Notas iniciais
Atualização relâmpago, todos gusta qq.
Nee obrigada pelos reviews amores, atualizei logo por causa deles, sentiram a direta? -qqqqqqq -apanhamuito-.
Sem falar demais, tenham uma boa leitura.
PS: * De fato, eu fiz uma pesquisa e lá constatava isso, não é uma invenção para a fic.
Boa leitura².

Kai gelou. As pernas fraquejaram em questão de segundos e foi preciso que as posições se invertessem e Reita o amparasse antes que seu corpo viesse ao chão. O rosto do líder estava pálido e as feições exaltadas, um mix de surpresa e apreensão tomando conta de seu rosto.

— Que houve Reita?

- Infecção hospitalar pelo que eu fiquei sabendo. Atingiu todos os pacientes da ala do Uruha incluindo as crianças. Parece que vão ter que evacuar toda a ala e os pacientes e a equipe serão mandados para outras filiais do hospital. – Disse ainda exasperado, assustando cada vez mais o outro.

- Mas, como? Pra onde vão mandar o Uruha?

- Eu não sei direito, eu não consegui achar o Viktor, ele devia estar ajudando os pacientes e nem com o Felipe eu consegui falar. Quem me disse isso foi uma enfermeira e ela disse que os acompanhantes estavam fazendo exames pra saber se também não estavam doentes então só vou conseguir falar com meus pais à tarde.

- Só porque o Aoi tava bem. – Desvencilhou-se do amigo, recompondo-se. – E o Koga-san ainda quer falar com a gente. Melhor a gente ir pra sala e tentar colocar esses assuntos na mesa.

Reita anuiu tristemente, caminhando o mais devagar possível pelo corredor. Havia deixado inúmeros curiosos por ter entrado as pressas no prédio, mas estava tão sem rumo que apenas o ato de precisar repetir as palavras da enfermeira lhe era como uma punhalada no coração. Seu pulso latejava, já que o havia batido enquanto voltava, mas não era o foco de seus pensamentos. Estava mortificado pela notícia e seu estado só piorou ao ver Aoi sorridente e conversando, apesar de a feição inocente ter morrido ao encarar os dois amigos abatidos.

— Que aconteceu com vocês dois? – Ruki inquiriu preocupado enquanto fechava a porta, já que os dois se deixaram largar no sofá antes que as pernas fraquejassem de novo.

Ainda assim, não obteve resposta. Kai estava de cabeça erguida fitando o teto e Reita massageava as têmporas evitando fitar Aoi. Não fazia ideia de como a notícia lhe atingiria e muito menos se tinha coragem de dizer novamente, a cabeça latejava com todo o estresse.

— Hei o que foi? – Perguntou mais exasperadamente, tentando chamar atenção. – Perderam a fala?

- Problemas, Ruki. – Kai foi o primeiro a se endireitar, levando uma das mãos ao ombro de Reita. – Vamos Reita, eles precisam saber.

O Suzuki fitou intensamente os orbes do líder procurando desesperado um lugar onde houvesse hesitação e ele pudesse usar disso para correr, mas não achou nada. Somente a intensidade e a 'certeza incerta' que muitas vezes tomava o olhar do outro enquanto ele tentava passar segurança mesmo que estivesse com medo ou hesitante. Respirou fundo.

— Todos os pacientes da ala de oncologia do hospital pegaram infecção hospitalar e estão com pneumonia. Incluindo o Uruha.

Jogou a bomba para cima, já sabendo em qual colo ela cairia. Sentia-se absurdamente mal por ter que falar, sabia como Aoi estava balançado com tudo aquilo, e ser ele o dono daquelas palavras era como uma traição. Uma traição que teve resultados imediatos quando o empresário apareceu na porta da sala, mas diferente de tudo que os quatro conseguiram imaginar o moreno mal se moveu do sofá, dirigindo um sorriso para o engravatado que mantinha uma expressão neutra, mas talvez levemente contente.

— Reita não vou brigar, só espero que esteja tudo bem.

- Está sim Koga-san. – Aoi respondeu pelo amigo. – Agora pode dizer as boas novas. – Sorriu novamente quase fazendo a bile subir pela garganta de Ruki que estava mais próximo a si.

- Bem, se está tudo bem. – Sorriu. – Eu queria dar parabéns a todos, o festival foi super aceito pelos fãs, Sugizo-san parece ter conquistado todo mundo e por todo esse sucesso os diretores vieram conversar comigo.

- Espero ser por bons motivos Koga-san. – Kai ainda estava preocupado com Aoi, mas precisava dar alguma atenção ao homem parado a sua frente.

— Eu já falei com Yoshiki-san hoje e ele pediu que desse os parabéns a Sugizo-san e que não haveria problema ele ficar mais um tempo conosco.

- Mais um tempo? – O próprio Sugizo inquiriu, endireitou-se no sofá levemente surpreso. Não podia imaginar o que viria a seguir.

- Sim. Os diretores sugeriram iniciar uma turnê já que Sugizo-san foi tão bem aceito. Yoshiki-san disse não haver nenhum problema.

Talvez não tivesse problema. Ou talvez tivesse, mas fosse menos ameno numa situação em que eles não houvessem recebido o baque de que Uruha estivesse doente. Aoi podia ouvir seu coração bater com uma dificuldade tão grande, os olhos negros fitando um ponto qualquer e se perdendo num mundo sem som ou imagens, tão escuro quanto seus orbes.

O empresário semicerrou as sobrancelhas observando bem a figura de Shiroyama, podia arriscar dizer que seu rosto estava mais pálido que o normal e com curiosidade direcionou o olhar para Kai que estava tão perdido quanto o companheiro.

— Eu perdi alguma coisa?

- O Uruha, Koga-san... A ala inteira da oncologia está doente. – Reita respondeu com o olhar também perdido, o engravatado arregalando os olhos.

- Que? Como assim?

Reita começou a contar tudo de novo, desde Felipe correndo até o segurança lhe avisando sobre o acesso a área da oncologia que não estava permitido e depois a enfermeira explicando. Descobriu por ela que uma infecção hospitalar havia se alastrado por todo o andar e que nem as crianças haviam sido poupadas e os acompanhantes precisavam fazer exames e que provavelmente os pacientes seriam mandados para outras filiais do hospital que havia pelo país todo. Cada palavra era como um baque para Aoi e a mão de Ruki pousada sobre seu ombro fora suficiente para lhe fazer apertar os olhos e evitar o choro.

— E você ainda não sabe para onde ele vai ser mandado. – O empresário quase sussurrava ainda abalado pela declaração.

- Não. Ainda tenho que falar com meus pais, mas pelo que parece só vou conseguir mais à tarde. E agora com isso da turnê nós ficamos sem reação.

- Não, tudo bem a culpa foi minha de atropelar vocês. Tirem hoje para descansar, nós podemos conversar sobre isso amanhã.

Aoi não precisou de muito para pegar sua guitarra e sair em disparada pelos corredores, apesar de ter precisado se apoiar já que as pernas insistiam em vacilar. Reita saiu em seguida para tentar lhe parar enquanto que Kai tentava organizar a coisa.

— Sugizo-san, acho que de novo a situação faz parecer que você nos incomoda, e eu só posso pedir desculpas mais uma vez. Koga-san, eu vou tentar amenizar os ares aqui e acho que amanhã vai dar para conversar sobre a turnê.

- Ta tudo bem Kai, não precisa se preocupar. Espero que o Uruha fique bem e que as coisas melhores aqui. – Ruki comentou.

- E não precisa se preocupar comigo Kai-san. – Sugizo sorriu cúmplice, entendia a situação.

Kai só pôde agradecer e se deixar cair no sofá novamente quando Koga saiu, esfregando nervosamente a testa.

— Acha que o Reita consegue parar o Aoi? – Takanori indagou.

- Eu espero que sim. – Suspirou cansado.

...

Reita caminhava um pouco atrás de Aoi, agora incomodado com a dor em seu pulso. Podia ver claramente como Shiroyama vacilava ao andar e a forma como ele se apoiou no próprio carro pareceria exagerada para quem visse de fora, mas não para si. Sabia perfeitamente como o moreno estava abalado e sem chão novamente e esperou que entrasse no veículo para fazer o mesmo, tomando cuidado com a mão machucada.

— Diz que é mentira. – Arrastou as palavras soluçando baixo.

- Eu queria tanto quanto você.

A primeira lágrima, solitária, logo sendo acompanhada. Aoi olhava fixamente para frente e as gotas escorriam em silêncio pelo rosto, leves soluços escapando pelo espaço entre os lábios. Um tremor foi se apossando do corpo sem pedir licença e nenhum dos dois soube dizer quando o moreno chorava abraçado a Reita deixando-se desabar no ombro do amigo sem se importar com o exterior.

Não sabia dizer como aquela dor estava lhe massacrando, mas se sentia tão sufocado que o ar era algo raro com toda a pressão no peito. Estava atordoado, perdido, novamente sem rumo. Uruha, seu Uruha, o amor de sua vida estava com outra doença, e desta vez correndo um perigo claro de vida, havia pesquisado sobre o câncer e a pneumonia era uma das doenças que mais causava óbito sobre as pessoas acometidas com o cancro*.

E aquele fato só piorava a situação. Perder Uruha depois de uma declaração com um relicário, a imortalização do momento em que cortou seu cabelo, de todos os dias que ficou consigo no hospital, nas duas semanas em casa e mais duas semanas de férias novamente com ele internado era uma dor que não cabia no peito maculado do moreno. O chão debaixo de seus pés parecia uma película de vidro que se romperia com um singelo gesto, por mais delicado que fosse.

Era um sentimento tão profundo que não precisou de muito para inebriar Reita. Havia guardado as lágrimas, mas saber que o irmão estava mais doente ainda e ver Aoi desfalecer em seus braços era demais para si. Abraçou o moreno com força também se perdendo em lágrimas doloridas e angustiantes que desciam fervorosas pelo rosto, contrastando com a frieza da pele.

Não tinha palavras para confortar Aoi, assim como não havia pensamentos para consolar a si mesmo. Notícias eram escassas e não se sabia a que horas conseguiria se comunicar com seus pais. O guarda não havia especulado algum horário o que tornava tudo pior. Já havia tentado, mas a ausência de sinal era tudo que recebia.

O que não ajudava em nada.

— Aoi, vamos voltar lá pra cima, ficar sozinho não vai ajudar. – Não tinha certeza, mas precisava arriscar.

- Eu... Eu não sei. – A voz carregada de dor.

- Nem eu. – Riu amargo. – Mas, se já estamos aqui não vai custar nada mesmo. E talvez faça bem.

- Não quero ficar bem com ele mal.

- Eu sei. Nem eu.

E não era uma novidade espantosa. Estar bem enquanto alguém que se ama está mal é como uma lógica sem sentido, uma mistura heterogênea. A dor tomava conta do corpo, da alma, inebriava a mente e fazia pensamentos desconexos tomarem a frente da razão. Eram momentos em que os sentimentos mostravam que não importava o nível de racionalidade da pessoa, eles sempre estariam ali para sobrepujar quando talvez mais devessem estar quietos.

Mas, não se podia lutar com eles. Em alguns momentos eles se impunham e se deixavam falar e não havia muito que fazer. Era tentar esfriar a cabeça, tirar uma soneca, fazer algo para se distrair e deixar que tudo voltasse ao ‘normal’ para enfim poder pensar novamente e tentar agir racionalmente. Mas, ninguém seguia regras, a vida não era feita delas, onde você lia um manual e seguia aplicando cada tópico dele.

Viver não vinha com manual de instruções. Ou você se arriscava a tentar entender as coisas sem apoio ou se deixava definhar enquanto o tempo passava, os sonhos ficavam para trás, os minutos corriam cada vez mais rápido e quando fosse se olhar novamente no espelho veria as marcas da vida.

xXx

O sol anêmico começava a se pôr. Reita havia finalmente conseguido falar com os pais depois de horas de tentativas e só esperava que Aoi acordasse para poder conversar com ele. Estavam no apartamento do moreno, acabaram indo para lá sem nem retornar a sala de ensaios, apesar de o Suzuki ter avisado ao líder para onde estavam indo. Ruki se encarregou de levar suas coisas e não esqueceu de lembrar que o empresário precisava de todos no dia seguinte.

— Maldito insensível! – Praguejou batendo com força no braço do sofá. O prateado agora parecia apenas mais uma cor aleatória, não um motivo de destaque na sala de Aoi.

O que mais irritava Reita, no entanto, era não poder fazer nada. Não poder correr atrás de Uruha, atrás da ambulância que o levava do hospital, o que também piorava tudo. Ficariam separados e aquilo lhe irritava e magoava ao mesmo tempo. Odiava o sentimento de inutilidade e como ele junto com alguns pensamentos acabavam com a autoestima em questão de segundos.

— Conseguiu alguma coisa?

Sobressaltou no sofá com o susto, Aoi parado atrás de si com os cabelos desgrenhados e a feição de quem havia acabado de acordar, agravado com a dor que estava incrustada em seus olhos.

— Falei com meus pais e já avisei todo mundo, Kai e Ruki devem estar rezando até agora. Mas, antes de dizer qualquer coisa vá comer, o Uruha não precisa da gente doente.

Aoi suspirou, assentindo. A seriedade de Akira não lhe deixaria brecha para protestar e mesmo sem muita vontade se arrumou melhor, colocando um sobretudo por cima do pijama azul marinho e pegando alguns biscoitos e um copo de leite aquecido, já que estava um pouco cedo para a janta e eles não tinham essa refeição.

— Meus pais disseram que isso começou tem um dia. Pelo que o Viktor contou alguns pacientes começaram a passar mal e não demorou muito para ter um surto de sintomas. O Uruha foi um dos últimos e pra descobrir que era pneumonia foi fácil. Só não descobriram de onde surgiu isso então todos foram examinados e agora estão sendo mandados para várias cidades diferentes.

Aoi mastigava sem muita vontade, escutando com atenção cada palavra de Reita. O amigo fitava o teto com o olhar perdido e sem vida. Nenhum dos dois estava em boas condições e o assunto da turnê era algo que não seria discutido naquele momento. O silêncio também presente dizia claramente que Aoi queria e ao mesmo tempo não queria saber para onde Uruha iria. Atarefados com os shows, já que muito provavelmente o evento não seria cancelado, ficaria realmente difícil se comunicar com o ex-loiro, algo que não passou nem em sonhos pela mente do Shiroyama.

Nem dele e nem de ninguém. Estavam tão bem no hospital, mesmo com as indas e vindas de saúde tudo estava numa rotina quase certa, mas a vida sempre dava um jeito de mudar as regras sem perguntar se os jogadores estariam preparados para isso.

Então não restava alternativa senão aceitar a imposição e mudar a visão de jogo.

— E pra onde ele ta indo?

Notas finais
Agora vou lá terminar de escrever o 43, beijos -q.