Notas iniciais
Oi doçuras, como estão? Quero agradecer a todas que estão lendo e ainda mais aquelas que comentaram, mas também quero pedir pras fantasminhas comentarem também, é muita gente só acompanhando, por favor. E aqui vai o primeiro capítulo e espero que gostem.

Ao colocar o telefone novamente no gancho, Isabella Swan bufou.

Como odiava aquele trabalho. Não apenas o trabalho, mas todos naquele estúpido escritório de contabilidade. Um bando de prepotentes que se achavam superiores a tudo e todos por ter um diploma de ensino superior nas mãos, mas que na verdade não passavam de um bando de babacas em ternos com uma calculadora.

Por isso eles se achavam superiores a ela, que não tinha um diploma de ensino superior. Não porque não queria ou porque estava satisfeita com o que tinha, quer dizer, ninguém acorda um dia e diz 'vou ser recepcionista em um escritório de contabilidade'. Não, ela tinha alguns sonhos e queria ter ido à faculdade de gastronomia ou feito algum curso profissional disso, mas logo percebeu que esse era um sonho bobo e as chances de conseguir ganhar dinheiro com isso eram muito mínimas; então como nada mais nada lhe atraia suficiente para passar anos pagando para estudar a respeito, ela começou a trabalhar com o que conseguisse. Há cinco anos, quando seu pai morreu em um acidente de carro, se mudou para Seattle para morar com Emmett, seu irmão dois anos mais velho que tinha se mudado da pequena cidade em que nasceram, Forks, para cursar direito na Universidade de Washington e agora era um dos sócios de um escritório na cidade. Nesse meio caminho, conheceu Jacob Black e estavam juntos há quatro anos, inclusive moravam juntos.

Tinha feito de tudo um pouco para conseguir arcar com sua metade das despesas da casa. E agora trabalhava ali como recepcionista; tinha que atender telefone, anotar e passar recados, marcar atendimentos, coisas típicas de recepcionistas e secretárias, mas odiava fazer aquilo. De todos os empregos que tivera, aquele era o que pagava mais e o que ela mais odiava. Sentia-se patética. Não que o trabalho fosse patético, de maneira alguma, tinha certeza de que todo trabalho é digno, se sentia assim porque não era o que gostava de fazer realmente. Odiava ter que ficar atrás da pequena mesa, usando um conjunto de roupa e sapatos sociais com os cabelos presos em um rabo de cavalo alto sem nenhum fio fora do lugar; aquela roupa era desconfortável, os sapatos lhe faziam bolhas e aquele penteado fazia suas orelhas parecer com as do Dumbo. Aliás, não é ironia de se trabalhar em um escritório de contabilidade quando se odeia matemática? Argh.

Suspirando, ela fechou os olhos e pensou novamente na unica coisa que podia lhe incentivar a continuar com aquele maldito dia, por sorte era o último dia da semana. Era sexta-feira. TGIF*, já diria Katy Perry, e então viria um final de semana sem nenhum telefonema, recado ou documentos cheios de números que não entenderia nem pra salvar a própria vida.

[N/A:*TGIF = Thanks God is Friday, Obrigada Deus é Sexta, referência a música Last Friday Night]

O telefone tocou mais uma vez e foi obrigada a sair de seu pequeno momento de meditação. Um cliente antigo precisando novamente dos serviços do escritório, então agendou um horário. Ligou para o ramal do funcionário responsável por esse cliente, Mike Newton, avisando sobre isso.

— Traga o arquivo até minha sala. — Mike disse e desligou.

Ela o odiava. Ele era um homezinho pequeno e patético que lhe dava arrepios, mas de não de medo, e sim de nojo. Ele não era muito velho, mas era casado e com três filhos, algo mais do que suficiente para afastá-la, mas ele também a olhava como se a estivesse despindo e estuprando com os olhos, dando sorrisinhos e piscadinhas maliciosas, isso quando não fazia comentários inapropriados. Ah, se não precisasse tanto desse emprego já o teria mandando para lugares nada simpáticos em um piscar de olhos.

Respirou fundo e disse a si mesma que precisava desse emprego ou Jacob teria que arcar com todas as despesas. Não que ele se importasse, ele era compreensivo demais para isso; sempre a apoiava a largar o trabalho e fazer algo que gostasse realmente ao invés de ficar se desgastando fazendo algo que detestava de segunda a sexta oito horas por dia. Mas ela não podia se demitir e deixar tudo nas costas dele, não era justo.

Então foi até a sala de arquivos, procurou pelo nome do cliente e pegou sua pasta cheia de documentos e papéis importantes. Voltou à sala de Mike, bateu na porta duas vezes antes de entrar. Ele estava atrás da mesa, falando ao telefone. Ótimo, ela pensou, só tinha que deixar a pasta na mesa e sair.

Mas antes que pudesse executar seu plano, ele ergueu o dedo o indicador pedindo que esperasse um minuto.

— Tudo bem, tudo bem, então faça como quiser. — rosnou e bateu o telefone no gancho, bufou antes de sorrir. — Sinto muito por isso, era minha esposa, sabe como é.

— Sem problemas. — disse com um sorriso amarelo.

— Ela está grávida novamente e fica ainda mais insuportável nesses períodos. Se é que isso é possível. — ele riu com escárnio.

Foi difícil, mas ela conseguiu manter o sorriso no rosto, por mais que quisesse socá-lo no rosto. Conhecia a esposa e os filhos dele, as crianças eram adoráveis e a esposa era tão intragável quanto o marido, mas ainda assim, esse não era o jeito de se tratar uma mulher, ainda mais se ela for sua esposa grávida.

— Oh, eu não sabia disso, parabéns pelo bebê.

— Claro. Estamos indo para a quarta criança porque ela não pode se lembrar de tomar as malditas pílulas, parabéns a isso.

—Mas uma criança é sempre um milagre, senhor Newton, ainda mais quando vem em uma família bem estruturada. E aqui está o arquivo que o senhor me pediu. — se aproximou e deixou a pasta na mesa dela. — Agora se o senhor me der licença.

— Espera Bella.

Merda, ela rosnou mentalmente. Quando se virou para ver o que queria, ele já estava em pé e se aproximando.

— Quantas vezes tenho que dizer para me chamar apenas de Mike? — ele disse com um sorriso condescendente.

— É apenas por uma questão de respeito, senhor Newton.

— Não acho que a gente precise desse tipo de formalidade, querida, já que nos damos tão bem. — ele se aproximou mais.

— Ainda assim. Agora eu realmente preciso voltar ao meu trabalho.

Quando se virou, ele agarrou seu braço.

— Ei, me solta.

— Gosto de você, Isabella. Tem uma aparência doce e se faz de difícil, como uma gatinha, mas aposto que quando apertam seus botões certos você se torna uma cachorra, não?

— Me desculpe, como? — perguntou incrédula.

— Aposto que nos daríamos ainda melhor. — soltando seu braço, ele agarrou sua cintura com as duas mãos e juntou seus corpos.

— Me solta, seu idiota!

— Uma cachorra selvagem. — ele riu.

Antes que ele pudesse avançar mais, ela lhe deu uma joelhada na virilha com toda a força que tinha exatamente como seu irmão lhe ensinara. Bingo. Ele a soltou e caiu de joelhos, com a mão sobre o local atingido e gemendo de dor.

— Seu babaca, eu não ficaria com você nem que fosse o último pedaço de pau desse mundo. — rosnou.

— Você... Você... Está demitida, Bella. — ele balbuciou ofegante.

— Não, eu me demito. E é Isabella pra você, seu pedaço desprezível de merda.

Com lágrimas de pura raiva ardendo em seus olhos, ela saiu batendo a porta e foi juntar suas coisas para sair daquele prédio o mais rápido possível.

Não tinha porque chorar ou ficar triste, nem gostava realmente daquele maldito trabalho. Mas é sua unica fonte de renda, uma pequena voz de racionalidade disse em sua mente. Foda-se, preferia passar a fome a continuar trabalhando para aquele porco nojento e desprezível. E não era como fosse chegar a esse extremo de passar fome, não quando tinha um irmão mais velho bem sucedido pronto para lhe dar qualquer apoio e um noivo, que também era um melhor amigo, para ajudar em um piscar de olhos.

Secou o rosto e respirou fundo antes de juntar todas suas coisas em uma caixa, depois passou no RH do escritório e resolveu tudo que precisava sobre seu pedido de demissão, pegou sua bolsa e saiu do prédio meia hora depois.

O dia estava ensolarado e muitas pessoas andavam naquele horário. Aquele era o centro comercial de Seattle e estavam em horário comercial, era claro que as ruas estavam agitadas. Normalmente, ela passaria por ali despercebida, mas agora, segurando uma caixa cheia de coisas de escritório tipicamente usada por pessoas que vão embora de seus empregos, todos pareciam estar lhe encarando – "coitadinha", "eu sei como é, colega, já passei por isso", "talvez seja culpa dela, ela deve ter feito alguma coisa para merecer", "foda-se, minha vida é mais importante".

Com um suspiro cansado, passou na Starbucks mais próxima e comprou um grande Chocolate Frappuccino gelado. Segurando a caixa sobre o braço e o copo na outra mão, ela andou para longe do centro até chegar a uma praça. Na hora do almoço, aquilo estaria cheio de pessoas comendo ou fazendo uma pausa de seus trabalhos, mas sendo ainda dez horas da manhã só tinha alguns pedestres passando ou pessoas mais velhas sentadas, conversando.

Sentou sozinha em um banco, deixou a caixa ao seu lado e deu um longo gole na bebida doce e gelada. Nada melhor do que chocolate para os momentos tristes.

Bufando um palavrão, colocou o copo no banco e tirou os malditos sapatos com um longo suspiro de alívio. Seus dedos dos pés estavam avermelhados e os dedinhos cobertos com band-aid para as bolhas; lado bom, jamais usaria aquelas merdinhas desconfortáveis novamente. Jogou os sapatos na caixa e pegou seu copo, se deliciando com mais um longo gole.

Agora tinha que decidir o que faria da vida agora. Merda.

Estava com vinte e cinco anos, não estava ficando mais nova e sua vida era uma piada. Estava quase na casa dos trintas e o que tinha?

Sua vida profissional era inexistente. Tinha muita experiência em seu currículo, mas todos em serviços pequenos que realmente não gostava suficiente para passar a vida inteira nele e agora estava desempregada. Se pudesse escolher iria viver exercendo sua paixão, preparar sobremesas, mas com iria sobreviver disso? Vendendo bolos no meio da rua? Que piada.

Talvez vida profissional seja como jogo e assim como dizem: azar no jogo, sorte no amor. É, tentou se convencer, tinha sorte no amor.

Conheceu Jacob há cinco anos, logo depois que se mudou para Seattle. Estava em um momento depressivo pela morte recente de seu pai e raramente saía de casa, então Emmett praticamente a obrigou a levar o carro dele a uma oficina mecânica e lá conheceu Jacob, o simpático mecânico. Ele não era como a maioria dos mecânicos, gordos peludos com um pedaço da bunda de fora, não, ele era o homem mais lindo que tinha conhecido – um moreno sarado de sorriso doce. Começaram a conversar sempre que ela levava o carro a ele e aquele tinha se tornado seus momentos favoritos. Logo se tornaram amigos e começaram a sair. Um ano depois, ele era seu melhor amigo e estavam namorando. Passaram a morar juntos há dois anos e ele a tinha pedido em casamento há um ano. Abaixou os olhos para a aliança de ouro branco em seu dedo – era lindo e adorável com pequeno brilhante em corte princesa sobre ele. Eles não eram ricos e sobreviviam com salários de classe média, então sabia que tinha sido uma grande demonstração de carinho ele ter comprado esse aliança, mesmo que não fosse o mais caro ou luxuoso; mas na verdade, ela amava a aliança e tinha ficado feliz com o pedido, se casariam em seis meses numa cerimônia extremamente simples – tão simples que nem tinham começado a planejar ainda.

O que mais podia querer? Amava Jacob. Quatro anos não era pouca coisa, ele era seu companheiro e melhor amigo. Sempre a fazia rir e a fazia se sentir melhor quando as coisas estavam ruins, sempre tinha sido assim. Por isso ela o considerava seu sol particular, porque ele podia afastar as nuvens e fazer o dia ficar bom. Mas se parasse para pensar e analisar bem a situação, nunca tinha passado disso. O amava com todo o coração, mas nunca sentiu como se fosse algo espetacular, algo que a fazia sentir como se o chão fosse tirado sob seus pés.

Tanto quanto apreciava da doçura do amor, também queria um pouco do calor da paixão. O que tinha era confortável, mas não como sempre sonhou que seria – voando faíscas a cada toque.

Ótimo, era frustrada em todos os sentidos.

Como era bom perceber isso de repente ao fazer uma reavaliação de toda sua vida no meio da rua, quando se está descalça com os pés cheios de bolhas, em uma roupa desconfortável, os cabelos presos de um jeito que faziam suas orelhas parecer prontas para levantar voo. Bufando, colocou o copo no banco novamente e soltou o cabelo; jogou o elástico fora e arrumou os longos fios castanhos da melhor maneira que podia com os dedos até que cobrisse suas orelhas. Colocou o cabelo para trás, mas ele caiu em camadas para o lado, e pegou sua bebida novamente.

Talvez precisasse de algo mais forte do que chocolate, talvez um pouco de álcool. Com um longo suspiro frustrado, bebeu o que tinha em mãos mesmo.

— Dia difícil querida?

Bella piscou surpreendida pela voz simpática. Nem tinha percebido, mas agora via uma senhora idosa com cabelos meio acinzentados presos em um rabo de cavalo com alguns grampos e simpático sorriso no rosto. O sorriso dela, apesar dos dentes desgastados pelo tempo, era tão simpático que passava a imagem daquelas vovós legais que cheiram a alfazema, fazem biscoitos e estragam os netos, Bella não pode evitar sorrir também.

— Na verdade, acabei de ter uma epifania e percebi que tô tendo uma vida difícil. E eu estou sendo um pouco dramática agora. — riu constrangida.

— Oh querida, todos nós temos direito a alguma cena dramática, faz parte de ser mulher, mas sabe de uma coisa que eu aprendi com todos meus anos de vida? As coisas ficam melhores. Não importa o que seja, dê um tempo e respire fundo. Se for algo que você possa mudar, faça isso. E se não puder, aceite e deixe que o tempo se encarregue, então faça algo por si mesma.

— Fazer algo por mim mesma?

— É. Seja a mudança. Se não puder mudar toda sua vida, mude alguma coisa, nem que seja seu cabelo. Ás vezes faz bem mudar. — disse sorrindo.

— Sabe... Esse é um ótimo conselho, eu vou fazer algo por mim mesma. — se levantou com a alça de sua bolsa no ombro, pegou sua caixa e seu corpo. — Muito obrigada!

— Não por isso, querida. E boa sorte!

Sorrindo e descalça, Bella caminhou até a lixeira e jogou o copo vazio, então pegou o Blackberry em sua bolsa. Apertou o número do Jacob na discagem rápida, enquanto caminhava para o ponto de táxi.

Após chamar quatro vezes, Jacob atendeu.

— Jake?

— Oi Bells, o que aconteceu? — ele perguntou parecendo preocupado.

— Hum, você está ocupado? Acha que podemos conversar se eu passar aí?

— É claro, mas aconteceu alguma coisa?

— Eu... Falo quando chegar aí.

— Uh, ok. Vou estar te esperando.

— Até então. — disse antes de desligar.

Jogou o celular de volta na bolsa, respirou fundo e entrou no táxi, decidida a fazer algo por si mesma.

. . .

A oficina em que Jacob trabalhava não era muito distante; com o pouco trafego daquela hora, chegou ao lugar em pouco menos de trinta minutos.

O lugar era grande e fazia sucesso, mas Jacob detestava aquele lugar. Antes ele amava, tinha aprendido tudo que sabia ali e amava mexer com veículos, carros e motos, era apaixonado por todos os tipos, principalmente os carros antigos. Mas há dois anos começou a odiar o lugar quando o dono e homem que ensinou tudo a Jacob morreu de ataque fulminante e o filho herdou o lugar. Seu novo chefe era idiota que se achava um expert em carros, mas não podia nem trocar um pneu e tinha horror a se sujar de graxa. Ele só não vendia o lugar porque era arrogante demais para assumir que não sabia merda nenhuma sobre oficinas, o lugar só não tinha falido e tinha continuado a crescer por todos os clientes fixos que tinham conseguido com os anos e por Jacob ser o melhor mecânico da região, sem dúvidas.

Mas o sonho de Jacob era abrir a própria oficina e ser seu próprio chefe, por isso era frustrado.

Talvez por isso eles se dessem tão bem, ambos eram frustrados e tinham encontrado conforto um no outro. E isso não era justo, para nenhum deles.

Pagou e agradeceu ao taxista antes de descer desajeitadamente, tentando equilibrar a caixa e sua bolsa. Jacob estava na porta, esperando em seu macacão sujo de graxa e franziu o cenho ao vê-la.

— O que aconteceu? — perguntou direto e confuso, se aproximando para pegar a caixa de seus braços. — São suas coisas do escritório? O que...

— Eu me demiti. Ou melhor, fui demitida e aí eu me demiti. — explicou com um riso amargo.

— Vamos entrar e você me explica tudo.

— Será que não podemos conversar aqui fora ou em algum lugar particular?

— Claro, vamos pro meu carro, então.

Ela o seguiu para seu carro, estacionado na frente da oficina. Ele abriu a porta do carona com um sorriso orgulhoso e ela riu antes de entrar. Fazia pouco mais de um ano que ele tinha aquele carro, mas ele ainda era muito orgulhoso de ser dono do seu velho e restaurado Rabbit 86 vermelho.

Jacob colocou a caixa no colo dela, fechou a porta e entrou do outro lado.

— Então, o que aconteceu no seu emprego?

Bella contou sobre os avanços de Mike, então a joelhada e a demissão.

— Aquele filho da puta, eu vou...

— Você não vai fazer nada, Jake. — o interrompeu seu ataque de fúria. Sabia que Jacob era muito superprotetor e ótimo lutador, não queria que ele entrasse em problemas por sua culpa. — Aquela joelhada foi suficiente para fazer meu ponto, acredite.

— Eu acredito. — ele riu. — Mas ainda quero matá-lo.

— Obrigada. — sorriu.

— Mas você não gostava daquele trabalho mesmo, então não foi algo assim tão ruim, finalmente você está livre e pode fazer algo que realmente goste.

— É, talvez, preciso pensar um pouco sobre o que vou fazer agora.

— Saiba que você sempre vai ter meu apoio, Bells. — ele pegou sua mão e a beijou suavemente.

— E é sobre isso que eu vim falar também, Jake. Eu... — ofegou, sentindo lágrimas se formarem rapidamente. Virou o rosto para encará-lo. Mesmo tendo cinco anos a mais, ele sempre lhe pareceu um filhotinho fofo e agora lhe olhava com aqueles adoráveis olhos castanhos tão cheios de esperança. Doía pensar em machucá-lo. — Jake...

— Bells, o que...

— Eu preciso de um tempo um tempo, Jacob. — disse rapidamente.

— O que? — o rosto dele ficou totalmente sem expressão.

Bella respirou fundo e tomou coragem para continuar.

— Eu preciso de um tempo para mim mesma e preciso fazer isso sozinha. Estive repensando minha vida e... Eu não gosto do rumo que ela tomou. Inclusive o rumo que nós dois tomamos, quero dizer, entramos em uma rotina, está desgastante e frustrante, Jake. — pela compreensão no rosto dele, Bella não pode deixar de sorrir. — Você sentiu isso também, né?

— Talvez um pouco. — ele deu uma risadinha sem humor. — Mas Bells, eu amo você.

— Eu sei e eu também amo você, mas isso é suficiente para a gente se casar? Eu não quero me casar se for pra daqui a alguns anos nós dois percebermos que foi um grande erro. Nós vamos acabar nos ressentindo e nos odiando, eu não quero isso, Jake. Você é meu melhor amigo e eu não quero que isso mude.

— Então... Nós acabamos?

Mordendo o lábio inferior com lágrimas descendo por seu rosto, ela assentiu suavemente. Ela tirou a aliança do dedo e devolveu a ele.

— Eu sinto muito, Jake.

Segurando a aliança, Jacob respirou fundo e beijou sua mão novamente.

— Obrigado por ser honesta comigo, Bells.

— Será que podemos continuar a ser... Amigos? — perguntou hesitante.

— Fizemos uma promessa antes de começar nosso namoro, lembra?

— Não importa aonde esse relacionamento nos leve, sempre teremos nossa amizade ao nosso lado. — ela recitou o que eles tinham prometido logo quando começaram a ficar.

— Exatamente. — Jacob sorriu. — Namoradas e noivas vão, melhores amigas ficam.

Bella riu genuinamente feliz pela primeira vez naquele dia.

— Você é o melhor, Jacob Black. — se inclinou pra ele e se abraçaram meio desajeitados pela falta de espaço.

— Eu sou certo? Você está perdendo um partidão, querida.

— Jake... — ela se afastou para olhar em seu rosto, preocupada com a possibilidade de seu comentário sarcástico esconder alguma dor.

— Estou brincando, Bells. — ele beijou suavemente sua testa.

— Ok. — suspirou aliviada, fazendo-o rir. — Vou desocupar o apartamento hoje, ok?

— Não precisa fazer isso, eu posso...

— Não, por favor, eu vou me mudar para o loft do Emmett. É até melhor porque não terei dinheiro para continuar bancando minha metade do apartamento por muito tempo, mas se precisar vou te ajudar esse mês e os próximos até que você se organize sozinho nas finanças ou consiga algum colega de quarto.

— Se você prefere assim. E eu consigo me manter sozinho, Bells, mas obrigado por sua consideração.

— Tudo bem. Bem... Agora acho melhor eu deixar você voltar ao trabalho, né? A gente se vê por aí. — sorriu.

— É... A gente se vê.

Era estranho; antes eles diriam "nos vemos mais tarde, amo você" e agora estavam se despedindo com um "a gente se vê" incerto e desconfortável.

Ficaram em silêncio em por uma fração de segundo, então ela desceu do carro com suas coisas. Jacob desceu também e pegou a caixa de seus braços, insistindo em levá-la até o ponto de táxi. Antes que ela entrasse, se abraçaram novamente em silêncio, um longo abraço e confortável abraço. Ela beijou o rosto dele e recebeu de volta um beijo em sua testa.

Sorrindo, ela entrou no táxi e acenou enquanto ia embora.

Deu o endereço ao motorista e pegou seu Blackberry novamente, apertou a discagem rápida de Emmett. Tocou três vezes antes que ele atendesse.

— Hey Baby-Sis*! — Emmett a saudou animado, como sempre.

[N/A*: Baby-Sis vem de Baby-Sister, Irmã-bebê, Irmãzinha].

— Você está ocupado ou podemos almoçar juntos?

— Jamais ocupado demais para a minha irmãzinha, quer que eu te busque no trabalho?

— Não, na verdade pensei que nós podíamos almoçar no seu loft e aí eu já aproveito para levar minhas coisas pra lá.

— O que?

— Surpresa! — Bella riu. — Será que você pode abrigar sua irmãzinha por algum tempo?

— O que aconteceu? O que Jacob fez? — a voz dele endureceu, fazendo-a rir novamente.

— Não usa sua voz de macho alfa, porque você sabe que ela já não funciona mais com o Jake, Emms.

— Estou falando sério, Bella, aconteceu?

— Nos falamos no almoço, ok?

— Tudo bem, pode ir lá pra casa e leva suas coisas. Eu levo a comida, o que você prefere? Chinesa ou italiana?

— Hum, chinesa! Faz tempo que não como.

— Feito. Até daqui a pouco.

— Não se esquece dos meus rolinhos primavera. — desligou.

. . .

De volta ao pequeno apartamento que dividia com Jacob, Bella deixou suas coisas na sala e foi ao quarto fazer suas malas. Todas as suas coisas estavam ali, apesar de não ter muito, seria impossível empacotar tudo em algumas horas, então juntou o máximo que pode. Como suas roupas ficavam todas penduradas ou dobradas, foi fácil colocá-las dentro das três malas grandes que tinha; sorte que detestava fazer compras e isso a fazia não ter muitas roupas, apenas o suficiente. Então em uma mala colocou todos seus sapatos, alguns de saltos, sapatilhas e vários pares de All Star, sua orgulhosa coleção. Em um mochila juntou seus eletrônicos, depois produtos de higiene e beleza. Tinha suficiente e podia pegar o resto depois.

Ligou na portaria do prédio e pediu ajuda do porteiro, que veio lhe ajudar a descer com as malas, perguntando se estava de mudança. Sendo discreta, disse que sim e que agradeceria se ele chamasse um táxi.

Voltou ao apartamento rapidamente e deixou um bilhete na mesinha de centro.

‘Levei o máximo que pude comigo e volto para pegar o que eu esqueci. Tente não me roubar nada, ok? Lembre que você fica péssimo nas minhas roupas. Estou no Emmett e ficarei bem, então não se preocupe. Fique bem também. Eu amo você. Bella’.

Enxugou as lágrimas despercebidas que descerem por seu rosto, pegou sua bolsa e foi embora.

Diferente do prédio simples em um bairro de classe média e o apartamento pequeno que dividia com Jacob, o prédio de Emmett era mais requintado em um bairro de classe média alta e ele morava em um loft confortável.

O lugar tinha tudo, desde piscina até academia particular para moradores e funcionários. Emmett podia dizer que tinha sorte em todos os sentidos; era bem sucedido profissional e mesmo que não quisesse nenhum relacionamento sério, tinha todas as mulheres aos seus pés. E Bella não podia sentir mais orgulho dele por isso – tudo que Emmett tinha era fruto do próprio esforço, mesmo quando todos duvidavam que ele fosse capaz por gostar de se divertir e muitas vezes parecer imaturo, mas lá estava ele agora.

Ela desceu do táxi e o porteiro ajudou com as malas sem hesitar, pois sabia que ela era irmã de um morador e tinha acesso livre. Ela acertou com o taxista – e como tinha gastado com táxi naquele dia, realmente precisava conseguir um emprego, talvez um carro, ou acabaria falida –, então subiu de elevador com a ajuda do porteiro.

Entrou no lugar e agradeceu ao porteiro que colocou suas malas no meio da sala, deixou tudo ali enquanto olhava ao redor.

Loft de Emmett um espetáculo a parte, no penúltimo dos doze andares. Obviamente sem paredes separando o cômodo e com um mezanino servindo de segundo andar, o lugar era charmoso e perfeitamente confortável para um homem solteiro, todo decorado em tons variados de creme e madeira. Logo na entrada, separado por uma pequena parede que servia como hall de entrada e um balcão a cercando estava à cozinha bem equipada; no meio do lugar estava a sala de star, com duas poltronas atrás dos bancos do balcão, a mesinha com a grande televisão de plasma, um grande tapete bege quadrado sobre o chão de piso laminado marrom escuro, no meio a mesinha de centro baixa em madeira escura, no outro extremo da sala o grande sofá com um puff quadrado combinando; então o mezanino com corrimão de vidro temperado levava ao andar que ficava o grande banheiro e seu quarto.

O lugar era bom para uma pessoa solteira ou um casal, não duas pessoas que, apesar de íntimas, não precisavam ver todos os momentos íntimos do outro. Esperava que não atrapalhasse Emmett.

Arrastou todas suas coisas para o canto ao lado do sofá, então pegou nas malas as coisas necessárias para um banho e subiu.

Estava se sentindo mais humana quando saiu do banheiro, mesmo que estivesse totalmente desleixada em um conjunto de moletom preto dois números maior e os cabelos soltos caindo úmidos sobre seu ombro. Descendo as escadas, viu que Emmett já estava na cozinha, elegante em seu terno escuro, abrindo as embalagens de comida chinesa sobre o balcão.

— Hey Big-Bro*. — disse sorrindo. — Nem vi que já tinha chegado. Hum, isso está cheirando maravilhosamente bem.

[N/A*: Big-Bro vem de Big-Brother, Grande irmão, Irmãozão].

— Está mesmo.

Foi até ele e lhe abraçou. Emmett era muito maior do que ela – em altura e músculos –, então sempre se sentia confortável e protegida em seus braços; sabia que ficou um pouco mais do que necessário ali, dando um suspiro e ganhou um beijo no alto da cabeça.

— Então, vai me dizer o que aconteceu? — ele perguntou.

— Resumidamente? Pedi demissão, terminei com o Jacob e saí de casa. — falou com a naturalidade de quem comentava o tempo, enquanto pegava um garfo para comer seu Yakisoba.

— O que?

Eles sentaram lado a lado nos bancos alto do banco, então Bella começou a contar tudo que tinha acontecido. Assim como Jacob, Emmett queria ir matar Mike, mas ela garantiu que sabia se defender, e ele também disse que ao menos ela não gostava realmente daquele serviço. Então contou sobre como terminou com Jacob por não estar satisfeita com a relação.

— E como ele reagiu? — Emmett perguntou com a boca cheia.

— Mmm... — mastigou e engoliu antes de falar. — Bem. Quer dizer, ele também sentiu que estávamos naquele relacionamento por puro comodismo, não amor ou paixão. Eu o amo, mas como meu melhor amigo, um irmão, não marido.

— Oh não, por favor, não diz que o ama como um irmão porque isso é perturbador, quer dizer, vocês transavam. — ele disse franzindo o rosto com nojo. — E é bom que saiba que de todas as perversões que já fiz incesto está muito, muito, extremamente fora da minha lista. Eu te amo, mas nunca. Eu quero dizer isso, nunca.

— O que? Eca, Emmett! Ugh! Eca! — chutou a canela dele.

— Bom que estamos resolvidos.

— Seu idiota. — revirou os olhos e riram juntos.

— Mas que bom que vocês terminaram agora, melhor do que se tivessem casados e com filhos.

Bella assentiu, levando mais da comida a boca.

— E o que você vai fazer agora?

— Não sei. Procurar um emprego e então um lugar pra morar, eu não quero ficar te incomodando por muito tempo.

— Como se uma coisa pequena como você incomodasse. Por favor, Isabella. — bufou ao revirar os olhos. — Você é minha irmãzinha, fico feliz em ter você aqui, será como nos velhos tempos.

— Eu não quero te atrapalhar, Emm, quer dizer, com as garotas e tudo mais.

— Homens têm seus limites e regras, irmãzinha, não trago qualquer uma para cá. Por enquanto posso não ser o homem de uma só, mas um dia vou ser e não vou ficar com a futura mãe dos meus filhos no mesmo lugar com quem fiquei com mulheres de apenas uma noite. Você é a unica mulher com permissão para ficar aqui e futuramente a mulher com quem eu queira algo sério. Só trago para cá mulheres com quem eu realmente me importo. — disse sorrindo, mostrando uma adorável covinha em cada bochecha.

— Você é um canalha tão doce, meu irmão. — brincou.

— Faz parte do meu charme. — ele riu com uma piscadinha.

— Acho que é isso que eu preciso, sabe. Alguns homens de apenas uma noite.

Emmett gargalhou jogando a cabeça para trás.

— O que? — franziu o cenho pra ele.

— Desculpa irmãzinha, mas você não me parece o tipo de pessoa que tem casos de apenas uma noite.

— Por quê? Não sou boa suficiente para isso?

— Claro que não, você é ótima! Não que eu goste de pensar nisso, pelo amor de Deus, você ainda é minha irmãzinha, mas não posso negar que você cresceu e se tornou uma mulher linda, você é linda e poderia ter qualquer homem na sua cama.

— Então...?

— Não me faça ter essa conversa com você, por favor. — ele choramingou.

— Diz Emmett!

— Ok. Como posso dizer isso... — ele respirou fundo, parecendo ponderar por alguns segundos. — Eu totalmente acredito na igualdade entre homens e mulheres em todas as situações, mesmo se tratando do sexo. Acho que se você quer fazer sexo, deve fazê-lo e foda-se, mas ter casos de uma noite é algo feito para quem consegue separar os sentimentos do sexo.

— E quem te disse que eu não consigo?

— Ah, Bella, por favor! Você é toda doce e de aparência delicada, não é do tipo que faz sexo com qualquer um a qualquer momento, quero dizer, com quantos homens você esteve, tirando Jacob?

Bella corou e evitou responder enchendo a boca com uma garfada de Yakisoba. Emmett gargalhou.

— Viu? É disso que eu estou falando, você tem 25 anos e teve apenas um homem em toda sua vida sexual. Como seu irmão mais velho, eu acho isso ótimo. Mas como um homem que ama as mulheres e acha que elas têm tanto direito ao prazer e diversão quanto homens, eu acho isso meio triste. Céus, eu espero que você ao menos se masturbe. — dando ombros, ele voltou a comer.

— Ugh, eu não acredito que estou tendo essa conversa com você, mas quer saber? Você está certo. Você está absolutamente certo!

—Geralmente eu estou. — disse mastigando.

— É triste. Em breve terei trinta anos e apenas um homem visitou minha amiguinha, é exatamente disso que eu preciso. Preciso experimentar coisas novas e ter alguma aventura espetacular.

— Tá, e como você pretende fazer isso?

— Eu... — pensando por alguns segundos, ela suspiro frustrada. — Não tenho ideia, mas vou dar um jeito. Mas é isso que vou fazer, vou procurar algo ou alguém que me faça ver e sentir as faíscas voando a cada toque, exatamente como sempre sonhei.

— Só posso te desejar boa sorte e mandar que tenha cuidado. E tenho uma dica para essa sua busca pela felicidade.

— O que?

— Nunca mais chame sua, hum, você sabe, de amiguinha, é... Embaraçoso e broxante. — Emmett disse rindo. — Acredite no conselho de um homem, eu não deixaria meu pênis passar perto de nada chamado de amiguinha, isso soa como um crime, aliás.

Mesmo corando, Bella gargalhou.

Notas finais
E então, o que acharam? Bella está decidida e vai atrás do que quer. Quem me dera ir atrás de diversão e encontrar um Edward né? Ai ai... Bom já saberem: Aqui não terá nada de Jacob atrapalhando Beward, Jacob é um super amigo então sem ódio; muito companheirismo Bella e Emmett, nosso cafajeste doce, e aos poucos vocês vão conhecendo todos os personagens, principalmente aqueles que terão destaque futuramente. Comentem muito e até o próximo, bjsbjs s22 @candy_rafatz P.S: Pra quem gosta de um romance bem dramático, deem uma passada na minha nova one-shot: fanfiction.com.br/historia/440147/Into_the_dark