You Are Not Alone
26 Palco
Notas iniciais
Bem, sem enxer/encher/esqueci como escreve LOL linguíça aqui, bom feriado pra quem mora em Sampa ♥
Boa leitura.
PS: *Soçobrado = Que soçobrou; submerso, naufragado.
- Uruha, visita. – Viktor sorriu para seu paciente, que já estava acostumado a não ver por causa da máscara. Não se incomodava, ainda que preferisse claro, poder ver as curvaturas sem qualquer tipo de bloqueio. Entretanto, seus pensamentos foram dispersos ao ver Reita e Aoi adentrarem o quarto, sorrindo abertamente para eles.
- Hei Uruha como está? – O Suzuki inquiriu sentando-se numa das poltronas, já que seus pais resolveram sair para lhes darem privacidade. Aoi fez o mesmo no outro assento, o olhar ainda um pouco perdido.
- Melhor, finalmente. – Acomodou-se na cama, podendo fitar os dois. – Mas, meio triste por ter feito vocês irem embora anteontem por causa da minha crise. Devo ter atrapalhado a noite de vocês.
- Não diga algo assim, não atrapalhou nada.
- Mas, ficamos realmente preocupados. – Aoi completou; a voz ainda um tanto falha. – Pensamos que entregaríamos as toucas para você, mas acho que vai ficar para um outro dia.
- Toucas? Vocês me trouxeram toucas?
- Sim, cada um comprou uma para sua nova coleção. – Reita riu rapidamente. – Mas, parece que vamos adiar a entrega.
- Não precisavam se incomodar. – Uruha riu tímido. – Mas, se me recordo um pouco uma outra pessoa estava com vocês. É o guitarrista novo?
- Oh Uruha não pergunte sobre isso, por favor. – Aoi abaixou a cabeça, triste, os cabelos cobrindo o rosto. Ainda estava desarmado e, claro, confundindo o outro.
- Aoi, o que foi? Porque está tão triste? – Takashima se inclinou perto do moreno, tentando fitar seu rosto, já tão coberto pela máscara.
- Era ele sim, Kou. – O guitarrista virou para o amigo, que também o fitava triste. – Por isso o Aoi e eu estamos assim balançados. Não digo que o Ruki e o Kai não sofreram, mas eles estão lidando melhor que a gente.
- E – Mordeu de leve o lábio inferior. – quem é?
Aoi ergueu o rosto lentamente, fitando o amado. Seus olhos estavam vermelhos novamente e a respiração mais pesada, certamente não conseguiria mais conter aquela dor guardada, aos poucos transbordando para fora em lágrimas.
— Isso... Isso não é importante Uru...
- Mas é direito dele saber, Aoi. – Reita estatuou tristemente. – Eu também preferia não contar Uruha, mas sei que merece isso. É o Sugizo.
Takashima fitou o amigo confuso, algo deveria estar fora de ordem ali, apesar de estar mais preocupado realmente com Aoi.
— O Sugizo? – Parou ao ver Yuu se levantar e sair; a cabeça ainda levemente baixa. – Mas, eu achei que o Sugizo fosse do X Japan.
- E ele é. – Reita sorriu ternamente. – Mas, ele e o Yoshiki parece que tiveram uma conversa, e como o novo cd ou single da banda, não lembro agora, já saiu, ele achou que poderia nos ajudar e foi na audição. Acabou passando.
- Isso é bom, quer dizer, pelo menos assim eu tenho mais certeza que não serei trocado. – Uruha se ajeitou novamente, sorrindo fechado.
- Você jamais seria mesmo que o guitarrista fosse extremamente talentoso e estivesse disponível. E bem, eu e o Aoi viemos aqui meio que por isso mesmo. O Kai nos chamou para conversar e realmente nós estamos sufocados e sorrindo quase falsamente. Está doendo ver ele lá.
- Não quero e não posso ver vocês maus, não agüentaria daqui. – Sentiu o coração apertar, levando Reita a semi-cerrar os olhos.
- Uruha, não chore, pode passar mal. Nós realmente viemos aqui para ficarmos bem ao te ver, não queremos te atingir com isso.
Takashima concordou leve, tentando se acalmar. Ajeitou-se novamente e ficou um pouco melhor ao ver Aoi voltar, também um pouco mais apresentável. Repreendeu-se por ter sido fraco perto do amado, não precisava deixá-lo mais frágil e pior, mas depois de conversar com Reita ainda estava realmente desconsolado.
— Melhor a gente mudar o rumo do assunto. – Sugeriu, fitando Uruha ao se sentar. – Sabia que ele achou a minha touca infantil, Reita? – Virou para o loiro que começou a rir, recebendo um bico do mais novo, que inclusive usava a dita cuja do momento.
- Eu acho que ficou uma gracinha Uruha, a sua cara. Não digo que ela é infantil, mas que te deixou pior, deixou.
- Hei! – Viu os dois começarem a rir, fitando Aoi. – Não ria de mim, Aoi.
O moreno ia começar a falar, mas a entrada de Viktor fez os três lhe encararem.
— Minna, sinto em dizer, mas já são oito horas e as visitas terminaram.
Os três soltaram um 'ahhh' em uníssono, mas infelizmente regras eram regras. Despediram-se de Uruha novamente querendo lhe abraçar, mas, claro, sem poder. Seus pais retornaram quase em seguida, fitando o filho e lhe dirigindo olhares cúmplices, fazendo-o lembrar de que poderia ser liberado a qualquer momento, só precisava que Viktor lhe dissesse que o exame já estava marcado.
Estava ansioso de verdade, e por mais que houvesse descoberto sobre Sugizo, ainda assim estava feliz, viu que Aoi deveria estar precisando de um pouco de carinho, e depois de todas as demonstrações tanto dele quanto dos amigos, queria retribuir, lhes ajudar como pudesse, dar o carinho que recebeu para todos, estando convicto de que era aquilo que faria.
Acomodou-se em sua cama, já deitando e baixando o ângulo com a ajuda de sua mãe, que terminou de lhe cobrir. Daquela maneira poderia dormir a qualquer momento, e mesmo que estivesse melhor, ainda era assolado por algumas dores, que, claro, foram devidamente ditas à Viktor, como ele havia ditado que deveria ser feito. Uruha estava levemente inchado, assim como na primeira sessão, mas tinha sido avisado que era normal, dado a intensidade da quimioterapia.
Entretanto o loiro não podia medicar a todo o momento, entupir uma pessoa de remédios era desejar que a mesma tivesse um colapso, e como o tratamento circulava pelo organismo, qualquer medicamento mais forte poderia ter efeitos realmente indesejados. Claro que Viktor podia ministrar algo mais fraco e indicado em casos de tratamento com a quimioterapia, mas também não era bobo de pensar que a medicação extra anularia todas as dores e enjôos. Estava atento, como sempre, e conforme os minutos foram passando e o sono finalmente chegou para Uruha, o médico o verificou mais uma vez, deixando-o se entregar ao bem-estar de dormir.
— Com todo o respeito, – Fez uma leve vênia. – mas penso que os senhores deveriam se revezar para ficarem aqui. Ainda que Uruha esteja indo para casa temporariamente daqui alguns dias, quando voltarem será em tempo integral novamente, caso sua saúde lhe impeça de ficar em casa, então, se não for mal-educado de minha parte, lhes aconselharia isso.
- Meu bom menino. – A Senhora Suzuki sorriu terna. – Estamos bem. Havíamos pensado nisso, mas vamos esperar Kou-chan voltar quando os resultados de seu exame chegarem para realmente nos revezarmos.
- Mas, agradecemos a preocupação. – O Senhor Suzuki sorriu para o médico que retribuiu da mesma maneira, pedindo licença e saindo do quarto, deixando a tv ligada e as luzes apagadas, como mandava o hospital.
xXx
Estava absurdamente frio àquela hora da manhã, mais precisamente oito horas e os cinco podiam congelar com o vento batendo em si. Estavam do lado de fora da gravadora, esperando apenas a van com destino ao local do festival chegar, para lhes levar para uma primeira avaliação do local. Aoi estava um pouco mais tranqüilo, mas havia passado a noite de casa de Reita, para não ficar sozinho e não ser atormentado por seus fantasmas.
Pensava em Uruha, a única coisa que lhe aquecia no momento. Reita e Ruki tocavam os dedos e Kai trocava mensagens com Miyavi, ainda que fosse realmente começo do dia, ou quase, claro. Ishihara havia acordado para cuidar de Lovelie e viu a mensagem que o outro lhe deixou, verificando a hora em que foi enviada, acabando por responder. Zombava do outro já que estava no ambiente de sua casa com calefação acompanhado de sua garotinha enquanto Kai trabalhava.
O líder do GazettE não podia deixar de rir baixo e concordar com o outro, somente voltando a atenção para o redor quando viu seu transporte parar ao lado dos quatro, visto que Sugizo veio logo em seguida, acompanhado do empresário e de alguns membros do Staff.
— Bom Dia Minna. – Sorriu, recebendo o cumprimento de volta. – Kai, aqui está a curta agenda do dia, vocês vão até lá, dão uma olhada com os Staffs e anotam o que precisarão. Vamos conversar segunda-feira e vocês já farão a primeira prova das roupas. Não sei bem se conseguirão ensaiar, mas se preparem para outro dia cheio. Se precisarem de algo estarei aqui quando voltarem.
- Agradecemos Koga-san.
Kai sorriu e junto com os outros se encaminhou até a van, espaçosa e com o logo da banda, já que levaria os Staffs consigo. A sensação de alívio foi grande quando adentraram o espaço quente, já com o ar-condicionado ligado, aconchegando os corpos frios. Reita, Aoi e Ruki se sentaram mais na frente, enquanto Kai e Sugizo foram acompanhados dos Staffs, algumas conversas soltas circulando pelo espaço enquanto o automóvel começava a se mover.
O casal tentava ficar o mais próximo que podia, e como Aoi parecia estar em outro planeta, mal se dava conta que uma das pernas de Ruki estava quase por cima das de Reita, ainda que ele estivesse se contendo. O moreno, no entanto, permanecia cabisbaixo, mais quieto do que o normal soçobrado* em seus pensamentos e agonias, chamando a atenção de Kai. O líder virou-se para Sugizo, sussurrando em um de seus ouvidos.
— Por favor, Sugizo-san, troque de lugar com o Aoi, se não for um problema.
O guitarrista fitou o menor, sorrindo fechado e negando que seria incômodo. Anunciou baixo, mas audível para trocar de lugar com Aoi, o moreno assentindo leve e se sentando perto de Kai. O líder lhe abraçou pelos ombros, fazendo-o depositar o rosto em seu casaco quente, que aos poucos fora umedecido pelas lágrimas. Um choro baixo se iniciou, e ainda que nenhum dos dois se importasse realmente com a intrigante situação, nenhum dos outros presentes mencionou qualquer coisa, voltando para suas conversas baixas.
...
— Oh sim parece um ótimo lugar.
Ruki encontrava-se ao lado dos outros, de frente para o imenso palco. O dito cujo em questão já estava inteiramente montado e outras bandas também se encontravam no local, já imaginando a grandiosidade do evento. Reita não pôde deixar de sentir a pontada ao lembrar que Uruha não estaria com eles, não achou que seria algo de tal magnitude. Todavia, foi tirado de seu mundo conforme os outros foram caminhando para as instalações, era hora de trabalhar fora das paredes da PS Company.
...
— Então vamos recapitular. – Argüiu Kai. – Temos amanhã livre e hoje o resto do dia, e segunda-feira teremos prova de roupas, reunião sobre o que precisaremos no dia da apresentação, e?
- Se tudo ocorrer bem, apenas isso, e dependendo da hora ensaiarão até o almoço. Depois estarão livres, e a partir de terça-feira ensaiarão direto até a sexta-feira da outra semana, já que sábado será o festival. – O empresário completou.
Os cinco assentiram e se prepararam para ir embora, tentar aproveitar um pouco seu sábado. Reita e Ruki dificilmente se desgrudariam, Kai estava se sentindo tentado a ir ver Miyavi, ainda que não tivesse real certeza se deveria fazer, Sugizo provavelmente ficaria na companhia das filhas e de sua esposa, e Aoi desejava, acima de tudo, dormir.
— Aoi-san, tem certeza de que ficará tudo bem?
- Oh sim Sugizo, obrigado pela preocupação. – Sorriu. – Eu preciso dormir e apenas isso, pode ficar tranqüilo.
- Bem, sabe que se precisar de algo é só ligar.
- Eu sei Kai, e agradeço de verdade. Mas, é apenas conseqüência de uma noite ruim, desculpe por aquilo.
- Não se preocupe Aoi. – Reita interviu. – Sabemos como está complicado. Se precisar ligar sabe que não tem hora, e se vai mesmo dormir, que consiga descansar bem.
Shiroyama agradeceu aos amigos, adentrando seu carro, o cheiro amadeirado, característico de seu perfume totalmente impregnado em cada detalhe do automóvel. Fechou os olhos por um momento, pousando a cabeça no encosto e respirando fundo, tentando se manter são. Era apenas uma substituição temporária e ele sentia que precisava entender aquilo de uma vez, ainda que fosse realmente difícil.
Não queria mentalizar aquilo no momento, sabia que depois de descansar estaria realmente apto a pensar em alguma coisa e sorriu fechado para a foto de Uruha na tela de seu celular, dando um leve beijo no aparelho e se arrumando, almejando sua quente cama.
Saiu mais leve do local, feliz pelas ruas livres. Não estavam em totalidade, claro, mas não sendo horário de pico conseguia guiar bem pelas pistas, pegando alguns atalhos conhecidos, vendo-se na rua de seu apartamento, finalmente. Sorriu abertamente, podendo sentir a maciez de seus gostosos edredons no corpo cansado, separados apenas pelos portões do estacionamento que aos poucos começaram a ser erguidos.
— Assim fico mais feliz. – Sugizo sorriu, aliviado. Havia permanecido com Kai na gravadora, a pedido do próprio líder. Agora se encontravam perto de seu carro, conversando.
- Desculpe realmente, você é muito querido Sugizo-san, não duvide disso. – Yutaka sorriu amável, dando um abraço no guitarrista.
- Eu acredito de verdade, Kai-san, não se preocupe. Entendo Aoi-san e já imaginava que ele tinha algo com Uruha-san para ser tão ligado. Espero que ele consiga ficar bem.
- Ele vai, mas tem medo de te machucar. Aoi não queria chorar naquele momento, mas todos têm seu limite. Eu só queria mesmo deixar claro que ninguém aqui te odeia, jamais pense algo assim, por favor. É só que a dor da leucemia já conseguiu tomar metade do coração do Aoi, mas ele realmente gosta de você.
- Eu confio em cada palavra sua, Kai-san, realmente não me senti mal, apenas curioso, espero que não ache que estou mal, digo a verdade quando falo estar bem.
- Isso é realmente bom. – Sorriu. – Espero que aproveite seu sábado.
- Desejo que aprecie bem o seu também ao lado de Miyavi-san.
Kai ergueu uma sobrancelha, fitando o guitarrista, que logo começou a rir, levando-o pelo mesmo caminho.
— Até você? Nunca mais me preocupo. – Riu mais ainda, despedindo-se realmente do outro, agradecendo por poder sentar no aconchegante banco de seu carro. Pegou seu celular fitando rapidamente a hora, antes de sorrir de canto. – Não que ele estivesse totalmente errado. – Sentiu algo bom lhe preencher por dentro, saindo finalmente da gravadora.
xXx
— Finalmente!
Aoi se jogou em sua cama depois de um bom banho, mais aliviado e tranqüilo. O peso de seus ombros havia sumido e só o que restou foi um corpo necessitado de descanso, relaxando imediatamente ao se ajeitar e cobrir devidamente, fitando a foto revelada de Uruha no criado-mudo enquanto se deixava levar pela gostosa sensação de bonança, adormecendo quase de imediato.
...
Acordou boas horas depois, vestindo-se devidamente e se preparando para cozinhar algo enquanto falava com Reita pelo celular.
— É uma boa idéia, ligo avisando para nos encontrarmos lá?
- Por mim pode ser, mas vou ver se vou junto com o Kai e o Sugizo, então pode deixar que com eles eu falo. Comente apenas com Ruki e a hora pode ser a que te passei. – Mexia algo dentro da panela, tentando prender o celular entre o ombro e a orelha.
- Eu avisarei sim Aoi, até amanhã.
- Até.
Desligou, sorrindo alegremente. Mal podia esperar para o dia seguinte chegar, e junto com ele a visita à Uruha. Era um pouco arriscado levar Sugizo, mas, sendo ídolo do outro, Shiroyama tinha absoluta certeza de que passaria um bom domingo em sua companhia, revigorando-se para outro começo de semana.
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