You & Me
42 Cm :: 10
Emmett não conseguia deixar de sorrir do quanto Bella estava animada para mostrar as novas ideias que tinha para Rosalie. Não era algo que ela pretendia mostrar ainda, queria trabalhar mais na ideia com a ajuda de Kate e seu talento para desenho por ser tatuadora, mas com os acontecimentos do dia anterior na casa de Esme imaginou que isso poderia animá-la. Emmett amava sua irmã por isso, também era secretamente grato por ela tentar ser amiga de Rosalie, sentia que ela precisava muito disso.
Quando chegaram ao Cullen naquela manhã, Bella mandou que ele fosse abrir o lugar delas, que ainda estava fechado e com tapumes de madeira nas portas e janelas que eram todas de vidro, enquanto ela foi buscar a pasta com os projetos que tinha pedido que Kate deixasse com Edward.
Deixou seu carro estacionado na frente do Cullen’s e só precisou atravessar a rua para chegar o lugar ainda sem nome, mas que Bella já tinha ideias e hoje apresentaria a Rosalie. Abriu a porta de vidro com as chaves que Bella tinha lhe dado e apenas deixado encostado.
Agradecia que a parte elétrica já estivesse instalada, então acendeu a luz no interruptor na parede e olhou ao redor. A reforma tinha sido espetacular, já estava tudo pintado e azulejado, a cozinha já estava pronta e instalada, só faltavam as mesas, a decoração e os detalhes que seriam feitos por Bella e Rosalie juntas. Foi até a cozinha apenas para checar, mas estava tudo como tinham deixado, todos os equipamentos cobertos por enormes cobertores brancos para evitar que ficassem empoeirados.
— Bella? — escutou a voz de Rosalie.
Se virou e voltou ao salão principal, sorrindo para Rosalie. De calça jeans e um suéter cinza de mangas cumpridas que parecia maior e não fazia justiça alguma ao seu corpo, apenas lhe deixava sem forma ou curvas, os cabelos soltos sobre seus ombros e o rosto aparentemente limpo sem maquiagem, ela era linda.
— Pensei que a Bella estivesse aqui, ela me mandou uma mensagem então eu vim direito para cá.
— Ela está vindo. Ela passou para falar com o seu irmão primeiro e pegar o que ela quer te mostrar, mas ela já está vindo.
— E o que ela quer me mostrar?
— Isso é surpresa. — Emmett sorriu. Rosalie deu uma risada cansada.
— Devo ter medo?
— Não, é algo bom. Você está bem, Rosalie? Você me parece… Cansada.
— Aprecio sua sinceridade. — ela sorriu irônica.
— Não me entenda mal, você continua absurdamente linda, acredite, mas você não parece ter dormido bem, minha irmã te acordou?
— Não, só não dormi muito bem mesmo, mas estou bem.
— Rosalie, sobre ontem…
Ela parou de sorrir.
— Está tudo bem, Emmett.
— Não, eu sinto muito pelo que eu disse e pela situação que eu causei. Não pelo Royce, me desculpa mas eu sempre vou proteger a minha irmã e o Jacob, mas por você, não queria ter te colocado naquela posição, nem que você tivesse ido embora com ele e perdido o almoço com a sua família.
— Eu já liguei pros meus pais e está tudo bem, não precisa se preocupar. E eu sinto muito pelo Royce, ele às vezes passa dos limites nos comentários que faz e não percebe.
— Não percebe? — ele ironizou.
— Você não o conhece suficiente para julgar, é o jeito dele.
— Quem conhece tem o mesmo julgamento que eu, Rosalie, ele é um babaca.
— Ei! É do meu marido que você está falando. — Rosalie franziu o cenho, nervosa, quem ele pensava que era para julgar Royce?
— Sinto muito, mas o seu marido é um babaca. — Emmett sorriu sarcasticamente. — E você merecia coisa melhor.
Rosalie sentiu vontade de feri-lo e tirar aquele sorriso sarcástico que era ridiculamente lindo e adorável por ser cercado por duas covinhas daquele rosto que parecia esculpido em mármore por um artista especialista em esculpir anjos.
— Você não sabe nada sobre o meu marido e nem sobre mim mas se acha no direito de julgá-lo e julgar saber o que eu mereço? Você é um babaca.
— Um babaca que jamais envergonharia minha esposa na frente da família dela, muito menos destratar a família dela, principalmente a mãe dela.
Rosalie queria gritar, mas as verdades nas palavras dele tiraram suas forças.
— Ele não destratou a minha mãe. — rebatou como uma criança petulante.
— A sorte dele é que a Esme não é minha mãe ou ele teria ido pro chão com um soco só pela maneira que falou com ela.
— É assim que você resolve as coisas? Com violência? Royce está certo, você é um animal!
— Ah. — Emmett gargalhou. — Então ele fez comentários ao meu respeito?
Pela primeira vez em muito tempo, Rosalie sentiu seu rosto esquentar e tinha certeza que estava vermelha de vergonha. Emmett deu um passo para frente.
— O que mais vocês falaram de mim?
— Nada. — ela mentiu e engoliu seco. Na verdade, ele tinha sido um dos motivos da briga. Royce cismou que Rosalie o estava defendendo e que tinha segundas intenções no jeito que Emmett a olhava.
— Assim como a minha irmã, você é uma péssima mentirosa. — ele riu e deu mais um passo a frente. — Vocês brigaram por minha causa? Você me defendeu, Rosalie?
— Não. — mentiu novamente e respirou fundo. Ela tinha defendido, dito que Royce estava louco e tudo que Emmett tinha dito era por causa de sua irmã.
Emmett gargalhou.
— Mentira de novo. O que seu marido disse de mim, Rosalie?
— Que você é um animal. — ela disse de queixo erguido, não iria se envergonhar. — Errada estava eu em te defender, você é um animal.
— O que mais? — ele se aproximou. — O que mais, Rose?
— Que você… Tem segundas intenções.
— Merda, pensei que era mais discreto. — agitou a cabeça com resignação. — Ele está certo, você sabe.
— Emmett.... — ela sussurrou.
— Você é casada, eu sei. Mas não com a pessoa certa, Rosalie, você sabe disso. — disse se aproximando ainda mais até ficar a menos de um passo dela, tão perto que ela erguia o rosto para olhar em seus olhos. — Você merece mais.
— Não. — ela fechou os olhos.
— Tudo bem. — Emmett se afastou e deu as costas para ela, passando a mão no cabelo.
Que porra estava fazendo? Não partia pra cima de mulheres casadas, mas agora se ela não tivesse dito algo ele teria beijado-a sem se importar com mais nada, muito menos com o pedaço de bosta de seu marido.
Bella entrou e os dois olharam para porta como se tivesse acabado de terem pegos no flagra fazendo algo errado. Não estavam nem perto e a tensão no lugar era palpável.
— Hum, tudo bem aqui? — Bella perguntou hesitante.
— Claro. — Emmett sorriu como se nada tivesse acontecido. — Mas surgiu algo importante no escritório e eu preciso ir lá.
— O que? Pensei que você queria ver os esboços. — Bella franziu o cenho, segurando junto ao peito a pasta preta.
— Você me mostra a noite, eu realmente preciso ir. Tchau Rosalie. — olhou para ela rapidamente, no caminho da porta beijou a testa da irmã dizendo “até mais tarde” e saiu.
Bella ficou confusa olhando na direção da porta e então se virou para Rosalie.
— Eu perdi alguma coisa?
— Não. Mas eu quero saber o que você quer tanto me mostrar.
— Claro! — Bella se aproximou animada, deixando de lado o que tinha acabado de acontecer, perguntaria a Emmett mais tarde, e entregou a pasta catálogo a Rosalie. — Primeiro — disse antes que Rosalie abrisse. — eu preciso que você saiba que não tomei nenhuma decisão sem você, apenas tive algumas ideias, fiz uns desenhos lixosos e falei com a Kate, que tem todo o talento para design do mundo então ela fez uns esboços para que eu te mostrasse.
— Ok, eu estou ansiosa.
O primeiro desenho era um logo. O nome “Sweet Rose” escrito em uma letra cursiva muito caprichosa e detalhada, escrito em verde como se fosse parte do caule de uma flor e no fim, junto ao nome estava o desenho de uma grande rosa vermelha aberta com muitas pétalas. Era tão delicado e, de repente, Rosalie sentiu vontade de chorar.
— Bella, eu… O que? Rose? Por que?
— Eu gosto. — Bella sorriu. — Meu nome ficaria bom em um restaurante italiano, não num café e confeitaria. O “Sweet” combina com o lugar, onde faremos muitos doces, o Rose… Eu gosto. É você e sou eu também, Rose significa Rosa que pode significar bela flor, viu? Somos nós duas. Isso é, se você gostar.
— Eu gosto. Na verdade, eu amo isso. — Rosalie sorriu com os olhos brilhando. — Obrigada, Bella.
— Agora continua vendo. Eu mandei aqueles esboços de cardápio que eu te mostrei para a Kate e ela refez colocando o nome e símbolo Sweet Rose. Ela também fez alguns exemplos de flyer de divulgação e da placa.
— Uau, Bella — disse folheando, admirando cada página — ficou tudo tão maravilhoso, sério, você nem precisava de mim nisso aqui, poderia fazer tudo sozinho.
— Você está louca? Eu preciso de você! Você está cuidando dos fornecedores, contratos, coisas que eu não poderia fazer nem pra salvar a minha própria vida, eu só queria te fazer uma surpresa e te animar depois de ontem.
Rosalie ergueu o rosto, procurando algo para dizer.
— Você não tem que me dizer nada, Rose. Você não fez nada, eu não fiz nada, não temos que nos desculpar e não há nenhum mal entendido entre nós, estamos bem. Deixamos ontem pra trás e agora focamos isso agora, a gente escolhendo a data de inauguração do Sweet Rose. — Bella sorriu, fazendo sua cunhada sorrir segundos depois.
. . .
Não estava nervosa, ela dizia a si mesma. Por que estaria nervosa? Não era como se estivesse indo para a sala de parto, estavam indo apenas a primeira consulta com uma obstetra recomendada por Esme. Fariam o primeiro check-up, talvez alguns exames, o primeiro ultrassom pra ver se estava indo tudo bem com o bebê, Jacob estaria ao seu lado o tempo todo, não tinha porque estar nervosa. Não estava nervosa, ela repetia mentalmente.
Ou melhor, mentia mentalmente. A quem ela estava querendo enganar? Estava nervosa sim.
Estava cagando tijolos de nervosismo, porra! Suas mãos estavam suadas, a ansiedade crescia e se enrolava em seu estômago, estava comendo as bolachas salgadas como uma doida – no começo tinha sido para acalmar a náusea, mas agora era só para ter o que fazer ou enlouqueceria.
E se acabasse louca Jacob seria o principal culpado – e não apenas porque ele tinha colocado aquele bebê dentro dela, ela já tinha superado essa parte, agora ele era culpado por não estar prestes a vomitar de nervoso. Jacob não parecia nervoso nem com medo, estava ansioso, mas era uma ansiedade feliz e isso a fazia querer socá-lo no meio da cara, bem no nariz, sentir o sangue dele em sua mão acalmaria seus nervos, mas não o socou. A sorte dele é que estava tentando melhorar seu temperamento para tentar ser uma mãe melhor (mãe, essa palavra fez um arrepio percorrer sua coluna). Ele tirou o dia de folga para acompanhá-la, mesmo que sexta-feira fosse o dia que tinha mais trabalho, não se importava em ter que trabalhar no sábado mais horas para compensar, não perderia nenhum exame, como tinha prometido. Dirigia animado para a clínica, mesmo sabendo que era muito cedo para ver o sexo do bebê, iriam apenas determinar quantas semanas estava e quantos bebês tinham ali, Esme tinha lhes explicado.
“Como assim quantos bebês?” Leah gritou. Seria apenas um.
Mas Jacob sorriu “Já pensou se são gêmeos?” e riu, como se aquilo fosse algo bom.
Ela não sabia se podia lidar com um bebê, quem dirá dois e ao mesmo tempo, ele estava louco. Enquanto ele pensava nas possibilidades de múltiplos e do sexo, ela só conseguia pensar na saúde dele.
Com o pensamento, suas mãos foram instintivamente para sua barriga. Tudo que queria desesperadamente era um bebê saudável. Estava carregando o bebê, era responsável pelo bem-estar dele, se algo não estivesse certo não iria se perdoar nunca.
Jacob pegou sua mão quando desceram do carro em frente a clínica onde só tinha área de maternidade, obstetrícia e pediatria, e não soltou nem quando subiam de elevador para o terceiro andar, onde ficava a obstetrícia. Soltou apenas quando Leah parou no balcão para abrir uma ficha com a recepcionista, mas ficou ao seu lado o tempo inteiro. Como odiava carregar bolsa, carregava o documento no bolso e entregou a mulher para preencher seus dados.
— Você vai ter que superar sua aversão a bolsa, Leah, não vai conseguir carregar as coisas do bebê nos bolsos. — Jacob a provocou.
— Eu sei, você vai carregar a bolsa, é bom que saiba desde já.
Jacob riu e a recepcionista também, e ela ainda brincou:
— A mãe carrega o bebê por nove meses, o pai pode carregar as bolsas pelo resto do tempo.
— Exatamente. — Leah sorriu.
Já estava gostando daquele lugar. Era elegante, tudo pintado de branco e creme, um ambiante calmo. Haviam duas mulheres gestantes enormes (queria dizer, com barrigas enormes, uma dela estava sentada até com as pernas abertas para acomodar a barriga, Leah ficou assustada, aquilo devia ser muito desconfortável; tocou sua própria barriga e implorou para que seu bebê fosse mais gentil, tentasse não fazer a mamãe engordar tanto), elas estavam sentadas em sofás de couro creme com seus parceiros, ela supôs, esperando para serem atendidas, conversando. Haviam cinco portas espalhadas pelo andar, talvez de consultórios.
E Leah também gostou que a recepcionista em momento algum deu um segundo olhar a Jacob, o que era raro, chegava a ser irritante toda a atenção que ele conseguia na rua.
— Bom dia. — uma mulher se aproximou por trás deles, os dois se viraram ao mesmo tempo. Uma jovem pequena de traços asiáticos e pele morena entrou logo depois. Toda de branco, jaleco fechado e o liso cabelo castanho preso em um rabo de cavalo apertado. Aquela era a médica? Ela parecia jovem. Muito jovem. — Vocês são Leah e Jacob?
— Somos. — Jacob confirmou, ela sorriu.
— Eu sou Mylene, eu sou técnica de enfermagem, vou acompanhá-los até o consultório da Dra. Alison e prepará-la para o exame, tudo bem? Podem me acompanhar.
Os dois assentiram e seguiram Mylene. O consultório era maior do que aparentava por fora. Na lateral estava a mesa dela, com duas cadeiras a frente, no fundo a maca hospitalar com um monte de aparelhos ao redor, armários, uma balança no chão, nas paredes tinha um monte de pôster sobre gravidez, gráficos, parâmetros de uma gravidez saudável, coisas que Leah não entendia e nem estava tentando entender. O cheiro de álcool hospitalar estava lhe deixando nervosa novamente.
Jacob pegou sua mão e apertou, sorrindo quando ela lhe olhou. De alguma maneira, ele sempre sabia quando ela precisava dele.
— Leah, a senhora pode sentar na cama, por favor. Vou verificar seus sinais vitais e fazer umas perguntas para a sua ficha, está bem?
Ela assentiu. Entregou a Jacob as coisas que estava no seu bolso, seu celular e documento, e foi para a cama. Sentou e Mylene ficou em pé na sua frente, colocou o aparelho de pressão em seu antebraço e o esteto em seus ouvidos, inflou rapidamente e auscultou – 13 por 9, ela disse ao finalizar. Nunca teve problema de pressão ou de saúde, disse, mas a técnica garantiu que estava dentro dos parâmetros esperados por enquanto, seguiriam fazendo controle se necessário; “e você está nervosa, Leah” Jacob comentou. Enquanto o resto, pulso, respiração e temperatura estavam normais. Mylene anotou tudo em uma folha presa a uma prancheta, então fez perguntas como se tinha alguma doença, já tinha feito algum procedimento cirúrgico, se tomava ou tinha alergia a algum medicamento, se estava em algum tipo de método contraceptivo, se a gravidez tinha sido de maneira natural (sim, essa parte ela lembrava bem), se tentara algum tipo de método abortivo (para sabermos se há algum risco de comprometimento do feto, ela explicou) e algumas outras perguntas que Leah respondeu pacientemente.
E então uma mulher entrou no consultório com um sorriso simpático no rosto. Mais alta que Mylene, mas ainda pequena e esguia, com cabelo loiro solto em ondas por seus ombros, devia estar no final dos seus trinta ou começo dos seus quarenta anos, scarpin pretos nos pés, jeans e uma blusa branca simples marcando seu corpo esguio e o jaleco aberto com as mangas dobradas, ela era bonita e elegante. Aparentava ser jovem, mas lembram-se como Esme explicou, Alison Lawson era filha do médico que tinha feito o parto de Edward e Rosalie, Dr. Allan falecera a três anos e a filha, que seguira os passos do pai, herdou sua clínica e os clientes, mas Esme confiava nela, pois tinha aprendido tudo com o melhor. — Vocês devem ser Leah e Jacob, amigos da Esme?
— Somos. Prazer. — Jacob disse e esticou a mão para a médica, que a apertou. — Obrigado por abrir um espaço na sua agenda para nos atender, Dra. Lawson.
— É sempre um prazer receber amigos da Esme. E por favor, podem me chamar de Alison.
— Eu já acabei aqui, doutora. — Mylene avisou. — Leah, a senhora pode deitar para fazer o ultrassom.
Leah respirou fundo, soltou o ar com força e deitou.
— Ela está um pouco nervosa. — Jacob avisou divertido.
Leah apertou as mãos em punho e estreitou os olhos para ele. Aquele bebê precisava de um pai vivo, não precisava dele com o nariz reto, podia melhorar seu temperamento depois, um soco não iria torná-la uma mãe tão horrível.
— Pais de primeira viagem? — Dra. Alison perguntou e riu suavemente.
Para sorte de Jacob, estavam em público e ela queria passar uma boa impressão para a obstetra, tudo que não precisavam era do juizado de menores ou uma assistente social atrás deles se certificando de que podiam criar um bebê em um lar estável – algo que nem ela tinha certeza se podiam.
— O nervosismo é normal. — a médica continuou. — Vamos conversar, esclarecer as dúvidas e medos de vocês, faremos o que for possível para deixar essa gravidez o mais segura e confortável possível. Você pode erguer sua blusa, Leah.
Enquanto a médica preparava o equipamento, Jacob se aproximou e ficou do outro lado da cama. Leah subiu sua blusa até a altura de seus seios, expondo toda sua barriga já sem o piercing no umbigo. Ergueu os olhos para Jacob, o sorriso dele fez a vontade de socá-lo sumir rapidamente, os olhos deles brilhavam como o de um filhotinho de cachorro animado ao ver seu dono depois de um longo tempo separados.
Sempre foi uma pessoa magra e atlética, sua barriga sempre foi lisa, talvez isso estivesse fazendo sua gravidez ficar evidente tão cedo, devia estar com cinco talvez seis semanas, era horrível com tabelinha e não tinha ideia de quando tinha engravidado de Jacob, mas era dentro desse prazo – quatro semanas que passaram distante após a primeira vez que transaram e agora quase duas semanas que tinha voltado, por sorte faria o ultrassom para ter a certeza –; além do crescimento de seus seios, sua barriga já estava dando sinais, a parte inferior dela já crescia mais arredondada e toda noite Jacob a beijava, desejando boa noite ao seu bebê (e mesmo que ela risse dizendo que não havia nada formado suficiente ali para lhe escutar e entender, ela se derretia cada vez que ele tocava ou falava com sua barriga, mas culpava os hormônios da gravidez).
Jacob pegou sua mão e usou a outra para acariciar sua barriga com a ponta dos dedos. Sorriu de volta para ele e apertou sua mão, ansiosa.
A a médica sentou em um banco com rodinhas e se aproximou da maca.
— O gel estará um pouco gelado. — ela avisou. Quando o gel gelado tocou sua pele, os pelos dos braços de Leah se arrepiaram. — Vamos lá.
Com a mão direita a doutora segurou o aparelho contra a sua barriga e com a esquerda ligou o monitor do ultrassom.
— Aqui está o bebê de vocês. — médica anunciou instantes depois.
Em preto e branco, ali estava seu bebê… Ela só não sabia dizer onde exatamente.
Olhou para Jacob, mas ele encarava o monitor com a boca aberta em um quase sorriso bobo e os olhos fixos, hipnotizado, provavelmente amando ver seu bebê, enquanto ela… Leah franziu o cenho, inclinou a cabeça, apertou os olhos, para Leah aquilo parecia mais uma televisão com recepção ruim.
— Nosso bebê… — Jacob sussurrou.
— Você realmente está conseguindo ver? Eu não estou entendendo po- — parou antes de dizer um palavrão. — Quero dizer, nada.
— Eu também não, mas é lindo. É nosso bebê. — ele se abaixou e beijou sua cabeça.
Leah gargalhou. A médica e a técnica que estava junto riram também.
— É normal, muitos pais não conseguem ver de primeira no monitor. Eu vou imprimir uma foto pra vocês e parado fica mais fácil, mas olha aqui. — um ícone de mouse amarelo surgiu na tela, circulando um lugar. — Aqui é a cabeça do bebê… — o ícone desceu. — Aqui o tronco… Aqui as pernas… Em alguns bebês conseguimos ver o sexo do bebê na décima segunda semana, mas o de vocês está numa possível ruim, ele quer manter o mistério mais um tempo.
— Espera, o que? — Leah perguntou confusa, soltando a mão de Jacob, mesmo que ele continuasse segurando a sua. — Quantas semanas?
— Você está na décima segunda semana. — a médica lhe encarou. — Está tudo bem? Leah, você está bem? Está sentindo alguma dor? Você está pálida.
— Eu… — ela não conseguia respirar. Puxou sua mão da mão de Jacob. Engoliu seco. — Estou bem, eu… Você tem certeza disso?
— Sim, você está na décima segunda semana, perto da décima terceira.
https://www.youtube.com/watch?v=v2yPU5WPwZs
Breathe Again – Sara Bareilles
Leah não conseguia olhar para Jacob, sua respiração já estava arfante, só queria correr daquele lugar. Doze semanas.
— Tudo bem. — Dra. Alison percebeu que devia ter algo errado, não seria a primeira vez que um casal descobre que as datas entre a relação sexual que supostamente gerou o bebê e as semanas de gestação não batiam, nunca era uma situação agradável. — Nós acabamos por aqui.
A médica se afastou, dando espaço para a técnica limpar a barriga de Leah com papel toalha de secar as mãos. Quando sua barriga estava limpa, Leah arrumou a blusa e pulou da cama.
— Posso ver que a notícia das semanas de gravidez foi inesperada e vocês precisam conversar em particular, então vou agendar a próxima consulta de vocês pra próxima sexta, assim podemos conversar direito com calma e agendar todas as próximas, tudo bem?
— Obrigado, doutora. — Jacob agradeceu.
— Posso dar um conselho a vocês? — ela perguntou. — O que vocês estão fazendo juntos é algo especial. Estou há mais de dez anos nesse ramo, vendo mães e pais, fiquei boa em ler as pessoas e eu pude ver como esse bebê seria amado por vocês e é isso que uma criança precisa, amor. Fazer uma criança qualquer um pode fazer, ser mãe e pai de verdade é para poucos.
Leah não conseguia ouvir mais nada, as lágrimas já ardiam em seus olhos e estavam prestes a descer por seu rosto. Ouviu Jacob agradecer e se desculpar com a médica, mas já estava saindo do consultório. Não queria fazer um show, mas não aguentava mais ficar ali, não depois de descobrir que seu bebê tinha doze semanas.
Há doze semanas não tinha transado com Jacob. Então ele… Pensar nisso fez seu coração doer, as lágrimas desceram pelo seu rosto. Enxugou-as com o antebraço e parou na frente do elevador, apertando o botão freneticamente várias vezes.
— Leah…
— Não. — o cortou sem nem olhar para ele.
A porta do elevador abriu e ela entrou olhando para o chão, nunca estivera tão envergonhada em toda sua vida. Só queria que ele esperasse outro elevador, descesse de escada, mas ele entrou junto.
— Leah, a gente precisa conversar.
Ela respirou fundo e ergueu a cabeça, olhando para a porta do elevador.
— Não temos nada para conversar, Jacob. O que a médica disse não ficou claro suficiente pra você?
— Leah…
— Doze semanas, Jacob. — ela rosnou ao virar o rosto para ele. — Você sabe o que eu estava fazendo há doze semanas? Fodendo com o Sam, não com você.
Ela quase voltou a chorar quando Jacob franziu o cenho, a dor era tão crua em seus olhos e a culpa era toda sua.
A porta do elevador abriu antes que Jacob respondesse, Leah quase correu para fora trombando com um homem que ia entrar no elevador. Tentando não olhar para as gestantes, mães com bebês, crianças, ela fugiu da clínica ouvindo Jacob gritar seu nome.
— Leah para! — ele gritou ao segurar seu braço e lhe virar com violência. — Você não pode ir embora assim, não sem ter uma conversa madura comigo!
— Eu posso sim, Jacob, não temos nada pra conversar.
— O caralho que não temos. — ele rosnou. Ela se assustou, geralmente era ela quem falava palavrões. — Temos um bebê em comum, planos, você não pode…
— Não temos um bebê, Jacob! — gritou. — Eu tenho um bebê! O Sam tem um bebê! Você não! Não há nada aqui pra você! Será que você ainda não entendeu isso? Doze semanas, o filho não é seu!
Jacob soltou seu braço e deu um passo para trás, ferido.
— Eu sinto muito, Jacob. — ela chorou num sussurro. — Eu fiz essa bagunça. Eu joguei isso em você, eu fiz você pensar que seria pai, fiz você criar expectativas e mudar seus planos pra encaixar esse bebê na sua vida, eu… Me perdoa, eu não… — colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha, então enxugou as lágrimas e sorriu. — Pelo menos não tínhamos comprado nada pro bebê, né? — ela riu amargamente. — Você está livre de novo, Jacob.
Jacob agitou a cabeça, não sabia o que falar, mas será que ela não tinha entendido ainda? Não queria ser livre.
E então Leah se virou e correu. Jacob gritou, mas ela alcançou um táxi e entrou.
— Merda. — Jacob rosnou e voltou para a porta da clínica, tinha que pegar seu carro.
Pensou em ligar para Leah, mas sentado dentro do seu carro viu que o celular dela e documento estavam em seu bolso, tinha pegado antes que ela deitasse na maca para o exame. Socou o volante e ligou seu carro, acelerando para a casa dela, lugar que pensou que a encontraria.
—
Leah desceu do táxi em frente seu prédio, sem dinheiro, celular, chaves, pediu ao porteiro que acertasse o táxi e pediu a chave extra, subiria apenas para pegar seu capacete, chave da moto e devolvia o dinheiro. E assim o fez rapidamente, logo Jacob estaria ali.
Desceu de seu apartamento com o capacete, chave da sua moto, devolveu o dinheiro do táxi ao porteiro antes de sair para pegar sua moto. Já estava de capacete em cima da moto quando o carro de Jacob apareceu na rua, virando sua moto na direção oposta, ela acelerou na mesma hora em que ele gritou seu nome.
As lágrimas embaçavam sua visão em alguns momentos, então diminuiu a velocidade no meio do trânsito, não estava desesperada suficiente para ser suicida. Dirigiu para o apartamento da Kate, ela devia estar no estúdio trabalhando, mas o porteiro a conhecia e a deixaria subir – e Kate deixava uma chave embaixo do tapete da sua porta, para o caso de perder sua chave quando estivesse bêbada demais ou estivesse bêbada demais para achar a chave em seu próprio bolso.
No sofá de Kate, Leah tentava parar de chorar. Caminhou até o bar que Kate tinha na sala de seu apartamento, junto a parede, pegou um copo e encheu de uísque. Deixou a garrafa no balcão e cheirou a bebida, o conhecido cheiro acre da bebida âmbar, como ela sentia saudade da queimação do álcool descendo por sua garganta e o torpor seguinte. Era tudo que precisava naquele momento, encher a cara. Afogar suas mágoas.
Mas então se lembrou do bebê. Aquele serzinho de doze semanas que não tinha culpada de nada; não tinha culpa do cuzão de merda que era seu pai e nem culpa de ter perdido o melhor pai que uma criança poderia querer porque sua mãe era uma idiota que só fazia merda em sua vida.
Furiosa, Leah atirou o copo cheio contra a parede e gritou. Ofegante, pegou a garrafa e atirou logo depois. Vidro e uísque foram para todos os lados.
Kate iria lhe xingar bastante. Leah se afastou do bar antes que atirasse mais garrafas. Não poder beber era uma merda. Não ter com quem conversar era uma merda. Estava com tanta raiva que só queria destruir alguma coisa.
Deitou no sofá e cruzou os braços sobre o rosto, com o antebraço sobre os olhos. Como consertaria toda aquela merda? Como contaria a Sam que ele era o pai daquele bebê? Nem podia se aproximar graças a ordem de restrição que ele tinha contra ela desde que tinha destruído o carro dele. E pensar que ela tinha achado que estar grávida do Jacob era uma merda complicada.
Estar grávida do Jacob era tão fácil, simples. Ou melhor, achar estar grávida de Jacob era fácil. Ele estava tão feliz com a ideia, podia lembrar do sorriso doce dele cada vez que falavam sobre o futuro. E então se lembrou da dor no rosto dele enquanto dizia que o filho não era dele, tinha sido tão delicada como um elefante em uma loja de cristal; chutado um filhote de cachorrinho caído.
“Não há nada aqui pra você” tinha gritado, mas a verdade era que tinha sim. Tinha ela.
E estava chorando de novo com as mãos sobre a barriga.
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