Contei pra Iman a conversa do Mark e ela era a tristeza em pessoa. Eu sabia que ela estava apaixonada, mas não imaginava que isso a afetaria tanto.

Era estranho vê-la triste, mas tentando parecer feliz. E era mais estranho ela ser a rejeitada da relação, quando era sempre o contrário: quando Iman cansava ou dizia que não gostava mais do rapaz, dispensava-o sem cerimônias, causando a tristeza do infeliz, que tentava de todas as maneiras reconquista-la. Perdi a conta de quantas vezes flores eram enviadas pra ela durante a aula e quantas vezes os ex vinham conversar comigo, para que eu a fizesse mudar de ideia.

Mark já não ia mais pra faculdade de carona com a gente e Rick, o fortão do futebol, meio que virou o meu guarda-costas desde o ocorrido da segunda-feira: ele chegava antes de todo mundo, sentava-se no lugar que deveria ser de Mark e guardava o meu lugar ao lado dele.

Era quarta-feira à noite e Jareth não apareceu nenhum dia, o que significava que eu só o veria amanhã.

Eu rolava de um lado para o outro na cama, com uma vontade imensa de chamá-lo, mas eu sabia que se ele não apareceu nesses dias, é porque a situação no castelo ainda era preocupante pra ele.

— Sir Didymus, Hoggle, Ludo, amigos, o que está acontecendo no Reino? Me mandem noticias!

— As coisas estão sob controle na medida do possível, Sarah!

Olhei pro pé da cama e um Hoggle cansado estava sentado, as costas arcadas, os pés balançando para frente e para trás.

— O que foi, Hoggle? E onde estão Sir Didymus e Ludo? E Ambrosius?

Hoggle suspirou antes de começar a falar.

— Eles estão em reunião fechada com o Jareth.

— Reunião? O que aconteceu? Fale logo, Hoggle!

— Bom, eu deixei uma senhora entrar no Labirinto e ela quase chegou até o Castelo. – ele respondeu cabisbaixo.

— Você o que? – eu já havia pulado pra fora da cama. – Hoggle, alguém está tentando invadir o Reino e você simplesmente deixa um estranho entrar?

— Não brigue comigo, Sarah! – ele choramingou. – Jareth quase me afogou no pântano quando descobriu que fui eu quem deixou a mulher passar.

— E deveria ter feito isso! – Hoggle arregalou os olhos.

— Mas era uma senhora que parecia tão inocente, tão velhinha, que eu duvidei que ela conseguiria chegar até o Castelo. O problema é que ela conseguiu passar por quase todos os obstáculos sem dificuldade. – ele olhou para as pulseiras que estavam no pulso. – Parecia que ela já conhecia o Labirinto.

Sentei de volta na beirada da cama e agora eu me preocupava também.

— Até onde ela conseguiu chegar?

— Até o portão da cidade. Por sorte, Sir Didymus percebeu algo estranho nela e não a deixou entrar, pedindo reforços. – ele suspirou. – Jareth está com planos de reforços e acho que Ludo vai encantar algumas pedras para reforçar a fronteira.

Abracei Hoggle e ele parecia incomodado.

— Sinto saudades de todos. Queria estar no Reino com vocês.

— Jareth não vai permitir. Não enquanto ele não descobrir quem e por que quer invadir o reino.

Hoggle tinha razão. E talvez seja por isso que ele disse que eu só poderia voltar quando terminasse a faculdade. Talvez ele só esteja querendo me proteger

Larguei Hoggle e deitei na cama, imaginando Jareth ocupado com a segurança do Reino, quando antes a única preocupação dele era me manter presa naquele lugar.

— Durma, Sarah. – Hoggle afagou o meu cabelo. – Durma que amanhã você vai vê-lo e ele talvez te conte mais coisas que eu não saiba.

E como num passe de mágica, fechei os olhos e o sono veio imediatamente.