You Are Not Alone
11 Reciprocidade
Notas iniciais
Omg fiquei tão feliz com isso *---------*
Bem, não vou chantagear reviews, vai da consciência de vocês. Espero que apreciem o capítulo.
Boa leitura.
Uruha sentiu duas lágrimas escorrerem ligeiras por seu rosto enquanto a realidade lhe beijava a face e no meio de toda aquela dor Aoi surgia e lhe fazia ter esperança. Ele sabia, e naquele instante sentiu isso profundamente, que nenhum dos quatro o abandonaria, mas o moreno em especial estaria com ele carregando um sentimento tão puro. O loiro mal podia acreditar.
— Aoi, eu-
- O que eu mais queria nesse momento era poder te beijar e selar de uma vez por todas esse sentimento Uru, mas como eu não posso, acredite que quando esse momento chegar eu não vou pensar duas vezes em te fazer feliz.
Uruha não conseguia conter as lágrimas e colocou a máscara de oxigênio que havia perto de sua cama para poder abraçar Aoi, sentindo o toque do amado que também derrubava lágrimas. O moreno podia desfalecer ali só por sentir novamente a pele de Uruha contra si, acarinhando suavemente seus cabelos, trazendo junto alguns fios consigo.
Seu coração estava embalado no melhor sentimento possível, e agora Aoi agradecia por ter tomado coragem e ter saído de seu apartamento em vez de ficar o dia todo pensando. Sabia que os amigos demorariam a chegar, então aproveitaria da melhor forma possível a companhia do amado.
— Eu te amo tanto Uruha. Não deveria ter demorado tanto tempo para te dizer isso.
- Não se culpe Aoi, eu mesmo não deixei brecha ou fiz algo, mas o que importa agora é que nós estamos começando e sabemos o que um sente pelo outro. Eu também te amo.
Os dois ainda se mantinham abraçados tentando aproveitar o máximo possível daquele toque, que foi aos poucos cessando. Seus olhos ainda estavam marejados, era verdade, mas um brilho de alegria emanava deles e Uruha tratou logo de tirar a máscara, levando o braço até Aoi e acarinhando suavemente seu rosto coberto pela máscara cirúrgica.
— Que saudade de ver vocês sem isso. Assim parece que uma barreira nos separa.
- Eu também mal posso esperar para me ver livre até mesmo do hospital. Quero poder acordar e saber que está tudo bem com você e essa doença desapareceu.
- É o que também mais desejo Aoi, e espero que tudo acabe logo e bem.
- Vai acabar Uru, você vai ver.
Os dois sorriram e um sentimento bom se instalou entre eles enquanto trocavam carinhos suaves com seus dedos e mais alguns fios de cabelo desprendiam da cabeça de Uruha.
xXx
Reita acordou por volta de quatro e meia, sentindo o calor gostoso de Ruki sobre uma parte de seu peito. O tempo estava mais frio e o baixista ergueu um pouco a cabeça e conseguiu ver o céu cinza, ameaçando uma bela chuva.
Estava meio preocupado com Uruha, afinal de contas achava que estava a tempo demais longe do hospital, mas em contrapartida sentia que o amigo estava bem e seguro e sorriu fechado, aninhando ainda mais Ruki sobre si, puxando o edredom e fitando o nada. Seu sono havia passado e certamente não dormiria mais por um bom tempo. Mas, como estava com seu amado ali, não fazia questão nem de se mexer.
Não sabia bem quando começou, mas quando notou Reita já estava mais que apaixonado pelo menor. Seus olhares para ele eram mais contínuos e com muita coragem conseguiu chegar até ele, lhe chamando para um almoço.
Sim, tudo começou naquele almoço, quando o baixista foi aos poucos contando para o vocalista tudo que sentia, recebendo como resposta um olhar recíproco e um doce sorriso. Realmente não fazia tanto tempo assim, foi um pouco antes da última turnê finalizar, mas ainda assim os dois caminhavam bem, tudo há seu tempo.
Nunca tinham trocado mais do que selinhos rápidos, então Reita encontrava-se visivelmente feliz no momento, vendo seu baixinho assim tão perto de si, a respiração compassada e leve, os cabelos loiros escorrendo sem nenhum produto pela pele alva.
Sentia aquele momento como sendo um dos melhores de sua vida, ele e Ruki juntos compartilhando de um sentimento verdadeiro e puro sem que se deixassem abalar por qualquer coisa. O que mais desejavam era que pudessem ser feliz, compartilhando talvez até mesmo o teto sobre suas cabeças.
Seria realmente especial, e talvez não pudesse mais esperar tanto, sentia a ansiedade tomar conta de si e o desejo de acordar todos os dias com Ruki repousando sobre si era um sonho que sabia que estava prestes a realizar.
— Uma moeda por seus pensamentos, Aki.
Reita riu leve ainda encostado na cabeça loira do menor, dando um leve beijo nos fios descoloridos.
— Nós, Ruki. Nós. Estava pensando nas coisas que tem acontecido, esse começo do nosso relacionamento, a doença do Uruha, tudo isso parece ter ocorrido tão rápido que chega a dar vertigem.
- Ainda parece complicado aceitar a doença do Pon. Lembro de quando o Kai me ligou para ir ao hospital e nós conhecemos os médicos. Meu chão ainda não se recompôs disso. Mas, acho que isso ligou mais ele ao Aoi. – Ruki esfregou os olhos, mencionando sentar, puxando o edredom apenas para suas pernas desnudas.
- Nisso eu concordo. Ele bem que poderia se declarar de uma vez. O Aoi, eu digo. O Uruha é mais retraído.
- Tem a ver com o passado dele? – Ruki sabia que estava cutucando a ferida, mas algum dia tudo aquilo deveria vir realmente à tona.
- Tem influencia, é verdade. Mas, nem é tanto por isso, é que eles parecem se gostar a tanto tempo.
- Mas, não acha que falar agora com ele doente seria ruim?
- Acho que não Ruki. Daria forças para o Uruha, eles se entendem tão bem e o Aoi sempre faz ele se sentir confortável mesmo que nem se dê conta disso.
Ruki não concordou e nem discordou, apenas abraçou Reita novamente, escondendo seu rosto na curva do pescoço do loiro e fungando, fazendo-o se arrepiar.
— Quer me deixar excitado Ruki? Se continuar assim não vai precisar de muito mais.
O vocalista riu abafado por causa de sua posição, depositando alguns beijos na pele cálida, aconchegando-se melhor no colo do loiro que puxava novamente o edredom para si, cobrindo-se devidamente e se deixando levar pelos carinhos do menor, acarinhando suavemente seu cabelo.
— Excitado ou não eu só quero esquecer do mundo por mais algum tempo. E se perder aqui no seu pescoço me parece uma ótima válvula para isso.
Reita sorriu e fechou os olhos, deixando se levar pelas carícias enquanto suas mãos, tão ansiosas, começaram a percorrer lentamente pelas laterais do corpo de Ruki, fazendo várias vezes o caminho pela curva de sua cintura delgada, descendo mais até alcançar as coxas que estavam separadas devido à posição do corpo do menor. Seus baixos-ventres se tocavam, mas apesar disso o que reinava era a vontade de permanecer daquela forma, sem apressar o sexo ou qualquer outro toque mais íntimo, apenas mostrando ao outro a cumplicidade, a reciprocidade do sentimento.
— Você é tão cheiroso, Aki. – Ruki depositou mais alguns beijos antes de baixar novamente o corpo, pousando o rosto no peito do maior.
- Você também, Ruki. Já impregnou tudo que é meu com seu perfume. – Reita afagava os cabelos do menor quando o viu levantar o rosto, encarando-o.
- E que continue assim Suzuki Akira.
- Sim senhor!
Reita bateu continência e os dois desataram a rir, abraçando-se novamente, mas desta vez mencionando levantar, vestindo-se adequadamente para não passar frio. Reita colocou uma camiseta, e Ruki vestiu a própria calça, abaixando-se ao lado da cama até tatear e achar um chinelo do loiro.
— Você ainda tem outro?
- Tenho sim Ruki, pode usar esse.
O vocalista agradeceu e terminou de se ajeitar, saindo do quarto junto com o outro. Os dois foram até a cozinha, onde automaticamente suas barrigas roncaram.
— Elas pressentem o cheiro da cozinha, Aki, por isso roncam.
Os dois riram e decidiram comer algo leve, como um lanche. Ruki os preparou enquanto Reita espremia algumas laranjas e fazia um suco natural, tendo como plano de fundo a chuva que começara a cair.
— Tomara que a gente pegue um mínimo de trânsito, mesmo eu achando quase impossível. – Ruki comentou, terminando de arrumar a mesa.
- Principalmente por causa do horário de pico. Não é melhor ligar para o Aoi e avisar que vamos chegar mais tarde?
- Para o Aoi? – Ruki indagou confuso. – Porque para o Aoi?
Reita sorriu e colocou a jarra na mesa, sentando-se de frente para Ruki.
— Porque eu tenho certeza absoluta que ele não ia deixar o Uruha no hospital e ficar em casa. Ele ama demais para isso.
Ruki sorriu e se serviu do suco, mencionando começar a comer.
— Vai ligar para ele? Talvez a gente ainda tenha alguma sorte.
- Vamos ver. Até que sair na chuva é legal. Posso tentar pegar alguns caminhos menos usados até o centro.
- Não acha melhor levar algo para o Aoi comer? Se ele está lá com o Pon não vai sair para comer tão cedo.
- É uma boa idéia. Tem alguma coisa que dê pra fazer sem que tenha perigo de estragar caso a gente pegue trânsito?
Ruki assentiu e voltou sua atenção para seu lanche, comendo-o com vontade. Tinha orgulho por Reita ser assim todo preocupado com os amigos e atencioso, totalmente diferente do Reita bad boy que os fãs conheciam. E claro, nem precisava de muito para saber de qual realmente mais gostava, — apesar de que o lado ‘malvado’ do baixista o fazia arrepiar às vezes -.
Sentia-se bem na companhia do amado e cada momento que eles tiveram juntos nesses dois meses só fazia o vocalista acreditar veemente que havia encontrado a pessoa com quem gostaria de estar junto para sempre.
Estava feliz por ter encontrado alguém como ele, e também feliz por Aoi e Uruha, percebia como os dois se sentiam bem juntos e tinha o mesmo palpite que um nasceu para completar o outro. E claro, não esqueceu de Kai. Queria realmente que o baterista fosse feliz.
— Aki, não acha que o Kai deveria ter alguém também?
- Acho sim, ele me parece tão sozinho às vezes. Ele não fala muito sobre isso, mas dá pra sentir.
- Faz mais de um ano que ele terminou o último namoro. Acho que tudo aquilo mexeu demais com ele. E eu ainda me lembro que o Aoi me disse que torcia para que aparecesse alguém na vida dele que o fizesse se sentir especial. Tomara que apareça logo.
- É verdade Ruki, o Kai é especial. Espero que surja alguém que faça ele realmente feliz.
xXx
- Ah então quer dizer que eu me preocupei a toa em achar que o Uruha estava aqui sozinho. – Kai cruzou os braços e fez uma expressão séria, desatando a rir em seguida junto com os guitarristas.
- Desculpe não ter avisado Kai, achei que iria conseguir descansar bem.
- Não tem problema Aoi pelo menos está tudo bem e isso que realmente importa.
Os três sorriram e Kai se sentou perto da cama, vendo a caixinha retangular ao lado do travesseiro de Uruha.
— Andou ganhando presentes é? – O líder indagou, fitando Aoi de esguelha. – E tem algo que esqueceram de me contar?
- É então mãe... – Aoi ia começar a falar, mas ter chamado Kai de mãe rendeu boas gargalhadas para os três, que se divertiam enquanto o mundo desabava em água do lado de fora.
- Mãe? Eu tenho cara de mãe por acaso?
- Tem. – Aoi disse simplista, mas com um tom realmente cômico, fazendo todos rirem novamente.
- Bem, mãe ou não, — Kai disse depois de se acalmar. – eu ainda quero saber o que estão me escondendo.
E bem, Aoi até ia começar a falar, mas como a sorte do baterista era enorme, Ruki e Reita apareceram na mesma hora, com um semblante mais alegre e menos cansado.
— Eu disse Ruki, o Aoi ia estar aqui. – O baixista deu uma leve cotovelada no braço do amado, fazendo-o conter uma risada.
- Ainda bem, já que trouxemos algo para você comer.
Aoi ia dizer qualquer coisa, mas novamente foi interrompido, dessa vez por sua barriga que roncou alto, fazendo-o notar que havia várias horas que não comia nada.
— E como eu posso imaginar, faz tempo que não come, não é verdade? – Reita inquiriu, entregando a sacola para o amigo.
- É, acabei esquecendo, e agradeço por matarem a fome das minhas lombrigas.
Os cinco riram rapidamente e o moreno se virou para o líder antes de sair do quarto.
— E mãe, depois eu te conto.
Reita e Ruki entreolharam-se tentando descobrir o porquê do modo como Kai foi chamado, apesar de ele realmente parecer a mãe dos quatro.
— Eu perguntei para o Aoi que caixinha era essa aqui do lado do travesseiro do Uruha, e ele me chamou de mãe. – Como se tivesse lido os pensamentos dos dois, Kai tomou a frente e ouviu em uníssono os dois expressarem um ‘ahhhh’ enquanto Ruki se voltava para Uruha.
- E eu tenho certeza absoluta que o Pon sabe que caixinha é essa.
Uruha virou a cabeça, fingindo olhar para outra coisa, acabando por cair na risada com os amigos novamente, pegando o objeto em mãos e abrindo, mostrando o relicário para eles.
— O Aoi me deu quando chegou aqui mais cedo.
E abrindo o pequeno objeto, mostrou o kanji para os amigos.
— Junto com esse papel aqui dentro.
Sorriu. Apesar de tudo estava visivelmente feliz.
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