You Belong With Me.
5 Let me protect you, my dear.
Notas iniciais
P.O.V THOMAS C.
Ela dormia tão tranquilamente que quase me assustei quando ela começou a despertar. Estava inquieta, e logo pediu algo pra comer.
– Está com fome?
– Claro.
– Sarah, você está nua, com o braço cheio de marcas medonhas e ainda consegue pensar em comida?
– Sim, Thomas. Eu ainda consigo pensar em comida. Por que? Pelo simples fato de que tudo o que você citou anteriormente já aconteceu um zilhão de vezes.
– Você já ligou pra um professor no meio da noite e pediu pra ele revirar a cidade atrás de você, que aliás, não fazia a menor idéia de onde estava? Algum professor já foi de beco em beco te procurar? Algum professor já te carregou escada a cima e te deitou na cama dele, esperando você acordar enquanto morria de preocupação?
– Não, idiota. As marcas e a situação em si. Eu estou acostumada com as conseqüências das merdas que eu faço, Tom. Eu mereço que isso aconteça comigo. Mas você não merece viver tudo isso. Eu não queria te meter em tudo o que está acontecendo. Coisas que nem mesmo eu não consigo entender. Mas você... você não deveria estar nessa. Você é um cara legal. E não merece que ninguém te deixe tão preocupado. Realmente sinto muito.
– Você sentir muito não melhora a situação.
– Eu sei.
– Quem era aquele cara que você falou, e o que ele fez contigo?
– Você não precisa saber.
– Sim, eu preciso. A menos que você se sinta melhor falando com um policial.
– Droga, Thomas! Eu não quero falar sobre isso, não entende? A minha vida está uma bagunça como sempre, e eu sinto muito por ter te envolvido nessa merda toda, mas se eu fiz isso, é porque eu confio em você, e você está se mostrando um grande idiota nesse momento. Eu não quero falar sobre isso com você.
– Eu idiota? Você é que está mostrando uma grande imaturidade! Deixa de tentar resolver as coisas sozinhas. Eu estou aqui pra te ajudar, e você está me chamando de idiota? Você é que é idiota se realmente acha que eu vou embora. Quando você vai entender que tudo o que eu quero é te ajudar? Não me afaste, Sarah. Estou tentando proteger você.
– Oh, meu Deus. Você quer me proteger? E quanto VOCÊ ira entender que eu não quero, e muito menos preciso da sua droga de proteção?
– Não foi o que pareceu noite passada.
– Eu estava alterada! Não tome como base minhas ações quando estou drogada. Já fiz muitas coisas bem piores. Mas, estou achando que te arrastar tudo isso pode ter sido o maior. EU é quem estou tentando te proteger!
– Proteger do que?
– DE MIM. Das coisas que eu sou capaz de fazer. Das coisas que eu tento esquecer. De algumas coisas que insistem em me assombrar. Não entende? Tudo o que eu quero é estar perto de você. Mas há uma parte em mim que não deixa isso acontecer. Porque você é bom demais pra alguém como eu. Eu não quero te arrastar pra isso porque eu não quero machucar você.
– Você não é uma bomba, Sarah. Você não vai me machucar.
– Sim, eu vou. Eu sou ótima nisso. Sempre que eu gosto de um cara legal, ele foge, se machuca, ou me acha uma péssima influencia.
– Eu não vou a lugar nenhum.
– Pois deveria.
– Eu não sou assim, caramba. Eu não vou deixar você sozinha nessa droga toda. Eu estou aqui porque eu QUERO ficar.
– Mas eu não te quero aqui, Thomas.
Isso meio que me atordoou. Ela me confundia a beça, mas, a sinceridade dela poderia ser um elemento tão positivo quanto negativo. E, de repente, me peguei sentindo uma coisa estranha no fundo do peito. Algo como mágoa ou tristeza por ela se sentir daquele modo. As coisas em que eu pensava eram bobagens, mas, a grande parte se concentrava no rosto dela. Com o queixo fino e a pele branca como leite sendo banhada pelos cabelos pretos como carvão. Com a voz suave, mas ao mesmo tempo cheia de experiência, egocentrismo e sarcasmo. O sotaque inglês era característico. E muito atraente.
– Nesse momento você não tem que querer nada. Você está na minha casa, e está aqui por minha causa. Eu praticamente virei esse lixo de cidade de ponta cabeça pra te achar, então não venha de grosserias pra cima da minha pessoa tão gentil. Eu te fiz um favor, e tudo o que essa droga de boca deve falar é “obrigada”.
– Olha aqui...
– Cala a boca, e olha aqui você. Eu fiz varias coisas pra te ajudar ontem, e, se você é o tipo de pessoa ingrata que não presta nem pra agradecer, a porta é bem ali. Mas, se você estiver disposta a calar a boca um segundo e aceitar minha ajuda, ótimo, há roupas na segunda gaveta do armário do banheiro, esperando por você. E também há uma banheira cheia com água quente e sais de morango que eu saí cedo pra comprar. Não seja idiota em recusar. – ela me olhou assustada, e por um momento pareceu considerar a idéia de ir embora enrolada em um lençol. Mas, pareceu desistir da idéia segundos depois de cogitá-la. Acelerou o passo na direção do banheiro, e, lá de dentro, jogou o pano em cima da cama, que fica de frente pra sua porta.
– Obrigada. – gritou lá de dentro.
– Custou agradecer, lady egocêntrica.
– Ah, sai fora, coisa idiota.
– Eu coisa idiota? Você que usa drogas e se perde em uma cidade onde, se você falar pra uma pessoa “estou no centro”, ela te acha em dois segundos. Porque o centro consiste em uma rua.
– Olha, a culpa não é minha, ok?
– Não? É de quem? Do seu traficante? Alias, quem é o seu traficante?
– Meu traficante não é da sua conta, Thomas.
– O que é da minha conta, então?
– O café da manhã.
– Bom, eu vou na padaria da esquina. Não use drogas.
– Ok.
P.O.V SARAH H.
Assim que ouvi a porta bater, senti um vazio inexplicável. E a vontade incontrolável de me afogar naquela banheira chegou. Mas desta vez, não o fiz por um motivo. E o motivo mais idiota deveria estar chegando na padaria nos próximos segundos.
Sentindo a solidão e o silêncio do apartamento, sussurrei.
– Eu gosto de você, Thomas. Gosto de verdade. – pela primeira vez, adorei admitir uma coisa pra mim mesma. E, mesmo em má hora, não parecia ser um dia ruim ao lado dele.
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