You & Me
41 Cm :: 09
No domingo, Emmett dirigia sob as instruções de Kate, que ia ao seu lado no banco do passageiro, para a casa de Esme e Carlisle, para o almoço que tinham planejado. Enquanto isso, Leah e Jacob iam sentados no banco de trás.
Leah tentava lidar com o desconforto de deixar sua moto em casa, assim como Jacob fizera com o carro dele, mas concordava que foi mais fácil deixar que Emmett buscasse os três em seu apartamento – Jacob que tinha passado a noite com ela e Kate que surgiu ao amanhecer, já animada e perfeitamente arrumada, como se não tivesse passado a noite festejando, bebendo e transando, os milagres de um corretivo e maquiagem – e assim os três foram juntos, já que os homens não sabiam onde os Cullen moravam.
— Vocês tem certeza que não devíamos estar levando nada? Tipo, vinho? — Jacob perguntou.
Leah e Kate riram.
— Eles são donos de um bar, Jacob, tenho certeza que eles têm bebidas suficiente para todos nós. — Leah disse divertida, fazendo-os rir.
— Eu sei, só parece estranho aparecer na casa de alguém com as mãos vazias.
— Você está levando um bebê — Kate disse sorrindo. — A Esme vai ficar feliz com isso. Eles são muito divertidos e informais, você vai amar os Cullen.
— Eu já encontrei com eles. — Emmett disse. — E eles foram bem legais comigo.
— Todos os Cullen são legais. — Leah garantiu.
— Menos o Royce. — Kate disse com nojo.
— Ele não é um Cullen, é um King. Vai ser uma merda se ele estiver lá.
— Mas eu queria que a Rosalie fosse, ela é um amor e parece estar meio triste nos últimos dias. — Kate olhou para trás por cima do ombro. — Você reparou?
— Sim, mas casada com Royce, quem não estaria triste? — Leah revirou os olhos. — Eu não sei como ela aguenta aquele otário de merda.
— Bem — Kate olhou pra frente novamente. — Da mesma maneira que você aguentava o Sam mesmo quando eu te dizia que ele era um otário de merda.
Jacob não pode evitar olhar para Leah quando seu ex foi mencionado, eles nunca falavam desse assunto; não sabia como se sentia a respeito, talvez ciúmes? E um desejo forte que ela não sentisse tristeza ao pensar em seu ex? Foi um alívio quando ele apenas gargalhou.
— Touché. Entendi. Eu tenho teto de vidro, não tenho moral pra falar da Rose.
— Talvez não tenha moral pra falar dela, mas tem pra falar com ela, por conhecimento de causa.
— Eu ficava bem irritada quando você tentava dar palpite na minha vida ou me dizer o que fazer, eu queria provar que estava certa e manter meu orgulho intacto. Bem, quebrei a cara, fui chifrada, mas aprendi — Leah riu. — Talvez a Rosalie precise disso.
— É que você é mais forte que a Rose, o Royce poderia esmagar o espírito dela.
— Você acha que ele poderia fazer algo para machucá-la? — Emmett perguntou com a mandíbula.
— Ele não é louco. — Kate rosnou. — Eu faria ele se arrepender de ter nascido se ele machucasse uma coisinha tão doce quanto a Rosalie.
— Ela não parece tipo um filhotinho de chihuahua latindo quando está com raiva? — Leah a provocou. Os dois homens riram, enquanto Kate ergueu o braço mostrando o dedo do meio, o que só fez Leah gargalhar.
Emmett estacionou o carro em frente a casa dos Cullen, ao lado do carro de Edward e os quatro foram na direção da porta. Kate apertou a campainha e foi exatamente Edward quem abriu a porta poucos segundos depois, com um sorriso e uma cerveja na mão.
Edward gargalhou.
— Leah, para de olhar para a minha cerveja como um cachorro olha um frango de padaria, você está perto de fazer um beicinho.
— Eu sinto falta de cerveja. — ela choramingou. — Pelo menos estou sentindo o cheiro da comida da sua mãe, isso vai me animar um pouco.
— Quem chegou, Edward? — eles escutaram Esme gritar.
— Leah, Kate, Emmett e Jacob! — ele gritou de volta. — Vamos, entrem. Ela está terminando de fazer alguma coisa na cozinha com a Bella. Vamos almoçar lá atrás, meu pai está cuidando da grelha, vamos fazer alguns bifes.
Leah e Kate entraram confortáveis e confiantes, já tinham estado ali muitas vezes, enquanto Emmett e Jacob primeiro se entreolharam antes de as seguirem, um pouco mais hesitantes. A casa dos Cullen era enorme, mas estranhamente aconchegante e familiar – claramente ali vivia uma família feliz. Edward fechou a porta atrás deles e os seguiu.
— Fiquem à vontade, caras, sintam-se em casa.
— Oh Leah, querida!
Jacob viu a pequena mulher se aproximar deles com um enorme sorriso no rosto, usando um vestido roxo e um avental preso em sua cintura, enquanto Bella vinha logo atrás com um pano de prato sobre o ombro.
— Oi tia Esme, acho que Edward já contou a novidade?
— Sim! Ele queria me fazer esperar até que você chegasse, mas eu o convenci a me contar antes. Eu estou feliz por você, querida. — Esme puxou Leah para o seu abraço como se não fosse vários centímetros mais baixa.
— Me convenceu quer dizer que ela começou a fazer drama, dizendo “oh meu deus é alguma notícia ruim? Ela está doente? Primeiro Jasper, agora Leah? Oh Carlisle, eu não vou aguentar” — Edward disse imitando a voz da mãe. — E então ela começou a chorar.
Esme soltou Leah e olhou para eles com um sorriso vitorioso.
— Algumas lágrimas e esse menino está disposto a me contar todos os segredos de sua vida. Eu já falei para Bella, ela pode conseguir o que quiser do meu filho com apenas algumas lágrimas, ele não pode resistir a lágrimas de uma mulher. E você, deve ser o pai da criança, certo? Jacob Black?
— Sim, senhora, é um prazer conhecê-la. — Jacob disse sorrindo.
— Oh, por favor, não há nenhuma necessidade de me chamar de senhora, eu sou uma de vocês, eu sou jovem! Sou apenas Esme e meu marido é apenas Carlisle, não temos formalidades aqui em casa.
— Mãe, por favor. — Edward pediu.
— Ignore-o, querido. — Esme disse e se aproximou de Jacob. — É um prazer conhecê-lo, você é um homem muito sortudo de ter a Leah, posso ver que vocês terão um bebê lindo. Ter filhos é uma das melhores coisas do mundo, parabéns!
Quando Esme se aproximou de braços abertos e o abraçou, Jacob não teve outra opção a não ser abraçá-la de volta e sobre o ombro dela viu todos sorrindo como se dissessem: acostume-se. Ela parecia tão sincera, animada e maternal, mesmo com seu jeito extrovertido.
— Obrigado — hesitou por alguns segundos antes de conseguir evitar o senhora. — Esme.
— Isso! — ela o soltou sorrindo e se virou para Emmett. — Você eu já conheço, Emmett, o irmão da Bella.
— Exatamente. — Emmett sorriu charmosamente mostrando suas covinhas.
— Oh, querido, olha esse sorriso, exatamente como Jasper você deve ganhar muitos corações com esse sorriso e covinhas.
— Algumas, mas ainda não encontrei alguma pra ganhar o meu.
— Se eu fosse alguns anos mais nova…
— Mãe! — Edward a interrompeu, enquanto os outros riam.
— Alguns anos mais nova e solteira, você não me deixou terminar, você sabe que eu amo o seu pai. — Esme abraçou Emmett também.
— E eu lhe garanto que idade não seria um problema, Esme, você está ótima, o único empecilho é a aliança em seu dedo.
— Eu me livro do Jasper e vem o Emmett. — Edward bufou. — Estou fora, vou ver se meu pai precisa de ajuda.
— É só ignorar. — Bella disse rindo. — Edward é ciumento com a mamãe dele.
— Não é ciúmes é uma tentativa de manter minha sanidade.
— E ele tem motivo, Esme é uma mamãe gostosa. — Kate disse. — Se ela saísse comigo uma noite aposto que receberia muitos convites.
— Por isso eu te amo, querida. — Esme foi abraçá-la também.
— Eu desisto. — Edward bufou e se afastou enquanto bebia sua cerveja, indo para uma porta lateral da casa.
— Leah, já tem comida posta na mesa lá fora, tem pão de alho e batata, aposto que Carlisle já está comendo com carne enquanto termina o resto. Eu estou terminando de fazer salada, mais batata, mais molho, teremos bastante comida.
— Eu já avisei a Esme que vocês dois comem bastante. — Bella garantiu. — E as sobremesas estão por minha conta.
E recebeu olhares mortificados dos dois. Esme apenas riu.
— Oh queridos, não se preocupem, vocês vão comer o quanto quiserem e sem vergonha alguma ou ficarei ofendida, todos comem bastante aqui, estou acostumada com Edward, Jasper e Leah.
— Você me conhece tão bem, Esme. — Leah disse rindo. — Eu estou faminta. Vamos, Jacob, eu já te apresento o Carlisle.
Enquanto isso, Esme e Bella voltaram para a cozinha juntas.
— Eu gosto dele, eu realmente gosto dele. — Esme comentou.
— O Jake? — Bella perguntou. — Sim, ele é um cara incrível.
— Leah escolheu bem. Sam? Oh Deus, eu nunca gostei dele, uma olhada e eu já sabia que ele não era certo para ela. Ele era muito arrogante, era claro como ficava tentando mudar a Leah e ela não precisa mudar em nada, ela é incrível, mas o Jacob? Meu instinto diz que ele uma pessoa boa e certo para Leah. E meus instintos sempre estão certos. Por exemplo, você, eu soube que você era certa para o meu menino no momento que coloquei meus olhos em você. E o Jacob? Ele é bom para a Leah, eu sinto isso.
Bella apenas sorriu, porque por um momento se questionou se Esme continuaria pensando isso – que ela era boa para Edward e que Jacob era bom para Leah – se soubesse que antes eles tinham sido noivos e agora mantinham uma amizade. Nem todos conseguiriam ver isso com bons olhos, não acreditariam que estavam sendo sinceros em seus novos relacionamento. Bella não queria que Esme jamais pensasse que faria qualquer coisa para magoar Edward, ainda mais traindo-o dessa maneira.
E também se manteve em silêncio para não perguntar: e o que você achava de Royce? Dada todas as reações negativas que Royce causava ao redor, Bella imaginou qual teria sido a primeira impressão que teve do genro e o que sentia sobre o casamento da filha, mas quando Esme deu novas instruções sobre o que estavam cozinhando, Bella deixou o assunto para lá.
—
Jacob estava se sentindo estranhamente confortável na casa de pessoas que tinha acabado de conhecer, Esme e Carlisle. E tinha que confessar: o mérito era todo deles.
Os Cullen realmente sabiam como fazer uma pessoa se sentir em casa e bem-vinda, algo que Jacob não estava esperando. E tinha que confessar também: não esperava por puro preconceito. Estava esperando ser recebido com educação, mas algo forçado, coberto por falsa polidez, arrogância e superioridade de um casal branco da classe média-alta, mas foi exatamente o contrário, a educação e felicidade deles em recebê-los eram genuínos. Esme oferecia algo para eles beber e comer a todo o momento, como se não pudesse vê-los de mãos vazias mesmo que fossem almoçar em alguns minutos, enquanto Carlisle terminava de fazer os bifes conversando com eles sobre assuntos variados, sempre se preocupando com a esposa (sugeriu que ela sentasse um pouco e que Edward cuidaria de trazer as travessas de comida para a mesa, mas Esme logo recusou bufando: “não seja bobo, Carlisle, o que os nossos convidados vão pensar de mim? Que não sou uma boa anfitriã?”, Jacob e Emmett nem tiveram tempo de dizer nada, ela já tinha voltado a cozinha seguida por Bella que lhe ajudava a colocar a mesa; “não adianta discutir com a Esme em almoços de domingo, é tudo do jeito dela” Edward explicou bebendo sua cerveja). E então Carlisle começou a contar sobre como sempre tinha sido daquele jeito, aquela era sua esposa. Não havia uma pessoa que não sorrisse enquanto Carlisle falava da esposa e Esme sorria apaixonada para o marido, aquele era um casal que se amava e ninguém tinha dúvidas daquilo.
Eles tinham o que Jacob sempre sonhava em ter, um casamento feliz e uma família unida, assim como tinha visto em seus pais antes que sua mãe morresse. E, naquele pensamento, ele olhou para Leah. Ela estava com um prato na mão, comendo pedaços de pão com creme de alho, rindo e conversando com todos. Eles não tinha um relacionamento como aquele, ele nem sabia se eles tinham realmente um relacionamento, estavam juntos baseados naquele bebê e no sexo que compartilhavam, mas ele queria mais. Em pé, na porta, ele olhou Bella e Edward – ele segurando sua cerveja, ela com os braços ao redor do pescoço dele, rindo e conversando –, era estranho pensar como num momento estavam noivos, agora estavam juntos no mesmo jardim, mas ela namorando com outro e ele prestes a ser pai, mas estava sinceramente feliz que Bella tinha conseguido sua felicidade, agora ele precisava fazer dar certo com Leah e então ele também seria feliz.
Quando Jacob tirou os olhos de Bella e Edward, desconfortável quando eles começaram a se beijar, virou o rosto para Leah e ela estava lhe encarando. Não conseguiu ler seu rosto, mas ela largou o pedaço de pão que tinha na mão e se levantou.
— Eu preciso ir ao banheiro. — ela avisou, deixou o prato em sua cadeira e saiu.
— Leah, você está bem? — Kate perguntou, mas não recebeu uma resposta.
Antes que Kate pudesse se levantar e segui-la, Jacob estava em pé.
— Vou ver se ela está bem.
A mensagem era clara: Leah não estava sozinha, aquele era seu filho e aquela era sua mulher, ele cuidaria dos dois.
Carlisle deu as instruções de como chegar ao banheiro e Jacob o encontrou facilmente, batendo na porta duas vezes.
— Leah? Você está bem?
— Sim, eu só precisava usar o banheiro, vai embora.
Ele franziu o cenho pelo seu tom rude.
— Não, abre a porta. Leah, você realmente quer que eu faça uma cena na casa dos Cullen? Porque eu vou fazer se você não abrir essa — ela abriu antes que ele terminasse.
— Viu? Eu estou bem, agora você pode…
— Não, você está chateada com alguma coisa e eu quero saber o que é. — ele a empurrou com cuidado para dentro do banheiro e fechou a porta. — Você quer ir embora? Eu posso dar alguma desculpa e vamos embora agora.
— Não é nada, Jacob.
— Você está com alguma dor? Quer ir a um médico? — ele colocou a mão na cintura dela.
— Droga, Jacob, já disse que não estou sentindo nada, estamos bem.
— Então o que aconteceu?
— Você sente falta da Bella?
— O que?
— Merda. — ela praguejou e deu as costas pra ele, passando a mão no cabelo. — Era por isso que eu queria ficar sozinha. Eu ia me acalmar e não ia parecer ridícula fazendo esse tipo de pergunta.
— Você não está parecendo ridícula, eu só não estou entendendo o motivo dessa pergunta.
Leah voltou a olhá-lo novamente. Para crédito de Jacob, ele realmente parecia confuso e não cínico. Ela queria se jogar no vaso sanitário e dar descarga em si mesma para se poupar da vergonha, quando tinha se tornado essa garota ciumenta e insegura? Talvez fossem as marcas de Sam e sua traição. Ver Jacob olhando para Bella e Edward juntos sem conseguir entender sua expressão tinha despertado essas lembranças, como Sam e Emily tinham estado na sua frente e ela não percebeu os sinais.
— Você estava olhando pra ela e o Edward, o que você sentiu? Saudade? Se arrependeu de ter terminado e agora estar comigo? Eu quero dizer… Merda, não estou dizendo que estamos juntos, só… Nós… Porra, eu não sei nem o que eu estou falando, merda. — ela fechou os olhos. — Sai daqui, Jacob, eu vou me acalmar e não precisamos falar disso de novo.
— Não, Leah.
— O que? — ela abriu os olhos.
— Não. Eu não senti saudade, eu não me arrependi de terminado e eu não me arrependi de estar com você. — Jacob se aproximou e segurou o rosto dela entre as mãos. — E sim, estamos juntos. Sabe o que estava pensando enquanto eu olhava para Bella? Que era estranho pensar no nosso passado e como agora ela está namorando outra pessoa e eu vou ser pai, mas eu estou feliz que ela está feliz. E eu estava pensando sobre como eu quero fazer as coisas darem certo entre nós e ser feliz também. Com você, Leah Clearwater.
— Você… — ela estava sem palavras, sentiu seu lábio inferior tremer e as lágrimas crescerem atrás de seus olhos. — Não pode dizer esse tipo de coisa a uma grávida, eu estou cheia de hormônios de grávida e eles fazem com que eu tenha esse tipo de reação ridícula, tipo chorar no banheiro na sua frente. Eu não choro na frente dos outros. Eu não choro!
Jacob riu.
— E eu não quero te fazer chorar também. Eu quero te fazer feliz, Leah. Eu quero que nós dois, ou melhor, nós três sejamos felizes juntos. E eu preciso que você entenda que a Bella é o meu passado e é com você que eu estou.
— Você pode me prometer uma coisa, Jacob? Por favor.
— O que você quiser.
— Você sempre vai ser o pai do meu filho, eu nunca vou impedi-lo de estar presente na vida desse bebê em hipótese alguma, eu te prometo isso, então me promete que se você não estiver mais feliz comigo e a gente não estiver mais dando certo, termina comigo. Não me traí, por favor, termina. — ela detestou como sua voz saiu patética enquanto implorava por fidelidade, algo que devia ser oferecido a outra pessoa espontaneamente, mas ela precisava ouvir aquela promessa.
— Eu não sou o Sam, eu não traio. Eu te prometo isso.
Leah assentiu e respirou fundo. Jacob a beijou suavemente nos lábios.
— Mas nós vamos dar certo, vamos fazer isso dar certo. — a beijou novamente.
— Você não vai querer me beijar agora, Jacob, eu estava pão com creme de alho.
— Eu vou te beijar pra ver se a Esme é uma cozinheira tão boa quanto dizem.
Leah gargalhou.
— Isso foi nojento.
Rindo, Jacob não se importou e a beijou.
—
O clima do almoço mudou apenas quando Rosalie chegou com seu marido, Jacob percebeu.
Todos estavam rindo e conversando animadamente, apreciando a maravilhosa comida da Esme, quando os dois apareceram e as risadas pararam. Por uma fração de segundos o clima ficou desconfortável e até um pouco pesado, Jacob duvidava que fosse algo direcionado a Rosalie – dado como Esme e Carlisle pareciam amar a todos ali e considerá-los como família e lembrando como Leah e Kate conversaram no carro sobre ele. Estava curioso para saber a história toda.
— Rose, querida! — Esme se levantou da mesa, sorrindo. — Estávamos esperando vocês.
— Claro que estavam, tanto que já começaram a almoçar, não é, sogrinha? — Royce comentou com um sorriso debochado no rosto.
— Eu sinto muito, Royce. Vocês estavam demorando e tentamos ligar, mas vocês não atenderam o celular então começamos a almoçar, mas deixamos o lugar de vocês pronto. — ela apontou para dois lugares a mesa, os pratos e talheres já estavam postos cobertos por guardanapos de pano.
— Está tudo bem, mãe, nós nos atrasamos mesmo. — Rosalie sorriu para a mãe, beijou sua bochecha e a abraçou.
— Claro. — Royce sorria e então olhou para a mesa. — Olá sogro, cunhado. Que mesa cheia. Bella, você é o irmão dela, eu me lembro de você, mas você eu não conheço.
— Eu sou Jacob Black. — se apresentou.
— É, ainda não te conheço. — sorriu arrogantemente enquanto se sentava a mesa com Rosalie ao seu lado e Kate do outro. Kate revirou os olhos. — Então é alguma data especial?
— Na verdade, sim. — Esme disse sorrindo. — Nós estamos reunidos para comemorar a gravidez da Leah.
— Gravidez? — ele ergueu a sobrancelha, então riu. — Sério? Primeiro você não é lésbica, agora você está grávida, você não cansa de me surpreender, Leah Clearwater. E me deixem adivinhar, você é o pai?
— Sim, eu sou. — Jacob disse firme.
Em menos de cinco minutos tinha entendido porque ninguém ali gostava dele.
— Você tem certeza? Quero dizer, não faz muito tempo que ela estava namorando o Sam, as vezes ele deixou o pão no forno antes de sair. — ele riu sozinho.
— Royce, por favor. — Rosalie o repreendeu suavemente.
— Eu estou brincando, Rosalie, eles sabem, certo? Eu não quis ofender ninguém.
— Claro que não. — Jacob sorriu falsamente. — Mas eu sou o pai, não há dúvidas sobre isso.
Rosalie parecia tão constrangida que Jacob sentiu pena dela, enquanto os outros pareciam apenas queria chutar Royce para longe daquela mesa, mas Jacob permaneceu calmo. Não iria ser mal educado a mesa de pessoas que o recebeu e serviu tão bem.
— Esme, sua comida é maravilhosa, é a melhor que já comi em toda minha vida, sem dúvida. — Emmett a elogiou, tentando quebrar o silêncio desconfortável ao redor deles.
Esme sorriu como uma adolescente.
— Obrigado, querido.
— Só falta você falar que é uma pena que a tia Esme tenha se casado com o tio Carlisle antes que você a conhecesse. — Kate disse. — Ai você poderia ser um ótimo substituto para o Jasper, pãozinho.
Todos riram.
— Não dê ideias, Kate, apenas um Jasper nessa família é suficiente. — Edward disse. — Aliás, ele me mandou um e-mail hoje cheios de fotos do Brasil, ele está se divertindo e bastante.
— Ele já disse quando planeja voltar? — Esme perguntou como uma mãe preocupada.
— Não — ele riu. — E não acho que voltar seja uma prioridade na cabeça dele a
gora, mãe.
— Leah, você pode enviar uma mensagem para o Jasper contando sobre o bebê e dizendo que precisa dele aqui durante a gravidez, então ele volta.
— Esme, eu não sou tão boa no drama e não sei manipular as pessoas com beicinho como você, não acho que ele voltaria. — Leah riu.
— Nada que não possamos te treinar. Estou dando aulas para Bella, posso dar aulas para você também.
— Que Deus nos proteja, companheiro. — Edward disse olhando para Jacob, que riu assim como todos ao redor.
— Falando em Deus protegendo alguém, quando você vai levar a Leah para conhecer seu pai, suas irmãs, seus sobrinhos, Jake? — Bella perguntou sorrindo, tentando aliviar o clima da mesa.
Leah se engasgou com a comida ao ouvir a pergunta.
— Oh meu deus. — Kate, que estava ao seu lado, começou a bater em suas costas enquanto Jacob, do outro lado, lhe deu o copo com suco.
— Calma, respira, Leah.
— Eu… — ela tentava parar de tossir.
— Isso é tudo medo de conhecer a família do Jake, Leah? — Emmett perguntou divertido enquanto os outros riam e Leah tossia.
— Ela nunca conheceu a família do Sam — Kate explicou. — Será a primeira vez que ela conhece a família de um namorado.
— Estou bem. — bebeu mais dois goles do suco. — Eu estou bem. Para bater nas minhas costas, Kate.
— Eu estava salvando sua vida, ingrata. — a loira bufou e voltou a pegar seu garfo.
— Nós vamos com calma. A minha família é… — Jacob parou, procurando uma palavra para descrever sua família. — Agitada. Primeiro apenas meu pai, depois o resto.
— Quantas irmãs você tem, Jacob? — Esme perguntou.
— Duas. Ambas casadas e com filhos, tenho cinco sobrinhos.
— Oh, então você vai ter experiência com esse bebê. — Rosalie disse sorrindo.
— Eu ajudava com os meus sobrinhos, mas não o suficiente para ser considerado experiência, eu nunca troquei uma fralda. — ele riu. — Nós vamos ter muita coisa que aprender ainda.
— Todo mundo começa assim, Carlisle colocou muita fralda errada no Edward antes de aprender. — Esme disse rindo. — Mas quando Rosalie nasceu já estávamos craques.
— Eu sabia que eu conhecia esse apelido de algum lugar. — Royce disse interrompendo a risada da mesa. — Jake. Você não é mecânico, ex noivo da Bella? A Rosalie me contou essa história.
Rosalie pareceu mortificada e ninguém disse nada até que Royce gargalhou.
— Leah está grávida do ex noivo da Bella, que hoje namora com o Edward, que mundo pequeno. — Royce disse rindo.
— Royce, por favor, não acho que esse seja o momento para falarmos disso. — Rosalie disse quase num sussurro.
— Estamos apenas conversando, querida, agora somos todos uma grande família, certo? Uma cozinheira e um mecânico, que adições maravilhosas a nossa família.
— E um advogado. — Emmett disse e todos olharam para ele, que estava sentado ao lado de Bella do outro lado da mesa, olhando para Royce. — Minha irmã, que é uma ótima cozinheira e está perto de abrir seu próprio negócio, com a sua esposa como sócia. Jacob, que é o melhor mecânico dessa cidade, não abre sua própria oficina porque não quer. E eu, modéstia parte, sou um bom advogado, pelo menos eu estou conseguindo me manter. Acho que nós três não estamos envergonhando os Cullen. — ele riu. — E você Royce, trabalha com o que?
Para esconder o sorriso enquanto seu irmão falava, Bella começou a beber seu suco e quase se engasgou com a boca no copo quando ele fez a última pergunta; Edward disfarçou a risada com uma tosse; Esme e Carlisle permaneceram sérios em respeito a filha; enquanto os outros, sorriam debochados para Royce.
— Eu não estou trabalhando no momento. — Royce respondeu. — Mas eu faço alguns investimentos.
— Então você foi a uma faculdade de negócios? Talvez administração?
Só naquele momento Royce parou de sorrir e estreitou os olhos, enquanto Emmett permanecia sério, esperando a resposta. Ele odiava se gabar, odiava parecer arrogante, mas a situação o obrigou a fazer isso, não conseguiu permanecer calado quando Royce parecia disposto a humilhar sua irmã e seu melhor amigo.
Mas ao olhar para Rosalie, ele se arrependeu por ter falado, ela olhava para o próprio prato parecendo tão constrangida que devia estar implorando para que um buraco se abrisse no chão e a engolisse. Ela não merecia isso e ele não entendia porque ela se submetia a isso.
— Você está tentando me humilhar?
— Te humilhar? O que? Claro que não. Pensei que estávamos apenas conversando, afinal, somos todos uma grande família, certo? — Emmett perguntou com um enorme sorriso no rosto.
Leah foi a única que teve a coragem de gargalhar e foi acompanhada por Kate, enquanto os outros se esforçavam para segurar a risada.
— Royce! — Rosalie disse firme com o queixo erguido quando marido estava prestes a dizer algo. — Chega. Esse é o almoço da Leah, não vamos fazer isso sobre nós.
O casal se encarou em silêncio por uma fração de segundos, parecendo conversar naquele olhar e apenas eles entenderam; Rosalie encolheu os ombros e Royce não disse nada apenas se levantou, jogando o guardanapo na mesa e saiu.
— Royce! — Rosalie se levantou. — Jacob e Bella, me desculpem, ele não quis ofender vocês, eu tenho certeza. — ela olhou para Emmett por uma fração de segundos, então correu atrás do marido.
— Merda. Esme, Carlisle, eu sinto muito, eu não quis estragar o almoço de vocês. — Emmett lamentou.
— Oh, querido, não é sua culpa e você não estragou nada. — Esme garantiu, carinhosamente. — O Royce é… Difícil.
— Ele é um babaca, mãe. — Edward bufou. — Você não tem que se desculpar por nada, Emmett, se você não tivesse dito algo, eu teria e seria muito pior. E agora Royce vai se fazer de coitado para a Rosalie, distorcer as coisas e sair de inocente pra ela, como sempre.
— Edward, por favor. — Carlisle pediu.
— Tudo bem. Não vamos deixar que isso estrague nosso almoço porque ainda temos a sobremesa que a Bella preparou lá na cozinha. — Esme disse sorrindo.
—
Rosalie seguiu seu marido pela sala, enquanto ele ia na direção da porta.
— Royce, por favor!
— O que? — ele se virou, furioso. — Você quer me humilhar mais?
— Te humilhar? — Rosalie arregalou os olhos. — Eu não fiz nada!
— Não? — ele se aproximou dela, vociferando: — Você gritou comigo na frente de todos, você não ficou do meu lado. Você ficou do lado daquele… Animal.
— Eu estou do seu lado, eu só não queria vocês brigando no meio do almoço.
— Eu ia apenas me defender, você viu o que ele estava fazendo? Tentando me humilhar por não ter um diploma, como seu irmão, seus pais pareciam adorar o espetáculo, como se eu não fosse bom o suficiente pra você.
— Ninguém disse isso, Royce, o Emmett estava apenas defendendo a irmã e o melhor amigo…
— E agora você tá defendendo ele? Ótimo, Rosalie, simplesmente ótimo. E defendendo os dois do que? Eu estava apenas brincando! Como eu brinco com qualquer um e você sabe!
— Eu sei, mas eles não, você devia ter ido com calma até que eles se acostumassem com o seu jeito.
— Quer saber? Eu vou embora.
— Royce, por favor…
— Você fica aqui com sua família e seus novos amigos, eu estou indo embora. — ele se virou, batendo a porta ao sair.
Rosalie não conseguiu reagir no mesmo instante, queria ficar ali com sua família e amigos, não queria perder o almoço de domingo que era tão importante para a sua mãe, mas também não queria deixar que Royce fosse embora sozinho ou as coisas que não resolveram ficariam entre eles. Ela odiava brigar com ele, mas era tudo que pareciam fazer nos últimos dias – discutiam por causa do trabalho dela, da falta de trabalho dele, as contas, dinheiro, o tempo que ela passava fora de casa se dedicando ao seu novo negócio, o tempo que ele passava fora de casa com os amigos, o jeito que sua família o tratava, como ele achava que ela nunca ficava ao lado dele, o ciúme dele, algo que ela deixava de fazer em casa –, tudo era motivo para discussão e ela não sabia como consertar as coisas. Pensou que engravidar melhorariam as coisas, os dois se dedicariam a alcançar o mesmo objetivo – ter um filho – e isso os uniria novamente, mas se tornou apenas um motivo novo para briga, a dificuldade que ela estava tentando para engravidar, mesmo que fizesse pouco tempo que tinham começado realmente a tentar ter um filho.
Ela queria ficar, mas sabia o que aconteceria: Royce beberia e, quando ela voltasse para casa, ele estaria furioso porque ela escolheu ficar contra ele novamente e então a briga seria ainda maior. Ela estava se sentindo no limite, não aguentava mais brigar. Quando tinha perdido o controle de sua vida daquele jeito?
Rosalie passou a mão nas bochechas, enxugando as lágrimas que nem percebera que estava derramando, respirou fundo, pegou sua bolsa no sofá e correu atrás do seu marido.
………………………...
No início da noite, Jacob, Leah e Emmett entraram no apartamento de Jacob. Enquanto os outros foram para o Cullen’s juntos, para Jacob a noite precisava acabar cedo porque tinha que trabalhar no dia seguinte e Leah também já estava se sentindo cansada, pronta para dormir – o que ela culpava a gravidez, pois não diria a ninguém que tudo que queria era dormir com Jacob, como tinham feito na noite anterior –, Emmett os levou em casa e subiu para o usar o banheiro.
O caminho todo falaram sobre Rosalie e Royce, como eles tinham ido embora sem avisar. Por respeito a Esme e Carlisle, ninguém falou nada, apenas seguiram o dia como se nada tivesse acontecido, apenas no carro Leah começou a xingar Royce, falar como ele sempre tinha sido um babaca.
— Um grande babaca de merda. — Emmett rosnou, caminhando para o banheiro de Jacob, conhecendo bem o caminho.
— Sempre detestei o Royce. — Leah bufou sentando no sofá. — Eu preciso tirar esse coturno, meus pés estão me matando.
— Vem aqui. — Jacob sentou ao lado, batendo em sua coxa. — Me dá o seu pé.
Leah riu.
— Sério? Tudo bem. — ela se ajeitou na ponta do sofá e esticou as pernas para o colo de Jacob, que tirou seus coturnos e começou a massagear seus pés. Leah fechou os olhos e gemeu de prazer. — Porra, Jacob.
— Quase pensei que vocês já tinham começado a transar no meio da sala sem esperar que eu fosse embora. — Emmett disse rindo ao voltar pra sala. — Sabe que agora que não é minha irmã, eu não tenho problema com isso.
— Cai fora, Emmett. — Jacob mandou, desconfortável por ele ter mencionado seu relacionamento com Bella, esperando que Leah não se incomodasse com isso, mas ela apenas riu.
— Eu não sou o tipo exibicionista, se você quer esse tipo de coisa devia falar com a Kate, ela topa de tudo. — Leah disse divertida.
— Vou dar um toque nela. Agora vou deixar os pombinhos sozinhos, tenham uma boa noite e cuidado com o meu afilhado ou afilhada.
— Seu o que? — Leah franziu o cenho. — Quem disse que você será o padrinho desse bebê?
— O Jacob. Tchau família. — ele saiu, fechando a porta.
— Eu não disse nada! — Jacob gritou e eles ouviram a alta gargalhada de Emmett, mesmo que ele já estivesse fora do apartamento e com a porta fechada. — Eu realmente não disse nada sobre ele ser o padrinho do bebê.
— Mas aposto que é o que você quer.
— Ele é o meu melhor amigo, seria natural que fosse o padrinho do meu filho. E ele tem dinheiro, precisamos garantir bons presentes para o nosso bebê. — brincou, sem parar de massagear os pés dela. Leah gargalhou.
— Então o Jasper também faria um padrinho maravilhoso, ele é rico. Mas ele deve ser o padrinho do futuro filho do Edward, então podemos ficar com o Emmett. E a Kate será a madrinha.
— Kate?
— Sim, a Kate. E nosso filho vai amar tê-la como madrinha, assim como eu amo a ter como melhor amiga.
— Você que padrinhos são como segundos pais, certo? Devia ser algo tipo: se algo acontecer com nós, eles cuidarão do nosso filho.
— Então vamos torcer pra que nada nunca aconteça com a gente. — Leah riu. — Estou brincando. Se algo acontecer com a gente, com as nossas famílias e amigos, esse bebê — ela colocou as mãos sobre a barriga. — vai ter as melhores pessoas ao redor dele, ele ficará bem.
Jacob sorriu em concordância.
Fale com o autor