mandando algumas fotos.
Bella: Você é um pervertido.
Edward: O que uma mulher gostosa não faz num homem, não?
Edward: Sinto que a nossa noite não foi suficiente pra satisfazer minha fome de você, Bella. Tudo que eu posso pensar é em o quanto eu quero comer você.
Bella: Devo levar chantilly?
Edward: Não me importo. Não é como se essa sua boceta já não fosse doce suficiente pra mim.
Rindo – malditamente excitada – ela desceu do elevador e saiu do prédio acenando para o porteiro.
O pequeno mercado ficava a um quarteirão de distância, então iria andando e assim aproveitava para ir respondendo s Edward tomando um vento, evitando entrar em combustão espontânea pelas palavras dele.
Bella: Você sempre fala sujo desse jeito?
Edward: A não ser nos momentos que eu tô com a boca ocupada com algo mais interessante.
Bella: Exemplo?
Edward: Olha você me provocando...
Bella mordeu o lábio inferior. Dois podiam jogar esse jogo.
Bella: Só foi curiosidade, porque eu também gosto de manter minha boca ocupada :)
Edward: Gosta é? Ocupada com o que?
Bella: Depende, o que você me oferece?
Edward: Tenho uma ereção aqui, será que é bom suficiente?
Bella: Hum... Mas está bem duro do jeito que eu gosto? Com aquela gotinha escapando na cabeça pra que eu possa lamber bem devagarzinho sentindo seu gosto? Depois colocar tudo na boca até sentir a cabeça em minha garganta? Então chupar tudo até você vim na minha boca?
Edward: Porra, Bella. Vem pra cá agora.
Bella: Você tem trabalho a fazer, lembra? :)
Edward: Provocadora.
Bella: Você começou, eu terminei. Beijinho na cabecinha, até.
Edward: Você vai me pagar por isso.
Bella: Oba ;)
Edward: Lol. Tenho realmente voltar ao meu trabalho, nos falamos mais tarde, Coisa Quente.
Sorrindo, ela lhe mandou um "até mais" e guardou o celular no bolso.
Em menos de dez minutos estava no pequeno mercado comprando as coisas necessárias para fazer um torta holandesa de chocolate, depois voltou para casa com quatro sacolas cheias com as compras.
Enquanto desempacotava as coisas na cozinha, Edward voltou a lhe mandar mensagem perguntando se já tinha voltado para casa, ela respondeu o que fazia e ele contou que estava na correria do almoço. Passaram o dia conversando por mensagens, mas sem malícia, apenas compartilhando o que faziam, comentando sobre isso. Claro que de vez em quando ele fazia um comentário impertinente, mas ela descobriu que ele ia além do jeito safado, ele também era bem divertido e a fazia rir, praticamente, em toda mensagem.
Bella primeiro fez o almoço, uma simples macarronada com molho de tomate e almôndegas, o suficiente pra ela e Emmett almoçarem – já que era certo que nenhum dos dois jantaria em casa. E depois foi fazer a sobremesa, a torta holandesa para levar no encontro com Edward e uma mousse de chocolate para Emmett – ou ele reclamaria por não ter feito nenhum doce para ele.
. . .
Edward passou o dia ajudando no bar e trocando mensagens com Bella. Nos finais de semana o lugar era uma correria só, mesmo na hora do almoço – quando funcionava como um típico restaurante. Sua mãe controlava a cozinha, enquanto seu pai ficava no caixa e quatro garçonetes ajudavam no salão. Ele aproveitou para organizar algumas coisas para a noite, quando o bar estaria ainda mais cheio e agitado.
Ás quatro horas sua irmã chegou e ele se despediu deles. Não contou a ninguém porque estava indo tão cedo, porque sabia como sua família era. Os amava de todo o coração mais do que qualquer outra coisa nesse mundo, mas os conhecia suficiente pra saber que eles não iriam receber essa notícia e permanecer cuidando de seus próprios negócios, iria tentar se intrometer e opinar – e até mesmo querer conhecer Bella. Então era melhor manter isso pra si mesmo, ao menos por enquanto, então subiu pra preparar tudo para seu jantar com Bella.
Primeiro fez uma organização no apartamento, porque sua mãe tinha lhe ensinado melhor do que deixar uma convidada ver toda essa desordem de solteiro que tinha feito em tão pouco tempo. Arrumou toda a sala, depois foi ao seu quarto e arrumou tudo – inclusive trocando a roupa de cama –, depois limpou seu banheiro e voltou à cozinha para preparar o jantar.
Podia não ser o melhor cozinheiro do mundo, mas sua avó tinha sido a melhor, então passara a coroa de melhor para sua mãe e as duas tinham lhe ensinado alguns truques. Não cozinhava sempre por pura preguiça, principalmente por ter um restaurante em baixo de sua casa, mas podia cozinhar – e muito bem, por sinal.
Como estava disposto a impressionar Bella, resolveu fazer sua especialidade, o ensopado especial da vovó Cullen, com arroz branco e batatas assadas.
Em poucas horas seu apartamento já estava cheirando maravilhosamente bem. Adorava o cheiro de alho do arroz, como o cheiro do tempero da carne. Sorte que tinha almoçado no restaurante ou estaria comendo tudo ali mesmo. Enquanto cozinhava, foi bebendo uma Heineken gelada – queria fumar, mas não gostava de fumar enquanto cozinhava por uma questão de higiene. Então, quando as panelas estavam no fogo, ele sentou no sofá e acendeu um cigarro, conversando com Bella. Essa merda ainda iria lhe matar e ele estava tentando parar, um dia ia conseguir. Mas hoje não é esse dia.
Depois de matar um cigarro e a cerveja, voltou à cozinha para terminar o almoço dos dois.
— Tia Esme? — escutou a voz de Jasper.
Nem tinha percebido ele entrar, nem que tinha deixado às portas abertas – ou talvez não tivesse deixado, já que Jasper tinha todas suas chaves.
— Ele não tá, por que você está procurando minha mãe aqui?
— É o cheiro muito bom. — Jasper se aproximou do balcão. — Você está cozinhando? Por quê?
— Tenho visita e prometi fazer o jantar. — Edward sorriu e se virou para sua panela de ensopado novamente, mexendo a carne no fervente molho cremoso.
— Estou tentando convencer você cozinhar pra mim o ensopado da vovó Cullen há séculos e você não fez, quem mereceu esse seu esforço?
— Bella. — ele não conseguiu tirar o sorriso do rosto ou da vez ao falar o nome dela.
— Hum, então a noite foi boa?
— Boa? — ele se virou sorrindo, assoprando a colher de pau. — Meu amigo, foi melhor do que boa, foi... Porra, meu pau endurece só de lembrar.
Assoprou novamente a colher e a bateu na mão, colocando um pouco de molho ali, e lambeu. Estava perfeito.
Jasper sorriu malicioso.
— Detalhes, meu amigo.
— Eu não beijo e conto, Jas. — rindo, colocou a colher sobre outra panela tampada.
Em cima do balcão, ele abriu um grande pote de plástico e de dentro tirou uma grande peça de pão caseiro enrolado num pano de prato, que sua mão tinha feito e lhe trouxera. Iria cortar em pequenos pedaços para o jantar.
— Você sempre beijou e me contou, Edward. — Jasper bufou.
— Agora é diferente. — pegou uma faca de pão e foi cortando no balcão mesmo.
— Por quê?
Edward ergueu a cabeça e sorriu.
— Porque ela é diferente.
— Edward? — Jasper parecia assustado e surpreso. — Você está... Apaixonado?
— Claro que não, porra. — ele riu. — Foi apenas uma noite.
— Apenas uma noite e olha o jeito que você está falando. — disse e pegou um pedaço de pão. Reconheceria de longe o pão caseiro da tia Esme, a mulher era a melhor.
— Não sei. — Edward murmurou indo pegar no armário uma travessa para colocar o pão. — Ela é boa de cama, mas também é divertida. Estamos conversando o dia todo e ainda não me cansei dela, é como se eu não tivesse o suficiente dela, tipo... É como você, mas numa versão com boceta e seios, numa versão que eu posso foder.
— Você pode me foder, não é como se eu me importasse. — Jasper disse dando ombros e foi ao armário, pegou um prato e uma concha.
Edward gargalhou.
— Porra, você pode levar isso a sério, por favor?
Jasper sorriu de lado, se serviu com um pouco do ensopado, deixou a concha dentro da panela e voltou ao balcão, pegando um pão.
— Então, se ela é tão boa assim, quando vou poder experimentar? — perguntou malicioso, molhou o pão no ensopado e assoprou antes de comer, gemendo de prazer. — Essa porra tá muito bom.
— Dessa vez não, companheiro, essa eu quero sozinho. — sorriu de lado. — Obrigado. Eu vou tomar banho agora, tenta não comer tudo e nem sujar muita coisa. Aliás, pode lavando tudo que você usar, porque acabei de lavar louça. Tem arroz na panela e batata no forno, pode comer.
Jasper assentiu, comendo mais do ensopado. Edward bateu no ombro do amigo e foi para o quarto.
. . .
Bella: Tô chegando, onde eu devo chamar você?
Edward: Pode subir, a porta está aberta.
Bella: Olha o relacionamento ficando cada vez mais sério.
Edward: E não é? Gosto assim.
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