You Found Me

2 Between Barbies and Cigarettes


Notas iniciais
Então... O que dizer sobre o último capítulo? Desapontante, eu diria. Tive poucos acessos, confesso, mas sei que por ser uma fiction original é mais difícil, por isso não irei desistir tão cedo. Algumas pessoas estão acompanhando, isso significa que há alguém lendo. Peço mais uma vez, por favor, se está a ler esta história, comente, dê algum sinal de vida. Não deixe a fic morrer tão cedo. Anyway, para mim, este foi o capítulo mais clichê da história e eu não gosto muito dele, mas talvez sua opinião seja diferente da minha, então... Boa leitura!

O sol que entra pela janela incomoda meus olhos e faz com que eu desperte rapidamente. Pego meu celular ao lado da cama e olho as horas. Ótimo, acordei cedo e agora tenho de ir para a escola, maldita seja Sparks. Minha cabeça dói e não me lembro nada da noite anterior, que bela maneira de conhecer a cidade, Hannah. Caminho em meio aos tropeções até o banheiro e começo minha higiene.

Não consigo olhar em meu reflexo por muito tempo sem sentir nojo de mim mesma. Antigamente eu era apenas mais uma norte americana comum, com cabelos entediantemente loiros e lisos, olhos azuis, pele pálida e salpicada por algumas sardas. Luke fez com que meu lado “rebelde” aflorasse. Quando o conheci, queria ser como ele. Por isso, logo coloquei piercings. Sim, daqueles de “bolinha”, dois, logo embaixo de minha boca. Depois comecei a pintar também meus cabelos de azul, a sensação de chamar atenção pela cor do cabelo era simplesmente fantástica.

Eu até era bonita antigamente. Agora não mais. Meus olhos azuis estão destacados por enormes e escuras olheiras e também estou terrivelmente magra, o que contribuí para o meu visual de doente. Meus lábios estão ressecados e descascando. Meu cabelo continua azul, mas está levemente desbotado e com algumas mechas loiras, além da raiz naturalmente loira aparecendo.

Escovo os meus dentes rapidamente e pego do armário uma garrafa de Jack Daniels, dando um gole direto do bico. Nada melhor como curar a ressaca bebendo novamente logo pela manhã. Tudo em memória ao Luke, é claro. Troco de roupas e enfio alguns cadernos e canetas dentro de minha velha mochila de couro. Passo direto pela cozinha e nem me dou o trabalho de cumprimentar meu pai ou Violet, apenas sigo em direção a escola.

Não demora muito para que eu chegue à escola. É uma construção antiga, de paredes brancas, com um pátio enorme na frente. No pátio, há alguns bancos de madeira e uma fonte no centro, além de algumas árvores frutíferas em volta. Vários adolescentes estão separados em grupos e conversam pelo pátio, não dou muita importância já que tenho de chegar logo à secretaria para pegar meu horário.

— Oi, você é a aluna nova? – Pergunta uma garota surgindo em minha frente.

Ela é alta e bonita. Sua pele é levemente bronzeada e seus cabelos são dourados e compridos, além de perfeitamente lisos. Seus olhos são azuis e ela usa uma maquiagem leve, a garota parece mais uma Barbie. Atrás dela estão outras duas garotas, aparentemente gêmeas. As duas são um pouco mais baixas que a Barbie e têm a pele morena, com cabelos lisos e escuros. Com traços de indianos.

Ignoro a Barbie e as gêmeas e sigo em direção a escola. Preciso pegar logo o meu horário e aquelas três apenas iriam me atrasar. Logo na entrada já é a secretaria, eu acho. É apenas uma bancada comprida, do outro lado há um computador, algumas impressoras e uma cadeira de rodinhas. Uma mulher (Provavelmente a secretária) atende um garoto. A secretária aparenta ter cerca de trinta anos, com a pele pálida e cabelos ruivos presos em um alto e apertado coque.

— Prontinho Ethan, aqui está o seu horário e as chaves de seu armário – Ela diz, entregando ao rapaz um papel e um par de chaves.

O rapaz pega os itens da mão dela e se vira, de forma que posso ver o seu rosto. Ele me é estranhamente familiar. Ao me ver ali ele abre um belo sorriso e segue em frente, pelo longo corredor. Não entendo o motivo desse seu ato, me aproximo da bancada onde a mulher ruiva espera para me atender.

— Você é a outra novata, certo? – Pergunta ela – Meu nome é Anne, pode me procurar quando precisar. Preciso de seu nome para que eu possa pegar o horário.

— É Hannah Lankford.

— Muito bem, Hannah. Aqui está seu horário e as chaves de seu armário – Ela diz, me entregando um papel e um par de chaves, nas chaves tem um pequeno papel grudado com o número 1447.

Minha primeira aula era de inglês e não posso dizer que aprendi muita coisa, pois dormi a aula inteira. As outras duas aulas foram exatamente da mesma maneira. Finalmente a hora do almoço havia chegado e os alunos ficavam no pátio dos fundos onde havia a cantina. O pátio era igualmente aberto e com algumas mesas de concreto com bancos de plástico, havia duas cantinas, nos lados opostos do pátio.

Peguei uma bandeja e fui me servir. A comida não aparentava ser ruim, mas era bem simples, de fato. Havia alguns sanduíches naturais, algumas maçãs e bananas e algumas opções de suco, além de garrafinhas d’água. Coloquei um sanduíche, uma maçã e uma garrafa d’água em minha bandeja e me sentei em uma mesa vazia.

Dei uma mordida em minha maçã e comecei a observar as pessoas ao redor. A Barbie e as gêmeas estavam brigando com um cara do outro lado do pátio por ele estar fumando em lugar inadequado. Isso estava apenas errado. Uma pessoa pode fumar onde ela quiser, desde que o local seja aberto e o pátio era definitivamente aberto. Dei mais uma mordida em minha maçã e joguei-a dentro da bandeja, deixando-a de lado e caminhando em direção aos quatro.

Percebi que não era um aluno qualquer com quem a Barbie brigava. Era aquele cara que me parecia familiar, que sorrira para mim na secretaria. Era o tal Ethan. Não sei por que senti como se tivesse uma dívida com o moreno, apenas sei que caminhei até eles e me pus entre o garoto e a Barbie.

— Ei, ele está apenas fumando, qual é o seu problema? – Digo, afastando-a um pouco com meus braços esticados.

— Qual é o meu problema? Esse cara simplesmente está fumando em local público. Isso é proibido por lei, além de que essa merda mata.

— A lei diz apenas que é proibido fumar em local público fechado ou semifechado. Que eu saiba o pátio onde estamos é totalmente aberto, portanto – Dou uma breve pausa e pego o cigarro de Ethan. Dou uma longa tragada e sopro a fumaça lentamente no rosto da loira – é permitido fumar.

— Sua cadela, quem diabos pensa que és? – Grita a Barbie e uma das gêmeas a puxa pelo braço.

— Vamos Lindsey, é melhor a gente sair daqui.

— Isso mesmo Lindsey, é melhor vocês saírem daqui – Repito para ela e me sento ao lado de Ethan, devolvendo-lhe o cigarro.

As três se afastam e eu reclamo internamente por ter deixando minha comida na mesa. Ethan apenas leva o cigarro novamente a sua boca. Me sinto meio incomodada ao seu lado, afinal, ele provavelmente sabe quem eu sou, mas eu não me lembro dele. Hannah, Hannah, parece que você acabou de descobrir onde esteve na última noite.

— Por que me ajudou? – Pergunta ele, me encarando.

— Eu não gosto de pessoas como Lindsey, e senti como se eu tivesse uma dívida contigo. Agora estamos quites.

— Legal. Você também não é daqui, né? Tens o sotaque diferente, todo mundo aqui fala como caipira, sei lá.

— Jura? – Questiono, sorrindo para ele. É a primeira vez que sorrio para alguém depois do acidente com Luke – Chuta aí, de onde achas que eu sou?

— É quase do mesmo jeito que eu falo, mas com sotaque americano. É urbano, mas de alguém que teve convivência com a praia.

— Sou de Clearwater, você é australiano, né? Eu chutaria Oxford já que pessoas de Sidney são mais bronzeadas.

— Quase. Port Fairy, é uma cidade pequena, perto de Oxford. Clearwater é na Florida?

— Sim. Eu sinto falta de lá, você sente falta da Austrália?

— Não muito, Estados Unidos parece ser muito mais interessante – Ele me responde, com um sorriso galanteador estampado em seu rosto, apenas arqueio uma sobrancelha em resposta – Por que se mudou para Sparks?

— Alguém muito próximo de mim e que eu amava muito morreu e meu pai pensou que continuar em Clearwater poderia me trazer uma depressão. Por isso viemos para Sparks, e você?

— Meu pai conseguiu um emprego novo aqui, um bem melhor do que o que ele tinha em Port Fairy, por isso nos mudamos.

— Legal. Faz quanto tempo que você fuma?

— Desde os meus quatorze.

— Por que você fuma?

— Digamos que minha social é uma merda. – Ele responde, dando de ombros e eu abafo uma risada, até parece que a vida social dele não era boa.

— Sério? Acho meio difícil alguém como você dizer que sua vida social é uma merda. Fala sério, você é legal e bonito. Ninguém zoaria alguém como você.

— Então isso significa que me acha bonito? – Ele pergunta com um sorriso malicioso – Digamos que eu era zoado por causa de minha família.

—Zoado por causa de sua família? Como assim?

— Por que não vê com seus próprios olhos?

— Está me chamando para ir a sua casa? – Questiono, arqueando uma sobrancelha. Ele estava prestes a me responder quando o sinal toca, anunciando o fim do horário de almoço.

— Pode considerar isso como um sim, hoje você vai embora comigo.