Notas iniciais
Gente achei que ia morrer no cap anterior AUAUHUHAUHAUAUUHAUHAUHUHAUA. Tudo bem que eu parei numa parte confusa, mas depois daquele passado nem teria como ser os pais do Uruha realmente ali no hospital -QQ.
Perdoem a tia pela confusão ♥
Boa leitura.

— Kou-chan. – A mulher foi até Uruha, abraçando-o enquanto o Sr. Suzuki se encaminhou até Viktor. – Que saudade meu amor, espero que possa nos perdoar, mas foi difícil convencer o hospital a nos deixar vir. – Tinha uma linha triste na voz por ter demorado tanto para chegar a Tokyo.

- Eu posso imaginar não se preocupem com isso. Espero não ter trazido problemas. – Podia sentir o cheiro tão característico da senhora Suzuki que lhe criou por aqueles anos que fora abandonado.

- Não deu mesmo, pode acreditar. – Fitou o filho de criação tão diferente do que via em revistas ou shows, imaginando o que ele passou até o momento com a doença.

- E não precisa se preocupar Kouyou, está tudo bem. – O homem lhe sorriu, mas logo voltou a atenção para o médico. – Nós não somos os pais legítimos de Kouyou, mas podemos ser seu acompanhante. Demoramos a chegar, mas já falamos com o diretor do hospital.

- Sim eu entendo. – Viktor sorriu. – Bem, tenho que lhes avisar que algumas coisas como muitos toques no Uruha não são permitidos e que devem sempre usar as máscaras aqui. Creio que sendo seus tutores ele deve estar acostumado com os senhores então não acho necessário que precise falar algo sobre as crises, certo Uruha?

- Oh não, de maneira nenhuma. – Sorriu.

- Bem, então se me dão licença eu vou falar com o diretor e regularizar minha situação novamente.

Viktor saiu acompanhado de Felipe enquanto os recém-chegados se sentavam cada um de um lado da cama, observando a fragilidade tão intensa de seu filho.

- Já falaram com o Reita? Ele deve estar com saudades.
- Ainda não conseguimos. – O Sr. Suzuki argüiu. – Mas pretendemos tentar mais tarde, estamos com saudades também. – Sorriu. Apesar do semblante fechado, ocasionado também pela idade, era um bom homem.

- E você meu amor como está? – Sua mãe sempre tão amável sorria docemente por baixo da máscara.

- Estou... Caminhando. Triste por muitas coisas, alegre por outras, ainda me perguntando por que eu fui desenvolver algo como isso. É uma situação muito ruim. – Suspirou, deitando-se novamente.

- Ficamos surpresos quando vimos a comitiva, foi um baque e tanto.

- E aqui do lado de dentro é ainda mais difícil. – Completou a sentença de sua mãe. – Vão ver quando começarem as crises novamente. É sempre muito ruim.

- Não pense nisso, está bem? Agora estamos aqui com você.

xXx

- Os desenhos ficaram lindos, minna, acho que já temos a arte final. – Um dos diretores sorriu para Ruki, depois de mais de uma hora conseguiram o resultado desejado. – Vamos apenas estabelecer os tecidos e vocês serão liberados.

Os cinco sentiram um peso saindo dos ombros e se juntaram perto de Takanori e dos diretores enquanto conversavam sobre qual parte da roupa receberia determinados detalhes e tecidos, coisas que não eram muito agradáveis de ficar escolhendo, mas que eles não tinham como escapar, e desejavam apenas terminar logo aquilo para se verem livres um pouco da companhia. Graças aos conhecimentos dos diretores, de Ruki e até de si mesmos, conseguiram em dez minutos decidir tudo, sorrindo aliviados.

- Podem ir almoçar, quando retornarem algumas partituras já estarão na sala de ensaios para começarem a interagir musicalmente com Sugizo-san.

- Hai. – Os membros disseram em coro, saindo da sala abafada de decisões, pegando apenas o básico em suas mochilas para poderem finalmente ir comer alguma coisa.

Aoi, claro, verificou seu celular enquanto caminhava, vendo uma mensagem na tela do aparelho.

''Aoi recebi sua mensagem e me senti muito bem em saber que acordou bem. Estou feliz aqui, e caso não possa ligar, diga a Reita que tem duas surpresas aqui comigo no hospital. ''

O moreno achou confusa aquela mensagem, mas como havia sido direcionada para Akira, caminhou até seu lado tocando num dos ombros, entregando o aparelho para ele.

- Que acha que é? – Inquiriu, fitando Aoi.

- Não faço idéia, mas pelo jeito ele está feliz e a coisa é boa para vocês dois.

Reita concordou com um meneio de cabeça, pedindo alguns minutos enquanto digitava a mensagem, devolvendo o celular para o Aoi em seguida.

''Surpresas? Que surpresas são essas? Espero que esteja bem e que essas tais surpresas também te façam bem. ''

Não precisou muito, e diria que talvez nem cinco minutos, assim que puseram os pés dentro do restaurante, Aoi sentiu o aparelho vibrar em seu bolso, e esperou acharem uma mesa e se acomodarem, antes de entregar o celular para Reita, que leu incrédulo aquele conjunto de palavras, vocalizando cada uma num tom que apenas eles escutassem.

''O pai e a mãe, Reita. Eles estão aqui, vieram ser meus acompanhantes e disseram que estão morrendo de saudade. Eu estou tão feliz deles estarem aqui, aquele sentimento acolhedor e familiar de Kanagawa voltou tão forte. Tente vir hoje, e boa sorte com os ensaios. Ah sim, e não esqueçam de dizer quem foi o escolhido. ''

Ignorando completamente a última parte, Reita sentiu seu coração bater mais forte, as pulsadas pareciam trazer mais alegria ao baixista cada vez que se completavam e uma lágrima solitária desceu por seu rosto, perdendo-se no tecido da faixa enquanto ele entregava o celular para Aoi, tão feliz quanto conseguia.

- Se queriam um motivo para descansar bem, aí está. Nem acredito que eles vieram. – Sorriu feliz, deixando-se relaxar ao lado do amado. – Será que eu consigo sair mais cedo?

- Não acho que teria problema. – Kai argüiu. – Aliás, poderíamos passar em alguma loja e comprar algumas toucas, ele gostaria de mudar.

- Espera aí, — Sugizo anunciou. – Vocês precisam me dizer qual o estilo de Uruha-san para eu não acabar comprando algo que ele não goste.

Os quatro acabaram rindo junto com Sugizo, que já conseguia se considerar como membro, ainda que não definitivo. Os outros não o ignoravam e se sentia bem ao lado deles, feliz de poder ajudar a banda com o festival e claro, com o que mais precisasse.

- Nós o ajudaremos. – Kai disse sorrindo.

- Eu agradeço muito, e se não parecer intruso de minha parte gostaria de entender o que os pais de Uruha-san têm a ver com Reita-san.

- Oh sim, perdoe por isso. – Disse Reita. – É que meus pais criaram o Uruha depois de uma série de problemas que ele teve com a família dele. Por isso da ligação.

Sugizo assentiu e os cinco terminaram de uma vez sua refeição, saindo do restaurante quinze minutos antes de seu horário de retorno. Estavam perto da gravadora e Ruki, conhecedor de uma loja que vendia artigos para inverno, guiou os outros uma quadra depois do restaurante, adentrando o pequeno local, onde os donos, carregando muitas primaveras em seus semblantes, estavam acostumados a ver tantos famosos no local. A senhora, com um pequeno coque alto, cumprimentou os cinco com uma reverência, sendo prontamente atendida da mesma maneira.

- O que desejam meus bons músicos? Espero poder ajudar.

- Oh sim, aposto que poderá nos socorrer. – Ruki disse brando e sorrindo, fitando a senhora. – Gostaríamos de comprar cinco toucas, a senhora poderia nos mostrar alguns modelos?

- Em absoluto, buscarei alguns modelos.

A senhora pediu alguns minutos enquanto se dirigia para os fundos da loja, os cinco aproveitando para olhar os outros objetos a venda, desde doces no balcão, passando por algumas bolsas numa parte, cachecóis e algumas roupas de inverno em araras, uma típica loja pequenina que vendia quinquilharias, mas que não seguiam à risca o significado da palavra, sendo na verdade realmente úteis.

Não chegaram a pegar mais nada e sorriram ao ver a variedade de toucas à sua frente, algumas com orelhas de neko, outras com orelhas longas que chegavam á cintura, uma infinita variedade que certamente deixaria a coleção de Uruha maior e sua felicidade também.

Demoraram poucos minutos para escolher tudo, cada um pagando seu devido item e embalando, saindo rapidamente da loja, já que agora estavam atrasados. Caminharam mais rápido pelas ruas frias enquanto o vento gelado beijava suas faces e eles sentiam gelar até os dentes, agradeceram quando se viram dentro da companhia novamente.

Encontraram um Staff ainda na recepção e os seis se dirigiram para o último andar, encontrando, na sala de ensaio, dois diretores de produção e mais dois Staffs.

- Por favor, pessoal, se coloquem em suas posições, queremos ver algumas coisas. – Argüiu um dos diretores, analisando bem os cinco conforme se ajeitaram em frente a si. Trocou alguns olhares com o outro diretor, voltando a atenção para os músicos. – Acho que vamos ter certo trabalho, mas vocês vão conseguir se dar bem no palco. – Sorriu.

xXx

O Sr. e a Sra. Suzuki haviam presenciado a primeira crise de seu filho adotivo. Uruha voltara do banho e tomava seu lanche da tarde quando toda a comida revirou em seu estômago e subiu pela garganta, obrigando-o a expelir aquele bolo importante — Mas, fora de si tão nojento. – de comida e água, deixando-se escorrer pela cama que foi rapidamente trocada, enquanto fechava os olhos e sentia a cabeça começar a latejar.

Timidamente levou as mãos ás têmporas, numa massagem que aliviava um pouco a pressão em seu crânio, mas não sendo suficiente para suprir e cobrir a onda de batidas de dentro para fora que começara a sentir, apertando os olhos e sua roupa hospitalar por baixo dos lençóis, tentando se preparar para mais uma crise tão terrível decorrente de sua doença.

xXx

- Sugizo-san podia ir conosco ver o Uruha. – Reita guardara seu amado baixo no estojo de couro, carregando-o pela alça, fazendo o mesmo com sua mochila.

- Acha mesmo Reita-san? Quer dizer, Uruha-san não ficaria chateado a me ver?

- Uruha é muito sentimental, é verdade. Mas, acredite, com o Aoi lá nós perdemos a importância.

Os quatro desataram a rir, certificando-se de que Staffs e produção estavam longe da sala. Aoi fez um bico e pegou suas coisas, apesar de por dentro estar explodindo de orgulho. Era seu amado, afinal de contas.

- Bem, então Aoi-san me cobre e Uruha-san não passa nervoso com minha presença. – Sorriu com ternura, inebriando os outros na gostosa sensação que a sala passou a ter com a conversa tão descontraída, também influência do fato de terem sido dispensados mais cedo.

- Como vamos fazer, cada um vai em seu carro, ou vamos apertados e esmagados num só? – Aoi riu de sua sentença, levando uma careta ao semblante de Ruki.

- Aoi, se algum de nós pensou em ir num único carro você acabou com todas as esperanças.

Risadas audíveis, gostosas e felizes, mas tão inocentes quanto à falta de informação sobre Uruha. Haviam saído as cinco com muito custo, planejando desde horas antes ir até o hospital ver o amigo acometido, sem ter idéia de que no momento o ex-loiro passava por mais uma crise.

Não podiam ser culpados, afinal de contas os momentos bons eram poucos e ainda assim incompletos. Não faziam idéia do que poderiam encontrar pelo caminho quando chegassem ao hospital, mas a inocência tão aclamada por pais para salvar a sanidade de suas crianças num mundo virado de cabeça para baixo, agora se fazia problemática e intrusa para aqueles adultos.

Mas, não tinham como saber, ou serem avisados, no momento tudo estava voltado para o ex-loiro e qualquer pensamento que na ocasião parecesse fútil seria severamente descartado, o que era normal em situações extremas. Ninguém podia ser culpado, Viktor fazia habilmente seu trabalho, enquanto seus pais, com cabelos brancos se fazendo mexas naturais por toda a extensão negra, podiam apenas ver o sofrimento de seu garotinho que para eles nunca passaria dos doze anos, assim como seu Akira.

Adeptos dos antigos costumes foram encaminhados por Felipe até a capela do hospital, que mesmo que parecesse católica demais, tinha seus traços nipônicos, não que decoração fosse importante numa hora em que a vida de seu amado filho de criação era testada pela agonia da quimioterapia.

- Nosso bebê está tão doente. – A Senhora Suzuki praticamente sussurrava ao marido, mantendo-se forte sem chorar, enquanto o Senhor Suzuki lhe dava um sorriso acolhedor.

- Está sim, mas Kami-sama o salvará, vamos ter fé nele e naqueles bondosos médicos.

E naquele caos exposto um sorriso esperançoso brotou dos lábios finos da senhora. Eles se colocaram em posição respeitosa e cada um começou a desejar com a força de sua fé para que tempos bons viessem para seu acometido filho.

E claro, a surpresa fora grande para os cinco ao verem Uruha sedado e com a máscara de oxigênio. Viktor e um cardiologista monitoravam seus sinais vitais, mas permitiram que todos se aproximassem de Takashima, tão tristes quanto podiam, na mesma proporção da felicidade que sentiram ao saírem da companhia.

Aoi podia sentir os olhos marejarem, e apenas fitou a entrada do quarto quando viu os pais de Reita atravessando por ela, indo de encontro a cinco olhares tristes e dois atentos. Um desses, vindo de Viktor, mudamente indicou que um diálogo seria melhor longe do quarto para não estressar Uruha, e numa resposta também taciturna os sete se distanciaram do lugar, preocupados, mas de mãos atadas.

Pelo menos Reita, que não via os pais a um bom tempo, pôde aproveitar de seus abraços no corredor perto da saleta de espera.

- Eu não entendo porque ele é sedado toda hora. – O próprio Akira inquiriu, ainda abraçado com sua mãe.

- Viktor-san disse que ele não agüenta as dores, e mesmo que o fizesse, vomita muito líquido, o que o deixa mais fraco. E também por ser a segunda sessão, ele está mais debilitado que antes – A voz tão imponente de seu pai parecia agora acuada e maculada, tão ansiosa por respostas quanto seu ser inteiro.

- E nós viemos tão felizes para vê-lo. – Quase inocentemente, Ruki postou-se ao lado de seu amado, fitando o embrulho em mãos.

- Sei que devem estar cansados e precisando descansar, mas não podem ficar até ele acordar? Sua presença poderia lhe fazer bem. – Palavras hesitantemente sábias da Senhora Suzuki, tão atônita e sem reação lógica como qualquer pessoa que presenciava uma situação como aquela a primeira vez.

- Kai, acha que consegue falar com o Koga-san e avisar que provavelmente chegaremos tarde amanhã? Podemos passar a noite aqui e tomar um banho em casa antes de irmos para a gravadora.

- E completando Reita-san, podemos ficar até as sete se for preciso.

Sugizo não se importava. Era uma vida em jogo, alguém que mesmo não conhecendo muito, admirava por lutar contra aquilo. E mesmo que novamente se vissem no meio de tanta dor e tormenta, aonde aquela velha sensação de impotência lhes atingia mais do que a tempestade em si, os sete conseguiram sorrir para si e para os outros, mudando a expressão 'Um por todos... Todos por um. '

Agora era 'Um por sete... Sete por um. '

E a esperança desabrochava no meio de pessoas que estavam tão determinadas quanto um leão a agarrar sua presa.