Acordei com o que parecia ser latidos de um cachorro. Abri os olhos pensando que era o Merlin, mas deparei com o meu vestido pendurado em uma porta entreaberta, o cômodo em questão parecia ser um banheiro.

Demorei alguns instantes até me lembrar que eu não estava em casa, mas sim no apartamento do Jareth. Esse banheiro já estava aqui ontem à noite?

Meu corpo doía de uma maneira desconhecida, como se eu tivesse corrido uma maratona inteira, uma dor aguda de cabeça me fez lembrar que tomei vinho na noite passada, mas isso foi o suficiente pra me causar essa dor de cabeça?

— Jareth deve ter colocado alguma coisa naquele vinho, só isso explica a minha dor. — falei pra mim mesma.

— O que você disse?

Virei rapidamente para o outro lado da cama e Jareth estava sentado numa poltrona, calmamente lendo um jornal, usando somente uma calça preta, o cabelo levemente bagunçado. Essa poltrona também estava aí na noite passada?

— Desde que horas você está aí? — o olhar dele era sisudo.

— Desde as 6hs da manhã, horário em que o jornal chega. — ele apontou com a cabeça para o despertador na cabeceira da cama, marcando 11h23. — Sarah, você ainda não confia em mim? Você ainda pensa que eu posso te enfeitiçar quando e como eu bem quiser?

— Ai, Jareth, foi modo de dizer, uma brincadeira pra explicar a minha dor de cabeça. — ele ainda estava com cara de bravo. — E eu sei que se você realmente quisesse ter feito isso, teria feito quando eu era a sua prisioneira no castelo.

Seu rosto agora parecia mais conformado, como se ponderasse o que havia dito.

— Quer uma aspirina? — ele dobrou o jornal e eu fiz que sim com a cabeça. — Vou pegar.

Jareth levantou-se e foi pra cozinha, e só então percebi que eu estava nua, apenas enrolada na colcha e o lençol levemente sujo de sangue, de uma maneira tola, tentei cobrir com parte da colcha.

— Tome. — ele me entregou o remédio e um copo de água. — Me lembre de manter o vinho longe de você. — entreguei o copo vazio pra ele, que colocou no criado mudo. — Como você está? — ele fez sinal para que eu desse espaço pra ele na cama e ele logo sentou-se ao meu lado.

— Tirando a dor de cabeça e o corpo dolorido, estou muito bem, obrigada. — sorri ao lembrar da noite passada. — E o senhor?

— Maravilhosamente bem. — ele sorriu. — Pena que essa noite meu sono estava muito leve e eu não consegui aproveitar mais dessa noite ao seu lado. — Jareth jogou o meu cabelo pra trás, beijando meu ombro nu.

— Falando em sono leve, eu estava sonhando ou eu ouvi latidos de um cachorro?

Jareth abria e fechava a boca, sem conseguir emitir nenhum som, parecendo até embaraçado com a pergunta.

— Jareth, você tem um cachorro? — perguntei e ele começava a gesticular, ainda sem falar nada. — Você tem um cachorro aqui, nesse apartamento?

— É de raça pequena, um basset! — ele finalmente disse. — Eu fico muito tempo sozinho nesse apartamento, ele apareceu aqui na porta do prédio e eu o adotei! — Jareth disse tudo tão rápido que precisou recuperar o fôlego.

— E onde ele está? Qual o nome dele?

— Tá na varanda, tranquei a porta pra ele não incomodar a gente, ele não gosta de quando amanhece e fica trancado lá. — ele deu de ombros. — Chama-se Duke.

Eu não conseguia parar de rir e eu sabia que Jareth estava odiando rir da cara dele.

— Qual o problema?

— Desculpa, Jareth, mas é muito engraçado você tentar esconder de mim que tem um cachorro.

— Eu sabia que eu tinha que ter levado o Duke pro Reino! Assim você não ia rir da minha cara. — ele suspirou. — Na verdade, nem sei por que eu o escondi de você.

— Eu sei por que. — puxei o rosto dele pra perto do meu. — Você quer que eu sempre te veja como o Jareth que eu conheci no Labirinto, e não o Jareth que se tornou por mim.

— Você deveria cursar psicologia. — seus lábios tocaram de leve os meus, tentei prolongar o beijo para ele desviou e riu.

— Posso conhecê-lo?

— O Duke? — ele levantou uma sobrancelha. — Não!

— E por que não?

— Porque se eu abrir aquela porta ele virá direto pra essa cama ... — seus lábios morderam a minha orelha. — ... vai pular descontroladamente ... — suas mãos entraram debaixo do lençol e tocaram meus seios. — ... vai pedir carinho ... — suas mãos desceram para o meu ventre. — ... e eu não vou poder fazer o que eu quero fazer.

— E o que você quer fazer? — minha voz saiu baixa, receando pela resposta.

— O mesmo de ontem à noite. — sua mão tocou de leve o meu sexo. — Mas como você está dolorida, melhor deixar você descansar.

— A aspirina já fez efeito. — respondi ofegante enquanto ele ainda me tocava.

— É? — Jareth mordeu a minha orelha com força. — Vamos ver se fez efeito mesmo.

Jareth puxou o meu lençol completamente e expôs meu corpo totalmente nu.

— Deite-se de lado. — ele pediu e eu obedeci.

Ele levantou da cama e pude ouvir o barulho do zíper da calça sendo aberto, o baque leve do tecido no chão e ele se acomodando atrás de mim, de conchinha.

Jareth abriu um pouco as minhas pernas e me penetrou por trás, ao mesmo tempo em que ele massageava meu clitóris.

— Isso vai ser interessante. — gemeu ao meu ouvido, enquanto me penetrava cada vez mais forte.

Fechei os olhos e me deixei levar pelas sensações tão novas que eu estava experimentando: Jareth beijando meu pescoço e falando besteiras ao meu ouvido, sua mão sabendo perfeitamente onde me tocar, seus gemidos intercalando com os meus.

Nosso ritmo era perfeito, meu coração acelerava cada vez e meu corpo dava sinais do que estava por vir.

— Quero gozar com você. — Jareth disse ao meu ouvido e em segundos gritei o seu nome, ao mesmo tempo em que eu agarrava com todas as forças o travesseiro.

Não demorou muito para eu ouvir Jareth gritando o meu nome, desabando sobre mim, sua mão agora segurando a minha cintura.

— Meu Deus! Jareth! — eu ofegava com a cara no travesseiro, totalmente sem forças.

— Meu Deus! Sarah! — seu rosto estava misturado com o meu cabelo, tão cansado quanto eu.

Duke voltava a latir, talvez nossos gritos tenham deixado ele mais impaciente ainda.

— Preciso voltar pra casa. — consegui dizer por fim, ainda com Jareth deitando sobre mim.

— Preciso soltar o Duke. — ele respondeu.

— Responsabilidades. — ofeguei.

— Concordo.

— Me acorda se eu dormir?

— Se eu não dormir primeiro, prometo que acordo. — ele me segurou forte e ficamos ali, apreciando o silêncio, cada um perdido em seu próprio pensamento.