You Are Not Alone
58 Vitória
Notas iniciais
Oiee *-*
Não veio na quarta, mas veio na quinta ahauhauhauhauhauhuha.
Cap super grande pra vocês aproveitarem ♥, e uma surpresinha, dessa vez não vou colocar o nome de quem mandou review (apesar de agradecer muito, claro ♥), mas vou presentear vocês com um trecho do próximo cap que é o pole dance *-*, certo? ♥.
Faltam responder alguns reviews, prometo que respondo logo ♥.
E poxa vida, apenas mais dois caps hein? Estamos finalizando já.
Boa leitura ♥.
Quando o empresário apareceu também cumprimentou Uruha com a mesma intensidade, desejando-lhe boas-vindas. Um olhar rápido sobre seu cabelo indicou que todo o conjunto estava bom e assim que todos acalmaram um pouco os ânimos ele entregou uma agenda para Kai que bateu rapidamente os olhos pelas datas e as modificações de um dos shows da turnê que seria ali mesmo em Tokyo.
— O segundo show que vai ser essa semana não será adiado. O teto da casa de show já foi restaurado e na outra semana que seria a folga de vocês vai ser o show adiado.
- O teto da casa de show caiu? – Uruha indagou surpreso. – E tinha alguém lá dentro?
- Graças a Kami não. – Koga respondeu-lhe. – Foi só um susto que já foi bem resolvido. Depois do show da próxima semana vocês já vão preparar as malas para correr as outras partes do país. Você já está apto para viajar Uruha?
O Takashima assentiu. – Minha consulta com o Viktor é só em dezembro e eu já fui liberado de tudo. Mas, imagino que Sugizo-san não pode sair do dia para a noite.
- Exatamente. – Koga reafirmou suas palavras. – Esse próximo show você não vai participar, mas se quiser ir eu não vejo nenhum problema, pode assistir do camarim. O da próxima semana vai depender de como você está com relação à guitarra e se as roupas podem ser feitas. Sugizo-san continua com a gente até o final se quiser ou até você entrar em definitivo.
- Se para Uruha-san não tiver problema, pra mim está tudo bem.
- Eu realmente não ligo. – Deu de ombros. – Vou continuar vindo mesmo que Sugizo-san esteja no meu lugar e aproveito para ir treinando aos poucos e conversando com quem precisar sobre o figurino, o cabelo, a maquiagem, isso não tem problema.
- Menos mal. – Koga lhe dirigiu um sorriso fechado. – Então vocês continuam seguindo a agenda que eu entreguei ao Kai e você Uruha pode ficar por aqui. Eu vou pedir alguns pedais e um amplificador e se quiser tocar alguma coisa fique a vontade. Mais tarde, quando voltarem do almoço eu tento falar com os estilistas para entrarem ainda hoje em contato com você.
Uruha assentiu levemente e viu os amigos e o ídolo saírem junto com o empresário. Seus olhos então caminharam por entre os pertences de cada um ali, ambos com seus toques peculiares que falavam sobre as personalidades de seus donos, como por exemplo, a blusa de frio de Reita que estava jogada de qualquer jeito sobre a própria bolsa, enquanto que a de Aoi estava bem dobrada sobre a bolsa respectiva. Era engraçada aquela diferença entre cada um deles e Uruha notar aquilo lhe fazia pensar ainda mais em como havia mudado depois de tudo.
Uma mudança que lhe tornou outra pessoa, um outro alguém mais observador e que ainda fazia as coisas ao próprio tempo e continuava considerando isso uma qualidade e um defeito, mas que era um detalhe que também lhe diferenciava dos outros, mostrava quem era o Uruha e quem era o Kai sem indicar apenas pela aparência, mas sim pela peculiaridade dos gestos, pela maneira como organizava as próprias coisas dentro daquela sala ou qual era a cor que mais gostava para os objetos pessoais. Detalhes do cotidiano, do comum de cada um, mas que para alguém observador era como um baú do tesouro. Uma jóia rara no meio de tantas bijuterias comuns.
Afora isso seus pensamentos foram ficando menos profundos quando viu dois Staffs que traziam alguns pedais e um amplificador como o empresário havia indicado que fizessem. Agradeceu-os com uma leve vênia e quando arrumou tudo e pegou uma de suas guitarras devidamente lustradas e com cordas novas e a ligou na pequena caixa de som uma corrente elétrica percorreu suas veias em alta velocidade. Suas mãos começaram a acumular calor e ele mal notou quando prendeu a respiração enquanto formava o primeiro acorde de uma das músicas da banda, deixando que a palheta deslizasse sem interrupção pelas seis cordas, arrepiando-o inteiro.
Aquela sensação ficou por tanto tempo longe do alcance de suas mãos que o estava inebriando de maneira intensa. Deixou-se fechar os olhos enquanto a melodia dançava por seus dedos que por esta vez dançavam sobre as cordas e as casas da guitarra. Seus dígitos caminhavam seguramente pelo braço da guitarra e o solo se formou sem problemas e saiu de maneira natural e na velocidade certa, sem forçar os tendões e os ossos do pulso. Um sorriso se formou nos lábios de Uruha ao término da música e ele soube que estava apto pra voltar caso treinasse em casa para não lesionar os pulsos.
Na sala de ensaios, por mais que quisessem, os pensamentos de Reita, Aoi e Ruki estavam todos voltados para a sala de descanso. Pelo olhar do Suzuki pra cima de Aoi ele sabia que Uruha havia mentido quando disse que havia chegado apenas de manhã e muito provavelmente quando tivesse chance iria lhe abordar. Mas, por enquanto o que todos sentiam era alívio e felicidade pelo Takashima ter voltado enquanto a turnê ainda não havia se encerrado. Não podiam ouvi-lo tocar da outra sala, mas estavam ansiosos para estarem com ele de novo, apesar de não terem demonstrado nada. Aparentemente estavam concentrados em suas tarefas e assim o deveriam fazer até a hora do almoço.
A turnê ainda estava em andamento, apesar de faltarem poucos shows para o encerramento e com Uruha de volta algumas coisas mudariam. Para que todas estivessem de acordo e no tempo muito trabalho deveria ser feito por parte de quase toda a equipe, portanto eles que eram os músicos precisavam estar à frente, com todas as músicas bem treinadas e sem terem culpa caso alguma coisa desse errado. Afora isso ajudariam como pudessem, já que nem todas as decisões estavam em suas mãos e eles próprios já eram bastante atarefados com tudo.
Mas, de certa forma seus corações estavam aliviados por Uruha estar ali. Se ele não se importava em ver o próximo show então todos já ficariam felizes por entrarem no camarim e o verem ali torcendo para que tudo desse certo. E Ruki ainda ia mais além, algumas coisas nasceram em sua mente ao ver Uruha na sala de descanso pela manhã e agora que haviam encerrado o ensaio para almoçarem essas idéias criavam ainda mais raízes. Havia marcado mentalmente de expor essas idéias a todos, mas aos poucos a melodia de Cassis que vinha da sala de descanso ia sobressaltando seus pensamentos. Ao adentrarem o mesmo ambiente em que Uruha se encontrava o viram de costas perto da janela e dos pedais e amplificador. A música já estava no fim e não tardou a se encerrar. O empresário também estava na sala.
— Matando as saudades? – Ruki perguntou.
- Com certeza. – Uruha se virou e sorriu para o amigo. – Koga-san acha que no segundo show eu já consigo voltar.
- Isso me fez pensar em algumas coisas. Koga-san podia almoçar com a gente e eu contava tudo. – O Matsumoto estatuou.
- Se é importante... – Koga sorriu ao vocalista.
...
Enquanto se encaminhavam para um restaurante há dois quarteirões dali Ruki não conseguia parar de pensar em seus próprios pensamentos. De certa forma estava ansioso em 'contar as novidades' para todos e achou muito maior o caminho para o tal restaurante do qual ele era em outros dias. Claro que era puro fruto de sua ansiedade, mas isso não era algo que lhe parecia tão importante. O que mais queria era dizer a todos o que havia pensado e torcer para que não soasse idiota quando vocalizasse cada palavra que já havia passado mais de dez vezes em sua mente em conjunto com as palavras dos outros. Parecia uma adolescente que acabara de sair com o garoto mais popular da escola e no meio do encontro não conseguia controlar os próprios ímpetos, apesar de por fora estar tão normal como sempre o era.
— E então Ruki? – O empresário perguntou, sentando-se ao lado de Sugizo. Os sete precisaram juntar duas mesas do restaurante e apesar de estarem bem ao canto chamavam uma atenção que não pretendiam. Principalmente pelo fato de Uruha estar com eles. – No que foi que pensou?
- Em mostrar o Uru para os fãs no show de sábado. – Ruki sentiu-se envergonhar quando Koga engasgou com a água que tomava, mas também soltou um pequeno riso e esperou que alguém se manifestasse, porém, ninguém o fez. Mas, o que notou em seus olhares era um encorajamento que o fazia se sentir uma criança que estava prestes a fazer algo inédito. – Ele ainda não está pronto para tocar, mas eu acho que mostrar ele para o público, deixar que interaja com a gente, participe do final, dê o salto... Enfim, talvez possa estragar alguma surpresa que alguém imaginou, mas eu acho que seria uma boa.
O empresário fitou aos outros em silêncio esperando que algum deles se adiantasse, desce a própria opinião antes de tomar o partido e ele mesmo dizer algo.
— Podemos pensar e lapidar a ideia do Ruki. – Kai se pronunciou. – Não me parece ruim, a gente faz o show e na hora do salto o Ruki anuncia que os fãs vão ter uma surpresa e o Uruha aparece.
- Ele poderia ainda usar a camiseta com o próprio rosto. – Aoi completou a ideia de Kai. — A gente não precisa falar nada sobre quando vai ser a volta dele, mas já joga a faísca e espera. Me pareceu uma boa ideia.
- Se eu falar que pareceu boa ideia também vou ser presunçoso. – Uruha disse enquanto seus olhos se perdiam nas comidas do cardápio. – Mas, eu adoraria aparecer, se Sugizo-san não se importar.
- Eu? Eu sou apenas o convidado Uruha-san. – O ídolo sorriu ao outro.
- Você nos ajudou muito Sugizo-san. – Reita lhe sorriu. – Pode dar a sua opinião numa boa.
- Até adoraria. – Arguiu. – Mas, Uruha-san vai me perdoar, mas só consigo falar depois de comer.
As risadas fizeram parte do ar descontraído que envolvia os sete. A mesa de madeira decorada apenas com uma toalha vermelha logo recebeu grandes pratos com diversas iguarias que faziam bem ao paladar de cada um deles. As bebidas foram leves e sem nada alcoólico apesar de Uruha ter se sentido tentado a pedir algo semelhante. Não o fez apenas por ainda ter receio então acabou pedindo um suco. Ruki o acompanhou no pedido e logo diversos aromas se misturaram por ali e os hashis começaram a trabalhar nos dedos longos de maneira firme e segura, aos poucos esvaziando os aparelhos de porcelana branca que iam apenas ficando com as marcas dos molhos e pequenas partes da comida que não pediam tanta atenção.
Entre várias das porções que iam se perdendo por suas bocas os diálogos continuaram amenos e sem problemas. Aoi e Uruha estavam próximos e do lado da parede e se tocavam a todo o momento de maneira discreta, mas que lhes dava vontade de sorrir e eles precisavam conter, apesar de continuarem os toques entre si. Para eles aquela madrugada de sábado e o domingo inteiro não foram suficientes para suprir toda a saudade que tinham do outro e pelos olhares que insistiam em trocar sabiam que aproveitariam ainda mais assim que se vissem dentro do apartamento do moreno.
Não que o fossem fazer exatamente de maneira sexual, havia muitas outras formas de aproveitarem a companhia do outro, mas o que mais queriam realmente no momento era a chance de ficarem sozinhos e se curtirem ao máximo sem que houvesse qualquer interrupção. Ainda tinham que esperar um pouco, é verdade, mas enquanto se encaminhavam de volta para a companhia andaram perto um do outro trocando conversas baixas e com duplo sentido discreto por precaução. Estariam separados novamente dentro do prédio da PS e o tempo que tinham até lá queriam aproveitar para si como podiam.
— É bom andar sem a máscara. – Comentou baixo apenas para o moreno no momento em que seus pés pisaram no chão de linóleo impecavelmente limpo da companhia.
- Chama até menos atenção. – Aoi completou. – O que nos dá ainda mais privacidade.
Uruha o olhou com um meio sorriso no rosto tão logo seus pés alcançaram o chão de linóleo da PS. Ali dentro pareciam ter mais privacidade apesar de ainda estarem na presença dos outros que foram consigo até o último andar. Nesse meio tempo o empresário havia falado com o estilista e este já se encontrava na sala de descanso com uma prancheta em mãos.
— Como eu havia dito de manhã vocês voltam para o ensaio e o Uruha vai regularizando a própria situação, começando pelo estilista. – Disse o empresário.
Os músicos assentiram ante as palavras de Koga e guardaram tudo que não era necessário no momento em suas bolsas antes de deixarem Uruha e o estilista a sós. Aoi dirigiu um último e longo olhar ao amado antes de sair.
— Fico feliz que tenha voltado Uruha-san. – O estilista sorriu para Uruha se sentou de frente para ele.
- Eu agradeço. – Uruha devolveu o sorriso para o homem. – Espero poder voltar logo à ativa.
- Para isso que eu estou aqui. – Seus dedos treinados começaram a desenhar a silhueta de Uruha enquanto conversavam. – Vou tentar fechar um pacote de roupas com você hoje e já mandar confeccionar. A cabeleireira que ajudou Ruki-san já falou comigo e eu pensei em algo que não estivesse diretamente ligado ao seu cabelo, pudesse deixá-lo solto.
- Isso é um receio que eu tenho, já que um acidente poderia acontecer.
- Para que não aconteça vamos começar a preparar as roupas do novo Uruha e prevenir para que nenhum acidente aconteça durante os shows que estão por vir.
xXx
— Eu definitivamente acho que nós já estamos no inverno, mas não fomos avisados. – Reita comentou a esmo enquanto se protegia com seu casaco do céu implacavelmente cinza. – Ou eu que me desacostumei com o outono.
- Ta mais para a primeira opção mesmo. – Aoi também se munia com um casaco mais pesado. – O outono ta parecendo mais frio esse ano, da vontade de se esconder debaixo dos cobertores.
- Talvez eu faça isso amanhã, assim vocês podem morrer de inveja de mim. – Disse Uruha com convicção. Ruki riu.
- Mas, e as medidas? Você precisa acertar tudo.
- Eu já acertei hoje de tarde, por isso posso aproveitar esse tempo frio em casa. – Disse fitando o vocalista.
- Chato! – Reita praguejou, rindo.
Os seis chegaram ao estacionamento em meio a risadas descontraídas. Uruha ainda se vangloriava do fato de poder ficar em casa enquanto que os outros precisariam trabalhar. Reita ralhava em brincadeira consigo como se fossem de fato dois irmãos e o rumo de seus assuntos apenas mudou quando Uruha adentrou o carro de Aoi deixando o próprio ali mesmo na companhia.
— Aqui. – Aoi tirou um chaveiro do porta-luvas que continha apenas uma chave e entregou à Uruha. – O porteiro disse que as outras chaves você tem que pegar pessoalmente na imobiliária.
Seu novo lar. Pensou, enquanto pegava a solitária e gelada peça em mãos. O pensamento de ter Aoi como vizinho agora se concretizando fazia com que cada pêlo de seu corpo se arrepiasse e aquele sentimento de abandono de seu antigo apartamento ia se abrandando. Agora o que mais desejava era acertar cada detalhe que ainda faltava com a imobiliária e iniciar sua nova vida com o moreno.
— No fim das contas vou acabar saindo amanhã, então não valeu muito zombar de vocês.
- Bem-feito. — Aoi disse, rindo. Uruha o chacoalhou de leve. — Tomara que chova e você pegue fila na imobiliária.
- E tomara que as cordas das suas guitarras cortem os seus dedos. — Uruha riu ao que Aoi sibilou audível. — E eu ainda vou precisar voltar aqui e pegar meu carro.
- Para que? — Aoi ligou o próprio automóvel e em pouco tempo ganhou as ruas. — Para ir à imobiliária?
- Não só isso, mas também trazer o que for possível do meu antigo apartamento. Os móveis eu vou contratar um caminhão, mas para os menores vou trazer eu mesmo.
- Já amanhã?
Uruha assentiu enquanto guardava a nova chave dentro da própria mochila.
— Eu pego o carro na companhia e vou até a imobiliária. Depois vou pra casa e empacoto tudo que der e faço a mudança das pequenas coisas.
- E as grandes?
- Na sexta-feira. Conheço alguém que pode me ajudar com algo tão repentino.
E de fato conhecia, mas não era algo com o qual Uruha queria lidar no momento. Seus olhares de esguelha para Aoi continuavam intensos e demorados e quando o Shiroyama também o fitou no mesmo momento Uruha sentiu-se enrubescer levemente, mas o moreno não disse nada. Em vez disso continuou guiando e quando uma de suas mãos precisou ir até a marcha esta aumentou o caminho e foi parar na coxa esquerda do Takashima, apertando ali.
— Sinto alto teor sexual nesse toque. — Uruha disse ante a quentura e o leve suor do toque que passou pelo tecido de sua calça jeans. — Alguém quer competir com o sistema de calefação da própria casa?
- Talvez... — Aoi deixou o resto da frase no ar por alguns instantes, suficientes para que Uruha se arrepiasse. — Seria um bom exercício, superar algo como meu sistema de calefação.
- Isso é muito sugestivo. — Comentou olhando pra frente, os dentes infantis mordendo levemente o lábio inferior. — Se ainda tiver energia depois de um ensaio e aguentar os ataques do vizinho de baixo quando tiver uma nova reunião de condomínio eu não veria nenhum problema nisso.
- Só para matar a saudade. — Aoi disse falsamente na defensiva. — Ninguém pode nos culpar por mais de um ano de separação. E se for o caso a gente vai pra sala.
- Claro, sexo no seu sofá prateado. Acho que branco e prata combinam.
Aoi sorriu vitorioso e mudou o rumo da conversa, principalmente para o frio quando passou por um grande relógio de rua que marcava a temperatura de dez graus. Apesar disso, no entanto, sua mão passeava displicente pela perna de Uruha mais próxima enquanto continuava guiando e falando como se nada estivesse acontecendo. De fato não estava, mas afora ser uma situação estranha ainda mostrava como a intimidade dos dois era grande e eles não tinham problemas com os toques mais insinuantes e provocativos, eles não os deixavam envergonhados e tampouco interferiam em suas conversas. Os dois as continuavam normalmente.
E o fizeram mesmo quando a mão de Uruha 'sem querer' escorregou por entre as pernas de Aoi e ali se insinuou durante boa parte da viagem. Claro que isso deixou as coisas mais quentes dentro do carro, mas ainda assim falaram da mudança e como o Takashima estava animado com isso. Ao chegarem ao apartamento de Aoi, o moreno iniciou seu próprio ritual ao chegar em casa após um ensaio: Retirou as guitarras dos estojos e as colocou em suas bases no quarto em que trabalhava. Depois pegou tudo o que precisava e já levou para o banheiro pensando em seu amado e relaxante banho. Até aí nada de diferente, depois que saía do banho cozinhava algo e fazia poucas coisas antes de se deitar e dormir, mas desta vez — E provavelmente quase todas as outras. – a situação estava diferente. Enquanto Uruha remexia a própria mala Aoi o segurou pela cintura e endireitou seu corpo, o prensando contra uma das paredes do quarto. Ao que o maior arfou provocante passou as mãos por suas duas coxas e o foi guiando para o banheiro, consequentemente para um banho mais longo e prazeroso.
Somente após fazerem sexo duas vezes e Uruha mal se importar se seu canal queimava ou não foi que decidiram cozinharem juntos. A parte salgada ambos o fizeram e Uruha resolveu fazer um dos bolos que aprendera com a mãe e que pretendia consumi-lo com o moreno no dia seguinte, no café. Claro que isso gerou brincadeiras entre eles e ambos saíram melados, mas o bolo inteiro, o que realmente lhes interessava. Afora isso jantaram bem por volta de nove horas da noite e quando se deitaram para dormir estavam realmente cansados, uma das mãos de Aoi pousava sobre a coxa de Uruha, mas eles ainda trocaram algumas baixas juras de amor e se beijaram de maneira constante e apaixonada por vários minutos antes de se abraçarem e adormecerem tão logo também.
Na terça-feira o dia realmente começou chuvoso e ainda mais frio, oito graus como Uruha ouviu enquanto ligava o rádio de Aoi a uma altura aceitável. Havia levantado mais cedo que o moreno e já tomara banho, então se focava principalmente em preparar o café enquanto o moreno tomava a própria ducha. A calefação ainda estava ligada e como havia a opção de usar água quente da torneira da cozinha o frio não lhe atingia, o que tornava cada ambiente confortável e na cozinha não era diferente. As xícaras já estavam apoiadas em seus pires e dispostas na mesa esperando apenas o café. O bolo que Uruha terminava de preparar a cobertura jazia sobre o centro da mesa junto com pequenos pratos brancos com bonitos detalhes em preto compunham alguns pães e torradas. Como sabia que Aoi gostava de doces colocou um pote de geléia junto a um de manteiga e assim foi preparando toda a mesa enquanto o moreno não aparecia.
Quando ele o fez, claro, sua surpresa foi grande ao ver uma mesa tão bonita disposta para si, complementada por um sorridente Uruha que o recepcionou com um sorriso e um abraço, seguido de um rápido beijo.
— Assim eu fico mal acostumado. — Disse entre os beijos. Uruha riu baixinho.
- E gordo.
Aoi não conteve uma risada mais alta e sentou-se numa das cadeiras disponíveis. Uruha sentou a sua frente.
— Se você não me largar ainda vou estar no lucro.
- Isso nem mesmo passou pela minha cabeça. — Uruha disse enquanto sorvia um gole de café.
- Ainda bem. — Aoi lhe sorriu. — Vai fazer mesmo o que disse ontem? Já trazer as coisas para o apartamento em frente?
Uruha assentiu.
— E passar na imobiliária para pegar as chaves internas do apartamento e acertar a compra. Dessa vez não vão ser apenas vocês os atarefados.
- Tava na hora de voltar ao trabalho. — Aoi riu do dedo médio que lhe foi dirigido. — Mas, você acha que conseguir ir almoçar com a gente?
- Se eu já tiver conseguido trazer as coisas pequenas pra cá, sim. Se não acho que vou acabar passando dessa vez.
- Mas, você não pode ficar sem comer. — Aoi disse com um tom preocupado que fez Uruha sorrir pela consideração.
- Eu não vou. Mas, se não tiver terminado as coisas vou acabar almoçando sozinho.
Aoi assentiu levemente e ambos terminaram de comer e saíram as sete e vinte de casa. A diferença do apartamento quentinho para o mundo frio do lado de fora se fez presente assim que ambos se encontraram no hall de seu andar. O elevador também, com suas portas e paredes metálicas passava uma sensação enregelada que só se amenizou quando ambos estavam dentro do carro de Aoi e ele ligou o ar-condicionado no quente. Uma conversa descontraída se iniciou entre eles enquanto a garoa grossa que caía do lado de fora fazia plano de fundo para eles. Naquele momento nenhum deles se lembrou que um dia Uruha esteve doente, por um momento parecia apenas um pesadelo e agora todos estavam acordados, tão bem as coisas iam entre eles. E para Uruha o que mais aquecia seu coração era receber todo aquele e amor e carinho e saber que nunca foi esquecido, por mais que nos momentos sombrios sua mente tivesse lhe passado uma impressão dolorida como essa. Agora tinha certeza de que não passou de uma ilusão causada pelos momentos doloridos e que tomou ares profundos por causa da depressão que já estava controlada e não era mais necessário que ele tomasse remédios.
Quanto a isso estava realmente bem, não apresentava mais tantos picos deprimidos, tantas tristezas. Na verdade desde que havia voltado não se sentia mais triste, estava feliz demais para deixar que qualquer influência externa maculasse seu coração e ferisse outros sentimentos. O fato de Sugizo ainda estar com a banda e participar de ensaios e shows realmente não o entristecia, o que mais desejava no momento era poder admirar os amigos no show de sábado no camarim e confortar cada um deles quando viessem suados e cansados da apresentação, principalmente Aoi. Perto dos amigos não ligava de mostrar seus sentimentos pelo moreno. Se tivesse chance o abraçaria e lhe direcionaria sorrisos. Mas, não porque se achava imbatível a toda e qualquer palavra, mas sim porque em muitos momentos se imaginou sendo abruptamente separado do moreno e havia aprendido que aquela dor era tão dolorida e dilacerante que sendo discreto ou não, não pestanejaria em dizer que o amava ou mesmo afagar seus cabelos de maneira comedida e apenas que o moreno pudesse ver.
E era isso que aquecia seu coração e o movia depois dessa vitória contra a leucemia. Claro que nem tudo se deixava levar pelos sentimentos e mesmo com vontade de abraçar Aoi quando ambos chegaram à companhia só o que fez foi lhe dirigir um sorriso e dizer algumas coisas em tom baixo antes de adentrar o próprio automóvel e sair dali. Aoi o acompanhou com o olhar durante toda a volta que precisou fazer para se encaminhar a saída e só quando não foi mais possível ver o veículo ajeitou o estojo da guitarra na mão e se dirigiu para dentro do prédio, onde torcia para que o clima estivesse mais quente e agradável.
Já Uruha sabia que ainda permaneceria um bom tempo dentro do próprio carro, já que pelo mau tempo havia pegado um trânsito que provavelmente o deixaria parado ali. Deixou-se então relaxar e esperar, já que não tinha muito mais o que fazer.
...
Quando saiu da imobiliária já passava das dez da manhã e certamente não conseguiria almoçar com nenhum dos amigos, tampouco sabia quando conseguiria comer. Agora todas as chaves estavam em suas mãos assim como os papéis de contrato de venda e o boleto grosso que iria pagando a cada mês. Estava um pouco descapitalizado por conta de todo o tratamento da leucemia, mas nada que fosse alarmante, sabia que com o que tinha conseguiria pagar as próprias contas e o fato de estar voltando ao trabalho também lhe passava segurança. Agora estava estacionado em frente ao apartamento que estava vendendo para um casal, do qual também receberia parte do dinheiro da venda e junto consigo trouxe caixas de plástico translúcido para ir guardando tudo que precisasse. E como sabia que eram muitas coisas, provavelmente não conseguiria almoçar tão cedo, mas também não se preocupava muito.
Ao adentrar o apartamento pousou as caixas no chão da sala e a primeira coisa que tratou de ir organizando foram as roupas em seu quarto. Guardava mais duas malas de tamanho semelhante com as que já havia na casa de Aoi e as colocou sobre a cama abertas enquanto dobrava as roupas e as ia guardando. Já havia falado com o conhecido que lhe ajudaria com a mudança como ele havia imaginado. Agora só se focava em arrumar tudo que precisava enquanto cantarolava alguma coisa aleatória e começava a dançar pelo próprio quarto enquanto abraçava uma de suas camisetas. Ao mesmo tempo em que se lembrou de Akemi, que havia ensinado a ele e a Reita aquele hábito de dançar sozinhos, lembrou-se do pole dance e da decisão que havia tomado. Por um momento sentiu-se enrubescer e voltou a dobrar as roupas, mas ainda tinha confiança em si mesmo e planejava continuar com a decisão inicial. Não lhe parecia tão mal, afinal de contas.
Assim, cantarolando e dançando terminou as roupas e rumou com as malas para a sala, pegando três caixas de plástico e voltando para o quarto. Agora arrumaria os itens menores e as coisas do banheiro da suíte, e assim ia esvaziando todo aquele apartamento que ia deixando de ser seu lar para acomodar outra família.
Quando se deu realmente por fim, Uruha havia usado todas as caixas de plástico e sacolas de shopping que tinha, mas conseguiu colocar tudo dentro do carro. Seu relógio marcava duas da tarde e ao entregar as chaves para o porteiro precisou se apoiar na guarita e levar uma das mãos até o rosto. O homem uniformizado o acolheu.
— Tudo bem Kouyou-sama?
- Sim, é só que acabei não almoçando ainda. — Disse após alguns instantes, sorrindo para o porteiro. — Acho que ainda não posso abusar tanto, então vou comer no restaurante que tem aqui perto. Se importa se eu deixar o carro aqui?
- Oh não pode ir. — O porteiro lhe sorriu. — E coma direito para não passar mais mal, ficou até meio pálido.
Uruha agradeceu ao homem e saiu de sua rua caminhando com atenção. Talvez ainda não estivesse apto para ficar tantas horas se comer, mas também não avisaria Aoi, já que Viktor havia lhe esclarecido que não precisava ter medo sempre que alguma coisa fora do comum acontecesse, já que por um período diferente de cada pessoa ainda poderia sentir algumas coisas, e a fraqueza era uma delas. E o fato de sua barriga doer tanto quando o cheiro de comida adentrou suas narinas lhe fez ter certeza de que foi a falta de alimento que originou sua tontura. Então achou uma mesa pequena, acomodou-se ali e quando o garçom apareceu com o cardápio bastou apenas fitar todos aqueles deliciosos nomes e escolher seu prato.
...
Chegou com todas as coisas no prédio novo às quatro e meia. O porteiro veio até si e ele mostrou os papéis e o que mais precisava. O homem então o mostrou aonde era sua vaga no estacionamento e assim que guardou seu carro deu um suspiro cansado. Agora era hora de começar a subir todas aquelas sacolas e caixas e ir preenchendo seu novo apartamento com todos os itens menores que só receberiam os maiores na sexta-feira.
Quando terminou tudo se sentia totalmente exausto. Levou as duas malas que estavam no apartamento de Aoi para o próprio, mas continuou usando o do moreno. Apesar de o frio estava bastante suado e agora tomava um banho para relaxar e começar a cozinhar alguma coisa. Aoi estava saindo da companhia quando começou a fazer a janta, mas não tinha muita pressa em terminar, já que até o moreno chegar grande parte das coisas estaria pronta.
Afora que com a chuva que insistia em cair era provável que Aoi ficasse um bom tempo no trânsito e ainda demorasse a chegar, o que dava há Uruha um tempo a mais para aprontar as coisas. O bolo daquela manhã ainda possuía mais de sua metade e daria uma boa sobremesa enquanto a comida ia sendo terminada e os aromas se misturavam na cozinha, inebriando os sentidos de quem estava com muita fome, como ele.
Estava quase devorando as panelas com a comida ainda em fase de preparo e cada vez que ouvia a barriga roncar tinha vontade de comer todo o bolo, por mais que não gostasse tanto assim de doces. A fome que sentia era tanta que era capaz de não deixar nada para Aoi, por mais que essa fosse uma ideia realmente insana e que acabou se esvaindo rapidamente de sua mente. Agüentaria o tempo que fosse preciso para esperar o moreno mesmo que sua fome o fosse consumindo. Queria esperar Aoi e não seria sua barriga resmungona que o impediria disso.
Teve de esperar meia hora após tudo pronto para ouvir a chave ser colocada na fechadura e Aoi aparecer na cozinha quando a noite já reinava do lado de fora. Seu estado mostrava cansaço intenso e Uruha sabia como era normal, já que um show estava programado para dali alguns poucos dias.
— Oito e meia da noite. – Aoi cerrou as sobrancelhas e seu cenho formou-se numa expressão cansada. – às vezes eu acho que essas semanas antes de qualquer show vão matar um de nós.
- Não é pra menos. – Uruha foi até si e o abraçou. Aoi praticamente relaxou com o cheiro de sabonete que sua cútis exalava. – Além do ensaio ainda tem o trânsito. Já me cansa só de lembrar que daqui a duas semanas sou eu quem vai estar morrendo de canseira com vocês e trabalhando.
- Aí eu que vou rir de você. – Aoi sorriu cansado e acarinhou o rosto de Uruha. Seu olfato foi então preenchido com outros aromas além do sabonete do namorado. – To sentindo um cheiro tão bom.
Uruha sorriu. – Vai tomar um banho que quando você voltar a gente janta.
...
Quando Aoi saiu do banho a mesa estava toda disposta e tanto sua barriga quanto a de Uruha reclamavam bem alto. Ambos se entreolharam quando se sentaram à mesa, mas só tiveram coragem de trocar qualquer conversa que fosse quando boas porções de suas comidas já estavam sendo mandadas por suas gargantas até o intestino.
— Vou acabar não me mudando com você pra Mie, mas mesmo assim te manter em casa.
- Acho que eu não combino com isso. – Uruha riu. – Por mais que a parte de não fazer nada seja de algum modo tentadora.
- E também seu lugar é com a gente na banda. – Ambos sorriram. – Mas, eu ainda posso te obrigar a cozinhar pra mim.
- Sim, e eu posso te dar uns socos só pra treinar.
Ambos riram e apesar de o cansaço estampado em seus rostos – Principalmente no de Aoi. – eles continuaram uma conversa amena e gostosa mesmo depois de terem comido e lambido os dedos quando resolveram voltar à infância e comeram o bolo com as mãos. Divertiram-se com as marcas de cobertura em seus rostos e riram a vontade sem se importar com as horas que o relógio marcava. Para eles era apenas um detalhe que, por mais que fosse cansar ambos no dia seguinte quando fossem para a companhia, não deveria ser o catalisador que os obrigaria a ir se deitarem.
E na verdade, nem mesmo quando terminaram de lavar a louça e foram de fato para o quarto, às dez e meia acabaram dormindo na mesma hora. Claro que seus corpos relaxaram imediatamente, mas enquanto se fitavam e seus rostos eram parcialmente iluminados pela luz fraca da lua nos pontos onde as cortinas não estavam bem fechadas, trocaram carinhos e selares não muito intensos, mas lentos e constantes. Estavam bem próximos, o que levava suas respirações a se fundirem, seus corpos os obrigarem a se juntar em beijos e carinhos e apenas o sono os impediu de continuar alguns bons minutos depois. Dormiram abraçados e quentes enquanto a noite reinava do lado de fora e os ventos gélidos beijavam aqueles que ainda se encontravam na rua e as estruturas de todas as casas, prédios e centros comerciais como um todo.
xXx
A semana passou cheia de tarefas para todos. Uruha acompanhou Aoi na quarta e quinta-feira até a companhia e neste último dia ainda foi com todos até a casa de show que já não mostrava marcas de que havia sido danificada. Seus olhos percorriam aquele grande espaço e só então a realidade lhe pareceu ainda mais intensa quando notou que há muito tempo não subia num palco, não interagia com milhares de pessoas que o ovacionavam que gritavam e sorriam para si. Seu coração havia se comprimido em dor naquela hora.
E apesar de não ter chorado as lágrimas apareceram em seus olhos quando alcançou o palco e fitou todas aquelas cadeiras vazias e que dois dias depois estariam lotadas de fãs. Claro que não deixou transparecer a dor e enxugou os olhos antes que Aoi viesse até si. Para ele dedicou um sorriso e continuou caminhando entre as instalações e descobriu onde ficaria e que havia uma tela para poder ver o show.
Agora, nessa sexta-feira nublada, mas com o tempo firme estava parado em frente a seu antigo prédio enquanto seus móveis eram todos trazidos para o caminhão. Naquele dia também não iria para a companhia e era muito provável que não conseguisse almoçar com os amigos, apesar de estar mais prevenido com relação à hora e assim que uma hora se formasse em seu relógio iria comer alguma coisa.
Só esperava que as coisas estivessem todas em seu novo apartamento já. Seu conhecido fazia toda a mudança enquanto ele terminava de entregar as chaves para os novos moradores na frente do porteiro e ele lhes dava instruções sobre o estacionamento, os elevadores, as áreas comuns e de lazer, tudo que eles precisavam saber. Por hora seus pensamentos estavam perdidos em várias coisas enquanto os homens traziam as coisas de seu apartamento. Uma nova vida iria se iniciar, tantas coisas estavam mudando.
Por um momento se lembrou de Kaoru e como ela estaria linda com seus seis anos, correndo pra lá e pra cá, curada e com os cabelinhos crescendo junto com os do papai Uruha. Esse sentimento dolorido não iria embora de seu peito, isso ele sabia. Sabia e tentava não pensar, pois, tudo que voltava eram dores e mágoas, momentos tristes em que desejou desistir, fechar os olhos e não acordar mais, coisas que nunca revelou a ninguém, mas que sentia intensamente.
Arriscava dizer que Viktor talvez soubesse, mas como o médico não havia dito nada pensou que talvez fosse apenas impressão sua. Todavia, não tinha como não sentir ao se lembrar de tudo que havia acontecido e por mais que seu amigo tivesse batido levemente em seus ombros quando tudo estava no caminhão conseguiu apenas lhe sorrir fechado e agradecer com um meneio enquanto o homem adentrava seu grande veículo e Uruha o seguia atrás de carro até seu novo apartamento, tentando não pensar em coisas que o deixariam tão para baixo.
...
— Não quer mesmo ir beber alguma coisa?
- Dessa vez eu passo. – Uruha lhe dirigiu um sorriso mais alegre e pagou pela mudança.
- Você quem sabe. – Deu de ombros. – Mas, qualquer coisa sabe onde me encontrar, só precisa ligar.
Uruha meneou a cabeça e viu o homem se afastar com o caminhão. Certamente pararia em algum bar e usaria o dinheiro da mudança para beber, mas isso não era o foco principal dos pensamentos do guitarrista. Estava mais leve e feliz por estar oficialmente sendo o vizinho de Aoi e agora que seu relógio marcava uma e meia da tarde resolveu ir almoçar de uma vez antes que acabasse passando mal de novo.
Quando voltou e adentrou seu novo apartamento com diversas coisas colocadas entre os cômodos, o sono acabou lhe atraindo, principalmente depois de ter comido algo tão pesado. Sabia que teria muito trabalho pela frente e antes que seu corpo continuasse a reclamar pelo cansado que queria se apoderar dele, foi até o banheiro da suíte e lavou bem o rosto. A água fria lhe foi como um choque. Em seguida ergueu as mangas e se encaminhou para a cozinha, pegando as ferramentas que precisaria para colocar todos aqueles armários no lugar. Se tinha que começar por algum ponto que fosse de uma vez por aquele.
...
Seis e meia da tarde foi a hora que seu relógio acusou quando havia finalmente terminado de montar seu guarda-roupa. A cozinha o havia feito uma hora antes e conseguiu arrumar a maioria dos pratos. O que queria agora que havia também terminado parte do quarto era um bom banho, apesar de algo ainda lhe mandar trabalhar mais, já que seria um bom adiantamento do trabalho. Entretanto, lembrou-se que o show era no dia seguinte e queria ir junto com todo mundo desde cedo, portanto acabou estabelecendo um horário para parar de arrumar aquela mudança. Como estava exausto resolveu pendurar todas as roupas nos cabides e já ir guardando. Força bruta que ficasse para depois.
Ia organizando coisas que prezava muito como as roupas de cama e as próprias, pendurando o que devia em cabides, as outras colocando dentro das gavetas que ficavam ocultas pelas portas do guarda-roupa. A hora não era importante para si e certamente não se apegaria a ela quando o que mais queria era terminar o máximo de coisas possíveis enquanto seu corpo ainda o permitia.
Já Aoi, quando chegou ao próprio apartamento, não viu Uruha e estava tão cansado quanto o amado. Seu apartamento estava silencioso e o cansaço o levou de imediato para o próprio quarto, onde pegou roupas confortáveis e foi tomar um banho para tirar todo aquele dia cansativo das costas. Até o momento suas mãos tremulavam, principalmente a esquerda por todo o esforço para conseguir manter-se tocando todo o set list que foi tantas vezes repassado naquele dia.
Estava praticamente esgotado, se perguntando se conseguiria ao menos acordar no dia seguinte. Sua vontade era se jogar na cama e dormir por uma semana, um mês se fosse possível e só acordar quando todo seu cansaço tivesse ido embora. Afora não antes de descobrir onde Uruha estava. Pegou seu celular e ligou para o amado. Havia esquecido completamente que ele estava se mudando.
— Aoi?
- Uruha? – Aoi perguntou com o mesmo tom de curiosidade do maior. – Porque a surpresa?
- Achei estranho você me ligar.
- Eu queria saber onde você está.
Uruha tirou o celular do ouvido e encarou o aparelho com curiosidade, levando inclusive uma das mãos à testa, perguntando-se se não estava delirando ou com febre.
— Isso é sério Aoi?
- Claro que é. – O moreno se sentou em sua cama. – Achei que ia te ver aqui.
- Você deve estar cansado. – Uruha riu. – Eu to mais perto do que você imagina.
- Mesmo? Posso sair procurando pelo apartamento?
Uruha riu novamente.
— Porque não procura aqui pelo apartamento em frente?
...
Os dois chegaram a um orgasmo intenso no meio de todas aquelas coisas decorrentes da mudança. Seus corpos tremulavam e ambos continuavam abraçados, Aoi sobre o corpo de Uruha, que estava com as pernas abertas, acomodando-o melhor. Estavam embargados em suor e não faziam ideia de onde haviam tirado energia para transarem ali mesmo no chão. Mas, a situação era passível de sentido e ambos apenas ficaram deitados, nus, no chão da sala enquanto a noite ia tomando conta do céu e Uruha tinha certeza de que não conseguiria fazer mais nada naquele dia.
Nem ao menos levantar queria. Ficar ali no chão duro parecia deveras confortável para seus corpos tão cansados, mas apenas por algum tempo, já que dormir ali implicaria em broncas para Aoi no dia seguinte, e o corpo de Uruha inteiro reclamaria. E ambos sabiam disso, por isso tentaram juntar forças e primeiramente se sentaram. Fitaram-se em silêncio e com ainda mais coragem conseguiram se colocar de pé. Uruha deixou tudo como estava e junto com Aoi foi para seu apartamento onde tomaram um bom banho.
Para cozinhar não foi preciso tanta coragem, a fome era catalisador o suficiente para que preparassem algo rápido, mas apetitoso. Estavam bastante relaxados por conta do sexo e do banho e depois de tanta agitação agora a cozinha era pura paz. Apenas ruídos mínimos ou conversas que tinham preenchiam o ambiente. Naquela altura a noite já estava completamente ascendente no céu e nove horas era o que o relógio da cozinha marcava.
— Eu andei pensando... – Uruha iniciou enquanto se sentava. – Sobre aquele assunto do pole dance. Ficou meio inacabado. Apesar de eu ter te dado uma resposta acho que ficou vago, sem tanta certeza.
- Eu nem lembrava tanto disso. – Aoi disse enquanto se servia. – E também não toquei mais nisso porque a decisão é somente sua, eu não posso te obrigar, apesar de que adoraria ver.
- Eu andei pensando bastante nisso. E desde que voltei isso acabou tendo força de novo.
- O que significa que você já decidiu alguma coisa.
- Sim. – Então esperou que a palavra ganhasse peso com seu silêncio. – Eu danço. Na verdade já pensei em tudo, só falta a coragem.
- Prometo que não vou me comportar. – Aoi disse com um sorriso malicioso no rosto. Uruha riu.
- Eu sei, mas algumas coisas vão acontecer quando chegar a hora, apenas espere. – Dito isso mandou uma piscadela com um olho só para o moreno.
Aoi sentiu todos os pêlos de sua nuca arrepiar e imediatamente começou a imaginar como seria aquilo, Uruha dançando tão sensualmente para si. E que cartas ainda tinha na manga? Será que planejava algo a mais, um lugar diferente, coisas diferentes? Aquele pensamento fazia todos os seus desejos aflorarem e virem a tona todos de uma vez, esquentando-o em certos lugares. Mas, manteve a calma, pois, amanhã tinha o show e precisava descansar bem, assim como ele e Uruha já haviam marcado com sêmen o chão do apartamento do maior.
— Já ta aí fantasiando? – Uruha perguntou rindo enquanto balançava a mão a frente de seu rosto. – Assim eu nem preciso dançar, você já visualizou tudo.
- Te mato. – Aoi devolveu também rindo. – Eu nem tava pensando em nada, só em golfinhos.
- Golfinhos que dançam em um mastro imagino. – Uruha levou uma porção de comida à boca e quase engasgou quando começou a rir com Aoi. – Hipócrita.
- A culpa é só sua que sabe dançar.
- Culpe o Reita, ele que me obrigou a isso.
- Culpar? – Aoi se fez de falso indignado. – Eu vou é agradecer, deixa só esse dia chegar, no dia seguinte eu já agradeço.
Ambos riram, conversaram, trocaram frases pervertidas, arrumaram tudo e foram se deitar. Ali no quarto de Aoi era seu canto sagrado onde se amavam, juravam coisas um ao outro, dormiam abraçados e compartilhavam todos os segredos. E agora não era diferente, estavam encolhidos e quentes sob dois edredons, Uruha de costas para Aoi, onde o moreno encaixou o próprio corpo, abraçando-o sem apertar. Depositou ali em seu pescoço alguns selares e sussurrou em seu ouvido, fazendo-o sorrir antes de retribuir as mesmas palavras e ambos se juntarem ainda mais para dormirem e encararem aquele sábado que seria mais um passo na nova vida de Uruha.
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— Estou ansioso, sim ou claro?
Uruha riu de si mesmo enquanto falava e fitava o dia que mal havia amanhecido por completo, mas que já estava na visão de seus olhos por conta da ansiedade que o atingia. Aquele sábado marcava algumas coisas importantes e a maior delas era a volta parcial para os palcos. A ideia de Ruki havia sido bem aceita, o que lhe dava a chance de ver os fãs novamente.
E era essa sensação que se instalava em seu peito no momento enquanto seus olhos passavam da visão da janela para o relógio que acabara de marcar oito da manhã. Aoi dormia tranquilamente no quarto, mas Uruha não conseguia mais ficar na cama, portanto iniciava o preparo de um café que talvez o acalmasse um pouco, apesar de saber que não dormiria mais. Talvez um cochilo, mas que também não era certeza.
O que ele sabia era que aquele sábado frio e nublado não era apenas mais um sábado frio e nublado de outono. Ao menos não para ele, que comemorava mais uma marca alcançada, uma vitória que a leucemia não conseguiu sobrepujar e agora estava longe de fazê-lo. Uruha se sentia tão bem, tão leve e feliz que a palavra leucemia não o atingia mais. O fazia lembrar de coisas ruins e alguns momentos desagradáveis, mas não o atingia com a ferocidade com que era costume há algum tempo atrás.
Agora estava feliz e realizado. O apartamento ao lado era seu, o coração de Aoi nunca fora tomado por ninguém, sua vida estava nos eixos finalmente e as coisas estavam dando tão certo que se sentia flutuando feito uma garotinha que acabara de começar a namorar pela primeira vez, com o primeiro menino por quem se apaixonou.
O que ninguém podia negar era que aquela era uma boa sensação. Ao menos na parte de flutuar, já que era calúnia de alto nível comparar Uruha a uma garotinha. Talvez o nome 'Uruha' em si, mas por trás dele havia um homem que não lembrava em nada uma menina de uniforme com saia que beijava de maneira escorregadia e errônea com o menininho atrás das árvores da escola para que ninguém os pegasse.
O que novamente não se encaixava no perfil de Uruha. A única semelhança podia ser o fato de que era prestativo na cozinha e deixava isso claro, apesar de ainda conter suas peculiaridades masculinas. Afora isso era bastante organizado com suas coisas, o que acabava refletindo em como se comportava com as coisas de Aoi. Este, aliás, que acabara de chegar a cozinha com rosto marcado pelo sono, cabelos desgrenhados e o abraçando pela cintura.
— Ta cedo. – Disse manhoso e com a voz sonolenta, afundando o rosto no pescoço de Uruha. Ele riu. – Volta pra cama.
- Eu não consigo Aoi. – Iniciou um carinho em suas costas como se estivesse embalando um bebê. – To ansioso demais para o show de hoje, seria deitar, me revirar na cama e voltar a levantar.
Aoi balbuciou alguma coisa contra seu pescoço, fazendo-o rir pela vibração na pele, mas logo se afastou, murmurando um 'ok' e sumindo de sua vista. Uruha ainda tentou mantê-lo sobre os olhos, mas logo que a porta de cozinha se fechou mal ouviu qualquer ruído de si. Até pensou em seguí-lo, mas continuou passando o café para logo em seguida colocar a garrafa térmica sobre a mesa.
Sua barriga começou a roncar, mas antes que fosse comer acabou indo até o quarto para descobrir se ele iria comer alguma coisa. Vendo apenas as cobertas emaranhadas sobre a cama se aproximou da porta do banheiro, podendo ouvir bem baixinho o som do chuveiro. Um sorriu desabrochou em seu rosto e aproveitou para organizar o ambiente em que estava enquanto esperava Aoi para tomar banho.
...
— Acordou de vez. – Uruha riu do moreno que tomava um gole de café. – Ao menos não ta mais com toda aquela cara de sono.
- Uma hora tinha que passar. – Aoi riu. – E quem ta precisando dormir é você, vou te dar alguns calmantes.
- Eu posso dormir no show, oras. – Uruha deu de ombros. – Eu só vou aparecer de intruso no final.
- Você não é intruso. – O tom de voz de Aoi atingiu um nível mais sério. – E eu tenho certeza que isso vai ser muito especial pra todo mundo.
- Mas, não anula o fato de que eu vou poder dormir e rir de você se tiver com muita cara de sono no final.
Aoi mostrou-lhe o dedo, e aquele diálogo cheio de calmaria e agora tão normal para ambos prosseguiu por todo o café. Não podiam estar juntos que começavam a conversar sobre tudo, sempre de maneira calma e tranqüila, tornando os ambientes em que se encontravam sempre serenos. Apesar de o frio do lado de fora as coisas estavam quentes e aconchegantes do lado de dentro.
Ainda assim precisaram se apressar quando notaram quanto tempo haviam passado conversando. Aoi precisava arrumar inúmeras coisas antes de sair e Uruha de certa forma não ficava tão atrás, procurando o que vestir, pensando em talvez no que poderia falar para os fãs... Inúmeras coisas rondavam em sua mente e acabou que toda aquela bonança acabou sendo deixava para trás.
Agora estavam a caminho da companhia, os dois no carro de Aoi. O moreno ainda trajava roupas normais e o Takashima optou por não usar nada extravagante, algo sóbrio seria melhor para a primeira aparição depois de tanto tempo. Ele também não sabia se seria maquiado pelas moças que cuidavam dessa parte, mas pelo que Ruki e o empresário acabaram decidindo era provável que não, ou apenas alguma cor para não acabar sendo pego por algum ângulo que o deixasse pálido ou fragilizado.
Mas, por enquanto o que ambos queriam era calma dentro do carro antes de precisarem sair correndo atrás de tudo, principalmente Aoi.
...
— Isso é nostálgico. – Reita falou, parado ao lado da janela. – Esse tempo ruim, eu com sensação estranha e arrepio por causa do frio, agora só falta o Ruki ficar muito perto de mim e aí as coisas caírem na minha cabeça bem na hora do show.
- Não, essa parte não. – Ruki rebateu de imediato. – Pode acontecer qualquer outra coisa, mas trate de tirar essa sensação ruim de você antes que EU faça acontecer um acidente.
Kai e Sugizo que estavam perto de Ruki, levantaram-se correndo até alcançarem Reita. Uruha riu e o empresário apareceu logo em seguida, fitando com curiosidade o fato de Kai e Sugizo encararem Ruki e Uruha rir.
— Perdi algo? – Indagou fitando o relógio em seu pulso. Passava das dez e meia da manhã.
- Uma ameaça do Ruki, nada de anormal. – Aoi disse enquanto uma blusa voava em sua direção.
- A culpa foi do Reita Koga-san. – Ruki deu de ombros. – Ele falou que ta com sensação ruim igual quando aconteceu o acidente no festival e eu disse que se ele não arrancasse essa sensação ruim dele eu fazia na base de outro acidente.
- Isso é encorajador Reita, tem que admitir. – O empresário riu de si mesmo e entregou alguns papéis para Kai. – Mas, vamos distrair a mente do Ruki pra ele não querer causar um acidente. Os Staffs estão saindo agora e daqui uma hora vocês vão sair também. Mas, eles ainda não guardaram os instrumentos, vocês precisam dar uma olhada em alguma coisa?
- Eu vou lá. – Ruki se levantou de imediato e lançou um olhar maldoso para Reita. – Vou sabotar os baixos do Reita.
Uruha começou a rir ao ver Ruki sair correndo da sala com Reita logo atrás. O empresário balançou a cabeça negativamente e os outros acompanharam o guitarrista principal com gargalhadas que os fizeram relaxar e deixar um pouco aquela tensão do show ir embora. Mesmo que não vocalizassem aquilo, concordavam que era cedo demais para terem tantas preocupações, e o fato de não poderem escapar delas por um momento para poder recuperar o fôlego era desgastante.
Ainda mais pelo fato de ser um sábado frio onde tantos estariam em suas casas dormindo ou aconchegados no sofá com cobertas e chocolate quente e sem precisar se preocupar com nada, enquanto eles estavam rindo, mas sentados num sofá com um show pela frente para ser apresentado, um membro para ser recolocado entre todos e o frio que lhes atingiria quando precisassem colocar as roupas devidas para a apresentação.
Era uma responsabilidade grande. E mesmo depois de tanto tempo eles ainda sentiam aquele frio na barriga que se misturava com a ansiedade de estarem logo em cima do palco, tocando, extravasando, sentindo a energia que os fãs passavam... Não tinha como não se sentir extasiado com todas aquelas pessoas ali no mesmo ritmo que eles, incentivando-os a continuar, descabelando-se com todos os fanservices, vivendo aquele momento de puro entusiasmo e com adrenalina correndo a milhão por suas veias.
E todos eles sabiam que por mais cansativo fosse, e que por mais que tivessem inúmeras responsabilidades quanto a isso, no fim das contas valia a pena por que cada gota de suor, cada mínimo esforço que eles fizeram era compensado com o sucesso de sua apresentação e pela alegria que podiam ver no rosto de cada fã. E por mais que estivessem totalmente sem forças no final de cada show, em seus corações o que reinava era a felicidade e o orgulho de mais uma missão realizada, mais um passo dado com sucesso.
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— Muito nervoso? – O empresário perguntou a Uruha assim que os outros saíram do camarim em direção ao palco.
- Parece que vou começar hoje. – Koga podia ver o nervoso em seu rosto e não teve como não rir baixinho, batendo leve num de seus ombros para tentar passar confiança.
Só que era difícil, com todas aquelas pessoas gritando e chamando pela banda, não se sentir acuado e nervoso. A ansiedade estava acumulada na barriga de Uruha desde que chegaram a casa de show, por volta de uma da tarde. Cada pêlo de seu corpo estava arrepiado e ele sabia que não era apenas por causa da camiseta que usava com o próprio rosto, assim como não era por causa da peruca que usava. A adrenalina que por tanto tempo estivera guardada agora corria por veias em velocidade máxima e praticamente explodiu ao ver todos ali diante do publico, sorridentes e iniciando mais uma apresentação.
E assim como ele, todos também estavam ansiosos, apesar de tentarem manter a calma e não pensarem exatamente no final para não se atrapalharem. Apenas os sorrisos não conseguiam esconder, e isso tornou os fanservices ainda mais enlouquecedores para as fãs que gritavam seus nomes a plenos pulmões e junto com eles mantinham aquela aura entorpecente que regia cada apresentação, cada pessoa ali, desde os músicos e os fãs até os Staffs, as maquiadoras e o empresário, e dessa vez Uruha também, que não conseguia parar de sorrir.
...
Todos estavam ofegantes, Ruki falava com certa dificuldade e por mais que tentassem disfarçar, os sorrisos em seus rostos os acusavam veemente. Todos já estavam prontos para dar o salto, reunidos exatamente no centro do palco enquanto os fãs os observavam atentamente, e como era de costume, bateram palmas assim que todos retiraram as blusas e deixaram a mostra o rosto de Uruha. Naquele momento suas emoções vinham à tona, mas dessa vez não eram as lágrimas, e sim um frio na barriga complementado totalmente com a ansiedade.
— Hoje é especial. – Ruki recomeçou depois de momentos em silêncio. – Por muitos motivos. Mas, vamos nos ater apenas a pessoa em nossas camisetas... Faz muito tempo não é? Muito tempo desde que vocês nos ouviram falar dele, que o viram num palco, ou em fotos recentes. Sugizo-san foi como um anjo nos ajudou desde que o Uruha ficou doente e nunca reclamou, nunca cobrou nada. Claro que para ele estar aqui ainda foi preciso que Yoshiki-san e todo o pessoal do X Japan permitisse, e sem esse apoio eu, e creio que todos da equipe, os outros músicos e até o Koga-san não saberíamos o que poderia acontecer. Nós passamos por alguns problemas, como é normal para qualquer pessoa, e assim o tempo acabou passando rápido, tantas estações longe do Uruha, tantas coisas ditas de maneira errada, que trouxeram algumas coisas, mas que há bastante tempo foram esclarecidas e as coisas voltaram a ser como eram antes.
''Desde o festival vocês nos vêem com essas camisetas, que se tornou a nossa marca para dar forças pra ele continuar lutando contra a doença. Mas, desde muito tempo vocês não escutam nem mais o nome dele. O que eu posso lhes dizer hoje é que ele está curado – Ruki sentiu as lágrimas descerem e os fãs começaram a gritar por seu nome. – e que está com saudade de tudo, de vocês, de tocar, de viver isso que nós vivemos há nove anos. Ele viu esse show inteiro lá do camarim e vai voltar para os palcos depois de tanto tempo afastado. Mas, só se vocês chamarem por ele.''
Os fãs gritavam a plenos pulmões, muitos ali choravam de emoção. Uruha também chorava e a ansiedade acumulada espalhou-se por todo seu corpo ao aparecer no palco, causando mais furor entre os fãs. Foi até Ruki e o abraçou, repetindo o ato com todos os outros, o mais difícil de manter a postura e as feições 'normais' foi com Aoi, é claro. Como se não soubesse de nada parou a seu lado e pegou o microfone da mão de Ruki, respirando fundo.
— Eu nunca sei o que dizer nesses momentos. – Riu nervoso. – E aconteceram tantas coisas desde a última turnê e a descoberta e a cura da doença que eu nem sei como começar. – Respirou fundo novamente e enxugou as lágrimas. – É muito difícil e complicado ter uma doença como a leucemia, mas talvez a parte mais complicada seja ficar longe de quem a gente ama, das pessoas que nos fazem bem e nos rodeiam. Eu tinha que ficar isolado muitas vezes e isso machuca independente do quão forte é a pessoa. O tratamento também é demorado, mas não vamos ficar falando só das partes tristes. Eu também quero agradecer Sugizo-san por ter ficado no meu lugar, por ter ajudado tantas pessoas que eu amo e tenho muita estima se não fosse por isso eu acho que tentaria fugir do hospital pra voltar... E hoje eu to muito feliz de estar aqui com vocês, comemorando essa vitória e dizendo oficialmente que eu voltei e pra ficar. Se o Gazerock não acaba, o Uruha também não vai acabar.
Os gritos ficaram ainda mais altos, Uruha abraçou a todos novamente, e como haviam decidido, Sugizo saiu do palco e os cinco se postaram em seus devidos lugares para tocarem mais uma música. Uruha mal se lembrou de sua peruca quando seus dedos começaram a dedilhar pelas cordas da guitarra, sentindo toda aquela energia, aquela adrenalina tomando seu corpo, seus braços, suas mãos e seus dedos. A ideia de Ruki havia sido lapidada e todos decidiram tocar uma música a mais, e o que os fãs viram com certeza foi que aquela interação entre eles não havia morrido, que todos estavam ligados mais do que pelos instrumentos, e sim pelo coração, pela vontade de estarem juntos novamente.
Quem viu o show saiu com lágrimas nos olhos e uma felicidade imensa no coração de ver os cinco ali interagindo entre si, passando emoção para todos que os assistiam, vendo os sorrisos dedicados entre si, a alegria de tocar, a vontade de estarem juntos. Aqueles fãs que estavam ali não tiveram um sábado qualquer de outono, assim como os cinco também não tiveram um dia qualquer, e sim um dia para guardar na memória e no coração.
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Uma semana depois
Os cinco estavam de volta naquela casa de show, dessa vez Uruha vestido como os outros, com maquiagem e cabelo arrumado com cuidado para que não acontecesse algum acidente. O show da semana anterior havia rapidamente ganhado a imprensa e os comentários se estenderam até a quarta-feira, quando amenizaram por apenas dois dias, já que a mídia sabia que Uruha tocaria no show seguinte e a casa de show estava ainda mais cheia.
Claro que o empresário manteve repórteres do lado de fora e não permitiu que telões fossem colocados para eles, mas isso estava totalmente alheio dentro de cada um ali. Eles se abraçaram como fizeram por nove anos, cada um disse algo que queria e em suas mentes o pensamento soberano era o de sucesso para todos e que mais aquele passo fosse dado de maneira firme, e no final daquela noite estivessem exaustos no camarim querendo ir embora e dormir depois de mais uma apresentação.
Seus olhares caíram sobre Uruha quando se separaram, mas o que ele mostrava era confiança e certeza de que havia voltado bem para a banda, e que selaria naquele palco a vitória implacável sobre sua doença, e que sua volta era firme, certa e incontestável.
— Vocês entram em cinco, quatro, três...
Notas finais
- Eu vou dançar daqui e você vai ficar aí quietinho só vendo. Se vier aqui pra cima eu paro.
Uruha mandou uma piscadela para Aoi suficiente para que ele assentisse e mordesse o lábio inferior que ostentava novamente o piercing que havia tirado há algum tempo, como um dos pedidos que estava escrito no bilhete que recebeu que também pedia que colocasse uma fivela grande no cinto. ''
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Quem ficou ansioso levanta a mão 8D (e manda review q)
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