You Could Be My Queen
34 Capítulo 34
— Sarah, posso falar com você? A sós?
Jessica estava parada na porta da minha sala na faculdade, sozinha e tive um pressentimento de que ela já sabia sobre mim e Jareth.
Iman me olhava como quem dizia que não queria me deixar sozinha com ela, mas eu sabia que a minha amiga estaria por perto.
— Claro, tudo bem. — sorri pra Iman e segui Jessica, que tomava a direção do banheiro feminino, alguns metros à frente da sala.
— Desculpe, o corredor é sempre muito movimentado nesse horário, achei que aqui poderíamos conversar melhor. — Jessica disse assim que entramos no banheiro e depois de olhar ao redor para se certificar de estávamos sozinhas naquela hora.
— Ah, pois é. — olhei por relógio e ainda faltavam 10 minutos para a primeira aula.
— Bom ... — Jessica se aproximou, encarando as próprias unhas pintadas de vermelho-sangue. — O Mark ele ... — ela ergueu um pouco os olhos pra mim e depois voltou a encarar as unhas. — ... ele me contou sobre você e o professor David.
Ótimo! A namorada raivosa é quem seria a responsável em espalhar pra faculdade inteira o meu namoro com o Jareth.
— Ah, contou? — ela ergueu os olhos e concordou com a cabeça. — Bem, não teve como esconder, ele estava na festa comigo e todos da minha família estavam lá, então foi conseqüência Mark saber sobre isso.
— Ele terminou comigo.
— Como é? — Jessica agora me encarava e seus olhos já estavam cheios de lágrimas. — Quando foi isso? Vocês pareciam tão bem juntos!
— No sábado, quando ele chegou do jantar da sua madrasta, ele voltou decidido a tentar te conquistar. — ela limpou os olhos e segurou na minha mão. — Eu sempre soube que ele é apaixonado por você, mas pensei que talvez eu conseguisse mudá-lo.
Ela suspirou e por um momento quase tive vontade de contar sobre o dia em que Mark disse que ela era boa de cama, em como ela era apenas mais uma pra satisfazer a vontade dele, mas percebi que ela estava apaixonada por ele, diferente dele, que não tinha boas intenções.
— Você já tentou conversar com ele depois disso? — ela fez sinal de negativo com a cabeça e limpou o nariz com a manga da blusa. — Talvez ele só estivesse nervoso no sábado, quem sabe hoje ele esteja mais calmo e vocês se acertem.
— Talvez. — Jessica deu de ombros, como se soubesse que isso não iria funcionar. — Vou tentar falar com ele, mas eu queria que você conversasse com ele.
— Eu? — arregalei os olhos de surpresa e ela sorriu.
— Sim! Se você explicar pra ele que você e o professor estão num relacionamento sério, que você o vê apenas como um amigo, quem sabe ele desiste disso tudo?
— Ah, Jéssica, se fosse assim tão fácil. — lembrei de Mark me chamando de vaca e piranha, minha boca secando com a lembrança.
— Eu sei o que aconteceu no sábado. — ela abaixou a cabeça. — Ele me contou sobre a discussão de vocês. — Seus olhos voltaram a me encarar. — Sério, só ele não sabia que o Rick é gay?
— Espera, você também sabia? — ela deu um risinho bobo. — Poxa, eu e a Iman também não sabíamos!
Ouvi o primeiro sinal e decidi que era hora de nos apressarmos.
— Tudo bem, Jessica! Eu vou falar com ele, mas não te prometo nada. Como eu vou sair do grupo de teatro, talvez me afastando as coisas fiquem mais fáceis pra vocês.
Jessica voltou a sorrir e agradeceu, me apertando num abraço um pouco constrangedor.
— Obrigada, Sarah! — ela disse quando me soltou. — Ah, você e o professor David formam um belo casal! Torço por vocês!
Sorri sem graça enquanto ela saia do banheiro e foi então que eu pensei no que havia feito: e a Iman, como eu a ajudo a conquistar o Mark se a Jessica também está interessada nele?
Merda!
Fui pra sala de aula e Rick parecia ansioso com alguma coisa, guardando o meu lugar e sorrindo demais pra mim:
— E aí, como foi o jantar de aniversário da sua madrasta? E o professor?
Aparentemente, ninguém ainda estava sabendo e acho que o pouco de sanidade que havia em Mark foi a causa disso.
Contei resumidamente e quase aos sussurros sobre o jantar e foi então que eu comecei a perceber que algumas reações de Rick era um pouco afeminadas, me fazendo me sentir tola por não ter percebido estes pequenos detalhes antes.
Já estávamos na segunda aula e até o momento, nem sinal do Mark, o que me causou uma mistura de alivio com ansiedade.
Depois do almoço, era dia do ensaio da peça e Iman parecia mais nervosa do que eu:
— O que você vai dizer pra Monique? — Iman me perguntou assim que chegamos para o ensaio.
— Acho que a verdade. — suspirei e avistei Monique ao celular, sentada na platéia. — Me deseje sorte.
— Boa sorte!
Respirei fundo e tomei coragem. Monique era um pouco sistemática em alguns assuntos, e mudar o elenco depois que ela havia decidido tudo era uma possível causa para um ataque de nervos nela.
— Monique, a gente pode conversar?
— Claro, sente-se aqui, Sarah! — Monique deixou o celular de lado e fez sinal para que eu me sentasse na poltrona ao lado dela. — O que acontece?
— Bom, eu queria te comunicar que eu estou saindo da peça. — analisei o seu olhar e não havia nenhum sinal de raiva ou nervosismo, então decidi continuar. — É por motivos pessoais, eu e o Mark tivemos uma briga no sábado, algo que eu sei que não será reparada tão logo, e eu tenho certeza de que isso vai atrapalhar na peça.
— Que tipo de briga?
— Do tipo que eu estou namorando, ele é apaixonado por mim, é contra o meu namoro e vai fazer de tudo pra não dar certo.
— Oh! — ela parecia um pouco surpresa. — Bom, sempre percebi que o Mark tinha uma queda por você, mas nunca imaginei que isso atrapalharia nos ensaios. — Monique fechou os olhos e abriu de novo. — Por acaso o seu namorado é aquele rapaz que às vezes te espera depois dos ensaios?
— Sim, e por acaso ele é nosso professor na faculdade.
— Oh! — agora os olhos dela estavam sobressaltados. — Agora entendo os ciúmes do Mark. Bom, Sarah, olhando por esse lado, realmente, misturar a vida pessoal e profissional não dará bons frutos na apresentação, então eu te autorizo a temporariamente sair do grupo, mas a quero de volta na próxima peça que trabalharemos, combinado?
— Combinado! — quase saltitei de felicidade. — E você já sabe em quem vai colocar no meu lugar?
— Humm. — ela olhou para o palco, na direção da Iman, que conversava com outros colegas. — O que você acha da sua melhor amiga?
— Acho perfeito! — era impossível esconder a minha felicidade e Monique riu. — Quero dizer, se você acha que ela seria boa para o papel.
— Sim, ela tem muito talento, e acho que seria uma boa hora para colocá-la em um papel principal. — ela me encarou e sorriu. — Posso ao menos contar com a sua presença no dia da apresentação?
— Claro, Monique! Não perderei por nada!
— Ótimo! — ela olhou pelo meu ombro e suspeitei que havia alguém atrás de mim. — Vou lá dentro ver algumas coisas, acho que tem alguém que quer falar com você.
Monique se levantou e quando me virei, Mark estava parado atrás de mim, um sorriso meio torto.
Hoje o dia está sendo longo demais ....
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