Notas iniciais
Para todas que me cobraram um final para fanfic: como prometido, todos os capítulos de uma vez. (Espero que não tenha limites de postagem). me desculpem xx

Uma gravidez não planejada em um momento desses? Puta merda mesmo, Leah pensou.

Fazia uma semana que sabia que estava grávida e ainda não parecia real. Fugir para a casa da mãe tinha sido uma decisão repentina que tomou logo que chegou em casa no dia em que transou com Jacob; sentia que precisava de algum espaço entre ela e toda essa merda. Apenas avisou a Seth, deu a ele um envelope com um bilhete e o dinheiro de Jacob, pediu pra que desse a Bella que entregaria a ele e avisasse a todos que estaria indo para Port Angeles, desde então estava incomunicável com todos, sem atender telefonemas ou responder mensagens, era sua mãe quem falava com Seth para que transmitisse a todos que ela estava bem. Então os enjoos começaram, um cansaço fora do normal e quando sua mãe lhe disse que parecia meio inchada que percebeu que estava atrasada. Muito xixi e testes de gravidez de farmácias depois — parabéns mamãe!

Puta merda ainda era pouco para toda a situação.

Apenas sua mãe sabia e Leah estava aliviada que Kate estivesse ali naquele momento, era bom ter alguém com quem conversar. E ao mesmo tempo queria chutá-la para que parasse de rir como uma idiota.

— Eu sinto muito, eu não queria rir, mas.... Puta merda, isso tudo... Cômico.

— Se não fosse trágico. — Leah bufou.

Kate parou de rir com preocupação estampada em seu rosto e sentou ao seu lado no sofá.

— Bem meninas, vou dar a vocês alguma privacidade, Kate, querida, você quer panquecas ou omelete?

— Omelete, por favor, tia. — Kate sorriu.

— Claro. — Sue sorriu de volta. — Leah, você pode se comportar? Sem agredir a sua amiguinha?

Leah riu revirando os olhos.

— Sim, mãe.

— Boa garota.

Quando Sue estava longe de seu campo de visão, Kate perguntou:

— Você está bem? Não é assim tão trágico, certo? Podemos dar um jeito.

— Eu sei, é só… Tanta coisa. Estou me sentindo um pouco sobrecarregada, mas não estou planejando me matar ou algo assim, relaxa.

— Certo. — Kate suspirou mais aliviada e então sorriu animadamente maliciosa. — Agora a pergunta que não quer calar, como isso aconteceu?

— De maneira natural, com a sua fama eu esperava que você soubesse como funciona uma relação sexual. — disse sarcástica. — Mas ok, eu posso explicar, o pênis…

— Você sabe o que eu quis dizer, idiota. — Kate a interrompeu, rindo. — Como você e Jacob acabaram transando?

— Longa história.

— Eu tenho tempo.

Leah suspirou.

— Na noite em que eu descobri tudo eu fui atrás do Sam e acabei sendo presa e então…

— Calma! Calma! O que?! Eu preciso de mais detalhes, Leah, elabora isso melhor, por favor!

— Eu ataquei o carro do Sam com um taco de beisebol, risquei tudo com a minha chave, rasguei os couros dos bancos, eu… — sorriu ao se lembrar do resultado final e da reação do ex. — Eu destruí o carro completamente.

— Meu deus! — Kate gargalhou. — Eu queria ter te ajudo nisso, o filho da puta mereceu e ainda foi pouco.

— Sim, mas a polícia não concordou muito com isso. Eu fui presa e como não tinha pra quem ligar, chamei o irmão da Bella pra ajudar. O Sam registrou boletim de ocorrência, o Emmett me tirou da cadeia após pagar minha fiança e eu fui pra um bar encher a cara, tomei um porre, bêbada pedi pro Demetri chamar o Jacob pra me levar pra casa e acabei no apartamento dele, ele foi um perfeito cavalheiro, cuidou de mim e pela manhã nós… Eu acabei atacando ele, praticamente. Transamos, eu fui embora, não falei com ele depois, fui em casa e de lá vim pra cá, agora estou assim. Basicamente, foi isso.

— Puta merda, Leah, eu te deixo sozinha por alguns dias e você faz essa bagunça toda.

— Eu sei. — Leah se ajeitou no sofá, subindo as pernas e as cruzando.

— Eu não sei nem o que te falar. Como a sua mãe reagiu?

— Bem, disse que vai me apoiar independente de qualquer coisa. Se eu quiser levar isso adiante, ela ficará feliz em ser avó. E se eu decidir que não quero, ela estará do meu lado, segurando minha mão se for preciso. Ela disse que só eu posso decidir o que vou fazer agora porque é a minha vida que será afetada pra sempre.

— Por isso eu amo a sua mãe. — Kate sorriu. — Ela está certa, é a sua vida, isso muda tudo pra sempre. Como você está sentindo sobre isso?

— Confusa? Kate… — Leah olhou para a amiga parecendo perto de chorar e com fragilidade em sua voz. — Eu não tenho ideia do que vou fazer.

— Oh Leah, eu sinto muito. — a loira se inclinou para a amiga e a abraçou, lhe puxando para seu peito e beijou o alto de sua cabeça. Leah apenas se deixou ser embalada, relaxando em seu abraço. — Vai dar tudo certo, vamos fazer tudo dar certo.

— Isso é tão… Ridículo! — Leah esbravejou e se levantou rapidamente. — Um bebê? Eu com um bebê? Isso é algo que você pode imaginar?

— Eu…

— Não! — a interrompeu. — Ninguém confiaria um bebê pra mim, isso deve até ser até contra lei! Eu mal consigo cuidar de mim mesma, nem posso contar quantas vezes deixei o Seth cair quando era pequeno e eu estava cuidando dele, e eu só cuidava dele por algumas horas! Como posso ficar completamente responsável por outra vida o tempo todo? Nenhum juizado de menor me acharia competente para adotar e cuidar de uma criança, mas como ela está saindo de mim então tudo bem? Pelo amor de deus! Isso é ridículo! Eu não posso cuidar de ninguém!

— Isso não é verdade, você cuida de mim. — Kate disse suavemente.

— Você sabe como limpar sua própria bunda, Kate, não depende de mim pra isso. Você sabe como conseguir comida sozinha. Eu tenho piercings nos mamilos, porra, por onde o leite vai sair? Por todos os buracos? A criança vai morrer afogada de leite logo na maternidade!

Kate tentou segurar a risada, mas acabou rindo. E quando Leah lhe encarou estreitando os olhos, gargalhou.

— Eu sinto muito, desculpa — a loira disse entre a risada.

— Vai se foder. — bufou. — Olha como minha boca é suja, porra! Merda, essa criança vai achar que o nome dela é algo tipo porra ou merda de tanto que eu falo isso. Deus, eu não… Eu não… Posso ser mãe. — com um suspiro, ela voltou a sentar no sofá. — Rosalie nasceu pra ser mãe, a Bella e a Carmen também se sairiam bem nisso, não eu. Eu sou desastre, não posso fazer isso com esse… Feto.

— Então você não quer isso? — Kate perguntou cautelosa.

— Eu… Não sei ainda.

— E Jacob? Você vai dizer pra ele?

Leah deu ombros e perguntou baixinho:

— Eu vou ser uma pessoa horrível se eu não quiser levar isso adiante?

— Você me achou uma pessoa horrível quando eu te contei o que eu fiz?

— O que? Claro que não, você era só uma adolescente que mal tinha onde morar, mas eu sou uma adulta.

— Isso não é sobre idade, Leah, é sobre uma vida que mudará pra sempre sua vida.

— Se eu decidir que não posso fazer isso, você vai comigo?

— Claro, Leah. — Kate garantiu e se aproximou dela, passando o braço sobre seu ombro. — Nunca vou te deixar sozinha. Vai dar tudo certo. Mas não toma uma decisão porque você acha que não é capaz, Leah. Se decide pelo que você quer ou não, porque se você quiser isso você já tem o principal para ser uma boa mãe.

— O que?

— Um coração enorme cheio de amor, esse é o primeiro passo e o mais importante, o resto você aprende.

Leah respirou fundo e fechou os olhos para não chorar. Kate lhe puxou para um abraço novamente e beijou o alto de sua cabeça.

. . .

Aproveitando a carona do irmão, Bella estava sentada ao dele no banco do passageiro e o observava dirigir com toda a atenção no trânsito e, ainda assim, um fone via bluetooh no ouvido, falando com sua assistente. Era estranho ver como seu irmão se tornava um homem sério e profissional quando estava em seu terno de grife de corte perfeito e sapatos italianos.

Emmett não se gabava de suas conquistas, mas ele tinha conquistado muito e era muito bem-sucedido. Ele sempre soube o que queria fazer da vida, sempre teve a vida organizada e não parecia ter medo de nada, mesmo quando enfrentava algum problema sabia manter a calma e o bom humor, sempre quis ser mais parecida com ele. Mas não era. Olhando a cidade de Seattle passar pela janela do carro, ela pensou como eles não podiam ser mais diferentes. Ela demorou a saber o que queria fazer da vida, sua vida sempre foi uma bagunça causada por sua própria mania de sonhar alto e ter medo de ir atrás de seus objetivos, quando tinha um problema sofria o remoendo com nervosismo e ansiedade. E agora que estava seguindo o caminho que queria e colocando sua vida nos eixos, estava com medo de estragar tudo.

— Esse foi o seu terceiro, talvez quarto, suspiro desde que saímos de casa, quer me contar o que aconteceu logo ou prefere que eu ligue o som e te ignore? — Emmett perguntou apertando um botão no fone em seu ouvido.

Ela piscou e olhou o irmão, perdida nos pensamentos nem percebera que ele tinha acabado a ligação.

— Vamos ver se eu consigo adivinhar, tem algo a ver com o pedido do Edward ontem?

— Talvez.

Emmett a encarou cético, erguendo uma sobrancelha. Ela suspirou novamente.

— Sim.

— Fale-me sobre isso.

— Falar o que? Você estava lá, sabe o que aconteceu.

— Fale-me sobre como você se sente a respeito.

— Para de usar esse tom de psicólogo comigo.

— Eu posso usar esse tom, eu tive aulas de psicologia.

— Você fez algumas aulas de psicologia apenas para conseguir créditos extras, para de exagerar. — ela riu. — Mas ok, eu preciso arranjar um lugar pra morar e sair do seu lugar, isso é um fato, mas morar com o Edward?

— Não sei quantas vezes tenho que repetir que você não precisa sair do meu lugar, Isabella.

— Eu não posso morar com você pra sempre, Emmett.

— Tudo bem, se você quer um lugar só seu podemos conseguir isso, você não precisa morar com ele, eu posso te ajudar a alugar um apartamento, flat, casa, o que você achar melhor.

— O que? Deus, não!

— Não pra sempre, só enquanto seu novo negócio se estabelece, apenas nos primeiros meses.

— Não! Eu não vou te explorar, para com isso.

— Me explorar? Por favor! — ele bufou revirando os olhos. — Eu sou seu irmão e eu posso te ajudar. Tudo que é meu é seu, irmãzinha.

— Eu agradeço de coração pela oferta, mas eu não posso tomar seu dinheiro, Emmett.

— Pense como um adiantamento da sua herança então, se eu morresse hoje você seria a herdeira de tudo que eu tenho.

— Seu idiota. — Bella deu uma cotovelada no irmão. — Isso não tem graça.

— Saber que você prefere que eu fique vivo a herdar minhas coisas me faz te amar ainda mais, irmãzinha. — Emmett a provocou e ela revirou os olhos. — Fala com o Edward sobre isso.

— Eu não quero que ele fique magoado comigo, eu amo o Edward.

— E ele ama você, então se você conversar com ele e dizer o que está sentindo, vocês vão ficar bem.

— Você deve ter razão.

— Claro que eu tenho, as aulas de psicologia me ajudaram a entender melhor a mente e as emoções humanas.

— Algumas aulas.

— Detalhes. — ele revirou os olhos. Bella gargalhou.

Chegando ao Cullen’s, os irmãos Swan desceram do carro e entraram juntos, com Emmett carregando uma pasta preta. E junto ao balcão conversando estavam os irmãos Cullen.

Bella jamais cansaria de pensar como os genes de Esme e Carlisle junto tinham feito obras-primas, Edward e Rosalie eram lindos demais para o bem de qualquer um ao redor. Qualquer pessoa, independente de sexualidade, não conseguiria deixar de olhar duas vezes para os dois. E era fácil ver que seu irmão tinha esse problema com Rosalie, parecia um cachorro de rua vendo frango de padaria com os olhos brilhando.

Mas quando Edward sorriu para ela, deixou de pensar no irmão e em Rosalie. Sorriu de volta, com um peso saindo de seu peito, então ele não estava com raiva. Ele saiu de trás do balcão e foi em sua direção, cumprimentando Emmett rapidamente, ele passou o braço ao redor de sua cintura e lhe puxou para seu peito, juntando suas bocas. A mão livre em seu cabelo, sua boca foi tomada e não precisava dizer mais nada, suas línguas juntas se entendiam muito bem e deixava claro a mensagem de: estamos bem.

— Vamos pro escritório conversar. — Edward em sua boca, deu mas um beijo casto e pegou sua mão.

— Enquanto isso eu posso falar com a Rosalie. — Emmett disse.

Rosalie arregalou os olhos, surpresa.

— É só burocracia do negócio. — ele explicou, erguendo a pasta. — Preciso que você assine uns papéis.

— Ah, ok. — ela suspirou, mas ainda parecia tensa.

Enquanto Emmett se aproximava do balcão, Edward e Bella foram juntos para o escritório dele.

— Ela não vai terminar com ele, vai? — Rosalie perguntou quando os dois entraram e o irmão fechou a porta do escritório.

— O que? — Emmett sentou em um banco junto ao balcão. — Não, da onde você tirou isso?

— Sei lá, ele me contou o que aconteceu ontem. Meu irmão ama a sua irmã.

— E a minha irmã ama o seu irmão. — ele sorriu, mostrando suas covinhas no caminho. — Ela só… Se assustou.

— Imagino. — ela riu. — É um problema dos Cullen, quando a gente ama alguém… A gente realmente ama essa pessoa. — Rosalie olhou na direção do escritório novamente. — A gente pula nesse amor sem pensar em mais nada, sem pensar no que tem lá em baixo.

Emmett analisava o rosto de Rosalie enquanto ela falava. O jeito como seus olhos pareciam perdidos, pensando ou lembrando de outra coisa, não tinha certeza de que estava falando do irmão ou dela mesma.

— Foi o que aconteceu com você?

Ela piscou de volta para a realidade um pouco sobressaltada, talvez envergonhada por ter divagado, e voltou a olhar pra ele.

— Desculpa, como?

— Você e o seu marido, casar foi a sua forma de pular nesse amor?

Ela assentiu, parecendo considerar aquilo.

— É, acho que sim.

— E o que tinha lá em baixo?

Rosalie riu nervosamente.

— Então, você não tinha algo pra me mostrar?

— Claro, vamos ao negócio — Emmett disse sorrindo, abrindo a pasta e aceitando sem comentar a óbvia vontade dela de mudar de assunto.

E ao mesmo tempo no escritório, após Edward fechar a porta e se virar para Bella, os dois começaram a falar ao mesmo tempo e riram.

— Tudo bem, eu primeiro. — Bella disse rapidamente. — Me desculpa pela minha reação exagerada.

— Se você puder me desculpar por não ter falado com você antes de propor aquilo na frente da Kate e do seu irmão. O grupo, a gente sempre foi muito aberto e falamos de tudo sobre tudo na frente de todos sem vergonha, eu meio que me esqueci que você é nova nisso, ainda preciso me adaptar nessa coisa de relacionamento e resolver as coisas entre nós dois antes de expôr ao resto do mundo. — Edward riu nervosamente, passando a mão no cabelo.

— Meses convivendo com você e ainda estou me acostumando com isso, as vezes ainda fico um pouco chocada com a naturalidade que vocês falam sobre tudo, tipo o tamanho do pau que a Kate chupou.

Edward gargalhou.

— É só você falar sobre o tamanho do meu pau também, ai você vai se sentir parte da conversa.

Bella riu, suspirando logo em seguida.

— O que a gente tem é bom, não é, Edward?

— Sim, claro que sim. — Edward se aproximou e segurou seu rosto entre as mãos, colando seus lábios juntos por vários segundos. — É ótimo. E foi por isso que eu falei sobre a gente morar juntos.

— As coisas mudariam.

— Poderia ser para melhor.

— Ou não. Eu já estive aí, morar com alguém e…

— Isso não é justo. — ele a interrompeu. — Você está me julgando pelo seu relacionamento com o Jacob.

— Eu sei que parece isso e eu sinto muito, não seria justo com nenhum de vocês, por isso não tô fazendo isso. Não, espera, deixa eu me explicar melhor — ela disse quando ele dizer algo, pousando as mãos sobre o peitoral dele e ele soltou seu rosto para abraçar sua cintura. — Eu só não quero cometer os mesmos erros. Não com você. Eu não quero arriscar isso. Nós.

Edward sorriu lentamente.

— Esse é o seu jeito doce de dizer que não quer morar comigo?

— Não vamos morar juntos ainda. — frisou a última palavra. — Não tão rápido, não pra resolver um problema de locomoção. Podemos ser melhores desse jeito, morando separados, então quando formos morar juntos será pelos motivos certos e seremos perfeitos. Vamos saber quando for o momento certo, ai você pode me pedir de novo, só… Não desiste de mim.

— Nunca. — Edward sorriu e beijou sua testa antes de lhe abraçar. — Eu vou colocar uma aliança no seu dedo antes de te perguntar de novo.

Bella riu e saiu de seu abraço para poder ver seu rosto, analisar se ele estava falando sério.

— O que?

— Exatamente isso. Você me entendeu. — e a beijou antes que ela perguntasse qualquer coisa.

………………...

— Kate, eu vou bater na sua cara de novo. — Leah disse antes de descer do táxi em frente ao Cullen’s. Kate desceu logo depois, batendo a porta do carro amarelo e correndo para o lado da amiga.

— Nós podemos fazer isso amanhã, depois que você dormir, descansar, não precisa ser nessa noite.

— Para.

— Eu prometi pra sua mãe que ia cuidar de você.

— Uma grande piada desde que você mal consegue cuidar de você mesma. — Leah zombou.

— Mas eu vou cuidar de você, nos passamos o dia na estrada…

— E eu passei a viagem toda dormindo, eu estou bem. Eu só preciso de uma cerveja e…

— Leah, você não pode beber nessa condição! — Kate disse nervosamente.

Leah parou abruptamente e se virou para Kate, que não teve tempo de parar também e as duas acabaram se trombando.

— Primeiro: eu tô brincando. Segundo: Essa… Condição… Não será comentada hoje, ok?

— Sim, você já me falou isso. Falou várias vezes, na verdade. Falou de todo o caminho da sua casa até aqui.

— É bom garantir, você tem uma boca enorme.

— Talvez por isso eu tenho um oral maravilhoso. — Kate disse sorrindo maliciosamente.

Leah gargalhou e as duas foram para o Cullen’s, sendo cumprimentadas e conversando com as pessoas por quem passavam. Muitas delas comentavam e perguntavam sobre o sumiço da Leah, que sempre ria e disfarçava, dizendo que tinha estado de folga e visitando a mãe, então Kate sempre a salvava começando algum outro assunto ou fazendo alguma piada.

Enquanto isso Leah, tentava fingir que estava tudo bem e normal. Uma bota sem salto, short jeans e um moletom preto por cima de sua blusa para disfarçar seu corpo que já parecia mudar. Já estava se sentindo inchada e seus seios, com certeza, pareciam maiores. Sempre quis ter seios maiores, mas não daquele jeito e por aquele motivo.

Seguindo para o lugar habitual do grupo, a primeira a pessoa a vê-las foi Carmen. Surpresa, ela gritou seu nome e se levantou, passando por Eleazar e Bella para abraçar a amiga quando ela se aproximou.

— Deus, Leah, estava tão preocupada com você. — Carmen choramingou no abraço.

— Também senti sua falta, Carms. — Leah riu.

Soltando Carmen, ela foi para abraçar Eleazar e Bella, assim como Edward que se aproximou ao vê-la também.

— Parem de me olhar com tanta pena porque eu tô bem. — Leah resmungou revirando os olhos.

— Sentimos sua falta, Leah. — Carmen disse, já sentada ao lado de Eleazar novamente.

— E eu a de vocês, quero pedir desculpas por ter sumido e ignorado vocês, eu precisava de um tempo sozinha, mas eu tô bem e de volta.

— Então vamos beber para comemorar, uma rodada por conta da casa. — Edward disse animado, sentado ao lado de Bella e com o braço sobre o ombro dela.

— Eu não quero beber, mas vão em frente. Nossa, por que vocês tão me olhando tão espantados? Não é como se eu bebesse todos os dias.

— Bem Leah, você dispensar uma cerveja é tipo Kate dispensar sexo, algo muito assustador. — Carmen brincou, fazendo a loira lhe mostrar a língua como uma criança de cinco anos.

— Eu estou tomando antibiótico por causa de uma inflamação na garganta. — ela mentiu facilmente, tinha pensado nessa desculpa dentro do táxi. — Então sem álcool pra mim.

— Não precisa se preocupar gente, eu bebo por ela! — Kate disse animadamente, pronta para mudar o assunto. — Enquanto ela conta a maravilhosa história de como se vingou do Sam e acabou presa.

Leah começou a contar a história, parou quando uma garçonete se aproximou para entregar as bebidas que Edward pedira e cumprimentou Leah, quando ela se afastou continuou a contar, deixando todos surpresos e rindo da sua história. Claro que ocultou alguns detalhes, como a parte de acabar bêbada no apartamento de Jacob, o que os levou a transar na manhã seguinte e a deixou grávida. Detalhes.

— Você não me contou que seu irmão ajudou a Leah. — Edward disse a Bella.

— Porque eu não sabia. — Bella riu.

— Sério? — Leah ergueu uma sobrancelha.

— Não, meu irmão é muito sério nessa coisa de sigilo entre cliente e advogado.

— Ele é um ótimo advogado, me ajudou muito.

Bella sorriu orgulhosa do irmão e eles continuaram conversando.

Passou pouco mais de meia hora quando ela se levantou para ir ao banheiro, sendo seguida por Kate. Pelo menos não era estranho para ninguém as duas irem juntas ao banheiro e Kate não falou nada, mas sabia que ela falaria quando chegassem ao banheiro.

Pra quem só estava bebendo refrigerante, ela realmente estava urinando como se estivesse bebendo cerveja. Ao sair da cabine, foi para pia lavar as mãos, Leah reclamou:

— Estou mijando demais.

— Eu li na internet que é normal na gravidez. — Kate disse.

— Sim, mas devia ser apenas quando o bebê já está grande suficiente para sentar e esmagar sua bexiga. E também já estou com sono, isso é ridícu… — parou no meio da palavra para bocejar. — lo.

— Então vamos embora, dizemos que está na hora de outra dose do seu antibiótico, mas você esqueceu de trazer e estamos cansadas da viagem. — Kate sugeriu.

— Ok, vamos. Kate?

A loira parou e se virou para ela.

— Obrigada por me ajudar nisso, sério.

— Eu disse que não te deixaria sozinha. — Kate sorriu e piscou para ela.

. . .

No meio da madrugada, ao chegar em casa sem nem ao menos se trocar, Bella subiu na cama do irmão sem acender a luz. Ele dormia sem camisa e de bruços, espalhado na cama com a bochecha no travesseiro, seu cobertor lhe cobrindo apenas da cintura para baixo, ressonando baixinho enquanto dormia profundamente.

— Emm? — o chamou sussurrando. — Emmett? — o agitou suavemente. — Emmett?

— Hum… Merda, o que é Isabella? — ele resmungou sem abrir os olhos.

— Eu preciso falar com você. — ela sussurrou.

— E não pode esperar um horário normal, tipo quando eu acordar?

— Não. Quer dizer, sim, mas eu não vou conseguir dormir, eu realmente preciso falar com você.

— Merda, ok fala. E para de sussurrar, só tem a gente aqui.

— Ok. — sussurrou. — Quero dizer, ok. — voltou a falar normal, fazendo o irmão rir ainda sem abrir os olhos. — Certo. Então, suponhamos que você sabe de algo, mas não é algo que você deveria saber porque escutou em uma conversa que não te envolvia e que não era da sua conta, mas você escutou totalmente sem querer e ninguém te pediu segredo, além do que a conversa foi em um lugar público, que qualquer um além de você poderia ter escutado, no seu local de trabalho para ser mais exato, então…

— Bella, — Emmett a interrompeu abrindo os olhos para olhá-la. — vai direto ao assunto pra que eu possa voltar a dormir. O que você ouviu no Cullen’s?

— Eu estava indo ao banheiro e ouvi uma conversa da Kate e da Leah, totalmente sem querer que fique claro.

— Uh, elas estão se pegando?

— O que?

— Kate é bi e a Leah, aposto que ela daria uma ótima ativa.

— Meu Deus, você é um porco pervertido. — Bella riu dando um soco no seu braço. — Não é isso, é sobre o Jake…

— Eu aposto que ele não se importaria em assistir as duas juntas.

— Elas não estão juntas, para com isso!

— Tudo bem. — ele riu. — Então o que foi?

— Eles estão falando de um bebê. Leah está grávida.

— Porra, o que?! — Emmett se sentou rapidamente, espantando. — Você tem certeza que escutou direito?

— Sim, escutei. O Jake parece tá realmente afim dela, então, você acha que eu deveria falar algo?

— Falar o que?

— Eu não sei, falar pra ele desistir porque ela está grávida de outro homem? — Bella disse com um tom de voz de “não é óbvio?”.

— Bem, pode ser dele.

Bella arregalou os olhos, tinha estado tão nervosa com a ideia de Jacob, seu melhor amigo, sendo ferido com a notícia de que Leah estava grávida de outro que nem se lembrara da conversa que os dois tiveram na oficina dele, quando descobriu que os outros transaram.

— Será? Então, eu deveria contar que talvez ele pode ser pai?

— Eu não sei, Bella. — Emmett voltou a deitar, olhando para o teto. — Talvez Leah queira contar. Ela parecia feliz com a ideia de ser mãe?

— Pra falar a verdade… — Bella agitou a cabeça, segurando o canto do lábio inferior entre os dentes.

— Eu ia querer que você me contasse algo assim, mas somos irmãos, não sei o Jake. Você é a ex dele.

— E também somos melhores amigos. E vocês dois são melhores amigos, eu te contei e agora você pode falar pra ele.

— Eu? — Emmett riu. — Por que eu?

— Eu não sei, fidelidade masculina? Por que eu sou sua irmãzinha e você me ama? Eu não sei!

— Tudo bem, vamos dormir e resolver isso pela manhã, certo? Jacob deve estar dormindo agora, não tem pra que acordá-lo com isso agora.

Bella suspirou longamente e assentiu.

………………………...

Ela nem estava totalmente acordada ainda. Rosto amassado, cabelo desgrenhado, descalça, com uma boxer e uma camisa masculina enorme que usava como pijama, Leah caminhava para a porta. Bocejou e coçou a cabeça quando a pessoa que tinha lhe acordado bateu à porta novamente. Já tinha apertado a campainha, batido na porta, gritado seu nome. Ela não sabia quem era, mas queria chutar seu traseiro.

— Calma, porra! — Leah gritou.

Abriu a porta no mesmo instante em que terminou de bocejar novamente. Passou a mão nos olhos, enxugando as lágrimas que a sequência de bocejos causou, mas também para ter certeza de que não estava vendo coisas.

— O que você está fazendo aqui?

— Você está grávida? — Jacob lhe perguntou.