You Could Be My Queen
20 Capítulo 20
O despertador tocou e eu tentava me localizar. Acho que era segunda-feira de manhã, hora de levantar e ir pra faculdade, mas algo pesado estava sobre mim.
Jareth estava dormindo praticamente em cima de mim, estávamos só com nossas roupas intimas e pelo o que eu me lembro, não rolou nada além de uns amassos quentes na minha cama.
– Jareth. — ele rolou para o outro lado da cama. — Preciso ir pra aula.
Ele gemeu algo como um "sim", mas parecia que não iria acordar tão cedo. Me levantei e decidi sacudi-lo para ver se ele acordava logo.
– Jareth, vamos! Você tem que ir embora daqui!
– Ok! — ele abriu um olho apenas, como se estivesse espiando. — Desculpa pelos hematomas aí.
– Hematomas? — perguntei sem entender.
Jareth fez sinal com a cabeça indicando alguma parte do meu corpo, mas logo ele já estava de olhos fechados novamente.
Fui até o espelho e vi meus seios cheios de marcas de dentes, algumas rosadas e outras roxas.
– Jareth! — joguei um travesseiro na cabeça dele. — Você viu o que você fez comigo?
– Já pedi desculpas! — ele respondeu com o travesseiro no rosto. — Não tenho culpa se você é tão ...
– Tão o que? — tirei o travesseiro e ele cobriu o rosto com as duas mãos. — Tão o que?
– Gostosa! — ele disse ainda com as mãos no rosto. — Oh, céus, não acredito que eu disse isso!
Comecei a rir sem parar.
– Qual a graça? — Jareth perguntou.
– É muito engraçado ouvir você dizer coisas desses tipos, sempre tão educado, tão exigentes com a escolha das palavras!
– Eu sei! — ele batia com a cabeça no travesseiro. — Não gosto dessas palavras ... chulas!
Puxei-o para fora da cama e o beijei, tão sedenta que parecia que nunca mais sentiria aqueles lábios de novo.
– Eu amo quando você age naturalmente. — passei a mão pelo peito nu dele. — Não se importe tanto com as palavras, apenas diga-as quando tiver vontade.
– Desculpe, Sarah. — ele deslizou de leve as mãos pelos meus seios machucados. — Eu não queria te machucar.
– Eu sei que não. — nos beijamos de novo. — Mas às vezes nossos desejos são incontroláveis, não são?
– E como! — ele beijou a minha testa. — Você também se sente assim?
– Nunca desejei tanto uma pessoa como eu te desejo, Jareth! Só tenho medo das coisas irem rápido demais.
– Tentarei me controlar. Só me avise quando você estiver pronta.
– Sarah! — era a voz de Irene, seguida de batidas na porta. — Já se levantou, querida? Desça logo ou vai se atrasar.
– Já estou indo, Irene! — gritei de volta e ouvi os passos dela seguindo pra escada. — Que lembranças você colocou na cabeça da minha madrasta pra ela me tratar tão bem?
– Nada. — ele deu de ombros e recolheu a roupa do chão. — Só uma lembrança, de que você dizia que gostava dela e que torcia para que o relacionamento das duas melhorasse.
– Pelo jeito funcionou. — abri meu guarda-roupa, peguei um jeans, uma camiseta e um sutiã e me vesti ali mesmo. — Não vou te ver hoje mesmo?
– Não. — Jareth já estava de calças e colocava o pulôver. — Não posso ficar tanto tempo longe do reino.
– Quando eu vou poder voltar pro Reino?
– Quando você terminar a faculdade. — ele deu um beijo na minha testa. — Agora desça pra tomar o café ou vai se atrasar.
– Você não está falando sério, está?
– Sobre você se atrasar? — ele olhou pro relógio. — Sim, é sério.
– Estou falando sobre voltar pro castelo. Por que só depois da faculdade?
– Porque eu quero que você descubra todos os prazeres e desprazeres da faculdade, além de ter uma profissão, óbvio! — Jareth deu outro beijo na minha testa. — Prometo que darei um jeito de ser seu professor pelos próximos quatro anos.
– E enquanto isso vamos ter que nos encontrar às escondidas?
– E isso não é divertido? — ele me puxou pela cintura e me beijou. — Na verdade, eu acho isso muito excitante.
– Saraaahhh! — dessa vez era o meu pai quem gritava. — Venha, o café está pronto.
Jareth apontava com a cabeça pra porta do quarto, indicando que era hora de eu ir.
– Nosso assunto não termina aqui. — resmunguei antes dele me beijar novamente.
Peguei minhas coisas e saí do quarto, deixando Jareth lá e rezando para que ninguém o visse saindo pela janela.
Tentei parecer sociável no café da manhã, mas eu não conseguia parar de pensar na nossa última conversa.
Eu não iria aguentar ficar os próximos quatro anos namorando escondido com o Jareth. Eu sentia uma necessidade absurda de vê-lo e tê-lo perto de mim que eu não conseguia explicar, e se eu ficasse no castelo com ele, seria tão mais fácil: poderia vê-lo quando eu quisesse, ou melhor, o tempo todo!
E qual a graça de terminar a faculdade, ter a profissão de jornalista num reino mágico onde eu nunca exerceria? E não vejo algo prazeroso ter que fazer trabalhos, seminários e passar noites em claro estudando para provas.
Será que Jareth não pensou na hipótese de na faculdade a probabilidade de conhecer garotos na minha idade, me embebedar em festinhas e acordar em casas de estranhos era muito grande?
Não que eu fosse fazer isso, pois decididamente, Jareth era quem eu escolhi para passar o resto dos meus dias, mas acho que vou usar isso como argumento na próxima vez que tratarmos desse assunto.
Meu pai estava quase gritando o meu nome quando eu finalmente dispersei meus pensamentos, a buzina do carro de Iman insistente lá fora.
– E Sarah, por favor, o meu jantar de aniversário é no sábado e não esqueça de convidar Iman e Mark. — Irene disse enquanto eu me despedia de todos. — E claro, convide seu professor David.
– Claro, Irene! Não me esquecerei.
Sai de casa e a coruja branca de sempre estava parada sob o capô do carro da Iman.
– Xô, xô! — Iman tentava expulsar a coruja, mas ela permanecia imóvel. — Me ajuda, Sarah! Esse bicho não quer sair daí.
Fiz um carinho na cabeça da coruja, que fechou os olhinhos e logo depois levantou vôo.
– Era simples assim? — Iman perguntou quando entrei no carro. — Você a adotou?
– Quase. — respondi sorrindo. — Como estão as coisas, Iman?
– Bem. Mas pra você deve estar melhor ainda, não?
– Por que você diz isso?
– Porque acabei de ver o professor David alguns metros atrás, com a mesma roupa de ontem. Vamos, Sarah! Me conte! O que aconteceu entre vocês dois?
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