You & Me
33 Cm :: 01
Notas iniciais
Leah batia o pé freneticamente no chão do elevador enquanto ele percorria todo o caminho até o décimo andar. Estava furiosa. Se tivesse um revólver, com toda a certeza, acabaria sendo acusada de homicídio doloso. Sorte que não tinha. Sorte de Sam que ela não tinha ou descarregaria toda a munição na cara do filho da puta.
Quando o elevador parou e sua porta se abriu, ela quase correu para fora. O prédio não era dos piores, com certeza já tinha estado em lugares piores e ele já estava acertando os detalhes da compra de seu novo e mais luxuoso apartamento, comprado com o dinheiro de seu último projeto. No andar tinha cinco apartamentos e último era o dele. Tentou abrir a porta, mas estava trancada. Procurou a chave em baixo do tapete, mas não estava. Filho da puta. Começou a socar a porta.
— Sam! — gritou. — Sam, eu sei que você está ai, abre essa merda!
Gritou várias vezes, enquanto socava e chutava a porta com ódio. Treinando para o que faria com ele.
— Sam!
— Para de gritar, porra! — uma vizinha de Sam gritou de seu apartamento. Uma vadia que odiava Leah. E o sentimento era mais do que recíproco.
— Vai se foder! — Leah gritou de volta e continuou batendo na porta.
Parou apenas quando escutou o barulho da porta sendo destrancada e então ele abriu-a. Usando apenas uma calça jeans surrada, com uma faixa da cueca Calvin Klein a mostra. Ele não tinha um abdômen definido com gominhos, mas não era um corpo de se jogar fora, mas nem isso agora chamava sua atenção. Tudo que lhe chamou atenção algum dia agora só lhe causava repulsa.
— O que está acontecendo, Lee-Lee? — perguntou com a voz arrastada de sono. — Eu estava dormindo, o que está acontecendo?
— Não me chama de Lee-Lee, filho da puta. — o empurrou e entrou no apartamento.
Jurava que ele tinha murmurado “TPM, malditos hormônios”, mas foi baixo demais pra ter certeza se não era apenas sua mente querendo que ela ficasse ainda mais furiosa. Como se isso fosse preciso. Sam fechou a porta e entrou também, e colocou seu sorriso de lado totalmente cínico no rosto. E ela conhecia aquele sorriso. Sorriso de vamos trepar.
— Tira essa porra de sorriso da cara. Você está comendo a Emily?
— O que?
— Não se faça de desentendido, Sam. — rosnou. — Você sabe que eu odeio quando você se faz de sonso.
— Leah, do que você está falando?
— Do que eu tô falando? — ela se aproximou e bateu o dedo no peito dele. — Eu tô falando do quanto você é um filho da puta cretino!
— Leah...
— Vocês ficaram rindo do quanto eu fui otária? Você me levou naquela porra da festa e me apresentou a sua amante como se fosse sua amiguinha! — Leah gritou e com toda a força que tinha no braço, sentou um tapa estalado na bochecha de Sam.
A cabeça dele foi jogada para o lado na mesma hora, colocou a mão no lugar e rosnou alguns palavrões.
— Porra! Você tá maluca, caralho?! — passou a mão no canto da boca e olhou os dedos, sangue na saliva. — Quem foi te contar essa fofoca? Foi a vadia da Kate?
Leah deu um passo para trás, surpresa. Podia apostar que aquela pergunta tinha doído mais do que o tapa que dera nele.
— A Kate, a Kate sabia?
— Foda-se. — ele rosnou e passou a mão no cabelo. — Por favor, Leah.
— A Kate sabia?! — gritou. E o silencio respondeu por ele, fazendo-a rir amargamente. — Não posso acreditar. — deu as costas pra ele pra que não visse as lágrimas que ameaçaram descer por seus olhos, respirou fundo dando alguns passos pra longe. — Não, não foi ela. Sabe quem foi? — virou-se pra ele novamente. — Nadia me contou. Aquela vagabunda me odeia, era óbvio que ela me contaria, otário. Você estava na Cabarett com ela? Na porra da balada que você vai comigo e sabe que eu tenho amigos? Eu fui atrás das fotos da noite e lá estava você atracado com aquela puta no meio da pista de dança. Você é tão inútil que nem pra me trair escondido você serve, seu bosta! — Leah gritou.
— Lee-Lee, podemos lidar com isso de maneira madura? — Sam perguntou com a voz branda. — Emily foi... Um erro. Você é a minha namorada, Lee-Lee, é você que eu amo.
Leah o encarou incrédula por alguns segundos e então gargalhou.
Deu as costas para ele novamente e caminhou para o outro lado do apartamento, um grande armário onde ele colocava as garrafas de bebidas mais caras que tinha – as importantes, já que a cerveja deixava na geladeira.
— Você é inacreditável, Sam. — disse rindo. Abriu o armário e pegou uma garrafa de champanhe, que Sam disse que estouraria quando fizesse um contrato bilionário. Segurando a garrafa, virou-se para ele.
— Leah...
— Seu imbecil de merda! — rosnou e atacou a garrafa contra a parede. Para o azar dela, ele conseguiu se abaixar.
— Sua... — ele olhou para a parede e a garrafa, agora transformada em um bando de cacos de vidros e champanhe no chão, e voltou a encará-la. — Maluca!
Ela pegou uma garrafa de vinho e atacou com fúria.
— Leah! Para com essa merda, porra! Você quer realmente isso? Causar o fim do nosso namoro?
— Eu? Seu filho da puta! — atacou outra garrafa. — Seu pau causou isso!
— Sua maluca!
— Não me chama de maluca! — começou a pegar os copos e taças, atacando no chão, transformando toda a coleção em cacos de vidros inúteis. — Se você ao menos tivesse a maldita competência de me trair escondido, seu filho da puta, otário de merda! — ela pegou a última garrafa intacta, a do vinho mais caro, a que tinha pagado mais de dez dólares e ela sabia.
— Leah... Não...
— Oh sim. — Leah sorriu debochada. — Que desperdício.
E atacou contra a parede. E escutou Sam gritar, furioso.
— Sai do meu apartamento, sua puta louca!
— Eu vou, filho da puta. — ela rosnou ofegante. — Mas saiba que isso vai ter volta. Ninguém fode com Leah Clearwater e sai assim. Se você acha que o que eu fiz foi louco, só espera pra ver o que te aguarda. Anota o que eu tô te dizendo, você tá fodido!
Saiu do apartamento o mais rápido que pode, correu para o elevador e apertou freneticamente o botão. Inferno. Fazia uma força, que nem sabia ter, para não derramar uma lágrima se quer, mas estava difícil. Estava ofegante e precisando bater em algo, quebrar algo, nunca sentira tanto ódio em toda sua vida.
E o pior daquilo tudo não era a traição de Sam, mas sim a de Kate, sua melhor amiga.
Pegou o capacete de sua moto que tinha deixado com o porteiro e saiu do prédio. Quando foi subir na sua moto, sentiu seu estômago se contorcer e o nó subir até sua garganta, correu para a lixeira na calçada e se inclinou sobre ela, então vomitou. O porteiro do prédio veio lhe perguntar se estava bem, algumas pessoas ao redor também perguntaram, mas ela os ignorou, esvaziou seu estomago até que ficou com espasmos nele por não ter mais o que vomitar. Cuspiu algumas vezes, limpou a boca com as costas da mão e foi para a sua moto em silencio.
Sentia-se em pedaços. Sentia-se caindo. Sentia-se caindo aos pedaços. Mas não cairia assim tão fácil, não por Sam. Se não podia ao menos estar inteira, não cairia sozinha. E não sem se vingar e recuperar sua dignidade ou honra antes. Sabia onde ele provavelmente estaria à noite, em seu bar favorito, um lugar arrogante e idiota, iria ter sua vingança antes que pudesse voltar a sua vida sozinha.
. . .
Leah entrou no estúdio de bodymodifications que trabalhava com Eleazar e Kate. Descobrir a traição de Sam tinha sido fodido, mas ele era apenas seu namorado, era apenas um babaca de merda. Descobrir que Kate sabia de tudo e não tinha lhe contado era a pior parte, essa sim era a pior traição de toda a história.
Tix, a recepcionista do estúdio, lhe cumprimentou quando passou por ela, mas Leah passou direto e foi para a sala de Kate. A loira tatuava as costas de um homem e ergueu a cabeça quando lhe viu.
— Preciso falar com você. Agora. — Leah disse e fechou a porta.
Esperou no corredor e alguns segundos depois Kate apareceu.
— O que aconteceu? Você sumiu do nada, Tix não conseguiu falar com você, o cliente que você...
— Quando você descobriu que o Sam estava me traindo? — perguntou direta e seca.
Kate parou com os olhos arregalados, surpresa.
— Leah...
— Quando?
— No dia da confusão do Jasper, quando ele foi baleado.
— A mais de uma semana? Você descobriu essa merda a mais de uma semana e nem pensou em me dizer?
— Não foi assim, Leah, claro que eu pensei, mas... — ela hesitou. — O momento nunca veio.
— O momento foi no segundo depois que você descobriu! — Leah gritou.
— Eu sinto muito, Leah. — Kate pediu chorosa. — O Sam disse que ia te contar, mas então tudo aconteceu, estávamos tão preocupados com o Jasper e eu não sabia como dizer sem trazer mais drama à situação então...
— Então você me deixou continuar a fazer papel de otária. — disse com a voz calma e sarcástica.
— Não! Leah, você precisa tentar me entender, como eu te contar isso? Eu fiquei sem saber como agir, eu sempre disse que o Sam era um babaca e mesmo assim você continuou com ele, fiquei com medo de você pensar que eu estava mentindo só pra te separar dele, fiquei com medo de te magoar, de você se culpar por isso, eu não sabia como lidar com essa situação.
— Você devia ter me contado! — Leah gritou novamente. — Não existia a maneira certa ou errada, existia apenas uma maneira e era você ser honesta comigo, ‘hey Leah o Sam tá te chifrando’, como a minha amiga era assim que você devia ter lidado com a situação!
— Ei! — Eleazar apareceu no corredor. — O que está acontecendo? Que gritaria é essa?
Kate olhou para ele, com as lágrimas descendo por seu rosto, então voltou a olhar para Leah.
— Eu só não queria te magoar, eu juro.
— Bem, — Leah riu sem humor. — você não fez um bom trabalho.
— Eu sinto muito. — Kate chorou.
— Sabe Kate, eu ficaria bem se tivesse sido só a traição do Sam porque ele era um cuzão e acho que até eu mesma sabia disso, o que mais dói nisso tudo, a merda mais fodida, é a sua traição. Eu queria tanto estar com raiva de você quanto estou do Sam, mas eu não consigo porque tudo que eu estou sentindo agora sobre é decepção.
Leah respirou fundo e ergueu o rosto para o teto, limpando com raiva uma maldita lágrima que desceu por sua bochecha, então deu as costas para os dois e saiu.
Passando pela recepção, ela parou olhando Tix.
— Cancela todos os meus clientes do dia e de amanhã também.
— Leah, você está bem? — ela perguntou hesitante.
— Não, mas eu vou ficar. Melhor, cancela a semana toda, eu estou saindo.
— Leah, por favor! — Kate a chamou quando já estava na porta.
— Vai pro inferno e me deixa em paz. — e saiu do estúdio.
. . .
Ela só queria que aquele dia de merda acabasse.
Passou o resto dele em sua cama, ignorando o telefone. Bebeu algumas cervejas, comeu um sanduíche e dormiu. Quando anoiteceu, ela começou a se preparar para acertar suas contas com Sam.
Faltavam quinze para as onze quando saiu de casa. De skinny jeans, uma camisa branca grafitada, jaqueta de couro preta por cima e seu coturno preto nos pés. Sem maquiagem, deixou os cabelos soltos. Não precisava de muito para fazer o que tinha que fazer. Colocou a bolsa transversal com tudo que precisava sobre o ombro e um Louisville Slugger preso nela, mesmo que ficasse com a maior parte de fora, só precisava ficar firme pra que não caísse enquanto dirigia sua moto.
A rua do outro lado da cidade era frequentada por pessoas com dinheiro e pessoas em busca de pessoas com dinheiro. Os bares, casas noturnas e hotéis ali eram caros, já tinham frequentado alguns com Sam e – particularmente – tinha os achado muito chatos, não valiam os cinquenta dólares que custava um maldito drink. Mas Sam gostava daquilo, gostava de gastar o que não tinha para se sentir no mesmo nível que aqueles ricaços, mesmo que não tivesse nem metade do que os outros. A rua estava agitada, pessoas elegantes e bem vestidas entrando e saindo dos lugares, carros de luxo estacionados, grupos conversando na rua, casais se beijando, mesmo que fosse dia da semana.
Estacionou sua moto, prendeu o capacete a ela e tirou o Louisville Slugger da bolsa, batendo o taco de beisebol contra a própria coxa levemente enquanto caminhava. Atraia olhares curiosos e maliciosos de alguns, mas seguiu andando.
Parou em frente ao bar favorito de Sam e pelo vidro da entrada o avistou. Entrou discretamente. Ele estava com Emily jogando sinuca na mesa no fundo do bar, Leah caminhou até o balcão de onde teria uma visão melhor e pediu um uísque para acompanhar.
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Carrie Underwood — Before He Cheats
Eles estavam rindo. Sam tomava uísque e Emily um drink de frutas com pouco álcool, provavelmente para que pudesse fingir estar bêbada sem perder a consciência. Ele estava atrás dela segurando um taco ensinando-a a jogar, mas claro que tirava uma casquinha.
Patético, Leah pensou. Tirou do bolso uma nota de vinte pelo uísque e colocou no balcão, ia vomitar se continuasse assistindo aquilo.
Saiu do bar e voltou à rua principal, onde os carros ficavam estacionados. Ao avistar o dele, sorriu, reconheceria aquele maldito pedaço de lata mesmo em um milhão de anos.
Um Bentley preto. Um carro caro e que ele demorou a pagar, tinha sido a primeira coisa realmente cara que ele tinha comprado, pra poder encontrar clientes sem passar vergonha com um carro velho caindo aos pedaços. Ele amava aquele carro mais do que qualquer outra coisa no mundo, agora ela tinha certeza, amava aquele carro até mais do que ela. Nunca a tinha deixado dirigir com medo de que arranhasse nem que fosse um centímetro dele. Se tivesse que trocar a mãe por ele, trocaria sem hesitar, Leah sabia disso. E sorria com essa informação, usaria um principio básico da Arte da Guerra: evite a força, ataque a fraqueza. O carro era seu ponto fraco. E era ali que ela iria atacar.
Abaixou-se junto ao carro e colocou o taco no chão junto com a bolsa. Tirou as válvulas dos quatro pneus e ouviu o barulho, eles começaram a se esvaziar. Jogou-as longe e voltou para perto da própria bolsa, tirou de dentro dela um canivete de ponta fina. Já tinha feito isso antes no carro dele quando ele fechara a porta com as chaves dentro, então não teve dificuldade de abrir a porta com o canivete. Destravou todas as portas.
— Por onde começar... — pensou em voz alta. Entrou no carro e alisou o assento de couro. Leah entendia de carros, Sam nunca a deixara dirigir aquele Bentley, mas ela entendia mais que muitos homens, mais do que o próprio Sam, pelo brilho e cheiro, apesar de estar misturado ao cheiro do perfume frutado barato que ela apostava ser Emily, de uísque e tabaco, era cheiro de couro novo. — Que pena não?
Fincou o canivete no banco de couro com força, começou a entalhá-lo. Entalhou "Leah" nos dois bancos da frente em letras de forma e grande, com dificuldade conseguiu e deixou todo rasgado. Saiu do carro e foi para os bancos de trás, entalhou "Lee-Lee", apelido carinhoso que Sam usava constantemente, neles e rasgou-os completamente ao redor. Gargalhou com a imagem dos bancos, Sam iria surtar. Dentro do porta-luvas pegou a chave reserva do Bentley que ele deixava ali. Saiu do carro e bateu as portas com violência.
— Hum... E agora, essa pintura. — sorriu.
Fechou o canivete e guardou-o no bolso e passou a chave do Bentley em toda a lateral, arranhou-o todinho. Fez círculos e escreveu xingamentos de todos os tipos, não conseguia parar de sorrir enquanto o fazia. Riscou toda a lataria em ambas a laterais, capô e traseira. Algumas pessoas assistiam ao espetáculo, confusas. Leah ficou satisfeita com os riscos e guardou as chaves no bolso para entregar mais tarde. Pegou o taco de beisebol.
— E vamos a melhor parte. — fez um malabarismo com o taco rapidamente, jogou para cima e o pegou.
Segurou o taco com as duas mãos e se afastou um pouco, bateu com toda a força no farol, que quebrou na hora. E então mais pessoas se viraram parar ver de onde vinha o barulho, batendo o taco na própria perna, ela andou até o outro lado, se preparou e quebrou outro farol. As pessoas começaram a se aproximar, tentando descobrir quem era ela e de quem era o carro, alguns filmavam e outros apenas riam.
Leah quebrou os faróis e lanternas do carro, quebrou os espelhos retrovisores e bateu no capô com força. Amassou a parte da frente e depois as laterais. Segurando o taco como uma estaca e enfiou nas janelas, trincando os vidros. Subiu no capô com cuidado e riscou o vidro com as chaves, escreveu uma frase rapidamente.
Desceu do carro e andou a própria bolsa, dentro dela pegou uma afiada faca de caça que tinha trazido, tirou a capa de couro dela e abriu um buraco nos quatro pneus, como estavam meio vazios não foi muito difícil.
— Pronto amorzinho, seu carro está como você merece. — sorriu.
Assim como seu coração, o carro estava destruído.
Todos encaravam sem entender nada, mas ao lerem a frase no para-brisa ficava óbvio que se tratava de uma vingança. Várias garotas a apoiavam (a felicitavam como se quisessem ter feito a mesma coisa com ex-namorados, mas não tiveram a coragem de Leah), alguns riam, outros estavam com pena do dono, sentimentos misturados.
Leah guardou a faca e canivete na bolsa, fechou e colocou sobre o ombro. Não se importou em pegar o taco de beisebol, com a chave do carro na mão andou de volta ao bar em que ela estava.
A fofoca do carro destruído por vingança estava se espalhando e as pessoas iam conferir, sorria com isso. Pronto, Sam, você conseguiu sua fama e sucesso.
Entrou no bar enquanto alguns saiam comentando sobre o carro. Emily estava sentada na mesa de sinuca com Sam entre suas pernas, se beijando profundamente. Leah olhava tudo com nojo. Bateu no ombro dele levemente e eles pararam de se beijar.
— Leah? — Sam perguntou confuso. Leah colocou a chave do Bentley dentro do copo de uísque. — O que... Meu carro? O que você fez com o meu carro?
Leah gargalhou e isso foi resposta suficiente.
Sam empurrou Emily e correu com a chave nas mãos para fora do bar, aquela gargalhada não podia significar boa coisa, ainda mais se tratando de Leah Clearwater. Foi seguido por Emily e Leah, que ainda ria da situação. Do lado de fora, viu várias pessoas indo na mesma direção e uma rodinha de pessoas exatamente em volta de onde tinha estacionado o carro, correu até lá e abriu espaço entre as pessoas, assim que viu o estado do carro quase desmaiou.
— Sua vadia! O que você fez com o meu carro? — agarrou os próprios cabelos com ódio. O carro estava destruído. Tinha investido muito dinheiro nele e agora estava totalmente destruído. Parou em frente a ele e viu a frase no para-brisa.
Seu carro pelo meu coração.
Com amor, sua louca ex-namorada.
Leah gargalhou enquanto ele espumava de raiva com a visão do carro. Ele não sabia se devia se aproximar ou não, apenas encarou-a com ódio.
— Você é louca? Filha da puta, eu vou te matar! — Sam esbravejou.
— Mas vem! Vem que eu vou adorar entalhar meu nome no teu rosto, igual eu fiz com o couro do teu carro. — Leah zombou. — Você destruiu meu coração e eu destruí seu carro. Não o consertou, mas me fez bem pra caralho.
— Você é louca, por isso sempre vai ficar sozinha. Sempre sozinha! Quem vai te aguentar tanto quanto eu te aguentei? Ninguém! Você diz ser mulher, age como um homem e não é nenhum dos dois, você não é nada! Nenhum homem nunca vai conseguir ficar só com você, por isso eu acabei com a Emily e por isso todo homem sempre vai procurar uma segunda opção, porque ficar com você é como ficar com a porra de outro homem e não uma mulher de verdade! — Sam gritou e começou a se aproximar, Emily se colocou na sua frente para que ele não tentasse agredir a ex-namorada.
— E você acha que ficar com você era estar com um homem de verdade, seu bosta? Destruir teu carro me deu mais prazer do que teu pau em todo esse tempo que estivemos juntos! — ela gritou de volta.
A sirene de um carro de polícia se aproximou e em segundos um policial tentou dispersar a multidão, Sam logo se soltou de Emily e foi até ele Quando o policial lhe encarou, Leah percebeu que tinha passado dos limites, mas tinha valido muito a pena.
. . .
Os filmes não mentiam, ela tinha direito a uma ligação mesmo.
E Leah quase riu quando o guarda disse isso, tanto como quase riu quando o policial declarou seus direitos e lhe prendeu em flagrante, ela segurava o riso apenas para não se ferrar mais.
Só após Sam registrar o boletim de ocorrência e ser fichada – tendo que tirar fotos e deixar suas digitais –, pode sair da pequena cela onde tinha sido colocada para dar o telefonema a que tinha direito.
Um guarda estava ao seu lado porque tinha pedido para usar o próprio celular, para pegar o número de alguém. Mas não sabia pra quem ligar. Não podia ligar para o irmão ou ele ligaria para a sua mãe e ela ficaria preocupada. Não podia ligar para Jasper que estava longe; não podia ligar para Carmen e Eleazar ou eles ligariam para Kate, certeza; e não podia ligar para Kate por motivos óbvios. Talvez Edward e Bella? Eram sua melhor opção. Mas ao se lembrar de Bella se lembrou de outra pessoa.
Mexeu em sua agenda rapidamente, tirou o telefone público do gancho e discou o número rapidamente.
Atende, por favor, atende, pensava impaciente, não queria passar uma noite naquele lugar. Depois de seis toques, ele atendeu:
— Emmett Cullen. — disse prontamente ao atender.
— Hm, ei Emmett, é a Leah, Leah Clearwater, você se lembra de mim? Do Cullen’s?
— Claro, oi Leah. Esse não é seu número, certo? Eu tenho seu número salvo, esse está desconhecido.
— Não, esse é um número público, eu... Primeiro, eu estou te atrapalhando agora? Você pode falar?
— Não, tudo bem, pode falar. O que aconteceu? Algo com a Bella?
— Não, nada com a Bella, está tudo bem, é comigo, eu... Merda, cara, eu preciso te pedir um favor, um favor seu como advogado, mas eu vou pagar pelo seu serviço, claro.
— Não se preocupe com me pagar, pelo amor de Deus, o que você precisa? Algum aconselhamento?
— Na verdade, eu preciso da sua ajuda aqui na delegacia.
— Delegacia?! Leah, você está bem? Você está ferida?
— Não, eu só fui presa e eu preciso da sua ajuda pra me tirar daqui.
— Você feriu alguém?
— Eu não feri ninguém. Não fisicamente. — riu lembrando-se da situação. — Estou sendo acusada de danos materiais e qualquer merda do tipo, eu preciso de ajuda, será que você pode me ajudar?
— Claro, eu estou indo, avise que seu advogado está chegando e não diz absolutamente nada, estou chegando, você me explica direito essa história quando eu chegar ai. Em qual delegacia você está?
— Emmett, você precisa manter segredo sobre isso, não quero que ninguém saiba.
— Nem...
— Ninguém. — o interrompeu firme. — Ninguém. Existe sigilo cliente e advogado igual médico e paciente? Eu quero isso.
— Como você quiser. Agora me passa o endereço.
Após falar o endereço e se despedir agradecendo, Leah respirou mais aliviada e colocou o telefone no gancho.
O guarda a levou de volta a cela sem tocá-la. Não tinha nenhuma policial mulher, então ela não podia ser revistada por um homem, apenas a colocou em uma pequena cela sozinha. Ela sentou no banco duro, encostando as costas na parede e os pés sobre o banco, dobrou o joelho e os abraçou contra o peito, apoiando a cabeça neles. Queria sair dali e voltar pra casa, tentando não chorar, esperou Emmett chegar.
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