Quando Jacob acordou no meio da noite, saiu da cama lentamente sem acordar Leah e foi para a cozinha, primeiro enviou uma mensagem para Bella avisando que estava tudo bem e que precisava ficar sozinho com a Leah um pouco apenas para acertarem tudo de vez, e lhe pediu para que repassasse o recado.

E então ligou para Emmett. Garantiu que estava tudo bem e logo disse “preciso de um favor profissional”.

— O que você precisar, irmão. — Emmett respondeu sem hesitar. Jacob explicou o que precisava e o amigo o escutou sem interromper. — A Leah sabe disso?

— Não, mas conversamos e tomamos essa decisão, então eu posso resolver isso, falo com ela quando estiver tudo assinado.

— Tudo bem, então. Vou preparar tudo, ligo para o advogado do Sam e nos encontramos no escritório dele, te mando o endereço por mensagem. E vamos precisar de uma testemunha, posso levar a Bella?

— Claro, não tem ninguém em quem eu confie mais que vocês dois. Obrigado Emmett, sério, eu fico te devendo essa.

— Sabe que estou aqui pra te ajudar em qualquer situação, cara. E Jacob? Fico feliz que você e a Leah tenham se acertado.

— Só porque você não perdeu seu posto de padrinho. — brincou, fazendo Emmett rir.

— Com certeza. Vou começar a trabalhar nos documentos agora, nos vemos amanhã.

Desligou o telefone e foi preparar algo para comer, então Leah entrou na cozinha usando uma camisa larga que fazia parecer que não estava usando mais nada por deixar suas longas pernas nuas a mostra mas estava com de calcinha também.

Famintos, os dois preparam seus lanches juntos enquanto conversavam e ele lhe contou que tinha contado a todos sobre o exame e os resultados. Para ser sincero, esperava que ela fosse gritar e tivesse que acalmá-la novamente, mas ela recebeu a notícia bem. Na verdade, ficou aliviada por não ter que esconder isso de seus melhores amigos, mas que não falariam com mais ninguém, principalmente suas famílias. Jacob concordou.

Comeram conversando sobre remarcar a consulta na obstetra, depois voltaram ao quarto e tiveram mais algumas rodadas de sexo de reconciliação antes de dormirem de vez.

. . .

Jacob pensou em deixar um bilhete para Leah antes de sair, porque ela não acordou nem enquanto ele se arrumava e parecia dormir o sono dos mortos toda esticada na cama; Jacob sorria com a vista. Mas seria fácil ela nem perceber o bilhete, então preferiu enviar uma mensagem no celular dela: “Precisei sair para resolver um problema, nem preciso dizer fique à vontade e sinta-se em casa, certo? Nos vemos a noite. Amor, Jacob”. E então saiu para se encontrar com Emmett e Bella.

Não estava nervoso, tinha certeza do que estava fazendo. Nunca tivera tanta certeza de algo na vida.

Emmett o esperava na frente do grande edifício de escritórios em um terno cinza de corte perfeito, sapatos pretos provavelmente italianos e segurando uma pasta preta de couro, o cabelo em um corte social estilosamente penteado com algum produto que não deixava nenhum fio fora do lugar – além da sua beleza, ele era a imagem da perfeição e profissionalismo recebendo olhares de todos ao redor. Se não fossem amigos, Jacob, em seu jeans surrado, a bota preta de cadarço e a camisa de flanela azul, não teria dinheiro para pagar pelos serviços dele, não conseguiria dinheiro nem para ter cinco minutos da atenção do Dr. Swan; era bom que Emmett não tinha mudado enquanto subia na vida, sua posição ou conta bancária nunca subiu a sua cabeça, ele era o mesmo de sempre, por isso eram melhores amigos.

E Bella estava ao seu lado, usando uma calça jeans e uma blusa branca de babados com um cardigan preto e sapatilhas escuras no pé. Quando ele se aproximou, Bella foi direto para seus braços e passou os braços ao redor de seu pescoço, lhe abraçando forte.

— Estava tão preocupada com você.

— Eu estou bem. — garantiu. — Obrigado por vir, sei que você tem trabalho a fazer no restaurante e…

— Cala a boca. Você sabe que pode contar comigo a qualquer hora.

Jacob também abraçou Emmett novamente, batendo em suas costas e agradeceu também.

Enquanto subiam para o escritório de Royce, Emmett instruiu Jacob a não falar nada e deixar que ele cuidasse de tudo. Jacob esperava conseguir, mas estava com muita vontade de dar uns bons socos na cara de Sam.

Emmett falou com a secretária rapidamente e ela anunciou a presença dele pelo telefone, então foram instruídos a entrarem no escritório.

— Obrigado, querida. — Emmett sorriu para a garota. Jacob quase riu, a pobre mulher deu uma risadinha como uma colegial ao falar com o bonitão da escola. — Bella, você espera aqui, está bem? Te chamo quando você for necessária. E você, lembre-se do que eu disse, bico calado, eu resolvo tudo.

— Vou fazer o meu melhor.

Com certeza conseguia usar os punhos calado, pensou.

Eles entraram no escritório do advogado de Sam, George Stevens. Um homem mais velho de cabelos grisalhos e corpulento que estava sentado atrás de sua mesa de mogno usando um terno preto; enquanto Sam estava olhando pela janela, usando um jeans azul, uma blusa de botões azul clara e um blazer azul-marinho com sapatos de aparência cara nos pés, seu cabelo penteado para trás com um suave topete sem nenhum fio fora do lugar sob a gosma brilhante da grande quantidade de gel que usava, mas ao contrário de Emmett em que a perfeição parecia natural, em Sam aquele visual lhe dava uma aparência forçada, como se esforçasse muito para fazer parte de algum grupo social diferente do qual vinha. E Jacob concluiu que seria como se ele tentasse usar as roupas de Emmett e andar em seus círculos sociais.

Naquele momento Jacob percebeu como ele e Sam tinham semelhanças. Sam devia ser alguns centímetros mais alto e ter um pouco de peso extra, onde Jacob era todo duro graças ao serviço braçal e pesado que fazia diariamente desde que se entendia por gente. Mas compartilhavam o mesmo tom de pele marrom, os olhos e cabelos escuros, mas Jacob tinha o seu cabelo cortado mais curto e sem o gel controlando os frios; os olhos mais estreitos e nariz um pouco mais largo. Talvez Leah tivesse um tipo de homem que preferia ou… Ele tentou afastar o pensamento, mas não pode negar que se perguntou se ele era apenas um substituto de Sam para Leah.

— Finalmente, será que agora posso saber pra que essa maldita reunião? — Sam perguntou rispidamente.

— Acho que você sabe, Sam. — Emmett disse calmamente. — Leah…

— Merda, isso de novo? — Sam o interrompeu. — Eu já disse ontem que eu não sou pai desse bastardo e a Leah ficou louca de vez se pensa que me processando vai conseguir algum dinheiro meu.

Jacob ia abrir a boca pra falar algo, mas Emmett foi mais rápido.

— Um exame de DNA provaria a sua paternidade.

— Eu não vou fazer exame nenhum, aquela vadia pode ir se foder junto com esse bastardo.

— Desrespeita a Leah outra vez ou chama esse bebê de bastardo mais uma vez e eu vou socar a sua cara. — Jacob rosnou.

— E quem diabos é você? — Sam perguntou com desprezo.

— Eu sou Jacob Black, seu pedaço merda. Leah está comigo agora e eu vou não deixar que você a desrespeite na minha frente.

Sam riu debochadamente.

— Então você é o meu substituto? É, não podia esperar mais da Leah.

— Seu…

Emmett esticou o braço sobre o peito de Jacob e o impediu de se aproximar.

— Para. — mandou. — Stevens, controle o seu cliente porque eu não vou ser capaz de controlar o meu por muito tempo e eu não acho que você gostaria de uma briga no seu escritório.

— Sam, acalme-se. — Stevens disse. — Diga a que veio, Swan.

— A Leah não quer absolutamente nada do Sam e concorda em não pedir um exame de DNA e nenhum direito que a criança teria, como uma pensão.

— Como se eu…

— Eu não me importo nenhum um pouco com você, Samuel Uley. — Emmett disse o interrompendo. — Na verdade, eu te desprezo. Tive o prazer de fazer esse documento para te tirar da vida da Leah e Jacob pra sempre.

Sam ficou sem palavras, surpreso com o tom cortante de Emmett e pegou a pasta documento preta que ele lhe entregou.

— O que é isso? — Stevens perguntou.

— Isso é um acordo que vai beneficiar a todos. Sam não quer se envolver na vida dessa criança e os pais dessa criança não o quer envolvido, de maneira nenhuma. Só preciso da assinatura dele, então Sam abre mão do direito de paternidade e Jacob os assume.

— O que? — Sam franziu o cenho e entregou a pasta para seu advogado ler.

— Eu sou o pai. — Jacob disse firme. — Eu vou dar meu nome pra essa criança, vou criar e amá-la, você vai apenas sumir das nossas vidas.

— E quem me garante que a Leah não vai mudar de ideia? Ela é louca, quem me garante que no futuro vocês não vão querer dinheiro?

— Leah não quer um centavo seu, tudo que ela é quer é que você suma da nossa vida.

— É um acordo de mão dupla. — Emmett explicou. — Isso garante Jacob e Leah não vão exigir nada de você, agora ou no futuro, nem exame de DNA nem pensão alimentícia. E também estamos garantindo que você não mude de ideia futuramente, você não pedirá DNA, não vai exigir direito de visita, guarda compartilhada, não vai aparecer de repente e resolver que quer contar a verdade e ser pai porque você não é. Você não pode ser considerado mais que um doador anônimo de material biológico e Jacob é o pai.

— Uma multa de cem milhões de dólares? — Stevens ergueu o rosto do papel.

Emmett sorriu.

— Dinheiro é um bom incentivo para as pessoas pensarem antes de agir. A quebra do contrato custará cem milhões e é um contrato vitalício.

— Se é isso que você quer, Sam, me parece razoável.

— Ótimo, então me dá que eu assino essa merda. — Sam disse impaciente.

— Claro que precisarei de uma cópia disso. — o advogado disse.

— Claro. — Emmett sorriu. — Todos assinamos então levo ao cartório para registrar e tirar cópias autenticadas para todos. Precisamos de duas testemunhas, chame alguém porque a nossa está lá fora. Vá chamar a Bella, Jake.

Ele o obedeceu enquanto Stevens chamava a secretária pelo telefone, os três voltaram ao escritório junto.

— Marissa, preciso da sua assinatura. — ele disse.

— Claro. — a loira sorriu como se já estivesse acostumada com aqueles momentos.

O advogado de Sam foi o primeiro a assinar as várias linhas que precisava, então entregou a caneta a Sam e sinalizou onde tinha que assinar e depois fez o mesmo com Marissa, empurrou a pasta para a ponta da mesa.

Emmett pegou uma caneta no próprio bolso e se aproximou, abrindo a pasta e assinou onde devia assinar, entregou a caneta a Jacob e apontou onde era a assinatura dele, depois foi a vez da Bella.

— É isso? Acabou? — Sam perguntou.

— Sim, meu escritório trará as cópias autenticadas de vocês.

Stevens se levantou fechando o botão de seu terno.

— É sempre um prazer fazer negócios com você, Swan.

— Digo o mesmo, mas espero nunca mais ter que fazer, Stevens, pelo menos não quando você estiver representando esse cliente. — Emmett disse e esticou o braço sobre a mesa apertando a mão do outro advogado.

— Tudo que eu posso te desejar é boa sorte, Jacob, você vai precisar. — Sam disse com um sorriso debochado e esticou o braço para apertar a mão dele.

Jacob encarou aquela mão com o rosto franzido de nojo, como se ele tivesse alguma doença contagiosa e lhe deu as costas, seguindo Bella e Emmett pra fora do escritório.

Sam riu ao encolher o braço.

— Me livrar do pequeno bastardo e da vadia louca foi a melhor coisa que eu já na vida, espero que seja feliz com os meus restos.

— Eu te avisei, seu filho da puta. — rosnou e se virou tão rapidamente que Sam nem viu o soco chegando antes de ser atingido na mandíbula. Ele cambaleou e, tão rápido quanto o primeiro golpe, foi atingido por um segundo soco dessa vez no nariz e ele urrou de dor. Jacob escutou alguém gritar seu nome, mas nem deu atenção. Não deixou Sam cair no chão, o agarrou pelo colarinho da camisa e o manteve em pé, se deleitando com a imagem de seu nariz obviamente quebrado com o sangue escorrendo para a sua boca, queixo, pescoço. — Se livrar de você foi a melhor coisa que a Leah fez na vida.

— Vamos, Jacob. — Emmett bateu em seu ombro. — Você já deu seu recado, solta ele.

— Você não vai desrespeitar a minha família, você entendeu? Você não vai se aproximar nem pensar mais na Leah ou no nosso filho ou vou destruir a sua cara.

— Jake, para. — Bella pediu. — Vamos.

Jacob o empurrou para trás e Sam teria caído no chão se não fosse a mesa atrás da dele.

— Você vai se arrepender disso. — Sam o ameaçou limpando o sangue de seu nariz com a mão.

— Olha o seu advogado ai atrás de você, me processa. — Jacob sorriu e saiu da sala.

Quando os três já estavam fora do prédio, Emmett se virou para Jacob.

— Ele realmente pode te processar por agressão, você sabe disso, certo?

— Eu tenho um bom advogado, tenho certeza que você pode lidar com isso.

Os irmãos Swan riram juntos.

— Eu não posso agradecer os dois o suficiente pelo que fizeram por mim hoje.

— Você pode me agradecer fazendo um segundo filho logo porque o Emmett está insuportável porque vai ser padrinho, eu quero um afilhado também. — Bella disse um beicinho.

Jacob riu.

— Prometo que o próximo é seu afilhado.

— Ótimo.

— E para de nos agradecer, é pra isso que servem as famílias. — Emmett disse.

— Obrigado, irmão. — eles bateram as mãos juntas e se puxaram para um abraço, batendo um nas costas do outro. E depois Jacob abraçou Bella com mais cuidado, beijando carinhosamente o topo de sua cabeça. — Agora vou trabalhar porque a noite tenho uma notícia pra compartilhar com a Leah.

— Boa sorte. — Emmett e Bella disseram juntos.

. . .

Leah foi trabalhar naquela manhã se sentindo estranha e maravilhosamente bem.

Por tudo que tinha acontecido em tão pouco tempo esperava acordar se sentindo uma merda, mas estava se sentindo leve… Feliz. Flashbacks do dia anterior vieram em sua mente, mas a lembrança de Jacob era mais forte e afastou todas as coisas ruins, só conseguia lembrar dele dizendo que amava, dizendo que era pai de seu bebê, fazendo amor com ela e lhe segurando. A vida não podia ser melhor. Ou podia. E seria, quando os dois estivessem completos com a terceira parte daquela família que estavam construindo. Seu bebê.

No estúdio, conversou com Kate, Eleazar e Carmen, garantiu que estava tudo bem com ela e o bebê.

— Meu filho só tem um pai. — ela disse. — É o Jacob. Não falaremos mais disso, ok?

Os três sorriram e concordaram com aquilo.

— Já que está tudo bem agora, é bom que você saiba que está me devendo um copo e uma garrafa de uísque, você tem noção de como aquele era bom? Eu bebia como um passarinho pra economizar, foi um presente do Jasper. — Kate choramingou.

— Se foi presente do Jasper então é melhor você esperar ele voltar e pedir outra porque não tenho dinheiro nem pra comprar dois copos das garrafas de bebidas que Jasper compra.

— Só te perdoo porque você está me dando um afilhado ou chutaria sua bunda. Né, bebê? — ela se abaixou para ficar com o rosto na altura da barriga dela e disse fazendo voz de bebê: — A dinda não vai bater na sua mamãe por você.

Leah riu.

O dia passou rápido trabalhando. E foi enquanto colocava os piercings e brincos de sempre que começou a pensar sobre como seria difícil sustentar uma criança com aquele trabalho. Conseguia pagar suas contas porque trabalhava muito pra no fim do mês ter dinheiro sobrando e porque era só ela, mas com um bebê a caminho? Tinha um dinheiro guardado, mas, ainda assim, filhos custavam caro e ela e Jacob não eram ricos. Em uma das conversas que tiveram Jacob lhe dissera que estava economizando pra abrir sua própria oficina, mas adiaria esse plano por causa do bebê, precisariam do dinheiro para comprar todo o enxoval e as coisas dele, talvez até uma casa própria para os dois. Naquele momento, ela disse que ele estava louco e que não morariam juntos, mas agora… Ela queria isso. Queria que os dois morassem juntos e não apenas por eles, mas pelo bebê, queria que o Jacob estivesse presente o máximo possível na vida do filho deles— os dois mereciam isso.

Então Leah começou a desenvolver a ideia em sua mente enquanto trabalhava e ficou tão animada que só queria correr para casa e contar com Jacob, compartilhar e planejar o futuro dos dois – ou melhor, dos três – com ele.

………………………...

Era quase oito horas da noite quando Jacob bateu à porta, Leah estava de moletom e calcinha sentada no sofá terminando de comer um prato de macarrão com almôndega. Levantou animada e abriu a porta sorrindo.

— Uma mulher gostosa e um prato de comida, isso sim é uma maneira de ser recebido.

Leah riu.

— Tem mais na cozinha. — disse mastigando. — Não toca no meu prato ou vou te furar com o garfo.

— Preciso ter certeza que está bom primeiro. — ele colou sua boca na dela e lambeu o pouco de molho que estava no seu lábio. — Mmm, eu vou querer sim.

— Você é nojento. — ela gargalhou e caminhou pra cozinha. — Você tomou banho na oficina?

— Não, passei em casa antes de vir pra cá, por isso demorei. — Jacob colocou a pasta de documento na mesinha de centro e a seguiu para a cozinha.

— Está com fome? — ela perguntou ao colocar o prato vazio na pia.

— Sim, eu vou comer.

— Tudo bem, então coma rápido porque eu quero falar com você sobre uma coisa.

— Devo ter medo?

— Não, idiota, é algo bom.

Enquanto Jacob comia macarrão, Leah bebia um copo de suco e o serviu um copo também. Depois lavou a louça e organizou a cozinha enquanto contava para ele sobre seu dia e a conversa com Kate, Carmen e Eleazar, Jacob contou sobre o dia dele na oficina enquanto comia também.

Quando ele terminou os dois lavaram as mãos e boca na pia, e voltaram para a sala juntos

— Agora eu preciso falar com você.

— Eu preciso falar com você também, Leah.

— Devo ter medo?

— Não, mas vai você primeiro.

— Tudo bem. Vamos sentar no sofá.

Jacob sentou com as costas no braço do sofá e Leah se ajoelhou de frente pra ele no sofá e sentou nos próprios pés.

— Então… Eu estava pensando sobre como nós vamos sustentar esse bebê.

— Leah, eu te disse, eu nunca vou deixar faltar nada pro nosso bebê e nem pra você.

— Eu sei disso, mas você sabe que bebês são caros, certo? E nós devíamos ser capazes de oferecer mais pro nosso bebê. Quer dizer, meu apartamento é pequeno e o seu é minúsculo, eu queria que nosso filho fosse livre pra brincar e correr, como eu fazia quando era pequena então… Lembra daquela nossa conversa de comprarmos algo maior? Por que não fazemos isso?

— O que? Eu…

— Isso se você quiser, é claro, quero dizer, foi só uma ideia. — ela colocou uma mecha de seu cabelo solto atrás da orelha. — Jacob, para de me olhar desse jeito idiota e diz alguma coisa.

— Você está dizendo que quer morar comigo?

— Estou chamando você pra morar comigo e o bebê, na verdade. — ela riu divertida.

— Você nunca vai parar de me surpreender, vai?

— Espero que não. — ela riu. — Estava pensando em vendermos nossos apartamentos e isso já vai nos dar algum dinheiro, eu tenho algumas economias e você também, acho que isso dá pra comprar algo melhorar, você não acha? Mesmo que seja por hipoteca.

— Si-sim. Deus, Leah, eu quero isso, eu quero muito isso. — Jacob sorria como uma criança em noite de natal.

— Tudo bem, então eu tenho outra coisa pra falar com você a respeito.

— Uau, mais surpresas?

— Essa eu realmente preciso que você mantenha sua mente aberta a respeito, ok? Eu preciso que você esqueça seu orgulho e pense nesse bebê, no nosso filho. Pense em todo seu esforço, no seu trabalho duro, em como você é talentoso, ok?

— Tá, agora você está me assustando, o que foi?

— É sobre você ter sua própria oficina.

— Leah, por mais que eu queira muito, não vou ter como arcar com meu próprio negócio e uma casa, além das coisas do bebê, isso vai ser demais.

— Eu sei, por isso pensei em talvez a gente pedir um empréstimo.

— Nenhum banco vai nos dar um empréstimo enquanto temos a hipoteca de uma casa pra pagar, Leah, não acho que temos esse tipo de crédito.

— Eu não estava falando de um banco, Jacob.

— Então…

— Jasper.

— O que? Não.

— Jacob, me escuta…

— Leah, não. — ele disse firme e se levantou. — Eu não vou pedir dinheiro pro seu amigo, eu não preciso da caridade dele.

— Eu sei, Jacob! Por isso não é caridade. Me escuta, ok? O Jasper é tipo bilionário, ele sempre faz esse tipo de coisa, ele ajudou a Carmen, o Eleazar, está ajudando a Bella e a Rose, ele emprestou o dinheiro pra que eles começassem o próprio negócio e se tornou sócio, ele ganha uma porcentagem, mas o negócio é da pessoa, ele não se envolve em absolutamente nada. E depois quando o negócio estiver estabelecido e você quiser comprar a parte dele, ele te vende sem o menor problema.

— Leah…

— Você vai deixar o seu orgulho idiota ficar na frente de você realizar seu sonho, Jacob?

— Meu sonho era ter meu próprio negócio, começando pequeno com o pouco dinheiro que eu estava guardando e depois crescer, não pedir ajuda a um bilionário.

— Sim, mas agora você vai usar o dinheiro que estava guardando em coisas de bebê, meu filho, você lembra? Então me deixa te compensar de alguma maneira.

— Nosso filho, Leah. — ele a corrigiu.

— Você entendeu o que eu quis dizer.

— Sim, mas eu não quero ter que te corrigir nisso. É o meu filho, eu não estou fazendo caridade usando o meu dinheiro pra sustentar o meu filho e não preciso que você me compense em nada.

— Eu usei as palavras erradas, me desculpa. — ela se levantou e se aproximou. — Eu não quero que você acabe frustrado por ter escolhido ficar comigo e com o nosso filho. E não é apenas por você isso, é por mim também. Eu não faço muito dinheiro, Jacob, e tenho que trabalhar bastante pra conseguir chegar no fim do mês com dinheiro a mais. Eu amo o que eu faço, mas sei que também vou querer ter tempo com o meu filho e eu quero que você tenha tempo com o seu filho, sabe como você sendo seu próprio patrão pode te ajudar nisso? Eu poderia até trabalhar com você, sabe, eu sou uma ótima secretária. — ela riu e agarrou o colarinho da blusa dele. — Imagina, você não tem fetiche de foder com a sua secretária em cima da sua mesa? Ou me foder no chão de uma oficina?

— Você está tentando me convencer me deixando com tesão, é isso?

— Está funcionando?

Jacob riu e passou os braços ao redor dela, agarrando e apertando sua bunda.

— Você me deixa com tesão só de estar perto de mim, Leah.

— Bom. Então, o que você me diz sobre a minha proposta?

— Eu…

— Será que você pode ao menos pensar a respeito? Podemos cuidar da coisa da nossa casa enquanto você pensa a respeito? E quando o Jasper chegar de viagem você diz sua resposta, que tal?

— Tudo bem. Eu te prometo que vou pensar a respeito.

— Ótimo. — Leah sorriu e o beijou. — E o que você queria falar comigo?

— É bom que já estamos falando do nosso filho e do futuro, porque é sobre isso que quero falar mesmo. Eu fui falar com o Sam hoje.

— O que? — ela o soltou e se afastou dele, dando alguns passos pra trás. — O que você foi falar com o Sam?

— Resolver as coisas definitivamente, Leah.

Jacob pegou a pasta na mesinha de centro e entregou a ela. Leah o encarou por alguns segundos antes de abrir a pasta e começar a ler as folhas.

— O que é isso? — lendo sabia o que era, mas se viu perguntando de qualquer maneira. No fim da página estava a assinatura do advogado do Sam, do Sam, do Emmett, da Bella e do Jacob.

— Eu não quero correr riscos sobre isso, eu falei com Emmett e ele preparou a documentação, onde Sam abre oficialmente mão de todo e qualquer direito sobre essa criança.

— E você tomou essa decisão sem me consultar? — agitou a pasta, incrédula.

— A decisão foi tomada ontem, lembra? Eu só oficializei.

— Esse não é o tipo de coisa que você faz sozinho, Jacob, é o meu filho.

— É o nosso filho, Leah. Esse documento diz isso, a certidão de nascimento desse bebê vai dizer isso, todo mundo vai saber disso, eu sou o pai. Eu não quis passar por cima dos seus direitos como mãe, só estou garantindo os meus direitos de pai. Eu não quero arriscar que o Sam no futuro mude de ideia e resolva voltar pra nossa vida, bagunçar a vida e mente dessa criança, eu não vou deixar isso acontecer.

— Jacob… — os olhos de Leah se encheram de lágrimas, pensou que seria a única surpreendendo Jacob naquele dia e lá estava ela sendo surpreendida.

— Desculpa se te deixei brava, eu só…

— Eu não estou brava, — o interrompeu. — só foi um choque e agora estou… Sem palavras.

Jacob se aproximou e segurou o rosto dela entre as mãos.

— Eu só queria proteger a nossa família. Proteger nosso bebê, eu não quero que ele pense que em algum momento foi rejeitado.

— Eu entendo. E eu fico grata por você ter feito isso, é bom saber que jamais vou ter que me preocupar com o Sam nas nossas vidas novamente.

— Nunca mais, amor. — a beijou suavemente e olhou em seus olhos. — E agora eu preciso que você me prometa uma coisa, Leah.

— O que?

— Esse é o nosso filho. Você nunca vai me tratar como menos que o pai dessa criança, nunca vai se referir como menos, nunca vai mencionar isso principalmente na frente dele, nem numa briga, nem de brincadeira, nunca. Os únicos que vão saber a verdade são os nossos amigos, mas eu confio na Bella e no Emmett com a minha vida, assim como você confia nos seus, ninguém mais, nem nossas famílias ou outras pessoas. No futuro, quando ele crescer e tiver maturidade, se a gente sentir a necessidade, conversamos juntos com ele sobre eu não ser seu pai biológico, mas fora a isso, eu sou o pai.

— Eu sei. Você já me provou de todas as maneiras possíveis isso, Jacob. E no futuro se por um acaso a gente não der certo e nos separarmos, nada vai mudar, você continuará sendo o pai, eu te prometo isso.

— Esse bebê vai crescer sabendo que tem um pai que o ama mais que qualquer coisa, ele nunca vai duvidar que foi um presente na nossa vida, ele não vai passar um dia sem saber que é amado pelo pai e pela mãe dele.

https://www.youtube.com/watch?v=SFEHOKdtdqo

Catch Me – Demi Lovato

Leah fungou enquanto as lágrimas desciam por seu rosto.

— Esse bebê vai crescer sabendo que tem o melhor pai do mundo e que a mãe dele é muito sortuda por ser amada por ele e que ela também o ama muito.

— Leah…

— Eu não estou dizendo isso pelo que você está fazendo agora, é por… Tudo. É por você. Você faz eu me sentir tão segura e amada. Você faz eu me sentir… Certa? — franziu o cenho, sem saber como explicar o que sentia. — Eu não sinto como se eu precise mudar pra estar com você, eu só… Quando estamos juntos eu sou eu e você é você, eu não preciso fingir ser outra pessoa, é tudo natural e perfeito, passei o dia pensando em como eu nunca estive tão feliz na vida e é graças a você. Eu não me sinto caindo, eu me sinto flutuando e você está me segurando o tempo todo, porra, como eu posso não te amar? Eu te amo, Jacob Black.

Jacob sorriu e seus olhos ficaram pequenos pelo tamanho enorme do sorriso que iluminava o seu rosto.

— Te fazer feliz é a minha meta de vida porque você me faz feliz me dando tudo que eu sempre sonhei. Eu amo você, Leah Clearwater.

Leah agarrou sua nuca e o beijou apaixonadamente, mas não durou muito porque Jacob parou o beijo e a pegou no colo abruptamente. Leah deu um gritinho de surpresa e passou os braços ao redor do pescoço pra se segurar.

— Eu vou chutar o teu traseiro se você me derrubar, Jacob.

— Confia em mim, eu estou te segurando. Agora eu vou te levar pro quarto e fazer amor com você a noite toda.

— Bom plano. — ela o beijou e se deixou ser levada para o quarto.

Tinha aprendido a confiar em Jacob, sabia que ele a estava segurando e jamais a soltaria.