Notas iniciais
Boa leitura...

Edward odiava acordar sozinho. Antes não era um problema, mas agora que ele conhecia o paraíso que era acordar com Bella ao seu lado, em seus braços, acordar sozinho era uma merda. Mesmo que eles tivessem passado o dia e a noite juntos, mesmo que tivessem feito amor e dormido abraçados, ele não conseguia ter o suficiente e o rosto dela era a primeira coisa que queria ver todos os dias.

Ela tinha histórico em deslizar para fora da sua cama e ir para casa sem acordá-lo, o que lhe deixaria com um humor fodido até que a encontrasse novamente, mas então seu humor se acalmou ao escutar o barulho das panelas em sua cozinha. Despercebidamente, até sorria.

E ao se dar conta que sorria, passou a mão no cabelo e suspirou. Deus, essa mulher tinhas suas bolas na mão. Ou pior, tinha seu coração. Mas se perguntasse se ele se importava nem hesitaria em responder: não. Na verdade, nunca tinha sido tão feliz.

Foi ao banheiro rapidamente e, após um banho e fazer tudo que precisava ser feito, foi para a cozinha apenas de samba-canção, ainda era cedo demais para se vestir. Na verdade, nem sabia que horas eram, mas tinha a esperança de arrastar Bella para sua cama mais um pouco antes de se enfiar em um jeans e descer para o trabalho.

Ela estava linda em sua cozinha. Ela se encaixava perfeitamente ali, assim como em toda a sua vida. Estava apenas de sutiã e uma samba-canção dele. Porra, ela ficava muito melhor nelas do que ele.

Quando o viu, ela sorriu. O corpo dela lhe causava reações em baixo, aquele sorriso lhe causava reações em cima – seu cérebro derretia, seu coração batia forte, seu sorriso era instantâneo.

Estava tão apaixonado por aquela mulher...

— Bom dia, amor. — ela o saudou sem tirar o sorriso do rosto.

— Odeio quando você faz isso, sabia. — não pode evitar reclamar. Mas não estava fazendo beicinho. Claro que não.

— O que? — Bella franziu o cenho. — Nosso café da manhã?

— Não, sair da minha cama. Tínhamos que acordar juntos.

Bella riu.

— Assim você poderia se aproveitar mais um pouco de mim?

— É. — ok, agora ele estava fazendo beicinho. Pelo menos ninguém estava lhe vendo

Rindo, ela apagou o fogo e deixou a espátula dentro da panela em que preparava a panqueca para se aproximar dele.

— Você fica tão lindinho fazendo beicinho, sabia?

— Eu não estou fazendo beicinho. — ele mentiu enquanto fazia beicinho.

Bella gargalhou e passou os braços ao redor de sua cintura, erguendo o rosto para ser beijada. Um beijo rápido, mas ele não conseguiu resistir e a beijou direito, enterrando os dedos em seus cabelos.

Segurando-a pelo cabelo com cuidado para não machucá-la, ele afastou suas bocas e olhou em seus olhos.

— Viu como as coisas ficam melhores assim?

— Sim, eu posso entender seu ponto. Na verdade seu ponto está duro e empurrando contra mim. — ela brincou apertando seu corpo contra a semiereção dele.

— Que culpa eu tenho se você é muito gostosa e eu não consigo ter o suficiente de você? Você me deixa insaciável. — beijou e mordiscou o pescoço dela, sorrindo para o pequeno gemido que ela soltou.

— Você é tão bom pro meu ego, Edward. Agora me deixe terminar nosso café porque estou faminta. Eu te deixo insaciável e você me deixa exausta.

Edward riu, subindo uma trilha de beijos até sua orelha.

— Como se você não gostasse.

— Eu não disse isso. Mas preciso recuperar toda a energia gasta.

Ele a beijou novamente antes de soltá-la e ela voltou ao fogão, terminando suas panquecas.

— Capricha nessas panquecas. — ele pediu enquanto abria a geladeira, pegando uma garrafa de suco.

— Um copo, Edward.

Ele quase cuspiu a bebida ao se engasgar, mas conseguiu engolir e limpou a boca com as costas da mão.

— Como diabos você sabe que não tô usando um copo se você está de costas?

Bella se virou com um sorriso vitorioso.

— Eu te conheço.

— Deus, você está parecendo a minha mãe.

— Ótimo.

— Não foi um elogio. E você não está apenas parecendo, está igual. Na verdade, você falou igualzinho a ela, cansei de escutar “usa um copo, Edward” lá na casa dos meus pais.

— Claro que é um elogio, sua mãe é incrível. E então você não tem mesmo jeito?

— Provavelmente não. E eu sei que minha mãe é incrível, mas não quero me casar com ela.

— Pense pelo lado positivo — ela se virou pra ele com um sorriso divertido no rosto. — quando nós chegarmos a idade de seus pais ainda estaremos fodendo como coelhos pela casa.

— Puta que pariu Isabella, eles são meus pais! — ele guardou a garrafa na geladeira e a fechou. — Isso é grosseiro. Muito grosseiro! Deus! Eu preciso vomitar!

Enquanto ela gargalhava, ele foi para o quarto. Não teria condições psicológicas de transar depois de ouvir aquilo. Seu pau tinha amolecido completamente, até ele tinha alguns limites. Estava pronto para colocar um jeans.

— Não seja tão melodramático! — a escutou gritar da cozinha.

— Meus pais não fazem isso! — gritou de volta e a resposta foi mais uma gargalhada.

Ele preferia viver na negação a lidar com a verdade nua e crua: seus pais tinham uma vida sexual tão boa e ativa quanto à dele.

Ele ficava feliz que eles tivessem um casamento feliz, saudável, cheio de amor e paixão, mas não precisava se lembrar disso em detalhes tão crus e grotescos, preferia pensar que seus pais tinham um relacionamento platônico baseado em beijos, abraços e mãos dadas no sofá da sala. Até parece. Ele agitou a cabeça. Eca, muito grosseiro.

Quando já estava vestido adequadamente em um jeans e uma camisa de flanela, calçou os sapatos, passou um pouco de perfume e voltou à sala. Bella falava ao celular junto ao balcão.

— Mas o que aconteceu?

— Quem é? — Edward perguntou baixinho.

— É a Kate. Não, o Edward que apareceu aqui, pera ai. Você falou com a Leah a noite?

— Não. — ele franziu o cenho. — Por quê?

— Ela sumiu e ninguém consegue falar com ela. Kate, o Edward não falou com ela também. A gente ficou junto à noite toda, ela não apareceu e nem ligou, mas o que aconteceu? — ela escutou por alguns segundos. — Eu sei... Não precisa me contar se... Claro... Meu deus, eu não acredito, aquele filho da puta! Eu quero mandar meu irmão acabar com esse bosta!

Edward mantinha os olhos em Bella mesmo enquanto pegava suco na geladeira. Ela parecia furiosa. Não vinham boas noticias por ai.

— Aham... Aham... Eu vou ligar pro Jacob pra ver se ele sabe de alguma coisa, não se ela iria procura-lo, mas quem sabe né? Pode deixar, ele souber de alguma coisa eu te ligo. Mas por quê? Vocês brigaram? Oh não, merda, Kate. Que merda. Não... Não, Kate, eu te entendo, eu só... A situação toda é uma merda, não você, se acalma ok? Leah deve estar com a cabeça quente e confusa, ela só deve ter precisado de um tempo sozinha pra se colocar em ordem novamente, logo ela vai entrar em contato, vocês vão conversar e tudo vai ficar bem. Eu não acho, eu tenho certeza, Kate, vocês são melhores amigas e ela vai entender o seu lado quando estiver com a cabeça fria. Certo. Ei, escuta, eu vou ligar pro Jake e ficar de olho aqui, qualquer coisa eu te ligo pra avisar, ok? E você faça o mesmo, qualquer coisa me liga. Certo. Ok. Vai dar tudo certo, Kate. A gente se fala depois então, beijo.

— O que aconteceu? — ele perguntou assim que ela desligou o celular.

Bella suspirou pesadamente antes de sentar no banco alto e colocar o celular no balcão.

— Leah sumiu por quê? Ela e a Kate brigaram?

— Leah descobriu que o Sam a estava traindo.

— O que? Que merda, esse filho da puta. Mas era com a Kate?

— Claro que não! A Kate sabia desde o dia da confusão da Jessica e não foi por ela que Leah ficou sabendo.

— Mas que merda. Porra. Imagina como a Leah deve estar.

— Eu sei. Ela não atende o celular e Carmen passou lá no apartamento dela e uma vizinha disse que ela saiu à noite, ela sumiu.

— Essa merda com a Kate deve ser o que mais a deixou fodida, Leah respeita e honra uma amizade do mesmo jeito que respeita e honra os pais dela, é coisa séria.

— Eu imaginei isso no momento que ela não quis ficar com o Jacob porque ele é meu ex.

— Leah tem um código sobre amizades forte, é admirável. Mesmo que ela seja cercada de gente no bar em outros assim como conhece muita gente, ela não os considera amigos de verdade, os que ela considera ela valoriza pra caralho, Seth uma vez me disse que deve ser porque na escola ela não tinha amigos e, na verdade, ela não deixa as pessoas se aproximarem de quem ela é de verdade facilmente; Leah é fenomenal, você sabe disso, mas ela também não é fácil de lidar.

— Espero que ela esteja bem. — pegou o celular novamente. — Vou ligar pro Jacob, quem sabe eles não estão juntos.

— Certo. Quer suco?

— Sim, por favor.

— Aliás, — começou enquanto enchia o copo dos dois — por que você disse que queria mandar o seu irmão acabar com ele?

— Porque eu quero esse filho da puta surrado, meu irmão poderia bater a merda pra fora dele sem nem suar. — ela rosnou.

— Sanguinária, eu gosto. Mas você poderia falar pro seu namorado fazer seu serviço sujo, sabia?

Bella riu e ergueu o rosto do celular.

— Suas mãos delicadas não foram feitas pra bater em ninguém, bebê, mas eu agradeço a sua disposição.

— O que? Você acha que eu não poderia bater no Sam?

— Eu não disse isso, eu só não quero que você se machuque. — ela tentava falar sem rir, mas era difícil olhando o rosto dele franzido em indignação.

— Eu poderia acabar com o Sam sem me machucar.

— Eu sei que você acredita nisso, amor, mas meu irmão é maior...

— Músculo nem sempre é tudo, eu tenho força, agilidade, inteligência.

— Certo, eu vou dizer pro meu irmão que você disse que ele não é inteligente, viu. — brincou voltando a olhar o celular e discou pra chamar o número de Jacob. — Talvez Jacob faça o serviço sujo, ele também é bom de briga.

— Então todos são bons de briga menos eu?

— Bem, Jacob é acostumado a fazer trabalho braçal, Edward.

— Você acha que carregar barril de chope é fácil?

Bella riu segurando o celular na orelha.

— Tenho certeza eu não. Droga, só chama.

— Eu vou precisar marcar uma briga com alguém pra você acreditar em mim, não é?

— Não, eu odiaria ver seu lindo rosto machucado, bebê.

— Você está ferindo meu ego masculino, Isabella.

— Melhor seu ego do que seu lindo rosto ou outras partes que eu gosto muito usar. Vem aqui, me dá um beijo.

Ele a encarou por alguns com incredulidade, então suspirou e foi lhe beijar.

— Como eu posso me defender se tudo que você precisa fazer é me chamar e eu estou aqui nos seus pés, hein, Isabella?

Ela riu.

— Você não precisa se defender de nada, bebê — ela disse com um beicinho e uma voz exageradamente infantil então riu. — Eu estou aqui pra cuidar de você e se precisar eu chamo meu irmãozão.

— Deus, você deve ser uma das piores namoradas do mundo.

— Provavelmente. — Bella sorriu divertida. — Mas você me ama.

— Sim, eu amo você. — segurou o rosto dela e a beijou lentamente.

. . .

Um barulho irritante. O que era aquilo? Uma música? Alguém faça isso parar! E parou. E recomeçou. Que merda.

Leah girou na cama e gemeu. Sua boca estava tão seca que sua língua parecia inchada, sua cabeça doía e seu estômago estava revirando lhe deixando enjoada. Gemeu novamente enquanto se sentava, colocando seu cabelo desgrenhado para trás. Esfregou os olhos que pareciam com areia, piscou algumas vezes até seus olhos terem foco.

Estava em quarto. Certo. Mas de quem caralho era aquele quarto? Olhou ao redor procurando por alguma pista, então olhou para si mesma. Estava apenas de calcinha e sutiã. Será que tinha transado? Merda, o que tinha acontecido?

Fechou os olhos e respirou fundo, lembrando-se de tudo. Com alguns espaços em branco, mas sua última lembrança era Jacob esfregando suas costas enquanto vomitava.

Jacob. Estava na casa dele. Certo.

Na mesinha de cabeceira, ao lado de um celular, tinha uma garrafa de água, duas cartelas de comprimidos e um bilhete. Ela se arrastou para a beira da cama e colocou os pés antes de pegar o papel. “Para o caso de você acordar mal, tem um para dor de cabeça e outro para enjoo; no banheiro deixei uma toalha limpa e um roupão pra você tomar banho (banheiro fica no corredor), coloquei sua roupa pra lavar, quando ler isso ela deverá estar na secadora e estará pronta quando você acordar; quando estiver pronta, estarei te esperando na cozinha com o seu chocolate quente, Jacob”.

Ela sorria. Chocolate quente? Como ele sabia que gostava disso?

Colocou uma mecha de seu cabelo para trás, colocou o bilhete na mesinha novamente e pegou um comprimido de cada e bebeu um gole de água para empurrá-los garganta abaixo. E então terminou de beber tudo rapidamente e foi para o banheiro.

O banheiro dele era pequeno, apenas uma pequena pia de mármore com um armário em baixo e um armário com espelho na parede a frente, o vaso sanitário e então o pequeno box do chuveiro, mas era tudo limpo e organizado, devia estar até melhor que o dela.

A toalha e roupão estavam dobrados sobre a pia, ela terminou de se despir e foi para o chuveiro. A ducha era boa e potente, só precisou de alguns segundos embaixo dela, com o rosto erguido para o jato de água gelada e olhos fechados, para começar a se sentir humana novamente. Livrando-se do suor e o cheiro de bebida, sua mente estava calma e silenciosa, era muito bom.

Não querendo abusar da água dele, desligou o chuveiro e tirou o excesso de água de seu cabelo. Ela se secou rapidamente, enrolou a toalha no cabelo e vestiu o roupão atoalhado branco. Fez uma pequena bola com a roupa íntima usada e a deixou na pia, depois pegaria uma sacola pra levá-la pra casa.

Seu reflexo no espelho parecia exausto, mas não estava a bagunça que esperava. Sorte que não tinha passado nenhum tipo de maquiagem antes de sair de casa, nem seu habitual lápis e rímel, ou estaria tudo escorrendo por seu rosto. Tirou a toalha dos cabelos e os esfregou até que estivessem apenas úmidos; abriu o armário na parede e por sorte encontrou um pente, dividiu seus cabelos ao meio e penteou a massa lisa de cabelo negro até seu ombro; lavou as mãos, colocou pasta de dente no dedo e escovou os dentes improvisadamente. Guardou tudo, pendurou a toalha molhada no gancho na parede e saiu do banheiro.

Não sabia com que cara iria encarar Jacob, mas não era como se tivesse outra opção.

O corredor estava escuro, tinha duas portas – uma do quarto e outra do banheiro –, no fim do corredor dava na cozinha e no início devia ser a sala. O apartamento dele parecia pequeno, mas bem organizado.

O barulho de panela e algo fritando – pelo cheiro devia ser bacon – a fez seguir para a cozinha.

A cozinha dele era pequena e simples, mas funcional e muito bem organizada. Era toda planejada junto à parede em tons de branco e marfim, na parede oposta perto da porta de entrada uma pequena mesa quadrada com tampo de granito e três cadeiras; então uma porta de madeira que estava fechada, mas ela supôs dar em algum tipo de área de serviço.

Jacob estava cantarolando livin’ on prayer do Bon Jovi vestido uma calça de moletom cinza e uma blusa regata branca que deixava exposto seus ombros largos e braços malhados, sua bunda parecia perfeitamente apertada e arredonda sob a calça, tudo enquanto fritava bacon. Um homem gostoso e comida, ela não podia pensar em uma melhor maneira de começar o dia.

— Bom dia. — o cumprimentou com a voz saindo mais rouca que o normal.

Ele se virou e sorriu imediatamente. Aquela merda devia ser proibida, o homem tinha o sorriso mais doce que ela já tinha visto em toda sua vida.

— Bom dia, você está bem?

— Sim. Os remédios funcionaram melhor do que eu esperava e um banho gelado pode fazer milagres por uma pessoa. — deu um sorrisinho. — Espero que esteja tudo bem eu ficar com roupão, é que a minhas roupas, você sabe.

— Claro. Eu já as lavei, agora estão na secadora, logo vão estar boas pra você se vestir. Ahn, e eu não te despi ok? Não te desrespeitaria desse jeito, você fez isso sozinha, quero dizer, a calça antes de dormir e a blusa durante o sono. Eu nem te dei banho porque não achei que seria certo, hum, te despir sem a sua autorização.

— Está tudo bem, eu não sei dormir vestida e mesmo bêbada acabo tirando a roupa. — Leah riu. — Obrigada pela ajuda e todo o respeito, Jacob. Eu nem me lembro de como acabei aqui.

— Você pediu para o cara do bar me ligar.

— Demetri. Merda. — ela desviou o olhar. — Isso é constrangedor, eu acho.

— Não, eu gostei de poder estar lá pra te ajudar, sério.

A sinceridade na voz dele lhe fez voltar a encará-lo, Leah sorriu.

— Muito obrigada, você é um carinha legal.

— Faço o que posso. — deu ombros. — Eu estou fritando bacon, você vai querer ou é daquelas que prefere um café da manhã leve ou mais doce?

— Você está brincando? Eu vou furar você com um garfo por um pouco desse bacon, faça bastante, por favor!

Jacob gargalhou.

— Meu tipo de garota. E ali na mesa está seu chocolate quente.

— Como você sabe que eu gosto disso e não café?

— Você me pediu ontem enquanto estava bêbada e eu te prometi que te conseguiria.

Leah não conseguia parar de sorrir.

— Obrigada, eu realmente preciso disso. — ela sentou em uma das cadeiras e abriu a garrafa térmica, enchendo uma caneca de cerâmica que estava ao lado. O chocolate cremoso cheirava muito bem.

— Eu não sabia se você gosta muito quente ou assim morno, qualquer coisa é só esquentar no microondas.

— Está perfeito. Sério. Obrigada. — ela bebeu. — Mmmm... Perfeito. Eu falo tanta merda bêbada, valeu por considerar meu pedido.

Ele apenas piscou sorrindo e voltou sua atenção ao fogo.

— Eu falei muito ontem? — perguntou hesitante.

— Um pouco.

— Sobre tudo? A situação com Sam, a prisão, tudo?

— Sim. — ele se virou pra ela. — Eu sinto muito por tudo isso.

— Que merda. Que seja. Quero dizer, obrigada, mas é uma merda e eu vou superar, ele era um cuzão, é tudo minha culpa de qualquer jeito.

— O que? Claro que não! Ele é o traidor, isso não é sua culpa, Leah.

— Eu já devia ter terminado com ele há tempos, eu só... — ela apoiou os cotovelos na mesa e colocou as mãos no rosto. — Sei lá que merda eu tinha na cabeça. Eu sou uma bagunça fodida.

— Mas agora você está com a cabeça limpa e pode colocar tudo em ordem novamente. — Jacob disse suavemente.

Leah riu.

— Acho que eu nunca estive em ordem, Jacob.

— Então você pode ser aquele tipo de bagunça organizada, sabe? Onde de longe tudo parece estar bagunçado, mas você sabe exatamente onde está cada coisa que precisa.

Leah ergueu a cabeça e o encarou pra ter certeza de que ele estava falando sério.

— Eu gosto desse tipo de bagunça. — Jacob sorriu. — Agora, bebe seu chocolate porque você precisa de açúcar no seu sangue depois de ontem.

Jacob preparou um prato cheio de tiras de bacon frito, ovos mexidos com muito queijo e orégano, torradas, preparou café, trouxe suco pra mesa e eles comeram juntos. Sem cerimônias, como se aquele fosse seu ritual diário.

Leah lhe perguntou se ele não tinha que ir trabalhar e ele disse sim, mas que não iria deixá-la sozinha e podia se dar o luxo de faltar um dia porque era o que mais trabalhava naquele lugar; então ela contou sobre toda a situação com Sam, Kate, a prisão, Emmett.

— Emmett é foda, ele vai dar um jeito nisso tudo, não se preocupe. — ele disse e colocou uma tira de bacon na boca com a mão.

— Só isso? Sem sermão sobre minha arte? Sobre o quanto eu fui imatura, precipitada, agi de cabeça quente e sem pensar?

Jacob riu.

— Acho que você já sabe disso tudo, né?

— Sim. Foda-se, pelo menos não foi minha primeira passagem na polícia, imagina perder minha virgindade carcerária por causa do Sam, isso sim seria revoltante.

— O que? Você já foi presa antes? — ele perguntou preocupado.

— Eu, Kate e Jasper bêbados. Nós aprendemos naquela noite que perturbação do sossego alheio pode nos levar a prisão.

Jacob gargalhou.

— Acho que não estou surpreso.

— Porra, onde está minha moto? — Leah perguntou assustada ao se lembrar do seu bebê. — Diz que nada aconteceu com o meu bebê, por favor.

— Ela está ótima, ficou no bar do Demetri, é esse o nome dele, certo? Eu posso te dar uma carona pra buscá-la, se você quiser.

— Sim, claro, eu apreciaria isso. A lista de favores que vou ficar devendo a você não para de crescer.

— Até parece, você não está me devendo nada, Leah.

— Sim, eu estou, mas vou pagar de alguma forma, eu juro.

— Leah, sério, eu estou gostando de estar com você, isso é suficiente pra mim. — Jacob disse seriamente olhando em seus olhos.

Nervosamente, engoliu seco sentindo uma vontade súbita de beijá-lo. Súbita, mas que sentia há muito tempo. Porra.

— Jacob...

— Ei, sem pressão aqui, eu apenas comentei. — ele sorriu, pegando a frigideira onde estavam os ovos com queijo. — Quer mais?

— Não, mas o bacon... — ela esticou o garfou e espetou três tiras de uma vez, fazendo-o rir.

— Tem mais na geladeira se você precisar que eu frite.

— Meu tipo de garoto. — ela o imitou com a boca cheia de bacon.

Quando terminaram o café, Leah levou sua louça para a pia e se dispôs a lavar, mas Jacob não deixou. Encheu uma caneca com mais chocolate quente e a mandou relaxar na sala, quando terminasse a louça, levaria a roupa dela.

A sala dele era como o resto da sala, simples e organizada. Sua bolsa e capacete estavam no sofá de três lugares em couro marrom em frente a uma estante que tomava praticamente a parede toda com uma grande televisão de LCD embutida com um sistema de home theater, um vídeo game – e ao redor, nas prateleiras de organização, muitas capas que deviam ser de jogos, talvez filmes e CDs, ele tinha um acervo incrível –; ao lado uma poltrona que combinava com o sofá, formando assim um quadrado na sala e o outro lado do quadrado era livre dando na porta de saída do apartamento. Simples e organizado em cores simples, ela realmente gostava do lugar dele, era o tipo de lugar que ela gostaria de morar. Parecia muito com o lugar dela, na verdade.

Enquanto estava sentada no meio do sofá com as pernas cruzadas sobre ele e bebendo seu chocolate, Leah tinha que confessar, era estranho estar usando apenas um roupão atoalhado sobre seu corpo completamente nu no sofá de Jacob Black.

Mas não era um estranho ruim, era um estranho de novidade. Deitando sua cabeça no encosto do sofá, ela sentia seu corpo relaxado e sua mente tranquila, melhor do que pensou que estaria. Estar ali lhe fazia bem, a companhia de Jacob lhe fazia bem. Ela estava precisando daquilo.

— Aqui estão suas roupas.

Ela virou a cabeça para olhá-lo. Ele segurava suas roupas dobradas nos braços. Leah terminou de beber enquanto se levantava e foi ao seu encontro, pegou as roupas ainda quentes da secadora e sentiu o cheiro bom de amaciante.

— Você não precisava fazer isso, Jacob.

— Eu não fiz nada demais, só apertei alguns botões da lavadora e da secadora. — deu ombros sorrindo. — Acho que meu celular que tá tocando.

— Vou lavar essa caneca e já me visto.

— Pode deixar na pia e eu lavo. — Jacob a instruiu enquanto ia pro quarto.

Até parece, pensou. Ela deixou a roupa na mesa da cozinha então lavou e deixou a caneca escorrendo com o rosto da louça que ele tinha lavado, pegou a roupa e voltou à sala. Ele já estava lá, parado com o celular na mão.

— É a Bella. Tem várias ligações perdidas, será que é sobre você?

— Provavelmente. Kate deve ter ligado pra ela. Eu... Não diz que eu estou aqui, por favor.

— Leah...

— Ainda não. Eu só preciso de mais um tempo, por favor. Liga de volta, talvez nem seja sobre mim, mas se for, apenas diga que não me viu ou falou comigo, por favor.

Com um suspiro, ele ligou de volta.

— Ei Bells, o que aconteceu? Você me ligou? Leah? — ‘por favor, não’ Leah sussurrava agitando a cabeça negativamente. — Não, eu não falei com ela, por quê? — ele escutou por alguns segundos. — Certo. Certo. Não, eu entendo claro, tudo bem. Se ela me ligar, eu te ligo, ok? Se tiver alguma notícia me liga também. Tudo bem então. Até.

Quando ele desligou, Leah suspirou aliviada e sentou no braço do sofá.

— Ela disse que não era a história dela pra contar, mas que em resumo, você brigou com o Sam e com a Kate então sumiu, estão todos preocupados com você. Bella está preocupada com você, odeio deixá-la assim.

— Eu sinto muito por te pedir pra mentir por mim, mas obrigada por me ajudar mesmo assim.

— Tudo bem, você merece esse tempo, mas espero que você ligue ao menos pra tranquiliza-la e deixe que ela tranquilize os outros.

Ela se levantou e suspirou pesadamente, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. Jacob se aproximou, ficando na sua frente.

— Vai dar tudo certo, querida.

Leah franziu o cenho.

— Não me chama assim.

Ele riu.

— Você disse a mesma coisa ontem.

— E vou dizer a mesma coisa amanhã se você me chamar assim, mas obrigada.

Quando suspirou novamente, Jacob tomou sua mão e disse um “vem aqui”, pegou as roupas de sua mão e as colocou no sofá então a puxou para seus braços, lhe abraçando.

Ela hesitou por alguns segundos enquanto sentia um braço dele ao redor de sua cintura e a outra mão acariciando seus cabelos, mas então relaxou e passou os braços ao redor do pescoço dele, apreciando o conforto de seu abraço.

Com o rosto na curva do pescoço dele, ela respirou fundo. Ele cheirava bem, algo limpo e fresco, era cheiro de sabonete do banho que tinha tomado ao sair da cama. Ela afastou o rosto do pescoço dele lentamente com os lábios roçando em sua pele quente e suave todo o caminho, mas não se afastaram completamente. Seus rostos ainda estavam próximos.

Ele mantinha o braço ao redor de sua cintura e o outro em seus cabelos. Seus corpos e seus rostos muito próximos. Ele olhava em seus olhos e ela tentava manter o contato visual, mas olhou para a boca dele, aqueles lábios suavemente cheios que eram tão macios em sua boca. Queria beijá-lo.

Não devia fazer isso, algo em sua mente disse, mas ela respondeu com um foda-se e o beijou.

Testou suas bocas juntas por alguns segundos antes de tentar movê-la e ele abriu os lábios, lhe dando espaço e assim lentamente colocou a língua na boca dele. Suas bocas se acariciaram e se reconheceram em um ritmo lento. Fazia tanto tempo desde o primeiro e último beijo. Tanto tempo desde que queriam fazer aquilo novamente.

Afastaram suas bocas com um suspiro e ela manteve os olhos fechados. Apenas um beijo tinha sido suficiente para acordar seu corpo e deixá-lo quente, implorando por mais.

Quando abriu os olhos, ele a encarava parecendo sentir a mesma coisa.

— Leah...

— Não fala. — ela juntou a testa na dele e fechou os olhos. — Isso aqui é só o que eu quero agora, por favor.

Segurando-a pela nuca ele a beijou novamente, mas dessa vez dura e profundamente. Leah poderia agradecê-lo por isso, mas não naquele momento, tudo que menos queria naquele momento era falar.

O beijo era tão rápido e voraz que seu corpo despertou em uma corrida rápida de calor no mesmo instante, sua boceta pulsava com a cremosa umidade aumentando sobre ela.

Leah abaixou as mãos e agarrou a barra da blusa dele, suas bocas se separaram apenas tempo suficiente pra que ela a tirasse sobre sua cabeça e então ele voltou a beijá-la.

Pousou as mãos sobre o largo peitoral masculino, sentindo os músculos duros sob a pele lisa, macia e quente, desceu a mão lentamente sentindo cada gomo de musculo sob os dedos até alcançar seu moletom; Jacob apertou seus corpos juntos, ela sentiu sua ereção crescente e agarrou sobre o tecido, apertando e sentindo-o gemer em sua boca.

Como ele não usava cueca, só precisou abaixar o moletom pra tê-lo em sua mão, a primeira coisa que percebeu foi: porra, o pau dele era grosso pra caralho. O masturbava lentamente enquanto ele abria o laço de seu roupão em soltar sua boca, mordiscando seu lábio e chupando sua língua.

Quando o roupão estava aberto, ele desceu a boca para o seu pescoço. Leah jogou a cabeça para o lado lhe dando livre acesso sem parar de acariciar o pau dele, usando o pré-sêmen para lubrificar a ereção cada vez mais dura em sua mão. Ele desceu beijando seu pescoço e ombro enquanto as mãos subiam firmes por sua cintura nua.

— E achei mais dois piercings. — Jacob disse com um sorriso malicioso, terminou de tirar seu roupão e o deixou cair no chão. — Eu estou feliz por ser autorizado a vê-los.

Ela sorriu com as palavras dele – ele se lembrava da conversa que tinham tido na pizzaria, no primeiro “encontro oficial” que tiveram e falou sobre seu trabalho.

E gostou da maneira que ele olhava seus seios; sem reprovação ou julgamento, ele parecia excitado e encantando. Seus seios eram pequenos e arredondados com mamilos cheios mais escuros que sua pele morena com uma bolinha prateada de cada lado do piercing que os cruzavam.

— Falta só um agora. — ela disse com a voz baixa.

Jacob ergueu os olhos pra ela antes de lamber seu mamilo, então o apertou seio e abocanhou, sem medo de suga-lo. Leah gemeu, apertou seu pau e se arqueou em sua direção.

— Porra. Isso... — gemia. Nem se lembrava da ultima vez que teve prazer realmente com seu seio. Sam simplesmente era hesitante e tinha medo de forçar ou rasgar seus mamilos, assim como o outro lugar com piercing, enquanto Jacob nem pensou duas vezes. Sua língua provocou a pequena joia, mordiscou a carne acima do piercing e sugou. Logo depois o mesmo tratamento ao outro seio. Nos lugares certos, era tão bom...

Estava tão molhada só pela boca dele que quando ele deslizou a mão entre suas pernas e tocou seu clitóris soube que estava pronta para seu pau. Não queria mais preliminares, queria aquilo.

— Me fode. — pediu arfante. — Porra, Jacob, me fode agora.

Ele soltou seu seio, segurou sua cintura com as duas mãos e a empurrou para trás com cuidado. Leah sentou no braço do sofá com as pernas um pouco erguidas e afastadas, Jacob ergueu uma perna sua e com a outra segurou o próprio pau, acariciando-se enquanto olhava sua boceta.

Jacob não tinha mais nada em sua mente, não conseguia pensar em mais nada que não fosse aquela mulher. A boceta dela parecia uma obra de arte feita para ser apreciada, a excitação brilhava em sua carne sensível, uma pequena argola prateada brilhava no capuz de seu clitóris e um triângulo de pelos bem aparados enfeitava seu monte-de-vênus enquanto o resto era completamente depilado. Seu pênis latejava vazando pré-sêmen como louco

Segurando a perna erguida dela junto ao seu peito, ele guiou seu pênis a ela e o esfregou em seu piercing, provocando seu clitóris.

Leah gemeu caindo um pouco para trás no sofá, segurando no sofá.

— Não me provoca maldito, mete isso em mim, Jacob. — ela mandou com um rosnado.

Jacob sorriu. Ele já sabia que ela tinha um pequeno problema de boca suja e ele realmente não se importava com a quantidade de palavrões e maldições que ela falava normalmente, mas nunca pensou o quanto aquilo viria a calhar em um momento como aqueles.

Ela falou sujo e ele perdeu o controle. Encaixou a cabeça de seu pênis na entrada dela e empurrou o quadril, penetrando lentamente.

— Ohh, poooooorra. — ela gemeu de olhos fechados.

Tinha um cumprimento mediano, mas era mais grosso que a maioria então tomava cuidado para ao machucá-la, mas mesmo que a boceta dela lhe apertava firme ainda deslizava facilmente de tão molhada. Era o maldito paraíso.

— Caralho, Leah. — rosnou, enquanto puxava o quadril pra trás. — Porra, eu vou rápido desse jeito, você é... — impulsionou pra frente novamente, penetrando-a até o fim. — Porra...

— Foda-se o lento, me fode duro e rápido, Jacob. Agora. Por favor. Porra! — ela gritou quando ele começou a obedecê-la.

Leah tentava se segurar no sofá a cada batida do quadril dele contra sua bunda. Ele começou lento, deixando-a se acostumar com seu pênis e então investiu como ela pediu – rápido e duro.

— Porra... Oh...

Nem todos os palavrões seriam suficientes pra explicar o que ela sentia naquele momento. Na verdade, nem conseguia falar palavrão nenhum porque a cada vez que ele batia o pau fundo em sua boceta, lhe tirava um pouco o ar.

— Vem aqui.

Jacob abaixou sua perna, saiu de seu corpo e a puxou do sofá, apenas para lhe virar de costas, passou o braço ao redor de sua cintura e a empurrou pra baixo. O comando fácil à fez se posicionar rapidamente inclinada sobre o braço do sofá com o corpo arqueado e traseiro empinado no ar, então ele a penetrou novamente.

— Caralho, Jacob!

— Isso, carinho. — era fácil escutar o sorriso e satisfação na voz dele.

Os dedos dela se enterravam no sofá enquanto os dedos dele se enterravam em sua cintura, segurando-a firme enquanto a fodia duro, rápido, constante. O barulho de suas peles se chocando enchiam o ambiente acompanhado de gemidos e palavrões.

Leah nunca tinha se aproximado tanto do orgasmo sem estimulação direta em seu clitóris, mas não precisava, a cada movimento seu clitóris inchado parecia ser esfregado por ele e junto com as batidas, o modo como ele a esticava e preenchia, ela ia gozar.

Seu coração batia rápido, sua respiração já estava ofegante, o suor brilhava em sua pele quente e não tinha mais controle em seus gemidos.

Por que tinha demorado tanto a fazer aquilo com Jacob? O homem fodia como ninguém que ela já tinha conhecido. Ou talvez estivesse exagerando, glorificando demais a situação porque o sexo mais recente que tivera para comprar não fora dos melhores.

Depois de tanto tempo com sexo medíocre e orgasmos vindos de um maldito vibrador aquilo era espetacular.

— Poooorra... — ela gemeu arrastadamente quando gozou com os joelhos tremendo e a boceta agitando-se ao redor do pau dele.

E ele não parou, não até que gozasse profundamente dentro dela também.

Ofegante e com o corpo mole, ela deixou que ele a erguesse e saísse do seu corpo lentamente.

Leah sentiu a bagunça quente e úmida escorrer entre suas pernas, mas quando se virou pra ele novamente, todos seus pensamentos foram soprados de sua mente pela boca dele. Lentamente entre o beijo calmo e carinhoso iam se acalmando, recuperando seu fôlego juntos.

Puta que pariu, tinha transado com Jacob Black.

O pensamento óbvio bateu em sua mente tão forte que separou suas bocas abruptamente.

— Leah... — ele afastou o cabelo de seu rosto e deixou a mão carinhosamente em sua bochecha.

— Eu preciso ir.

— O que? — franziu o cenho.

— Eu preciso... Eu vou me trocar.

Jacob ficou confuso vendo-a pegar as roupas no sofá, o roupão no chão e ir nua para o banheiro.

A calça de moletom ainda estava no meio de suas coxas e seu pênis semiereto pra fora, feliz e satisfeito pelo que tinham feito. E só então se deu conta de que não tinha usado camisinha e tinha gozado dentro dela. Um erro idiota e que nunca tinha cometido, mas estava tão afobado e excitado que deixou que seu pau fosse o único no controle das coisas. Puta que pariu.

Coçou a cabeça nervosamente, arrumou as calças e foi atrás dela. Como o chuveiro estava ligado, resolveu esperar até que ela terminasse de se banhar e vestir.

Pouco depois, ela estava de volta, vestida com as roupas da noite anterior e os cabelos úmidos.

— Eu... — ela foi para sua bolsa e capacete no sofá. — Eu preciso ir.

— Leah...

— Obrigada pela sua ajuda ontem. — o interrompeu.

— Sério? É isso? A gente transou e é só isso que você tem a dizer?

— Bem, — ela colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha. — Não precisa se preocupar, eu estou limpa e tomo pílulas.

— Certo, eu estou limpo também. Leah, podemos conversar direito?

— Não agora, Jacob. Eu... Preciso colocar minha cabeça em ordem. Isso foi incrível, sério, você foi incrível e fazia muito tempo que eu não me sentia assim, eu precisava disso, mais uma coisa pela qual eu preciso te agradecer, mas podemos conversar depois, por favor.

— Merda. — ele passou a mão nervosamente na cabeça. — Certo. Preciso só de um minuto pra trocar de roupa e eu te levo até sua moto.

— Não precisa...

— Então pelo menos me deixa te chamar um táxi e te dar algum dinheiro pra pagá-lo, por favor, pra dar algum sossego a minha mente.

Leah riu.

— Certo. Mas eu vou te pegar de volta, eu juro.

Ele revirou os olhos.

. . .

Bella e Rosalie tinham uma rotina própria desde o dia em que Jasper tinha feito a proposta de um novo negócio juntos para as duas.

Elas trabalhavam no Cullen’s pela manhã – Bella preparava as sobremesas do almoço e da noite, enquanto Rosalie ajudava no balcão, à tarde elas iam para o espaço que no futuro seria o negócio delas e trabalhavam em projetos e ideias, à noite Bella voltava para o Cullen’s e Rosalie ia para casa, estava funcionando perfeitamente para as duas.

Sinceramente melhor do que as duas podiam imaginar, estavam se entendendo perfeitamente, juntando as ideias de ambas para formar o projeto final e, além de estarem se dando tão bem no âmbito profissional, estavam se tornando amigas. Bella estava adorando a chance de conhecer Rosalie de verdade; ela era uma pessoa divertida, amável, protetora – até mesmo com ela –, inteligente, forte e decidida. Ela estava decidida a fazer aquele negócio dar certo e estava se dedicando totalmente a ele, assim como Bella. Não sabia como Jasper tinha feito isso, mas ele tinha acertado perfeitamente ao coloca-las juntas para esse projeto.

E foi por essa nova amizade que estava se formando que Bella percebeu quão bem humorada Rosalie tinha chegado naquele dia. Nos últimos dias ela estava estranha, perguntou a ela o que estava acontecendo e a resposta foi “nada”, eram apenas alguns desentendimentos em casa, mas nada que fosse lhe atrapalhar no trabalho, mas era óbvio o quanto lhe afetava. Não o suficiente para diminuir seu ritmo ou suas boas ideias, apenas deixava o seu sorriso menos sincero e era preciso conhecê-la pra saber a diferença. Mas naquela manhã, ela chegou sorrindo radiante. Estava usando um vestido frente-única florido que valorizava suas curvas voluptuosas, uma sandália Anabela, os longos cabelos soltos em ondas sobre seu ombro e um largo sorriso no rosto. Aquele sorriso só saiu de seu rosto ao saber de toda a história de Leah, mas ainda assim, ela continuava brilhando.

Mas tudo mudou de repente. Bella estava sentada junto ao balcão ainda tentando falar com Jacob quando Rosalie simplesmente parou de lavar os copos que tinha em mãos. Seu rosto parecia ter desmoronado enquanto todo o brilho se apagava lentamente.

— Rosalie, você está bem? — Bella perguntou.

Ela não respondeu. Mordendo o lábio inferior, ela parecia perto de chorar então deixou tudo na pia, lavou as mãos e saiu apressada para o banheiro.

Bella guardou o celular no bolso do jeans e foi atrás dela, preocupada. Rosalie se trancou em uma das cabines do banheiro.

— Rose, o que aconteceu? Você está bem? — esperou a resposta, mas nenhum barulho. — Rosalie, se você não falar alguma coisa agora eu vou chamar o seu irmão aqui, eu estou preocupada, o que aconteceu?

— Nada. — Rosalie respondeu baixinho.

— Você está chorando? Você não quer falar comigo, tudo bem, eu vou chamar o seu irmão aqui.

Estava indo para a porta quando a escutou destrancar a cabine.

— Não precisa. — ela disse enquanto passava os dedos sob os olhos cuidadosamente para não borrar sua maquiagem, respirou fundo e soltou o ar com força. — Eu estou bem.

— Não, você está. Deus, você está chorando, o que aconteceu?

— Eu estou sendo boba, eu só... Eu só menstruei.

— E o que há de errado nisso? Por que menstruar- — Bella parou ao pensar no único motivo pra que uma mulher casada ficasse chateada ao menstruar. — Oh.

Rosalie assentiu.

— Ser mãe sempre foi meu sonho e Royce sempre achou que devíamos esperar, mas agora ele quer e eu estava atrasada, pensei que talvez... Talvez eu estivesse grávida e... — ela olhou para Bella com um sorriso decepcionado e as lágrimas brilhando em seus olhos. — Eu não estou.

— Eu sinto muito, Rose.

— Está tudo bem. — fungou. — Eu só estou exagerando, eu acho.

— Você tem todo o direito de estar chateada, Rose. — se aproximou e pegou suas mãos. — Mas você é jovem e ainda tem muito tempo pra continuar tentando. Se isso é o que você quer, vai acontecer.

Lentamente, Rosalie sorriu e apertou a mão da cunhada.

— Meu irmão tem muita sorte de ter você, Bella.

Bella sorriu com as bochechas corando.

— Acho que eu sou a sortuda aqui.

— Mas não há motivo pra fazer meu irmão pensar isso, certo? Ele é o sortudo, você é um presente na vida dele e na minha, é a cunhada e irmã que eu sempre quis ter.

— Você também, Rose. É a cunhada e irmã que eu sempre quis ter. — Bella disse emocionada e a abraçou forte, sorrindo ao sentir o abraço ser retribuído.

E no meio do abraço Bella pensou no próprio irmão.