You Found Me
3 Ethan's parents
Notas iniciais
Mais quatro aulas. Horas de tortura. Por quê, nós jovens temos de vir para a escola? É simplesmente horrível, o pior dos castigos eu diria. Seria muito mais simples nos amarrar em uma cadeira em uma sala vazia, sem nada para fazer. Saí para o pátio da escola e Ethan já estava ali, apoiado em uma moto escura, mexendo em seu celular. Me aproximo dele e ele levanta o olhar, me encarando. Lançando-me um sorriso ele se senta na moto e me estica um capacete.
Prendo meu cabelo em um coque e coloco o capacete, sentando-me logo atrás de Ethan. Luke, antes de ter um carro tinha uma moto e eu andara com ele algumas vezes na moto. Enfim, não é bom eu ficar lembrando de Luke, simplesmente não é saudável. Acho que eu deveria ouvir as dicas de meu pai e tentar uma nova vida aqui em Sparks.
A viagem de moto da escola até a casa de Ethan não demorou muito. Ele morava em um bairro de classe média não muito perto da escola. Era um sobrado de cor marrom escuro e branco, com um pequeno jardim bem verde na frente, ele parou a moto na calçada da casa e nós descemos. Entreguei-lhe o capacete e ele procurou em seus bolsos pela chave da casa enquanto eu apenas analisava o local.
Caminhamos até a porta sem pronunciar uma palavra sequer. Ethan destrancou-a e me deu espaço para entrar primeiro. A sala era mediana na questão de espaço, com dois sofás de um tecido escuro que parecia couro no centro, no chão havia um tapete que parecia de estampa persa e uma das paredes era vermelha, com a TV ali.
Em um dos sofás havia dois caras que mais ou menos quarenta anos. Um deles era alto e forte, com o cabelo meio curto e uma barba por fazer, além de ter olhos escuros. O outro, era menor e mais magro também, sem muitos músculos, tinha um cabelo bastante escuro e levemente rebelde, além de olhos verdes.
— Ethan, você chegou! Já, fez novas amizades como posso ver. Qual é o seu nome, querida? – Pergunta o cara mais magro, se levantando e vindo em minha direção.
— É Hannah, senhor.
— Não me chame de senhor, por favor. É apenas Thomas, e aquele ali sentado é Richard.
— Ela já entendeu, pai. Estamos indo para o meu quarto, ok? – Interrompe Ethan, me puxando pelo braço em direção às escadas.
No fim das escadas há um pequeno corredor com cinco portas, Ethan continua me puxando pelo corredor e entra na última porta. Seu quarto é maior que o meu. Com paredes brancas e uma cama de solteiro de edredons escuros, em frente a cama há um guarda roupas de cor marrom claro e do outro lado do quarto há uma mesa de computador da mesma cor do guarda roupas. Há também uma cadeira de rodinhas no meio do quarto (Provavelmente é da mesa de computador) e ao lado da mesa, há uma porta que provavelmente dá para o banheiro.
Ethan fecha a porta do quarto e se joga na cama. Eu não tenho muita reação, apenas fico ali em pé encarando-o.
— Então... Ethan, você é adotado? – Não consigo segurar a pergunta.
— Sim. – Ele responde, sentando-se direito na cama e me encarando.
— Você era zoado por ser adotado por um par de homossexuais?
— Sim.
— Que ridículo! Ninguém te defendia lá? Sério, em todo lugar existe alguém para se revoltar com esse tipo de injustiça.
— Em Port Fairy todos eram uns babacas, não havia ninguém que salvasse aquele lugar.
— Que pena. Ei, eu estava pensando, eu conheci seus pais. Agora você tem que conhecer os meus, sabe? Para ficarmos quites.
— Conhecer seus pais? Parece até que a gente está em um relacionamento – Ethan diz, com um sorriso no rosto.
— Não! – Eu grito e lhe empurro de leve, em um tom de brincadeira – Se meu pai te conhecer provavelmente ele vai achar que com um amigo eu tenho menos chances de desenvolver depressão e aí eu vou ficar mais livre para fazer o que quiser.
— Isso quer dizer nossa amizade é uma questão de interesse?
— Não, definitivamente não. E... Espera! Ethan, eu tenho que ligar para o meu pai! Ele deve estar que nem louco, provavelmente deve achar que eu me suicidei, fugi de casa ou algo do tipo – Eu falo rapidamente, tirando meu celular do bolso de minha jaqueta, já ligando para o meu pai.
Digamos que meu pai demorou um pouco para ingerir a ideia de que eu já havia feito um amigo e que eu estava na casa dele. Apesar de ter demorado para acreditar nisso, ele simplesmente amou Ethan sem nem ao menos ter o conhecido pelo simples fato de que podia me tirar da depressão (Não existente).
— E aí, conseguiu convencer o seu pai de que você ainda não tentou um suicídio? – Pergunta Ethan ironicamente.
— Sim, e eu acho que meu pai já tem um certo amor platônico por você.
— Como assim?
— Ele acha que você e essa nossa amizade pode me tirar da depressão, sim, aquela depressão que não existe. Portanto, ele já te adora.
— Legal. Ei, onde você mora?
— Uma rua atrás da Amistad, por quê?
— Para que eu saiba qual caminho eu devo pegar amanhã quando estivermos indo para sua casa.
— Então amanhã eu vou embora com você, de novo?
— Não apenas amanhã, Hannah.
— Nossa, isso soou tão gay, Ethan.
— Acho bom que tenhamos nos conhecido. É claro, ignorando o fato de a primeira vez que eu te vi você estivesse bêbada e chorando horrores na beirada de uma ponte – Ele comenta, com um sorriso no rosto.
— Até parece que você nunca sonhou em conhecer uma menina de cabelo azul bêbada e chorando em uma ponte.
— Ah, é claro. Até por que esse é sonho de todo garoto. Está escurecendo – Afirma ele, olhando pela janela -, quer que eu te leve em casa?
— Com certeza.
— Então vamos.
Ethan me puxa pelo braço escada abaixo, Thomas e Richard estão sentados na mesa de jantar conversando. Thomas digita distraidamente em um notebook e Richard está com algumas fotos em suas mãos.
— Estou indo levar Hannah em casa, ok? – Diz Ethan para os dois.
— Claro, querido. Hannah volte sempre que quiser! – Diz Thomas, lançando-me uma piscadela – E eu adorei o seu cabelo.
Sussurro um agradecimento enquanto Ethan me empurra para fora de casa, ele põe o seu capacete e me estica o outro. Prendo novamente meu cabelo em um coque e coloco o capacete, sentando-me logo atrás de Ethan na moto.
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