No fim da tarde, Leah ainda estava sumida e Jacob estava cada vez mais frustrado. Não saber o que fazer, não saber onde procurá-la estava fazendo a dor ficar em segundo plano, substituída pela raiva. Estava com raiva de tudo e não sabia exatamente do quê, deu um soco na parede e nem a dor no punho não foi suficiente para acalmá-lo.

Tentou segui-la de carro, mas com sua moto ela conseguiu costurar o trânsito entre os carros até desaparecer de sua visão. Voltou para sua própria casa e ligou primeiro para Bella, sem dizer o que estava acontecendo, apenas disse que tinha brigado com Leah e que ficasse atenta, não a deixasse sair. Fez a mesma coisa com Emmett, porque da última vez ele a tinha tirado da cadeia, também ligou para Kate e Carmen, ninguém tinha notícias. Estava preocupado, ela estava tão transtornada que tinha medo que ela pudesse fazer alguma coisa que fosse se arrepender ou sofrer algum acidente em sua moto.

“Pelo menos não tínhamos comprado nada pro bebê, né?” Leah tinha dito, mas sentado no sofá, enquanto bebia sua terceira cerveja, Jacob segurava um ursinho de pelúcia marrom que não era muito maior que sua mão. Leah não queria comprar nada até pelo menos o quinto mês de gestação, como sabiam que os três primeiros meses eram quando aconteciam a maior parte dos abortos espontâneos, ela não queria comprar coisas pra depois ter que se desfazer delas porque algo ruim aconteceu, mas Jacob não pode evitar, na saída do trabalho acabou passando por uma loja de bebê e quase comprou um enxoval completo de tão deslumbrado que ficou; imaginando como ele e Leah decorariam o quarto do bebê, quando comprariam as roupinhas, os brinquedos, quando a vendedora se aproximou e perguntou se queria alguma coisa, explicou que estava apenas olhando porque sua mulher (ah, como ele ficou feliz em se referir a ela como sua mulher) tinha algumas superstições, ela entendeu e disse que era compreensível, que ele podia ao menos levar alguma coisa pequena se quisesse já ter algo que representasse o bebê em sua casa, Jacob concordou na hora – estava tão bobo e não tinha vergonha algum – então ele pegou o ursinho. O primeiro presente que daria ao seu filho ou filha.

“Eu tenho um bebê! O Sam tem um bebê! Você não! Não há nada aqui pra você!” a voz de Leah ecoou em sua mente novamente.

O filho não era seu, era de Sam. Mas como aquilo podia ser justo? Ele era o pai daquele bebê. Ele tinha amado e lutado por aquele bebê desde o segundo que descobrira que Leah estava grávida, como Sam podia ser mais pai que ele? Biologicamente talvez, mas e de coração? Não é isso que os clichês dizem? Pai é quem cria e quem ama? Ele estava disposto a criar e amar aquela criança, seu coração gritava que aquele era seu filho.

Mas na realidade, não tinha direito nenhum sobre aquele bebê, nem sobre Leah. E seu coração doía mais do que jamais soube que pudesse doer, nem quando Bella terminou seu noivado tinha doído daquela maneira, era como se toda a vida que tinha sonhado e estava se realizando fosse arrancado de sua mão, agora não restava nada.

Três batidas fortes o tiraram de suas lamentações, então ouviu Kate gritar seu nome. Deixou a cerveja na mesinha de centro, ainda carregando o ursinho, abriu a porta e a loira entrou lhe empurrando.

— Cadê a Leah? O que você fez?! — ela rosnou.

Jacob encostou a porta e se virou pra ela.

— Ela passou no meu apartamento, mas foi embora antes que eu chegasse, o que você fez com a Leah?

— Ela foi lá? Como você sabe?

— Meu porteiro disse e ela fez uma bagunça no meu apartamento, ela resolveu extravasar a raiva dela jogando um copo e uma garrafa de uísque na parede, aliás ela vai pagar pela garrafa, eu amava aquele uísque e foi um presente do Jasper — ela agitou a cabeça ao perceber que estava divagando. — O que você fez com ela?

— Nada, Kate. Aconteceu algo na clínica e… — ele suspirou, voltando a pegar sua cerveja e sentou no sofá.

— O que aconteceu? Oh meu deus, foi algo com o bebê? Jacob me diz? Porra, Jacob, a Leah é a minha melhor amiga e ela vai me contar o que aconteceu hoje de qualquer maneira, mas você pode me poupar de todo essa agonia me contando logo, por favor. — ela esperou e gritou: — Jacob!

— O bebê não é meu. — ele disse com um sorriso irônico e amargo. — Ela está com doze semanas de gravidez.

— Puta merda, não. Puta merda. — Kate colocou a mão na cabeça. — Eu acho que preciso de uma cerveja dessas também.

— Claro. — ele deixou o ursinho no sofá e foi na cozinha, voltou com duas garrafas long-neck de cervejas novas e destampadas.

Sentou ao lado de Kate no sofá e entregou a dela, os dois beberam ao mesmo tempo.

— E agora? — Kate sussurrou.

Jacob deu ombros. Se recostou no sofá, com o rosto para o teto e os olhos fechados.

— A gente tinha ficado tão feliz sobre como a Leah tinha conseguido se livrar do Sam, ela estava tão feliz que o bebê teria um pai como você, mas que.... Merda.

— E bota merda nisso.

Kate colocou a mão no joelho de Jacob e apertou em solidariedade.

Os dois ficaram em silêncio bebendo suas cervejas, alguns goles depois o celular de Kate tocou e os dois se sobressaltaram na esperança de ser Leah, mas era Carmen.

— Não, Carms, ela ainda não apareceu. — Kate disse. — Eu estou aqui no Jacob esperando alguma notícia… Tá bom… Beijo.

E depois, eles ficaram no silêncio e Jacob era grato por isso, tudo que não queria era conversar.

Vários minutos depois, ele se levantou e disse para Kate ficar à vontade, mas precisava tomar banho pra esfriar um pouco a cabeça, ela disse que ficaria ligando para todos que ela e Leah conheciam, também ligaria para Seth – o irmão da Leah.

— Se quiser mais cerveja ou comer alguma coisa, fica a vontade, a cozinha é por ali. — ele apontou antes de seguir para o banheiro.

Todo o dia seguia se repetindo na sua mente enquanto a água gelada caia sobre sua cabeça. Com as mãos apoiadas no azulejo, ele abaixou o rosto e deixou a água cair sobre sua nuca e suas costas; começou ofegante, tentando se controlar, mas as lágrimas começaram a se misturar com a água da ducha.

Ergueu o rosto para a água novamente, deixando que lavasse a água salgada, rosnou um palavrão e socou a parede novamente.

Se lavou e ficou no chuveiro mais tempo do que pretendia, saiu do banheiro com a toalha branca amarrada em sua cintura e escutou vozes diferente vindo da sua sala – Bella e Edward? – merda. Foi para o quarto e se vestiu rapidamente, de jeans e camisa de flanela, voltou para sala e encontrou o casal conversando com Kate.

— O que vocês estão fazendo aqui?

— Eu estava preocupada com você! — Bella exclamou. — Você parou de atender o celular, só disse que brigou com a Leah e ela estava sumida, o que aconteceu, Jake?

— Nada pra vocês se preocupar.

— Nada com o que nos preocupar? Você parecia nervoso no telefone e tá ainda pior ao vivo, os dois tinham ido animados fazer o ultrassom do bebê e acabou numa briga, o que eu poderia pensar? Alguma coisa com o bebê? Ele está bem?

— Ele está bem, só aconteceu um… Imprevisto. Só isso. — ele disse sucintamente e irritado.

— Imprevisto? O que, Jake? Olha seu estado e a Leah sumiu, alguma coisa grave aconteceu!

— Sim, Bella, mas isso não é da sua conta, ok? Você pode voltar pra sua vida perfeita e deixar que eu lide com os meus problemas! — quase gritou fazendo-a recuar com os olhos arregalados.

— Eu não sei qual é o seu problema, mas nem pense em descontar na Bella. — Edward rosnou, puxando sua namorada para trás pelo ombro.

— Está tudo bem, Edward. — Bella garantiu.

— Não está não. Você estava passando mal de preocupação e veio aqui para garantir que estava tudo bem com ele, ver se podia ajudar, não pra ser saco de pancada dele.

— Ele está certo, me perdoa, Bella. Eu só… — ele suspirou e esfregou a cabeça, frustrado e irritado. — Porra, é complicado e não é algo só meu, se fosse você sabe que seria a primeira pessoa que eu recorreria por ajuda, você e o Emmett.

— A Leah está grávida do Sam. — Kate disse de repente, recebendo os olhares surpresos dos três.

— Kate!

— Somos uma família, Jacob. Você, Bella e Emmett chegaram agora, mas eu e Leah não temos segredos com o resto do grupo, então se ela for ficar chateada com alguém vai ser comigo, eu lido com ela, e você pode ter sua amiga. Jacob, você precisa de apoio tanto quanto a Leah e eu não te conheço o suficiente pra ser o que você precisa, mas a Bella conhece.

— Jake… — Bella suspirou seu nome e foi em sua direção, passando os braços ao redor de sua cintura e apoiando a cabeça em seu peito.

Jacob ficou tenso por alguns instantes e ergueu o rosto para Edward; não que precisasse de autorização para abraçar sua amiga, foi apenas sua primeira reação e Edward apenas assentiu – naquele momento, Jacob precisava de sua melhor amiga e Edward sabia que Bella precisava estar ali para apoiar seu melhor amigo –, então Jacob a abraçou de volta.

. . .

Leah estava batendo no pé no saguão do prédio de Sam. Impaciente, com mais medo do que gostaria de assumir. Precisava tirar isso de suas costas logo e falar com Sam ou não conseguiria fazer mais nada a não ser pensar nisso.

Enquanto todos deviam estar lhe procurando, ela passou o dia andando de moto pela cidade sem rumo. Parou em uma lanchonete para comprar algo pra comer, sentou em uma praça por horas vendo crianças brincar no parquinho. Crianças brincando, correndo, gritando, rindo, em alguns momentos algumas choravam por terem se machucado ou porque queriam brincar em algum brinquedo que estava ocupado ou porque tinham que ir embora; eram bonitinhas e assustadoras. Haviam poucos mães e pais, a maioria parecia babás – ela reconhecia pelas roupas brancas –, cuidando de seus bebês em carrinhos, com bolsas de bebês ou mochilas infantis nos ombros, conversando entre elas, gritando instruções para as crianças.

Para uma pessoa que nem tinha certeza que queria ter filhos, era surpreendente até pra ela que tivesse tanta certeza que seu filho não seria colocado nos cuidados de babás a vida inteira; ele teria uma mãe presente, assim como a sua tinha sido. Por isso precisava falar com Sam logo e saber se ele também teria um pai.

— Eu sinto muito, senhora, mas o Sr. Uley não autorizou a sua entrada. — o porteiro disse a Leah, fazendo bufar de raiva.

— Liga de novo.

— Senhora…

— Escuta, eu sei que não é sua culpa e por isso não quero ser grosseira com o senhor, mas liga de novo. — vociferou pausadamente. — Diga que eu insisto falar com ele.

O porteiro suspirou, pegou o interfone e discou de novo.

— Eu sinto muito, senhor Uley, mas…

— Me deixa subir, Sam, eu preciso falar com você! — Leah gritou se inclinando sobre o balcão. — Ou você prefere que eu faça um escândalo na porta do seu lindo prédio pra que todos os seus vizinhos saibam quem você é de verdade? O filho da puta, porco e traidor…

— Ele falou tudo bem, pode subir. — o porteiro disse rapidamente.

— Ótimo. — Leah sorriu.

O porteiro lhe disse o número do apartamento e Leah foi para o elevador.

E toda a coragem que tinha adquirido para gritar pelo telefone, tinha sumido no momento em que desceu no andar de Sam. Sua mão suava e seu estômago se contorcia, mas ela continuou e bateu na porta do apartamento dele.

Sam continuava o mesmo, parecia ter engordado um pouco, mas continuava com a pose arrogante de sempre, de jeans e camisa polo com o cabelo úmidos, parecia ter acabado de tomar banho; e ela tinha certeza que tinha, ela podia sentir o cheiro do sabonete dele.

Olhando para Sam, sentindo o cheiro dele, não sentiu nada. Nem ódio, nem saudade, nem amor, apenas… Nada. Era tão estranho.

— Eu tenho uma ordem de restrição contra você, lembra? — Sam disse rispidamente. — Você não devia nem estar aqui.

— Eu vou chamar a polícia! — escutou Emily gritar de dentro do apartamento.

— Vocês estão morando juntos agora? — Leah perguntou erguendo uma sobrancelha.

— Estamos noivos! — Emily gritou.

Leah olhou para a mão do Sam e viu a aliança de prata em seu dedo.

— Parabéns.

— O que você quer, Leah?

— Eu preciso conversar com você, é sério. Posso entrar? Você acha que eu estaria aqui se não fosse? Você me conhece melhor que isso, Sam.

— Tudo bem, entre.

— Eu não posso acreditar que você vai deixar essa louca entrar, e se ela surtar e começar a quebrar tudo aqui? Lembra como ela destruiu o seu apartamento? E o seu carro?

— Cala a boca, porra. Eu não vou fazer nada, só preciso conversar com o Sam a sós.

— O que? — Emily riu. — Eu não vou sair daqui e te deixar sozinha com o meu noivo, vadia.

Leah riu agitando a cabeça.

— Não se garante, querida?

— Contra você? Com certeza me garanto. Afinal, roubei ele de você, não roubei? — Emily sorriu.

— Eu agradeço, você me faz um favor. Agora, dá o fora.

— Leah, fala logo o que você…

— Estou grávida.

— O que?! — Emily gritou e Sam empalideceu.

— E você veio em dar a notícia por que? Espera que eu te dê parabéns?

— Não, Sam, eu só vim lhe informar que estou grávida e você é o pai.

— Eu? O pai? — ele riu com escárnio. — Estamos separados faz mais de um mês, Leah, só agora resolveu me informar que eu serei pai?

— Eu não sabia que você era o pai até fazer o ultrassom hoje e descobrir que estou com doze semanas, eu pensei que o pai era o cara que estava vendo.

Sam gargalhou.

— Então quem me garante que eu sou o pai desse bebê? Quem me garante que você não dormiu com outros enquanto a gente tava junto?

— O que? Eu sempre fui fiel a você, seu filho da puta, você que me traiu!

— E a gente terminou e eu tenho uma ordem de restrição contra você, eu não sou o pai.

— O que você quer? — Emily perguntou. — Dar o golpe da barriga? Tirar dinheiro do Sam? Tentar uma reaproximação? Você perdeu, Leah, aceita isso e some da nossa vida.

— Nem que o Sam fosse o último cara da terra, eu iria querer uma reaproximação.

— Talvez porque você nem goste de homens. — ela zombou.

— Se a opção é o Sam ou ser lésbica, chuparei bocetas com prazer. — Leah sorriu. — Qualquer teste de DNA provaria que o Sam é o pai, sua vadia estúpida.

— Mas eu não vou fazer DNA nenhum! E nem quero ter nada a ver com esse bebê, muito menos com você! Você me escutou? Quando eu tiver filhos, a Emily vai ser a mãe, não você. Nunca você — ele riu com deboche. — Na verdade, eu tenho pena desse bastardo por ter uma mãe como você que mal pode cuidar de você mesma. Esse bastardo não é o meu filho. — Sam rosnou com nojo.

Os olhos de Leah estavam arregalados e as lágrimas ardiam neles, mas os enxugou antes que pudesse dar o gosto de vê-la chorar.

— Você está certo, você não é o pai. Mesmo que um teste de DNA diga o contrário, você não é o pai porque esse bebê merece mais do que você. Eu não submeteria meu filho a ter que conviver com vocês dois, porque eu vou amar esse bebê.

— Sai da minha casa antes que eu chame a polícia! — Emily gritou.

— Você não precisa pedir duas vezes.

. . .

Leah se arrastou para dentro de seu apartamento vazio, acendeu a luz da sala e deixou o capacete e as chaves cair no chão.

Tentar segurar o choro fazia sua respiração ficar arfante, as lágrimas ardiam em seus olhos e ela tentou segurar, mas já estava chorando. Sem Sam – e isso ela não se importava – e sem Jacob. E já estava sentindo a falta dele, como aquilo era possível?

A raiva crescia em seu peito. Por que tinha tudo que dar errado? Por que não podia ser feliz? O que tinha feito de tão errado na vida pra merecer tanta merda? Talvez ela merecesse, mas aquele bebê não. Ele era uma criatura inocente que e já era renegado pelo pai.

O ódio de Sam cresceu e queimou em seu peito, a fez gritar e pegar um porta-retrato ao lado da televisão e atacar contra a parede. Queria destruir algo, seu apartamento todo se fosse preciso. Gritando, derrubou tudo das prateleiras, das estantes, atirou as coisas contra a parede, os copos de vidro de enfeite voaram ao redor da sala, a garrafa de bebida foi atirada na porta.

Foi ao banheiro sem motivo e parou em frente ao espelho, ofegante. Seus olhos já estavam começando a inchar do choro, seu cabelo negro estava desgranhado, o suor brilhava em seu rosto. Aquela era a única culpada de toda situação, ela mesma. Estúpida. Idiota.

“Eu tenho pena desse bastardo por ter uma mãe como você que mal pode cuidar de você mesma” a voz de Sam ecoou em sua mente.

Leah gritou e deu um soco no espelho, como se pudesse acertar seu próprio rosto pelo reflexo. A dor explodiu em sua mão e seu sangue começou a escorrer pelos seus dedos, caindo na pia. O sangue pingou no chão do banheiro quando foi pegar uma toalha pendurada na parede pra enrolar na mão, gemeu pela dor e ardência do corte, então saiu do banheiro.

Parou no corredor com as costas na parede, então deslizou por ela até sentar no chão com os joelhos erguidos junto ao peito, com a mão ferida sobre o joelho, então chorou.

Chorou como se seus gritos pudessem expulsar a dor de seu peito. Chorou como só tinha chorado no dia da morte de seu pai e ainda mais. Na verdade, chorou como nunca tinha chorado em toda sua vida. Chorou por ela, chorou pelo seu bebê, chorou por Jacob.

. . .

No momento em que o porteiro de Leah ligou para Kate avisando que ela chegara, como ela pediu, Jacob correu para seu carro e dirigiu como louco pela noite até a casa dela. Respeitou os sinais vermelhos apenas para não causar um acidente, mas, com certeza, receberia as multas por alta velocidade no mês seguinte, mas tudo que podia pensar era em chegar até Leah.

Todos queriam lhe acompanhar, mas ele pediu para que ficassem porque precisava resolver isso com Leah a sós e mandaria notícia. Bella convenceu Kate a ficar com ela e a loira então lhe emprestou a cópia da chave que tinha da porta da melhor amiga, e ele a usou para entrar no apartamento.

https://www.youtube.com/watch?v=6ZYisBWNtO0

Oblivion – Bastille

A sala estava uma bagunça, como se um furacão tivesse passado por ali, mas o choro de Leah foi mais importante do que a desordem e ele correu na direção do quarto, parando no início do corredor ao encontrá-la sentada no chão, chorando.

— Leah. — chamou-a suavemente e a ela ergueu o rosto.

Ofegante, com os olhos brilhando com suas lágrimas e o rosto molhado pelas já derramadas, parecendo tão perdida e vulnerável como nunca a tinha visto. Vê-la quebrada quebrou seu coração.

— Merda. — rosnou ao ver a toalha ensaguentada ao redor da mão dela, se ajoelhou ao lado dela e tocou seu braço. — O que aconteceu com a sua mão, amor?

— Nada. — sussurrou roucamente. — O que você está fazendo aqui?

— Merda. Deixa eu ver isso. — ele puxou seu braço com cuidado e desenrolou a toalha. Um corte grande estava aberto entre as juntas do dedo médio e o anelar, outro pequeno entre o seu mindinho e o anelar. — O sangramento já parou e por sorte não é tão profundo, não parece precisar de pontos, vem, levanta.

— Jacob…

— Vamos lavar essa mão, limpar esses cortes e colocar um curativo nisso, Leah. — se levantou, pegou a mão boa dela e a puxou.

— O que você está fazendo aqui, Jacob? — repetiu.

— Onde mais eu estaria, Leah? — sussurrou e acariciou seu rosto, antes de puxá-la para o banheiro. E então viu o espelho rachado, a marcha de sangue onde o punho dela tinha acertado. — Da próxima vez você poderia tentar socar algo mais macio.

Em silêncio, ele tirou a toalha da mão dela e colocou sobre o ombro, ligou a torneira e colocou a mão dela sob a água. Leah se encolheu e gemeu de dor, Jacob sussurrou um pedido de desculpas. Tirou o sangue da mão dela, pegou um pouco de sabonete líquido na ponta dos dedos e passou ao redor do corte para limpar o sangue seco, então passou sobre os cortes; olhou para trás, Leah estava apertando os lábios e os olhos para não fazer barulho, então ele continuou limpando. Enxaguou e a fez sentar no vaso sanitário com a tampa fechada.

Como já conhecia o apartamento dela, pegou o kit de primeiros socorros em baixo da pia; passou um spray antisséptico nos cortes, no pequeno colocou um band-aid e no maior colocou uma gaze dobrada ao meio e fixou com esparadrapo.

Estava tão concentrado em cuidar da mão dela que nem percebeu que ela o olhava fixamente. Quando acabou, guardou tudo e lavou a mão, ela ainda lhe encarava.

— Eu não sei que medicamento você pode tomar pra dor por causa da gravidez, mas podemos procurar na internet ou ligar para a Esme, ela deve…

— Eu estou bem. — Leah garantiu e repetiu: — Por que você está aqui, Jacob?

— Você sumiu, eu estava preocupado com você. Todo mundo está preocupado com você. A Kate pediu pra que o seu porteiro avisasse quando você chegasse, ai ele ligou e eu vim, sozinho.

— Por que?

— Porque eu estava preocupado com você, eu já disse.

— Por que? — sussurrou e se levantou. — Por que?! Eu gritei com você! Eu te mandei ir embora, eu disse que você está livre então por que você está aqui, Jacob?! Por que, porra?!

— Por sua causa, Leah! Por causa desse bebê! Por nossa causa! — ele gritou de volta. — Porque eu não quero ser livre, porra, eu quero você!

Leah parou ofegante e tentou dizer algo, mas suas palavras foram atropeladas por um soluço e então ela quebrou no choro.

Jacob passou os braços ao redor dela e lhe puxou para o seu peito; as pernas dela pareciam estar fracas e ela só queria sentar no chão e chorar, mas ele não a soltou. Jacob sentou no chão com as pernas abertas e a puxou entre elas, deixando-a chorar em seu peito. Ele olhou para o teto, respirando fundo enquanto tentava não chorar junto, escutá-la chorar daquele jeito estava lhe destruindo.

— Me perdoa… Me… Perdoa… — ela dizia entre o choro, mas era difícil entender o que ela tentava dizer entre os soluços.

— Nós vamos dar um jeito, eu te prometo, Leah.

— Eu… — ela parou chorar e saiu do abraço dele, mas continuou sentada entre suas pernas; de olhos fechados respirava fundo tentando se acalmar. Então os abriu, olhando Jacob seriamente. — Eu fui atrás do Sam, eu contei pra ele sobre o bebê.

Ele assentiu, não sabia o que responder naquele momento em que sentia seu peito ser rasgado e um pedaço dele ser arrancado, perdia um filho – literalmente.

— Ele… — o lábio inferior dela tremeu e as lágrimas voltaram a encher seus olhos. — Ele não acredita que é filho dele, mesmo quando eu disse que qualquer exame de DNA poderia provar isso, ele disse que… Não quer ter nada a ver comigo ou com esse bebê, que não é filho dele, chamou meu filho de… Bastardo e… — fechou os olhos. — Que tinha pena do bebê por ser meu filho e… Merda, Jacob, ele está certo e…

— Não, porra, não. — ele a puxou de volta para seus braço e apertou forte enquanto ela chorava. — Não, ele não tá. Ele é um filho da puta de merda que não sabe porra nenhuma, Leah. — beijou os cabelos dela. — Sabe o quê? Eu estou feliz.

— O que? — ela o empurrou para olhar em seu rosto.

— Feliz. — Jacob repetiu sorrindo.

— Que ótimo, Jacob. — ela o empurrou de novo e se levantou rapidamente, ele a acompanhou e segurou seu braço antes que ela saísse do banheiro.

— Me escuta. — a virou para que ela a olhasse. — Hoje foi um dos piores dias da minha vida, eu nunca me senti tão… Quebrado e impotente na minha vida, tudo que eu queria estava sendo arrancado de mim e eu não podia fazer nada, mas agora eu estou feliz porque o Sam apenas confirmou o que eu sabia, que ele não é o pai desse bebê. Eu sou o pai.

— Jacob, eu queria tanto isso, mas… Eu não posso te colocar nessa posição, eu nunca te pediria isso.

— Você me colocou nessa situação quando me perguntou gritando o que eu e a porra do meu pau fizemos com você. — disse sorrindo, fazendo-a rir suavemente. — E você não está me pedindo nada, na verdade, eu é que estou te pedindo, eu entendo que não tenho direito nenhum aqui, mas… Eu quero estar aqui mais do que jamais quis algo na minha vida, Leah.

— Por que? — Leah perguntou chorosa. — Vai custar tempo, dinheiro, sua vida, Jacob. É algo que vai te ligar a mim pro resto da sua vida, você sabe o que é isso? Você estará ligado a porra dos meus problemas, meus surtos, meu descontrole e é possível que esse bebê puxe o meu temperamento, você sabe, né? — uma lágrima desceu pelo seu rosto. — Você pode ir embora agora, por que você quer ficar?

Jacob segurou o rosto dela entre as mãos e sorriu.

— Porque eu quero tudo isso, Leah. Eu quero seus problemas, seus surtos, seu descontrole e esse bebê que puxará 100% do seu temperamento e por isso vai ser tão perfeito quanto você. Eu quero ser pai dessa criança porque eu já a amo, Leah. Eu amo esse bebê tanto que pensar em não estar lá quando ele nascer, não estar lá cada dia da sua vida vendo-o crescer faz meu coração doer. Pensar em não estrar do seu lado vendo esse bebê crescer faz meu coração doer, Leah. Você se lembra do que eu te prometi naquele banheiro, na casa da Esme e do Carlisle?

Leah assentiu e Jacob esperou que ela dissesse.

— Que você não iria me trair.

— Porque eu queria nós três felizes juntos. Você se lembra o que você me prometeu?

— Que você sempre seria o pai do meu filho.

— Você pode cumprir essa sua promessa agora? Porque eu pretendo cumprir a minha porque eu te amo, Leah. — se declarou fazendo-a arregalar os olhos e colou seus lábios ao dela antes que dissesse qualquer coisa. — Você não precisa dizer nada de volta, eu só preciso que você saiba. Hoje eu percebi que eu te amo, eu amo esse bebê, eu amo a nossa pequena família, não tira isso de mim.

— Eu não costumo chorar tanto quanto eu tô chorando hoje, você sabe né? — ela fungou, sem poder passar a mão do rosto porque ele a segurava. — Se a gente ficar juntos, eu sou mais do tipo que grita e atira as coisas, eu não fico chorando pelos cantos, isso aqui são os malditos hormônios da gravidez.

Jacob gargalhou jogando a cabeça para trás, a beijou rapidamente e lhe puxou para um abraço.

— Eu sei, querida.

— Não me chama de querida. — ela rosnou e o abraçou de volta, apertado. Pronta para nunca mais deixá-lo ir. — A Kate uma vez me disse que meu relacionamento com o Sam era como caminhar pra um penhasco e uma hora ou outra eu ia cair, ela estava certa, eu sinto que eu tô caindo agora, caindo em pedaços.

Jacob a apertou contra seu peito quando ela voltou a chorar.

— Você não está caindo, Leah. Pode ter tido a impressão que ia cair porque olhou pra baixo, mas eu estou te segurando e não vou te soltar. Eu estou aqui com você, Leah, não vou te deixar cair, eu te prometo.

— Jacob? — Leah sussurrou.

— Que?

— Eu sou tão sortuda pelo que você e a porra do seu pau fizeram comigo. — disse sem soltá-lo, apertando os braços ao redor do pescoço dele com o rosto em seu ombro. — Esse bebê é a criança mais sortuda desse mundo por ter você como pai.

Jacob fechou os olhos e apertou os braços ao redor da cintura dela, sentindo a emoção formar um nó em sua garganta.

Ficaram abraçados em silênico por vários segundos antes que ele se afastante por uma fração de segundo apenas para segurá-la pela nuca e juntar suas bocas, empurrando a língua contra a dela.

Leah gemeu em sua boca e o beijou de volta, voraz e apaixonada. As mãos apertando os ombros largos de Jacob desceram para o seu peito, alcançando atrapalhadamente os botões de sua camisa de flanela.

— Faz amor comigo, Jacob. — ela implorou em sua boca, abrindo os botões afobadamente. — Me faz esquecer de tudo.

— Sim. — suspirou com alívio, era tudo que ele mais queria.

A empurrou contra a pia, se afastaram apenas o suficiente para que Jacob tirasse a blusa dela, assim como o top esportivo que ela usava por baixo, e ela terminasse de tirar a dele. As peles nuas e quentes se tocaram no mesmo instante que suas bocas voltaram a se consumir.

“Quarto” Leah tentou dizer, mas saiu apenas um ruído abafado pela boca dele, mas ele entendeu; passou o braço sobre o joelho dela, o outro em suas costas e a ergueu no colo, fazendo-a gritar de surpresa.

— Você vai se machucar, eu sou pesada.

— Eu carrego coisas mais pesada que você no trabalho.

Ele a colocou em pé ao lado da cama e os dois tiraram as calças jeans, cada um a sua, rapidamente. Leah adorava isso, Jacob a compreendia melhor que qualquer outro – melhor do que Sam jamais a tinha compreendido –, ele conseguia lê-la e ir em seu ritmo como ninguém, sabia quando tinha que ir lentamente e ajudá-la a tirar a roupa como parte da preliminar, assim como sabia quando cada um devia tirar sua roupa o mais rápido possível e fodê-la sem sentido.

E aquele era um desses momentos, não precisavam de sedução e não queriam ir lentamente, estavam com pressa e desesperados um pelo outro.

Jacob não tirou os olhos dela e ela não tirou os olhos dele, sua ereção saltou livre de sua cueca com a cabeça brilhando em pré-sêmen e Leah sentiu sua boceta se apertar, estava tão excitada e molhada como se tivessem feito uma longa preliminar.

Com ambos nus, Jacob agarrou-a pela nuca e voltou a beijá-la, mas Leah separou suas bocas e o empurrou para que deitasse na cama, e subiu escarranchada sobre ele. Voltou a beijá-lo enquanto as mãos dele agarravam sua bunda, com os dedos se afundando em sua pele.

Pousando os joelhos no colchão, ela se ergueu e agarrou o pau dele, se posicionou sobre ele e esfregou a cabeça de sua ereção por sua boceta úmida.

— Porra… — Jacob arfou.

Leah sorriu, encaixando-o na entrada de sua boceta, ela sentou lentamente e fechou os olhos gemendo arrastadamente enquanto tomava cada centímetro dele.

— Eu amo seu pau, Jacob, parece tão grande e grosso em mim. — apoiando as mãos no abdômen dele, ela se ergueu lentamente e sentou de novo. — Porra.

— E eu amo a sua boceta.

Leah riu.

— Você é sempre tão certinho e mal fala palavrão, você não tem ideia de como me deixa excitada quando resolve falar sujo desse jeito.

— É? — Jacob sorriu maliciosamente. — Então vai, mais rápido e mais duro, deixa eu sentir tua boceta ao redor do meu pau, Leah.

Suas palavras a fez apertar seus músculos ao redor dele, fazendo-o gemer, mas foi o sorriso dele que o agitou de verdade – ela amava aquele sorriso. E sabia que estava encrencada no momento em que no meio do sexo era no sorriso dele que estava pensando.

Leah se ergueu e se abaixou lentamente algumas vezes, até se inclinar pra frente e o beijar novamente, impulsionando o corpo pra frente e pra trás, sentindo o pau dele deslizar em sua boceta.

Parou de beijá-lo e se esticou o suficiente pra que seus seios ficassem na altura do rosto dele; Jacob flexionou os joelhos e apoiou os pés no colchão, afundando os dedos na bunda dela. Lambeu o mamilo marrom frisado e o abocanhou; sabia o quanto eles estavam sensíveis pela gravidez, então usou sua boca com suavidade e pressão suficiente para fazê-la gemer alto quando o sugou.

Nada jamais se compararia a estar nos braços dele, Leah tinha certeza. Ele não se incomodava quando ela assumia o controle e não sentia sua masculinidade ser ameaçada, como naquele momento; lembrava da primeira vez que tinha assumido o controle e a reação dele foi um enorme sorriso e “eu amo uma mulher poderosa”, mas ele também não ficava intimidado de virar o jogo e lhe dominar, fazendo-a se sentir delicada e desejada. Eles se encaixavam perfeitamente.

Só percebeu que tinha parado de se mexer quando Jacob assumiu o controle, impulsionando o quadril pra cima rapidamente, fazendo o barulho de suas peles se batendo ecoar enquanto a fodia.

— Porra, isso, Jacob! — ela gemia, mas não teve resposta porque ele estava muito ocupado com a boca em seu seio.

Leah se ergueu para fazê-lo soltar seu seio e parou olhando em seus olhos, ambos pararam e o único movimento eram causados por suas respirações arfantes. Quando Jacob ia dizer alguma coisa, Leah apertou seus lábios contra o dele e voltou a rebolar nele.

O ritmo intenso e sincronizado os levou até o orgasmo quase ao mesmo tempo, onde um chamou o nome do outro enquanto o resto do mundo desaparecia.

Suados, ofegantes, quentes, caíram lado a lado na cama.

Leah não era de procurar abraços e carinhos após o sexo, mas não queria fazer outra coisa naquela coisa, se virou para Jacob e se encaixou na lateral de seu corpo – com uma perna sobre a dele e o braço sobre seu tronco. Jacob suspirou e passou o braço sobre o ombro dela, lhe apertando contra seu peito.

— Leah…

— Não diz nada. — ela o interrompeu com os olhos fechados. — Só me segura um pouco.

— Sempre. — ele prometeu e beijou a cabeça dela, enquanto os dois se entregavam ao sono.