You Could Be My Queen
27 Capítulo 27
— Eu e Mark fazendo par romântico! Você sabe o que isso significa, Iman? – eu quase gritava ao final do ensaio, éramos as ultimas a sair do galpão.
— Professor David com ciúmes? – ela sorriu.
— E não esqueça do pior: beijo em cena! – coloquei as mãos no rosto. – Urgh! E sabe-se lá quantas vezes teremos que ensaiar um beijo! Eu nunca beijei em cena antes!
— Ai, ai. – Iman suspirou. – Eu queria estar no seu lugar, só pra beijar o Mark toda vez que a Monique mandasse a gente repetir a cena.
— ISSO! – eu praticamente pulei na frente dela. – É isso! Vou falar pra Monique que eu não me adaptei ao papel, que eu não sinto uma química com o Mark, pra ela te colocar no meu lugar! – já estávamos na rua, em frente ao carro da Iman. – Isso tem que funcionar!
Iman não disfarçou o sorriso, apesar de desconfiada se o meu plano funcionaria ou não.
— Mas e se ela achar que outra pessoa tem uma química melhor e não me indicar?
— Calma, Iman! Eu vou pensar em tudo, acharei um modo que ela não consiga dizer não ao meu pedido!
— Sarah?
— O que? – perguntei e segui o olhar de Iman, e logo vi Jareth parado ao lado do carro dele no outro lado da rua, com uma cara muito carrancuda.
— Meu Deus, será que ele já sabe do Mark? – pensei alto.
— E como ele saberia, Sarah? – Iman perguntou. – Mas de todo jeito, acho que você não vai querer a minha carona, não é?
— E aí, meninas? – era Mark quem surgia atrás de nós. – O que acharam do ensaio?
Se havia uma maneira da expressão do Jareth piorar, essa maneira era Mark se aproximando e me segurando pela cintura, como ele estava fazendo neste exato momento.
— Legal. – respondi olhando apreensiva para Iman, esperando que ela pudesse me socorrer.
— Não é o professor David do outro lado da rua? – Mark perguntou emburrado.
— Sim, é ele mesmo! – Iman respondeu toda feliz. – Sarah, me espera um pouco que eu preciso perguntar uma coisa urgente pra ele!
Ela saiu correndo, atravessando a rua e indo de encontro ao Jareth, enquanto eu tentava me desvencilhar da mão inconveniente de Mark.
— Então, cadê o seu pretendente? – ele perguntou ironicamente.
— Ah, ele preferiu jantar em casa hoje à noite. – respondi depois de educadamente tirar a sua mão da minha cintura.
— Está sério assim?
Observei Iman e Jareth conversando e eu tentava decifrar a expressão dele, que agora não era tão carrancuda, mas sim de pesar, como se estivesse dando alguma noticia triste.
— Seriíssimo. – respondi ainda encarando os dois.
— E eu vou conhecê-lo no sábado, no jantar de aniversário da sua madrasta?
— Talvez. – observei Jareth dando um beijo demorado na mão de Iman e ela se afastando, enquanto ele acenava pra mim e entrava no carro. – Vai depender do humor dele. E a Jéssica, cadê ela?
— Ah. – parecia que ele havia esquecido da própria namorada. – Achei melhor ela não vir, a Monique não gosta muito quando levamos alguém para ver o ensaio.
Iman já estava de volta, a expressão um pouco desanimada e fiquei pensando no que Jareth disse a ela e eu precisava arranjar um jeito de despachar o Mark e ficar sozinha com ela.
— E eu vou poder levá-la no jantar? – Mark interrompeu os meus pensamentos.
— Desculpa, Mark, mas melhor não. – percebi o sorriso de satisfação da Iman. – O jantar vai ser para poucas pessoas e a Irene foi bem clara quando disse para convidar você e seus pais.
— Ah, claro. – ele respondeu mas não pareceu chateado por não poder levar a namorada. – Tudo bem, ela meio que já sabia disso. Fica pra uma próxima.
— Vamos então, Sarah? – Iman foi abrindo a porta do passageiro pra mim. – Desculpe, Mark, mas não vou poder te dar uma carona, eu e a Sarah vamos sair agora pra comprar nossa roupa de sábado.
Vamos?
— Ah, claro, tudo bem! – dessa vez ele pareceu chateado. – Vou de ônibus mesmo. Até amanhã.
Entramos no carro e logo Mark ia desaparecendo na rua, enquanto pegávamos a avenida.
— Então? – perguntei ansiosa já que Iman não abria a boca logo.
— O professor David não vai poder jantar hoje com você, Sarah. – ela parecia estar dando a noticia de um falecimento tamanho o drama que ela estava fazendo. – Ele disse que vai ter que ir cuidar da mãe dele, que mora em outra cidade, e está muito doente.
Mãe? Doente? Cidade?
Demorei ainda alguns minutos pra entender que na verdade problemas apareceram de novo no Reino e ele teria que voltar com urgência. Rezei mentalmente pra que todos lá estivessem bem e que tudo se resolvesse logo.
Iman realmente queria ir até o shopping procurar uma roupa para sábado, mas a decepção de não poder ficar mais tempo com o Jareth me tirou o humor para fazer compras, então optamos por ir procurar por algo bonito amanhã depois da aula.
Se o Jareth voltou para o Reino, nem adiantaria dar um pulo no prédio do pessoal de História amanhã. Eu só conseguia pensar em sábado e em tentar controlar essa ansiedade em vê-lo.
Cheguei em casa, joguei a mochila no sofá e fui pra cozinha, onde Irene cozinhava alegremente.
— Sarah! Você já chegou! E o David, onde ele está? – ela olhava ansiosa por cima do meu ombro, esperando que ele estivesse atrás de mim.
— Ele não vem, Irene. – tentei esconder a decepção na minha voz. – Pede desculpas, mas a mãe dele mora em outra cidade e está muito doente, então ele precisou ir até lá, pra ficar com ela.
— Oh! – ela parecia mais triste do que eu com a noticia. – Espero que não seja nada grave.
— Eu também. – suspirei. – Mas sábado ele garantiu que virá! — Irene agora aparecia mais animada depois que eu confirmei a presença dele. – Bom, vou tomar um banho e depois eu desço pro jantar.
— Sarah, eu posso te perguntar uma coisa?
Eu sempre temia quando alguém falava isso, mas tentei agir naturalmente.
— Claro.
Ela limpou as mãos no avental e se aproximou de mim.
— Você e o David ... vocês ... – droga, ela vai fazer “aquela” pergunta! — ... bom, vocês estão namorando?
Respirei fundo e vi que Irene talvez percebesse as coisas melhor do que o meu pai, então talvez esconder dela não adiantaria muito.
— Bom, nós saímos algumas vezes ... – ela abriu a boca numa expressão de susto. – A gente tem se encontrado, nos conhecendo, mas ainda não tive a oportunidade de contar. Quero dizer ... – meu Deus, como eu estava perdida com as palavras!
— Sarah, basta me responder sim ou não? – Irene me segurava pelo ombro e era nítida a ansiedade dela em saber a resposta.
— Ta, é, sim a gente ta namorando. – ela quase deu um grito de alegria. – Mas não conte pro papai, por favor! Na verdade, não conte pra ninguém pois se o pessoal da faculdade souber, seria um escândalo e não quero que o papai fique decepcionado comigo.
— Não seria melhor então ele vir conversar com o seu pai?
— O David? – imaginei na mesma hora Jareth vestido como um rei vindo falar com o meu pai e ambos rindo como velhos amigos. – Não sei, Irene.
— Eu acho que vocês podem esconder o namoro só na faculdade, mas entre nós, que somos a sua família, não tem a necessidade disso. – ela sorriu. – Tudo bem que o seu pai tem muito mais afinidade com a família do Mark e ele sempre admirou muito ele, e às vezes até comenta comigo que pensa que um dia vocês possam se casar, mas eu sinto que você e o David tem muita afinidade.
E como temos!
— Eu vou conversar com o David sobre isso.
— Isso! Saiba que eu te dou total apoio e eu estou feliz por você ter encontrado alguém, Sarah! – ela me abraçou e aquilo estava ficando esquisito. – Já estava na hora de você ter alguém legal como David! Prometo que eu vou ajudar com relação ao seu pai.
— Obrigada, Irene! – era o mínimo que eu poderia dizer.
Antes de subir ainda ouvi os avisos de sempre: Irene iria esperar meu pai chegar para jantarmos todos juntos e que ela me chamaria quando fosse a hora.
O melhor a fazer era tomar um banho e colocar as ideias em ordem.
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