You Belong With Me.
4 I Promise.
– O que? Como assim você não sabe onde está???
– Olha, eu usei heroína e, agora estou num beco muito escuro.
– Como?
– Supondo que eu não consigo enxergar minha mão na minha frente, deve ser um beco muito escuro mesmo.
– Não, como chegou ai.
– Eu não lembro.
– Sarah!
– Olha, não discuta com uma pessoa drogada que está perdida.
– Ok, sai daí e me diz o que está vendo.
– Bom, eu não estou vendo você aqui.
– Como você quer que eu vá te pegar se eu não faço a menor idéia de onde você esteja?
– Tudo bem. A linha vai ficar muda por um tempo. Vou achar a saída desse treco. Fica na linha, por favor.
– Claro.
P.O.V SARAH H.
Eu estava tão chapada que não saberia dizer se era um novo dia. Eu me droguei com uma ampola de heroína, e quando me vi perdida, liguei para o primeiro numero da minha lista de contatos. Se você está pensando “nossa, que fofa! O numero dele é o primeiro!” você está redondamente enganada. Liguei pra minha mãe, e quando eu disse que estava perdida, ela desligou na minha cara. Nada bom, querida. Pois é. Nada de bom acontece quando está drogada e se liga pra sua mamãe. Mas, eu já deveria saber que não era uma boa idéia. Tudo o que eu quero é ir pra casa. Mas, quando se é uma Hastings, não da pra vacilar.
Eu via uma série de caçambas de lixo espalhadas por todo o beco escuro. A luz do celular me ajudava a ver um pouco melhor, mas, a parte da frente, a alguns metros na minha frente, era praticamente preta. Um breu legal.
– Ok, Tom?
– Estou aqui.
– Está cheio de caçambas.
– Acha que está no centro?
– Não sei. Está movimentado, mas não tanto. – a parte de trás do beco se fechava em uma grande parede pintada de cinza. Ou azul. Eu não saberia dizer. Mas, provavelmente o efeito da droga já havia passado. Como sei disso? Agora, pelo menos eu me lembro do meu nome. – Thomas, eu estou com medo.
– O que foi?
– Tem um cara aqui. – perto da caçamba mais distante, havia um cara. Parado. De costas para a única saída. Ele estava estranho, andava estranho, agia estranho. Na sua mão esquerda, via-se a ponta de algo afiado reluzir a pouca luz proporcionada pelo meu celular. Alguns caras mais velhos passavam pela saída, provavelmente bêbados demais para ajudar. – Oi?
– Sarah! Onde você está? Estou saindo de casa pra te procurar! Não me faça olhar em cada beco dessa cidade. – mesmo com o telefone longe da orelha, conseguia ouvir a voz de Tom gritando, desesperado. O cara começou a se aproximar, e, aos poucos, consegui ver seu rosto. Um cara forte, careca, que vestia um capuz preto. Cheio de cicatrizes e tatuagens. Ele levou o dedo até a boca, e fez “shh”, distraidamente.
– Não é uma cidade tão grande, Tom. – e, dito isso, vi a escuridão de um capuz me segurar, e me jogar em direção ao chão, com uma força extraordinária.
P.O.V THOMAS C.
Era o centésimo beco escuro em que eu entrava, em menos de dez minutos. Supus que era mais provável ela estar em um beco mais perto de algum bar. Nada. Se estivesse contando, provavelmente já teria me perdido cinco vezes, no mínimo.
E, provavelmente eu chamaria a policia numa situação assim. Mas, ela me instiga. Força-me a fazer coisas que provavelmente eu não faria pra outras pessoas.
Mas, ela é diferente. Não há como explicar.
Entrei em um beco, que ficava perto do bar em que a gente se conheceu. A escuridão era imensa, e havia caçambas em todo lugar, exatamente como os outros mil em que procurei. Mas, nesse, havia algo diferente. Algo quase chamativo no meio do breu iminente. Havia um pano, uma toalha, esticada no chão negro. Aproximei-me para tentar descobrir o que era.
Era uma garota. A minha garota.
Por baixo do grande pano, que agora aparentava ser um lençol, ela estava nua. Seu braço direito estava marcado e roxo pelas agulhadas de heroína. Abaixo de seus olhos, havia grandes olheiras vermelhas. E, seus pulsos possuíam grandes marcas. Ali, na hora, eu apenas chorei. E agradeci por ela estar viva.
Peguei-a no colo, com cuidado para cobri-la completamente com o grande pano. Levei-a para o carro, deitei-a no banco de trás e dirigi pra casa.
Tudo o que eu pensava era em como as drogas destroem um caráter e personalidade tão único. Uma garota esperta, independente, engraçada, que possui um ar irônico e sarcástico contagioso. Uma garota que tem tudo. E, de repente, foi transformada em um ser humano com as mesmas características, porém, com marcas roxas e olheiras. E, por um segundo eu imaginei como a vida seria se eu não tivesse a conhecido. Eu estaria em casa, provavelmente dormindo, ou lendo um bom livro. E, provavelmente essa noite seria um saco, como todas as outras. E, a vida no colégio também seria uma droga. Vê-la no meio dos alunos me acalma um pouco. É como ver um rosto conhecido no meio de uma multidão. Como sentir um sabor conhecido no meio de um prato novo.
É maravilhosa a maneira como me senti quando estou com ela. Senti-me mais jovem. Como se o tempo não passasse. Mas ela insiste em se drogar, se matar pouco a pouco, cada dia mais.
Quando chegamos em casa, demorei dez minutos pra subir a escada. E, já no topo, descobri que a maldita chave havia ficado no carro. Desci novamente, com ela ainda no colo. Depois, com o rim na panturrilha, subi as escadas. Sério, isso já é pedir pra ganhar uma hérnia. Abri a porta, e a deitei sobre minha cama. Fui ao banheiro, peguei alguns cremes e passei em seu braço, após lavá-lo com água e sabão, e depois, coloquei uma gaze sobre as marcas violentas.
Ela parecia estar dormindo, mas ao mesmo tempo, me preocupava ela não ter acordado.
E, enquanto passava uma toalha molhada em sua testa, sussurrei.
– Você vai ficar bem, Sarah. E, quando tudo isso terminar, nunca mais eu vou te deixar usar essa porcaria. Eu prometo.
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