Notas iniciais
Oioioi *-*
Nee, hoje não vou falar muito, vocês vão querer me matar, mas só pra avisar mesmo essa é só a cobertura do bolo, a cereja vem depois.
To respondendo os reviews dos caps anteriores, até mais o/.
Boa leitura.

— Essa nevasca pelo jeito vai demorar para ir embora. – Kai disse mais para si mesmo, fitando o lado de fora da casa pelas portas que davam acesso ao terraço do segundo andar.

Uma semana das férias já havia se passado e durante esse tempo a cidade fora castigada pela neve que já se acumulava em certos pontos. A gravadora estava de recesso, pois, as bandas ainda tinham os outros sete dias livres e Kai ficara sabendo que muitos dos músicos estavam gripados. O próprio líder chegou a se encontrar em situação semelhante, mas o rápido resfriado foi embora tão logo apareceu.

Mantinha algum contato com Reita e Aoi, e pelo que soubera o baixista estava mais recuperado do acidente, o corpo não doía tanto e o pulso estava melhorando. Ruki havia se recuperado da rouquidão e não chegou a ficar gripado, e Uruha oscilava por causa da quimioterapia. Estava sofrendo novamente pelos efeitos da medicação, mas chegou a confessar que a presença do moreno era uma segurança pessoal. Kai não podia deixar de ficar feliz pelos amigos já que ele mesmo vivia um romance que pelo jeito aproveitaria por mais sete dias, já que as condições climáticas lhe impediam de ir embora.

Não que fosse ruim, já que se sentir sozinho em seu apartamento não era algo que ele queria depois de estar tão bem resolvido com Miyavi. Ainda assim sabia que não poderia morar com o amado, se fossem vistos juntos seria um desastre. Era uma dor de cabeça que queria evitar pelo menos enquanto estava de férias, mas não podia deixar de considerá-la uma pontada incômoda.

— Fritando neurônios? – Miyavi apareceu por trás de si, rindo fraco e lhe entregando uma xícara que descobriu conter chá.

- Mais ou menos. – Deixou-se levar pelo braço envolvendo sua cintura, notando outra xícara fumegante na mão livre tatuada. – Pensando que as férias vão acabar e eu vou ficar longe daqui.

- Ficou tão dependente assim, Kai-chan? – Beijou a curva do pescoço arrancando um suspiro baixo do menor.

- A culpa é sua mesma. – Riu baixo, sorvendo um pouco do líquido. – Eu fiquei mais de um ano sozinho para conseguir encarar meu apartamento agora.

- Então não pense nisso agora e aproveite. Na hora você vai conseguir lidar com isso. – Desta vez Miyavi bebericou de seu chá. – E eu sei que você sabe disso.

Kai suspirou, concordando. Não tinha tanta confiança, ou pelo menos era o que pensava, mas nada como se deixar aproveitar das companhias do amado e deixar a vida publica de lado. Eles – E principalmente Yutaka. – mereciam aquilo.

xXx

Reita arrumava a faixa sobre o pulso torcido, já um pouco menos dolorido. Sentia alguma saudade de tocar, mas ainda não podia mover a mão direito, o que estava lhe rendendo dias de tédio, já que ficava ou sentado no sofá ou deitado em sua cama vendo seus pais e Ruki fazendo tudo. Não era muito, mas não gostava da sensação de estar incomodando, principalmente porque ele deveria cuidar dos três e não o contrário.

Mas, era tentar se mexer e sentir dor em alguns pontos aonde as caixas bateram mais forte. Não precisava mais de Ruki para lhe ajudar a se arrumar no banho, e a recuperação estava se dando mais rápido do que imaginava, mas ainda desejava ir mais rápido. E esperava que o tempo melhorasse, já que tinha médico marcado exatamente para o dia de retorno à companhia, tendo ao menos a sorte de não terem nada de importante agendado, visto que muito provavelmente demoraria um pouco para pegar entrar no ritmo novamente.

— Desde que tudo esteja bem até o natal.

- O que? – Ruki apareceu de supetão, assustando o loiro maior.

- Nada não Ruki, só to pensando alto demais. – Sorriu fechado, trazendo o menor para se deitar sobre suas pernas, acarinhando os fios descoloridos.

- Pensamentos altos sobre o natal, é? Vai fazer algo importante?

- Nada que o senhor curioso vá arrancar de mim. – Brincou, recebendo um sorriso em troca.

- Não vai me dizer nem meia palavra? – Fez um bico arrancando uma risada de Reita.

- Nem meio ponto.

Ruki bufou falsamente irritado, acomodando-se ao lado do maior. Uma de suas mãos se dirigiu para a bochecha que agora ostentava uma mancha mais clara de roxo e que não parecia doer tanto.

— Eu ainda devia te matar por me assustar desse jeito.

Reita riu. – Mas, isso juntou mais a gente. E pareceu te deixar mais confiante.

- Deixou sim. – Sorriu. – Mas você precisava ser amassado pelas caixas dos nossos instrumentos?

Reita soltou uma risada mais aberta. – A culpa não foi minha! Elas escorregaram.

- Sim Akira, sim. – Disse com uma voz cômica, cruzando os braços e fazendo um bico incrédulo. – E adivinha a besta que estava parada embaixo delas?

O Suzuki se deixou levar pela comicidade do menor, anuindo sobre a sentença e o trazendo para um abraço, envolvendo o braço pelos ombros pequenos.

— Eu disse que alguma coisa ruim ia acontecer, eu disse. – Deu de ombros.

- E logo com você. – Ruki balançou a cabeça negativamente. – Aki você não tem salvação.

Riu. – Eu sei meu pequeno... Eu sei.

xXx

- Chato, emburrado, se nega a comer. Acho que to aprendendo a ser pai cuidando de você Uru.

O ex-loiro que se preparava para aceitar forçadamente mais uma colherada de comida interrompeu o ato fitando Aoi seriamente erguendo o dedo médio em direção ao rosto do moreno, levando-o a rir e voltar a colher para dentro do prato. O Shiroyama gargalhava gostosamente por baixo da máscara embriagando o Takashima, que sorriu.

— Isso é maldade Aoi. – Empurrou-o por um dos ombros. – Eu to doente. – Formou um bico e o moreno sorriu.

- Mas, continua mimado. – Brincou, recebendo um tapa leve.

- Eu mereço ser amado e bem tratado Shiroyama, pode cuidar de mim feito um rei.

Aoi gargalhou novamente, quase desistindo de dar comida ao outro. – Eu já cuido de você feito um rei, mas você deveria se esforçar para comer mais.

- Eu bem que tento. – Aceitou a colherada com alguma hesitação. – Mas a falta de apetite não me ajuda em nada. E nem o gosto de vômito.

- Ainda ta com gosto? – Aoi tentava forçar mais uma porção entre os lábios cheinhos, esta sendo aceita mesmo com a negativa com a cabeça.

- E muito, eu- — Levou uma das mãos ao estômago, apertando os olhos. Aoi estreitou as sobrancelhas, encarando com preocupação.

- Que foi?

- Enjôo. – A mão subiu à boca, apenas para o tempo de Aoi colocar a bacia sobre seu colo e toda a comida voltar com força, junto com a frustração por sua parte.

Já havia vivido aquilo nos quase dois meses da primeira fase do tratamento e sabia que quando o vômito vinha dificilmente Uruha permanecia acordado por muito tempo, e imaginava que agora não seria diferente. Era muito provável que nenhum rastro de comida tenha sobrado no estômago do guitarrista, e apenas a visão do prato perto de si lhe enjoava novamente.

Por sorte uma das enfermeiras que cuidava de si não demorou a aparecer e levar o que havia sobrado, permitindo que se acomodasse melhor na cama, sendo ainda velado pelo olhar intenso do moreno.

— Eu odeio isso. – Reclamou baixo, fechando os olhos, mas sem intenção de dormir. Estava irritado e com a garganta levemente dolorida. – Estraga esses dias que já não são bons. To com saudade do seu apartamento.

- Alguma força maior poderia ter ajudado a gente e parado o tempo.

Uruha riu baixo apesar do incômodo pelo vômito. – Força maior? Tipo o Ultraman?

Dessa vez foi o moreno quem riu. – Ultraman Uru? Eu tinha pensado em algo mais místico, mas acho que ele serve.

- Ele é mais legal que os seus seres místicos. – Provocou.

- Mas os meus seres místicos são... Místicos. E isso é mais legal que os seus super-heróis.

Uruha fazia diversas caretas tentando dizer algo arrancando ainda mais risadas de Aoi. Estava mais aliviado pelo maior estar aparentemente melhor, ao menos não tentando pensar nas partes ruins de seu tratamento. Ficaria bem mais calmo quando precisasse voltar a companhia.

— Eu sou seu namorado, sou mais legal que qualquer um dos seus seres místicos. – Deu uma piscadela para o moreno.

xXx

Duas semanas nunca pareceram passar tão rápido. Faltava um mês para o natal, que mesmo não sendo tão presente na cultura oriental ainda assim significava que o ano estava indo embora. Mais um. E muito rápido. Pouco mais de quatro meses haviam se passado desde a última turnê, a metade deste tempo para o diagnóstico da doença de Uruha. Sugizo havia aparecido há um mês, talvez um pouco mais e catorze dias haviam se passado desde o festival. O mesmo tempo para o acidente com Reita.

Era uma linha do tempo que se comparada às imagens de um monitor cardíaco nunca teria uma reta precisa, muito pelo contrário, as oscilações entre o bom e o ruim e a correria atípica desses pouco mais de um terço de ano eram tão exatamente o oposto das linhas do aparelho. Enquanto uns desejavam que o monitor nunca indicasse uma reta contínua, para os quatro seria uma estabilidade que não estavam mais acostumados.

Talvez estivessem um pouco acomodados, mas isso não lhes passava segurança. Poderia ser comparado ainda há uma família, onde um dos membros, tão importante quanto os outros tivesse que se afastar daquele mundo e um estranho fosse colocado no cerne justamente quando os outros ainda estavam balançados com a distância do ente querido.

Poderia ser apenas uma reflexão dos tempos que vinham com o final de ano, não havia uma resposta certa. Mas, assim como eram pensamentos que surgiram do nada e sem um motivo realmente, para Reita não importava se tinha algo convincente por trás. Esperando ser atendido no mesmo hospital que seu meio-irmão estava internado, numa segunda-feira fria e cinzenta, muitas coisas acabavam não importando se tinham um sentido de fato.

Precisava apenas esperar o médico, já estava em sua sala. As manchas roxas de seu rosto e braços haviam sumido de vez e apenas algumas ainda insistiam em suas pernas. Sua barriga e região das costelas não doíam mais e bastava apenas saber se seu pulso iria colaborar. Fora a situação com seu primo recém descoberto. Uma confusão que lhe fazia pensar em tudo que sua mãe passou na época.

— Vamos ver esse pulso, Suzuki-san.

- Sim. – Sorriu.

O médico retirou a tipóia e a tala, observando o local com aspecto marcado pela proteção. Não estava mais inchado, dava a impressão de ter sido bem cuidado, o que levou um sorriso ao rosto do homem trajado de branco.

— Dói? – Apertou levemente num ponto, recebendo uma negativa do Suzuki. – Nem aqui?

- Quase nada. Um incômodo. – Reita respondeu.

- Pelo que consta em sua ficha o senhor toca instrumentos musicais, certo?

- Sim.

- Então eu vou lhe prescrever compressas de gelo depois de cada sessão de seus ensaios por uma semana, e os intervalos para descansar o pulso terão de ser maiores pelo mesmo período.

- Certo doutor.

Reita foi liberado logo em seguida. Não estava com problemas graves, por sorte, e um intervalo maior não seria problema, principalmente por não saber nem se haveria. Com Uruha doente a agenda terminava quando o festival passasse, e se não tivesse nada a ser feito, o que não parecia haver, Sugizo estaria indo embora da gravadora naquele dia.

Mas, Reita não era bobo. Nem ele e nem os outros. Seria fácil demais e não duvidava que alguns shows avulsos ou participações especiais fossem marcados pelo empresário. Talvez algumas entrevistas, já que não haviam dado nenhuma desde que Uruha ficou doente.

Resolveu não sofrer – Ou comemorar – por antecipação, decidindo-se ir até o andar de Uruha, nem que fosse para dar um ‘oi’ da porta. Caminhou até os elevadores, parando ao se deparar com um segurança um pouco maior que si, recebendo um olhar curioso do homem. Ouviu ainda alguns passos descompassados, deparando-se justamente com Felipe que mal lhe dirigiu um olhar, se apressando em adentrar o elevador ao lado apoiando-se numa das paredes para respirar melhor.

Reita fitou tudo com curiosidade, voltando a atenção para o segurança que lhe sorriu fechado, entendendo a feição indagatória do loiro.

— Deseja ir a algum andar senhor?

- Sim ao da oncologia. – Sorriu, voltando a si.

- Sinto em dizer, mas ninguém pode chegar perto daquele andar no momento. – Disse seriamente, o semblante de Reita se tornando igual.

- Que aconteceu?

xXx

- O Reita deve estar chegando Koga-san, ele foi ao médico ver o pulso. – Kai estatuou, acomodando-se no sofá ao lado de Sugizo.

- Tinha me esquecido, desculpem. Então eu volto em meia-hora para ver se ele chegou.

O líder meneou a cabeça e o engravatado se retirou sob o olhar suspeito de Aoi. O moreno trocava as cordas de sua guitarra, mas não pôde deixar de notar que havia algo diferente no empresário. Havia acordado se sentindo um pouco mal e não duvidava que fosse por causa de alguma notícia que viria dele, algo que iria desagradar de alguma maneira.

— Ele ta diferente hoje. – Vocalizou os pensamentos e se voltou para sua guitarra recebendo a atenção de Ruki, o olhar do menor caindo sobre si.

- Acha que vem notícia boa por aí? – O loiro fez uma careta quando os olhos de Aoi encontraram com os seus, rindo com ele.

- Eu espero, chega de coisa ruim pra gente. O próximo ano vai ser muito melhor.

- É o que todos desejamos Aoi. – Kai se colocou na conversa, sorrindo. – Principalmente a cura do Uruha. – Fitou Sugizo que sorriu concordando.

Os quatro ficaram conversando amenidades, sorrindo, rindo. Aoi precisou de muito mais tempo que o necessário para trocar o conjunto das cordas e nem ao menos se importou em afinar, com piadas e assuntos descontraídos o Shiroyama não teria como se concentrar devidamente e deixou-se pousar o instrumento desafinado em seu colo.

Estavam tão distraídos e contentes, deixando-se levar pela leveza do momento, perdidos sem noção de tempo, apesar de o empresário ter aparecido depois dos trinta minutos que havia marcado já levemente exaltado e chamando atenção para o horário que ultrapassava as onze da manhã.

— Ele não atende. – Ruki havia tentado para terceira vez, mas nada do outro dar algum sinal.

- Não era uma consulta simples? – Aoi se propôs a tentar, mas também sem obter sucesso.

- Sim, ele só ia ver se o pulso estava bom. E ele se cuidou, não poderia ter problemas agora. – Takanori argüiu preocupado, também começava a desconfiar que algo ruim estivesse acontecendo.

- E essa demora não é nada boa. Acho melhor chamar o Koga-san aqui e pedir que fale logo, hoje o dia ta praticamente perdido.

Kai saiu do ambiente deixando os três companheiros confusos, estado compartilhado por ele mesmo. O sumiço de Reita não podia ser considerado normal, só podia imaginar que alguma coisa estava acontecendo, arriscaria até mesmo a ir ao hospital se fosse preciso, só falaria com o empresário antes.

Seu objetivo era chegar a sua sala, mas ao fitar Reita correndo em sua direção exasperado só lhe prendeu no lugar, confuso com toda a agitação. Não poderia ser por atraso, a própria situação impedia isso.

— Que foi Reita? – Amparou-o esperando que a respiração se acertasse, fitando o rosto suado e vermelho do baixista.

- Problemas Kai. – Disse respirando fundo, ainda se mostrando cansado. – Problemas graves com o Uruha.