You & Me
38 Cm :: 06
O silêncio ecoava entre eles após a pergunta. Tinha sido curto e direto, mas Jacob não podia ser de outra forma, precisava de uma resposta.
Não conseguia pensar em mais nada desde que Emmett lhe ligou e contou que Leah estava grávida. Bella a tinha ouvido falar com Kate sobre isso no banheiro do bar de Edward, então contou ao irmão e pediu que ele lhe contasse, pensando que se talvez escutasse de um homem ficaria mais tranquilo, considerando todas as possibilidades daquele bebê ser ou não seu. Mas ela estava errada, aquilo não tinha ajudado em nada, Jacob continuava nervoso, sem saber o que pensar. Queria filhos, aquela era uma grande certeza que tinha vida. Mas não de surpresa. Queria antes uma vida estruturada e estabilidade, uma esposa e então os filhos, dois ou três. E agora todos seus planos poderiam mudar dependendo da resposta de Jacob para sua pergunta: “Você está grávida?”.
— Você me acordou para me perturbar com seu surto psicótico? — Leah disse sarcástica.
Mas ele já tinha visto como ela reagiu a sua pergunta, completamente surpresa e até um pouco culpada então ele ignorou sua tentativa de mudar de assunto.
— Para de me enrolar porque eu já sei a verdade, Leah, é o meu bebê. — disse firme.
Sabia que ela estava grávida, a reação dela a sua pergunta foi o suficiente para ter essa certeza, mas não sabia se era realmente o seu bebê realmente, aquilo tinha sido um blefe, mas pela reação dela devia ser verdade também, o que fazia sentido já que tinha transado sem nenhuma preocupação, um descuido estúpido dos dois.
— Eu acabei de acordar, será que eu posso ir lavar o rosto, escovar os dentes e usar o banheiro antes de termos essa conversa, por favor?
— Vai, eu te espero aqui. — sem receber um convite, ele passou por ela e foi para o meio da sala.
— Claro, entra, fique à vontade e sinta-se em casa. — Leah ironizou e fechou a porta, então foi calmamente para o seu quarto.
Porém, a calma que tentava transpassar a realidade que se passava dentro dela. Estava nervosa, não esperava que aquilo acontecesse tão cedo, que Jacob aparecesse em sua porta lhe questionando sobre o bebê.
Subiu em sua cama rapidamente e agitou Kate até que ela acordasse, cobriu a boca dela com a própria mão pra que ela não fizesse nenhum barulho. Quando os olhos dela estava bem abertos e confusos, Leah tirou a mão de sua boca.
— O que você fez? — vociferou.
— O que?
— Jacob está lá na sala, perguntando sobre o bebê. — sussurrou furiosamente. — O que você fez?
— Nada! — sussurrou de volta e se sentou. — Eu estava com você o tempo todo, você viu tudo que eu fiz desde que chegamos aqui, eu nem falei com o Jacob.
— Droga. — foi para o banheiro sendo seguida por Kate. Pegou um elástico na pia e prendeu seu cabelo chanel em um rabo de cavalo, mas vários fios escapavam, principalmente em sua nuca por serem curtos demais para ficarem presos.
— O que você vai fazer?
— Eu não sei. Droga. — abriu a torneira para lavar o rosto, depois escovou os dentes rapidamente.
— A gente falou sobre isso ontem no banheiro. — Kate lembrou. — Talvez alguém ouviu.
Leah enxaguou a boca e guardou sua escova. Considerando isso, Leah riu sem humor ao perceber o que tinha acontecido e foi para o vaso sanitário, sem se importar que Kate estava ali para lhe ver ou ouvir urinando.
— Bella ouviu e falou com o melhor amigo, o ex-noivo, claro.
— Talvez. Não fica com raiva dela, eu faria o mesmo por você e você faria por mim.
— Eu sei. — ela suspirou, se levantou vestindo a boxer novamente e deu descarga. — Merda, não agora.
— O que?
— Náusea. — fechou os olhos e respirou fundo, foi para a pia lavar as mãos na pia e soltou os cabelos novamente, arrumando-os rapidamente com os dedos, tão lisos quanto eram não foi difícil colocar os fios no lugar. — Você fica no quarto, me ouviu?
— Sim, senhora. — a loira bateu uma continência. — Você vai ficar bem?
— Vou. — antes de ir falar com o Jacob, Leah colocou um short jeans e foi para a sala, onde Jacob ainda esperava sentado no sofá.
Ele se levantou quando a escutou se aproximar. Perguntou novamente se ela estava grávida, mas Leah ignorou e seguiu para a sua cozinha. Seu único foco era se manter respirando lenta e profundamente.
Jacob foi junto, ainda falando, mas ela não estava ouvindo nada. Encheu uma chaleira com água e colocou no fogo. Nem conseguia registrar as palavras dele pra ter alguma ideia do que ele falava, só queria se livrar daquele enjoo antes que vomitasse no meio da sala, nem sabia se tinha o que vomitar ou era apenas náusea. Porra, como odiava aquela merda. Pegou no armário um pacote de bolacha salgada.
— Leah, você está bem? — ela não respondeu, apenas enfiou uma bolacha na boca. — Enjoo matinal? Você está realmente grávida.
Leah suspirou e abriu os olhos, tirando outra bolacha do pacote.
— O que você quer, Jacob?
— Eu sou o pai?
— Só estivemos juntos uma vez.
— E sem camisinha. — ele lembrou.
— Você é realmente bem confiante se acredita que pode me engravidar de primeira.
— Você não seria a primeira mulher a engravidar de primeira.
— O que, você tem outros filhos por aí? — Leah zombou enquanto mastigava, colocou a bolacha no balcão e pegou uma caneca.
— Você entendeu o que eu quis dizer.
Ela pegou uma caixinha de chá de hortelã e tirou de dentro um pacotinho, prendeu o cordão na caneca e colocou a água fervente da chaleira.
— A bolacha e o chá ajudam com o enjoo? — Jacob perguntou.
Ela suspirou, deixou a chaleira sobre o fogão e se virou pra ele novamente, segurando sua caneca de cerâmica enquanto a água começava a pegar a coloração do chá. Se controlando para não dar uma resposta malcriada, porque ele realmente parecia interessado e até preocupado.
— Sim. — respirou fundo a fumaça quente saindo da caneca, só o cheiro já ajudava a acalmar seu estômago.
— Você já foi ao médico?
— Não.
— Tudo bem, então podemos marcar uma consulta…
— Hã?
— E eu vou com você, é claro.
— Jacob?
— Vou com você em todas as consultas, só precisa me avisar antes…
— Jacob! — ela gritou para que ele se calasse, parasse de planejar tudo sem nem ao menos escutá-la.
— O que?
— Eu não quero nada de você. Não vou te cobrar nada, esse é um problema meu e eu vou resolver sozinha.
— Problema? — ele repetiu, erguendo uma sobrancelha.
— Você entendeu.
— Não, eu não tenho certeza se entendi, o que você vai resolver sozinha? Você está falando de abortar?
Leah não respondeu, assoprou seu chá e bebeu cuidadosamente um pouco.
— Você está brincando, né?
Após mais um gole e lamber os olhos, ela o encarou:
— A decisão não é sua.
— Não é minha? — ele riu, incrédulo. — Se eu não posso decidir se meu bebê vive ou morre, então quem pode?
— Não é um bebê, é um feto. Ele não tem pensamentos ou sentimentos, mas eu tenho e é no meu corpo que ele está, é no meu corpo que ele vai ficar então eu sou a unica que pode tomar essa decisão. E eu não decidi ainda.
— Mas agora eu sei e eu tenho sentimentos também!
— Por isso eu não te contaria dependendo da minha decisão.
— Você tomaria esse tipo de decisão importante sobre o nosso bebê sem nem ao menos me comunicar?
— Não é um bebê.
— Você entendeu! — Jacob exclamou irritado.
Leah colocou sua caneca cheia na pia, então caminhou para a sala sendo seguida para o meio da sala, se virando para Jacob que estava logo atrás, que esperava uma resposta.
— Eu não sei, ok? — Leah jogou os braços para o ar. — Eu não planejei isso! Eu não planejei nada e agora tenho que lidar com tudo!
— Você não precisa lidar com isso sozinha, eu estou aqui.
— Eu não te pedi.
— É a minha escolha estar aqui, Leah.
— E é a minha escolha… O que quer que eu decida, Jacob.
— Então podemos… Eu não sei — ele coçou a cabeça. — Negociar.
— Negociar? — ela ergueu uma sobrancelha.
— Sim, um acordo que pode ser bom para todos. Só… Leah, mantém o bebê. Eu lido com tudo e pago por tudo, você só tem que gerar o bebê e depois que nascer você não precisa mais se envolver com nada, nem saberá de nós, eu te juro, eu e o bebê estaremos fora da sua vida.
— E você diria o que a criança? Que a mamãe é uma vaca egoísta que o abandonou ou que morri no parto? — Leah disse sarcástica.
— O que você quis que eu diga, eu te juro! Só… Não faz isso, por favor. — ele pediu suavemente. — Eu sei que é a sua escolha e eu respeito isso, mas agora eu sei disso e eu não poderia viver sabendo que isso aconteceu com o meu… Bebê.
Leah engoliu seco. Era aquela coisa que Jacob tinha nos olhos, algo suave que lhe lembrava um filhotinho de cachorro, que precisava ser cuidado e protegido. Ele parecia tão desesperado para salvar aquele filho que tinha acabado de descobrir que era surpreendente que ele ainda não estivesse lhe implorando de joelhos.
— Como eu disse… — Leah disse friamente. — A decisão não é sua.
Jacob abriu a boca para dizer algo, mas a fechou e assentiu. Parecia um filhotinho que foi chutado na barriga.
— Ok então, decida sozinha só… Me liga pra me informar da sua decisão, por favor.
Leah assentiu e ele foi para a porta, saindo de seu apartamento sem dizer mais nada.
O esforço para segurar o choro fez sua respiração ficar mais acelerada, engolindo o nó que se formou em sua garganta, Leah sentou no sofá apoiando os cotovelos nas coxas e apoiou a cabeça nas mãos, agarrando os próprios. Estava tudo uma bagunça e não tinha como ideia de como arrumar. Não era como a bagunça causada por Sam, não tinha como destruir um carro para se sentir melhor, dessa vez não tinha ideia do que fazer.
Estava tão distraída nos próprios pensamentos, pensando em Jacob, que nem percebeu Kate se aproximar e sentar ao seu lado.
— Tudo bem?
— Você ouviu tudo?
— Um pouco. Talvez.
Leah se sentou direito e olhou pra ela, erguendo uma sobrancelha.
— Sim, eu ouvi. Você está bem?
— Eu não sei.
— E agora?
— Eu… — deu ombros e agitou a cabeça. — Não sei.
— Você sabe alguma coisa nesse momento?
Leah riu.
— Jacob não é rico.
— É isso que você sabe? — Kate perguntou, rindo.
— É. Jacob Black é um mecânico. — disse olhando pra frente, encarando um vazio. — Um dos bons, mas um mecânico, que recebe um salário de mecânico, tem um carro velho e mora num apartamento pequeno, mas, ainda assim, estaria disposta a bancar toda a gravidez e ficar com o bebê.
— Ele é um cara decente.
— É. — Leah assentiu. — E ele seria um pai decente.
— E ele é um amante mais que decente, né? — a loira brincou. — Levando em consideração que foi a primeira vez que ele visito sua padaria e já colocou um pãozinho no forno.
— Porra, Kate. — Leah gargalhou. — Ai Kate, que bagunça eu me meti.
. . .
O dia nunca pareceu passar tão lentamente para Jacob.
Ir trabalhar após sair do apartamento de Leah foi mais difícil do que esperava, porque queria continuar ali, queria gritar e a sacudir pelos ombros até que ela concordasse com seus termos ou entrasse em acordo, mas não tinha o que fazer, jamais teria coragem de colocar a mão nela com raiva e ela parecia tão decidida tomar as próprias decisões sozinha que só podia se afastar antes que dissesse alguma coisa da qual se arrependesse depois, então foi para o trabalho para manter sua mente ocupada.
Fez os consertos que tinha agendados para o dia, adiantou alguns serviços dos dias seguintes, fez revisões e atendeu para clientes que chegaram no meio do dia com algum problema inesperado e que só precisavam de consertos rápidos. Precisava se manter ocupado na tentativa de manter sua mente cheia, mas mesmo quando suas mãos trabalhavam nos veículos, sua mente ainda estava em Leah. Em Leah e em seu filho – só de pensar nisso já sentia um embrulho de nervoso no estômago.
Era idiotice ficar triste pela perda de algo que só tinha descoberto a existência há poucas horas? Não era a época certa e não era planejado, mas ele podia se ver amando aquele bebê. Podia ver toda sua família amando aquele bebê. Quando tinha dezesseis anos e suas irmãs, as gêmeas Rachel e Rebecca, tinham vinte e dois, o carro em que seus pais estavam foi atingindo por um motorista de caminhão que dormira ao volante no meio da madrugada; sua mãe, Sarah, morreu na hora e seu pai, Billy, acabou em uma cadeira de rodas. Aquele acidente poderia ter destruído suas vidas, mas acabou unindo ainda mais sua família, desde então a família era o mais importante para eles. Suas irmãs já estavam casadas, com filhos e maridos – Rachel tinha dois garotos e Rebecca tinha três, as cinco crianças entre dois e doze anos –, Jacob amava seus sobrinhos e seu pai amava os netos, ficava feliz e radiante a cada anúncio de gravidez de suas irmãs, podia imaginar o quanto ele ficaria feliz ao descobrir que o único filho homem seria pai, ainda mais se fosse uma neta, era uma brincadeira na família sobre quem daria a primeira neta dele. Jacob podia se imaginar com uma filha, uma garotinha que herdaria a pele morena dele e os cabelos negros e lisos de Leah, a garotinha que podia ter a personalidade calma do pai ou a personalidade espoleta da mãe, uma garotinha que receberia o nome de Sarah em homenagem a sua mãe. Mas nada disso aconteceria.
Seria mais fácil se ele não soubesse de tudo, com certeza era pior nunca ter tido algo que ter e perder, era assim como se sentia. A ignorância é uma benção.
Com Bella não tinha dado certo, agora com Leah não daria certo, como ele era a unica constante nas duas equações então o problema devia ser ele. Não tinha nada a oferecer, claro que o problema era ele.
Se esforçava para manter a cabeça ocupada e tentava mentir para si mesmo, mas passou o dia também esperando pela ligação. Esperando que ela ligasse para dizer que tinha decidido e precisava dele, então eles poderiam dar um jeito nisso. Bella e Emmett ligaram, mas ele ignorou, não estava pronto pra conversar com eles ainda e queria manter as linhas desocupadas para se Leah ligasse, mas a ligação nunca chegou. E podia fingir que não, mas estava decepcionado.
Já estava escurecendo quando subia as escadas de seu prédio, tudo que precisava era um bom banho, comer e dormir. A pior parte, com certeza, seria o silêncio de seu apartamento vazio.
Mas ao chegar no seu andar, segurando a alça da mochila com a roupa suja do trabalho, se surpreendeu ao ver Leah sentada no chão com as pernas esticadas e as costas junto a parede na frente da porta do seu apartamento. Seu coração pareceu parar por alguns segundos e então começar a bater rapidamente.
— Leah, o que você está fazendo aqui?
— Eu… Precisava falar com você. — Leah ao se levantar, pegando o capacete que estava no chão ao seu lado.
— Faz tempo que você está aqui? Por que não me ligou? Eu teria vindo para casa mais cedo ou ido te encontrar. — disse e foi destrancar a porta.
— Eu estou bem.
— Vem. Você precisa de alguma coisa? — perguntou enquanto ela entrava, parecendo insegura.
— Na verdade, preciso ir ao banheiro.
— Claro, bem, você sabe onde fica, certo?
Leah riu, deixou o capacete no sofá e foi para o banheiro.
Jacob ficou na sala sem ter certeza do que fazer e muito menos do que esperar. Deixou a mochila no chão, depois levava a roupa para a área de serviço, tirou a jaqueta jeans que usava e jogou no sofá, ficando apenas com a camisa de flanela xadrez. Sentou no sofá para tirar as velhas botas de bico de aço, depois as meias cinzas, que deixou dentro das botas. Seus pés estavam suados, seu corpo inteiro, mas, pelo menos, não estava fedendo e nem muito sujo, a maior parte ficava no macacão e a graxa do corpo lavava na oficina mesmo, só continuava com um pouco no canto das unhas e um leve cheiro que parecia a mistura de gasolina e óleo de motor, esperava que aquele cheiro não agitasse o estômago sensível de Leah.
Quando Leah voltou, Jacob se levantou.
— Você quer beber alguma coisa?
— Vamos direto ao assunto, Jacob.
— Claro. E qual é o assunto?
— Eu tomei uma decisão. A Kate conhece uma boa clínica, algo seguro pra mim, conseguiu um horário de última hora pra uma consulta amanhã pra… — ela parou e engoliu seco.
Mas não precisava continuar, Jacob entendeu.
— Ok. Então, você quer que eu vá com você?
Leah franziu o cenho, desconfiada.
— Ir comigo? Fazer o que? Segurar minha mão como se a gente fosse um casal na primeira consulta do bebê? — ironizou.
— Se você precisar, sim. Eu disse que iria com você em todas as consultas, inclusive essa.
— Você quer esse bebê, por que iria comigo?
— Pra te apoiar, não importa a sua decisão. Você não fez isso sozinha, Leah, não vou deixar você passar por isso sozinha.
Os olhos dela pareciam brilhar, por uma fração de segundos ele achou que fosse vê-la chorar, mas ela se virou e ele a escutou inspirar fundo e soltar o ar ruidosamente.
— Sabe, Jacob, eu tinha quinze anos quando arranjei meu primeiro namoradinho, ele também tinha quinze anos, eu também era a primeira namorada dele. A gente ficava, se esfregava, passava a mão um no outro, mas nunca tínhamos feito nada além disso, quando fizemos cinco meses de namoro decidimos que estava na hora de dar o próximo passo na relação, nós dois éramos virgens então parecia certo perder a virgindade juntos. Esperamos a oportunidade perfeita e um dia os pais deles passariam a noite fora então tínhamos algumas horas juntos, então fomos para o quarto. Na teoria a gente sabia o que devia fazer, ele só precisava entrar em mim e estourar minha cereja, mas na prática… Deus! — ela suspirou. — A gente não tinha ideia do que estávamos fazendo. Foi horrível.
Jacob não entendeu porque ela estava falando aquilo e nem podia analisar seu rosto enquanto falava, mas a deixou continuar sem interrompê-la.
— Dois virgens desajeitados, ele estava tão animado e ansioso por ver a primeira garota nua ao vivo de verdade que foi afobado pra cima de mim. Doeu, a gente tinha que ficar atentos aos barulhos pra que ninguém nos pegasse naquela situação e foi rápido. Muito rápido. — ela riu. — Se ele bombou cinco vezes dentro de mim, foi muito. E então gozou. A gente era dois idiotas, nem pensamos na camisinha e ele gozou dentro. Quinze anos? Porra, eu não podia ficar grávida. Eu comecei a xingar ele por não ter pensado na camisinha, corri pro banheiro, me tranquei e fui tomar banho, me esfreguei, usei a ducha pra tentar lavar a porra dele de mim. — ela ria enquanto falava. — E fui pra casa sozinha, chorando, desesperada. Passei o mês todo com medo de estar grávida, eu nem conseguia falar com ele porque na minha mente era tudo culpa dele, todos pensavam que a gente tinha terminado, eu mal saía de casa, estava apavorada e ele também estava, mas era pior pra mim porque era eu quem carregaria aquele bebê. Quando eu menstruei, eu comecei a chorar e pular de felicidade, liguei pra ele e avisei, terminei o namoro e aprendi minha lição. Demorei tipo um ano pra conseguir pensar em fazer sexo novamente, mas quando fiz, usei camisinha. Encontrei um namoradinho experiente e aprendi a gostar de sexo, fiz muito sexo e sempre usei camisinha. Nunca fui boa com anticoncepcional porque as vezes me esquecia de tomar, mas camisinha? Sempre. As únicas vezes que deixei de usar foi com Sam, mas sempre nas semanas que eu tinha certeza que tinha tomado meu anticoncepcional, ele quem me lembrava de tomar pra garantir o sexo sem camisinha, porque se não nenhum pau desencapado chegava perto de mim.
Leah se virou para Jacob novamente, com o rosto lívido.
— Faço isso desde os meus quinze anos. Eu tenho doze anos de vida sexual muito ativa e nenhum problema. Nenhuma dor de cabeça. Nenhuma noite mal dormida por uma suspeita de gravidez não planejada. E então eu tenho uma noite, não, uma manhã de sexo com você, uma foda rápida em pé e eu estou grávida! — Leah gritou as três últimas palavras. — Grávida!
Jacob arregalou os olhos.
— O que você e a porra do seu pau fizeram comigo? Um bebê? Porra, como você não se lembrou de pôr a porra de uma camisinha no seu pau, seu imbecil, idiota, filho da puta! É um bebê! A porra de um bebê! Bebês são pequenos, frágeis, dependentes e caros! Eu não sou adequada pra ser mãe e você… Merda, tudo bem, você é adequado para ser pai, mas não de um filho meu! Você devia ter feito isso com a Bella ou com alguém como ela, não comigo, porra! Você não quer os meus genes no seu bebê, eu sou… Isso!
— Leah… — Jacob tentou falar algo no meio de seus gritos.
— Droga! Merda! Você está me ouvindo? Esse bebê vai falar merda antes de dizer papai!
— Leah! — ele a interrompeu firmemente. Ela parou com os olhos arregalados e ofegantes pelos gritos, mas se calou quando ela segurou seu rosto entre as mãos. — Você não está sozinha.
— Não somos um casal. — Leah sussurrou.
— Eu gosto de você, é um começo. — Jacob disse sorrindo.
— Você não pode gostar de mim, a gente mal se conhece.
— Suponho que temos algo em torno de nove meses pra nos conhecermos melhor.
Leah riu.
— Não, algo tipo oito meses, já se foi um mês desde que transamos.
— Então você vai manter o bebê?
Ela assentiu. Sorrindo, Jacob a beijou. Foi lento e doce, Leah sentiu que aquilo era mais que um beijo, era um agradecimento silencioso.
— Não importa o que aconteça, eu vou estar com você. — ele prometeu sobre sua boca.
— Parece que eu estou a beira de um abismo… — ela disse num sussurro. — Olhando lá pra baixo e eu não sei o que me espera se eu cair, eu nunca estive mais assustada na minha vida.
— Eu estou com você. — colou a testa na dela, soltou o rosto dela e pegou suas mãos, entrelaçando seus dedos. — Segurando sua mão, viu? Eu não vou te deixar cair.
— Você não está com medo?
— Muito. Mas eu acho que podemos fazer isso, ainda mais juntos. Eu estou te segurando, eu não vou cair e nem te soltar, você é a mãe do meu filho.
— Mãe… Deus, vai levar um tempo pra que eu me acostume com isso.
— Algo tipo oito meses, está bom pra você?
Leah riu e permaneceu sorrindo quando ele abraçou sua cintura.
Fale com o autor