Notas iniciais
Contagem regressiva: 03 para o fim.
Oieee *-* ainda é segunda *apanha* qqq.
E aí gente tudo bem? *-* espero que sim ♥.
Estamos aqui reunidos (credo nem sei o que pareceu isso auhahuuhauhauha) para mais um cap da You Are *-*.
Adoro escrever pós-lemon, é tão bom, e claro, depois do lemon AoiHa (que nessa fic era mais que importante q) escrever esse cap foi bom demais *-*.
Pena que faltam poucos caps para o fim, pretendo terminar de postar a fic até segunda-feira que vem e espero conseguir cumprir esse prazo.
No mais vou responder os outros reviews enquanto lêem esse cap ♥.
Boa leitura.

Aoi foi despertando aos poucos naquela manhã fria de domingo e o primeiro aroma que lhe adentrou as narinas foi o do shampoo que Uruha usara no dia anterior enquanto se arrumava em Kanagawa. Automaticamente os sentidos do Shiroyama foram aguçando e os pensamentos da madrugada voltaram-lhe de imediato, fazendo-o sorrir enquanto ainda permanecia com os olhos fechados. Instintivamente seu rosto foi se aproximando da cabeça do maior que dormira com o rosto perto de seu peito e depositou um selar ali, só então abrindo os olhos. Seu braço que já estava por cima do outro o trouxe para mais perto. Uruha soltou um resmungo, mas continuou dormindo. Aoi riu baixinho e iniciou um carinho leve em suas costas.

Seu desejo era permanecer abraçado com Uruha durante todo aquele dia que já havia começado com chuva, aproveitando sua companhia sem precisar nem ao menos sair da cama, talvez só para preparar coisas para comer, mas depois voltando para debaixo das cobertas. Esclarecer tudo sobre a volta surpresa do moreno maior e chegar de supetão na gravadora com ele já em posse das próprias guitarras e com um dos exemplares da peruca. Agora que se lembrava de ter os modelos em mãos agradecia a intuição de Ruki e o fato de o vocalista ter lhe escolhido para entregar os quatro protótipos. Assim que conseguisse se desgrudar de Uruha lhe mostraria o trabalho feito.

O problema era conseguir se desgrudar do maior depois de tanto tempo separados. Só o pensamento lhe fez abraçar ainda mais o corpo do outro contra o próprio afundando-o seu rosto ainda mais contra si. Quando o Takashima resmungou mais se deu conta do que fazia e o liberou um pouco, baixando o corpo até que seus olhos ficassem na altura do rosto alvo que descansava tão tranquilamente que lhe podia comparar a um anjo.

A respiração compassada, tão diferente da madrugada quando estava absurdamente audível e entrecortada. Agora seu peito não se elevava mais do que o necessário e cada ciclo era realizado de maneira cadenciada, suas feições também mostravam calma e sossego e ele parecia muito tranquilo enquanto dormia. Seus fios de cabelo por mais que cobrissem todo o couro cabeludo ainda estavam curtos e lhe davam um aspecto diferente que só no momento Aoi havia notado. Enquanto seus dedos caminhavam tranquilamente pelo rosto de Uruha acarinhando-o ele percebeu como o namorado ficara diferente, mas não anormal ou feio como insistia em afirmar.

Aqueles eram novos ares, novos ensejos para se aproveitar a vida, toda a parte ruim por mais que ainda estivesse recente já era parte do passado que todos desejaram que chegasse logo, e que agora parecia tão surreal que ainda encantava Aoi, e mesmo que aquele caminho não fosse o foco de seus pensamentos ele sabia bem que todos os outros ficariam tão embasbacados e felizes quanto ele estava no momento e por alguns instantes se perguntariam se não era um sonho.

Dessa vez não era e aquele sentimento que acompanhava esse pensamento era tão bom que um sorriso se apropriou do rosto de Aoi e ele nem ao menos se deu conta, ou se o fez não parecia preocupado. Na verdade, quanto mais sorria mais a felicidade dentro de si crescia, como se a realidade agora começasse a finalmente imperar em seu ser e correr por todas as suas veias, preenchendo as lacunas tristes de seu coração e sobrepujando a solidão do moreno. Agora ele sabia que o lado esquerdo de sua cama estaria sempre quente e preenchido e quanto seus braços procurassem por apoio encontrariam Uruha ao lado.

Sobressaltou na cama ao ouvir o telefone tocar e vestiu o robe que fazia conjunto com seu pijama que no momento estava espalhado pelo chão e correu até a sala. Havia um aparelho em seu criado-mudo, mas para não acordar Uruha resolveu atender do outro cômodo.

— Moshi moshi? — Bateu os olhos no relógio que ficava na parede que dividia a sala do pequeno corredor que dava para a área de serviço e a cozinha, e que de pequeno só em extensão em largura, já que todos os cômodos eram espaçosos e meticulosamente decorados. Os ponteiros marcavam oito e meia da manhã.

- Genro-san! – Disse Akemi animada. – Tudo bem?

- Akemi-san que surpresa. – Sorriu como se a 'sogra' pudesse ver. – Como vai?

- Muito bem meu genro e você? – Esperou Aoi responder. – Então, eu queria saber se você viu Kou-chan ontem, ele voltou para Tokyo.

...

Uruha se espreguiçou com vontade, espalhando-se completamente pela cama. Aos poucos foi abrindo os olhos que se encontraram primeiramente com o teto branco do quarto de Aoi. Seus pensamentos também foram retornando gradativamente e os acontecimentos que mais marcavam iam desde o momento em que desceu do táxi até as mãos de Aoi lhe tocando. Mãos cálidas, dígitos também extremamente quentes que lhe apertaram, lhe apalparam sem extrapolar ou de menos, na medida certa que fora suficiente para lhe marcar; não a cútis em si, mas por dentro, deixar uma marca inesquecível.

Desde o início, quando também se apaixonou por ele não podia imaginar – Apesar de ter suas dúvidas. – que seus toques eram tão marcantes e inebriavam tanto como havia sentido na madrugada. Ainda conseguia se recordar de cada pressão em suas coxas, cada toque mais indecente, cada caminho percorrido em seu corpo enquanto os orbes negros lhe devoraram. Aoi poderia lhe fazer tremer e causar um latejar intenso em seu baixo-ventre só com aqueles detalhes que em conjunto eram imbatíveis. Se tinha algo de que nunca se cansaria seria se entregar para ele, o que já pretendia fazer logo novamente caso seu canal não mais virgem permitisse.

Por enquanto, todavia, o que queria e precisava era um banho. Sentou-se na cama e um resmungo escapou-lhe pelos lábios, provavelmente não poderia fazer nada muito pervertido por alguns dias, mas ao menos aquela não era a única forma de se divertir e conseguir um orgasmo, não que também fosse de seu real interesse no momento. Fitou as roupas espalhadas pelo chão e sorriu de canto, vendo agora toda a extensão das conseqüências das duas excitações combinadas no meio da madrugada. Suas malas continuavam quietas perto da cômoda, mas antes que chegasse até elas notou um reflexo estranho no espelho do banheiro da suíte. A porta estava entreaberta e lhe dava alguma visão do cômodo.

Encaminhou-se para lá e ao abrir toda a porta seus olhos percorreram a mensagem que havia sido escrita com delineador preto, um dos itens que mais usavam no dia a dia: A calefação vai estar ligada, se quiser pode usar short. Aliás, use short sim para o bem dos olhos desse pobre guitarrista moreno que te ama muito.

Uruha riu e teve ímpetos de gritar 'hentai', mas resolveu fazer mais uma surpresa para o moreno e aproveitou para arrumar a cama e recolher todas as roupas do chão enquanto torcia para que Aoi não aparecesse. As duas roupas íntimas colocou dentro do cesto que havia no banheiro e as peças do pijama de Aoi e as que usou na viagem deixou dobradas ao pé na cama. De sua mala retirou peças novas e se encaminhou para o banheiro em definitivo, vendo pela janela ao lado do box o céu nublado. Aquele mesmo céu que fez parte de sua vida em muitos dos momentos ruins enquanto ainda estava doente, enquanto estava distante de quem tanto amava.

Agora, mesmo que estivesse nublado de novo em seu mundo não havia mais aquela neblina cinza que deixava seu chão balançado e a incerteza do que poderia vir a seguir. Não tinha mais medo de perder seu lugar na banda nem no coração de Aoi, não tinha receio de que sair desprotegido no vento faria sua leucemia voltar, tampouco que aqueles pesadelos de antes lhe assombrariam cada vez que se cortasse ou vivesse uma situação que lhe comprometesse de alguma forma. Apenas o clima estava solitário e inquietante, seu coração estava preenchido de alegria e ele sabia que dali para frente às coisas continuariam daquela forma e melhorariam ainda mais.

...

Organizou todo o banheiro ao sair do banho, arrumando a si mesmo por igual. Os relógios marcavam nove e meia da manhã e a porta do quarto estava aberta, o que indicara que Aoi havia estado ali. Um sorriso estampou seu rosto e finalmente, depois de mais de um ano caminhou pelo apartamento do moreno sem se preocupar com nada, feliz pela noite que tiveram e sem precisar de qualquer proteção como roupas demais ou máscara. A calefação deixou um ambiente agradável para ambos e o cheiro de café da manhã veio-lhe da cozinha que notou estar com a porta aberta enquanto se encaminhava pelo menor corredor do apartamento.

Aoi estava de costas, voltado totalmente para o fogão enquanto cantarolava uma das músicas da banda. Usava uma calça preta e uma camisa branca de mangas compridas e justas que estavam levemente puxadas para cima, protegendo-as de qualquer mancha ou molhado. Sua concentração estava toda no café que passava e Uruha bateu os olhos na bonita mesa que ele havia preparado para ambos. Seu sorriso continuava radiante e antes que Aoi pudesse se virar correu até ele e o abraçou pelas costas, fazendo assim um sorriso também se formar em seu rosto.

— É um sonho não é? – Aoi pousou o bule novamente no fogão e pôs as próprias mãos sobre as de Uruha em sua cintura. – Você aqui comigo sem se preocupar com a doença, com qualquer outro problema. Eu achei que esse dia nunca ia chegar.

- Eu também achei que não. – Uruha pousou a cabeça no ombro de Aoi e ambos viraram os rostos encontrando-se. Sorriram para o outro e se beijaram rapidamente. – Mas, parece que essa guerra finalmente acabou.

- E você venceu.

- Não Aoi... – Sorriu-lhe. – Nós vencemos. Nós dois, nós e todo mundo que também estava preocupado. Sem vocês eu não teria conseguido.

Aoi soltou gentilmente as mãos de Uruha de sua cintura e se virou, fitando-o intensamente. Seus lábios se encontraram novamente naquela dança perfeita, a valsa bem passada e gradualmente foram se afastando do fogão que ainda estava quente. Pela pouca, mas de certa forma significativa diferença de altura Uruha se limitou a abraçar Aoi pelo pescoço enquanto que ele o abraçava pela cintura de maneira possessiva, apesar de calma. Suas pernas se chocaram e o moreno notou que as do maior estavam desnudas, o que lhe fez sorrir de imediato, apartando o rápido ósculo. Separou-se de Uruha o suficiente para notar como se vestia, a touca preta na cabeça uma camisa preta de mangas compridas semelhante a que usava, chinelos também pretos nos pés e um short curto, adivinhem vocês, também preto.

O foco de Aoi, no entanto eram as pernas branquinhas e desnudas.

— Saudades de me ver nesses shorts? – Uruha perguntou enquanto se adiantava em pegar o bule e levar à mesa. Ambos se sentaram de frente para o outro.

- Fazia tempo não é? – Aoi cruzou os dedos sobre a mesa. – Acho que até as suas pernas estavam com saudade dos shorts.

Uruha riu. – Dos shorts, de camas confortáveis-

- De uns apertos. – Aoi comentou rindo enquanto pegava um dos biscoitos do prato e levava até a boca. Uruha o acompanhou.

- Me pergunto por que disse isso. – Sorveu um gole do café quente e adoçado na medida certa. – Algo aconteceu que eu não me recordo?

- Talvez alguns incômodos ao vizinho, mas nada que precise se preocupar.

- Quando eu mudar para o apartamento da frente a gente intercala esse incômodo.

Ambos riram. Seus olhos irradiavam alegria e se encontravam com freqüência, mas a mesa bem disposta também atraía seus olhares e narizes para os biscoitos caseiros e os pães, afora os condimentos como manteiga e geléia e algumas torradas perfeitamente colocadas num dos pratos brancos e rasos. Em suas xícaras havia café, mas uma chaleira toda decorada e em porcelana chinesa descansava mais ao fundo com chá verde.

— É mesmo, já ia esquecendo, Akemi-san ligou.

Uruha mordeu a língua e Aoi riu. – Eu tinha esquecido... Itai... Ela me xingou muito?

- Não, só jogou verde e perguntou se eu tinha te visto, e que você tinha voltado para Tokyo.

- Bem que ela disse que eu ia esquecer. – Praguejou baixinho e voltou a comer com mais calma para não se machucar mais. – Depois eu ligo.

- Ela disse que não precisava se preocupar que ela não queria incomodar as suas férias.

- Férias? – Riu. – Só se eu não voltar tão logo pra companhia ainda vou estar de férias.

- Eu acho que você deve voltar logo. Você e o Sugizo-san devem encerrar a turnê juntos ou ele deve ficar ainda mais alguns shows com a gente antes de sair.

- Mas eu só posso voltar se tiver as perucas. Elas ficaram prontas?

Aoi lhe sorriu como forma de resposta, então mudou o rumo do assunto e ambos terminaram o café tranquilamente e falando sobre outras coisas, como seu relacionamento e a mudança de Uruha que ainda queria se situar sobre a venda do próprio apartamento antes de ir morar no da frente e precisava verificar algumas coisas, voltar nos eixos antes de qualquer coisa mais brusca, o que Aoi entendia perfeitamente, afinal havia ficado um ano e dois meses longe de tudo que havia construído durante anos e muitas dessas coisas ficaram em aberto, precisando de um fim.

Ainda assim confirmou que iria comprar o imóvel e Aoi ficou incumbido de falar com a imobiliária, o síndico e quem mais precisasse enquanto Uruha recuperava de vez o próprio chão. Depois disso falaram sobre a volta do maior à companhia e decidiram que iriam juntos naquela segunda-feira e mostrariam a surpresa para os amigos. Uruha usaria aquele domingo para dar um trato nas próprias guitarras, mas antes que pudesse pensar em se arrumar e sair Aoi pegou as duas sacolas que havia colocado no vão entre os dois sofás – Prateados. – e abriu uma delas, tirando dali o manequim com a peruca. Uruha o olhou com um sorriso no rosto.

— Todos nós achamos que ia ficar a sua cara. Gostou?*

- Se eu gostei? – Indagou com ênfase, pegando o manequim das mãos de Aoi e abraçando. – Isso ficou perfeito, eu acho que vou dar uns beijos no Ruki e nas cabeleireiras por isso.

- Então eu vou beijar as maquiadoras e o Reita.

Uruha o encarou e os dois caíram na risada. Após isso ele experimentou o novo e temporário cabelo e gostou de ver algo mais escuro e longo na própria cabeça. Olhou-se de todos os ângulos que conseguiu e teve de aguentar cantadas um tanto quanto inusitadas de Aoi, que ia inventando frases com duplos significados e o fazia rir mais do que conseguia se concentrar em avaliar o novo visual. Acabou por escolher ficar com ele para que pudesse se acostumar e conseguisse adquirir confiança quanto a se mover e não achar que a todo o momento a peruca iria sair do lugar.

As outras três foram parar de volta na bolsa e estas esquecidas novamente entre o vão dos sofás enquanto os dois se sentavam abraçados e Aoi ligava a tv que na verdade serviria apenas como plano de fundo, já que nenhum dos dois estava realmente interessado no que passava. Mesmo que fosse algo interessante e de seus gostos a proximidade entre eles e a vontade de matar toda aquela saudade era maior do que qualquer influência externa.

Acabaram então voltando para o quarto, mas não para fazerem algo que tivesse conotação sexual. O que queriam era sentir o calor do outro, seu sabor, as texturas de suas peles, tudo que sentiram na madrugada, mas que não era suficiente para suprir todo o tempo em que estavam separados, embora ambos soubessem que seria algo meramente impossível. Mas, se podiam aproveitar aquele momento entre si naquele dia em que não precisavam fazer exatamente nada não perderiam o tempo precioso fazendo qualquer outra coisa que não fossem se curtir, namorar o tempo que quisessem e deixar que as horas transcorressem do lado de fora enquanto se amavam do lado de dentro.

...

Ainda naquele domingo à noite por volta de sete horas Uruha desceu de um táxi em outra rua residencial um pouco distante de onde Aoi morava. Seus olhos percorreram a fachada tão conhecida para si, várias das luzes dos apartamentos estavam acesas e teve uma que por mais de um ano não brilhava... A de seu próprio apartamento. Ali quietinho no oitavo andar ele jazia esperando que Uruha voltasse e tomasse providências como as que tinha em mente. O porteiro o fitou com surpresa e lhe dirigiu um alegre 'bem-vindo'. Uruha deu-lhe um sorriso amplo e vivo e enquanto se encaminhava para os elevadores as lembranças viam-lhe a mente.

Todos os dias seguia sempre aquele mesmo ritual de sair com as guitarras, encontrar às vezes os mesmos moradores no hall ou nos elevadores, dar bom-dia ao porteiro... Tudo seguia uma linha padronizada que virara um costume que se acomodou para si, assim como diversas outras coisas se acomodavam para cada pessoa. Mas, quando seu mundo acaba dando uma reviravolta e todo o seu chão bambeia as primeiras coisas que voltam à mente são aquelas que eram consideradas enfadonhas e esquecidas pela correria do dia a dia.

O que Uruha podia garantir que havia mudado em si mesmo era aquela nova forma de ver as coisas, prestas atenção nos detalhes. Assim como muitas pessoas que passavam pela mesma situação ele sabia como era viver no limite, sentir que a qualquer momento você pode morrer, perder as pessoas que ama, mergulhar a fundo numa escuridão que não consegue mais sair e aos poucos as vozes tristes e melancólicas das pessoas que te amam vão sumindo cada vez mais.

Esse pensamento fez Uruha sentir um calafrio, mas ele sabia que era verdade, a morte separava as pessoas de maneira irreversível e por mais que fosse inevitável não fazia bem aos pensamentos, e com aquela onda de felicidade invadindo seu peito decidiu por esvair tudo de ruim da mente. Seu coração se encheu ainda mais ao abrir a porta de seu apartamento e, caminhando até a sala, encontrar suas duas guitarras com as capas devidamente colocadas ao lado no chão e ambas em sua base.

Para uns podia ser apenas um objeto, mas para Uruha era parte importante de sua vida e as lágrimas que brotaram de seus olhos ao abraçar as duas ao mesmo tempo e fazer uma careta ao ouvi-las se chocando com um pouco de força eram apenas de felicidade. Cada uma delas compartilhava com ele segredos, desabafos; eram suas companheiras quando estava sozinho, quando queria pensar, e principalmente quando brilhava com suas composições, seus solos, eram sempre elas que estavam ali, quietinhas, agüentando palavrões e depois pedidos de desculpas, abraços e beijos e o acompanhavam todos os dias para a companhia.

Separar elas de Uruha, assim como separar Reita de seu baixo e Aoi das próprias guitarras era uma missão impossível, um objetivo incabível. Elas eram parte de sua alma e ele nunca esteve mais feliz como no momento enquanto as beijava e tirava seu pó, observando com deleite cada corda, retirando-as e separando sobre o nódulo do sofá que não usava para poder descartar. Deixou avisado para Aoi que não voltaria para seu apartamento naquela noite e aproveitou para bater as roupas que usou na máquina enquanto fazia tudo que precisava.

A empregada que ia semanalmente à casa de Reita havia aberto uma exceção e cuidou também de seu apartamento que estava impecável e cheirando a limpeza. A despensa estava cheia com coisas que somente seu irmão e amigo de tanto tempo poderia saber. Os armários estavam devidamente organizados, as portas de seu guarda-roupa abertas e todas as roupas dobradas. Sua cama bem arrumada e os banheiros em igual higiene.

Por um lado se sentia triste em vender aquele apartamento já que por muito tempo viveu ali e criou raízes, mas a ideia de ter Aoi e apenas ele como vizinho era tentadora demais para que conseguisse voltar atrás. Seus móveis que também lhe ajudavam a lembrar desse apartamento que seria em breve colocado a venda iriam consigo para o novo e sabia que era questão de tempo até conseguir se adaptar novamente, a ter o vizinho guitarrista invadindo sua casa para dormir abraçado consigo, compartilhar cafés da manhã com ele. Era uma nova vida que começava para ambos, principalmente para ele.

Uma vida em que tanto ele quanto Aoi fariam de tudo para que fosse mais alegre, melhor do que a que viveu nos últimos tempos. Uma em que apesar de ter seus baixos também seria regida pelos altos e sorrisos não faltariam, momentos especiais seriam muitos. Era como queria pensar, como gostava de imaginar que seria sem tantos problemas e com uma calmaria que ele merecia depois de tudo que passou. Apesar do receio de se desapegar de algo que compunha tantas lembranças como aquele apartamento, sabia que os ares novos vindos com a mudança seriam especiais e criariam muitas memórias também. E se pudesse todas seriam alegres e boas. Aquelas em que a tormenta fizesse parte não deveriam ser esquecidas, mas sim menos exaltadas que as outras.

...

Naquela manhã de segunda chegou de carro a gravadora, sendo bem recebido pelo guarda que fazia a ronda. Propositadamente escolheu chegar atrasado para fazer uma surpresa da qual apenas Aoi sabia. Usava roupas costumeiras para ensaios e os dois estojos estavam consigo. Ambas as guitarras haviam sido limpas e estavam com cordas novas e afinadas, prontas para serem usadas novamente. A touca havia ficado em casa e em seu lugar a peruca fazia um serviço impecável, enganando a maioria das pessoas que o fitava, que eram muitas, diga-se de passagem. Assim que adentrou a recepção quase todos os olhares se voltaram para si, causando-lhe uma deliciosa ansiedade e um sorriso que fazia de tudo para conseguir controlar.

Alguns membros de outras bandas vieram-lhe cumprimentar conforme os foi encontrando pelos corredores e a maioria dos Staffs da própria the GazettE também se aproximaram, dando-lhe as boas-vindas novamente. Não teve como não se sentir querido e acolhido e devolveu todos os sorrisos, agradeceu todos os cumprimentos e quando se deu conta estava parado e sozinho em frente à sala de descansos da banda apenas ouvindo as vozes dos cinco, todos rindo. A saudade que acometeu seu coração foi tão grande que não conseguiu se conter, não podia mais ficar longe das pessoas que mais amava, de seu trabalho. Num único impulso girou a maçaneta e empurrou a porta, adentrando aquela sala que era quase como sua segunda casa onde morava com seus companheiros e suas tão diferentes personalidades.

— U-Uruha? – Reita o encarava embasbacado. Os cinco voltaram sua atenção para seu guitarrista principal. Aoi sorriu discretamente. – O que você faz aqui?

- Se me lembro bem esse ainda é o meu local de trabalho. – Sorriu abertamente. Ruki, com lágrimas nos olhos sentiu orgulho do trabalho que o amigo ostentava. – Tudo bem que trabalhar com vocês não é lá grande coisa, mas fazer o que? Cheguei hoje de manhã, passei em casa e peguei as minhas guitarras e agora to aqui de volta ao lar.

Sorriu abertamente para Reita e estendeu-lhe os braços, acolhendo-o assim que se aproximou o suficiente para lhe abraçar. Ruki e Kai fizeram o mesmo e Aoi e Sugizo trocaram um rápido e significativo olhar e seguiram com os outros, ambos abraçando e esmagando Uruha que já se via novamente longe das próprias guitarras, mas dessa vez por um motivo maior e melhor.

Porque por mais que amasse e venerasse suas guitarras havia algo que amava mais do que elas, havia algo maior que o fez continuar lutando contra a leucemia afora seus amados pais em Kanagawa. Aquelas pessoas ali lhe abraçando, lhe passando todo seu calor e a felicidade que estavam sentindo por ter voltado. Seus amigos de verdade, por eles havia em muitos momentos conseguido tirar forças para continuar aquela caminhada dolorida rumo a vitória que nem mesmo era certa. Ainda assim apenas o pensamento de estar ali com eles comemorando alguma coisa como fazia no momento era suficiente para lhe fazer agradecer por ter conseguido chegar ao final daquela baralha, e mais do que isso, poder agora estar com eles de novo retomando seu sonho rumo a muitos outros onde havia o the GazettE e os cinco estavam juntos enfrentando obstáculos, perdendo noites de sono, brincando entre si, comemorando cada mínima vitória, mas juntos.

Juntos, firmes e fortes. Uruha podia dizer que estava feliz por ter conseguido superar a leucemia. Mas, não precisava vocalizar que a felicidade maior era estar junto daquelas pessoas que junto consigo foram parar em uma cidade grande há bons anos atrás com um único sonho em mente:

Criar uma banda.

Depois de nove anos estavam todos ali comemorando mais uma vitória: A volta de um amigo que não havia ficado para trás, mas sim que continuou caminhando com eles de longe e nunca teve seu lugar ameaçado.

E agora Ruki podia afirmar: Não estavam mais incompletos.

Eu andarei junto, ao futuro ainda não prometido, yeah

Continuaremos andando juntos, para o futuro onde você está...

the GazettE – Cassis

Notas finais
* É o cabelo do PV Remember the urge
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Bill e Tom Kaulitz LoveForever ♥;
Dayzeh Natsumi ♥;
Kotori ♥;
Sooky ♥;
Takashima Yuumi ♥;
Melka ♥;
Tsuki Senshi ♥;
freeasabird ♥;
Su Shibasaki ♥;
ChunLi W Malfoy ♥;
Kim Yumi ♥;
Ringo-sama ♥.
Fazendo minha alegria desde 02/11 de 2011 ♥.