Notas iniciais
Boa leitura...

Ela estava grata que Emmett não demorou nem meia hora a chegar.

Com um terno de grife impecavelmente ajustado em seu corpo largo e sapatos brilhando de tão bem engraxados, ele não parecia pertencer á aquele lugar, parecia mais um modelo da capa da GQ.

Não era um advogado de porta de cadeia, era um advogado de elite, mas ainda assim, estava ali para ajuda-la. Primeiro passou em sua cela e se certificou de que estava bem, então foi falar com o delegado.

Minutos depois, um policial veio buscá-la enquanto Emmett a esperava no balcão na entrada.

— Posso ir embora agora? — ela perguntou impaciente.

— Pode. Isso devia demorar mais, mas eu fiz umas ligações e cobrei uns favores, mas consegui pagar sua fiança e assinei seus papeis.

— Muito obrigada, eu vou te pagar de volta, eu juro.

— Não é com isso que eu estou preocupado agora, Leah. Ele foi pegar sua bolsa, mas tudo que você usou no seu... Trabalhinho ficará aqui com evidência do processo. Sam prestou queixa contra você.

— Aquele cuzão.

— Você terá que pagar pelo conserto do carro...

— O que?! — o interrompeu revoltada. — Eu não vou pagar porra nenhuma, ele que se foda!

— Se acalma, está bem? É isso ou você terá que passar por uma audiência e pode acabar presa. Se eu não fosse o seu advogado e não tivesse de quem cobrar certos favores, você estaria com problemas bem maiores. Vou me encontrar com o advogado dele amanhã e acertaremos um acordo, esse é a sua melhor opção, mas ele provavelmente irá pedir uma ordem de restrição contra você.

— Como se eu quisesse me aproximar daquele bosta. — ela suspirou e colocou uma mecha do curto cabelo negro atrás da orelha. — Será que podemos ir embora agora?

— Claro. Vamos pegar sua bolsa e você precisa assinar uns papéis.

Dez minutos depois, os dois saíam da delegacia juntos. A noite estava calma e fresca, eles caminharam até o Jeep de Emmett estacionado em frente ao prédio.

— Será que você poderia me dar uma carona pra pegar minha moto?

— Você estava com ela? — Emmett franziu o cenho. — Por que você na avisou ao policial? Ele a teria trazido pra você.

Ela bufou com desdém.

— Até parece que eu deixaria alguém dirigir o meu bebê. Preferia passar a noite na cadeia e então ir busca-la andando.

Ele riu e abriu a porta pra ela, deu a volta no veículo, tomou seu lugar no banco do motorista e dirigiu seguindo as instruções dela.

Quando ele parou o carro ao lado de sua moto, ela soltou o cinto de segurança e se virou pra ele.

— Muito obrigada por ter me ajudado, espero que isso fique entre a gente.

— Eu não vou falar com ninguém, prometo. Você é minha cliente agora, não discuto meus casos com ninguém, nem com a Bella.

— Eu aprecio isso, obrigada.

— Você vai querer ir comigo no encontro com o advogado do Sam?

Leah hesitou o suficiente para que ele entendesse.

— Você não precisa ir, eu posso te passar os detalhes da reunião depois.

— Obrigada. Eu... Eu não quero correr o risco de encontra-lo tão cedo. E quando você me passar os detalhes, me passa também o número da conta onde eu deposito o dinheiro da fiança e o preço dos seus honorários.

— Você não...

— Não começa com essa merda porque eu não sou um caso de caridade, ok? Eu vou pagar cada centavo do que te é devido e não estamos discutindo isso.

— Como você preferir.

— Então, nos falamos em breve.

— Você tem certeza que não quer que eu te leve em casa? Você pode buscar sua moto amanhã pela manhã.

— Eu estou bem, só cansada. Vou pegar minha moto, ir pra casa tomar banho e dormir, não se preocupe.

— Se você precisa de qualquer coisa, é só ligar. Nem que seja uma companhia pra beber ou conversar, qualquer coisa.

Leah assentiu e então desceu do carro. Era grata pela ajuda que ele estava lhe oferecendo, mas não precisaria, era mais do tipo que preferia de sofrer em silêncio e sozinha.

Sua moto ainda estava ali e seu capacete preso a ela. Colocou o capacete, pegou a chave no bolso de sua calça e colocou na ignição enquanto subia na moto. Ergueu o pé de descanso da moto e a ligou, mas antes de partir, fechou os olhos e respirou fundo.

Estava se sentindo tão estranha. Não estava triste porque agora estava solteira e traída, não sentia alegria por ter fodido o carro do porco traidor, ela não sentia nada. Talvez decepcionada – mas com Kate. Fora a isso, estava vazia e isso parecia fodidamente pior, era quase assustador.

Seu plano inicial era ir pra casa, mas precisava beber algo antes. Não podia ir ao Cullen’s então iria a outro bar que conhecia e frequentava algumas vezes.

Quando saiu com a sua moto e acelerou, ela sorriu. Aquela foi a primeira vez naquele dia de merda em que se sentiu realmente bem, acelerou ainda mais, adorando sentir a sensação de liberdade e o vento frio em seu rosto.

O bar estava vazio, o que era compreensível por ser dia da semana, mas ela estava feliz com isso. Deixou o capacete e sua bolsa jogada no chão, sentou junto ao balcão e o bartender veio lhe atender. Um cara jovem e bonito com um pano de prato sobre o ombro, usando muito lápis de olhos e apenas um colete preto de botões prateados que deixavam a mostra seus braços tatuados – tatuagens feitas por Eleazar.

— O que você está fazendo desse lado da cidade, Clearwater?

— Preciso beber, Demetri.

— Sem seus amigos?

— Claro que não, aqui também tenho amigos, chama o Johnnie, o Jack e o Jose pra mim. — disse zombeteira.

Demetri apenas riu.

— Dia ruim?

— Dia de merda. Copo pra dose dupla sem gelo e deixa a garrafa. E traz as outras também e uma vodca, todo porre que se prese precisa de uma dose de vodca.

Agitando a cabeça, Demetri lhe obedeceu e lhe trouxe quatro garrafas.

Lá estava seu velho amigo Johnnie Walker. Ela abriu a garrafa e derramou o líquido âmbar em seu copo até enchê-lo completamente. Puro e sem gelo pra bebida descer ainda mais quente. Precisava sentir alguma coisa, mesmo se fosse o calor e entorpecimento da bebida.

Ela virou o copo todo de uma vez em alguns goles grandes. Fez careta, mas engoliu todo o uísque. Sentiu-o descer rasgando e queimando até o fim, ao colocar o copo vazio no balcão, soltou uma lufada de hálito quente.

Colocou mais uísque no copo e bebeu rapidamente até metade, então abriu a garrafa de vodca e voltou a encher o copo, misturando com o resto do uísque.

— Um brinde ao chifre, meu amigo Demetri. — ergueu o copo e então bebeu tudo o mais rápido que conseguia. Novamente sua garganta pareceu ser rasgada e queimada, então tudo seu redor girou. — Oh porra!

Pousou o copo no balcão e se segurou nele, por um momento que iria cair, mas não era assim tão fraca, apenas deu risada, ainda tinha espaço pra mais. Pra muito mais então ela continuou a beber sem falar com ninguém, apenas bebeu em silencio.

Logo a garrafa de Johnnie Walker estava vazia, a de vodca estava pela metade, então ela pegou seu amigo Jose Cuervo, não poderia deixar a tequila de fora da sua festa.

— Leah, eu acho que já estava na hora de você parar.

— Eu... — ela tossiu e terminou de encher seu copo com a tequila. — Não estou te pagando pra achar nada, Demetri. Eu vou pagar tudo que eu beber então me deixa em paz.

Virou toda a bebida e precisou respirar fundo algumas vezes enquanto era aquecida completamente pelo líquido, sua garganta, seu peito e seu estômago.

Tudo girou novamente, por um segundo ela achou que vomitaria, mas então tudo se assentou e ela voltou a rir.

— Preciso beber Deme, preciso beber. Ah, Deme, sabe o que aconteceu hoje? Eu fui presa. — ela gargalhou tentando encher seu copo, mas derramou no balcão.

— O que?

— Foda-se, esse maldito copo não fica... Quieto, me dá outro copo, Demetri, essa porra tá... Quebrada. Ah, foda-se. — ela bebeu o Jack Daniels no gargalo e até se engasgou, parou de beber e tossiu com um pouco da bebida escorrendo pelo canto da sua boa, mas secou com o dorso da mão livre.

— Leah...

— Você costumava ser mais divertido antes, Deme.

Ela girou lentamente no alto banco do balcão, carregando a garrafa de Jack Daniels, mas ao se levantar, acabou tropeçando em seus próprios pés e tudo girou novamente. A próxima coisa que viu foi o chão indo em sua direção.

Caiu de joelhos e ergueu a mão com a garrafa, para que não derrubasse nada.

E quando não derrubou, ela gargalhou e se sentou no chão.

— Leah! — Demetri gritou.

Naquela altura, o bar já estava completamente vazio, então ele foi o único a ir socorrê-la.

— Jack, você está bem, Jack? — perguntou pra garrafa, bêbada. — Oh Jack, você pula, eu pulo! — beijou a garrafa e gargalhou.

Segurando a garrafa, ela se arrastou no chão até encostar as costas no balcão do bar.

— Venha Josephine em minha máquina de voar, subindo ela vai, vai subindo... — cantarolou e bebeu no gargalo, lentamente e quase vomitando, sentiu a garganta queimar e tudo girar.

— Ok, chega. Me dá isso. — abaixado na sua frente, Demetri tentava tirar a garrafa de sua mão.

— Não. Não! — Leah gritou, mas estava tão mole que nem teve forças para lutar, seus braços caíram quando ele pegou a garrafa. — Jack! Eu me sinto a Rose e esse é o final do Titanic, eu preciso... Vamos cantar Celine Dion. — e gargalhou. — Foda-se.

— Eu preciso fechar o bar e só tem você, Leah.

— Só? Porra, as pessoas não sabem mais se divertir. — ela falava arrastadamente. — Mas ok, eu... Tô indo, não precisa empurrar. Só... — fechou os olhos e respirou fundo. — Um minuto.

— Eu não vou deixar você ir embora assim, Leah. Eu vou ligar pro Sam te buscar, ok?

— Sam? Hahahahaha! Boa sorte com isso. Primeiro: não estamos mais juntos porque ele me traiu. Segundo: ele nem teria como me buscar porque eu destruí o carro dele com um taco de beisebol — ela riu e gritou: — eu fiz um touchdown! Não, calma, isso não é do beisebol, qual o nome da pontuação do beisebol? Porque eu fiz isso no carro dele. — então gargalhou até as lágrimas.

— Leah, eu preciso ligar alguém te buscar.

— Um táxi, porra!

— Não vou te deixar sozinha num táxi nesse estado.

— Você também não vai me deixar fazer nada, é nisso? Então pelo menos me traz uma bebida, porra, que bar horrível!

— Então a Kate? Posso ligar pra ela?

— Não! Eu não estou falando com essa... Vadia! — cuspiu a palavra, então fez um beicinho.

— Onde está seu celular? Eu preciso ligar pra alguém, Leah.

— Você é insuportável, porra. Meu celular tá... Na bolsa, eu acho. Não sei, eu... Tá, eu vou pensar pra quem ligar, eu... — ela deixou a cabeça cair sobre o próprio ombro, sonolenta.

— Leah? Não dorme ainda, me diz pra quem que eu ligo.

Ela tentava pensar em quem poderia lhe buscar. Estava tudo uma bagunça na sua mente e só pensava em uma pessoa naquele momento.

. . .

Jacob Black estava dormindo quando seu celular começou a tocar.

Depois de um dia cansativo de trabalho precisava dormir, só queria dormir, até porque tinha que acordar cedo pra trabalhar novamente em algumas horas, então ignorou o toque e virou pro outro lado da cama. Para seu alívio, parou.

Para seu desespero, voltou a tocar.

— Merda. — rosnou mal humorado enquanto girava na cama novamente. Esticou o braço para a mesinha de cabeceira e tateou no escuro até pegar seu celular. O brilho da tela incomodou seus olhos e bufou ao ver que era número desconhecido, mas atendeu. — Alô?

— Alô, eu poderia falar com o Jacob? Jacob Black?

— É ele, quem tá falando? — perguntou impaciente.

— Bem, você não me conhece, mas...

— Isso é algum tipo de brincadeira? Trote? Olha, não é hora pra isso ok, eu vou desligar.

— Não! É sobre Leah, Leah Clearwater, você a conhece?

— O que? — ele se sentou rapidamente. — O que sobre a Leah? Ela está bem?

— Depende do que você considera bem, na verdade. Ela está aqui no meu bar, bêbada. Muito bêbada. Ela não está em condições de dirigir e eu não me sinto confortável em deixá-la ir pra casa sozinha nesse estado em um táxi, então...

— Não mesmo. Eu... Onde fica esse bar? Eu vou buscá-la.

— Ótimo.

Quando o estranho lhe passou o endereço, Jacob disse:

— É, eu sei onde fica. Você pode ficar com ela só mais um pouco? Eu estou indo agora mesmo.

— Claro.

Jacob franziu o cenho.

— Ei cara, como você conseguiu meu número? Por que não ligou pro namorado dela ou pra outra pessoa?

— Aparentemente, eles terminaram e ela não quis outra pessoa, foi pra você que ela me mandou ligar.

— Ah. Tudo bem. Eu estou indo.

Deixando o celular na cama, Jacob se levantou em um pulo. Vestiu uma calça jeans, uma camisa preta e sua jaqueta rapidamente, colocou o celular no bolso e foi ao banheiro lavar seu rosto então quase correu pra fora do quarto. Na sala, calçou seus sapatos e pegou as chaves do carro.

Em menos de cinco minutos estava dirigindo pelas ruas vazias e escuras de Seattle. Não queria deixar Leah bêbada com aquele homem – fosse ele quem fosse – ou lhe dar a chance de voltar sozinha para casa naquele estado, então pisou no acelerador.

“Ela não quis outra pessoa, foi pra você que ela me mandou ligar”, as palavras do homem voltaram a sua mente e isso o fez sorrir. Ela tinha chamado por ele.

Semanas tinham se passado desde o encontro deles na pizzaria, o beijo e a descoberta de que era ex-noivo da Bella, desde então não tinham se falado – a não ser pelos cumprimentos por educação na noite em que Bella e Jasper foram internados, durante todo o acontecimento com Jessica –, mas ela não saíra de sua cabeça. Lembrava-se de seu jeito debochado e divertido, do seu sorriso e risada, da sua boca suja e seu corpo que o fazia pensar em fazer coisas sujas – porra, já tinha perdido a conta de quantas coisas imaginou fazer com ela enquanto tentava aliviar a tensão com própria mão em seus momentos solitários.

Desde Bella não tinha tido nenhuma outra mulher e a única que queria, não o queria de volta porque antes tinha sido noivo de Bella. Seria cômico se não fosse trágico.

Mas agora essa mulher estava solteira e lhe chamando. Talvez estivesse no meio de um porre porque tinha terminado com o Sam e estava lhe chamando para ser seu consolo, mas ele não se importava com isso. Era patético, parecia um cachorrinho indo ao ser chamado, mas realmente não se importava, estaria ali por ela. Mesmo que fosse apenas para garantir que ela estava bem, estaria ali por ela e com ela.

Estacionou seu velho rabbit 86 vermelho restaurado e desceu rapidamente, levando a chave, mas sem se preocupar em trancar o carro.

Entrando no bar logo viu Leah, ela estava sozinha sentada no chão junto ao balcão do bar, com a cabeça pendendo para o lado sobre o próprio o ombro e os olhos fechados.

Abaixou-se na sua frente e afastou o cabelo que caía sobre seu rosto, colocando a mecha atrás de sua orelha. Afagou sua bochecha, a pele estava quente e o suor brilhava em sua testa. Ela gemeu e balbuciou algo inaudível.

— Ei, Leah — a chamou carinhosamente. — Hora de acordar, sua carona chegou.

— Humm...

— Quem é você?

Jacob se virou pra voz masculina e viu o jovem tatuado lhe olhando com uma sobrancelha erguida.

— Jacob Black, você me ligou.

— Ah, sim. — ele relaxou. — Eu sou Demetri. Acho que ela teve um dia bem ruim pra vim aqui encher a cara desse jeito e não querer nenhum dos amigos de sempre pra vim buscá-la, mas ela pediu por você, então, você vai garantir que ela chegue em casa bem, certo?

— Eu vou, pode deixar. Essas são as coisas dela? — olhou a bolsa e o capacete no chão, Demetri assentiu. — Será que você pode colocar no meu carro? Coloca no banco de trás, vou sentá-la no da frente.

Enquanto Demetri obedecia ao seu pedido, Jacob voltou sua atenção a Leah.

— Leah, vamos.

Depois de insistir um pouco, ela ergueu a cabeça e abriu os olhos. Letárgica e parecendo confusa, lambeu os lábios e engoliu seco.

— Jacob? O que você está fazendo aqui?

— Oi moça. — sorriu. — Hora de ir pra casa.

— Você vai me levar? Mas você não sabe onde eu moro. — ela murmurou arrastadamente.

— Você pode me dizer, que tal? Você lembra onde mora?

— Claro que sim, eu não sou idiota. Eu só... Preciso de... Ajuda... Minhas pernas tão... Eu não sei onde tão... — ela começou a rir.

— Eu te ajudo, vem.

Com dificuldade porque ela estava mole e cambaleante, Jacob lhe ajudou a se levantar e, quando percebeu que ela não conseguiria andar até o carro, passou os braços sob os joelhos dela e a pegou no colo. Leah gritou de surpresa.

— Você é mais pesada do que parece viu.

Leah riu passando os braços ao redor de seu pescoço.

— E você é mais bonito de perto. Sua pele morena me lembra de chocolate! Eu amo chocolate! Eu quero... Lamber você. Eu posso?

— Claro. — concordou rindo.

Achou que ela estava brincando, mas então aproximou a boca de seu rosto e passou a língua em sua bochecha pra depois gargalhar, enquanto ele a carregava para fora do bar.

— Você é doce, mecânico sexy.

— Mecânico sexy, é?

— Sim! Você pode trocar meu óleo quando quiser.

Jacob riu enquanto ela continuava a rir em seu colo. Ela era adorável bêbada. Abrindo e fechando os olhos, parecendo em alguns momentos estar perto de vomitar e logo depois rindo as gargalhadas. Era difícil tirar os olhos dela e o sorriso do próprio rosto.

Demetri abriu a porta do passageiro e ficou segurando. Jacob colocou Leah em pé no chão e a guiou pra que entrasse, ela se abaixou e foi entrar, mas levantou a hora errada e bateu a cabeça, o que lhe rendeu mais um ataque de gargalhada, mas conseguiu sentar. Ele colocou seu cinto e fechou a porta.

— Obrigado por não ter a deixado ir embora sozinha. Ela já pagou tudo que bebeu? Quanto ficou?

— Leah é amiga do dono e tem conta aqui, você não precisa se preocupar com isso. Só garanta que ela chegue em casa e fique bem.

— E a moto dela? Será eu tem problema deixar aqui?

— Não, além do que tenho certeza que ela virá buscar assim que acordar, ela ama essa demais moto pra deixá-la aqui largada.

Com certeza, Jacob pensou, rindo. Já conhecia esse lado apaixonado pela moto que ela tinha e achava sexy pra caralho.

Despediu-se de Demetri, deu a volta no carro e entrou no lado do motorista.

— Leah? Leah, onde você mora?

— Eu... Não... Não quero ir pra casa sozinha. — ela choramingou, olhado pra ele, deixou a cabeça cair sobre o ombro. — Quero ficar com você. Eu quero... Você... E... Chocolate quente.

— Chocolate quente? — perguntou divertido enquanto ligava o carro.

— Sim. Tá tudo girando... — fechou os olhos. — Pega uma cerveja pra mim.

— Chega de bebida pra você. Posso te conseguir chocolate quente mais tarde e eu estou aqui, você me tem.

Mesmo com os olhos fechados, Leah sorriu preguiçosamente. E ele não pode deixar de sorrir junto decidindo leva-la para a própria casa, já que não sabia onde ela morava.

Ela dormiu o caminho todo com a cabeça em seu ombro. Estava linda, mesmo que estivesse suada, descabelada e com um filete de baba brilhando no canto de sua boca. Toda vez que parava no sinal, ele afastava o cabelo do rosto dela e sorria para a linda imagem que ela era.

Já imaginava como seria acordar com ela ao seu lado em sua cama, seu curto cabelo negro espalhado no travesseiro. Ela não parecia ser o tipo de pessoa que gostava de ser abraçada a noite toda, parecia mais o tipo de pessoa espaçosa, que se esticaria na cama, lhe chutaria durante o sono e ainda tentaria ter o maior pedaço do cobertor – diferente de Bella, ele pensou, que gostava de ser abraçada. Logo ele afastou esse pensamento, não tinha que compará-las, a única semelhança que tinham eram serem mulheres, fora a isso elas eram como vinho e cerveja – completamente diferentes. E se fosse sincero, gostava de vinho, mas cerveja era sua bebida favorita. Olhando Leah novamente, ele percebeu que adoraria lutar pelo espaço na cama com ela. E fazer outras coisas com ela na cama também.

Quando parou o carro em frente ao seu prédio, pegou a bolsa e o capacete dela, prendeu o capacete na alça da bolsa pela correia do queixo e a colocou no ombro, então abriu a porta pra tirar Leah do carro. Chamou-a suavemente e, quando ela acordou murmurando, pegou sua mão e a puxou do carro. Como estava sonolenta e com os olhos fechados, Leah bateu novamente a cabeça ao se erguer antes da hora, ela choramingou e foi para seus braços, passando os braços ao redor de seu pescoço. Segurando-a com apenas um braço, bateu a porta do carro e o trancou ativando o alarme, então a jogou sobre o ombro e subiu com ela para seu apartamento.

Ela realmente pesava mais do que aparentava, mas ele podia lidar com isso graças a todo o trabalho braçal que fazia na oficina. Segurou ela sobre o ombro com apenas um braço pra pegar a chave do apartamento do bolso e abrir a porta. Entrou, fechou a porta com o pé e trancou, deixando a chave na porta. Jogou as coisas dela no sofá e foi para o quarto.

Colocou-a cuidadosamente deitada na cama e acendeu a luz. Estava suando pelo esforço físico, tirou a jaqueta e os próprios sapatos, então diminuiu a temperatura do ar-condicionado para esfriar um pouco o quarto.

Leah estava espalhada na cama. Tirou os coturnos dela e suas meias, deixou junto à cama. E então parou sem saber o que fazer. Um banho seria a melhor opção para ela, mas não parecia certo despi-la. Não que não quisesse, não conseguia pensar em nada que quisesse mais do que vê-la nua, mas não daquele jeito, não sem o consentimento dela.

— Hum... Merda... — ela se mexeu na cama e começou a se erguer.

Jacob se apressou pra cama e segurou suas mãos, deixando-a sentada. Ela respirou fundo e abriu os olhos, confusa.

— Jacob?

— Oi. — ele sorriu.

— Eu preciso... Banheiro.

— Claro, vem, eu te ajudo.

Ele a puxou da cama e passou o braço pela cintura dela enquanto segurava o outro sobre seu ombro, então a levou ao banheiro que ficava no corredor.

Ela estava lenta e cambaleante, mas ao olhar o vaso sanitário, ela ergueu a própria blusa e tentou abrir os botões de sua calça, rosnando um palavrão ao não conseguir.

— Segura em mim, Leah. Isso, no meu ombro. — quando ela se segurou, Jacob abriu os botões da calça dela.

E pela blusa levantada Jacob encontrou o primeiro piercing dela. As duas bolinhas de prata estava na parte superior de seu umbigo, era pequeno e até discreto, mas sexy pra caralho. A pequena joia brilhava em contraste com a pele morena de sua barriga lisa, aguçando ainda mais a curiosidade dele sobre onde estariam os outros – e podia apostar que ela tinha outros.

— Tá, tá, sai. — ela o empurrou e colocou as mãos nas próprias calças.

— Eu não quero que você sofra um acidente, Leah.

— Eu vou mijar e preciso de... Privacidade. Dá o fora!

Jacob riu. Adorava sua boca esperta.

— Tudo bem, eu vou estar aqui fora, é só me chamar.

Ele saiu, ficou na porta até ter certeza de que ela estava bem – quando ela já tinha as calças abaixadas nas coxas e sentou no vaso, ele saiu de vez e encostou a porta pra lhe dar privacidade. Pelo tanto que ela tinha bebido, apostava que teria muito que liberar.

— Jacob?

— Sim, querida?

— Não me chama de... Querida. Eu... Você consegue me ouvir?

Ele riu.

— Sim, eu consigo, precisa de alguma coisa?

— Canta alguma coisa.

— O que?

— Canta. Eu não... Quero que você me escute fazendo xixi.

Jacob gargalhou.

— O que você quer que cante?

— Não sei, mas rápido, eu tô apertada.

— Ok. Hum... Que tal… She's got a smile that it seems to me reminds me of childhood memories where everything was as fresh as the bright blue sky…

— Boa escolha.

— Now and then when I see her face she takes me away to that special place and if I stare too long I'll probably break down and cry… Oooooh, oh, oh sweet child o' mine, ooooh, oh, oh, oh sweet love of mine…

Ele começou a fazer o som da guitarra da música com a boca e alto pra não parar de cantar e escutou a risada dela do outro lado da porta do banheiro.

Quando iria continuar a cantar, ela deu descarga no banheiro. Esperou que dissesse alguma coisa, mas nada.

— Leah?

Silêncio.

— Leah, eu vou entrar, ok?

Escutou o barulho da tampa do vaso e então um barulho dela, como se estivesse... Ao entrar no banheiro, ela estava sentada no chão, tinha conseguido subir sua calcinha, mas a calça ainda estava no meio de suas coxas e estava debruçada no vaso, vomitado.

Rapidamente se abaixou ao lado dela, juntou todo o cabelo dela e o segurou com uma mão enquanto esfregava suas costas com a outra. Ela vomitou violentamente e pelo barulho parecia ser apenas líquido. Pelo cheiro do vomito ela tinha bebido muito uísque e provavelmente tinha misturado com outras coisas também. Era bom se livrar de todo o álcool antes de dormir.

— Está tudo bem — garantiu enquanto esfregava as costas dela. — Eu estou aqui.

— Hummm... — ela tentou começar a falar algo e foi interrompida por mais um jato de vomito líquido.

Leah parou de vomitar com um acesso de tosse e cuspiu algumas vezes, enquanto respirava fundo. Estava exausta. O mundo tinha parado de girar, mas ainda estava enjoada e seu estômago estava tendo espasmos, como se ainda quisesse vomitar e não tivesse mais nada para expelir.

Respirou fundo mais uma vez e se afastou do vaso. Queria deitar. Não sabia onde estava, mas precisava deitar. Quando foi para trás, sua cabeça parou contra algo duro e ao mesmo tempo macio, quente, respirou fundo e gosto do suave cheiro amadeirado. Manteve-se com os olhos fechados e com a cabeça encostada onde estava. Quando sentiu dedos correr por sua testa, afastado o cabelo de sua pele suada, ela relaxou.

Onde estava? O que estava acontecendo? Seria Sam?

— Eu não sou o Sam. — uma voz masculina respondeu firme.

Tinha perguntado em voz alta? Mas claro que não a o Sam. As memórias voltaram. Sam, sua traição, a vingança, a prisão.

— Claro que você não é o Sam, eu... Terminei com ele... Porque ele... Me traiu. — ela disse naturalmente com a voz ainda arrastada pelos efeitos do álcool. — Quem é você?

— Jacob. Lembra? Eu busquei você no bar, te trouxe pra minha casa.

— Oh, claro. Jacob. Eu conheço um Jacob. Um mecânico... Sexy. Pena que... É ex da Bella. — fez um beicinho. — Aposto que ele seria melhor que o Sam.

— Com certeza, querida.

— Não me chama assim. — ela reclamou com o cenho franzido, o fazendo rir suavemente.

— Claro, me desculpa.

— Eu destruí o carro dele, sabia?

— De quem?

— Do Sam. Eu... Tudo... Um taco de beisebol... Não sobrou nadinha — ela riu. — E ai eu fui presa. E o Emmett me tirou da cadeia.

Leah continuou rindo enquanto Jacob franziu o cenho com ela deitada em seu peito. Do que ela estava falando?

— E eu briguei com a Kate, mas isso foi antes. Veja, eu sou a única pessoa que consegue destruir uma amizade, um namoro e ir presa em vinte e quatro horas, um recorde. — suspirou. — Eu... Eu quero água... E dormir...

— Vamos conseguir isso pra você então.

Abaixou a tampa do vaso e deu descarga, então lhe ajudou se levantar. Subiu a calça dela, tentando ser o mais respeitoso possível e não olhar demais – o que era difícil, como ela conseguia ser tão sexy usando uma boxer feminina? Inferno. Na pia do banheiro, fez que ela lavasse a boca e seu rosto. Molhou a mão e passou na nuca dela também, de manhã ela podia tomar um banho decente.

Levou-a pra cama e a deixou deitada enquanto foi na cozinha buscar uma garrafa de água gelada. Quando voltou, ela estava se contorcendo na cama pra tirar a calça jeans. Riu da cena e, deixando a garrafa na cama, ajudou a puxar o jeans por suas longas pernas. Sentou-a novamente e deu a garrafa pra ela, nem precisou ajudá-la, ela bebeu avidamente, como se tivesse acabado de chegar de um deserto; com tudo que tinha bebido, urinado e vomitado, ela ainda beberia muita água e depois urinaria o dobro.

Ao acabar com mais da metade da água, ela devolveu a garrafa e se jogou na cama. Subiu e se ajeitou sozinha, deitada de lado com o joelho de uma perna dobrado e a outra perna esticada.

Como ele imaginou, ela era espaçosa na cama, não pode deixar de sorrir. E como ele imaginou também, ela tinha um corpo assassino, estava com a bunda virada em sua direção e ele mal conseguia tirar os olhos dela. Aquela seria uma noite longa.

Aproveitando que ela estava dormindo, precisava tirar uma coisa a limpo. Pegou o celular no bolso e ligou para Emmett.

— Você tem a porra de um relógio em casa? Sabe que horas são?

Jacob riu.

— Quanto amor. Escuta, você tirou a Leah da cadeia?

— O que? Como você descobriu isso?

— Então é sério? Porra. O que aconteceu?

— Como você descobriu? — repetiu.

— Eu estou com ela agora. Ela estava bêbada num bar e o cara que trabalha lá me ligou pra busca-la, ela está aqui em casa.

— Droga. Ela disse que ia direto pra casa, se eu soubesse que esses eram os planos teria ficado pra garantir que ela estava bem e a levaria pra casa.

— Seria egoísmo dizer que bom que você não sabia então?

Emmett riu.

— Um pouco. Mas compreensível. Mas ela está bem?

— Sim. Só foi um porre dos grandes, ela vomitou e agora está dormindo. Então, o que aconteceu?

E Emmett contou o que sabia. Sam a tinha traído e pra se vingar ela destruiu o carro dele então acabou presa e ele iria a uma reunião com o advogado de Sam acertar um acordo pra que ela não acabasse presa.

— Puta que pariu. — Jacob ria. — Essa mulher é incrível.

— Sim, mas lembre-se de não irritá-la ou adeus rabbit.

— Claro. Vou desligar pra você dormir. E cara, obrigado por ter ajudado a Leah.

— Estamos à disposição. Acho que nem preciso falar isso, mas cuida bem dela.

— Não precisa mesmo. A gente se fala depois. — quando Emmett se despediu, Jacob desligou.

Depois de trocar de roupa, colocando um moletom e uma regata branca, Jacob subiu na cama e foi para o lado dela.

Notas finais
Os dois primeiros capítulos eram necessários apenas Jacob e Leah mas nos próximos os outros casais aparecerem e as histórias se desenrolam novamente. Aliás, um 2015 maravilhoso pra vocês. Meu presente vem a seguir...