You & Me
36 Cm :: 04
O dia após o furacão Leah seguia normalmente para Jacob.
Exceto pelo o fato de que ela era tudo que ele conseguia pensar – não conseguia esquecer a sensação de ter seu corpo, a decepção da rápida fuga e o chute em seu ego quando ela não lhe ligou em momento algum após ir embora de seu apartamento.
Fora a isso, tudo seguia normalmente.
Sua mente podia estar em Leah, mas suas mãos estavam nas ferramentas trabalhando no motor de um carro. Quando se tinha contas para pagar e dinheiro contado era fácil se tornar bom em continuar trabalhando mesmo que sua mente estivesse em outros assuntos, tirar um dia para colocar as coisas em ordem não era o luxo que podia se dar, então tentou se distrair focando sua atenção no trabalho.
Na hora do almoço, estava sozinho na oficina, sentado em um banco velho de carro que ficava junto a parede, lugar ótimo pra que ficasse de olho na entrada da oficina e descansasse, comia seu sanduíche de carne assada com uma garrafa de suco de laranja natural. Os outros dois funcionários almoçavam fora e ele ficava; salvava o dinheiro que gastaria com almoço simplesmente trazendo algo para comer de casa. Os babacas que trabalhavam com ele faziam graça a respeito, sobre como era pão duro e trazia “merenda” para o trabalho, mas ele não podia se importar menos, no fim do mês, aquele dinheiro fazia diferença e isso era tudo que importava.
Não era pão duro, quando estava com Bella, fazia o máximo pra que ela tivesse tudo que precisava e merecia – mesmo que ela insistisse que não precisava, tivesse seu próprio dinheiro e dividissem as contas –, ele lhe dava presentes, a levava para passeios e gastava dinheiro com ela, um homem pão duro faria isso? Claro que o dinheiro que gastava com ela vinha do que economizava em outras coisas, mas ainda assim, não era pão duro, era apenas um homem focado em economizar dinheiro suficiente para realizar seu sonho: ter sua própria oficina. Não era um sonho grande, nunca fora ganancioso e gostava do que fazia, de ser o simples mecânico que estava quase sempre sujo de graxa cheirando a óleo de motor ou gasolina, mas queria fazer tudo isso no próprio lugar, sem ter que aguentar um chefe que não sabia a diferença entre uma chave de fenda e uma chave inglesa ou companheiros de trabalhos babacas que estavam mais preocupados em fazer média com o patrão e encher seu saco do que trabalhar. E um dia ele ia conseguir, tinha um novo plano traçado desde que seu noivado com Bella tinha acabado. Antes, ele iria casar antes de qualquer coisa, mas agora estava mais focado em primeiro conseguir sua própria oficina, trabalhar duro até levá-la ao sucesso, conseguir uma casa própria para que pudesse casar e começar sua família com muitos filhos, o maior sonho da sua vida pessoal.
Será que Leah se encaixava nesse plano?
Ele não soube de onde veio esse pensamento, na verdade, o surpreendeu pensar isso, mas agora que tinha começado a pensar... Será que ela se encaixava? Ela não parecia ser uma mulher de muitos luxos, mas será que era mulher de viver uma vida simples e familiar com um marido e filhos?
Ele se repreendeu e quase riu dos próprios pensamentos. Mal conseguia fazer que tivessem um encontro real e estava se perguntando se ela poderia ser a mãe dos seus filhos? Que patético, ele bufou mentalmente.
— Sabia que ia te encontrar aqui.
Jacob se surpreendeu ao escutar a voz feminina ecoar pela oficina. Estava tão distraído que nem a tinha a visto entrar.
— O que você está fazendo aqui?
— Uma visita. — Bella sorriu ao sentar no banco de carro ao lado do seu, com a bolsa que carregava no ombro sobre o colo, e se inclinou para beijar sua bochecha. — Quero um pedaço agora.
Ele sorriu e deixou que ela desse uma grande mordida no seu sanduíche. Ele não era um grande cozinheiro, mas sabia se virar e ainda estava se acostumado com ter que fazer comida apenas para um, então as sobras iam para potes na geladeira para depois serem requentadas e reaproveitadas por dias; e ele era muito bom em juntar sobras para fazer um bom sanduíche – e Bella adorava isso, os famosos “viradões”. Aquele tinha carne assada, maionese e queijo.
— Mmmm... — ela fechou os olhos para mastigar com um pequeno gemido de apreciação que o fez rir. — Isso é nojento, mas muito bom. Senti falta dos seus viradões.
— Aposto que você está comendo bem melhor agora. — Jacob riu e mordeu seu sanduíche.
— Com certeza. — Bella riu. — Trabalhar em um restaurante me garante algumas refeições.
— Claro, hum. — engoliu o sanduíche. — O que você está fazendo aqui? Não devia estar trabalhando?
— Eu consegui um tempinho livre para te fazer uma entrega.
— Entrega? — ergueu uma sobrancelha.
Bella assentiu e abriu a bolsa, de dentro tirou um envelope e algo retangular mediano envolvido de papel alumínio.
— No pote tem o seu favorito, bolo de chocolate com recheio de mousse de chocolate.
— Você é um anjo, Bells, eu te amo. — ele pegou o pote e deixou sobre seu colo. Ela riu, corando. — E o envelope?
— Eu não sei o que é, na verdade, só estou sendo a mensageira. Seth me entregou pra te entregar a pedido da Leah.
— O que? — aquilo sim era uma surpresa.
Ele deixou o resto do sanduíche sobre o pote do bolo em seu colo, esfregou uma mão na outra pra limpar os farelos do pão e pegou o envelope da mão dela.
Dentro, tinham três notas de vinte dólares e um papel dobrado ao meio. Deixou o dinheiro dentro e pegou o papel, era um bilhete. “Eu disse te pagaria de volta. Obrigada por tudo. Principalmente pelo... Você sabe... Chocolate quente :) Leah xx”.
— O que é isso? — Bella perguntou.
— Dinheiro.
— Dinheiro? — ela repetiu confusa. — No envelope tem dinheiro? Por que Leah te mandaria dinheiro? E por que você está sorrindo feito um idiota pro pedaço de papel? O que aconteceu?
Sorrindo? Estava sorrindo? Nem tinha percebido.
Bella tirou o papel de sua mão tão rápido que nem teve tempo de reagir.
— Onde a Leah está? Por que ela mesma não veio me entregar?
— Porque ela não está na cidade. — respondeu lendo o bilhete. — O que é isso?
— O que? — franziu o cenho. — Pra onde ela foi?
— Na casa da mãe, em Port Angeles. Ela precisava de um tempo sozinha então foi ficar com a mãe, você sabe, lamber as feridas um pouco.
Ele assentiu, aliviado. Não seria egoísta, ele mesmo tinha ido visitar o pai após o término com a Bella, então era bom que ela passasse um tempo com a mãe se isso a fizesse se sentir melhor. E estava aliviado porque não era algo pessoal, ela não estava evitando apenas ele, era com todos.
— Ela não falou com ninguém antes de ir, Seth que nos passou o recado e me deu isso pra te entregar. Que dinheiro é esse e pelo que ela está te agradecendo?
— Ela tá pagando o de volta o dinheiro emprestei pra que ela pagasse o táxi até onde a moto dela estava. — ele explicou sem pensar, encarando o bilhete na mão dela.
— Onde a moto dela estava? Ou melhor, onde vocês estavam juntos? Não seu apartamento? — Bella perguntou divertidamente maliciosa.
Ele se chutou mentalmente por falar demais. Nunca tivera segredos com a Bella, ela era sua melhor amiga e as coisas simplesmente saiam fácil de sua boca quando estavam juntos, naquele momento aquilo era um problema
Hesitou em responder. O que ia falar? Fodemos? Não sabia o que Leah tinha contado a eles sobre o incidente com Sam e ajuda de Emmett, não queria trair sua confiança.
— Você disse que não a viu, você mentiu pra mim no telefone, certo?
Jacob olhou pra ela procurando algum sinal de chateação, mas ela sorria.
— Me desculpa, Bella, mas ela pediu segredo, na verdade acho que nem deveríamos falar sobre isso agora.
— Eu entendo, eu não vou falar com ninguém, eu juro, eu só fico feliz que você estava lá por ela, a Leah estava precisando disso. Mas o que é isso do chocolate quente? Algum código para sexo?
Jacob pegou o bilhete de volta e desviou o olhar, guardando o papel no envelope.
— Você está brincando comigo, certo? — Bella perguntou animada e gargalhou. — Oh meu deus! Vocês fizeram isso!
— Eu apreciaria se você não tentasse atualizar toda a vizinha sobre a minha vida sexual, Isabella.
— Oh, claro. Me desculpa. — ela colocou a mão sobre a boca enquanto ria. — Agora que eu já sei isso acho que podemos conversar, certo?
— Não, não podemos, você é minha ex, isso seria muito estranho. — Jacob pegou o pote e o resto do sanduíche com uma mão, o envelope com a outra e se levantou. — Eu não gostaria de ouvir sobre a sua vida sexual com o Edward.
Bella parou de rir e o sorriso sumiu de seu rosto quando ela se levantou.
— O que? Jacob, nós estamos bem, certo? — perguntou preocupada.
— Claro que estamos, Bells. Você é minha melhor amiga e sempre vai ser, eu te amo e você sempre poderá contar comigo, sempre vamos conversar sobre qualquer coisa — sorrindo, ele beijou a testa dela. — exceto nossas vidas sexuais com outras pessoas.
— Tudo bem, eu entendo. Mas vocês estão bem, quero dizer, sobre aquele motivo que a impedia de ficar contigo antes?
— Aquele motivo? Você quer dizer você? — provocou, fazendo-a lhe encarar ceticamente. Jacob riu. — Nós não falamos sobre isso ainda, mas estamos bem. Eu acho. Não bem de um jeito estamos juntos agora, é bem de um jeito ela não daria um soco na minha cara se me visse agora, acho que isso é bom pra começar.
Bella riu.
— Eu concordo. Tudo bem, eu tenho que voltar, tenho muito trabalho a fazer com a Rose.
— E ai, como estão os preparativos do lugar de vocês?
— Está tudo perfeito! — Bella disse animada com um sorriso enorme. — Mas é tudo surpresa para todos, nem o Edward está sabendo de nada.
— Fico feliz que as coisas estão dando tão certo pra você agora.
— Estão, nunca estive tão feliz! Oh. — Bella corou ao perceber suas palavras. — Eu quero dizer, não que com você eu não estivesse feliz, Jacob, eu quero...
— Está tudo bem, Bells, eu estou feliz por você. Agora me dá um abraço e cai fora porque eu tenho trabalho a fazer.
Rindo, ela passou os braços ao redor de seu pescoço pra lhe abraçar e disse:
— As coisas darão certo pra você também e então você será mais feliz do que jamais foi comigo, Jacob Black. Eu sei disso porque você merece.
Quando ela beijou sua bochecha, Jacob beijou seus cabelos e a viu sair da oficina sorrindo.
Ela estava claramente mais feliz do que jamais tinha sido com ele. Eles tinham tido momentos felizes juntos, mas sempre sentiu como se faltasse alguma coisa, no fundo, ambos tinham essa frustração guardada e talvez por isso se dessem tão bem, eram melhores amigos, companheiros da alegria incompleta do relacionamento faltando algo e da frustação profissional. Mas agora, Bella estava completa. Ela estava apaixonada e realizando seus sonhos profissionais, algo que ela jamais teria se estivesse com ele – literalmente. Ele a apoiava cem por cento em seus sonhos, ele a incentivava constantemente a pedir demissão de seu antigo emprego e tentar fazer o que realmente queria fazer, mas se ainda estivesse com ele, ela estaria presa na realidade do “eu preciso de um emprego real porque temos conta para pagar” e não teria conhecido Edward que não teria lhe dando a chance no restaurante e não teria conhecido Jasper que não teria lhe dando a chance de uma sociedade para abrir um negócio próprio. Ela realmente estava se saindo bem melhor sem ele enquanto ele continuava na mesma, era um pouco difícil não levar aquilo pro pessoal, por mais que ele tentasse.
Entre Bella e Leah, seu ego e autoestima estavam apanhando bastante nos últimos dias.
Suspirando, ele voltou a comer o resto do seu sanduíche indo guardar o seu bolo na geladeira do escritório da oficina, deixaria para comer em casa após o jantar.
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Enquanto Bella estava no banheiro, se preparando para ir embora, Edward se aproximou de Kate.
Não era novidade a loira beber até tarde no meio da semana e só ir embora quando Edward terminasse de fechar tudo, mas era estranho naquele dia porque fazia duas semanas que Kate não aparecia no bar e segundo Carmen, duas semanas que ela não saía para lugar nenhum. Era óbvio o quanto ela estava chateada e desanimada desde que brigara com Leah – duas semanas atrás.
Ela estava sentada junto ao balcão sozinha a noite sem flertar com ninguém e afastando pretendentes, estava terminando de beber uma garrafa de cerveja e aquela era apenas mais uma estranheza para a lista que já incluía ter aparecido e não ter encontrado uma companhia para o fim da noite, ela tinha bebido cerveja a noite toda e geralmente ela não era de beber tanta cerveja.
— Ei gatinha, você está bem? — perguntou ao seu lado.
Kate lhe olhou e suspirou com um sorriso cansado.
— Deve ser a décima vez que você me pergunta isso, é protocolo do lugar importunar todos os clientes?
— Não, só as bonitas e especiais. — sorriu e piscou para ela, fazendo-a rir.
— Eu já estou indo. Coloca a cerveja na conta do Jasper, por favor?
— Com prazer. — Edward riu. — Posso ficar aqui mais um pouco se você quiser, Kate. Ou você pode subir, tenho um ótimo quarto de hóspedes.
— O que sua namorada pensaria disso, Cullen?
— O que eu pensaria do que? — Bella perguntou atrás deles.
— Do seu namorado me convidando pra dormir no apartamento dele.
Bella riu, se aproximando com uma bolsa transversal sobre o ombro e uma ecobag com roupas na mão.
— Oh, eu acharia ótimo contanto que eu pudesse assistir, ou melhor, participar.
— Jesus. — Kate disse os olhos arregalados, exagerando no drama. — Edward, eu acho que a sua namorada está possuída pelo espírito do Jasper.
O casal gargalhou e Edward se aproximou da namorada.
— Você realmente disse algo que o Jasper diria.
— Eu estou aprendendo. — piscou maliciosa e esticou o pescoço para beijá-lo.
Um beijo rápido, mas Edward nunca podia ter o suficiente dela. Os dedos dela em sua nuca fizeram um arrepio percorrer seu corpo, apertou a cintura dela e colocou a língua em sua boca.
— Parem com isso, seus nojentos. Ugh, odeio vocês. — Kate resmungou, mas então sua voz ficou mais animada: — Oi pãozinho sexy.
— Oi gatinha. — Emmett a cumprimentou sorrindo ao entrar no lugar. — Vamos Bella.
— Hum... — ela quebrou o beijo contra a própria vontade ou a dele. — Minha carona chegou, eu tenho que ir.
— Eu saio da minha cama nessa hora da madrugada pra buscar essa garota e ela nem pra falar “meu maravilhoso irmão chegou”, sou apenas a carona. — bufou. — Eu devia te deixar andar de táxi. Aliás, por que você não chamou um?
— O Edward não deixaria eu voltar sozinha nessa hora da noite. — Bella disse dando ombros e sorriu pro irmão. — E você não deixaria sua Baby-Sis na mão e por isso eu te amo, meu irmão maravilhoso.
— Eu poderia te levar pra casa, por que me pediu?
Bella se virou pro namorado novamente e o beijou suavemente nos lábios.
— Eu não queria te dar trabalho e nem posso ficar aqui hoje, eu realmente preciso ir pra casa, já estou sem roupa pra usar. — ergueu a bolsa de roupa usada.
— Por que você não compra um carro, Bella? — Kate sugeriu. — Isso facilitaria a sua vida, ficaria livre do enchimento de saco desses dois.
— Já está na lista, mas a prioridade é um lugar para morar primeiro e depois vou cuidar de conseguir um carro.
— Ou você poderia se mudar pra cá. — Edward disse naturalmente.
— O que? — Bella se assustou com a sugestão.
— É uma solução boa, prática. Você se muda pra cá e não precisa ficar se locomovendo no meio da noite, ficaria perto do seu trabalho e de mim, seria bom para todos.
— Bem — ela engoliu seco, tentando digerir o que ele estava falando com tanta naturalidade como se fosse algo simples e não uma enorme mudança, praticamente um casamento. — Você não falou sobre isso comigo.
— Eu estou falando agora.
— Na frente do meu irmão? E da Kate? — era possível ouvir o “sério?” subentendido em sua pergunta assim como a incredulidade e sarcasmo em sua voz.
— E? Por que você está parecendo tão surpresa e chateada sobre isso? É um desenvolvimento natural de um relacionamento.
— Não.... — agitou a cabeça. — Assim.
— Eu estou assistindo uma DR? — Kate perguntou com a cabeça inclinada pro lado.
Bella e Edward permaneciam se encarando em silencio.
— Vou tomar esse silêncio com um sim. Então... — Kate olhou ao redor. — Certo, isso é meio constrangedor, será que vocês poderiam não fazer isso na minha frente?
— Não estamos tendo uma DR, Kate. — Bella disse. — A gente se fala depois, Edward. Vamos Emmett, você pode continuar reclamando no caminho.
Edward segurou sua mão.
— Estamos bem? Eu estou falando sério sobre você se mudar pra cá.
— Eu sei, esse é o problema. Eu... Eu preciso pensar, certo? Você me deu muito pra pensar de uma vez. Mas estamos bem. — se erguendo na ponta dos pés, ela o beijou suavemente.
— Eu te amo. — ele disse em sua boca.
— Eu também te amo.
Edward se despediu de Emmett, assistiu os irmãos Swan se despedirem de Kate e saírem juntos. Ficou encarando a porta. O que tinha feito de errado?
— Ela vai acabar aceitando seu pedido, Edward. Eventualmente. Relaxa, você não fez nada de errado.
— O que? — ele piscou e encarou Kate. — Eu perguntei em voz alta?
— Não, eu só.... Eu sou boa em captar pensamentos, eu tenho uma coisa meio.... Psíquica — sussurrou a palavra — Rolando aqui. — e bateu a ponta dos dedos na própria têmpora algumas vezes, o encarando seriamente por vários segundos e então riu. — Brincadeira, você perguntou em voz alta. Você a assustou, mas vai ficar bem.
— A assustei? — franziu o cenho. — Como?
— Você falou pra ela se mudar pro seu apartamento e morar com você do nada, eu ficaria bem surpresa de receber esse tipo de proposta. Na verdade, perguntaria que tipo de droga a pessoa está usando ou se anda comendo bosta, mas a Bella é mais... Sútil.
Edward riu e passou a mão no cabelo, frustrado.
— Acho que você está certa.
— Claro que estou, agora eu vou indo porque pegarei a estrada cedo. — ela se levantou em um pulo. — Eu vou atrás da Leah.
— Sério?
— Duas semanas, ela já teve tempo suficiente para pensar e esfriar a cabeça, acho que agora posso me aproximar sem correr o risco de acabar com um nariz quebrado, dois olhos roxos, alguns dentes a menos e algum osso quebrado, agora deve ser só um olho roxo e um lábio inchado, me deseje sorte.
— Boa sorte, Kate. — ele se aproximou e a abraçou. — A Leah vai te entender e tudo vai ficar bem, traga a nossa garota pra casa.
— Eu vou. Nem que seja pra ela me trazer para fazer fisioterapia e reabilitação.
Edward gargalhou e beijou seus cabelos loiros.
. . .
Kate estacionou o carro em frente a uma casa simples de madeira branca, com porta vermelha e uma janela na frente. Um gramado bem cuidado na frente com arbustos bem aparados separando as propriedades e uma pequena horta atrás que era cuidada todos os dias.
Desceu do carro batendo a porta e olhou ao redor, era uma vizinhança de pessoas que se conheciam uma vida inteira, a maioria pessoas aposentados com filhos que se mudaram para lugares com mais oportunidades – exatamente como Leah fizera – então estavam todos olhando pra saber quem era a dona do carro estranho.
A vizinha da direita, uma senhora de camisola e rolos em seu cabelo grisalho, estava sentada em uma cadeira de balanço no alpendre da própria casa e lhe observava com atenção da cabeça aos pés; o vizinho da esquerda, um alto senhor calvo de bigodes, usando um roupão vinho e pantufas, segurava uma caneca de cerâmica e tinha acabado de recolher o jornal no chão, mas agora também a observava. Quem estivesse fora de casa naquele momento a estaria observando, memorizando cada detalhe e ela seria o assunto de conversa de muitas pessoas.
Não era a primeira vez que estava ali, mas sempre recebia os mesmos olhares – e dessa vez, em sua defesa, ela estava vestida de uma maneira mais ortodoxa, cobrindo um pouco mais seu corpo. Calça jeans clara e um cardigan cinza por cima do seu top branco sem alças, usava uma ankle boot preta e a única maquiagem que tinha no rosto era o rímel, dessa vez eles não tinham do que reclamar, não estava usando o short de cintura alta com cropped e bota de couro preta até os joelhos que usara da última vez que estivera ali porque Leah achou que seria legal chocar a vizinhança.
Kate respirou fundo e bateu na porta três vezes. Nem todo o tempo de viagem tinha lhe preparado para saber o que dizer quando encontrasse Leah finalmente após as duas semanas, mas não tinha opção, as coisas não podiam continuar desse jeito.
Quando bateu novamente, escutou a porta ser destrancada e então aberta.
— Kate. — Sue Clearwater disse surpresa ao lhe reconhecer imediatamente.
Kate sorriu para a mulher, era incrível como Leah parecia com sua mãe. Os olhos, o nariz e a boca eram os mesmos, a diferença estava no porte físico – já que Leah era mais alta e tinha um corpo mais atlético –, no cabelo longo e nas marcas de expressão no rosto de Sue. Mas ela era uma senhora que com certeza não aparentava seus ‘sessenta e poucos’ anos e ter dois filhos adultos.
— Mas que... — Sue olhou para dentro da casa e voltou a lhe olhar, segurando a porta, sem abri-la completamente. — Surpresa.
— Oi tia Sue. — Kate sorriu. — Eu sei, é que... Eu preciso conversar com a Leah.
— Bem... Querida, será a Leah sabe da sua visita? — Sue perguntou nervosamente. — Não que eu não esteja feliz com a sua visita, mas...
— Não precisa se preocupar, tia, eu sei como é a sua filha e que ela provavelmente tentará me chutar, mas não estou disposta a sair sem falar com ela primeiro, então... Eu... Posso entrar?
Sue suspirou e sorriu como lhe era habitual, com simpatia e carinho.
— Claro, entra. Você veio dirigindo todo o caminho de Seattle até aqui? Deve estar exausta. Entra, vou te servir alguma coisa pra comer e você pode descansar um pouco, talvez ir tomar um banho e eu pego as suas coisas no carro.
— Isso seria muito bom, tia. — sorrindo, Kate entrou e quando Sue fechou a porta, lhe abraçou.
Estavam a caminho da cozinha quando escutou a voz da Leah chamando a mãe.
— Mãe? Ainda tem aquelas bolachas... — Leah parou no meio da frase ao ver quem estava ao lado da mãe na sala. — O que você está fazendo aqui?
Kate suspirou. Já esperava a hostilidade de Leah, mas fico preocupada com a sua aparência. Sua voz estava arrastada e parecia cansada com olheiras sob os olhos. Seus cabelos negros estavam presos em um rabo de cavalo e alguns fios curtos escapavam na nuca, usava uma calça de moletom cinza desbotada e uma blusa azul marinho do Patriots com o número 12 na frente. Ela não parecia bem.
— Eu vim falar com você. Eu sei que você não quer falar comigo...
— Oh, e qual foi a sua dica? — Leah interrompeu. — Eu não ter atendido suas ligações, respondido suas mensagens ou vindo pra casa da minha mãe? Me diz e eu faço de novo pra você entender que não quero falar com você. Não agora. Vai embora.
— Não, eu não vou. — Kate disse firme. — Dessa vez você vai me ouvir também, não é justo o que você está fazendo comigo.
— Não é justo? E você foi justa comigo? Me escondendo que sabia que o Sam me traía? Oh, não se preocupe, minha mãe sabe a filha corna que tem. — ironizou.
— Eu estava tentando te proteger! Eu não sabia como te contar e então aconteceu toda aquela merda com a Jessica, eu sinto muito, ok? Me desculpa! Eu sei que eu pisei na bola, eu fiz merda e eu estou te pedindo desculpa!
Leah revirou os olhos e agitou a cabeça com o riso sarcástico.
— Para com isso, eu não vou deixar você me tratar com uma merda, Leah Clearwater. Eu não mereço isso! Eu fiz uma merda! Eu errei uma vez e você está me julgando como se eu tivesse te enganado a nossa amizade inteira, todas as coisas boas que já fiz por você simplesmente não significam nada porque eu errei uma vez! Sempre fomos amigas, eu sempre estive lá por você e você esteve lá por mim, eu não vou deixar você estragar isso por causa do Sam! — Kate gritou.
— Eu estragar isso? Você estragou isso! Eu nem sei se posso confiar em você! — Leah gritou de volta
Kate se aproximou, ficando a um braço de distância dela.
— Você não sabe se pode confiar em mim?! Me diz uma outra vez que eu fiz algo que demonstre que eu não sou digna da sua confiança ou amizade? Você está sendo injusta comigo! E pior, injusta com todos! O Sam fez uma merda enorme, a gente sabe, você tem todo o direito de estar chateada e você veria que tem nosso apoio se tivesse nos deixado se aproximar, mas você se afastou e nos afastou! Mas você não pode nos tirar da sua vida assim! Não pode simplesmente sumir e nos ignorar, somos seus amigos, somos uma família, porra, vocês são a única família que eu tenho! — parou ofegante com olhos cheios de lágrimas.
As duas se encaravam em silêncio e Sue olhava as duas apreensiva, sabia como a filha podia ser cabeça dura e orgulhosa, esperava que ela cedesse ao seu coração porque precisaria do apoio dos amigos nos próximos meses.
— Dá um tapa na minha cara, um soco no meu nariz, uma joelhada na minha barriga, chuta o meu traseiro, eu não sei, faz o que você quiser comigo pra descontar a sua raiva e nos deixar quites, mas não deixa ser minha amiga por que, você sabe o que eles dizem, toda a loira precisa da sua morena e eu... — a voz de Kate falhou no meio do pequeno soluço que lhe escapou enquanto lágrimas já tinham saído do seu controle há tempos. — Eu preciso de alguém pra me explicar as piadas que eu não entendo, pra me impedir de ser tão vadia e chupar todo o pau que fica duro na minha frente, pra encher a cara comigo e depois cuidar de mim, alguém pra ser minha melhor amiga independente de todas as diferenças que temos, eu... Eu preciso de você, Leah. Eu não posso te perder. Por favor.
Leah estava tão séria e silenciosa que assustava Kate. Não sabia o que pensar e nem o que ela estava pensando. Tinha acabado de derramar sua alma na frente dela e não sabia o que ela estava pensando a respeito, se estava considerando lhe perdoar ou se estava achando apenas um monte de besteira, porque não tinha emoção alguma em seu rosto.
E o silencio foi quebrado pelo estalo da mão da Leah batendo em seu rosto e junto o palavrão que gritou de surpresa e dor.
— Leah! — Sue gritou a repreendendo. — Oh meu deus! Kate, você está bem?!
Kate respirou fundo com a mão no lugar do bofetão. A filha da puta tinha a mão pesada. Sua bochecha ardia, latejava e doía tudo ao mesmo tempo.
— Está tudo bem, tia, eu pedi por isso. Não esperava apanhar de verdade, era mais um jeito de deixar meu discurso mais significativo, mas eu pedi por isso. Será que estamos bem agora?
Quando Leah não respondeu e deu um passo à frente, Kate esperou por mais um golpe e estava pronta para ser nocauteada, mas então Leah lhe abraçou.
— Graças a Deus. — Kate suspirou e chorou de alívio, fechando os olhos enquanto a abraçava de volta. — Leah, eu senti tanto a sua falta. Tanto.
— Se você me esconder alguma coisa de novo, não importa o que seja, qualquer coisa, esse tapa vai parecer carinho de uma criança de dois anos.
Kate riu.
— Nunca mais, eu te juro.
— E por que seu rímel tá escorrendo pelo seu rosto?
— Eu não usei o a prova d’água, achei que um rosto manchado de maquiagem podia ajudar na minha imagem de coitada.
Leah gargalhou.
— Sua vadia!
— Deus, eu senti falta de você me chamando de vadia.
— Eu senti a sua falta, Kate. Eu sinto muito por tudo que eu te disse e pelo tapa. — sussurrou sem lhe soltar.
— Está tudo bem. Eu acho que vou precisar de um saco de gelo e talvez precise de fisioterapia pra recuperar os movimentos da minha mandíbula, mas está tudo bem.
— Você ficará bem. — Leah riu. — Esse cheiro... O seu perfume, você mudou?
— Não, é o mesmo, por que? — Kate a afastou para olhar seu rosto. — Eu estou fedendo?
— Não, é que.... É tão doce, eu.... Merda...
O rosto dela parecia pálido e seu rosto estava contorcido, parecendo enjoada e fechou os olhos para respirar fundo. Kate a segurou porque parecia prestes a cair.
— Leah, você está bem?
— Kate ajuda ela a sentar no sofá, eu vou buscar a bolacha de água e sal, Leah. — Sue disse.
Kate ajudou Leah a sentar no sofá da sala e ficou em pé na frente dela, observando a amiga que respirava fundo lentamente com os olhos fechados.
Quando Sue lhe entregou o pacote que já estava pela metade, Leah pegou uma bolacha, quebrou ao meio sem se importar com os farelos caindo em seu colo, e colocou tudo na boca. Mastigando lentamente e respirando fundo o todo tempo.
— Você está bem, Leah? — Kate perguntou preocupada.
— Estou. — ela abriu os olhos. — Pode ir lá comer alguma coisa ou tomar banho, mas tenta não colocar esse perfume de novo, por favor.
Kate não entendeu o que estava acontecendo e até cheirou o próprio pulso, o havia de errado com o seu perfume? Era o que usava sempre. Era doce, mas não estava tão forte assim.
Quando Leah repetiu o processo e comeu mais duas bolachas, Kate só podia concluir uma coisa.
— Puta merda. Isso, Leah, isso é enjoo matinal? — perguntou incrédula e com os olhos arregalados.
Leah a encarou por alguns segundos parecendo culpada e fechou os olhos.
— Oh meu deus, não. Oh deus, Leah, não. Isso quer dizer... Sam? Você está....
— Não! — Leah disse rapidamente abrindo os olhos novamente. — Eu sempre me protegi com o Sam, não foi com ele que tive sexo pela última vez e muito menos desprotegido.
— Então, então... Quem?
Leah respirou fundo e suspirou pesadamente antes de confessar:
— Jacob.
— Puta merda! — Kate exclamou mais do que surpresa e gargalhou. — Puta merda!
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