Notas iniciais
Oie Oie Oie *---*
A Tia voltou -QQQ
E com o cap do passado do Reita e do Uruha, tava na hora nee? -QQQQ XD
Bem, não vou parar vocês, espero que apreciem o cap.
Boa leitura.

Os três entreolharam-se levemente surpresos, mas com certo alívio por terem certeza de que iriam descobrir de uma vez por todas o que havia acontecido antes da banda se formar. Desde o começo sabiam apenas que Uruha e Reita eram bastante ligados, como se fossem irmãos, mas nenhum deles dava qualquer informação a mais que isso. Claro que os outros não insistiram, mas seria hipocrisia não dizer que a curiosidade lhes rondava e agora estava mais afoita, fazendo-os sentir a adrenalina percorrer suas veias.

Reita, por outro lado, tentava se manter calmo, sem fazer muito alvoroço. Sentou-se de frente para os amigos e os fitou uma última vez, respirando fundo e fechando os olhos rapidamente, se preparando para aquilo.

- Eu conheci o Uruha quando tinha sete anos, mas sempre fomos quase vizinhos. Ele morava na rua atrás da minha casa e eu me lembro que nunca tinha visto ele na escola, mesmo que a gente estudasse na mesma sala. Não tinha nenhuma ligação com ele, mas me recordo perfeitamente de como foi a nossa primeira conversa.

The Past

O pequeno e invocado Akira estava se preparando para encontrar seus pais no carro depois de mais um dia de aula no ensino fundamental, que havia iniciado naquele ano. O menininho, que não era muito de arrumar amizades, estava acompanhado de um outro garotinho e fez um sinal ao longe para seus pais indicando que iria com ele até ‘ali’.

Os dois assentiram, mas o Sr. Suzuki fez um sinal indicando que fossem rápido. Os garotinhos entenderam o recado e começaram a caminhar mais rápido até o carro dos pais do menininho e Akira deu apenas um ‘até amanhã’ bem rápido, fazendo o caminho de volta. No entanto, enquanto caminhava, ouviu, perto do terreno que havia ao lado da escola um choro abafado e correu rapidamente até ele, encontrando um menininho sentado no chão com um dos joelhos sangrando e coçando freneticamente os olhos, olhando-o e vendo que usava o uniforme da escola.

Caminhou até ele abaixando-se e tirando alguns fiozinhos de cabelo do rosto manchado pelas lágrimas.

- Hei, calma, você está bem? – Akira acarinhava bem devagar uma das bochechas gordinhas do pequeno, tentando sorrir para ele se sentir melhor.

- S-sim, mas, mas ta doendo. – O menininho ainda tinha a voz embargada pelo choro e fitou Akira, tentando se acalmar e sorrindo de volta.

- Fica calmo, ‘ta bem? Seus pais já ‘tão vindo?

O pequeno fez que ‘não’ com a cabeça, deixando Akira meio surpreso.

- Sempre vêm algumas das moças que cuidam de mim em casa, mas hoje elas estão demorando demais. – O menino tentou se levantar, conseguindo com a ajuda de Akira.

- Então vem comigo, minha mãe pode cuidar desse seu machucado e depois você dá seu endereço e a gente te leva em casa.

O menininho deu um sorriso de orelha a orelha, agradecendo e caminhando com certa dificuldade ao lado de Akira. Eles chegaram ao carro do segundo e seus pais olharam surpresos para seu acompanhante.

- Akira que aconteceu ao seu amiguinho? – Sua mãe deu passagem para os dois e se acomodou ao lado do que chorava, fitando seu joelho machucado. – Está ardendo não é mesmo?

Ela sorriu ternamente para o menininho, que assentiu com a cabeça.

- Mãe, pai, ele disse que quem busca na escola são algumas moças que cuidam dele, mas já que ninguém chegou eu disse que a mãe podia cuidar do machucado e depois o pai levava ele em casa. – Akira corou leve, prometendo coisas que talvez não fosse possível cumprir, apesar de ter relaxado quando viu seu pai sorrir.

- Claro que podemos, — Sua mãe também sorriu, tanto para o filho quanto para o menino, que retribuiu leve. – Você só precisa dizer aonde mora e seu nome, claro.

Conforme o menino – Realmente tímido. – começou a falar, descobriu-se que seu nome era Takashima Kouyou e sempre suas babás o buscavam na escola e ele só via os pais em casa. E para surpresa de todos, ele morava exatamente na rua atrás da casa de Akira.

xXx

- Os pais do Uruha sempre foram muito ocupados, por isso nunca o buscavam na escola. Mas, apesar disso não o tratavam mal ou algo parecido. As tais babás eram boas pra ele e a única coisa ruim da época era ver pouco os responsáveis. – Reita comentou, fazendo uma ponte entre a narração.

xXx

- Bem, Kouyou-chan agora que sabemos que mora tão perto, podemos cuidar de você rapidinho e te levar para casa já que suas babás devem estar preocupadas, e num outro dia você avisa a elas que vai na casa do Akira-chan brincar com ele.

O pequeno sorriu bobamente, concordando com a mãe de Akira e abraçando a própria mochila contra si. Permaneceu todo o caminho em silêncio levemente constrangido, mas até feliz. Provavelmente suas babás estariam malucas atrás dele, mas aquilo era apenas motivo para achar tudo divertido. Afinal de contas com seis anos aquilo era mais do que uma aventura.

Viu os portões da casa de Akira tão conhecidos para si e timidamente saiu do carro, sentindo novamente seu joelho puxar conforme caminhava. Fez um bico e ameaçaria chorar novamente se a mãe de Akira não tivesse lhe pedido para sentar rapidamente, por sorte voltando logo com uma caixa de primeiros socorros em mãos. Akira e seu pai tinham subido por alguns instantes e Kouyou voltou a corar com toda a intimidade para com aquelas pessoas que havia acabado de conhecer.

- Kouyou-chan você caiu lá na escola? – A mãe de Akira limpava o joelho do menininho calmamente, evitando passar muito depressa e machucar ainda mais a região.

- Eu... Eu fui empurrado, mas não vi por quem. Tinha um monte de gente passando, aí alguém me empurrou e quando eu vi já ‘tava machucado.

A mulher acarinhou suavemente a lateral do rosto do garotinho, sorrindo ternamente.

- Está tudo bem Kouyou-chan, você vai ficar bem. – Dito isso ela finalizou o curativo e foi até a cozinha, pegando um pirulito de chocolate. – Olha, eu até te convidaria para jantar, mas como nós te trouxemos sem avisar ninguém vou te levar rapidinho na sua casa e você volta um outro dia para comer aqui. Mas vou te dar isto por ser bonzinho e ter me deixado cuidar de você.

Kouyou sorriu de orelha a orelha, pegando o doce e agradecendo enquanto dava a mão para a Srª. Suzuki e a mesma lhe guiou até a porta pegando o necessário para levá-lo em casa. Despediu-se rapidamente do marido e do filho e Akira fez Kouyou prometer que os dois se encontrariam para brincar.

E mesmo sendo tímido o menininho acabou concordando.

Seu joelho não doía tanto e como ele morava tão perto de Akira logo sua mãe batia no portão de sua casa e uma das babás apareceu.

- Kouyou-chan que preocupação! – Ela abraçou o pequeno, depositando um beijo em sua testa e se voltando para a mãe de Akira. – A senhora é da escola?

- Oh não, eu sou mãe de um dos amiguinhos do Kouyou-chan. Ele caiu e se machucou e como eu moro na rua aqui de baixo aproveitei e fiz um curativo nele. – A mulher viu o rosto da babá se iluminar.

- Obrigada por tudo, ficamos desesperadas porque o serviço não terminou aqui e teríamos que deixar ele por mais um tempo lá. Obrigada de verdade.

- Está tudo bem, não se preocupe.

A mulher sorriu ternamente para a babá e logo foi embora, deixando Kouyou seguro em casa.

No outro dia como prometido, Kouyou e Akira se encontraram na escola e descobriram que estudavam na mesma sala, dando boas risadas em seguida por serem tão distraídos e nunca terem notado um ao outro. E mesmo se conhecendo há pouco tempo já se consideravam mais que colegas e sentaram juntos na sala, trocando palavras baixas quando a professora não via.

No intervalo também permaneceram juntos conversando um pouco mais sobre suas famílias. Kouyou descobriu que os pais de Akira eram médicos e trabalhavam numa clínica particular, podendo ter horário para entrar e sair o que, claro, era ótimo, visto que tinham o filho para cuidar, e Akira descobriu que os pais de Kouyou eram empresários e viviam fora de casa, seja fora do país ou só da residência e por isso o menino tinha tantas babás.

Descobriu também que Kouyou tinha duas irmãs mais velhas e que as babás tiveram que quase implorar para que elas não dissessem nada sobre o esquecimento do caçula na escola, como Akira ficou sabendo por ele. Certamente seriam demitidas, afinal de contas, mesmo sendo os pais de Akira bondosos como eram Kouyou era muito novinho e ter saído da escola com estranhos poderia ter acarretado conseqüências inimagináveis.

- Suas babás devem estar com medo até agora. – Akira comentou, rindo em seguida junto com Kouyou.

- Sim, minhas irmãs disseram que se acontecer de novo vão avisar para o papai e a mamãe. Mas, pelo menos não vou mais ficar sozinho.

Kouyou sorriu ternamente para Akira, que retribuiu com outro sorriso totalmente sincero. Os dois foram se tornando cada vez mais amigos e como as turmas não mudavam conforme os anos iam passando, eles tiveram a oportunidade de a cada dia que passava se conhecerem melhor e ao longo de seis anos se tornaram melhores amigos sempre morando um na rua atrás da casa do outro e claro, sempre que podiam estavam junto, fosse na casa de Akira ou na de Kouyou.

6 anos depois

Os dois se preparavam mais uma vez para ir à escola juntos e como sempre Kouyou estava esperando Akira do lado de fora de sua casa. Passava de pouco mais de seis e vinte da manhã e o sol do verão já começava a tomar conta do céu.

- Demorei? – Akira, que agora estava com os cabelos descoloridos e um pouco mais baixo que Kouyou usava uma faixa branca cobrindo o nariz e um penteado diferente, diferenciando-o totalmente das outras pessoas de sua turma.

- Imagine. O de sempre. – Kouyou que ainda estava moreno deu uma risada gostosa sendo acompanhado do amigo. Os dois tinham essa rotina desde o ano anterior quando começaram a ir a pé para a escola, mesmo tendo apenas doze anos. Seus pais confiavam já que a escola era perto e os dois concordavam que de certa forma era melhor que ir de carro.

- Bem, então vamos antes que minha mãe apareça e jogue uns sapatos pra gente ir correndo e não se atrasar.

Kouyou deu uma risada rápida concordando com a cabeça e caminhando tranquilamente ao lado de Akira. Vez ou outra ele costumava brincar com o amigo dizendo que havia ficado mais alto que ele, enquanto que Akira dizia que estava cada vez mais bonito e todas as meninas iam cair a seus pés.

- Sonhe Akira, sonhe. Só nos seus sonhos você é bonito. – Kouyou ria alegremente enquanto era chacoalhado por Akira que no fim das contas acabara por rir também.

- Você diz isso porque tem inveja da minha beleza superior.

- Beleza superior Akira? Me poupe. – Kouyou caiu na risada novamente, apenas amenizando o ato quando se viu na entrada da escola.

Como de costume os dois caminharam juntos até perto da quadra, se sentando ali perto e começando a conversar. Faziam aquilo sempre esperando que o sinal tocasse.

- Kouyou semana passada você chegou meio calado aqui na escola. Aconteceu alguma coisa? – O tom de voz de Akira era calmo e baixo e mostrava certa preocupação com o amigo, apesar da inocência da idade.

- Ahn, Akira... – Hesitou. – Você, você é contra relacionamentos entre mulheres ou entre homens? – Kouyou dobrou as pernas e as abraçou, apoiando o queixo nos joelhos.

- Não sei bem, nunca parei pra pensar sobre isso, mas não é algo que pareça nojento como algumas pessoas falam. Por quê? Você é gay?

Kouyou virou de supetão para o amigo, assustando-se com a pergunta.

- Não, não é por isso. Mas, respondendo sua pergunta, não, não sou. É que eu peguei meus pais e minhas irmãs conversando semana passada e eles têm nojo disso sabe. E o pior é que uma das minhas irmãs disse que nós dois passamos muito tempo juntos.

- O que?! – Akira esbravejou e Kouyou agradeceu por eles estarem sozinhos. – Kou isso não tem nada a ver, e tenho certeza absoluta que suas irmãs têm aqueles grupinhos de fofoqueiras que ficam falando mal de todo mundo.

Kouyou deu uma risada leve, concordando.

- Sim, elas têm um grupinho assim e às vezes aquelas meninas metidas vivem em casa falando alto e meus pais não reclamam, dizem que é normal. Agora dois homens não podem ser amigos por tempo demais, foi isso que eu ouvi. E tenho medo que tentem nos separar por causa disso. – Kouyou suspirou sentindo-se perdido. Gostava tanto de Akira, não queria que fossem separados por causa de idéias erradas.

- Sabe Kou, meus pais já falaram algo assim também. Mas nunca me repreenderam. Acho que por eles isso é algo sem muitos problemas, apesar de minha mãe ter comentado que nesses casos às vezes era bom esconder para sofrer menos. Acho que eles também acham que nós temos um caso.

- Isso é tão estranho Akira, eu nunca vi um menino com olhares diferentes ou algo assim, meus pais não deveriam fazer isso.

- Engraçado nee, antes eles viviam fora e você meio que ficava sobrando. Hoje em dia eles parecem estar querendo correr contra o tempo querendo mandar em você para parecerem mais presentes.

- Sim, nem sei o que fariam se algum dia me vissem com algum garoto.

- Você tem vontade de beijar um garoto? – Akira virou-se para ele e imediatamente Kouyou ergueu o olhar, fitando-o.

- Eu não sei, eles falam tanto nisso que me fez pensar como seria.

Kouyou se sentiu corar ao dizer isso, mas podia-se sentir perfeitamente que ele emanava sinceridade e até mesmo inocência e Akira deu um sorriso terno, aproximando-se um pouco.

- Quer me beijar Kou?

- O que? – Kouyou hesitou e virou o rosto, encarando-o novamente assustado.

xXx

- Tarado. – Aoi e Ruki disseram em coro e os quatro tiveram de colocar as mãos na boca para evitarem chamar atenção com suas risadas. Não estavam num lugar apropriado, infelizmente. Se não as risadas teriam durado por muito mais tempo.

xXx

- É. Quer dizer, estão falando tanto disso que me deu curiosidade em saber como é também.

- Mas, — Kouyou olhou para trás. – Aqui e agora?

- Não sei, acho que sim, não tem ninguém mesmo e é só uma curiosidade.

Kouyou hesitou um pouco afinal de contas tinha certo receio depois de ouvir a conversa de seus pais, mas, vendo que realmente não tinha ninguém, aproximou-se de Akira que fazia o mesmo e os dois aproximaram os lábios devagar, sem saber muito que fazer, era seu primeiro beijo, afinal. Sequer se movimentaram, apenas fecharam os olhos e se deixaram levar pela sensação nova, separando-se alguns instantes depois.

- Isso me parece tão normal quanto um homem e uma mulher se beijando. – Akira comentou, recebendo um aceno de Kouyou.

- Eu não entendo porque meus pais falam com tanto nojo. Não tem nada demais. – Kouyou realmente não entendia aquele asco todo, mas não teve muito tempo para pensar naquilo, visto que logo o sinal tocou e os dois foram para sua sala.

No fim das contas não parecia realmente ter nada demais.

Uma semana depois

Kouyou havia acabado de se despedir de Akira e caminhava tranquilamente até a rua de sua casa, apesar de estar meio triste. Era o último dia de aula antes das férias de verão e Akira iria viajar por uma semana com os pais. Chegou a chamar o moreno, mas seus pais não deixaram. Nenhum dos dois entendeu porque, mas como não tinham poder para discutir, apenas deram um ‘até logo’ para o outro. Sabia que era por pouco tempo, mas sendo Akira seu melhor amigo, Kouyou certamente ficaria aquela semana sem ter muito que fazer e era o que pretendia se não tivesse adentrado a sala de sua casa e encontrado seus pais e irmãs fitando-o com olhares reprovadores.

A princípio não entendeu nada e sentiu o coração disparar quando seu pai lhe desferiu um tapa no rosto, fazendo-o cair no chão. Levou uma das mãos até o local e viu uma Polaroid cair sobre si, arregalando os olhos ao ver uma foto dele beijando Akira.

- Eu disse que ele e aquele Akira tinham um caso. Esses nojentos. – Sua irmã mais velha disse com asco, fazendo lágrimas se formarem nos olhos do menino.

- Sim, nós também já desconfiávamos. – Sua mãe disse com um tom visivelmente decepcionado.

- Kouyou, esqueça seu sobrenome e essa família. – Seu pai o olhou seriamente, puxando-o por um dos braços e o fazendo se levantar. – Você é um deles e isso nunca será permitido nessa casa. Eu te dou cinco minutos para pegar suas roupas e dar o fora daqui. E esqueça o caminho de volta. AGORA!

Kouyou estava extremamente assustado e subiu as escadas correndo sem nem ao menos tirar o tênis. Chorava muito e mal teve tempo de pensar em algo, pegando qualquer coisa que havia em seu guarda-roupa e colocando dentro da mochila, colocando os cadernos e livros debaixo do braço e correndo porta a fora sem olhar para trás. Estava com tanto medo, com tanto receio que algum deles viesse atrás de si e tentou a todo custo pegar Akira em casa, mas sabia que quando o deixou lá alguns minutos antes as malas já estavam prontas e não havia mais ninguém.

Mas estava tão perdido e tremendo em demasia que ainda assim bateu e bateu, mas ninguém atendeu. Akira só voltaria dali uma semana e Kouyou deixou-se cair no chão, assustado demais para correr e com medo de se afastar dali. Só podia esperar, infelizmente.

Acabou abraçando a mochila e dormiu encostado na porta de entrada da casa, acordando com o barulho da chuva que começara a cair, molhando a si inclusive. A fachada da casa não era coberta e Kouyou ainda com os olhos vermelhos só conseguiu se levantar rapidamente e pegar suas coisas, correndo apressadamente pelas ruas desertas de Tokyo. O tempo estava quente apesar de ser noite, mas a chuva trouxe consigo ventos realmente gelados e quando achou uma ponte Kouyou se enfiou embaixo dela, colocando um casaco e se abraçando, tremendo de frio.

Voltou a chorar quase que imediatamente, tentando o fazer baixo para não chamar atenção demais. Tinha medo que alguém se aproximasse e ele não pudesse fazer nada, então se encolheu o máximo que pôde tentando passar despercebido, principalmente quando ouviu alguns sons de passadas.

Sentia a espinha se arrepiar quando o vento gelado batia contra si, e conforme o tempo foi passando e sua roupa secando no corpo, sentiu o rosto esquentar aos poucos. Sua visão começou a ficar um pouco turva e uma dor de cabeça lhe assolou devido à fome que sentia. Não tinha dinheiro para comprar nada e novamente chorou, agarrando firmemente os cabelos e abraçando as pernas.

Não sabia exatamente o que esperar dessa semana que passaria, mas não pretendia sair daquela ponte e com a mochila fez um travesseiro, abraçando-se aos cadernos e livros já amassados, dormindo depois de muito custo, ainda com medo de ser atacado.

Teve pesadelos horríveis durante a noite e acordou diversas vezes com barulhos e pessoas conversando ao longe, despertando de manhã mais cansado que antes e deveras faminto, sentindo a barriga reclamar constantemente. Ainda era bem cedo e o moreninho permanecia quente sem saber exatamente por que. Deveria estar doente, tudo que não precisava no momento.

Aos poucos ouviu movimentos acima de si, mas desta vez parecendo apenas de pessoas que caminhavam por cima da ponte para atravessar, provavelmente já era hora da cidade acordar. Bem, não ele, entretanto. Voltou a se deitar mais nas sombras para não ser notado e logo adormeceu novamente, podendo somente esperar.

Alguns dias mais tarde

Kouyou havia tomado chuva naqueles sete dias que se passaram e já não havia mais roupas para trocar. Seu rosto continuava corado e por três dias ele saiu da ponte para ir até restaurantes atrás de migalhas, mas estava tão assustado que acabou não mais saindo de seu casulo. Havia perdido a noção de tempo totalmente, e, torcendo por uma semana já ter passado, pegou suas coisas e caminhou aos tortos pelas ruas, as roupas sujas de lama, os cabelos desgrenhados e os livros e cadernos amassados e molhados, assim como os olhos marcados pelas olheiras e vermelhos de tanto chorar.

Era alvo de muitos olhares, mas tampouco ligava. Sentiu um arrepio ao saber que estava perto de casa, mas num impulso, ao ver Akira de longe adentrando sua própria, desatou a correr, chamando pelo amigo.

- Akira! – Gritou, chamando a atenção dele e de mais outras pessoas.

Akira se assustou ao se virar e ver o amigo todo acabado e sujo e gritou por seus pais que vieram de imediato assim que o moreno lhe abraçou, deixando-se cair no chão, como se houvesse acabado de achar um porto seguro.

- Kouyou que aconteceu? Porque você está todo sujo? – Enquanto indagava, a mãe de Akira se abaixou e levou uma das mãos à testa dele, notando a quentura no local.

- Eles... Eles me expulsaram Akira. – O moreno chorava aos cântaros, assustando os três. – Alguém tirou uma foto do beijo Akira, meus pais me chamaram de nojento e disseram pra mim nunca mais chegar perto deles. – Chorava fortemente, mas desta vez feliz por não estar sozinho.

Akira claro sentiu-se gelar fitando seus pais e colocando Kouyou para dentro de casa, fazendo-o se sentar no sofá enquanto sua mãe pegava um remédio.

- Faz quanto tempo Kou, onde você estava? – O loirinho acarinhava a cabeça suja do amigo ainda em prantos, lembrando-se do dia que se conheceram.

- Foi... Foi no dia que vocês viajaram. Eu tentei pegar vocês aqui, mas já haviam ido embora, e começou a chover então tive que correr pra me esconder. Eu ‘tava com tanto medo Akira, achei que alguém ia me atacar. – Tremia por causa da febre e sua barriga roncava alto de tanta fome que sentia.

Akira sentiu-se culpado por aquilo, afinal de contas tinha sido ele quem sugeriu o beijo. Tinha medo de imaginar o que o amigo havia passado enquanto estava na praia e ele aqui sofrendo e sozinho e o abraçou ternamente, sentindo duas lágrimas escorrerem pelo canto dos olhos.

- Eu juro Kou, juro pela minha vida que nunca mais você vai ficar sozinho. Eu vou cuidar de você para sempre e você vai morar aqui agora e não vai mais ser abandonado. – Tentava sorrir enquanto sua mãe pegava algumas coisas para o moreninho tomar um banho e seu pai pegava remédios para cuidar de sua febre, orgulhoso por ter pais que não tinham pensamentos mesquinhos como os do amigo.

E depois daquela semana torta, triste e vazia, Kouyou conseguiu sorrir de verdade, agradecendo por ter um amigo tão especial e pessoas dispostas a cuidar de si mesmo que não fossem sua obrigação.

Sentiu nostalgia ao pensar daquela forma, visto que conheceu Akira e seus pais da mesma maneira e mais uma vez eles cuidariam de um machucado seu.

The Past End