You Could Be My Queen
33 Capítulo 33
O dia seguinte à festa eu estava me sentindo uma verdadeira empregada doméstica: lavando louça, limpando o quintal, arrumando a casa. Irene não me poupou por um segundo sequer, e o pior, na despedida da festa, nem consegui dizer ao Jareth que eu queria vê-lo no parque no dia seguinte. Mas de tão cansada que eu estava, talvez eu dormiria em seus braços ao invés de conversar sobre a teoria de um Mark enfeitiçado.
Eu estava deitada no sofá, Irene e meu pai no outro sofá vendo TV, Toby e Merlin dormindo no chão, quando meu pai começa a falar do Jareth:
— O seu professor, digo, o David parece uma pessoa muito legal e decente, Sarah. — eu começava a imaginar qual seria o discurso agora. — Quero que ele frequente mais a nossa casa, já que ele disse que deseja casar-se com você quando terminar a faculdade.
— Quando terminar a faculdade? — pulei no sofá, me sentando.
— Claro! — Irene interviu. — Nada mais justo e correto do que você ter estudos, ter uma profissão e depois se casarem. É assim que se forma uma família.
Não, Irene, minha família pertence a outro mundo.
— Eu não quero esperar a faculdade para casar.- na verdade, eu nem queria terminar a faculdade.
— Calma, filha! Não precisa ter essa pressa toda para casar! — meu pai respondeu. — Vocês precisam se conhecer melhor e nós também precisamos conhecer ele.
— Eu sei, eu só acho que ... meu curso é demorado, quatro anos de estudo pra poder casar? Não pode ser durante a faculdade?
— Filha, que ansiedade toda é essa? Você nem o conhece direito, se conhecem apenas das aulas e nós nem sabemos muita coisa sobre ele. Tenha calma e paciência, não irei impedir vocês de ficarem juntos.
Cruzei os braços e fazia sinais negativos com a cabeça. O Jareth deve ter colocado algo naquele vinho para enfeitiçar meu pai e faze-lo concordar com o casamento só depois da faculdade.
— Calma, Sarah, não seja precipitada! — Irene dizia. — Quanto mais vocês se conhecerem, melhor será na vida de casados.
Ah, Irene, você nem imagina como eu conheço bem o Rei dos Goblins.
— Tudo bem. — falei por fim. — Talvez eu realmente esteja um pouco ansiosa, vou me controlar.
Ambos sorriam e começaram a comentar sobre a festa, as novidades de todos os parentes e amigos que jantaram conosco, enquanto eu anotava mentalmente de que eu precisava urgentemente convence-los de que eu não precisava esperar me formar para me casar.
Decidi me deitar cedo para descansar e me preparar para a aula no dia seguinte, caso Mark já se deu ao trabalho de anunciar aos quatro cantos meu namoro com um professor e ser bombardeada de perguntas e olhares de reprovação.
Coloquei meu pijama e deitei na cama, olhei ainda para o cristal no criado-mudo e sorri, desejando sonhar com o Jareth, quando ouvi pedras batendo na minha janela, Merlin que estava comigo latindo sem parar.
Levantei-me e fui até a janela, afastando devagar a cortina e agora eu jurava que ouvia alguém sussurrando o meu nome.
Abri a janela e, ao olhar para baixo, Jareth se preparava para jogar outra pedrinha quando me viu:
— Posso subir? — ele tentou não gritar.
— Por que não usa a porta da frente?
— Porque isso significa que seus pais iriam me ver e eu teria que dormir longe de você!
Tentei não sorrir de satisfação, mas Jareth já fazia isso por mim. Fiz sinal de positivo e, sem nenhuma dificuldade, ele começou a escalar a calha da casa, alcançando com facilidade a janela do meu quarto.
— Você faz parecer escalar uma parede uma coisa tão fácil! — comentei quando ele já estava dentro do meu quarto.
Jareth riu e puxou meu cabelo para trás, suas duas mãos segurando o meu rosto.
— Me sinto tão vivo ao seu lado, Sarah! — senti o gosto dele nos meus lábios. — Essas travessuras que você me obriga a fazer!
— Travessuras? — me desvencilhei dele e comecei a rir. — Travessuras? Você é quem me coloca nas piores situações, Jareth. — deitei na cama e fiz sinal pra que ele deitasse comigo.
Jareth ainda fez um carinho em Merlin antes de deitar ao meu lado, se enroscando em mim, seus lábios na minha testa.
— Acho que você leu meus pensamentos. — falei enquanto sentia o seu perfume.
— Por quê?
— Porque ontem não consegui te falar pra me encontrar no parque, mas hoje eu trabalhei tanto, ajudando a Irene a limpar a casa, que estou quase desmaiando de cansaço.
— Você tem que se acostumar.
— Me acostumar? — encarei-o e Jareth tentava segurar o riso.
— Sim, minha cara! Quem você acha que irá limpar o castelo quando você for morar comigo?
— Os goblins, óbvio! — respondi indignada. — Era assim quando eu estava lá! Eles cuidavam de tudo, de limpar, lavar, cozinhar.
— Mas você também será a dona de tudo o que me pertence e minha esposa, logo, como obrigação de esposa, você terá que limpar o castelo.
— Ora, ora! — me levantei sobre ele, minhas pernas nas laterais do corpo dele, sentando na sua barriga. — Se for nessas condições, ficarei por aqui mesmo. Ou melhor ... farei greve.
— Greve? — Jareth arqueou a sobrancelha.
— Sim, greve de beijos e de ...
— Sexo? — ele arregalou os olhos e eu senti meu rosto corar. — Mas nem aconteceu ainda!
— Por isso mesmo! Se for nessas condições, nem irá acontecer!
— Desculpe-me, mas o rei aqui sou eu! — era muito engraçado ver Jareth tentando não rir.
— Sim, mas você não tem pod ...
— Chega, Sarah! — Jareth levantou-se, quase me fazendo pular e cair da cama. — Não diga isso, nunca mais, nem de brincadeira!
Ele me encarou e vi que sua expressão agora era outra, seu sorriso desapareceu e seus olhos eram frios.
— Desculpe, Jareth! — me aproximei e o abracei, seus braços me apertando com força. — Eu só estava brincando, eu não ia dizer aquilo.
— Tudo bem. — ele afagava meu cabelo. — Eu sabia que você não ia dizer, mas é que a lembrança daquele dia ainda me machuca um pouco.
Puxei-o de volta pra cama e voltei a enroscar meu corpo no dele, sentindo vários beijinhos dele na minha testa.
— Ok, sem brincadeiras com palavras e sem serviço de emprega doméstica. Feito? — perguntei e escutei ele gargalhar.
— Feito. — ele beijou mais uma vez a minha testa. — Mas o que te preocupa, se não é o fato de virar empregada doméstica do castelo?
Voltei a me sentar sob ele, sua mão deslizando pela minha coxa, me fazendo prender um pouco a respiração.
— A Iman. Ela está muito chateada com as atitudes do Mark ... e bom, ontem ela disse que não o reconhece, que parece que ele está enfeitiçado. — Jareth fez uma cara estranha. — Você acha que isso seria possível?
— Bom, é difícil dizer, Sarah. — ele continuava a passear a mão pela minha coxa. — Existem muitos tipos de feitiços, desde aqueles em que a pessoa nem desconfia que se trata de um ...
— Como aquela fruta que você me deu no Labirinto?
— Não, eu não te dei, foi o Higgle quem te deu.
— Hoggle.
— Mas sim, como aquela fruta, ou numa bebida, ou um encantamento. É complicado dizer, pois eles também pode ter curta duração ...
— Como a fruta que você me deu ... — Jareth suspirou e ignorou o meu comentário.
— Ou ser de longa duração, ou até infinitos, durar para sempre ...
— Como o feitiço que você colocou nos meus pais e amigos enquanto eu estive fora de casa.
— Exato. — ele fez sinal para que eu deitasse sob o seu peito e eu obedeci. — Não sei te dizer ao certo, Sarah. Apesar de eu ser um Rei, não sou tão avançado assim na magia como pareço ser.
— Mas haveria um jeito de saber se o Mark está ou não sob o efeito de uma magia, seja de curta ou longa duração?
— Uma coisa que eu aprendi, Sarah, é sempre perceber como estão os olhos da pessoa. O brilho e intensidade mudam, e dependendo do feitiço, até a cor dos olhos mudam. — ele me abraçou mais forte. — Mas essa preocupação toda é só por causa da Iman?
— Claro! Quero dizer, não é uma tarefa fácil tirar o Mark assim do nada da minha vida, me preocupo ainda com ele, mas quem mais está sofrendo é a Iman.
— Entendo. — levantei meu rosto para encarar o dele, seus lábios pareciam tão perfeitos olhando por outro angulo. — Bom, vou pedir para alguém seguir o Mark e analisar todos os passos dele, mas acho que ele é um caso de pura raiva, ciúmes e amor não correspondido.
— Também espero que seja isso. — fechei os olhos e o cansaço me dominou por completo, os lábios de Jareth tocando meus olhos e sussurrando que ficaria comigo nessa noite, velando pelo meu sono.
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