You Found Me
8 Hell
Ethan realmente foi embora e eu acabei voltando a ser aquela garota que eu era antes de Luke. Esquisita, antissocial e comum. Meus cabelos estavam quase completamente loiros, apenas algumas mechas azuis se encontravam entre meus fios. Estava ficando cada vez mais magra. Eu havia parado de beber, mas agora eu fumava.
Parei de beber por Luke, comecei a fumar por Ethan. Que linda, Hannah. Cigarros são mais difíceis de conseguir por ser menor de idade, bebida sempre foi mais fácil. Ethan se fora fazia mais de um mês. Toda semana eu ia até a esquina da primeira com a Amistad, o nosso ponto de encontro, na esperança dele estar lá esperando por mim. Mas ele nunca estava.
Violet começara a apresentar sinais de depressão. Fraca. Eu sempre tive mais chances de desenvolver uma depressão, muito mais chances que ela. Isso por que papai nem estava morto, mas isso não vai demorar muito tempo. Violet não trabalha, quem sempre sustentou a casa fora papai. Por ter sofrido um acidente no trabalho, o governo nos dá uma pensão que mal dá para pagar a conta de energia.
Estávamos indo à falência. O próprio hospital já estava ameaçando desligar as máquinas de papai. Mais eles não podiam fazer isso. Simplesmente não podiam. Era errado, eu sempre implorava para eles não desligarem as máquinas. Implorava para darem mais uma chance ao meu pai, mas ele simplesmente não colaborava. Ele não levantava repentinamente para me dizer que estava tudo bem. Por que não estava. Nada estava bem.
Eu havia acabado de abrir a última carta que o hospital havia mandado. Pagamento atrasado, de novo. Estavam ameaçando desligar as máquinas de meu pai em uma semana. Isso é simplesmente ridículo, toda essa coisa de aqui nos EUA não ter hospital público e coisa do tipo.
Não sei o que se passou em minha cabeça, só sei que tentei ligar para Ethan. Ele não atendeu. Tentei de novo e deu na mesma coisa. Provavelmente ele estava curtindo sua nova vida em Oxford. Provavelmente tinha até mesmo se esquecido de mim.
Joguei a carta em um canto qualquer e saí. Fui até o local que já fora ponto de encontro entre mim e Ethan uma vez. Me sentei no meio fio e fiquei lá, fumando. Passei quase o dia inteiro ali, estava começando a escurecer quando eu resolvi voltar para casa.
Abri a porta e para minha surpresa Violet estava sentada no sofá e com uma visita. Uma mulher. Ela era da mesma altura que eu, seus cabelos loiros eram lisos e alcançavam os ombros com um corte reto perfeito. Usava também uma roupa social, parecia que acabara de sair de uma reunião. Seus olhos azuis me fitaram por trás dos óculos.
É mais que óbvio que reconheci Jennett, ela não havia mudado muito. Além de que ela era super parecida comigo. Era simplesmente impossível não reconhece-la.
— Hannah, querida, como você está diferente – Ela diz, se levantando do sofá. Encaro-a com desprezo e continuo parada em frente a porta da sala.
— O que está fazendo aqui, Jennett?
— Eu sou sua mãe, tenho o direito de visitá-la, não?
— Perdeu esse direito quando se mudou para Tóquio onze anos atrás.
— Você está tão linda! Ficaria ainda mais linda sem essas coisas coloridas em seu cabelo e sem esses furos na cara.
— Impossível. Aí toda vez que me olhasse no espelho me lembraria de você – Retruco e Jennett caminha em minha direção, abraçando-me.
— Você está fedendo a cigarros, Hannah – Ela afirma, depois de se afastar, com uma careta.
— Fala logo, o que você quer? – Corto-a.
— Eu fiquei sabendo da situação de vocês, Violet me contou tudo. Vim aqui lhe fazer uma proposta, Hannah – Ela começa, voltando a se sentar no sofá – Agora eu tenho boas condições financeiras e posso bancar o seu pai no hospital. Eu pago as contas dele no hospital e você vem comigo para Tóquio. Ou se quiser continua aqui, mas eu não vou bancar os dias dele no hospital.
Do que adiantaria ela pagar a estadia de meu pai no hospital se eu estivesse do outro lado do mundo sem poder vê-lo? Simplesmente não fazia sentido. Por que ela queria que eu voltasse a morar com ela logo agora?
— Vou ficar aqui nos Estados Unidos por mais uma semana, você pode pensar a respeito se quiser – Ela concluiu, pegando sua bolsa e seguindo em direção a porta.
Após Jennett sair Violet me encara, como um pedido de desculpas. Ignoro-a e sigo para o meu quarto. Ligo o rádio e coloco em um volume alto o suficiente para não conseguir ouvir meus próprios pensamentos. Uma música qualquer da banda The Fray tocava. Acendi meu último cigarro do dia e tentei ligar mais uma vez para Ethan.
Nada, nada e nada. Perdi as contas de quantas vezes eu tentei ligar para Ethan naquela noite. Pela manhã fui até uma farmácia e comprei uma nova tinta para cabelo. Cinco dias se passaram voando e eu ainda nem havia parado para pensar sobre a proposta de minha mãe. Não havia mais motivos para eu continuar em Sparks de qualquer jeito.
Era uma terça-feira à noite e chovia bastante. Amanhã era o grande dia. O dia em que eu daria a resposta para minha mãe. Em Tóquio em começaria uma nova vida. Eu só não sabia se queria ir. Fui até o hospital para me despedir de papai. Passei umas três horas ali.
Após sair do hospital passei em uma distribuidora de bebidas e comprei uma garrafa grande de uísque barata. Senti um déjà vu. Eu conhecia aquele lugar, já estive ali, uns três ou quatro meses atrás eu acho. Quando eu vi Ethan pela primeira vez.
Entrei no carro de Violet apressada. Abri a garrafa meio desesperada e tomei o primeiro gole. Só sei que depois disso eu chorei, e não foi pouco. Eu chorei por tudo. Estava segurando essas lágrimas desde que Ethan conheceu o Heath.
Ainda chovia muito e eu já havia secado metade da garrafa quando resolvi sair do lugar. Fui para casa e apenas estacionei o carro lá. Saí do carro meio tonta e não demorou muito para que eu ficasse encharcada por causa da chuva.
Não sei por que uma esperança surgiu em mim — talvez por que eu estivesse muito bêbada -, só sei que fui andando embaixo de chuva até a esquina da primeira com a Amistad.
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