You Are Not Alone
14 Miyavi
Notas iniciais
Nha como vocês estão? *-----------*
Eu to amando os reviews e devo dizer que para quem gosta de MiyavixKai, preparem-se que as coisas vão começar a mudar para o Kai a partir desse cap :xx
Boa leitura.
Aoi, Ruki e Kai estavam em choque, diversas perguntas passando por suas mentes.
- Ele me disse que não havia sofrido abuso ou qualquer coisa mais traumatizante, ficou somente doente e com fome. Claro que não é apenas ‘somente’, mas contando o leque de coisas que poderia ter acontecido foi realmente pouca coisa.
- Por isso ninguém aqui do hospital conseguiu entrar em contato com a família dele. – Kai comentou e o baixista assentiu veemente.
- Depois daquele dia o Uruha ficou morando comigo. Meus pais foram falar com os dele e eles garantiram que não era preciso mudar o sobrenome porque eles não iam fazer denúncia ou qualquer coisa parecida. Nós não chegamos a ter um caso ou algo assim, somos apenas amigos realmente. Depois de alguns anos viemos pra cá e o resto vocês conhecem.
- E quem foi que tirou a foto? – Aoi indagou levemente alterado por aquilo, não gostava de imaginar Uruha sofrendo.
- As irmãs dele. Quer dizer, elas não admitiram, mas eu e o Uruha temos certeza de que foram.
Os três também chegaram a essa conclusão e se acomodaram melhor nas poltronas, Aoi massageando as têmporas. Parecia informação demais para todos eles, mas claro que o moreno sofria mais quando se tratava de certas coisas sobre o loiro, principalmente sendo dor.
- Akira-san? – Eles se voltaram para Viktor que da porta da saleta chamou Reita quase sussurrando, fazendo o baixista caminhar rapidamente até si.
- Está tudo bem? O Uruha está bem?
- Está sim não se preocupe. É que ele vai sair logo do banho, e você já pode ficar com ele. – O médico sorriu, fitando alguns papéis em suas mãos.
- Agradeço, e vou pedir que tente convencer eles a irem para casa um pouco, talvez seja bom dar mais uma descansada.
Viktor murmurou um 'sem problemas' e se dirigiu até os três enquanto Reita pôs-se a caminhar pelos corredores silenciosos do hospital, pegando sua máscara – Que aguardava devidamente para não deixar contaminar com algo. – e ajeitando direito no rosto, adentrou o quarto de Uruha, já o encontrando lá.
- E aí como foi? – Takashima mostrava as feições um pouco melhores, mas ainda se notava a linha abatida de seu semblante.
- Me chamaram de tarado pelo beijo. – O loiro caiu na risada ao ouvir aquilo. – E claro, ficaram preocupados quando comentei sobre a semana na rua, mas deixei claro que nada te aconteceu além da febre. E que nós não tivemos um caso.
- Eles acharam isso? – Uruha ainda tentava se controlar, mas também havia chamado o amigo de tarado no momento em que sugeriu o beijo.
- Não, mas preferi deixar tudo claro. Depois vou dizer para os médicos que você foi expulso de casa e por isso não é possível falar com sua família.
- Mas, eles vão acabar descobrindo, não? – O guitarrista suspirou leve, fazendo um bico pequeno e se ajeitando direito na cama.
- Provavelmente, afinal a comitiva foi alvo de muitas emissoras e já estão surgindo comentários.
- Você acha que eles tentariam aparecer aqui? – Uruha parecia levemente preocupado e incomodado com aquela idéia, desejando que fossem apenas pensamentos ruins passageiros.
- Eu acho que não. Eu desejo que não, na verdade. Você não merece passar mais nada de ruim por causa deles.
O loiro assentiu leve, sorrindo fraco e concordando que o melhor era realmente ficar longe deles. Não que quisesse uma aproximação, isso jamais. Queria de verdade ficar longe daquelas que tanto lhe maltrataram. No momento só o que desejava era sua recuperação e cura da leucemia, e sabia que se eles aparecessem isso não iria acontecer.
Não que eles fossem o foco principal de seus pensamentos.
- Eu ‘to ficando careca, Reita. – Fungou, tentando evitar as lágrimas de descerem.
O baixista não vocalizou nada, apenas respirou fundo e segurou uma das mãos do amigo acarinhando suavemente enquanto ele se entregava ao mar de sentimentos bons e ruins que lhe afligiam deixando que as gotículas caíssem, torcendo para levarem a intensidade de tudo àquilo embora.
- Vai ficar tudo bem Uru, nós estamos com você.
Mesmo com as palavras do amigo, Uruha já estava longe. Fitava o nada enquanto as lágrimas escorriam silenciosas, se perguntando por que as coisas estavam acontecendo daquela forma e porque com ele, mesmo que não estivesse preso a um pensamento só.
Sentia-se fraco, principalmente nesses momentos em que deixava tantos sentimentos aflorarem e suas pálpebras começaram a ficar pesadas, aos poucos o obrigando a fechar os olhos, o pranto desaparecendo lentamente e a respiração compassando novamente, o sono levando-lhe para um lugar mais calmo e tranqüilo além das paredes do quarto do hospital.
Reita foi soltando sua mão e o cobriu melhor, acarinhando suavemente sua cabeça, surpreendendo-se um pouco pelos fios que vieram tão fácil em seus dedos. Sabia que logo Uruha precisaria se livrar do comprimento ou talvez de tudo, e torcia para que conseguisse superar aquilo sem achar que viraria uma aberração ou algo semelhante. De longe aquilo aconteceria e o baixista torcia para que o amigo notasse isso, apesar de não ter tanta esperança.
- Reita-san eu consegui convencer seus amigos a irem e... Ele já dormiu? – Viktor caminhou apressadamente até o loiro, verificando sua temperatura.
- Ele chorou um pouco agora e se sentiu cansado. Acabou adormecendo. Mas, admito que esse cansaço dele está me deixando preocupado.
- E a mim também. Ele não mostra sinais de infecção, mas anda exausto demais. Acho que os remédios contra a anemia precisarão ser dobrados.
- Ele ainda não se recuperou totalmente? – Reita inquiriu, preocupado.
- Não. Está progredindo bem, é verdade. Mas daqui a seis dias começará o segundo ciclo da quimioterapia e ele está fragilizado demais. Vou precisar pedir ao Felipe que faça transfusão de sangue e a dieta dele seja mudada. Tenho seis dias para fazê-lo melhorar e a quimioterapia não me obrigar a isolá-lo.
- Isso ia fazer mais mal para ele. – Reita falou mais para si de tão baixo que foi, mas Viktor ouviu perfeitamente.
- A tv do quarto dele chega amanhã, isso pode ajudar a distrair, de certa forma, mas se ele esbarrar com programas jornalísticos que falem de vocês pode complicar. – Respirou fundo. — Reita-san – Virou-se para Suzuki, fitando-o sério. – tente falar com ele. Diga que ele vai ficar bem e que nada de ruim vai acontecer. Esses sentimentos aflorados estão acabando com sua saúde, e claro, isso afeta vocês, principalmente você, que é o acompanhante. Use esses seus dias de férias para fazê-lo ficar confortável, ele vai precisar quando vocês voltarem ao trabalho.
Reita sentiu uma pontada na espinha, esquecendo-se totalmente disso. Sabia como Uruha ia se sentir desolado quando estivesse sem eles no hospital e precisava a todo custo o fazer entender que jamais estaria sozinho. Tinha a todos consigo; Ruki e Kai que estariam ali para qualquer coisa; o próprio Reita que nunca o deixaria, e Aoi que, — Sabia perfeitamente. – daria a vida para ficar perto dele.
- Eu vou dar o meu melhor e te ajudar nesses seis dias a fazê-lo melhorar consideravelmente. – Falou convicto e emanando segurança, fazendo Viktor sorrir abertamente, anuindo mudamente, usando também o gesto para agradecer.
- Eu tenho certeza que vai conseguir.
xXx
Reita passou a noite inteira acordado, cochilando durante alguns intervalos quando suas pálpebras não conseguiam mais aguentar e seu corpo reclamava da poltrona. Claro que essa parte o baixista ia deixar esquecida na mente para não alarmar ninguém, mas ainda assim não conseguia se preocupar com mais nada que não fosse Uruha.
O loiro havia se mexido algumas vezes durante a noite, provavelmente decorrido de algum sonho ruim, mas em nenhum momento acordou, exalando tranqüilidade e paz na maioria da madrugada. Felipe ainda apareceu em alguns momentos para verificar, mas em todos Reita estava acordado então o hematologista também conseguiu dar uma relaxada.
Aoi, Ruki e Kai chegaram por volta de oito horas e fizeram uma troca, deixando Yutaka no lugar do baixista que agradeceu imensamente e ficou junto com Ruki e Aoi na sala de espera podendo dormir um pouco. Não havia se esquecido da promessa que fez à Viktor, mas no momento precisava descansar.
E claro que era bom para todos os outros que assim podiam ficar mais perto do amigo adoecido. Kai não havia conseguido fazer isso até o momento, o que lhe fez – Claro que não só por isso. – se voluntariar para ficar com ele.
- Kai? – A voz rouca do loiro devido à falta da fala decorrente do sono chamou a atenção do líder que deu um de seus lindos sorrisos.
- Bom dia Uruha.
- Bom dia. – Takashima sorriu, esfregando levemente os olhos e se ajeitando. – Aconteceu algo ao Reita e ele precisou ir embora?
- Não, na verdade está na sala de espera dormindo um pouco. Tivemos que insistir até ele ir e tentamos mandá-lo para casa, mas não adiantou.
- Ele deveria, anda tão cansado. – Uruha fez uma expressão triste, chamando a atenção de Kai.
- Uru está tudo bem? Sua expressão está tão melancólica. – O líder deu um sorriso terno quando o loiro o fitou encorajando-o a falar.
- Eu... São tantas coisas Kai. Tudo me sufoca. Medo de morrer, de perder vocês, a banda, o Aoi, os cabelos, as crises, o cansaço. Isso tudo é pressão demais para eu aguentar. – Lágrimas logo se formaram, mas Uruha as secou rapidamente. Não faria bem chorar no momento em que acabara de acordar se não certamente vomitaria tudo depois.
- Uru você não vai perder nada. Nem nós, a banda, o Aoi ou a vida. Você vai conseguir passar perfeitamente por isso, vai vencer essa luta e tudo vai ficar bem, acredite. Nós estamos com você. – Kai aproximou-se um pouco mais, segurando ternamente a mão do amigo.
- Eu tento acreditar, mas cada dia parece mais difícil. E eu sei que tudo isso está me deixando mais doente. Ouvi o Viktor e o Reita conversando ontem, ele acha que eu não melhoro da anemia por causa de tudo isso que sinto, mas falar sempre é fácil demais. – O tom triste da voz parecia ficar cada vez mais intenso causando agonia em qualquer um que a ouvisse por muito tempo.
- Uru eu entendo que é muita pressão e que você não consegue achar uma maneira de mudar isso, mas tente sentir de verdade, acreditar de corpo e alma que nós nunca vamos te abandonar e não é cabelo ou a falta dele que vai mudar isso. Nós estamos com você Uruha, acredite nisso. – Kai falava com a convicção de um líder nato fazendo um alívio quase instantâneo se instalar no coração do loiro que sorriu timidamente, mas dando certeza de que conseguia compreender aquilo finalmente.
Claro que não era uma guerra vencida ainda, apenas mais uma batalha conquistada, mas todos sabiam que não se podiam pular estágios e as coisas deveriam caminhar lentamente, sempre em frente e nunca deixando regredir por qualquer motivo que fosse.
Não era fácil, mas não era como se eles fossem desistir. Estavam ali por Uruha e assim permaneceriam de corpo quando possível e de alma quando a obrigação lhes chamasse. Mas, nunca, em hipótese alguma, o abandonariam.
E aquelas palavras de Kai tiraram todo o peso dos ombros de do loiro e mesmo sem ter tanta fome ele conseguiu tomar bem o café da manhã, e pediu que o líder não comentasse que ele sabia da conversa de Reita e Viktor. Claro que Kai não o contrariou, mas em troca o obrigou a falar tudo que eles haviam conversado.
Uruha não hesitou, afinal não queria que descobrissem que ouviu, então quando todos se retiraram o loiro explicou cada palavra, se emocionando com algumas e recebendo sempre o olhar acolhedor do líder.
- Vai ficar tudo bem Uru, acredite. Nós estaremos sempre com você.
- Eu sei Kai. Eu sei. – Sorriu mais abertamente mostrando mais forças. Não poderia desistir, afinal.
O líder sorriu amável, afastando-se quando a enfermeira precisou retornar. Aproveitou para sair um pouco e ir até os amigos, parando na entrada da sala quando ouviu seu celular tocar.
- Koga-san.
- Kai, como o Uruha está? – O empresário mostrava calma na voz, a primeira vez desde que descobriu que Uruha estava doente.
- Está melhorando Koga-san. Um pouco triste com as coisas, mas está melhorando.
- Bem, sobre a tristeza dele eu posso dar uma ajuda, até porque foi por isso que liguei. Algumas pessoas já trouxeram cartas e flores e eu ia pedir que você viesse buscar, quem sabe não o deixa um pouco animado? – A voz do empresário pareceu mais contente, alegrando também o baterista.
- Koga-san isso é ótimo. – Sorriu visivelmente feliz. – Vou falar com o pessoal e daqui a uns dez minutos eu saio.
- Está bem Kai, te espero aqui.
O líder concordou e desligou, guardando o celular e adentrando a saleta de espera, encontrando Reita dormindo, Ruki o fitando de vez em quando e Aoi no mundo da lua, provavelmente pensando sobre certo loiro. Mas, apesar disso o moreno foi o primeiro a fitar o líder, olhando-o com curiosidade, já que ele estava puro sorriso.
- Ficou milionário Kai, por isso está sorrindo assim? – Zombou, recebendo uma risada baixa do outro e chamando a atenção do vocalista.
- Não, na verdade tenho novidades para tirar um pouco da tristeza do Uruha. – Sorriu mais abertamente, levando os outros pelo mesmo caminho. – Sei que vocês não estão tão ‘por dentro’ do assunto, mas vou pedir que um fique com o Uruha no quarto enquanto eu vou à gravadora pegar algumas cartas para ele, e quando o Reita acordar vocês intimam ele a falar.
- Por mim sem problemas. – Ruki comentou. – Quando ele acordar a gente fala com ele. Enquanto isso pode ir. – Sorriu, recebendo outro sorriso do líder.
Kai agradeceu e pegou tudo que precisava, saindo rapidamente do hospital. Acabou o fazendo pela entrada principal, tendo de andar um pouco até achar um táxi, entrando no veículo rapidamente, sem ao menos notar que alguém o observava de longe com um sorriso no rosto. Se suas suspeitas estivessem certas havia acabado de ganhar uma promoção.
xXx
O baterista chegou à gravadora sendo abordado por membros de outras bandas que já haviam descoberto que Uruha era acometido pela leucemia. Alguns entregaram cartas e outras flores que o líder conseguiu, — depois de muitas risadas e tentativas de equilíbrio, — levar as coisas até o último andar da companhia, surpreendendo-se ao ver o que já havia.
Não eram muitas, na verdade, mas havia flores realmente bonitas na sala de descanso, aonde o empresário ‘promovia’ alguns membros do Staff à ‘jardineiros temporários’, para cuidarem das plantas e lembrarem de tirar algumas fotos para levarem à Uruha no hospital.
Mas, claro que Kai não conteve boas risadas ao ver o empresário no ramo da floricultura junto com os Staffs.
- Trabalho novo Koga-san? – Guardou as cartas numa sacola que uma Staff lhe deu, aproximando-se do empresário e fitando as flores colocadas na mesa de centro que normalmente era usada para servir de apoio às reuniões dos empresários com os membros da banda.
- Por um tempo talvez. – Riu novamente, pegando alguns papéis e entregando ao líder da banda. – Pelo menos até terminar as férias de vocês.
Kai ficou sério de imediato, mas o empresário não o havia chamado até a gravadora para tal.
- Mas, deixando essas coisas de lado. – Disse, tirando uma máquina de dentro do bolso e mirando as flores. – Que acha de levar algumas fotos para o Uruha junto com as cartas, aposto que ele adoraria e ficaria mais feliz.
- Tenho certeza que sim, Koga-san. – Kai voltou a sorrir, fitando o trabalho das moças enquanto o empresário tirava as fotos. – Ele anda para baixo realmente.
- Espero então que essas fotos e as cartas o façam se sentir melhor. – Sorriu, terminando seu trabalho e tirando o filme de dentro da máquina entregando para Kai. – Sei que é meio antiquado, mas enquanto revela o filme eu posso usar a minha digital para tirar mais.
- Sem problemas. – Kai sorriu, guardando o filme e vendo o empresário e os Staffs saírem da sala.
Ficou ainda algum tempo no local, aproximando-se mais das flores e as fitando, sorrindo enquanto passava delicadamente um dos dedos pelas pétalas, imaginando como Uruha ficaria feliz com todos esses gestos de carinho. Certamente ficaria mais contente e entenderia que ninguém o deixaria à mercê de sua própria sorte e que todos estavam com ele, mesmo em alma e pensamentos.
Estava imerso aos próprios e mal notou quando a porta foi aberta e seu nome foi chamado, fazendo-o quase dar um pulo quando uma mão lhe tocou num dos ombros, já que ele não se virou para o dono da voz quando fora chamado.
- Está tudo bem Kai? – Miyavi quase deu um pulo para trás, assustando-se com a reação do moreno.
- Está Miyavi, desculpe. Estava no mundo da lua. – Sorriu para o maior, se recompondo. – Mas, é bom te ver novamente, quanto tempo.
- Digo o mesmo. – Sorriu de volta, esticando como podia o braço, entregando uma carta para Kai. – E por sorte te peguei aqui. Vim trazer isso para Uruha.
Só então notando a dificuldade do tatuado em esticar o braço é que Kai notou o pequeno embrulho em seus braços, fitando com curiosidade e fazendo o maior sorrir.
Ia dizer algo, mas antes mesmo viu o maior se aproximar, retirando um pouco do cobertor e fazendo o baterista perder a cor ao ver do que realmente se tratava.
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