You Belong With Me.
10 Goodbye.
Notas iniciais
Eu havia acabado de acordar, estava deitada sobre o peito coberto de Thomas há horas. E esperava que aquele momento nunca acabasse, pois o dia consistia em um sábado chuvoso.
Ele cheirava a canela. E não havia melhor travesseiro do que seu peito. Eu havia adormecido tarde, mesmo assim sentia sua mão acariciando meus cabelos. E assim, eu tive um sonho doce. Onde eu me casava e tinha filhos maravilhosos. Mas meu marido não era Tom. Assim como eu não era a mesma.
Thomas acordou poucos minutos depois. E passamos a manhã assim, assistindo a filmes, séries e conversando. Às vezes ele roubava um beijo, uma pipoca, um abraço, uma das minhas pulseiras. Outras vezes pausava o filme para me contar alguma novidade ou curiosidade sobre o assunto tratado no filme. O filme acabou perto das três da tarde, e ele me convidou para jantar em um dos restaurantes da cidade.
Fui pra casa de táxi me trocar, e prometi encontrá-lo na frente do seu apartamento para podermos ir juntos.
Abri a porta pesada da mansão onde minha família reside. E lá dentro, encontrava-se um caos enorme. Meu irmão estava correndo de um lado para o outro com um avião de plástico nas mãos. No centro do grande salão havia uma arvore de natal de três metros. No topo, havia o anjo de porcelana do meu pai. Todo natal antes do acidente, era uma tradição ele me levar até a escada, me erguer e ajudar a encaixar o lindo anjo. Natal sempre foi uma data marcante para minha família. Todo ano éramos anfitriões de uma grande festa. Papai adorava decorar a sala com luzes, adorava pendurar nossas meias na lareira e adorava mais ainda me ouvir tocar. No aniversário dos meus seis anos eu ganhei um enorme piano. E no natal, ele me obrigou a tocar uma musica natalina pra toda a família. E, assim que terminei, ele estava aos prantos. E, mesmo eu tendo errado várias notas, ele disse que foi a coisa mais linda que ele já havia ouvido. Mamãe riu e revirou os olhos.
Meu primo, Caleb, me tirou de meus devaneios com um abraço apertado de boas vindas. Mamãe apareceu atrás dele bem surpresa. Fez um gesto para a seguirmos até a sala de estar. E, no lugar do meu piano, estava um grande sofá.
– Onde está meu piano? – pergunto assim que entramos na enorme sala.
– Aquela coisa velha, querida? Mandei jogá-lo naquele lixão perto do Brooklyn. – responde indiferente. Ela parecia querer me provocar. Sabia exatamente qual era meu ponto fraco. Papai.
– Você jogou o piano que ele me deu? Como teve a audácia de fazer isso?
– A casa é minha, Sarah. Sem drama querida. É véspera de natal!
– E escolheu exatamente tal data pra jogar o bem mais querido do papai fora?
– Querida... – sussurrou, dando passos na minha direção, até que chegou perto o suficiente para segurar suavemente meus cotovelos. – Você sabe que seu pai não iria querer que você passasse o natal longe da sua família.
– Você só quer exibir sua família para a imprensa. Sabe que se eu não aparecer, os tablóides vão achar que há algo de errado conosco. E quer saber, mamãe... – digo, afastando-me dela – há realmente algo muito errado nessa droga de casa.
– Sarah, se você não vir pra esse baile, eu irei congelar todas as suas contas. E você sabe que eu faria isso.
– Claro que faria. Você é só mais uma que teve sorte de engravidar de um ricaço. E agora que ele não está mais aqui, você pode usar o dinheiro que ele conquistou com tanto esforço. E agora está renegando a mim. Pois sabe que você não é nada pra mim. E nunca será. Então, pare de tentar me assustar cortando minha mesada. Ela já é minha por direito. – eu cheguei perto dela por um instante e sussurrei – Você nunca será como o papai. – e passei por ela, indo em direção as escadas.
– Seu pai era um traidor miserável. Pare de colocá-lo em um pedestal só porque acha que o matou. Ele era imaturo e irresponsável como você. E se ele morreu de jeito tão penoso e detestável, foi porque ele mereceu. – disse, subindo os degraus rapidamente atrás de mim. Eu me viro violentamente na sua direção.
– Que merda você acabou de dizer? – gritei. – Você acha mesmo que ele mereceu morrer daquele jeito? Que eu mereci ver meu pai se afogando no próprio sangue? Acha mesmo que eu mereci passar por isso? Eu sou sua filha! E ele era seu marido. E por mais que te contrariasse, ele foi a única pessoa capaz de te amar. Agora, ele se foi. E você vai apodrecer. Sozinha. – depois disso, eu só senti um peso sobre minha bochecha direita, que começou a queimar. Ela havia me dado um tapa.
– Como pode sequer dizer isso Sarah? Eu sou sua mãe.
– E eu sou sua filha! Nunca chegou a pensar que talvez tudo isso... – eu puxei a manga da camisa até o cotovelo e lhe mostrei meu antebraço – fosse sua culpa? Talvez eu não fizesse isso se eu tivesse uma mãe pra conversar e tomar um sorvete. Não culpe meu pai. Ele foi melhor do que você em todos os quesitos. – cuspi em sua cara as palavras guardadas á tempos. – Você não o merecia. Você merece morrer sozinha nessa casa enorme. Merece que tudo o que você criou desabe sobre suas costas. E isso é o que vai acontecer. Agora, se me dá licença, eu tenho um jantar pra ir. – disse, caminhando com passos longos e firmes para meu quarto. Quando sai de lá com uma mala, ela estava no mesmo lugar. Provavelmente ainda abalada por minhas palavras. Ou talvez arrependida pelas dela.
– Onde você vai, filha?
– Eu vou ficar em um hotel até ir pra faculdade. – desci as escadas, e pude ouvi-la me seguindo.
– Você não tem ir, querida. Temos espaço aqui. Você pode ficar. – ela diz, desesperada. As lágrimas caiam cheias de seus olhos.
– Amanhã eu passarei na empresa com meu advogado.
– Sarah, o que está dizendo? – questionou meu tio, o único irmão de meu pai.
– Eu mudei de idéia. Eu quero tudo o que o papai deixou pra mim.
– Você não está pensando direito, filha. – disse mamãe, puxando minha mala.
– Eu quero o que ele deixou pra mim. E eu acho que isso inclui esta casa. – digo, olhando ao redor. Chego perto dela e sussurro — dê adeus pra ela, mamãe.
– Vai ter coragem de me jogar na sarjeta com seu irmão?
– Claro que não. Ele pode ficar comigo se quiser. E você não ficará na sarjeta mãe. Se me lembro bem, você tem aquele apartamento no Queens. – digo, saindo. – Carter! – Carter era o chefe dos empregados.
– Senhorita! É bom revê-la! – diz, tirando o quepe e fazendo uma reverencia exagerada.
– Onde está meu motorista? Mande chamá-lo, por favor. – cinco minutos depois, meu motorista chegou, dentro de uma Range Rover preta.
– Pra onde, senhorita Hastings?
– Vamos só... andar por aí.
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