You Could Be My Queen
42 Capítulo 42
A semana passou de uma maneira muito estranha: Mark não apareceu em nenhum dia da semana nas aulas e nem nos ensaios da peça, o que causou irritação em Monique, fazendo-a a colocar outro ator em seu lugar.
Iman estava arrasada, achando que Mark queria apenas uma noite de sexo e nada mais, eu tentava consola-la, mas eu estava tão deprimida quanto ela: não vi Jareth um dia sequer, nem nas aulas, e nenhuma noticia dele todos esses dias, meu cristal não me obedecendo em todas as vezes que eu o chamava.
Era sexta-feira à tarde, eu e Iman passeando pelo parque com Merlin, uma tentando consolar a outra.
— Iman, eu acho que o David também me usou. — ela me olhou chocada. — É sério, tenho pensando muito nisso nesses dias, eu não entendo como ele pode sumir e não deixar nenhum sinal.
— Algo deve ter acontecido, Sarah! — Iman me abraçava. — Com vocês é diferente, o professor David sempre se mostrou muito apaixonado por você, ele não iria ter uma noite com você e depois cair fora, isso não encaixa nele.
Fiquei ainda imaginando se havia algum tipo de magia ou ritual, se o Rei dos Goblins tirar a virgindade de uma moça ele terá a vida eterna, ou algo do tipo, mas isso me parecia tão irreal que logo descartei a ideia.
— Você já ligou pra casa do Mark? — indaguei.
— Não tenho coragem. — ela suspirou. — Não quero parecer que estou correndo atrás dele. Mas ei, você me deu uma ideia! Você se lembra do caminho do apartamento do professor?
— Sim, lembro. — comecei a passar mentalmente o caminho da noite da festa. — Por quê?
— Vamos lá agora! De surpresa!
Iman saiu correndo para o carro estacionado no outro lado, Merlin correndo mais ainda atrás dela.
— Isso é loucura! — resmunguei quando paramos em frente ao modesto prédio cor de pêssego, de apenas seis andares. — Se eu aparecer lá e ele não me quiser, simplesmente dizer para desaparecer da vida dele?
— Pelo menos você vai saber que ele não vale a pena. — ela segurou na minha mão. — Ele não vai te expulsar, Sarah! Vou te esperar aqui.
Sai do carro relutante e abri a porta da prédio, um senhor de cabelos brancos e olhos bem azuis assistia uma pequena TV na recepção.
— Pois não, mocinha? — ele me disse assim que me viu.
— Vim ver David Jones.
— David Jones? — ele repetiu o nome. — Aqui não mora nenhum David Jones.
— Como assim? Claro que aqui mora um David Jones, ele mora no último andar, apartamento 601.
— Desculpe, mocinha, mas nesse apartamento mora apenas a Sra. Holmes, uma viúva e seus dois gatos. — ele me mostrava uma lista de papel amarelado, com o nome de todos os morados.
— Não, deve haver algum engano. — peguei a lista da mão dele e corri todos os apartamentos, nenhum dele com o nome de David Jones. — Posso subir, mesmo assim?
Ele deu de ombros e fez sinal para o elevador, que estava parado no andar.
Meu coração acelerava a cada andar que eu subia, até finalmente chegar ao sexto andar, no apartamento 601, apertei a campainha e uma senhora de cabelos arroxeados abriu a porta.
— Pois não? — ela perguntou enquanto um dos gatos se enroscava em sua perna.
— David Jones mora aqui? — por favor, diga que sim.
— Não, minha jovem, sou uma mulher sozinha. Alias, acho que nunca nenhum David Jones morou nesse prédio, tenho morado aqui a minha vida toda.
Agradeci e voltei correndo pro elevador, me segurando para não chorar ali mesmo, mas quando cheguei ao carro de Iman, as lágrimas já lavavam o meu rosto.
— Calma, Sarah! Você deve ter se confundindo, errado de prédio! Era de noite, talvez seja por outra rua e você se enganou.
Eu sabia que não estava enganada, eu guardei o caminho mentalmente justamente para quando eu soubesse que ele estivesse aqui, eu pudesse visitá-lo de surpresa.
Iman falou alguma coisa sobre tomarmos um milk shake, resmunguei em troca e voltei para os meus pensamentos, ela acelerando o carro e eu vendo pelo retrovisor uma coruja branca.
Fale com o autor