You & Me
3 Km :: 02
Notas iniciais
Duas semanas tinham se passado desde Bella se mudara, desempregada e solteira, para o apartamento de seu irmão mais velho.
Claro que tinha estranhado no começo, era completamente diferente sair do apartamento em que tinha morado por quatro anos com seu namorado superorganizado, pra passar a morar em um loft com seu irmão mais velho rei da desorganização. Mas o que faltava em tampa abaixada no vaso, ele compensava fazendo seus dias mais divertidos, então ela estava gostando de estar tão próxima dele novamente. Mesmo que fosse um arranjo temporário, tivesse que dormir no sofá e suas coisas estivessem em malas atrás do sofá, estava confortável.
Tinha se encontrado com Jacob algumas vezes nesses dias. Ele nem hesitou em aceitar que ela deixasse algumas coisas empacotadas no apartamento dele, tudo em um quarto vazio, porque não podia se mudar com todas suas coisas para o meio da sala do loft de Emmett. A primeira vez que se encontraram – agora que estavam separados – foi estranho e pouco desconfortável, mas logo eles encontraram o rumo de volta à amizade que tinham antes e estavam numa boa novamente, sem quaisquer ressentimentos.
Jacob inclusive tinha perguntado se ela realmente não queria voltar ao apartamento, podiam viver como amigos, assim ela teria um quarto só pra ela, mas Bella realmente preferia morar com irmão. Até porque Emmett podia ter alguns problemas com organização, mas viver com ele era fácil e familiar, exatamente como quando ainda moravam em Forks com o pai. Bons tempos.
Então sozinha Bella aproveitava seus dias livres para pensar e tentar arranjar um jeito de dar um rumo satisfatório a sua vida, mas não era tão simples quanto pensava.
Ao menos morar com Emmett tinha seu lado positivo, estava economizando com despesas básicas para manter um teto sobre sua cabeça e comida.
Como sempre teve essa necessidade de independência, não gostava muito de estar tão dependente de alguém, mesmo que fosse seu irmão mais velho, gostaria de poder ajudar; mas Emmett estava sendo – como sempre – o melhor irmão do mundo e jamais a fez se sentir como um problema, na verdade a fez se sentir sinceramente bem-vinda á ficar o tempo que fosse sem se preocupar em dividir as contas; então ela tentava recompensá-lo mantendo o lugar limpo, organizando e cozinhando para ele – principalmente suas sobremesas favoritas, que ele comia como uma criança empolgada.
Naquele dia fazia exatamente duas semanas, era sexta-feira novamente. E tinha passado todos os dias dentro de casa, saindo apenas para ir ao supermercado comprar tudo que precisava para fazer mais sobremesas ou quando foi ao apartamento de Jacob arrumar suas coisas. Mas agora estava cansada disso.
Cansada de ficar chafurdada dentro daquele loft, remoendo suas frustrações sem fazer nada a respeito. Tinha que agir e fazer algo a respeito, fazer algo por si mesma. Mas o que iria fazer?
Ela pensou sobre o que queria exatamente por toda a manhã e enquanto escovava os dentes após o almoço, ela foi sincera consigo mesma, queria sexo. Mas não sexo mamãe-e-papai ou missionário. Quero sexo duro, quente e sujo. Queria foder. Se olhando no espelho do banheiro, ela viu que corava. Cuspiu a saliva cheia de pasta de dente na pia e bufou.
— Ótimo! Como você quer foder se nem consegue ao menos pensar nisso sem corar, Isabella? Vamos lá. — respirou fundo e ficou séria. — Foder. Foder. Eu vou foder. Sim, eu quero foder. Exatamente, eu quero ser fodida.
Começou a rir da própria idiotice. Mas que merda estava fazendo? Ainda bem que não existiam câmeras naquele banheiro. Tinha tentando falar aquilo da maneira mais natural possível e assim não pareceria uma freira falando de sexo, mas como ia se levar a sério com a boca toda suja de pasta de dente, parecia um cachorro espumando com raiva.
Terminou de escovar os dentes e enxaguou a boca, guardou a escova em sua nécessaire e lavou a pia. Enquanto secava o rosto, via seu reflexo no espelho.
Não era assim tão ruim de aparência. Não era nenhum espetáculo de parar o trânsito, mas conseguia alguns olhares de segunda intenção. Se achava um pouco pálida demais, mas isso fazia seu cabelo escuro e seus olhos claros se destacarem. Se achava muito magra e isso pode ter seu lado positivo e negativo – positivo, tinha dificuldade para engordar e isso é ótimo para uma pessoa tão viciada em doce; negativo, tudo nela era pequeno, seus seios, quadris, traseiro, não tinha nenhuma curva de parar o trânsito, nem era malhada e atlética, era magra e mole. Não era muito insegura sobre si mesma – tinha sido quando mais jovem, mas os anos a fizeram aceitar a si como era e agora estava bem, só era realista suficiente para saber que não era a primeira bolacha do pacote. Se colocasse a roupa certa, arrumasse o cabelo e fizesse uma maquiagem que destacasse seus pontos fortes, então sabia que podia ser a terceira ou talvez a quarta bolacha, mas não a última e muito menos a primeira. Mas não estava ficando mais nova ou mais bonita – malditos homens e sua genética de vinho, que geralmente só ficam melhores com os anos –, em breve aquela aparência mediana iria embora, então tinha que agir agora.
Então, o quão difícil seria achar algum homem disposto a ter algum sexo alucinante no meio da grande Seattle?
Não podia contratar um prostituto ou se oferecer na rua como uma, iria manter alguma dignidade. Como pessoas normais acham encontros ou pessoas para fazer sexo?
Ela desceu para a sala pensando em como estava fora de prática. Quando era jovem, era insegura e tímida demais para pensar em arranjar encontros, então amadureceu e começou a namorar sério. Não tinha nenhuma experiência nisso. Seria patético demais procurar no Google?
Mas o que digitaria? “Como encontrar alguém disposto a ter sexo duro, quente e sujo”?
Pegou seu celular e selecionou o número de Emmett, enviar mensagem.
‘Como você encontra as mulheres que fazem sexo com você?’
A resposta não demorou nem um minuto:
‘Emmett: O que?’
‘Você entendeu o que eu quis dizer, idiota’.
‘Emmett: Sim, entendi, estou apenas tomando um tempo para entender e aceitar que minha irmã descobriu ser lésbica’.
‘Emmett: Mas sem preconceito algum, você sabe’.
‘Emmett: Toda forma de amor é aceita’.
‘Emmett: E eu ainda te amo, irmãzinha. Você tem meu apoio em tudo que a fizer feliz’.
‘Emmett: Eu posso até te apresentar a algumas mulheres muito interessantes e que sabem ótimos truques com as mãos e a boca. Se é que você me entende ;)’.
‘Emmett: Na verdade eu até te entendo, quer dizer, como você pode querer um homem quando se pode ter uma mulher? Como não desejar algo com seios?’
‘Emmett: E não estou realmente surpreso, quer dizer, você sempre foi meio caminhoneira. Confesso que fiquei mais surpreso quando você começou a namorar o Jacob do que com seu pedido de lugar para encontrar mulheres dispostas a ter sexo’.
As mensagens de Emmett vieram uma atrás da outra, sem dar nem tempo de uma resposta e Bella estava rindo com cada uma delas, ou melhor, gargalhando. Estava surpresa com a velocidade que seu irmão digitava e meio confusa por não saber se ele estava sincero ou brincando, mas não conseguia parar de rir.
‘Eu não sou lésbica, seu idiota!!!’.
‘Emmett: Plot Twist. Essa sim é uma revelação surpreendente’.
‘Você está falando sério?’.
‘Emmett: Hahahahahaha XD’.
‘Você um IDIOTA!’.
‘Quer, por favor, responder minha pergunta?’.
‘Emmett: Mas por que, exatamente?’.
‘Por favor!’.
‘Emmett: Eu não sei, depende do que eu quero para a noite. Mas um bar ou uma casa noturna, talvez, esses nunca falham’.
‘Oh, boa ideia! Obrigada, Big-Bro ♥’.
‘Emmett: Por quê?’.
Com o cenho franzido, Bella se perguntou como podia ser tão idiota ao ponto de nem pensar em ir a um bar ou casa noturna. Devia ser porque fazia muito tempo que não ia a nenhum dos dois; ela e Jacob geralmente preferiam algo mais tranquilo, como ir a um restaurante ou pegar um cineminha. Mas era isso, iria a um bar ou casa noturna.
Mas qual dos dois? E onde?
Seu celular vibrava e apitava sinalizando novas mensagens. Seis novas mensagens. Todas de Emmett. ‘Bella, por quê?’; ‘Me diz!’; ‘Bella?’; ‘Você está me ignorando?’; ‘Bella!!!’; ‘Caminhoneira maldita!!!’.
Rindo novamente, ela não respondeu as mensagens dele de propósito. Do jeito que seu irmão era curioso, aquela seria tortura suficiente.
Não iria pedir a eles dicas de lugares, tudo que não queria era trombar com ele ou com qualquer outro conhecido. Não, tinha que ser um lugar diferente, talvez até meio distante.
Ao invés de usar a internet para procurar o lugar, ela resolveu fazer as coisas à moda antiga, usando um catálogo de telefone e endereços. Nem sabia por que Emmett tinha um desses, mas ele tinha um da Seattle; não era de estranhar que fosse de 2008, alguém ainda usava a lista telefônica impressa para alguma coisa?
Sentou no sofá com a pesada lista de páginas amarelas no colo e separou a parte de entretenimento. Fechou os olhos e abriu aleatoriamente em alguma página dessas, então pousou o dedo indicador no meio da página. Abriu os olhos para ver o que tinha caído.
"Casa de Swing Love & Sin. Traga seu parceiro ou parceira e venha descobrir com a gente o prazer do amor e do pecado".
— Okaaaaay, não. — agitou a cabeça rapidamente. Tudo bem que queria alguma diversão sexual, mas tinha que começar por algo mais leve e não ir direito para troca de casais com amor e pecado.
Fechou os olhos novamente e abriu outra página, pousando o dedo no topo da página.
"Clube de Stripper Bigger is Better".
— Merda. — bufou. Era uma casa de stripper especializados em BBW*. Não tinha nada contra e realmente incrível que essas mulheres tivessem confiança e autoestima suficiente para esse tipo de trabalho, mas realmente não era seu tipo de fetiche favorito.
[N/A:*BBW = Big Beautiful Womens, Grande lindas mulheres].
Ela fez aquilo mais quatro vezes e todos deram lugares que ela não queria. Um bar de góticos, uma boate LGBT, um bingo de senhoras católicas e um restaurante de sushi erótico.
— Porra! Onde estão os estabelecimentos normais onde uma mulher normal pode encontrar alguém para fazer sexo duro, quente e sujo? Jesus! — passou a mão no cabelo, frustrada. E então parou ao perceber o que tinha acabado de dizer. É, não era tão normal assim.
Rindo, ela resolveu dar uma última chance aquele pequeno jogo, se não desse em nada entraria em um táxi e desceria no primeiro lugar que servisse bebida por qual passasse.
Fechou os olhos, abriu aleatoriamente uma página e pousou o dedo no meio da página. Respirou fundo e abriu os olhos.
"Cullen Bar & Grill"
O lugar parecia normal. No anúncio dizer ser um negócio familiar e que estava funcionando há vinte anos. Tinha sido um restaurante e agora era Bar & Grill – funcionava como restaurante das sete da manhã até às onze horas da noite, depois servia apenas bebidas e aperitivos com música a pedido dos clientes e dia de música ao vivo. Era um pouco mais no subúrbio da cidade, mas não era um lugar perigoso ou qualquer coisa do tipo, era apenas longe suficiente para evitar o máximo de conhecidos possíveis, parecia perfeito pra ela.
. . .
Onze horas da noite, Bella estava pronta para sua ida ao Cullen Bar & Grill.
Como não sabia que tipo de roupa devia usar para não se sentir muito deslocada no ambiente, optou por algo simples e que a fizesse ficar bem na maioria dos lugares.
Usava um vestido preto simples, não tinha decote e as mangas iam até a altura de seus cotovelos. Era uma peça coringa e ela até considerou ser uma peça comportada demais, mas ao colocar no corpo lembrou exatamente porque ele era perfeito. Ele ficava justo em todo seu corpo e mais solto na parte da saia que ia até o meio de suas coxas. Ficava até sexy, mas sem parecer que ela estava se esforçando demais para isso. Nos pés colocou um stiletto de camurça preto que a fez se sentir poderosa; era baixa em seus poucos 1,68 de altura, então os centímetros do salto eram bem vindos, além de parecer alongas suas pernas e dar elegância ao seu corpo. Seu longo cabelo castanho estava solto com leves ondulações que pareciam formar camadas e um sexy ar de desalinho. Sua maquiagem era leve, destacando apenas seus olhos com delineador formando olho de gato, o canto com um pouco de iluminador e muito rímel; suas bochechas estavam suavemente coradas com blush e seus lábios brilhavam um pouco de gloss. Olhando-se no espelho do banheiro, passou um pouco mais de perfume e decidiu que estava bem.
Enquanto descia as escadas, escutou um alto assovio – fiu-fiu – e corou.
— Deixa de ser besta. — ela disse rindo.
— Estou falando sério, você está incrível, Baby-Sis. Está um mulherão.
— Então, se você me visse numa bar ou casa noturna, tentaria me pegar? — ela colocou uma mão na cintura e fez uma pose exagerada de modelo empinada com biquinho.
— Não assim parecendo que você teve algum acidente que te deixou torta. Como advogado, eu iria perguntar se anotaram as placas. — ele riu.
— Idiota. — revirou os olhos, pegando sua pequena bolsa-carteira prateada com alça de corrente no sofá.
— Apesar de você não ser meu tipo, quer dizer, eu gosto de mulheres não tão magras e nem tão minhas irmãs, mas eu te daria uma chance. Nem sei se devo te deixar sair de casa assim, eu não devia mandar você colocar uma roupa mais comportada ou algo do tipo?
— Não é como se eu fosse te obedecer ou algo do tipo.
— É. — ele franziu o cenho. — Por isso acho que devemos sentar e ter uma séria e longa conversa sobre seus problemas com hierarquia e autoridade.
Bella gargalhou, enquanto checava se na pequena bolsa tinha tudo que precisava – algum dinheiro para o táxi, um cartão de crédito, identidade, um pequeno frasquinho de perfume, trident, chaves e celular. Nada demais, apenas o necessário. E no fundo, escondido, os pacotinhos prateados que ela tentou não corar ao ver.
Ok! Estava levando dois preservativos e não iria se envergonhar disso, era melhor prevenir do que remediar, já dizia o ditado.
— Você não é uma autoridade, por favor, Emmett. — fechou a bolsa e colocou a alça sobre o ombro.
— E então, não vai me dizer mesmo aonde a senhorita vai?
— Hum, não. — sorriu.
— Bella, eu não vou te proibir de ir ou coisa do tipo...
— Até porque você não tem esse poder né, Emm. — zombou rindo.
— Estou falando sério, Bella. Você deve sair e se divertir, mas precisa tomar cuidado, ok? Você precisa me prometer isso. Toma cuidado e mantenha seu celular ligado sempre perto de você. Se for dormir fora de casa, me liga. Se beber demais, me liga. Você deve me ligar a qualquer coisa que aconteça, ok? Não importa a hora, pode me ligar.
— Sua preocupação é tão doce. — sorriu. — Mas você sabe que não precisa se preocupar comigo, eu sei me cuidar.
— Vamos, Isabella, faz esse favor ao seu irmão, me prometa isso ou vou me preocupar a noite inteira e eu não tô querendo isso, quero encontrar alguém e...
— Ok! Sem informação demais! — o interrompeu rapidamente e riu. — Eu prometo me cuidar e te ligar, se precisar. Prometo!
— Ótimo. Então boa noite e divirta-se!
Ela se aproximou dele e o abraçou. Emmett beijou seus cabelos e ela saiu.
. . .
Dentro do táxi a caminho do “Cullen Bar & Grill”, Bella se sentia nervosa e agitada. Não sabia o que lhe esperava e nem como seria, odiava ir sozinha a um lugar desconhecido – um dos pontos positivos de ter um namorado era que nunca tinha que sair sozinha, se não quisesse –, mas agora teria que fazê-lo. Mantinha suas mãos no colo, estavam frias e ligeiramente úmidas pelo nervosismo.
Quando o táxi chegou ao seu destino, ela respirou fundo. Demorou vários segundos até acertar o pagamento e descer.
Quase deu meia volta, entrou de volta no carro e foi embora. Na verdade, só não fez porque ele já tinha ido embora. Tomou uma longa respiração e caminhou na direção do bar.
Ela realmente não sabia o que lhe esperava, mas definitivamente não era aquilo.
O lugar ficava na esquina, um grande prédio de dois andares cercado por pequenos comércios que estavam fechados pelo horário – uma oficina mecânica, padaria, mercearia, floricultura, outro restaurante, pequenos comércios familiares, assim como o bar. Ela ficou surpreendida com a grande quantidade de motos estacionadas ao redor, porque não eram todas motos pequenas, eram todas grandes e turbinadas, como de motoqueiros realmente. Ela se perguntava se aquele seria um bar de grandes motoqueiros assustadores, mas, mesmo receosa, não recuou.
Parecia ser uma construção antiga, mas firme, de pequenos tijolos laranja e madeira, mas com a fachada em vidro reforçado. Ela tentou ver por dentro, mas as luzes estavam fracas e tinham mesas junto à fachada, só podia ver algumas pessoas conversando, rindo e bebendo. Algumas pessoas que estavam paradas na frente lhe olharam da cabeça aos pés, ela se surpreendeu que ninguém a olhava com desprezo ou julgamento, a olharam com malícia – inclusive algumas mulheres. Isso tornou mais fácil o trabalho de entrar no bar. E ela foi.
Passou pelo grande segurança da entrada – ofereceu a ele um sorriso tímido e ele sorriu maliciosamente –, então continuou entrando. Pelo visto olhares e sorrisos maliciosos eram típicos daquele lugar, bom saber.
Por dentro, o lugar era ainda mais surpreendente. Era amplo e modernizado – no fundo um palco para música ao vivo e pista para plateia ou para dança; um balcão na lateral que parecia quase quilométrico, indo de ponta a ponta, com bancos alto junto a eles, uma enorme prateleira de bebidas e funcionários servindo, atrás uma porta com a placa de ‘cozinha, apenas funcionários’; de um dos lados às mesas para jantar e no outro as pequenas mesas para drinks e aperitivos. Tudo decorado com madeira envernizada que dava um ar modernamente rústico ao lugar – uma mistura de bar country e pub inglês, de alguma forma, tudo em completa harmonia.
Bella não sabia, mas essa diferença fazia o lugar ser um dos favoritos de muitas pessoas e um sucesso total; além do fato de que mesmo sendo um ambiente grande, agitado e divertido, não tinha uma música ensurdecedora, fumaça que dava tontura, gente suando e fedendo se esbarrando, além de várias outras coisas que podiam acabar com a noite de uma pessoa e tudo que as boates tinham; por isso se tornava perfeito para jovens e adultos de todas as idades, solteiros e casados, procurando diversão, alguém para uma noite de sexo quente, encontro romântico, encontro com amigos, dança, bebida... Bem, Cullen Bar & Grill era o lugar.
Os clientes também eram surpreendentes, eram pessoas de tipos variados. Parecia que todos ali eram atraentes, não apenas por sua beleza, mas também por seus estilos. Não era um bar para alguma tribo específica, tinha de tudo. Tudo que ela podia ver eram homens quentes, mulheres bonitas, pessoas conversando, risadas e Pumped up kicks do Foster the People, uma de suas músicas favoritas, tocando ao fundo.
Meio intimidada e deslocada, ela sentou em um banco alto junto ao balcão. Não demorou muito para uma funcionária se aproximar sorrindo pra lhe servir. A mulher era muito bonita, com um sorriso tão simpático e acolhedor que o desconforto de Bella pareceu se dissipar pela metade, no mínimo.
A estranha tinha uma altura mediana e algumas a poderiam considerar gordinha, não por ter excesso de peso, mas sim por não ser fina como uma manequim e ter um corpo curvilíneo de quadril arredondado assim como seus seios cheios, mas Bella achou-a perfeita. A mulher enchia a calça jeans com perfeição, assim como o decote de sua bata branca mais larga que caía em um dos ombros. Seu rosto era arredondado, com maçãs do rosto altas e queixo adoravelmente dividido, seus olhos cor de mel pareciam divertidos e destacados com maquiagem, tudo emoldurado por uma massa de ondulados cabelo loiro escuro.
— Hey gatinha, seja bem vinda! — a mulher disse animada. — Qual o seu veneno?
Bella franziu o cenho, confusa. A mulher riu.
— Tudo bem, uma novata. O que você está fazendo aqui, coisa doce?
— Eu? Hum, reorganizando minha vida?
— Parece uma coisa muito grande e importante pra se fazer numa sexta-feira à noite e em um bar.
— É. — Bella riu. — Por isso resolvi resumir essa reorganização na minha procura por um pouco de diversão.
— Agora sim, isso é algo fácil de se conseguir por aqui. — a mulher riu. — Eu sou Rosalie, a propósito.
— Prazer, eu sou Bella.
Por cima do balcão, elas compartilharam um aperto de mão e sorrisos.
— E então, qual o seu veneno? E isso quer dizer, o que vai beber?
— Oh. Eu... — franziu o cenho e suspirou. — Não tenho ideia, o que você me sugere?
— Realmente muito novata. — riu novamente. — Então que tal algo mais fácil e doce pra começar.
Rosalie deu as costas para Bella e preparou seu drink rapidamente. Encheu um copo com gelo, derramou uma bebida vermelha, colocou um morango na borda do copo e um canudo. Sobre um guardanapo, colocou na frente da Bella.
— O que é isso?
— Prova e vê se gosta.
Hesitante, Bella levou o canudo à boca e bebeu um pouco. Até que era bom. Deu mais um golinho. Podia sentir o álcool da vodka, mas não era o gosto mais forte, era doce e fácil de beber.
— Bom né? Caipiroska de frutas vermelhas. — Rosalie disse sorrindo.
— Mmm, é ótimo, obrigada.
— Hey Rose! — um homem chamou do outro lado do balcão.
— Já vou! — ela respondeu. Pegou um bloquinho no bolso traseiro da calça e uma caneta do outro, anotou alguma coisa, destacou a folha e entregou a Bella. — Essa é a comanda da noite. Qualquer coisa, é só me chamar, está bem? Toma cuidado e divirta-se.
— Por que tomar cuidado? Aqui é... — hesitou com os olhos largos de medo. — Um lugar perigoso?
— Não. — Rose gargalhou. — Claro que não, mas aqui o pessoal é livre, sabe? Eles brincam, eles tocam e fazem isso com todos, você novata e se acontecer, não precisa se assustar, é normal, ainda mais com uma mulher bonita. Se você não gostar de algo, apenas diga não e eles recuam, todos os clientes sabem como se comportar, assim como acabar com a festa daqueles que não sabem. Só disse toma cuidado pra você não ser inocente e ser persuadida a fazer algo que não quer, principalmente fora do bar, onde não temos controle.
— Oh. Claro. Obrigada, aprecio sua preocupação. — sorriu.
— Você é bem-vinda, coisa doce.
— Rosalie! — o homem gritou novamente.
—Tô indo, porra! — ela gritou de volta, mas obviamente divertida e foi.
E ela ficou sozinha novamente.
Guardou a comanda na bolsa e se virou no banco para poder olhar ao redor, enquanto levava o canudo na boca novamente.
Estavam todos acompanhados ou em grupo, conversando, rindo e se divertindo, enquanto ela estava sozinha. Recebeu alguns olhares e sorrisos, mas ninguém realmente se aproximou, então ela continuou bebendo.
Baixou os olhos para o copo e tirou o canudo da boca, usando-o para mexer e bebeu novamente mais da tal de ‘caipiroska de frutas vermelhas’. A coisinha era surpreendentemente doce e gostosa. Com certeza beberia mais daquilo, mesmo se fosse embora sozinha.
— Hey linda.
A voz próxima ergueu a cabeça e olhar para o lado, certificando-se de que falavam com ela. E seus olhos encontraram um homem lindo e próximo, realmente falando com ela.
Ele era alto e esguio, de jeans escuro, uma blusa branca com gola V e um casaco cinza por cima com as mangas arregaçadas. Mas, apesar do corpo quente, o que chamava atenção era a beleza de seu rosto, ele tinha um sorriso doce, mas os olhos verdes maliciosamente divertidos. Ele sorria mostrando suas covinhas fundas e adoráveis – a lembrando das covinhas de Emmett. Os cabelos dele eram castanho escuro, raspado nas laterais e o topo longo suficiente para estar amarrado em um pequeno rabo de cavalo que ia até o começo de sua nuca.
— Posso te pagar uma bebida? — ele perguntou sorrindo.
Bella quase ofegou com o sotaque sulista da voz do estranho. Covinhas e sotaque? Combinação de molhar a calcinha – ou ao menos a dela, que era louca pelas duas características.
— Obrigada, mas eu já estou bebendo. — respondeu com um sorrisinho e ergueu suavemente o copo.
—Uau. — ele riu. — Você foi tão doce que nem pareceu estar me dando um fora. Na verdade, acho que esse foi o fora menos doloroso que eu já tomei.
— O que? Não! Eu não estou te dando um fora, só estou realmente bebendo. Não quis... — ia começar a se explicar, mas se calou quando ele começou a rir. Sentia seu rosto esquentar lentamente.
— Você está corando? — o estranho perguntou rindo. — Uau, fazia um tempo que eu não via ninguém corar.
— Minha eterna maldição. — Bella bufou.
— É uma coisa adorável, se você quer saber. — sorriu. — Então, coisa doce, você é nova, o que está procurando por aqui?
— O que? Você faz o controle dos clientes ou o que? — tentou brincar irônica.
— Não, é só óbvio.
— Como?
— Não me leve a mal, porque isso realmente não é uma ofensa. É que, além de eu ser um cliente fixo e frequente que nunca te viu por aqui, você também me parece muito doce e muito civilizada para esse bando de selvagens.
Bella riu mais abertamente e mais confortável.
— Você fica adoravelmente corada, tem um lindo sorriso e não tem uma daquelas risadinhas femininas irritantes? Oh, por favor, me faça um homem feliz dizendo seu nome e que está solteira.
—Eu sou Bella — disse rindo. — E estou solteira.
— Prazer, Bella. Um nome tão lindo quanto você, a propósito. E eu sou Jasper, um homem feliz. — sorrindo, ele pegou sua mão livre e a beijou suavemente a moda antiga.
Bella corou novamente. Ele soltou sua mão, sentou no banco ao seu lado e continuou sorrindo.
— Então, o que está fazendo por aqui?
— Procurando diversão? — disse sugestivamente com um sorriso de lado.
Jasper riu.
— Meu tipo de mulher. E você, coisa doce, também é uma coisinha sortuda, porque acabou de encontrar o homem da diversão, me diga seu tipo de diversão e eu te levo até ela.
— Sério?
— Definitivamente. Que tal eu começar agora, levando você comigo e te apresentando a alguns amigos? Assim você não tem que ficar aqui sozinha.
— Eu...
— Sem desculpas, eu não vou aceitar um ‘não’ como resposta. Vamos. — ele se levantou e esticou a mão para ela. — Vamos!
— Tudo bem, calma... — ela terminou sua bebida rapidamente e deixou o copo vazio no balcão, então aceitou a mão dele e desceu do banco. — Vamos.
— E agora eu vou te pagar uma bebida. — Jasper brincou.
Ele a levou para o outro lado do bar. Ele parecia bem popular por ali, porque ele sorriu e foi cumprimentado por todas as pessoas por quem passaram. Eles foram à direção de um grupo sentado em um banco em forma de U junto à parede pouco antes da pista de dança, parecia meio um camarote pela vista que dava do palco. Estavam ali quatro pessoas, três mulheres e um homem, conversando e rindo animadamente.
Quando ela e Jasper se aproximaram, eles pararam sorrindo.
— Hey, quem é a sua amiga, Jazz? — a linda loira perguntou.
— Essa coisinha doce aqui é a Bella, minha nova amiga. Bella, esse é o meu pessoal. Kate, Leah, Carmen e Eleazar.
Bella achou fácil saber quem era quem, porque cada um levantou a mão quando seu nome foi direito.
Kate – a pequena mulher com longo cabelo loiro claro extremamente liso e um visual meio hippie, uma top branco indo até alguns centímetros abaixo dos seios fartos, uma corrente envolvendo sua barriga negativa preso ao seu piercing do umbigo e uma saia preta até os pés. Leah – a morena de traços indígenas, cabelo negro e extremamente liso até o ombro, usando uma blusa preta com a estampa da garrafa de Jack Daniels, calça jeans skinny estilizada com rasgo e coturno preto. Carmen – a mulher de traços latinos parecia ser a mais normal e comportada, mas ainda parecia uma irmã da Sofia Vergara, inclusive no sotaque e seios fatos sob sua blusa frente-única azul petróleo. Eleazar – que estava junto com Carmen, ele tinha traços mais mediterrâneos, parecia ser mais calmo e elegante, daqueles que pulôver e jeans.
Ainda um pouco tímida, ela os cumprimentou e Jasper pediu para que se sentasse, porque apesar das aparências todos ali era gente boa. Então sentaram; ela em uma ponta, ao lado de Leah; ele da outra, ao lado de Eleazar.
— Pelo visto você é bem popular por aqui, Jasper. — ela comentou, fazendo-o rir.
Mas antes que Jasper falar, Leah respondeu por ele:
— É porque ele teve algum tipo de relação sexual com 75% das pessoas aqui, coisa doce. A outra metade é divida entre: 10% são homens totalmente heterossexuais ou mulheres lésbicas, 10% estão em um relacionamento totalmente monogâmico, 4% estão na curiosidade e flertando para ter algum tipo de relação com ele.
Todos gargalharam com sua explicação.
— Ainda falta um 1%, Leah. — Eleazar brincou.
— Esse um 1% sou eu. E desculpa Jasper, não vai rolar também. — ela zombou, enquanto todos riam.
— Sério Leah? Sério? Tenho que te lembrar do momento no meu carro novamente?
— Agora ele te pegou, morena. — Kate riu cutucando Leah com o cotovelo.
— O que aconteceu? — Bella perguntou curiosa.
— Nada relevante.
— Oh Jasper! Ohhhh, sim! Sim! Simmmm! — Jasper arfou, gemeu, fechou os olhos e franziu o rosto, como se estivesse no meio de um orgasmo, arrancando ainda mais risadas do grupo e olhares das pessoas ao redor.
— Foi uma vez! A gente tava bêbado e se chupou no carro, grande coisa, eu ainda faço parte do 1%. — Leah bufou.
— E essa é a explicação do 1%, são aqueles que eu chupei e que me chupou, mas não rolou penetração. — Jasper ironizou.
— Oh. — Bella se calou, sentindo o rosto corar novamente.
— Oh Díos, ela está corando. — Carmen anunciou rindo e todos lhe olharam como se fosse um animal raro em extinção.
— Eu sei. — Jasper disse rindo. — Não é adorável?
— Não, não é.
— É sim, Bella, é uma gracinha. Você fica corada assim quando está tendo sexo ou gozando? Deve ser incrível de assistir. — Kate disse maliciosamente.
Bella não soube como responder, pareceu engolir a língua e corar mais.
— Ela está corando, ela é inocente e doce. Jasper fica longe dela! — Leah disse séria e olhou em sua direção, pousando a mão em seu joelhou. — Coisa doce, não se deixe levar pelas covinhas e o sotaque, porque ele é doce apenas na aparência.
— O que? — ele fingiu estar ofendido. — É mentira!
— Jura? — Bella perguntou divertida, duvidando disso.
— Talvez sim, talvez não, só provando, que tal? — Jasper ergueu uma sobrancelha, malicioso.
— E aí está a minha resposta.
— Touché! — eles riram juntos.
E Bella continuou rindo até que o homem mais atraente do lugar entrou em seu campo de visão.
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