Notas iniciais
Amando essa fic. É possível eu estar apaixonada por algo que eu mesma faço? Boa leitura!

P.O.V THOMAS C.

Tudo o que eu queria era ir pra casa, mas o Sr. Sabichão queria arrancar uma resposta válida.

– Está tentando me fazer responder a uma pergunta tão indecente assim? Olha que vou começar a achar que sua vida amorosa anda tão sem graça que precisa de detalhes, um tanto sórdidos, da minha.

– O que houve no bar, Tom?

– Retiro o que eu disse. Detalhes completamente sórdidos.

– Thomas, dizer o que aconteceu pode te ajudar a esquecê-la.

– Oh, meu Deus. Estou atrasado para o primeiro dia de aula.

– Retomamos de onde paramos amanhã.

Entro em meu carro agradecendo por existir algo chamado escola. Terapia não ajuda em nada. A única coisa que a torna especial é o fato de pessoas solitárias pagarem outras pessoas desocupadas para ouvi-las. É horrível admitir que sou uma pessoa solitária. Até porque meus outros amigos desistiram de mim assim que disse a primeira palavra errada. Sociedade não deixa passar nada. Inacreditável. Bando de narcizistas arrogantes. E pra ferrar com tudo, existe uma coisa chamada paixão. Isso caga em tudo de uma vez só. Inacreditável como algumas pessoas conseguem viver sentindo isso.

Paro meu carro na primeira vaga que encontro. E ao abrir a porta, percebo que ela bate fortemente contra um porsche. Dentro dele, sai um garoto loiro, que deve ser só mais um riquinho idiota. Ele grita algumas palavras que não consigo decifrar, depois entra na escola.

– Carro idiota. – resmungo. Bato fortemente a porta do meu carro contra o carro ao lado.

P.O.V SARAH H.

Mais um dia no buraco que as pessoas insistem em chamar de escola. Esse lugar é um inferno. Fala sério! Quem criou esse pandemônio deveria passar a vida toda sendo atropelado por um ônibus. Inacreditável. As pessoas que conseguem se sair bem nesse lugar deveriam colaborar e ajudar os mais necessitados de notas. Minha maior média foi dois. Dois de sete. Isso sim é que é inacreditável. Segundo minha mãe super certinha, dois é a média de um jardim de infância. Ela adora constatar que meu irmão de três anos faria as minhas provas com a maior facilidade, e ainda tiraria mais do que eu. Inacreditável. Sem falar que as pessoas desse lugar me odeiam. Me olham como se eu fosse um demônio de três cabeças. O que provavelmente é como eu me vejo depois de três carreirinhas de cocaína, e algumas garrafas de tequila. É isso o que as drogas e o álcool fazem com as pessoas, minha gente. Há anúncios espalhados por toda a cidade com minha foto. Parece que as pessoas querem mesmo me fazer sentir sozinha. Isso sim é uma merda. Qual é, gente. Nunca matei ninguém. Pelo menos, não que eu me lembre. Aliás, eu nunca me lembro de nada depois de uma noite com meus amigos. Amigos é modo de dizer. Mamãe chama eles de “pessoas idiota que vendem coisas ilícitas para minha filhinha”. Como se eles fossem o lobo mal, e eu, a chapeuzinho. Mal sabe ela que na minha cesta, há vários doces que não podem ser comidos por crianças. Mas a questão é que, o lobo sempre será mal se você só ouvir a versão da chapeuzinho. Quer dizer, será que alguém já quis ouvir a versão do lobo? O porque ele queria a vovó? Na moral, ninguém quer saber a história do vilão. As pessoas só esperam vê-lo se ferrar. O que no meu caso, não vai rolar. Tudo depende de um certo grau de inteligência. Alguns vilões se ferram por um deslize quase imperceptível no momento. Mas que depois de um tempo, torna-se avassalador o bastante para estragar tudo o que já estava nos trilhos. Que pode ser um rastro na estrada de terra, ou um galho que se quebra no meio da floresta. O que quero dizer, é que todos tem um ponto fraco. E o meu, era desconhecido até para mim mesma. Até hoje.

P.O.V THOMAS C.

As pessoas pareciam me olhar como um cão olha pra uma carne no forno. As garotas me devoravam com os olhos. O que, se fosse em um local diferente, eu adoraria. Mas agora não, aqui não. Hora errada, local errado. Afinal, é uma escola. Não uma escola qualquer. A escola. Eu adoro essa cidade, e não posso pisar na bola com essas pessoas. Eu sou bom demais pra ser verdade. Inacreditável. É a única coisa que passa pela minha cabeça. Eu tenho que ser uma versão melhor de mim. Nada de ficar com essas garotas. Oh, meu Deus. Espero não morrer sozinho em um asilo. O que provavelmente é um destino mais saudável do que eu planejo. Viver de assaltos. Na moral, não é uma má idéia. Eu poderia me disfarçar de garota, e assaltar um banco. Assim, eles procurariam uma mulher. Genial. Vou marcar no meu caderninho. Na lista de “dez maneiras de me safar da policia após roubar um banco”. A primeira maneira é explodir o prédio inteiro e quando todos estiverem mortos, eu entrar e roubar o dinheiro.

Alguns anos atrás eu estava noivo de uma garota maravilhosa, e, quando eu mostrei a ela essa lista, ela me deixou plantado como uma bananeira no altar. Inacreditável. É tão ruim assim querer ser rico sem trabalhar? Ela me chamou de psicopata e disse que ligaria para a policia. Três dias depois ela morreu. Eu não fiz nada. Mas creio que ela achou alguém que não aceite ser chamado de psicopata. O que é bem provável, já que ela era uma cadela vingativa. Acho que foi o espírito dela que derrubou a panela do fogão ontem à noite. Vai ver ela queria vingança. Ou como ela e sua língua presa e nariz entupido diziam. “Seu psicopata, bou mi bingãr”. Até hoje eu não sei o que ela quis dizer. Talvez ela tenha dito “eu te amo, seu gostosão”. O que eu acho pouco provável, já que ela estava com uma faca...

Bom, agora chega de pensamentos sobre o passado. É o meu primeiro dia!

P.O.V SARAH H.

– Bom dia, classe. Meu nome é Thomas Cambpell, e sou seu novo professor de literatura.

...

Droga.

Notas finais
ATÉ MAIS ;)