You Found Me

9 Nightmare


Apertei meu casaco em volta de meu corpo, afinal, eu estava de short e a chuva estava começando a me deixar com frio. Minha tentativa de me aquecer foi falha, é claro, eu estava molhada demais para conseguir me esquentar.

Eu estava sendo otária em ter esperança. Ethan nunca conseguiria sair de Oxford e vir até Sparks, eu estava sozinha. E eu estava certa. Ethan não estava ali. Me senti sozinha novamente. E não era como quando Ethan foi pra Oxford, era pior, quase como quando Luke morreu. Sentei na calçada e chorei. E não voltei para casa, permaneci ali, sentada na calçada, chorando até o amanhecer.

Quando acordei percebi que ainda estava na calçada. Minha cabeça doía muito e minhas costas também – talvez por que eu tenha dormido no chão. Fui para casa a pé. Minhas roupas ainda estavam úmidas e meu cabelo também. Entrei em casa e Jennett já estava ali, sentada no sofá.

— O que aconteceu, querida? – Pergunta ela, se referindo a minha aparência. Molhada, suja e com a cara meio amassada.

— Nada.

— Já pensou na minha proposta? – Ela pergunta calmamente, pronunciando as palavras quase que com cuidado.

— Eu vou com você – Respondo e ela se levanta sorridente.

— Que ótimo, eu sabia que você faria a escolha certa – Ela fala e me abraça. Eu não havia dado a ela o direito de me abraçar, mas ela o fazia do mesmo jeito – Nós partimos amanhã antes do almoço, tudo bem por você?

— Claro – Digo e dou um sorriso amarelo.

— Eu vou resolver uns últimos negócios aqui hoje, se quiser pode ir arrumando suas coisas – Ela me diz e eu concordo com a cabeça.

Após Jennett ir embora não me resta muita coisa para fazer, apenas sigo para o meu quarto para arrumar minhas coisas. Jogo algumas roupas em uma mala e alguns sapatos também. Em meio as roupas coloco o porta retrato com a foto de mim com Luke. Passo os dedos sobre a imagem de meu amigo loiro, sentindo uma nostalgia.

Eu não tinha nada de Ethan. Nenhum presente, nenhuma foto. Nada. Agora o moreno era apenas uma lembrança. Uma tristeza repentina bate e algumas lágrimas escorrem por minhas bochechas. Enxugo as lágrimas com a manga de minha blusa de frio e volto a “arrumar” minha mala.

Fecho a mala após terminar e me jogo na cama. Passo o resto do dia ali, encolhida em baixo das cobertas. Pego o meu celular e coloco-o ao meu lado. Parabéns Hannah, você é uma trouxa em esperar uma ligação dele. Ele esqueceu de você, não quis atender suas ligações e muito menos vai retornar a te ligar. Provavelmente já até conheceu outra Hannah lá em Oxford e te esqueceu. Se brincar essa nova Hannah é muito mais bonita e menos problemática que você, sua babaca. Talvez o nome dela seja Zoey, afinal, Zoey é um nome muito mais legal que Hannah.

Era o finzinho de tarde quando resolvi tomar um banho. Limpei todas as impurezas de meu corpo e quando saí resolvi colocar um vestido. Eu me lembro a última vez que usei um vestido. Ele era todo pomposo e azul marinho, foi na noite do acidente com Luke. O de hoje é básico, é preto e liso, segue até uns dois dedos acima de meu joelho. Coloco uma blusa de frio por cima, já que o tempo aqui em Sparks é meio frio. Calço também meus tênis e penteio meus cabelos que ainda estão úmidos.

Pego o carro de Violet e sigo até a antiga casa de Ethan. Não sei por que, mas sinto como se precisasse me despedir de Thomas e Richard. Na verdade, apenas de Thomas. Richard sempre foi muito caladão e nunca realmente conversou comigo, é como se Thomas fosse a mulher da relação. Quem atende é Thomas, como sempre.

— Hannah, há quanto tempo! – Ele exclama e me puxa para dentro, me abraçando logo em seguida.

— É, eu meio que me afastei de tudo e de todos nos últimos meses.

— Tem notícias de Ethan?

— Não. Tentei ligar para ele algumas vezes, mas ele não atende. Acho que ele se esqueceu de mim – Respondo, encarando-o. Não sei por que, mas meus olhos logo se enchem de lágrimas. Eu realmente sentia falta de Ethan.

— Não, querida, ele nunca se esqueceria de você – Thomas diz, ainda me abraçando – Ethan te amava, Hannah. E é muito difícil de se esquecer de alguém que se ama.

— Não tenho tanta certeza, Thomas. Ethan estava muito obcecado com a ideia de ter uma “família”.

— Eu sei. Enfim, venho aqui por algum motivo especial? – Ele pergunta, me levando em direção ao sofá, onde nos sentados.

— Vim me despedir, Thomas. Eu estou indo morar com minha mãe em Tóquio. Meu voo sai amanhã.

— Que pena. Parece que a vida apenas quer distanciar vocês dois. Chega a ser estranho, eu realmente pensei que vocês eram um par perfeito.

— Claro, tão perfeito que se distanciou depois de quatro dias – Ironizo.

— É sempre assim, querida. Começa com uma amizade, aí vem a primeira briga e os dois se distanciam e logo surge um sentimento maior. É como uma atração o que vem depois. Até comigo foi assim – Ele diz.

— De qualquer jeito, já está escurecendo. Acho que já vou indo – Eu respondo, me levantando e arrumando de leve minha saia.

— Você fica bonita de vestido, deveria tentar mais vezes. Aposto que Ethan iria adorar.

— Obrigada, Thomas. Foi bom te ver, vou sentir muito a sua falta – Falo, abraçando-o.

Logo após de me despedir de Thomas eu volto para casa. Chove levemente e está começando a escurecer, não que eu me importe, é claro. Jennett está no centro da sala, andando de um lado para o outro, falando no seu celular.

— O que aconteceu? – Pergunto, jogando as chaves do carro sobre o balcão da cozinha. Jennett desliga o celular e me encara.

— Nosso voo foi adiantado, estaremos dentro do avião em quatro horas. Temos de ir agora para o aeroporto, pegue suas malas que eu vou lhe esperar no carro.

É claro que obedeço. Subo para o meu quarto e em poucos minutos desço as escadas, arrastando minha mala. Coloco minhas coisas dentro do porta mala do carro de Jennett e o fecho. Estava prestes a entrar no carro quando Violet aparece na porta de casa. Ela está com um telefone na mão e chora desesperadamente.

— Violet, você está bem? – Pergunto, me aproximando de minha madrasta.

— Seu pai... Ele... – Ela começa com dificuldade por causa do choro – O hospital acabou de ligar. Seu pai teve uma parada cardíaca.

— O que? – Grito. Eu olho desesperada para Jennett, sem saber muito o que fazer – Nós não vamos para o aeroporto. Adie a viagem, eu vou para o hospital agora.