You Could Be My Queen
2 Capítulo 2
A história de Donna e Jareth ainda me intrigava e decidi visitar Sir Didymus na Cidade dos Goblins, para ver se eu conseguiria alguma informação nova dele.
Enquanto eu passava em frente à sala do trono, pude ouvir Jareth cantando sozinho, olhando para a bola de cristal.
How you turn my world
You precious thing.
You starve and near exhaust me.
Everything I’ve done,
I’ve done for you.
I move the stars for no one.
Eu sempre ouvia Jareth cantando pelo castelo e confesso que eu adorava ouvi-lo cantar, mas hoje sua voz parecia mais melancólica e triste e de algum modo me senti culpada. Minha vontade era de ir até lá e abraça-lo, mas eu era orgulhosa demais pra isso.
– Onde você vai? – ele interrompeu a cantoria ao me ver passar.
– Visitar Sir Didymus. – continuei andando antes que eu fosse proibida de visitá-lo.
– Não demore! – ele gritou.
Não demore? Eu ouvi certo?
Apesar de que eu não tinha nada pra fazer naquele castelo, então me proibir não adiantaria muita coisa, pois provavelmente eu iria do mesmo jeito.
Ambrosius estava sentado na porta do chalé de Sir Didymus, como um verdadeiro cão de guarda. Senti saudades de Merlin.
– Ambrosius! Como você está, garoto? – fiz um carinho nele, que correspondia abanando o rabo.
Não tive tempo de bater na porta e Sir Didymus já a abriu, com uma chaleira na mão.
– My lady! – ele fez uma referencia. – Que honra recebe-la em meu humilde lar! Entre, tome uma xícara de chá comigo.
Tive que me abaixar um pouco para conseguir passar pela pequena porta, segui Sir Didymus e Ambrosius entrando ao meu lado.
Sentei-me como pude na cadeira, enquanto ele colocava as xícaras na mesa.
– Parecia até que você já estava me esperando, Sir Didymus. – falei ao perceber que o chá já estava pronto.
– Oh, my lady, eu estou sempre pronto! – ele enchia as xícaras de chá. – E a vida no castelo?
– Um tédio! – bufei. – Mas Sir Didymus, eu queria perguntar uma coisa.
– O que quiser, my lady!
– Como era a Donna, Rainha dos Goblins?
– Oh! – ele parecia muito assustado com a pergunta. – My lady já deve ser saber da história.
– Não em detalhes.
– Lady Donna era a mais cruel das rainhas que este reino já teve. – Ambrosius choramingou e entrou debaixo da mesa. – Foi idéia dela criar o Labirinto, para que nenhum intruso chegasse até o seu castelo, pois acreditava que assim estaria mais protegida.
– E como ela conheceu Jareth?
– Havia uma lenda, my lady, que dizia que se a Rainha dos Goblins não encontrasse um homem de coração puro para governar ao seu lado, ela envelheceria, perdendo a juventude eterna. De todos os que ela procurou, Jareth era o que tinha o coração mais puro, porém era apaixonado por outra, o que seria um grande problema traze-lo para cá.
– Não entendo, Sir Didymus! Se Jareth tinha o coração tão puro, como ele se tornou tão cruel?
– Ganância, my lady! A Rainha percebeu o ponto fraco dele ao trazê-lo para a Cidade dos Globins, que o poder e a magia despertaram nele algo que o fez até esquecer quem ele amava. Mas o que a Rainha não esperava era que o coração puro dele se transformaria e que ela seria traída pelo próprio homem pelo qual ela se apaixonou.
– Isso é tão … triste.
– Muito triste, my lady!
– E Felicity, você a conheceu, Sir Didymus?
– Não, my lady! Mas acho que Hoggle conheceu a donzela, pois ele era o braço direito de Rainha dos Goblins.
Minha vontade era de ir correndo atrás de Hoggle, mas já estava ficando tarde e eu achei melhor voltar, para não ter que enfrentar o mau humor de Jareth.
Voltei pro castelo pensando em como era o Jareth antes de se tornar rei, como era a Felicity e como ele foi capaz de abandonar alguém que amava por causa do poder.
Mal pisei na sala do trono e ele estava de braços cruzados, próximo à janela.
– Sarah, Sarah, Sarah. O sol já se pos e você não voltou cedo como eu pedi! – seus olhos eram frios.
– Fiquei andando pelo Labirinto e nem vi a hora passar.
– Não minta pra mim, Sarah! – sua voz era alta, não chegava a ser um grito. – Fiquei o tempo todo nesta janela te observando e você veio direto pra cá quando saiu da casa do Sir Didymus.
– Não quis usar o cristal pra saber mais detalhes? – falei ironicamente e logo achei que ele ia mudar o relógio de novo, mas ele se limitou a ignorar o meu comentário.
– Não entendo porque você gosta de ficar o tempo todo com esses seres, se você tem a mim!
– Eles são meus amigos, Jareth! Nós conversamos, brincamos, passeamos, nos divertimos!
– E por que não pode ser assim comigo? – ele andou a passos largos e estava parado bem na minha frente, seu rosto muito próximo do meu.
– Porque você não deixa, Jareth! – fui até a janela porque os olhos dele me deixavam nervosa. – Você só quer saber de poder, de possessão, que eu ame uma pessoa que não é quem eu quero!
Jareth não me respondeu. Virou as costas e quando já estava quase indo embora, disse tão baixo que quase nem o ouvi:
– O jantar será servido em uma hora. Não se atrase.
Eu estava me sentindo tão mal. Mas eu não estava compreendendo o comportamento do Jareth. Onde estava aquele rei mandão?
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