— Tem certeza que não quer que eu pare em frente a sua casa?

Jareth me levou pra casa de carro, mas pedi pra ele parar alguns metros antes, para não correr o risco de meus pais darem de cara com ele, sendo que o combinado era dormir na casa da Iman.

Alias, como será que a Iman se virou na noite passada?

— Certeza absoluta. — puxei o pulso dele para ver o relógio e já passava das 14h30. — Tenho que me preparar para a enxurrada de perguntas de como foi a festa, se dormi na casa da Iman, se eu te vi por lá e etc etc etc.

— Seus pais gostam quando você sai daquele quarto pra se divertir, então com certeza eles estarão bem felizes em te ver chegando a essa hora. — ele sorriu.

— É, tem razão. — suspirei, eu não queria sair do carro e deixar Jareth ir, pois eu sabia que ver ele de novo agora não tinha hora nem data marcada. — Manda noticias?

— Claro! — Jareth puxou meu rosto e nos beijamos, doce e calmo. — Se cuida!

— Você também, cuidado no Reino.

Sai do carro e fui caminhando até em casa, Jareth ainda parado, me esperando entrar, para então sair e voltar para casa. Pra qual delas?

Mal abri a porta e já ouvi a voz do meu pai:

— Quem diria que um dia eu veria a minha filha desagarrar dos livros e chegar em casa no dia seguinte à tarde, depois de uma festa a fantasia?

Revirei os olhos e tentei não me importar.

— Como foi a festa, querida? — meu pai deu um beijo demorado na minha testa. — Divertiram-se?

— Sim, estava ótima, pai! Dancei até ficar com o corpo todo dolorido. — ri da minha mentira. — E a Irene e o Toby?

— Estão na cozinha, ele está ajudando a Irene a fazer um bolo.

— Bom, vou tomar um banho e descansar um pouco.

Subi correndo as escadas, indo direto pro banheiro, atirando o vestido no chão e deixando a água quente cair no corpo, numa tentativa falha de diminuir as dores.

Meu pensamento logo se voltava pra noite anterior, cada minuto ao lado do Jareth vinha à mente como pequenos flashbacks. Foi tudo tão perfeito que a espera valeu a pena, e de uma maneira muito estranha, eu me sentia mais confiante, mais certa de que a minha felicidade é ao lado dele.

Sai do banheiro enrolada na toalha e tomei um susto quando vi Irene sentada na minha cama, mãos e pernas inquietas.

— Que susto, Irene!

— Desculpe, não era a minha intenção. — ela levantou e fechou correndo a porta do meu quarto. — Como foi a festa?

— Muito boa, nos divertimos bastante.

— E onde você dormiu?

— Na casa da Iman, onde mais? — ela encarava meus olhos e eu não estava gostando nada disso.

— E a Iman dormiu aqui, certo? — meu coração saltou pela boca. — Sarah, eu liguei hoje de manhã pra casa da Iman procurando por você e por sorte foi a Marien que atendeu, pois se tivesse sido o pai dela, eu não quero nem imaginar o que teria acontecido.

— Irene, eu posso ...

— A Iman também não dormiu em casa! — ela estava quase gritando. — Onde vocês passaram a noite, Sarah?

Merda!

— Irene, eu não sei onde a Iman dormiu! Eu ... — meu rosto começava a corar. — Eu encontrei com o David na festa e bom, dormi na casa dele.

— E antes disso, com quem a Iman estava? Espera! Você disse que dormiu na casa do David? — ela agora sorria e a expressão de brava ia desaparecendo. — Então ... aconteceu?

Agora eu já estava corada por completo.

— Sim.

— E foi bom?

Suspirei e era difícil esconder o sorriso de felicidade.

— Foi lindo, Irene! Nunca imaginei que seria tão lindo e mágico como foi!

— Ahh, que lindo, Sarah!- ela sorria tanto quanto eu. — Mas e a Iman?

— Ah, então, antes de sairmos, ela estava na pista, dançando com o Mark então ... ela deve estar na casa do Mark!

Eu e Irene abrimos a boca ao mesmo tempo e logo depois começamos a gargalhar.

— Depois que você se vestir, por favor, ligue pro Mark só pra confirmar e depois ligue pra Marien, pra ela ficar mais calma. — ela me deu um abraço. — Vou voltar pra cozinha, quando o bolo estiver pronto eu te chamo.

— Claro! Obrigada!

Irene abriu a porta e uma coisa peluda entrou correndo pelo quarto, pulando direto para a minha cama,

— Merlin! Saia daí!

Ele corria de um lado pro outro, a cauda batendo em todos os móveis, a felicidade dele em ver me divertia.

Coloquei a primeira roupa que encontrei e liguei para a casa do Mark, mas o telefone só dava ocupado. Decidi tentar o Rick, ele deve pelo menos saber se os dois saíram juntos da festa ou não.

— Oi, Rick! É a Sarah, tudo bem?

— Sarah!! Sua safada!!!! Fugiu da festa, né? Nem pra se despedir da gente! Pegou o professor de jeito e foi embora!

— Você viu a gente saindo? — quase gritei ao telefone.

— Não vi, mas pelo o seu susto, acertei direitinho, não foi? — ele ria de alegria. — Vamos, confesse! Foram pra um motel igual ao Mark e a Iman?

— Motel? — eu quase gritei e Merlin começou a latir.

— Ah, Sarah! Você perdeu alguns detalhes dessa festa!

— Então trate de me contar, oras!

— Bom, eles ficaram bastante tempo dançando, até que de uma hora pra outra, a Iman tascou um beijo nele e aí os dois não pararam mais! — Rick riu mais um pouco. — Quando ela veio me perguntar onde você estava, era a felicidade em pessoa. Então como eu havia visto o professor David chegando à festa, ela logo deduziu que vocês estavam juntos e não pensou duas vezes em ir pro motel com o Mark.

Eu ainda estava em choque com o que eu havia perdido na noite passada! Queria tanto ter visto a Iman partindo pra cima do Mark.

— Ela até agora não voltou pra casa, devo me preocupar, Rick?

— Hum. — a alegria da voz dele sumiu. — Talvez. Tente ligar de novo pra ela, se ela não estiver lá, me ligue que te busco em casa e vamos procurar por ela.

— Combinado! — desliguei o telefone ao mesmo tempo em que a campainha tocava.

Abri a porta e ainda descendo as escadas, vi Iman e Irene se abraçando, uma pequena mochila no chão e logo entendi que ela iria passar a noite em casa.

— Mas vocês duas não conseguem se separar, não é mesmo? — meu pai disse quando eu alcancei o último degrau. — A Sarah mal chegou em casa e a Iman já está com saudades! — ele a abraçou. — A amizade de vocês é linda, que dure por muitos anos!

Iman estava de jeans e camiseta, logo deduzi que ela já havia voltado pra casa, descansado, e agora precisava urgentemente de uma noite de meninas, assim como eu.

Conversamos ainda um pouco com os meus pais, ainda falando sobre a festa, Irene aconselhando descansarmos bem para não perdemos a aula amanhã e finalmente, conseguimos subir e nos trancar no quarto.

— Então. — falei enquanto eu expulsava Merlin da minha cama e sentamos as duas ao mesmo tempo. — Rick já me deixou a parte do ocorrido de ontem à noite.

Pela primeira vez, Iman corou e sorriu.

— Foi perfeito, Sarah! Tudo bem que eu é que tomei a iniciativa, porque ele falava sem parar enquanto dançávamos, pedia desculpas pelas coisas que vinha fazendo nas últimas semanas, coisas que ele nem sabia que estava fazendo, que não queria magoar a Jéssica, que agora ele iria procurar alguém pra ter um relacionamento sério ...

— E nessa hora você gritou "esse alguém sou eu"! — comecei a rir, mas ela pareceu não gostar muito.

— Quase isso. — ela revirou os olhos. — Resumindo a história: acho que finalmente estou despertando algo em Mark.

— Ai, que lindo! — segurei as mãos dela.- Torcendo muito pra dar certo!

— E a senhorita, onde passou a noite? — ela piscou pra mim. — Nossas mães tiveram que rebolar pra esconder dos nossos pais! Se meu pai imaginar que eu passei a noite em um motel, ele me mata!

Contei resumidamente o que havia acontecido entre eu e Jareth e cada palavra, era um suspiro uníssono. Acho que ela passar a noite aqui vai ser uma ótima ideia, assim consigo alinhar meus pensamentos e controlar a minha ansiedade em ver o meu amado Rei dos Goblins.