Iman ainda estava com o carro desligado, esperando a minha resposta.

– Vamos, Sarah! Você me prometeu contar se rolasse algo!

Ai, Iman, se você soubesse tudo desde o inicio, me chamaria de louca e iria pedir para os meus pais me internarem num hospício.

Mentir não seria a solução, pois ela me conhece tempo o suficiente para perceber os indícios de quando eu contava uma mentira. O jeito era omitir alguns detalhes.

– Ok, Iman! Eu e o professor David ficamos depois que vocês foram embora da reunião do grupo de teatro.

Iman estava de boca aberta, os olhos arregalados.

– EU SABIA! – ela gritou e por um momento pensei que meus pais teriam ouvido lá da cozinha de casa. – Mas eu quero a verdade, Sarah!

– Que verdade? – que David é Jareth, o Rei dos Goblins?

– Sarah, eu acabei de ver ele ali atrás, com a mesma roupa de ontem!

– Ah, bem ... – eu sentia meu rosto corar. – A gente dormiu junto.

– MEU DEUS! VOCÊS TRANSARAM?!

Eu e a minha péssima escolha com as palavras!

– Iman, pare de gritar! – fiz sinal para que ela ligasse o carro. – Não, quando eu digo dormir, é dormir mesmo! Não rolou nada!

– Nada? – ela ligou o carro e finalmente começamos a seguir o caminho da faculdade. – Impossível não rolar nada com aquele homem!

– Ta, a gente ... bom ... você sabe, foram só uns amassos e ele acabou pegando no sono comigo.

– Sarah, você ainda é virgem? Na faculdade e virgem? Não acredito nisso!

– Ei! Desculpe se eu não sou uma quase modelo que conquista rapazes desde o ensino médio! – ela me olhou torto. – Mas eu acho que com o David vai acontecer.

– Ihh, ta apaixonada!

Me joguei no banco e fiquei me olhando me retrovisor: o sorriso bobo apaixonado refletido no espelho.

– É, acho que tô.

– E os seus pais, sabem que ele dormiu lá?

– Não! Não podem nem imaginar! Mas às vezes eu acho que a Irene quer me jogar pro David, até o convidou pro jantar de aniversário dela. – Iman ficou boquiaberta de novo. – Ah, e claro, você e o Mark também.

– Não me lembre do Mark! Pensar que a namoradinha dele é da minha turma me deprimiu hoje ao levantar.

– Eu acho que ele só está com ela pra provocar. – falei mais pensando pra mim do que pra Iman.

– Provocar quem?

– Todo mundo! Provocar você, provocar o professor David. Na verdade, deve ser uma tentativa de se mostrar, mostrar que pode pegar a menina que ele quiser.

– Uma tentativa frustrada de ser o macho alfa! – ela disse e começamos a rir descontroladamente.

Ao chegar na faculdade, Mark e Jéssica se agarravam ao lado da porta da sala de Iman, constrangendo não apenas a nós, mas todo mundo que entrava na sala.

– Ah, oi. – falei sem graça quando finalmente terminaram de se beijar.

– Oi! – Jéssica respondeu. – Tudo bem, meninas?

– Tudo. – respondi por mim e pela Iman, que era a impaciência em pessoa. – Bom, vou indo. Te vejo depois, Iman!

Iman acenou e entrou na sala, enquanto Jéssica e Mark sussurravam aquelas coisas amorosas-melosas um para o outro.

Decidi não esperar pelo Mark e fui logo pra minha sala, que já estava faltando ainda uns 10 minutos para a primeira aula começar.

Mal me sentei e Mark já estava sentado ao meu lado.

– Oi! – ele disse sorridente. – Você nem conversou comigo direito mais.

– Ah, desculpe, mas é que você está sempre tão ... ocupado.

– Ocupado? – ele arqueou uma sobrancelha.

– Com a Jessica. – Mark soltou um “ah!”. – Então, o negócio é sério? Digo, é pra valer, vocês estão namorando?

– Por que a pergunta, Sarah? Está com ciúmes? – ele não escondeu o sorriso ao dizer a palavra “ciúmes”.

– Obvio que não! Estou perguntando por causa da Iman.

– O que tem ela?

– Oras, ela gosta de você, Mark! Não é fácil pra ela ver vocês dois a todo momento se agarrando em qualquer lugar!

– Eu não me importo com a Iman.

– Mark! Ela é nossa amiga!

– Não é ela quem eu quero que seja atingida, Sarah! É você! Quero que desperte o ciúme em você! Que desperte o desejo de você ficar comigo!

– Que ousadia, Mark! Eu já te disse que te vejo apenas como um bom amigo e isso basta pra mim! E além disso, você está enganando a Jéssica!

Ele deu de ombros.

– Ela é boa de cama, então ta bom pra mim.

– Mark, que horror! – peguei minhas coisas e fui pro fundo da sala, sentar ao lado do fortão jogador de futebol. – Pelo jeito você não é mais o Mark de antigamente!

– Sarah! – ele foi me seguindo. – Me desculpe! Me desculpe pela grosseria.

Me sentei ao lado de Rick, o tal jogador de futebol, que não gostou nem um pouco de ver Mark correndo atrás de mim.

– Ele está te incomodando, Sarah? – Rick perguntou.

– Está tudo bem, só decidi trocar de lugar hoje.

Mark resmungou alguma coisa e voltou pro lugar dele.

Rick sorriu pra mim e eu correspondi ao sorriso.

Será que era sobre essas confusões amorosas e de amizade que o Jareth dizia que eu deveria passar?