You Belong With Me.
6 You are the reason.
Notas iniciais
Estávamos sentados á horas vendo TV. Estava passando maratona de uma série que ela só fala as siglas. Claro que eu não entendia nada desde o segundo episódio, onde ela colocou a televisão em “mudo” e tentou me explicar o que acontecia, porque, segundo ela, minhas falas do gênero “que droga está acontecendo?” e, “quem é a porra de –A?” estavam ficando um tanto repetitivas.
Ela se virou pra mim após desligar a televisão, quando finalmente acabou a big maratona.
– O que você acha de uma pizza? – perguntou, quebrando o silêncio que se estendia pelo apartamento. Mas, era um silêncio diferente. Um silêncio bom, do tipo que acontece quando você está prestes a beijar uma pessoa que você está afim á décadas.
– O que acha de dormir? Está tarde. – ela pareceu não gostar da ideia, e, o silêncio voltou. Desta vez, nenhum de nós parecia disposto a quebrá-lo. Ficamos ali, nos encarando por um tempo que pareceu ser milênios, quando ela finalmente disse o que eu não estava preparado pra ouvir.
– Precisamos conversar, Tom.
– Sobre o que?
– Sobre tudo, desde a noite no bar.
– Ah, eu acho que não precisamos conversar sobre isso.
– Posso falar algumas coisas? Estou me segurando o dia todo. – como eu não esbocei reação, ela continuou. – Todos os dias depois que a gente ficou, eu meio que não deixo de pensar nisso. E é difícil porque eu sou obrigada a ver sua cara todos os dias. As coisas estão começando a ficar fora de controle, Thomas. Não sei se consigo ficar longe de você mais. É uma coisa espontânea. Você é como um contato de emergência. A minha pessoa, entende?
– Sua pessoa?
– Quando vamos ao hospital, eles pedem o nome de uma pessoa próxima a você. Você é a primeira pessoa que passa pela minha cabeça. E isso me deixa irritada comigo mesma, porque por mais que eu me esforce pra ficar distante, você me puxa cada vez pra mais perto de você. Eu amo estar com você, mas eu tenho que tentar tirar você da minha vida. Não é saudável pra você, e o que quero pra você é todo o bem que o mundo oferece, porque é o que você merece. Por mais que você me faça sentir viva, eu preciso aprender a viver sozinha. E sinto que não vou conseguir fazer isso se toda vez que eu me perder, você estiver lá pra me salvar, pra ser meu herói. Você me entende? Não quero que você passe por coisas que as pessoas próximas a mim são obrigadas a passar. Você é bom demais pra isso, Tommy, e precisa aprender a distinguir as boas pessoas das más. Por mais que eu me odeie por dizer isso, eu não sou o tipo de garota que garotos bons gostam. E pode acreditar, você é bom demais pra alguém como eu, entende? Não quero arruinar sua vida. E é isso que vai acontecer se nós insistirmos nisso.
– Não sei do que está falando, somos amigos, não? – ela virou um pimentão. Gaguejou incontáveis vezes. Ri, e me aproximei dela, e, tirando coragem de sei lá onde, eu a beijei. E por alguns segundo ela pareceu hesitante. Mas, por fim, retribuiu. Quando nos afastamos, ela abriu os olhos lentamente.
– Amigos não se beijam, Thomas!
– Eu posso ter mentido um pouquinho. – ela sorriu por um segundo, e eu comecei a achar que realmente poderíamos dar certo. Mas, ficou séria de repente, com a mesma rapidez.
– Thomas, você gosta de mim?
– Sim.
– Tenho pena de você, meu jovem. As pessoas que gostam de mim nunca acabam bem. – rimos. E, descontraidamente, toquei em seu antebraço e ela gritou, assustando-me. – Droga. – resmungou, arrumando o curativo desajeitado que eu havia feito.
– Não deixarei você fazer isso consigo mesma nunca mais, tudo bem?
– Não faça isso.
– Isso o que?
– Não tente me mudar, não haja como se fosse tão ruim, Thomas. Não demonstre repulsa.
– Repulsa? Sarah, estou tentando cuidar de você.
– Não, você está tentando me mudar. E eu não vou aceitar que você aja como o perfeito da relação
. — Eu nunca disse que era perfeito, você é quem surtou por eu estar cuidando de você.
– Por favor, não tente cuidar de mim, eu não preciso de babá. Tenho dezessete anos, já ta mais do que na hora de cuidar do meu próprio nariz.
– Não quero que você se machuque. É só isso.
– Não, não é só isso, você quer que eu me torne o tipo de pessoa que você apresentaria pra sua família. Mas eu não sou assim, Thomas. Sou o tipo de pessoa que pessoas como você odeiam, sentem repulsa, ódio, raiva, e muitas vezes, nojo. Não sou o tipo de pessoa que passa o resto da vida feliz com um príncipe encantado. E você não me parece o tipo de pessoa que concerta broken peoples¹. Eu estou fadada a uma vida de derrotas e frustrações! Eu nunca terei um marido perfeito, e um filho lindo. Muito menos uma droga de família maravilhosa como a sua. Infelizmente estamos em paginas, mundos, palavras, capítulos diferentes. E não é assim tão fácil arrumas essa situação. Simplesmente não somos feitos pra continuar juntos.
– Você é muito bipolar, Sarah. Será que não consegue pensar positivo um segundo nessa sua miserável existência? Pare de sempre agir como se fosse a vitima de uma vida cheia de injustiças, como se não merecesse o mínimo de felicidade que eu estou te oferecendo. Não seja idiota. Estou dizendo que podemos ser felizes. Que você tem a chance de ter um marido perfeito, um filho lindo e uma família perfeita. Mas você se recusa a acreditar que pode ser feliz uma única vez. Não seja tão dura consigo mesma, Sarah. Eu estou aqui, na sua frente, dizendo que não paro de pensar em você, e a única coisa que você pensa é em como será difícil continuarmos juntos. Está pensando em o que as pessoas da minha vida pensarão sobre você. Porém, isso não é sobre o que acharão sobre você, não é? É sobre você não querer se sentir mal por usar drogas e ferir pessoas próximas a você. Mas você não consegue entender que se você me machucar, tudo bem. Tudo bem você ser assim, mas tudo o que eu quero é cuidar e proteger você. Porque você não entende que a cada agulhada, a cada carreirinha, você me destrói. Sarah, você é uma garota legal, mas está se matando e se recusa a aceitar minha ajuda. Eu gosto de você, mas eu não vou gostar de você até a morte. Quero que continuemos assim, juntos, assistindo a um bom filme e rindo de coisas ridículas, que normalmente eu não acharia a menor graça sem você por perto. Mas parece que tudo o que você quer é brigar, e se rejeitar a me amar. Tudo o que eu peço é que aceite minha ajuda, ou, o melhor que pode fazer é realmente sumir da minha vida. Acho que tudo tem um limite. Até mesmo eu tenho meus limites. E, por mais que eu queira te ajudar a alcançar a sobriedade, você me força a fazer coisas como essa. Me força a ultrapassar meus limites. E eu estou cansado, Sarah.
P.O.V SARAH H.
Eu não entendo como um coração puro, cheio de bondade e luz, consegue amar um coração como o meu, cheio de falhas, remendos, escuridão.
Uma alma repleta de impurezas e uma cabeça cheia de merda e coisas más. Um corpo cheio de machucados, furos e cortes. Um sangue cheio de drogas. Como tudo isso pode ser amado? Como tudo isso pode existir? Tamanho desacato a vida.
E, pensei, por vários segundos se eu realmente deveria fazer tudo aquilo com o meu coração, minha alma, meu corpo e meu sangue.
Tantos bebês e crianças lutando para continuar vivos, e eu aqui. Desrespeitando a coisa pura que existe em mim. A vida. Com tudo danificado, era a única coisa que me restava. Mas ela também parecia estar prestes a cair em um precipício sem fim. Parecia realmente estar presa a um fio tênue. E, quando o fio que me liga a tudo o que eu gosto, tudo o que me faz sentir bem, arrebentar, eu irei cair no precipício. E não há volta. Todo mundo sabe que não há volta.
P.O.V NARRADORA.
Ele, oh, um doce de menino, sempre arranjava um pretexto, um motivo pra ficar. Mas ela, sempre arranjava uma maneira, uma razão pra ir embora. Ficava assustada, perturbada e raivosa do nada. Mas ele sabia acalmá-la e, por mais que ela queira fazer coisas erradas e más, ele a levava para o caminho do bem. E, sem nem mesmo notar, sua mente e seu coração se curavam de todo o mal que ela proporcionava a ambos. E, a cada segundo, a linha tênue se engrossava a partir de todo o amor e carinho que ele emanava.
Ela costumava pensar que ele cheirava a bondade e boas intenções. Mas ela nunca gostou de caras assim. Estava acostumada a ser maltratada por coisas bobas, como levar o café com adoçante, ao invés de açúcar. E pensava ser uma relação normal. Mas agora ela sabe que o normal dela, estava ligada ao normal de Thomas.
E ele sabia, mesmo antes dela saber. Ele sabia que tudo aquilo não era uma amizade forçada pelo seu heroísmo ou pela devoção para o mal dela.
Para ele, tudo era uma obra do destino, que assistia maravilhado ao show que vida amorosa desastrosa dos dois proporcionava. E, por mais que se esforçasse para não sentir aquilo, ele estava completamente, literalmente, perdidamente, maravilhosamente apaixonado por aquela garota que agora, possuía seu coração nas mãos, podendo esmagá-lo com as próprias mãos, ou viver com ele, que batia por somente um motivo.
Ela.
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