You Could Be My Queen
3 Capítulo 3
No dia seguinte, eu queria procurar por Hoggle e saber mais detalhes de Felicity: como ela era, como Donna a raptou, o que aconteceu com ela ... mas algo não me deixava sair do castelo, como se fosse uma obrigação ficar com Jareth.
Fiquei ainda dando voltas e voltas pelo castelo, depois do almoço, quando minha paciência chegou ao limite e decidi obter as respostas direto da fonte.
Jareth parecia tão entediado quanto eu sentado naquele trono medonho, jogando para cima e para baixo um dos cristais.
Sentei-me num dos degraus ao lado do trono, mas ele não pareceu se importar. Ou fingiu não se importar. Ou estava entretido demais com a bola pra me notar. Definitivamente, eu não sabia.
– Jareth, como era a Felicity?
Fiquei surpresa comigo mesma por ter sido tão direta na pergunta.
– Como ela é! Ela não morreu, Sarah. – ele respondeu furioso. – Felicity era igualzinha a você: teimosa, fantasiosa, sonhava com seres mágicos e lia livros bobos de contos de fadas.
Será que era por isso que ele me queria tanto em seu reino? Por parecer com ela?
– E fisicamente, também?
– Não. – ele continuava entretido com a bola de cristal. – Muito mais bonita que você.
Funguei de raiva e me levantei.
Não que eu me achasse a mais linda do mundo, mas Jareth foi tão insensível em dizer aquilo que acabou me magoando.
– Sarah. – Jareth me chamou quando eu já estava mais próxima da porta e a bola de cristal veio voando até mim, a imagem de uma mulher magra, de olhos escuros e pele clara, o cabelo longo preso num rabo de cavalo surgiu.
– É ...
– Sim, é a Felicity. – ele suspirou.
Felicity estava sentada numa cadeira de balança, ninando o que parecia ser um bebê.
– O que aconteceu com ela, quando Donna a libertou?
– Eu pedi que Donna a enfeitasse, um feitiço que apagasse todas as lembranças dela em que eu podia estar.
– Você pediu para apagar as lembranças dela?
– Sim. – ele se levantou e pegou o cristal da minha mão, fez alguns malabares e a bola sumiu. – Qualquer lembrança de nós dois juntos, foi apagada. Como se fosse uma vida nova pra ela, como se eu nunca tivesse existido pra ela.
– Isso é tão cruel, Jareth! Por que você fez isso com ela?
– A separação seria menos dolorosa desse jeito. E agora ela tem uma família, está bem casada, feliz e com um menino chorão que não a deixa dormir, mas ela o ama do mesmo jeito.
– Mas poderia ser você casado com ela, poderia ser esse bebê o seu filho.
– Poderia, Sarah. – ele passou a mão suavemente pelo meu rosto. – Poderia, mas eu sou o dono do meu destino e escolhi a magia.
– E esse castelo idiota com esses seres mágicos que não te acrescentam em nada na sua vida. E se você voltasse a viver como era antes, Jareth? De volta ao lugar onde você sempre pertenceu?
– E se você aceitasse e vivesse aqui comigo, Sarah? – sua voz era quase um grito de desespero. — Eu te daria tantas coisas, eu seria seu melhor amigo, seu amante, seu escravo. – Jareth segurava tão forte as minhas duas mãos que por um momento eu achei que ele ia quebrá-las.
Naquele momento eu senti que talvez eu pudesse ajudar Jareth, que talvez ele pudesse voltar a ser quem ele era, mesmo sendo um rei.
– Um piquenique!
– O que? – ele soltou as minhas mãos e pareceu confuso.
– Você não reclamou que eu passo tempo demais com Sir Dymus, Hoggle e os outros e que eu não ajo da mesma maneira com você? Então, vamos fazer um piquenique, eu e você. – Jareth fez umas caretas estranhas, como se estivesse ponderando sobre o assunto. – Eu só não sei onde podemos ir.
Fui até a janela e olhei a imensidão do reino e do Labirinto, tentando imaginar algum lugar especial para um piquenique, mas parece que nada lá parecia ser agradável ou que se parecesse com um parque ou algo do tipo.
– Eu sei onde podemos ir. – Jareth surgiu ao meu lado e apontou para o leste, mas eu não consegui enxergar nada. – É na fronteira com o reino vizinho, mas tenho certeza de que você vai gostar.
– Ah, então isso quer dizer que você está disposto a tentar?
– Por você? Sim. – senti sua mão na minha cintura me apertando mais perto do corpo dele, me causando um arrepio e com certeza não era de frio.
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